Estava de noite quando um grupo de seis fazendeiros bêbados resolvera pegar o caminho da floresta para voltarem para suas casas. A floresta, especialmente naquela noite, estava mais assustadora do que o normal o som dos insetos cobria a inteira floresta, as folhas das arvores se remexiam e os animais se escondiam entre as folhagens deixando somente seus olhos a mostra, porém aquilo não parecia importar o grupo que andavam rindo e cambaleando pela estrada de terra.

Os bêbados tinham em suas mãos garrafas com a metade do conteúdo e somente um deles carregava uma lanterna liderando o caminho.

– Ei você ouviu sobre os rumores da floresta? – O fazendeiro com a lanterna dizia – Dizem que essa floresta e amaldiçoada dizem que existem monstros que comem pessoas aqui.

– Você acredita nisso Jorge – O outro agora falava – Isto é –HIC- história para as crianças não ficarem andando aqui – HIC- e se tivesse mesmo um monstro –HIC- é minha mulher quando eu chegar –HIC- em casa.

O grupo começava a rir do comentário do amigo e continuavam seu caminho. Se passaria alguns minutos até todos eles ficarem em silencio foi quando eles ouviram estranhos sons nos arbustos próximos deles.

– Vocês ouviram isso? – Jorge, aquele que guiava o caminho, parava virando sua lanterna pelos cantos da floresta em busca do que fizera o som.

– Pare com isso Jorge –HIC- deve ser só porque você bebeu demais –HIC –.

– Mas eu tive a certeza – Jorge olhava pelos lados novamente, mas não achava nada – Talvez só a imaginação mesmo.

Os bêbados retomavam seu caminho, mas logo paravam novamente só que desta vez diante uma cena inexplicável. A alguns metros deles um garoto estava de joelhos em frente ao corpo de uma mulher cutucando o rosto dela com seu dedo, ele então parecia notar o grupo de bêbados que agora havia parado, ele se levantava e virava para eles olhando diretamente para Jorge que parecia ser o único a ter notado. O garoto tinha cabelos negro que chegavam até a altura de seu pescoço, sua pele era levemente pálida e ele vestia uma camisa branca com sua gola aberta em V e uma calça preta porém sem nenhum calçado.

– Porque você parou Jorge? – Um dos bêbados dizia enquanto ia ao lado de Jorge.

Jorge, porém nada falava, seu corpo inteiro tremia e com algum esforço ele parecia levantar seu dedo apontado para o garoto que ele acabara de ver. O bêbado olhava para onde o seu amigo apontava, mas sua visão turva não deixava que ele entendesse o que estava vendo.

– Aquilo e uma mulher? – O bêbado dizia colocando sua mão sobre seus olhos na expectativa de enxergar melhor – Aquilo ali na frente definitivamente e uma garota né?

– Uma garota perdida na floresta – Outro bêbado comentava – Deve ser nosso dia de sorte.

O bêbado que estava ao lado de Jorge começava a andar em direção ao garoto ele esboçava um sorriso e tentava parecer o mais elegante possível, mas quando este chegou próximo ao garoto teve seu sonho quebrado.

– Você não é uma mulher? – O bêbado se aproximava mais do garoto praticamente a um palmo do rosto do garoto que não parecia não se importar com o homem.

Sem que o bêbado tivesse alguma reação o garoto cravou a mão no peito dele e como se não fosse muito esforço para ele arrancou o coração do homem. O fazendeiro só teve tempo de se virar para seus amigos e olhar o rosto deles antes de cair.

– JONNY! – Um dos bêbados gritou e correu em direção ao assassino de seu amigo batendo na cabeça deste com sua garrafa.

O vidro se despedaçou na cabeça do garoto, o bêbado se levantou seu rosto para ver o seu adversário tendo certeza de sua vitória quando seu rosto foi agarrado pela mão do garoto, seus olhos pareciam brilhar amarelo enquanto ele olhava o homem então com sua outra mão ele arrancou o coração deste também.

Os bêbados restante começaram a se virar e correr na direção contraria ao do assassino de seus dois amigos exceto Jorge que parecia ter congelado no mesmo lugar, segundos depois os gritos dos três bêbados que fugiram eram ouvidos e de onde eles haviam corrido dois lobisomens carregando seus corpos surgiam.

Jorge simplesmente continuava parado, ele olhava para trás vendo o corpo de seus amigos e depois voltava sua atenção para a frente se deparando com o garoto a alguns passos deles e então sua visão escureceu.

O garoto lentamente retirava sua mão do rosto de sua última vítima balançando ela no ar para que o sangue saísse dela, o corpo então caia e os lobisomens se aproximavam dele, foi quando o garoto ouviu uma risada.

– Uma garota? – Um dos lobisomens ria – Eles te confundiram com uma garota.

– Cala boca! – O garoto gritava parecendo estar bravo – Vamos levar esses corpos, quero esquecer disso logo.

– Claro, Phillip ou devia dizer Phillipa.

Phillip ignorava seus companheiros que ficavam recolhendo os corpos e começava olhar o céu vendo a lua cheia daquela noite. Haviam se passados dois anos desde que Phillip havia matado seus pais e fora resgatado do caçador, ele agora vivia com as pessoas, melhor dizendo lobisomens, que haviam o resgataram naquela noite. Nestes meses Phillip fora introduzido ao mundo os lobisomens aprendendo mais um pouco sobre sua natureza e como a sobreviver como um, porém diferente de seus companheiros ele ainda não havia passado pela maioridade e por isso não conseguia se transformar durante as noites.

Após um tempo o grupo chegava a mesma mansão abandonada onde Phillip havia sido trazido quando resgatado, aquela eram o que eles chamavam de quartel general, mas Phillip sabia que aquilo era somente uma desculpa por não acharem um lugar melhor.

Eles entraram pelas portas da mansão carregando os sete corpos que conseguiram. Phillip sempre se impressionava como aquela mansão ainda estava de pé toda sua estrutura estava corroída e a madeira podre quebrava de você simplesmente tocar nela.

– Vocês chegaram – Um outro homem vinha lhes dar boas-vindas e notava os corpos – Vejo que a caça de hoje foi boa.

– Sim, um grupo de bêbados estavam passando na hora que conseguimos essa mulher então resolvemos pegar eles também – Um dos lobisomens falava – Claro que o Phillip aqui ajudou a gente com toda sua habilidade de distração.

– Como assim? – O homem dizia.

– Eles acharam que ele era uma mulher e ficaram estonteados por sua ‘’beleza’’ – O outro lobisomem respondia.

O estranho sobre os lobisomens e que eles, assim como os animais, podem se comunicar em uma linguagem que só eles mesmo se entendem e todos mesmo em sua forma animal, claro isso se eles tiverem controle sobre ela.

Phillip simplesmente ignorou o comentário de seus amigos jogando os dois corpos que carregava no chão e começou a caminhar pela mansão em direção a outro cômodo.

– Phillip isso me lembrou tenho que falar com você em particular – O homem dizia andando em direção ao mesmo quarto de Phillip.

O quarto que ambos andaram era nada mais que uma velha sala vazia e praticamente com metade de seu teto faltando e de um lado havia os restos do que uma vez foram uma lareira. Phillip se apoio ao em uma das paredes encarando o homem enquanto ele se dirigia ao centro da sala.

– O que você quer Johnny? – Phillip citava o nome do homem que sorria pare este.

Johnny era um homem nos seus possíveis vinte anos de idade tinha cabelos negros e curtos e sempre andava vestindo um casaco longo com bolsos onde colocava suas mãos sempre.

–Bom, você ainda não passou pela maioridade certo? – Johnny dizia enquanto tomava leves passos em volta da velha sala.

– Sim e qual o problema?

– Isso e um pequeno problema, porque você já devia ter passado pela maioridade – Johnny se aproximava de uma das paredes passando o seu dedo nela juntando poeira nele – Quando um lobisomem tem a maioridade atrasada dizem que é a transformação não é uma calma. Então se você sentir algo, me fale.

– Só isso?

– E outra coisa, há caçadores andando pela floresta, se você encontrar algum fuja – Quando Johnny dizia aquilo seu rosto parecia se tornar mais sério que o normal.

– Qual o problema, acha que eu não posso me virar? Só porque perdi uma vez?

– Phillip – Johnny suspirava – Como eu falei, você nem pela maioridade ainda passou, como quer enfrentar caçadores? E o mesmo que cometer suicido, você é fraco Phillip ainda mais que você é um criado...

Phillip parecia se enfurecer ao ouvir aquilo, ele avançava contra Johnny ficando a alguns passos dele.

– Somente porque você é um puro sangue não significa que você e o mais forte daqui!

– Mas então quem é?

Phillip se preparava para falar algo quando simplesmente desistia e se afastava de Johnny. Ele então se virava e sai da sala dando as costas para o homem.

– Tenho o pressentimento que isso vai ser uma longa noite...

A mansão orginalmente possuia dois andares, porém atualmente o segundo andar estava quase inacessível já que boa parte de seu chão havia caído sobre o primeiro andar e o resto que sobrara podia cair a qualquer momento, mas aquilo não importava para Phillip no momento. O garoto subia pelos restos da escada chegando ao corredor do segundo andar totalmente esburacado ele seguia pelo corredor pulando pelos buracos com cuidado para que ele não caísse com o resto dele, no fim do corredor havia um único quarto que ainda se mantinha em pé e possivelmente era o mais conservado de toda a mansão. O jovem lobisomem entrava por ele se dirigindo a um dos cantos e se sentando ali encostado na parede enquanto fechava seus olhos.

Mesmo havendo se passados dois anos Phillip ainda era fraco em consideração aos outros lobisomens ele nem podia se transformar ainda. ‘’Provavelmente eu sou um peso morto para eles’’ era o único pensamento que enchia a cabeça do jovem. Não importava quanto tempo ele havia se dedicado ou quanto ele havia suado ele ainda estava muito longe do nível de seus companheiros. Enquanto pensava Phillip lentamente começava a dormir.

Sons de tiros o acordavam Phillip ele levantava o mais rápido que podia, ele não sabia quanto tempo havia dormido mais aquilo realmente era o som de tiros e isso só pode significar uma coisa quando você é um lobisomem, caçadores. Ele correu pelo corredor pulando os buracos entre eles mais rápido que podia através dos buracos descendo para o primeiro andar, lá ele encontrou Johnny e outros dois de seus companheiros todos em sua forma animal em frente a porta.

– Phillip! – Aquele era Johnny dizendo – Eles nos acharam, se esconda!

– Onde estão os outros? – Phillip temia a resposta mais tinha que perguntar.

– Saia daqui rápido! – Johnny não respondia, sabia que Phillip já sabia a resposta.

– Eu vou ficar também tenho que lutar! – Phillip corria em direção aos outros.

Quando Phillip se aproximava Johnny virou contra ele acertando a costa de suas palmas no rosto do garoto empurrando ele contra umas das paredes que se quebrava com o choque.

– Eu disse para você sair! – Johnny parecia estar gritando – Se não serei eu que te matarei ao invés deles.

Phillip se levantava dos escombros da parede olhando para os seus companheiros e Johnny que o encarava intensamente até mesma em sua forma animal então correu para atrás da mansão.

– Você não mataria ele Johnny – Um lobisomem dizia – Você se preocupa com esse garoto mais do que se preocupava com seu próprio filho.

Johnny não dizia nada ele simplesmente voltava a olhar a porta foi quando eles ouviram os vidros se quebrando e o som da porta de madeira sendo derrubando a frente deles cinco caçadores cada um com sua arma e espada empunhados sem pensar os três lobisomens avançaram.

Phillip já estava fora do local através de um buraco no fundo da mansão. Mesmo ouvindo as ameaças de Johnny o garoto se esgueirava pelas arvores da floresta até um local onde ele pudesse ver a luta ao achar um ele se agachava atrás de um arbusto e começava a observar.

Johnny e os outros lobisomens estavam costas a costas se defendendo das espadas de seus adversários, dois dos caçadores já estavam no chão ensanguentados os que restaram hesitavam em avançar contra os lobisomens simplesmente atacando eles de longe. Um dos caçadores foi tentar carregar sua garrucha foi quando um dos lobisomens avançou nele ao mesmo tempo cortando o rosto inteiro dele com suas garras o outro caçador que estava ao lado rapidamente desferiu um corte no lobisomem decepando sua cabeça. Agora só restavam Johnny e o outro lobisomem contra três caçadores.

Johnny foi o primeiro a avançar atacando dois caçadores de uma vez deixando com que o outro lobisomem só enfrentasse um. Johnny acompanhava os caçadores defendendo a espada deles com suas garras enquanto o outro lobisomem lutava empatado com caçador. Um dos caçadores então retirou um pequeno objeto esférico e tacou ele no chão que explodindo em uma fumaça de cor avermelhada, aparentemente a bomba era feita com diversos temperos para enganar o olfato dos lobisomens. Johnny e outro lobisomem começaram a tentar coçar seu nariz enquanto os caçadores se escondiam atrás das paredes da mansão e carregavam suas armas, quando a fumaça finalmente sumia os lobisomens aparentemente estavam sozinhos na sala onde lutavam. Ambos lobisomens não conseguiam sentir o cheiro dos caçadores devido a bomba então a única coisa que podiam fazer era ficarem alertas, eles começaram a andar em volta da sala procurando seus adversários quando o lobisomem passou perto da porta da entrada um dos caçadores pulou de seu esconderijo e tentou disparar sua pistola para sua má sorte a pistola travou e o lobisomem aproveitou desferindo um corte em seu abdômen, porém enquanto caia o caçador consegui soltar sua arma e dar um último disparo no rosto do lobisomem.

– Te vejo no inferno – Eram as últimas palavras do caçador antes que ele engasgasse com seu próprio sangue.

Johnny ficava com os últimos dois caçadores que não se importavam mais em esconder pulando para fora de seus esconderijos, o primeiro estava pronto para disparar sua arma quando Johnny pulou contra ele rasgando sua jugular o outro porém conseguiu realizar o dispara acertando as costas de Johnny que caiu no chão lentamente voltando a sua forma humana. O caçador se aproximou mancando e ofegante de Johnny retirando sua espada e apontando para ele.

– Pelos meus amigos.

O caçador levanto sua mão e estava pronto para desferir o golpe final quando uma espada atravessou seu estomago, ele soltou sua espada e virou lentamente para ver a forma de Phillip atrás dele segurando a espada que agora atravessava seu estomago e que antes pertencera a um de seus companheiros, o garoto então lentamente retirou a espada e olhou para o caçador que caia ao chão enquanto tentava tampar os ferimentos com as mãos.

– Vocês lobisomens – O sangue começava a escorrer pela boca do caçador – Porque precisam caçar os humanos.

– É a mesma coisa que fazes com os animais – Phillip dizia olhando para o caçador

– Então somos animais para vocês – O caçador começava a rir sozinho – Elisa, papai vai poder finalmente te encontrar.

O caçador parava de respirar confirmando sua morte. Phillip corria em direção a Johnny que estava deitado no chão, porém consciente.

– Garoto, eu disse para você fugir – Johnny falava fraco.

– Mas eu não fugi.

– Verdade – Johnny começava a rir – Acho que por isso que estou vivo – Com a ajuda de Phillip Johnny se sentava e olhava os corpos de seus companheiros – Nosso bando...

Phillip somente abaixava sua cabeça como se tivesse respeitando a morte de seus amigos.

– Phillip me levante, vamos sair daqui, mas eu preciso descansar um pouco.

Phillip colocava o braço de Johnny em volta de seu pescoço levantando ele e o levando para outro comodo.

Notas finais
Uma unica observação se passaram dois anos desde o ultimo capítulo. Phillip esta com 15 anos.