Fallen Spirits

8 O fim chega para todos


– Dean, acorde, já amanheceu. — Lucy dava pequenos empurrões no braço de Dean para tentar acordá-lo.

– Huff.. Só mais um pouco.

– Meu pai está esperando Dean, acorde.

Dean mesmo evitando, abria seus olhos, estava descansado, pronto para mais um dia. Ele virava para Lucy encarando-a, que estava ao seu lado sorrindo, sentada na cama.

– Você fica mais bonita a cada dia que passa Lucy, e olha que já se passaram dois anos. — Disse ele dando um pequeno sorriso, sentando-se na cama.

– Bom dia Dean! — Lucy dava uma leve e meiga risada para o elogio de Dean.

– Bom dia. Seu pai já começou?

– Sim, ele me pediu para acordá-lo de novo.

– Tudo bem, já estou indo, vou apenas me trocar.

– Ahn, ok. Vou esperar lá fora. — Disse Lucy, indo em direção a cozinha.

Dean então se levantava e ia em direção a uma pilha de roupas que estava em uma cadeira ao lado de sua cama, ele se vestia e calçava suas botas de trabalho, era uma roupa para frio que ele sempre usava para trabalhar.

Ele então ia em direção a cozinha, saindo do quarto em que dividia com Lucy, o quarto era grande o suficiente para dois, não havia muitas coisas lá, apenas duas camas, uma mesinha no meio delas e uma estante de livros encostada na parede.

– Estou indo Lucy, tenha um bom dia.

– Você também Dean. — Dizia Lucy sorrindo para ele enquanto limpava um prato que estava sobre a mesa. — Ah Dean, não se esqueça, amanhã meu pai irá nos falar sobre os vampiros, aquilo que você queria saber.

– Ok. — Ele então saia pela porta indo em direção ao quintal da casa, estava frio, era a época mais fria do ano, mas não estava nevando, apenas estava nublado.

– Bom dia Dean. — Um comerciante conhecido por Dean passava pela estrada em frente a casa, indo em direção ao centro, ele estava carregando um saco em suas costas.

– Bom dia senhor Simon. — Dizia Dean acenando com a mão para o homem, então ambos seguiam seus caminhos.

Ele então chegava no quintal da casa, que na verdade era uma enorme floresta, já havia uma área bem aberta, muitas árvores haviam sido cortadas, lá estava Hector, cortando outra árvore com um machado.

– Finalmente Dean, já estava pensando que não viria.

– Foi mal, não é fácil me acordar, deve ter sido difícil para Lucy. — Dean vestia suas luvas de trabalho, pegava um machado e ia em direção a uma das árvores.

– Bom, ela nunca reclamou..

– Acho que se acostumou.

Os dois riam por alguns segundos e então começavam a cortar as árvores. Era um ótimo trabalho, dava algum dinheiro e Hector não precisava ficar longe de sua filha.

– Mas então, o senhor irá nos falar sobre os vampiros amanhã, não é? A forma de neutralizá-los, estou querendo saber disso à um bom tempo, o senhor já me ensinou sobre os lobisomens, balas de prata. — Dean dava uma última machadada na árvore e então se afastava com alguns passos para trás, a árvore caia no lugar exato em que ele havia marcado.

– Sim Dean, agora que você dominou a forma de usar o facão e como usar armas, só me resta lhe ensinar as coisas mais simples, que na verdade são bem importantes. Mas algo que eu nunca lhe perguntei.. O que irá fazer quando se vingar de seu irmão? Tem mais algum plano? — Hector colocava a cabeça de seu machado no chão em sua frente, se apoiando no cabo.

– Na verdade não.. Mas se o senhor permitir, e quiser é claro, eu gostaria de ficar com vocês.. por mais um tempo. — Dizia Dean mostrando timidez e um pouco de vergonha, ele encarava o chão evitando olhar nos olhos de Hector, esperando a resposta do velho.

Hector dava uma pequena risada. — Dean, você é como um filho para mim, pode ficar o tempo que quiser, Lucy também gosta de você, então não tem problema.

– Obrigado. — Dean com um sorriso no rosto começava a cortar outra árvore, o velho então começava a fazer o mesmo, e isso se repetiu durante o dia todo.

– Ok Dean, terminamos por hoje. — Dizia o velho, largando seu machado e indo em direção a Dean.

Dean também largava o machado e tirava suas luvas, ele usava o braço para tirar o suor de seu rosto e esperou Hector chegar até ele.

– Dean, amanhã vamos carregar esses troncos e levar para Hiesville, vamos receber um bom dinheiro garoto. — O velho colocava a mão no ombro de Dean e dava uma risada alegre. — Você pode até comprar um presente para Lucy, quem sabe, ela iria gostar.

– É, acho que sim.. — Dean coçava a cabeça, ele estava com um pouco de vergonha, ele gostava de Lucy, mas não sabia porque o velho estava empurrando-a para ele.

– Bom, vamos entrar, amanhã será um dia melhor, e pela manhã tenho que te ensinar sobre os vampiros. — Hector largava o ombro de Dean, então os dois iam em direção a casa.

– Chegamos. — Disse Dean, esperando com que Lucy escutasse.

– Lucy? Está ai? — Perguntou o velho, em voz alta. Ninguém respondia. — Procure-a, Dean.

Dean então começava a procurar por Lucy em todos os cômodos, até chegar ao banheiro, ao abrir a porta, Lucy estava lá, nua, dentro de uma banheira, ela rapidamente colocou seus braços em frente a seus seios, seu rosto então começou a ficar vermelho.

– Dean!! — Gritou Lucy com raiva, pegando um sapato e jogando em direção a Dean, ele rapidamente saia do local fechando a porta, fazendo com que o sapato atingisse ela.

– D-Desculpe Lucy! — Disse Dean em voz alta, logo olhando para Hector, que o encarava de uma forma espantada, foi um momento bem constrangedor para todos. — Ela está aqui. — Ele apontava com o indicador em direção a porta, esperando alguma bronca do velho.

Hector ficou em silencioso por alguns segundos, mas logo começou a rir de uma forma exageradamente alta, por algum motivo, ele havia achado aquilo algo bem engraçado.

– Hahahaha, venha Dean, deixe ela ai. — Disse o velho, seus olhos estavam lacrimejando de tanto rir.

Mais algumas horas se passaram, Dean já havia tomado seu banho, e jantado com Hector e Lucy, ele já estava em sua cama, já era quase meia noite. Lucy estava na cama ao lado, ela não havia falado nada com Dean desde o incidente ocorrido no banheiro.

– Lucy.. Você tem algum plano?

– Hum? Que tipo de plano? — Lucy se virava na cama, olhando para Dean.

– Algum sonho, alguma coisa que você queira fazer na vida.

– Para falar a verdade, eu nunca pensei nisso, e você?

– Antes de tudo isso acontecer eu acho que tinha, eu gostaria de viajar para lugares que eu nunca visitei, conhecer outras cidades, países, não apenas pela curiosidade, sabe? Mas pela aventura que eu teria em cada um desses lugares. — Dean estava olhando para o teto, suas mãos estavam atrás da cabeça, ele estava totalmente relaxado, quase dormindo. — Sabe, se de alguma forma algum dia isso acabar, você gostaria de vir comigo? — Ele agora olhava fixamente para os olhos de Lucy.

– Dean.. eu.. — As palavras de Lucy agora eram interrompidas por um alto som de vidro quebrando, alguns segundos depois o som de rugidos e de uma arma disparando podiam ser escutado.

– Lucy, fique aqui, tranque a porta e não saia de maneira alguma, eu já volto. Ok? Não faça nada estúpido, por favor! — Disse Dean correndo em direção a porta, pegando sua "garrucha" e seu facão de prata que estavam presos na parede, ele saia pela porta e corria para o quarto do velho. Lucy rapidamente ia em direção a porta, desesperada, trancando-a.

Dean chegava no quarto do velho, ele estava no chão, sangrando, em sua frente, dois lobisomens o encarando, prontos para atacá-lo, e no chão, outros dois lobisomens mortos, um com a cabeça arrancada, e o outro provavelmente com uma bala de prata em sua testa. Dean não hesitava, aproveitava a distração dos lobisomens com o velho e apontava sua arma para um deles, mirando com precisão, disparando, um dos lobisomens caia no chão, inconsciente, a bala o acertou no pescoço. O problema daquela arma é que só podia dar um tiro por vez, ele teria que recarregar para dar o próximo tiro. Ele então largou a arma no chão, encarando o outro lobisomem com seriedade, ele agora tinha apenas seu facão. A criatura rosnava, estava babando, ela então dava uma investida para cima de Dean, correndo para cima do mesmo, Dean recuava um pouco, procurando a melhor opção para se defender, o lobisomem então pulava em cima dele, fazendo com que seu facão caísse longe, Dean segurava a criatura pelo peito com uma das mãos, de uma forma com que ela não o alcançasse, e com a outra tentava alcançar seu facão, mas estava muito longe, o lobisomem rugia abrindo sua boca, pronto para morde-lo, ele era forte de mais para Dean segurá-lo.

– Dean, aqui! — O velho jogava um saquinho de pano em direção a Dean que erguia seu braço alcançando-o, ele sabia o que era, e com aquilo na mão, ele começou a apertá-lo com a intenção de que conteúdo que tinha dentro se soltasse, ao conseguir, ele apertou aquilo no focinho da criatura, que alguns segundos depois, pulou para trás, arranhando com suas longas garras o peito de Dean. Aquilo era pó de prata, a criatura o inalou e estava em pé, desnorteada, Dean aproveitou para pegar se facão que estava no chão.

–Ahhhh! — Com um grito de dor e raiva, Dean pulava em cima da criatura, estocando a ponta da lamina em seu rosto, perfurando seus olhos e cérebro, o animal berrava de dor, e começava a tomar sua forma humana, mas Dean não parava de fincar aquilo em seu rosto, sabia que o monstro já estava morto, ele então puxou a criatura com uma das mãos e com a lamina do facão cortou sua cabeça fora, o objeto feito de prata penetrava a carne de lobisomens mais facilmente, então não foi tão difícil para Dean. Ele então se levantou e foi em direção ao outro lobisomem, que ainda estava em sua forma animal, fazendo o mesmo, ergueu seu facão segurando-o com ambas as mãos e com toda força desceu em direção ao pescoço da criatura, atingindo seu osso, ele fazia isso mais algumas vezes até arrancar sua cabeça.

Dean estava apavorado, ele largou o facão, e caiu de joelhos, ele estava cheio de sangue, seus olhos estavam arregalados e sua respiração ofegante.

– Dean.. venha aqui. — Disse Hector, forçando a voz, ele mal podia falar. — Me leve até minha filha.

Dean não disse nada, segurou o velho pelas costas e pernas e o levou até o quarto de Lucy.

– Lucy, abra a porta. — Disse Dean de uma forma séria.

Ela rapidamente o fazia, abria a porta, Dean entrava com Hector em seus braços, colocando-o em sua cama.

– O que aconteceu?! — Gritava Lucy, desta vez quase chorando.

– Escute o que ele tem para te dizer, Lucy. — Falou Dean, sabendo que era os últimos momentos de Hector.

– Lucy.. minha filha.. — Ele passava a mão no rosto de Lucy, colocando seu cabelo para trás da orelha. — Eu não vou aguentar, mas.. quero que saiba que minha vida valeu a pena, cada segundo, eu sou grato por ter tido você e sua mãe, quero que você seja feliz e viva cada dia como se fosse o último.

– Não pai, por favor.. — Lucy chorava e se lamentava por tal momento, ela sabia que não havia mais jeito.

– Dean, eu te considero um filho, quero que siga seus objetivos e se torne um bom homem, pense antes de fazer qualquer coisa e cuide de minha filha, não deixe que nada de ruim aconteça com ela.

Dean acenava sua cabeça positivamente, concordando com o que o velho dizia.

– Não se preocupe minha filha, você não estará sozinha, Dean é um bom rapaz, ele cuidará de você, também tem sua tia que fará o mesmo, isso não é um adeus, um dia você irá me ver novamente. Eu te amo Lucy. — O velho então fechava seus olhos, dessa vez, para sempre.

– Não! Pai, por quê?.. — Lucy chorava desesperadamente, abraçando o corpo do homem.

Dean estava em pé, ele não se aguentou, e lágrimas começaram a sair de seus olhos. Ele então se ajoelhou, ao lado de Lucy.

– Lucy..

Ela então se virava para Dean e ambos se abraçavam, chorando.

Notas finais
Dois anos se passaram desde o último capítulo, atualmente Dean está com 14 anos.