A luz do sol se erguendo acordava Phillip, ele estava deitado sobre uma cama enrolada em um lençol fino. Primeiramente ele estranhou o lugar, enquanto ele se levantava da cama ele analisou a sua volta e o único lugar que ele podia lembrar de ter semelhanças era sua antiga casa.

Por algum motivo Phillip estava novamente em sua casa, ele ainda se lembrava do incidente que acontecera neste mesmo lugar em que ele retirara a vida de seus pais, mas aquilo tudo parecia ser um sonho agora, foi quando ele ouviu a porta se abrir seu pai e seu irmão entravam por ela carregando grandes pedaços de madeira.

– Phillip você finalmente acordou. – Dean era o primeiro a falar enquanto ele colocava as toras em algum canto da casa e batia suas mãos limpando elas – Hoje era seu dia de pegar lenha, mas como você não acordava eu tive que ir. Você está me devendo essa.

– Dean seu irmão já te cobriu mais vezes do que ele pode te cobrar, não se lembrar quando você quebrou o braço? – O pai dos garotos acariciava a cabeça de Dean enquanto falava.

Dean se emburrava com seu pai lembrando do acidente onde ele quebrou seu braço e seu irmão teve que substitui-lo, mas logo depois os dois começavam a rir como se aquilo fosse uma velha piada.

– Vamos vocês, o café está quase pronto! – Uma linda mulher surgia de outro cômodo segurando em sua mão uma colher de madeira. – Vão se aprontar, você também Phillip vá se trocar.

Todos continuavam sua conversa, porém Phillip não havia ainda falado nada, o primeiro a notar foi Dean seu irmão que se aproximou dele.

– Ei Phillip algo de errado? – Dean perguntava enquanto tentava ver o rosto do irmão que encarava para baixo.

– Será que você está preocupado? – O pai dos garotos avançava lentamente em direção a Phillip – Por ter nos matado?

Em um segundo o mundo a volta de Phillip parecia entrar em chamas agora ele estava de pé no meio dos corpos de seus pais suas mãos manchadas de sangue, assim como naquele dia. Dean estava no mesmo canto, porém ele não chorava somente encarava o chão.

– Porque!? – Dean gritava para Phillip.

Sem que o garoto percebesse Dean avançava contra ele e logo uma forte dor tomava conta do peito de Phillip, seu irmão ria enquanto levantava seu rosto que parecia estar derretendo. Phillip recuava alguns passos e encarava a fonte da dor no seu peito, uma faca. Segurando para que ele não gritasse de dor Phillip retirava a faca e a jogava no chão.

– Phillip... – Seu irmão falava, mas parecia que sua voz fora substituída pela vez de um demônio.

Phillip encarava mais uma vez o rosto de seu irmão que agora era somente uma caveira com pedaços de carne ainda preso. Ele não aguentava aquilo e pensava em correr, porém mãos agarravam seus pés impedindo ele de andar. Seu irmão então avançou mais uma vez.

Phillip acordava assustado, o suor escorria por todo seu corpo ele lentamente levantava enquanto olhava o lugar que estava, aparentemente ele estava deitado em um monte de feno e ele conseguia ver a paisagem a volta em movimento a melhor coisa que ele pode pensar era estar em algum tipo de carroça ele olhava para o céu e percebia o dia ainda estava para chegar.

– Oh você acordou. – Uma voz vinha de trás do monte de feno onde Phillip estava.

O garoto então começava a empurrar o feno a usa frente abrindo um caminho para a frente da carroça nela havia um homem sentado segurando duas rédeas presas a dois cavalos ele utilizava um chapéu preto e mantinha sua atenção na estrada.

– As balas estavam bem fundas em você foi um sufoco tirar. – O homem dizia enquanto puxava as rédeas para que os cavalos fossem mais lentos.

Phillip quase havia esquecido os eventos daquela última noite ele rapidamente checava seus ferimentos vendo que agora eles estavam enfaixados pelo que pareciam ser pedaços de pano.

– Eles vão demorar um pouco para se curarem, balas de pratas se despedaçam quando entram em seu corpo, mas com o tempo os pequenos pedaços que sobram saem. – O homem continuava a falar.

Phillip nada respondia ele simplesmente fechava o caminho que ele tinha feito pelo feno e voltava para a parte de trás da carroça onde tinha acordado ignorando o homem.

– Não quer falar? – O homem perguntava.

– Não significa somente porque você salvou minha vida eu vou ficar te devendo algo. – Aquelas eram as únicas palavras de Phillip.

– Favor? – O homem dava uma pequena risada. – Garoto nós olhamos um pelos outros, se você duvida de algo olhe para o lado.

O homem terminava e apontava para o lado em direção a floresta Phillip seguia a direção da mão do homem notando entre as arvores quatro estranhas sombras se movimentando por entre elas. O garoto forçava seus olhos até conseguir ver o que eram aquelas sombras para sua surpresa cada uma delas eram um gigante ser que mais se parecia uma mistura de homem com lobo, um lobisomem.

As coisas começaram a encaixar e finalmente fazer sentido para Phillip suas mudanças durante a noite e também seus novos gostos ele era um lobisomem, ele até mesmo já tinha considerado acabar se transformando em algum tipo de vampiro ou zumbi, mas a hipótese dos lobisomens ainda não havia passado por sua cabeça.

Foi quando a carroça parou bruscamente atirando Phillip contra a pilha de feno que o cobriu todo. O garoto surgiu de dentro do monte e se virou para os lados procurando o motivo da carroça ter parado.

– Chegamos – O homem à frente da carroça dizia enquanto descia dela.

Uma grande casa se encontrava a frente deles, os lobisomens que os acompanhavam por dentro da floresta rapidamente entravam pelas suas janelas. A casa mais parecia uma mansão abandonada que já teve seus dias melhores buracos estavam por toda parte, seus vidros todos quebrados as arvores já cresciam por dentro dela e outros animais pareciam habitar lá também.

– Bom não é muita coisa, mas e o melhor que temos. – O homem agora caminhava a frente da mansão tocando em uma de suas portas que acaba caindo de tão velha que esta era. – Acho melhor entrarmos.

Phillip descia da parte de trás da carroça e caminhava até a mansão seguindo o homem, perto dela ele analisava novamente sua estrutura e a única coisa que ele podia pensar era aquela casa caindo em cima deles.