Fallen Spirits

12 O valor do sangue


Ele cuspia o sangue de sua boca, sorrindo. — Estou esperando, bata com um homem! — Gritava Dean, caçoando. O homem lhe dava mais um forte soco no rosto, abrindo um corte abaixo de seu olho.

– Seu desgraçado, vou matá-lo! — O agressor gritava, morrendo de raiva.

– Espere. Você não pode matá-lo. Apenas ele tem as informações que precisamos. — Um homem sentado em um tipo de trono logo a frente de Dean interrompia o agressor. Ele vestia um terno nobre, seus cabelos eram longos e sua coloração era acinzentada, ele estava com suas pernas cruzadas enquanto segurava uma taça cheia de sangue. — Senhor Roberts, posso chamá-lo assim?... Bom, não importa, eu só preciso de uma informação. Você matou o único de nós que sabia sobre o paradeiro da foice, mesmo que ele não tenha lhe dito nada, ele estava trazendo informações anotadas em seu diário. Você matou muitos de nós, mas quer saber? Eu não ligo. Nos entregue o diário ou me dê a localização do corpo e eu acabo com seu sofrimento, o que acha?

– Eu já disse que não sei nada sobre essa porcaria de foice, seu vampiro de bosta. — Dean novamente cuspia no chão, mostrando desrespeito. — E sobre o corpo de seu amiguinho, eu o queimei, ganhei uma boa grana pela cabeça dele.

– Você quer tanto assim morrer? — Ele aproximava a taça de sua boca inalando o aroma do sangue que havia lá por alguns segundos, logo bebia um gole. — Rowan, continue.

– Sim, Lorde Bruce. — Rowan, o vampiro que estava torturando Dean novamente se voltava para ele, dessa vez com um sorriso sádico em seu rosto. Ele usava suas enormes garras para arranhar o peito e barriga de Dean, fazendo-o sangrar.

Dean tenta segurar a dor fechando seus olhos e apertando seus dentes, mas se aquilo continuasse assim, ele não iria resistir. — Por quê um vampiro de sangue ruim como você é chamado de Lorde? Essa posição não era para membros da realeza, vampiros de sangue puro? — Ele queria chamar a atenção de Bruce, para atrasá-los o máximo possível.

– Do que está falando Dean? — Bruce erguia sua mão mandando Rowan parar de torturá-lo. Ele terminava de beber o sangue em sua taça, colocando-a em uma pequena mesinha ao lado de seu trono. — Você tem algum preconceito por nós também termos sangue humano? Já esqueceu de seu irmãozinho? — Bruce erguia sua cabeça lançando uma breve risada sádica.

Dean se espantava, ele não esperava por aquilo. "Esse verme sabe de algo?" pensou Dean, agora quieto, encarando Bruce com seriedade.

– O que foi Dean, surpreso? Vi seu irmão pela última vez em Eastwick, ele estava com um bando de lobisomens há uns cinco anos atrás, aposto que foi o idiota do Johnny, não é a primeira vez que ele faz isso, aquela aberração realmente tem sentimentos. — Ele dava outra risada sádica. — Rowan, outra taça.

– Sim meu Lord. — Respondeu Rowan pegando a taça de cima da mesa, deixando o local.

– Como você poderia saber de algo assim? Quem é você? Como conhece a mim e a meu irmão? — Dean estava confuso, não entendia como o vampiro tinha tantas informações sobre ele.

– Ora.. eu tenho meus contatos.. e meus meios. — O vampiro colocava seu cotovelo sobre o braço do trono e então apoiava seu punho no queixo. — Que tal uma troca, eu te dou informações sobre seu irmão e você me entrega o diário, o que acha, senhor Roberts?

Era uma oferta tentadora e Dean sabia, era a única pista que ele tinha de Phillip desde sua infância, mas ele não podia confiar em um vampiro.

– É uma oferta tentadora.. mas quer saber? Eu recuso. Eu faço meu caminho. — Dean olhava para a escada que levava para fora do calabouço e assobiava, alguns segundos depois era ouvido uma explosão no andar de cima, sons de coisas quebrando, pessoas se movimentando e gritos podiam ser ouvido. Bruce olhava para a escada, perplexo, não sabia o que estava acontecendo. A porta que dava ao calabouço era arrombada e um vampiro descia rolando as escadas que dava a ela, ele estava morto.

– Rowan! — Gritou Bruce, apavorado. — Volte imediatamente.

Das escadas então desciam duas pessoas, Lucy, ela estava usando botas pretas que iam até o fim de suas canelas, uma calça também preta, justa o suficiente para achar que estava colada, uma camisa decotada marrom e um colete preto por cima. Seus cabelos eram longos, chegando perto de sua cintura, ela carregava uma "besta" em suas mãos, com uma flecha preparada. E Tyler que descia logo atrás, ele usava botas pretas, uma calça esverdeada por cima, uma camisa branca e sua inseparável bandana verde presa em sua testa, seus cabelos eram negros e curto, ele segurava um sabre de aço em sua mão.

– Lucy, Tyler.. estão atrasados. — Comentou Dean olhando para eles.

– Tinha mais vampiros do que imaginávamos, e eu não sei o por quê, mas a maioria deles fugiu antes de lutar contra nós. — Tyler se aproximava de Dean e Bruce, encarando o vampiro.

– Devem ter se assustado com essa sua cara feia. — Disse Dean, os dois então riam. — Olá meu amor, tudo bem? — Ele agora olhava para Lucy que ia em sua direção tentando retirar as correntes que prendiam suas mãos e pés na parede.

– Cale a boca Dean, seu idiota. Você poderia ter morrido. — Lucy estava brava, mas conseguia soltar Dean das correntes.

– Poderia, mas estou aqui. — Ele acariciava seus punhos enquanto se aproximava de Lucy.

– Tenho que admitir, por essa eu não esperava. — Comentou Bruce apoiando seu corpo no pilar de pedra em meio a sala, batendo palmas. Rowan entrava na sala carregando uma taça de sangue, ele estranhava as pessoas que estavam ali e o porque de Dean estar solto, era estúpido de mais para perceber o que estava acontecendo, ele simplesmente ia em direção a Bruce, entregando-o a taça. — Aqui meu senhor.

– Obrigado Rowan. — Bruce agradecia pegando a taça e bebendo o sangue aos poucos.

– Você sabe que vai morrer, não sabe? — Tyler erguia seu sabre em direção a Bruce.

– Não, eu não. Rowan talvez, eu vou fugir. — Ao terminar suas palavras ele largava a taça no ar, se afastando, levava suas mãos para as costas na altura da cintura, de lá ele retirava alguma coisa de formato redondo jogando-a no chão. A taça de vidro caia no chão ficando em pedaços.

– Até breve, Dean. — Bruce sorria, eram suas últimas palavras antes do pequeno objeto que estava no chão explodir, uma fumaça negra surgia no mesmo instante, dominando toda a sala por alguns instantes.

– Cuidem de Rowan, vou atrás dele! — Gritou Dean, correndo em direção a saída do calabouço subindo as escadas, prevendo os movimentos de Bruce. Ao chegar na porta, ele notava Bruce correndo, ele então ia atrás, tentava persegui-lo, mas estava machucado de mais para isso, sua última visão de Bruce era a de asas surgindo no vampiro, como se ossos e parte de sua pele se deslocassem de seu corpo e indo para suas costas, o vampiro então levantava vôo, e Dean caia no chão fechando seus olhos, desmaiando.

Dean acordava, abria seus olhos, assustado, mas a primeira coisa que notava era o teto de madeira em cima do mesmo, no mesmo momento ele reconhecia o local, se acalmando.

– Oi Dean, finalmente acordou. — Era Lucy sentada a seu lado, terminando de trocar seus curativos.

– Bom dia amor, eu dormi por quanto tempo? — Ele colocava suas mãos no rosto, esfregando seus olhos.

– Dois dias.

– Dois dias? O que aconteceu?

– Rowan está morto, Bruce sumiu e nós o trouxemos para cá, só isso.

Dean se lembrava de tudo o que havia ocorrido naquele dia. — Lucy.. Vampiros com asas, já viu algo assim?

– Asas? Não. Por quê?

– Eu vi Bruce criar asas e levantar vôo, mas acho que era coisa da minha cabeça..

– Hum.. mas então, conseguiu?

– Ah, não.. Eles não falaram nada, mas eu descobri outra coisa.

– O quê? — Ela apoiava sua mão no rosto, esperando a resposta de Dean.

– Phillip, consegui a localização dele.

– Sério? — Ela se surpreendia, Dean estava atrás de algo assim desde que eles se conheceram, mas nunca tinham achado nada.

– Eu não tenho certeza, mas Bruce disse que ele estava em Eastwick há uns cinco anos atrás, acho que era quando estávamos chegando na casa de sua tia, mas deixe isso pra lá, te explico mais sobre o que aconteceu depois, agora venha aqui. — Dean a chamava para perto de sí com o dedo indicador, logo sorrindo. Lucy percebia o que ele queria, ela então sorria e ia para cima de Dean, montando em cima do mesmo.

– Só não vá abrir essas feridas novamente, ok?

– Não é com isso que você deve se preocupar agora.

Ela começava a beijar o peito de Dean até chegar em seus lábios, ele a segurava pela nuca, beijando-a, e logo trocava de posição com ela, indo para cima da mesma, ele então começava a tirar a blusa de Lucy..

Alguns minutos se passavam, Tyler estava em seu quarto lendo de forma concentrada seu livro, logo era possível ouvir o som da cama do quarto ao lado rangendo de forma repetitiva.

– Idiotas, é sempre a mesma coisa.. — Disse Tyler olhando para a parede que dava ao quarto ao lado, pegava pequenos algodões de seu bolso colocando-os nos ouvidos voltando a ler.