– Pode entrar – Uma voz do outro lado da porta dizia.

Ao receber a permissão Phillip lentamente abria a porta enquanto disfarçava um sorriso em seu rosto ao entrar a primeira coisa que o garoto se deparava era um homem sentado em uma poltrona segurando em sua mão uma taça vazia e em sua outra mão algum tipo de cachimbo aceso. O homem parecia ainda estar nós seus vinte anos, mas sua pele era pálida o bastante para confundir ele com um recém-morto e as roupas que ele usava davam-lhe um caráter de nobreza, ele dirigiu sua atenção a porta notando o garoto e abrindo um pequeno sorriso.

– Onde posso deixar isto senhor? – Phillip dizia enquanto entrava no quarto que era possivelmente maior mesmo que o quarto de uma mansão.

– Deixe em qualquer lugar – O homem dizia.

– Tudo bem senhor – O garoto dizia colocando em cima de uma grande mesa de vidro no meio do quarto – Algo a mais senhor?

O homem olhava para Phillip enquanto colocava o cachimbo sobre sua boca fumando ele.

– A única coisa que eu poderia pedir seria para você agradecer seus maravilhosos gerentes que a cada dia só melhoram atendendo todos os pedidos dos clientes sem ao menos questiona-los – O homem levantava colocando a taça sobre a mesa e se dirigindo até o garoto enquanto continuava a fumar.

– Eu tomarei certeza de contar a eles senhor – Quanto mais o homem chegava perto o cheiro da fumaça do cachimbo começava a irritar Phillip como se aquilo impedisse ele de sentir o cheiro das coisas ao redor.

– Realmente eu estou muito agradecido por este maravilhoso prato – O homem já perto o bastante de Phillip apoiava sua mão no ombro dele enquanto continuava a fuma o cachimbo e soltar a fumaça no rosto dele.

Phillip estava pronto para tirar o braço a mão de cima de seu ombro quando ele percebeu o cachimbo sendo solto pelo homem o tempo então pareceu se desacelerar para o garoto, a mão em que o homem segurava o cachimbo haviam se tornado deformadas garras e agora ia em direção a barriga dele. O tempo então parecia lentamente voltar ao normal quando Phillip se jogou para o lado fazendo com que o homem fizesse um grande corte no abdômen do garoto ao invés de perfura-lo, no mesmo momento que Phillip caiu ao chão ele se arrastou para uma parede tampando o corte com uma mão.

– Pensei que tinha te acertado – O homem dizia se virando para Phillip e andando até em direção dele – Mas e melhor assim, gosto de brincar com a comida.

– Droga! – Phillip dizia se levantando lentamente – Porque você não comeu a merda da comida!?

– Aquilo? – O homem parava olhando para a bandeja – E um simples petisco, o prato principal e você lobisomem.

Ao terminar de dizer o homem avançava novamente usando suas garras para tentar perfurar o garoto novamente enquanto Phillip desviava dos golpes dele se jogando para o lado.

– Lobisomem? Como sabe que sou um – O garoto dizia enquanto tentava desviar dos golpes do vampiro.

– Eu recebi uma carta assim que entrei neste vilarejo horrível sobre um possível ataque que eu receberia, parece que alguém não gosta de vocês lobos – O homem dizia enquanto ria.

O único que Phillip podia pensar que envio a carta era o mesmo que lhe deu a missão, Kelvin, mas o garoto não podia pensar naquilo agora ele tinha que encontrar uma forma de conseguir sair dali vivo ele desviou de outro golpe do vampiro caindo próximo ao lado de uma janela, se ele sobrevivesse aquilo ele tinha que agradecer Johnny pelo treinamento. O vampiro se preparava para atacar novamente quando o garoto lembrou de seus companheiros.

– Colin, Mac! Será que vocês poderiam me ajudar!? – O garoto gritava o mais forte que podia tentando chamar seus companheiros.

– Chamando seus companheiros lobo? Acho melhor dar uma olhada por essa janela ao seu lado – O vampiro dizia apontado para a janela.

Phillip hesitava um momento, mas virava somente parte de seu rosto para conseguir ver o que o vampiro se referia, lá embaixo os dois lobisomens lutavam contra hordas do que pareciam ser os cidadãos do vilarejo ambos pareciam cansados, mas continuavam a lutar.

– Eu tomei a liberdade de morder cada pessoa que eu encontrei antes de chegar nesse vilarejo– O homem ria enquanto preparava seu próximo ataque.

Phillip se preparou para desviar do golpe mais uma vez, mas foi impedido pela dor de seu ferimento que ainda não havia se fechado o homem aproveitou e lançou sua mão com toda sua força em direção ao rosto do jovem o tempo então pareceu novamente ficar lento para Phillip, ele podia ver a mão do vampiro ir em sua direção a cada milésimo de segundo e sabia que não conseguiria desviar daquilo antes que perfurasse seu crânio em poucos segundos, ele tinha certeza que iria morrer e seus companheiros também assim como naquele dia da mansão e tudo porque ele não tinha força para se defender.

Fraco, fraco essa palavra se repetia todas as vezes dentro de sua cabeça nos seus últimos segundos de vida foi quando algo lhe passou sobre sua cabeça uma lembrança para ser mais exato. Quatro anos atrás quando Johnny havia começado a treina-lo ele nunca uma vez havia ganhado do homem ou pelo menos ferido ele de alguma forma, Phillip estava deitado sobre a grama cheio de cortes, ferimentos e ofegante enquanto Johnny estava de pé em sua forma humana o encarando.

– Já desistiu? – O homem dizia enquanto olhava para ele.

– Para que lutar? Isso sempre acabara no mesmo resultado. Eu sou fraco e nunca vou conseguir fazer nada.

Johnny coçava sua cabeça se agachando e estendendo a mão para ele.

– Fraco ou não isso não importa se você desiste de uma batalha você nada mais é do que um covarde.

– Então o que eu devo fazer!? Me jogar para morrer?

– Não desista. Engula tudo que jogarem contra você, sua frustação por ser fraco, seu ego, sua raiva tudo e transforme em seu poder. Tente pelo menos, descubra o que há depois se houver a vitória festeje como um vencedor se houver a derrota morra como um também. O que me diz? Já desistiu?

Phillip olhava para a mão do homem segurando ela enquanto ele puxava ele novamente.

– Vamos continuar...

Sim ele era fraco, mas aquilo não importa no meio da luta se ele desistisse agora ele nunca poderia saber o que aconteceria se ele tentasse. Phillip sentia cada fibra e musculo de seu corpo tremer como se elas estivessem aumentando ele viu novamente a mão do vampiro indo em sua direção novamente e como reflexo ele abriu sua boca.

O vampiro já estava certo de sua vitória ele já podia sentir sua mão transpassando a cabeça do jovem, mas como seu em um milagre o jovem indefeso a frente dele havia sido substituído por um grande monstro branco que rosnava furiosamente. O vampiro começou a soar frio algo estava estranho com sua mão demorou alguns segundos, mas quando ele notou sua dor somente aumentou sua mão estava entre os dentes do branco lobisomem a sua frente destroçada como se ela fosse um pequeno pedaço de carne. O vampiro se desesperou e afastou do lobisomem sua mão estava ferida, mas ele ainda havia conseguido machucar o interior da boca do monstro com sua garra.

– Seu lobisomem maldito – O homem se enfurecia se jogando contra o lobisomem quebrando a parede do quarto onde eles estavam e lançando eles para fora.

Em meio ao ar o vampiro que trocava golpes com Phillip que puxava o vampiro para uma queda segurando um de seus braços. Devido ao peso do grande lobo o vampiro e ele caiam sobre o telhado de uma das casas da vila jogando os dois em lado opostos.

O vampiro se levantava rapidamente a raiva estava preenchendo sua cabeça a única coisa que ele podia pensar agora era em avançar contra o lobisomem, mas foi impedido quando uma mulher com apareceu a sua frente.

– Lady Alice, o que faz aqui – O homem parecia se amedrontar com a mulher a usa frente.

– Lorde Bruce está te chamando de volta ao castelo – A mulher dizia sua voz parecia não ter nenhuma emoção.

– Eu já estou indo, eu só tenho que acabar com este lobisomem desgraçado – O vampiro dizia encarando Phillip que lentamente se levantava.

– Mesmo se você matar ele, outros vários estão vindo nessa direção eu os vi enquanto vinha – A mulher dizia novamente com o mesmo tom

O vampiro refletia sobre a situação tomando sua decisão e se virava pronto para sair, mas antes encarava o lobisomem mais uma vez.

– Lobo da próxima vez que nós encontrarmos terei certeza de te matar – Com isso ele partia junto a mulher.

Phillip olhava o homem partir e então voltava a sua atenção aos seus companheiros que ainda lutavam contra os diversos escravos que o vampiro havia feito. Ele então pulava no meio dele empurrando vários de seu caminho e mordendo outros até chegar no meio onde seus companheiros estavam.

– Não pode ser – Um dos lobisomens dizia enquanto arremessava outro dos vampiros que se jogava contra ele.

– Phillip e você, mas seu pelo.. – O outro dizia encarando o lobisomem que se juntava a eles.

– Deixe isto de lado agora Colin vamos continuar – O lobisomem de antes dizia.

Os três ficavam costa-a-costa se defendendo da horda inacabável que havia os rodeados. As pessoas se jogavam nos três como se estivessem prontos para morrer enquanto eles agarravam cada uma delas arrancando sua cabeça ou as desmembrando. Lentamente eles começavam a ficar cansado e as pessoas não haviam diminuído muito de números ainda, foi quando diversos lobisomens saíram da floresta pulando em cada um dos aldeãos ali arrancando suas cabeças.

Phillip, Colin e Mac então paravam ofegante olhando um para o outro e depois caindo contra o chão.