Fallen Spirits

14 Decisões


– Mas o que eles queriam, Dean? — Lucy passava a mão em seu cabelo enquanto esperava pela resposta.

– Eu não sei, eles estavam falando sobre uma tal de foice, era como se aquilo fosse mais valioso que a vida deles. Sabe aquele vampiro que caçamos por último, Tyler? — Dean assoprava o café quente de seu copo.

– Aham, aquele com o bigodinho?

– Esse mesmo, eles disseram que ele tem informações sobre essa foice, e que me dariam informações de Phillip por ele.

– Hum, pensei que você teria aceitado algo assim.. — Lucy ia em direção a Dean, sentando-se ao seu lado.

Eles estavam na sala da casa deles, o lugar era relativamente grande, a casa era feita de madeira, mas estava em ótimo estado, havia apenas uma construção de pedra, que era a lareira que ficava no final da sala, na parede, ela estava acesa aquecendo o local enquanto os três estavam nos sofás, Lucy e Dean em um e Tyler no sofá da frente.

– Lucy, eu até pensei em aceitar, mas ele com certeza me mataria após entregar o vampiro, e eu queria que nosso plano tivesse dado certo, eu seria capturado, nós iríamos tirar informações sobre a família real e voltaríamos para cá, mas ele era só um babaca de um vampiro comum. Além disso nós já nem estamos mais com ele aquele vampiro. — Dean então bebia o café que estava frio o suficiente para não queimar sua boca.

– Quem disse? — Perguntou Tyler, ajeitando a bandana em sua testa.

– Hum? Como assim? — Retrucou Dean, confuso.

– Caius não veio buscá-lo, ele está lá no porão.

– O que? Sério? Você é foda Tyler! — Dean ficava feliz com a noticia empinou o café bebendo tudo de uma vez. — Ele está lá em baixo?

– Sim.

– Então vamos lá. — Dean tentava se levantar, mas logo era puxado de volta para o sofá por Lucy. — Calma aí, Dean. O que vai fazer?

– O que você acha? Vou perguntar a ele sobre a foice.

– Nós já não temos problemas de mais? Por que vai se meter nisso, deixe isso pra lá. — Lucy sabia que era inútil, mas mesmo assim tentava.

– Lucy, nós não somos mais crianças, mas eu prometo que não irei me meter em confusão, ok? — Ele a segurava pelo queixo e a beijava, voltava a se levantar indo em direção ao porão da casa. — Venha Tyler. -Tyler então se levantava, indo com Dean.

– Hunff.. — Lucy suspirava enquanto colocava uma almofada em cima de seu colo, sabendo que aquilo só iria trazer mais problemas.

Dean e Tyler desciam as escadas até o porão, destrancando a porta que dava a uma sala, era como o calabouço em que Dean estava preso, alguns pilares no meio da sala que sustentava o lugar, algumas caixas no canto que eles usavam para guardar os objetos do antigo dono da casa, do outro lado havia uma mesa com algumas ferramentas de tortura e do lado dela um vampiro, seus pés e mãos estavam presos por correntes juntas a parede, e em sua boca havia um pano amarrado para evitar que ele gritasse.

– Dean, aqueles vampiros precisam aprender como torturar alguém. — Comentou Tyler, sorrindo.

– Nem pense nisso. Se eles usassem algo pesado como temos aqui, eu não aguentaria. — Os dois riam como se aquilo fosse algo normal.

– Olá senhor bigode. — Disse Tyler retirando o pano que amarrava a boca do vampiro e se afastava. O vampiro fazia um som estranho, abria seus olhos e mostrava seus dentes para os dois como uma forma de ameaçá-los. Seu cabelo era grande e crespo, batia em seus ombros, além de sua pele pálida e as diversas marcas de soco em seu rosto, o que mais se destacava era seu bigode que começava em baixo de seu nariz e ia até o queixo.

– Hey, calma. Nós só queremos fazer algumas perguntas, prometo que não irei torturá-lo. — Dean levantava suas mãos, mostrando não ter a intenção de torturá-lo, ele odiava vampiros e lobisomens, mas nunca quebraria uma promessa.

– O que você quer? — O vampiro perguntava, ele mostrava estar cansado.

– A foice, eu quero saber sobre ela.

– Hunf.. — O vampiro suspirava e logo começava a rir. — Que tal uma troca? Eu te falo sobre a foice e você me dá a gostosinha que está lá em cima, hein? — Ele passava a língua em seus dentes, sorrindo.

Dean em um rápido movimento agarrava o pescoço do vampiro jogando-o com toda sua força contra a parede, ele novamente o agarrava, pressionando seu pescoço contra a parede, e erguia sua outra mão com o punho fechado. — Não brinque comigo, seu verme! — Ele aumentava o tom de sua voz, mostrando raiva e seriedade em seu rosto.

O vampiro agora ficava quieto, com sua boca fechada. Dean então o largava e se afastava um pouco, o vampiro começava a tossir agora com sua respiração liberada. — Eu achei que seria uma troca justa, até por que todos querem a foice.

– Não me importa o que você acha, vai dizer ou não?

Enquanto Dean conversava com o vampiro, Tyler estava um pouco atrás escorado em um pilar com seus braços cruzados, fitando o que estava acontecendo.

– Eu não lhe direi nada, é melhor você me matar e me queimar, não é o que costuma fazer? — O vampiro voltava a sorrir.

– Bom, já que não vai falar irei ficar com o seu diário que deve estar- — Dean era interrompido pelo vampiro que agora mostrava seus dentes e começava a sibilar, semelhante a algum felino.

– Deixe meu diário em paz garoto, se você se livrar dele para mim eu falo sobre a foice. — Disse o vampiro, agora de forma séria.

– Qual é mesmo o seu nome? — Perguntou Dean.

– Me chamo Romero. — Respondia o vampiro.

– Tudo bem Romero, eu irei queimá-lo em sua frente, mas preciso que você me conte antes.

– E porque eu confiaria em você?

– Bom, você tem outra opção?

O vampiro baixava a cabeça pensando por alguns segundos, ele logo a levantava e acenava positivamente com a mesma.

– Ok, Tyler, poderia fazer o favor de buscar algo para queimar isso aqui? — Disse Dean puxando o diário do bolso de Romero.

– Certo, já volto. — Tyler subia as escadas, alguns minutos depois ele voltava com alguns fósforos e um punhado de pólvora, Dean largava o diário no chão e Tyler largava a pólvora em cima.

– Pronto, pode começar. — Exclamou Dean, esperando o vampiro abrir a boca.

O vampiro pensava mais um pouco, mas logo começava a falar. — Existe uma lenda sobre duas foices, na história diz que elas tem poderes mágicos e que era forte o suficiente para destruir todos nós vampiros e lobisomens, uma delas era a foice Heruns, criada pelo primeiro vampiro que pisou na terra, Caim. Ela é uma foice feita totalmente de prata e tem força o suficiente para dizimar centenas de lobisomens, mas que só a terá aquele que não tem sentimentos, aquele que não tem medo de morrer e que seu propósito seja o de se livrar de todos os lobisomens. A outra se chama-

– Espere. — Interrompeu Dean. — Isso é apenas uma lenda, certo?

– De começo pensávamos que sim, até a última grande batalha entre nossas raças, onde um de nós a usou para destruir uma aldeia inteira de lobisomens, o vampiro que a usou e a foice sumiram, estamos a procurando desde então.

– E achou algo sobre ela? — Perguntou Dean, já entediado.

– Eu espero que acredite em mim, mas a resposta é não.

– Bruce disse que você tinha anotado algo sobre ela em seu diário.

– Foi o que ele pensou, se eu voltasse sem nenhuma noticia sobre a foice ele me mataria, minha única opção era a de mentir.

Todos ficavam em silencio por alguns segundos, o vampiro e Dean se encaravam durante esse tempo. Dean então olhava Tyler, apontando seu dedo para o diário. Tyler então acendia um fósforo e jogava em cima do diário que começava a queimar, os dois então começavam a andar em direção a saída do porão.

– Você vai para Eastwick não é? Eu ouvi vocês conversando. — Disse o vampiro fazendo com que Dean e Tyler parassem de andar. — Lá não é um bom lugar para você garoto, mas caso for, mande um abraço para meu amigo Rorus, talvez você não goste de saber que ele vem usando uma garota como sua escrava a vida toda..

Dean e Tyler ouviam o vampiro e continuavam seu caminho, voltando para a sala. Eles voltavam para o sofá onde estavam, contando tudo o que descobriram sobre a foice para Lucy.

– Tá, mas isso é só uma lenda, vocês sabem né? — Lucy colocava seus pés para cima do sofá, esperando a resposta dos dois.

– Sim Lucy, eu disse que não iria trazer problemas. — Respondeu Dean.

– Certo então Dean, para onde iremos agora? — Perguntou Tyler enquanto esticava seus braços se espreguiçando.

– Eu já me decidi Tyler, você ficará aqui e continuará caçando aqueles vampiros e trazendo suas cabeças para Caius, ele vem nos pagando bem faz anos, precisamos dele. E você Lucy você também irá ficar. Irá cuidar do caso que Angellina pediu, ok? Pode trazer sua tia para cá, se quiser.

– Você ficou doido Dean? Vai ir para Eastwick sozinho? Não, eu vou com você. — Lucy esperava que esse dia chegasse, mas não achou que seria tão cedo.

– Lucy, nós já falamos sobre isso faz muito tempo, eu não posso levá-la. Mas eu volto em uma semana, não se preocupe, preciso descobrir sobre Phillip, não vou enfrentá-los, eu juro.

Lucy se levantava sem dizer nada, mostrando estar brava e começava a ir em direção a seu quarto.

– Lucy.. — Chamava Dean, tentando fazer com que ela compreendesse. Ela então entrava no quarto e trancava a porta.

Então ficavam Dean e Tyler na sala, os dois quietos. Dean puxava do coldre de seu sapato uma faca, sua lâmina era grande e afiada, era feita de prata, seu cabo era de madeira com uma coloração escura, esse tipo de faca era feita para matar lobisomens, mesmo servindo para vampiros e humanos.

– Então Tyler.. O que irá fazer enquanto eu estiver fora? — Ele fazia pequenos movimentos de forma habilidosa com a faca.

– Hum, ué? Caçar os vampiros como você disse, talvez eu visite Angellina se eu tiver tempo, não sei.. Tem a taberna também, seria uma boa.. — Ele se perdia em seus pensamentos comentando os lugares que visitaria.

– E Lucy, acha que ela ficará bem?

– Não se preocupe, eu cuido dela.

– Cuida é? — Uma expressão assustadora se formava no rosto de Dean que agora parava de brincar com a faca, segurando-a em sua mão.

– Ei, não se preocupe Dean, vocês são como irmãos para mim, eu nunca... tentaria algo. E mesmo se tentasse, acho que ela me mataria. — Tyler se assustou um pouco com Dean, mas logo voltou a manter a calma.

– Eu sei, Tyler.. Ela provavelmente te mataria. — Os dois se encaravam por alguns segundos, mas logo começavam a rir. — Eu vou lá falar com ela.

– Boa sorte.

Dean então se levantava indo em direção a Tyler apertando sua mão, ele então também ficava em pé e os dois se abraçavam como amigos.

– Sei que você estará dormindo quando eu sair, então é melhor nos despedirmos logo. — Disse Dean se afastando.

– É, eu vou. — Afirmou Tyler, sorrindo.

– Eu vou dar uma olhada sobre aquilo que Romero falou, sobre a garota..

– Não acho que ele estava mentindo, acho que estava grato por você ter cumprido a promessa.

– Eu também acho. Até daqui uma semana! — Dean se despediu de Tyler indo em direção a porta de seu quarto em que dividia com Lucy. — Ah, e boa sorte com a Angellina.

– Ei! Eu não preciso de sorte.

Os dois riam e então Dean começava a bater na porta com seu punho. — Lucy, abra, por favor.. — Ela demorava um pouco, mas logo abria, Dean entrava no quarto e ela voltava para a cama, sentando-se na mesma.

– Lucy..

Os dois conversavam por um tempo sobre a viagem de Dean, mudavam o assunto relembrando do passado e sobre os planos que tinham sobre o futuro, ela então aceitava sobre a viagem de Dean, e os dois deitavam na cama, dormindo algum tempo depois.

Dean estava ansioso, ele queria sair na primeira hora do dia, logo quando estava amanhecendo ele acordou, abriu seus olhos e virou-se para Lucy, notando que ela ainda estava dormindo, ele a beijava no rosto e então se levantava, começava a se arrumar. Colocava sapatos pretos, calça preta, uma camiseta branca e por cima uma jaqueta de pele e tecido também preta, preto e branco, as cores favoritas de Dean. Seu cabelo era curto e escuro, ele tinha um pequeno topete. Por último Dean pegava o broche de sua família, encaixando-o na camisa em frente ao peito, por dentro da jaqueta. Após se vestir, ele começava a arrumar suas coisas, colocava roupas em uma sacola, ia até a cozinha e guardava um pouco de comida, e é claro, um saco de moedas, ele então voltava para o quarto, colocava seus coldres e guardava suas armas, a garrucha, o facão e a pequena faca no coldre de seu sapato.

– Lucy.. -Dean a chamava de forma calma enquanto passava a mão em seu rosto. Ela abria seus olhos. — Estou indo. — Ele disse.

Ela se sentava na cama e então os dois se abraçavam, ficavam assim por longos segundos, eles então ficavam de pé e iam andando em direção a saída.

– Lucy, apenas uma semana, eu te prometo. — Disse Dean quando chegou na porta.

– Dean, você sabe que eu não consigo mais viver sem você, então saiba que eu vou atrás de você se passar de uma semana ok? Se por algum acaso você não voltar, eu juro que vou te caçar pelo resto da minha vida! — Os dois sorriam por alguns segundos. — Eu te amo Dean.

Os dois então se beijavam. — Também te amo Lucy.

Dean então saia pela porta com tudo o que precisava. Montava em Christopher, seu cavalo e então começava a galopar, indo para Eastwick.