Dean já estava cavalgando por alguns dias, no meio desse tempo ele havia parado em algumas cidades para reabastecer sua comida e descansar, ele já estava perto de Eastwick, o clima era agradável, estava fazendo um pouco de calor, mas o vento frio ajudava, o que mais havia no caminho até a cidade era campo aberto e fazendas, mas quanto mais ele se aproximava mais árvores apareciam ao arredor da estrada, até ele ficar totalmente sem visão de seus lados, a única agora era a longa estrada de terra em sua frente.

– Pishh! Calma aí, Christopher. — Dean puxava as rédeas do cavalo fazendo com que ele diminuísse a velocidade, eles estavam chegando em uma ponte que passava por cima de um rio, ele não sabia se era seguro, então ao chegar na entrada da ponte ele descia do cavalo e puxava-o por cima dela, passo a passo. Ele a atravessava com sucesso, sem nenhum tipo de imprevisto, quando Dean estava para voltar a montar no cavalo, ele viu algo estranho no outro lado do lago, um pouco afastado da ponte. Eram quatro cadáveres esquartejados, eles pareciam estar lá por alguns dias, moscas planavam em cima dos corpos.

– Acho que aquele vampiro tinha razão, aqui não é lugar para mim. — Ele novamente montava no cavalo e continuava a cavalgar, ignorando os corpos. Dean sabia que aquele lugar provavelmente era o local mais perigoso em que ele poderia estar, e agora ele estava sozinho, mas sua curiosidade e raiva de seu irmão falavam mais alto, era como se ele precisasse de uma explicação para tudo aquilo, como se tudo fosse se resolver após ele se encontrar com Phillip.

– É, acho que é aqui. — Uma grande muralha estava a sua frente, ela provavelmente cercava a cidade inteira, e logo a frente um enorme portão de madeira.

Dean descia do cavalo se aproximando do portão, ele estava atento, colocou sua mão em cima do coldre de sua garrucha e empurrou o portão, ele se abriu, não havia ninguém lá, como se os guardas estivessem se esquecido daquele lugar.

– Alguém aí? — Dean perguntou em voz alta, ele queria ter certeza que não seria acertado por algum tiro por entrar sem permissão, ele ainda não conhecia a cidade. — Estou entrando.

Ele então adentrava a cidade puxando Christopher por suas rédeas, o lugar era provavelmente um pouco maior do que Blue Montains, mas estava muito mal cuidado, as ruas do local eram de terra, matos cresciam para todos os lados, ao longe era possível ver várias casas abandonadas que cercavam a rua da entrada, ele começou a andar em meio a rua, indo em direção ao centro procurando alguém que pudesse lhe ajudar. Após andar um pouco ele avistou um garoto sentado em uma varanda de uma dessas casas abandonadas, suas roupas eram surradas e sujas, como se ele fosse um mendigo.

– Ei garoto. — Disse Dean se aproximando da varanda enquanto puxava o cavalo.

O garoto não respondia, ele estava com uma pedra na mão rabiscando e arranhando a tábua da varanda. Dean dava alguns segundos e logo chamava-o de novo.

– Garoto. Poderia me dar uma informação? — Ele não respondia, encarava o chão.

Dean perdia paciência, ia em direção a bolsa em seu cavalo e de lá pegava uma moeda de prata, fechando a bolsa novamente. — Quer isso? — Ele mostrava a moeda em meio a seus dedos para o garoto.

O garoto agora parava de arranhar o chão, e encarava Dean.

– Preciso de um lugar para deixar o cavalo e algum lugar para dormir, pode me dizer onde posso encontrar? — O garoto de mantinha em silencio, mas logo erguia sua mão apontando seu dedo indicador para uma das ruas da cidade, ele então olhou para o local apontado, avistando ao longe o que parecia seu uma grande taberna com uma placa em sua frente.

– Obrigado garoto. — Dean jogava a moeda para ele, o garoto a pegava e voltava a rabiscar o chão.

Dean então chegava no lugar, era uma grande taberna, porém ela estava totalmente mal cuidada, dava para ver que a parede já estava podre, e na placa logo a cima da entrada dizia "Lincan". Ao lado da taberna um estábulo, foi onde Dean levou seu cavalo, amarrando-o lá.

– Eu já volto Christopher. — Ele acariciava o cavalo que logo relinchava, pegava sua bolsa e então ia em direção a taberna.

Ele abria a porta do lugar que rangia ao ser arrastada, e então entrava, o lugar estava vazio, mesas cheias de pó e cadeiras em cima delas, havia apenas um homem velho atrás do balcão, ele usava óculos e estava lendo um livro.

– Boa tarde. — Disse Dean ao ver o homem.

O homem o encarava. Dean se aproximava do balcão largando sua bolsa e se sentando em um dos bancos.

– O que aconteceu com essa cidade? — Perguntou Dean, curioso.

O velho dava um pequeno sorriso como forma de deboche. — O que faz aqui, garoto? — Ele fechava seu livro e dava atenção a Dean.

– Vim para visitar um amigo, mas não esperava que a cidade estivesse assim.. O que aconteceu?

– Amigo? Nessa cidade? Tá bom.. Você não precisa me contar o verdadeiro motivo de estar aqui, mas você sabe o que aconteceu, é o território deles. — O velho notava o facão de prata que aparecia no coldre preso ao cinto de Dean.

– Lobisomens, sei.. Mataram todos?

– Não garoto, eles controlam a cidade, quem sai e quem entra, já sabem que você está aqui. As pessoas devem seguir o que eles pedem, e não me venha com o "por que ninguém faz nada?", ninguém pode fazer nada, a capital não quer nos ajudar. Estão todos em seus casas, trabalhando para eles, ou provavelmente mortos.

Dean ficava quieto, ele não esperava por aquilo mas entendia a situação.

– Você.. conhece alguém chamado Phillip? — Perguntou Dean de forma confiante.

– Phillip? Sim, é um deles, ele estava aqui alguns dias atrás. O conhece?

– Não exatamente, mas poderia me dizer onde ele está?

– Eu não sei, meu trabalho é apenas dar lugares para pessoas como você ficar e cuidar dos cavalos, eu não sei nada sobre eles, mas já ouvi chamarem um deles por esse nome.

Dean passava a mão no rosto, ele estava ansioso, seu irmão poderia estar na cidade, sua vingança poderia estar próxima e tudo acabaria.

– Vou ficar aqui essa noite e verei o que faço amanhã, tem algum quarto?

– Cinco pratas.

– Cinco pratas? — Dean se impressionava com o valor, fazendo movimentos negativos com a cabeça, mas logo retirava de sua sacola as moedas colocando-as sobre a mesa. — Espero que o valor seja alto porque o quarto é bom.

O velho ria de forma rouca enquanto Dean subia as escadas, indo para seu quarto.

O quarto parecia ser de um lugar abandonado, teias de aranha para todo o lado, uma cama no canto e uma mesa no meio.

– Maravilha. — Dean colocava sua sacola em cima da mesa, mas era surpreendido, algo lhe acertava pelas costas, ele era jogado por cima da mesa caindo do outro lado, assustado, se apoiava no chão e ficava em pé, olhando em direção a porta.

– Quem é você? — Ele pegava sua garrucha de seu coldre apontando-a para a pessoa. Uma mulher estava em frente a porta, seu cabelo era curto e negro, iam até seus ombros, ela tinha uma franja em cima de um dos olhos, ela usava uma regata branca e uma calça preta, seu rosto estava sério, como se não tivesse sentimentos, e Dean sentia aquilo.

Em um movimento rápido, ela dava uma investida em direção a Dean chutando a mesa que estava entre os dois, isso tirava a visão do mesmo que estava prestes a atirar, a mesa era jogada em cima de Dean que disparava para o alto ao receber o impacto, caindo no chão. "Ela é rápida" ele pensou, agora irritado ele se levantava, jogando a mesa para o lado, tirava sua jaqueta e fazia uma posição de luta, colocando seus dois braços em frente ao corpo.

– Vem! — Ele movimentava sua mão chamando-a, tentando provocá-la.

A mulher novamente avançava em direção a Dean impulsionando sua perna direita em direção a ele tentando acertar um chute em seu rosto, Dean conseguia bloquear com seus braços que levava todo o impacto, aproveitava a abertura que a mulher dava e chutava sua perna que estava lhe dando apoio, fazendo como que a mesma caísse no chão de costas, ele pulava em cima dela usando seu corpo como peso para que ela não levantasse enquanto segurava seus braços.

– Por que está me atacando, qual seu problema? — Disse Dean ofegante.

A mulher não respondia, ela estava o encarando sem mostrar nenhuma expressão em seu rosto. Ela então forçava seus braços conseguindo escapar de Dean, logo usava sua perna empurrando-o por cima dela com a coxa enquanto usava seus braços como apoio segurando-o por suas vestes, ele caia no chão, ela agora tomava a posição dominante, subia em cima de Dean e começava a socar seu rosto, ela era forte, a boca de Dean começava a sangrar, e com um momento de raiva, ele segurava um dos braços da mulher e com a outra mão dava um forte soco no rosto dela, que caia em seu lado.

– Desgraçada. — Ele passava o braço na boca, retirando o sangue, ficando em pé.

A mulher que aparentava ter desmaiado logo levantava, ela estava com um corte no rosto graças ao soco de Dean, ela novamente ia para cima do mesmo e ambos começavam a trocar socos e chutes de igual para igual, eles conseguiam bloquear o ataque um do outro com perfeição até o momento em que Dean conseguiu parar um de seus chutes segurando sua perna, ele a torcia fazendo com que ela caísse no chão, ao lado de sua bolsa.

Ambos estavam ofegantes, se encarando, Dean se afastava um pouco apoiando suas mãos nos joelhos respirando pela boca.

– Eu sou Lilith. — Ela dizia olhando para Dean, baixava sua cabeça demonstrando timidez por algum motivo, então começava a mexer na bolsa de Dean e de lá pegava seu saco de moedas no qual contém todo seu dinheiro.

Dean estranhava o que acontecia, aquilo não fazia muito sentido, "Ela só queria meu dinheiro?" ele pensou. — Isso é meu, tira a mão. — Disse Dean.

Ela ignorava o pedido de Dean, pegava a garrucha que tinha caído ao lado da bolsa e apontava para ele. — Sinto muito. — Ela puxava o gatilho, a arma estralava, estava descarregada.

Ele avançava em direção a Lilith que largava a arma a agarrando pelas vestes levantando-a, e a pressionava na parede.

– Por que está fazendo isso? Alguém te mandou aqui? Desgraçada. — Dean estava irritado o suficiente para pensar em matá-la. — Se queria dinheiro por que não pediu? Iria me matar por causa disso?

Ela novamente não mostrava expressões em seu rosto, apenas encarava-o como se não entendesse o que ele dizia e em mais um movimento rápido, ela usava seus pés para empurrar Dean que era obrigado a soltá-la, ela caia no chão, e enquanto ele estava caindo para trás, desequilibrado, ela aproveitava para dar uma investida, levantava-se correndo para cima do mesmo erguendo uma de suas mãos lhe dando um soco no rosto, ele caia no chão e com o impacto batia sua cabeça, desmaiando.