Fallen Spirits

18 Azar e falta de atenção


– Garoto, acorde, já passou da hora.

Dean abria seus olhos, ele estava no chão, tudo em sua volta estava destruído, ele colocava as mãos em seu rosto e lembrava de tudo o que havia acontecido, seu corpo estava completamente dolorido, sua briga com Lilith lhe rendeu uma noite muito má dormida.

– Mas que droga, por quê eu sempre tenho que desmaiar? — Ele se sentava, ainda no chão, agora olhando para o dono da taberna.

– O quê? — Perguntou Dean, irritado, encarando o homem.

O velho taberneiro ficava em silencio por um tempo, e então falava. — Você já passou muito tempo aqui, pague por mais um dia ou vá embora.

Dean ignorava o que o taberneiro dizia, ficavam em pé e ia em direção a sua bolsa, revirando tudo o que tinha dentro.

– Ela só pegou o dinheiro? — Ele olhava para todos os lados do quarto procurando por algo suspeito.

– É, ela sempre pega o dinheiro, ou talvez.. não tenha achado o que estava procurando. — O taberneiro dizia.

– O quê? Como sabe disso?

– Bom, ela rouba todo mundo que passa a noite na cidade, não é a primeira vez que isso acontece, e pelo jeito, você deve ter dado muito trabalho para ela. — Ele olhava para todo o quarto, notando a bagunça.

– Cara, você sabia que ela viria, por quê não fez nada? — Perguntou Dean, indignado.

– E queria que eu tivesse feito o que? Lilith me mataria em um piscar de olhos, não vou dar minha vida por suas moedas.

– Não sei, quem sabe me avisar que uma vadia louca viria me espancar e roubar meu dinheiro? — Ele se levantava batendo com sua mão em suas vestes, retirando o pó, ia em direção a sua jaqueta que estava no chão, vestindo-a. Logo ele pegou sua garrucha que estava ao chão, retirava uma bala de prata de seu bolso e a recarregava, colocando-a em seu coldre, pegou sua bolsa e se levantou.

– Você vai passar mais uma noite? Dez pratas.

– Dez pratas? Não era cinco? E quer que eu pague como? Aquela mulher roubou todo meu dinheiro.

– Bom, você fez uma bagunça aqui, e existem outras formas de pagar, quem sabe você poderia- — Ele era interrompido por Dean.

– Eu não vou trabalhar para você, a culpa foi sua. — Ele ia em direção ao taberneiro com seu rosto assustadoramente sério. — Meu cavalo, cuidou dele?

– Sim, senhor. Ele está lhe esperando. — Ele agora mostrava respeito por Dean, ou apenas medo. Dean então passava pelo taberneiro, empurrando-o com o ombro sem a intenção, descia as escadas do local de forma rápida indo para a saída.

A cidade ainda aparentava estar vazia, era fim de tarde, o sol estava forte, o único som destacado era o assovio do vento que passava cortando as casas e o relinchar de seu cavalo, que estava lhe esperando.

Com a bolsa em suas mãos ele ia em direção a Christopher que estava no estábulo, ele colocava a bolsa nas costas do cavalo, amarrando-a, e então começava a puxá-lo pelas rédeas em direção a saída. Algo que ele não imaginava acontecia, três homens estavam passando na rua, indo em sua direção, eles usavam casacos de pele, sua cor era marrom amarelado, era como se os três haviam caçado o mesmo animal para fazer a roupa. Dean parava na saída do estábulo, fitando os homens.

Eles encaravam Dean, se aproximando do mesmo. — Hum.. seu cheiro.. Caçador? — Um deles perguntava, com um sorriso sínico em seu rosto. Dean não respondia, continuava encarando o homem que lhe fez a pergunta.

– Você tem algum problema, caçador? Sabe onde está? — Um segundo homem do pequeno grupo perguntava, tirava uma faca comum de seu cinto, mostrando-a para Dean. — Acho que Kelvin gostará de saber que ele está aqui.

Dean puxava o cavalo novamente para dentro do estábulo, ignorando os homens, ele amarrava Christopher em uma tábua que estava presa ao chão, logo voltava a frente deles.

– Hum, não quer machucar o cavalinho, é? — Disse o terceiro homem do grupo, rindo e debochando.

– O que querem? — Perguntou Dean movendo sua mão em direção ao coldre de seu facão, de forma com que os homens não percebessem.

– Sua cabeça.. — O homem com faca avançava em sua direção tentando lhe estocar com a lamina, mas Dean estava atento, se afastou um pouco para se posicionar e chutou o peito do homem de forma com que o empurrasse, fazendo com que o mesmo caísse para trás, na frente de seus companheiros. Dean aproveitava para puxar seu facão do coldre, empunhando-o em uma de suas mãos, se preparando para os outros dois. Eles então ao mesmo tempo iam para cima de Dean, que tentava usar seu facão para acertar um deles, porém sua mão era segurada, sendo impedido de acertar o golpe, ele então trocava força com o homem, tentando fazer com que ele largasse sua mão, enquanto o outro dava socos nas costelas de Dean que insistia em continuar lutando. Ele então se cansava, fazia movimentos com seu braço que segurava o facão tirando a atenção do homem, rapidamente levantava seu pé esquerdo, e de lá puxava sua pequena faca de prata, fincando-a no estomago do homem puxando-a para cima, ele agora largava a mão de Dean com seus olhos arregalados olhando para sua barriga vendo suas tripas caírem pouco a pouco. Dean não perdia tempo e agora ia em direção a o outro homem, usava seu facão fazendo movimentos rápidos em frente a ele como forma de intimidação, que por algum motivo dava certo. Ele se ajoelhava a frente de Dean com suas mão levantadas e cabeça baixa, mostrando estar com medo.

– Quem é Kelvin? — Perguntou Dean.

– Nosso chefe. — Ele respondeu, temendo a morte.

– Vocês são o que? Lobisomens? — Dean encostava a lâmina de seu facão no braço do homem, fazendo um pequeno corte, logo uma pequena fumaça, como se fosse vapor saia de seu braço. — Sim, são. — Ele erguia seu facão mostrando raiva em seu rosto, estava pronto para matá-lo mas ele era acertado pelas costas, ele tinha esquecido de um, uma faca era cravada por suas costas na região do ombro, Dean se jogava no chão com muita dor, avistando o lobisomem que tinha lhe acertado, sem hesitar, ele puxava sua garrucha do coldre, atirando na cabeça do mesmo que era acertado em meio a sua testa sem poder reagir, ele caia no chão, morto. Dean largava sua arma e tentava puxar a faca que estava presa em seu ombro esquerdo, ele não a alcançava de forma com que ele pudesse retirá-la sem maiores danos, dava para ver o sofrimento em seu rosto, a dor era insuportável.

– Ahhh! Filho da puta! — Dean gritava, ele estava com raiva o suficiente para ignorar a faca em seu ombro e voltava a ficar em pé, pegava seu facão no chão e começava a caminhar em direção ao outro lobisomem, que ainda estava vivo.

– Não, por favor! Não me mate! — Implorava o lobisomem que estava no chão, chorando.

Dean chegava em frente ao lobisomem com seu facão já erguido, ao chegar em sua frente ele descia a lâmina em direção a o mesmo, pegando com tudo em seu braço, decepando sua mão. O lobisomem começava a gritar de dor, era possível ver o osso de seu braço para fora enquanto jorrava sangue. Dean o agarrou pelas vestes, ele olhava dentro dos olhos do lobisomem.

– Você não vai morrer, não agora. Você vai ir até seu chefe e dizer a ele que Dean Roberts irá matar qualquer lobisomem que ele ver, entendeu? — Dean ao terminar de dizer as palavras ele puxava o lobisomem pelo casaco, levantando-o, o mesmo saia correndo pela rua, gritando de forma desesperada, segurando seu braço qua ainda não parava de sangrar.

Dean ainda tinha forças para andar, a faca ainda estava presa em seu ombro, e ele não podia tirá-la, ele então começou a andar de forma lenta sem movimentar muito seu corpo, indo em direção a taberna, no meio do caminho ele podia ver alguém lhe vigiando, era Lilith, ela tinha visto tudo o que havia acontecido, estava do outro lado da rua e ao perceber que Dean a tinha visto, ela se escondia saindo de sua visão. Ele viu que era ela, mas não tinha tempo para isso, ele continuou a andar até entrar na taberna.

– O que faz aqui? Eu não posso te ajudar! — Disse o velho de forma desesperada.

Dean se apoiava no balcão com seus braços, ele apenas queria tirar aquilo. — Ei, venha cá. Tire essa faca daqui.

– E-eu não posso, senhor.

– É só puxar!

– M-mas e se, e se não der certo, o que eu faço?

Dean dava um soco na mesa, estava irritado com o velho que parecia ser inútil.

– Fique calmo, olha, beba isso. — O taberneiro com suas mãos tremendo retirava uma de suas garrafas de bebida de baixo do balcão e então a derramava em um copo, colocando-o em frente a Dean.

– Espere. — Lilith entrava pela porta da taberna, ia em direção a Dean o empurrando contra o balcão fazendo com que ele se deitasse no mesmo, pegava a bebida de cima da mesa e jogava por cima do corte, Dean não esperava por aquilo, gritava de dor.

Ele ficou em pé novamente de forma brusca, tentando identificar quem havia feito aquilo. — Lilith? — Ele rapidamente tentava achar a garrucha em seu coldre, mas ele havia deixado em meio a luta passada.

– Eu não vim para lutar, vou te ajudar. — Ela olhava para baixo, desviando o olhar de Dean. Dava para ver que ela era uma pessoa muito tímida, ninguém nunca imaginaria que ela é uma ladra e que lutava muito bem.

– O que? Por que? — Perguntou Dean, confuso. Não fazia algumas horas que ela tentou matá-lo apenas para roubá-lo, e agora por algum motivo queria ajudá-lo.

Ela ignorava sua pergunta, empurrava-o de volta para mesa, fazendo com que ele deitasse novamente, Dean estava sem forças para reagir, ele não confiava naquela mulher, mas sua vida estava nas mãos dela. — Busque algo que eu possa queimar a ferida, ferro quente, por exemplo. — Disse ela enquanto rasgava a jaqueta e a camisa de Dean com sua faca. O taberneiro não falava nada, acenava com a cabeça e ia em direção a um cômodo separado.

– Você acabou de jogar álcool em mim, tá ficando doida ou só quer me matar mesmo? — Dean estava sonolento, sua voz estava mais fraca, era possível ver em suas palavras.

– Por favor, cale a boca. Eu sei o que estou fazendo.

Dean não queria aceitar sua ignorância, mas ele não estava em condições para isso, ficava calado.

– Aqui está. — O taberneiro chegava no local segurando uma barra de ferro com um pano enrolado no cabo, era possível ver um pouco da brasa na ponta da barra. — Está bom assim?

– Isso vai dor, coloque algo na boca dele. — Lilith agora colocava a mão na faca, procurando algum jeito de tirar. — A lâmina é reta, não é?

– É, ande logo e puxe essa merda!

O taberneiro colocava um pano enrolado na boca de Dean, evitando que o mesmo mordesse sua língua com a dor que estava por vir, ele ainda segurava a barra de ferro, esperando as ordens de Lilith.

– No três eu vou puxar. Um, dois.. — Ela então puxava a lâmina de forma com que Dean não esperasse, ele arregalava seus olhos e gritava de forma abafada com a dor agonizante que agora se criava. Lilith analisava o corte, vendo até onde a faca atingiu, e então se decidia. — Me dê a barra e segure-o com toda sua força.

O velho a entregava a barra de ferro e ia em direção a Dean, colocava uma de suas mão na nuca de Dean e a outra nas costas, pressionando-o contra a mesa. Lilith aproximava a ponta da barra de ferro com cuidado do corte de Dean, ele já podia sentir o calor do objeto que agora encostava em suas costas, queimando sua pele, ele mais uma vez mordia o pano em sua boca, gritando.