Fallen Spirits
2 A verdade é para poucos
– Foi o pesadelo mais assustador que eu já tive. — Era o primeiro pensamento de Dean ao recuperar sua consciência, ainda com os olhos fechados. Tentava abrir seus olhos, sua visão estava ofuscada, tudo o que poderá perceber era a luz do sol batendo em seu rosto, agora um pouco menos confuso, notava o som de uma carroça que balançava ao passar pelos buracos de uma estrada de terra em meio a neve, percebendo estar dentro dela.
– Mãe? Phillip? Onde estamos indo? — Dean sentava-se na carroça, abria seus olhos e uma grande dor de cabeça aparecia, colocava seus braços em frente a seu rosto para ocultar a luz do sol e notava que seus punhos estavam amarrados, como se fosse um condenado.
– O que é isso? — Assustado tentava se levantar, mas seus pés também estavam amarrados, tentou descobrir quem guiava a carroça, mas não enxergava seu rosto, apenas seu agasalho de pele escura, surrado e seu cabelo curto e grisalho.
– Ei, quem é você? Cadê meu irmão?
– Cale a boca, assassino! Fique quieto ou o farei ficar. — Dizia o homem com voz grossa e um pouco rouca.
Dean ficava com medo do homem, mas esse era o menor de seus problemas, vários pensamentos invadiam sua mente, a dor de cabeça aumentava, ele olhava para trás e notava sua casa em chamas, caindo aos pedaços.
– O que aconteceu? Será que aquele sonho foi real? Mãe, pai.. Phillip fez isso? — Lagrimas começavam a se criar em seus olhos que demonstravam espanto, ao meio de seus pensamentos, logo começou a berrar e chorar, lagrimas por todo o seu rosto, ele esperneava e fazia movimentos com os braços, tentando retirar as cordas, mas nada adiantava, apenas machucava ainda mais seus punhos.
– Pai, mãe, me ajudem! — Gritava Dean enquanto chorava e soluçava com a esperança que seus pais fossem o ajudar.
A carroça parou, seus pais haviam mesmo vindo o ajudar? Naquele momento era a única esperança que Dean esperava, mas não foi o que aconteceu. O homem que guiava a carroça descia da mesma, só o que era possível ouvir era o som de suas botas na neve, que se aproximava. O homem chegava a frente de Dean, revelando seu rosto com o lado esquerdo totalmente queimado, mas era como se fosse recente.
– Você.. — Dizia Dean, surpreso.
O homem apoiava seu pé na carroça e ia para cima de Dean lhe dando um forte soco no rosto, fazendo-o desmaiar.
– Ei, acorde. Roberts, desgraçado, acorde! — Dean acordava levando um chute no estomago, colocava suas mãos na barriga para tentar evitar a dor, olhava para os lados tentando descobrir onde estava. Era uma casa de madeira, um pequeno quarto fechado. Sem janelas e uma única porta, estava claro já que entrava luz pelos vãos das tábuas podres que faziam as paredes. Dean notava duas pessoas a seu lado, um adulto jovem e um garoto que aparentava ter a mesma idade que Dean, os dois estavam apagados, mas estavam respirando. Logo a frente, um homem barrando a porta, estava com um capuz que era costurado em seu agasalho, ele ocultava seu rosto, ele era grande, possivelmente a pessoa que chutou Dean para que o mesmo acordasse.
– O-onde estou? — Perguntava-se.
– Isso não importa, garoto. Você está morto. — Respondia o homem.
Dean reconhecia sua voz, era o mesmo homem que guiava a carroça, mas parecia estar mais calmo.
– Tio John! Porque está fazendo isso comigo? Onde estão meus pais? — Perguntava Dean que expressava medo e desespero.
John não respondia, continuava com a cabeça baixa, encarando o chão, ignorando-o.
– Me responda! Eu quero sair daqui! — Gritava Dean, quase chorando.
O homem se aproximava de Dean e lhe dava um forte tapa no rosto.
– Assassino, cale a boca! Você matou Lilian e Ethan! Eu vi seus corpos esquartejados, e eu sei que foi você! O cabelo de sua mãe e o sangue deles estavam em você! — Gritava John segurando com força os ombros de Dean. John estava chorando e havia explodido em raiva.
– Não, você está mentindo, eu não fiz isso! — Gritava Dean que também começava a chorar.
John lhe dava outro forte tapa em seu rosto e voltava a falar.
– Olhe o que você fez comigo, olhe meu rosto! — Ele tirava o capuz mostrando parte de seu rosto desfigurado pela queimadura. — Eu fui entrar na casa para salvar vocês, quando entrei minha irmã e Ethan já estavam mortos, você estava desmaiado, só percebi que tinha sido você depois que o tirei de lá. E Phillip, o que fez com ele, o matou também? Desgraçado!
Dean estava espantado, perplexo, encarando seu tio e relembrando do que havia acontecido. Ele parava de chorar e baixava sua cabeça, ainda pensando, logo tentou explicar a seu tio.
– Tio.. Não fui eu, foi Phillip. Quer dizer, eu não sei, acho que era um demônio que estava em Phillip. Não era meu irmão, ele parecia um enorme cão, tinha grandes dentes, e-eu estava no quarto com o pai e a mãe, e aquela coisa entrou e nos atacou, me jogou longe, eu desmaiei, quando acordei ele estava matando minha mãe. — Dean novamente voltava a chorar enquanto explicava. — Ai ele olhou para mim, eu pensei que iria morrer, mas ele foi ficando menor, e quando vi era o Phillip. Eu o chamei de monstro e ele sorrio, depois me bateu e eu desmaiei, ai acordei na carroça com o senhor. Por isso acho que era um demônio.
– Você está mentindo, eu não sei porque matou seus pais, mas Phillip nunca faria algo assim. Demônios não existem. — John levantava, colocava seu capuz e saia do quarto, trancando a porta.
Dean se escorava na parede, ele ainda estava amarrado, começava a pensar no que aconteceria a partir de agora sem sua família e sendo culpado de algo que não fez. Pensava em seu irmão, lembrava dos momentos bons e tentava imaginar porque tudo aquilo aconteceu, porque logo Phillip.
Seus pensamentos eram interrompidos.
– Ei você, Dean, certo?
Dean olhava para o homem ao lado, percebendo que ele estava acordado, mas não respondia.
– Eu ouvi tudo, sinto muito pela sua família. Eu sei que não foi você. — Dizia o homem.
Dean se mantém calado, encarando o chão.
– Eu sei o que fez aquilo com seus pais, não foi nenhum demônio, foi Phillip. Ele é um lobisomem.
Dean estranhava, encarava o homem e percebia que aquilo fazia sentido.
– Lobisomem? Meu irmão não era um lobisomem e nunca mataria nossos pais, era um demônio.
– Não, era um lobisomem, forma de cachorro, grandes dentes.. e você viu, ele se transformou em seu irmão novamente. Talvez seu irmão não tivesse controle, talvez a culpa não tenha sido dele, mas acho improvável.
– Porquê? — Questionava Dean.
– Porquê? Por que você disse que ele sorrio, e quando ele sorrio já estava em sua forma normal, era seu irmão novamente, se ele não fosse culpado não iria fugir e colocar fogo na casa.
– Faz sentido, mas Phillip nunca faria algo assim.
– Talvez, lobisomens conseguem enganar as pessoas, eles não ligam para suas famílias. Seu irmão provavelmente está por ai agora, matando outras pessoas, para eles, isso é diversão.
Dean olhava para o teto, havia começado a chover, era como se já tivesse se acostumado com aquilo, com a dor que o dominava. Pensava no que faria a partir de agora, não havia casa para voltar, mesmo se houvesse, ninguém estaria o esperando. Também não sabia porque seu tio o levará para aquele local, talvez fosse seu fim.
– E agora? Porque estou aqui? Quando me deixarão sair?
– Você está aqui para ser executado, todos nós estamos, e acho que você não conseguirá sair.
– Mas porquê? Não fui eu, eu posso falar com eles, direi a verdade, foi meu irmão, um lobisomem.
– Não irá adiantar, iriam rir de você. Para eles lobisomens são como lendas, poucos já viram eles e sobreviveram. — Respondia o homem, já se levantando. — Ah, me desculpe, não me apresentei. Meu nome é Raphael, Raphael Tzara e o seu?
– Dean Roberts.
– Prazer. — Dizia Raphael dando um pequeno sorriso. — Agora precisamos achar um jeito de escapar.
– E o garoto ao seu lado? — Questionava Dean.
– Ah, verdade, vou acordá-lo. Ei, ei acorde.. Acorde logo! — Dizia Raphael empurrando o garoto com os braços.
– O que foi? — Dizia o garoto que logo se sentava. O garoto era um pouco maior que Dean, seu cabelo era castanho e tinha roupas bem estranhas, como se não fosse do tamanho dele. — Ah, droga, me pegaram..
– Quem é você? — Perguntava Dean.
– O que importa? Estamos todos mortos mesmo.
Dean se calava.
– Meu nome é Leon. Leon Auditore, é um prazer conhecê-lo, seja lá quem você for.
– Sou Dean.
– Acho que há um jeito de sair, mas vou precisar da ajuda de vocês.. — Dizia Raphael olhando para o lado de fora do local entre as tábuas da parede. — Iremos fugir amanhã.
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