Fallen Spirits

3 Um caçador


Phillip observava encostado sobre uma parede à multidão da viva cidade durante a noite. Alguns dias haviam passado desde o incidente onde ele mesmo retirou a vida de seus pais, porém aquilo não o importava mais. A cada dia que se passava ele se acostumava a sua nova natureza e com ela, novos gostos.

Entre a multidão das ruas algo começou a lhe chamar a atenção, uma mulher que lentamente caminhava até uma das ruas menos povoadas durante aquela noite, uma perfeita presa e ele sabia perfeitamente o que fazer. Saindo de seu apoio ele seguia a mulher evitando fazer qualquer barulho, ela caminhava um pouco a frente olhando para todos os lados, possivelmente com medo do local.

Phillip já havia feito isto outras vezes então não havia de se preocupar, em alguns passos o garoto começava a se aproximar da mulher até que ela pudesse o notar assim virando para trás assustada, notando a pequena sombra ao seu lado, no começo a mulher tomou alguns passos para trás com medo do que pudesse ser, mas quando ela conseguiu distingui-lo seu medo sumiu e seu rosto era tomado por um sorriso acolhedor.

– O que você esta fazendo aqui esta hora da noite garoto? – A mulher dizia enquanto se agachava para ficar a altura do menino.

– Minha mãe me pediu para comprar frutas para ela, já que ela hoje estava muito doente. – Phillip fingia estar assustado. – Mas nós moramos muito longe da cidade e eu acabei me perdendo.

A mulher então levava sua mão até a cabeça de Phillip a afagando.

– Ainda bem que eu te achei, aqui não é o melhor para se perder. – A mulher então ajustava sua postura voltando a estar de pé. – Eu te ensinarei o caminho, venha comigo.

A mulher terminava com um sorriso no rosto enquanto estendia a mão para que Phillip a pegasse, o garoto aceitava segurando ela. Ela começava a puxa-lo para a direção contraria de onde estavam, indo em direção a rua movimentada de anteriormente.

Enquanto a mulher o puxava Phillip estranhamente parava enquanto escondia seu rosto entre seus longos cabelos negros esperando reação da mulher que parava olhando para ele.

– O que foi? Esta com medo? Eu sei que há muitas pessoas aqui, eles não iram fazer nada com você

No rosto de Phillip um sorriso sádico começava a se formar em seu rosto, porém era escondido pelo seu cabelo.

– Moça quando você esta com fome você come, certo?

– Sim, e o que normalmente fazemos. – A moça respondia mesmo achando a pergunta um tanto quanto estranha.

– E se eu disser que estou com fome agora? – O tom de voz de Phillip começava a se alterar lentamente.

– Então podemos comprar algo para você comer, tudo bem? – A mulher respondia com um sorriso.

– Moça você é muito gentil, gentil até demais.

Ao falar isso a mulher sentia sua mão começar a ser apertada com grande força e quando ela podia notar a mão de Phillip mais parecia com a garra de algum animal. O rosto da mulher era tomado pelo desespero ela se preparava para gritar, foi quando a outra mão do garoto foi em direção de sua face cravando as unhas em sua cabeça a matando na hora.

O corpo da mulher começava a cair enquanto Phillip retirava sua mão cravada no rosto dela. O garoto permanecia algum tempo encarando o corpo no chão observando a poça de sangue que se formava embaixo do mesmo. Ele então se agarrava o corpo morto pela cabeça levantando ele até sua altura enquanto abria sua boca mostrando seus dentes que ao contrario dos dentes comum eram afiados como de um lobo. Enquanto ele se preparava para deliciar o corpo o incomum som de um tiro era ouvido e por instinto ele se jogava para ao lado ao mesmo tempo em que uma bala acertava o local onde ele estava.

– Acho que é isso que significa um lobo em pele de cordeiro.

Das sombras da rua escura surgia um homem de estatura alta e cicatrizes em volta de todo o seu rosto em sua mão direita segurava uma garrucha de dois canos de onde uma ligeira fumaça saia do cano.

– Haviam me falado de pessoas sumindo durante as noites, pensei que poderia ser um vampiro. – O homem então assoprava a fumaça que saia do cano da arma e encarava Phillip. – Mas um garoto lobisomem eu nunca pensei nisso, achava que vocês lobos eram criados entre os seus até a maioridade.

–E quem seria você? Como sabe o que sou? – O garoto tomava um olhar de curiosidade enquanto encarava o homem.

O homem, que também observava o garoto com um pouco de curiosidade, abria o cano de sua arma colocando duas balas dentro enquanto puxava os ganchos atrás do cano, mecanismo que efetuava o disparo da arma.

– Garoto por acaso você foi mordido?

– Mordido? – Phillip se espantava um pouco com a pergunta. – Não porque me pergunta isso?

– Se você fosse mordido eu poderia te perguntar quem te mordeu antes de te matar para poder matar ele também.

Neste momento um calafrio percorreu o corpo de Phillip cada célula sua dizia para correr, não sabia o com o que estava lidando, mas aquele homem realmente era uma ameaça. Ele se levantou e olhou para trás se ele fosse fugir o único caminho era pelo mesmo que ele tinha vindo.

– Você ainda não me respondeu quem é você. – Phillip exclamou mais uma vez.

O homem simplesmente olhou para o garoto e começou a coçar sua cabeça.

– É difícil explicar garoto, ainda mais para alguém que vai morrer logo – O homem abaixo sua arma um momento tentando pensar em algo para falar.

Phillip não era nenhum idiota, quando o homem abaixo sua arma foi o momento que ele se virou e começou a correr em direção da mesma esquina onde veio. Foi quando uma forte dor tomou conta de seu ombro direito e logo ele se viu caindo no chão e seu ombro sangrando.

– Achou mesmo que iria fugir? – O homem andava logo atrás do garoto com sua arma esfumaçando. – Que tal um jogo, eu te dou 10 segundos para fugir, se conseguir se esconder de mim você pode viver.

Phillip se levantou desesperadamente enquanto tentava tampar a ferida com sua outra mão. Ele olhou para o homem que agora estava com seus 10 dedos levantados e sussurrava para que o garoto fosse. Quando Phillip percebeu ele já estava correndo em direção aos cidadãos de antes tentando despistar o homem trombando em alguns. Alguns segundos depois Phillip se escondera dentro de um beco se agachando atrás de caixas.

– Merda, merda, merda. Por que isso não cura. – Phillip segurava seu braço com toda a força tentando esquecer a dor.

– Isso é porque é uma bala de prata garoto, garantia de impedir vocês lobisomens de se regenerarem.

Os dez segundos já haviam passado, o homem parecia surgir a frente de Phillip que rapidamente se deixou tomar conta do desespero e tentou atacar o homem aranhando ele com suas garras fazendo um pequeno corte no rosto do homem que se afastou do garoto enquanto parecia ficar bravo.

– Ei garoto eu realmente não gostei disso.

Em um segundo o som de uma arma disparando e quando Phillip pode notar havia um buraco em sua perna. A dor era imensa, porém o garoto segurou e com suas últimas forças tentou se arrastar para a parede do beco deixando com que o garoto tivesse a visão de seu assassino.

– Antes de eu te matar garoto, vamos fazer uma troca se você responder algumas perguntas minhas talvez eu deixe você viver. – O homem olhava sua arma preparando a última bala. – Quem é você? Onde está sua família?

– Por que você quer saber? – Lagrimas começavam a escorrer pelos rosto do garoto, provavelmente uma última tentativa de sobreviver.

– Não adianta garoto, já vi esse jogo várias vezes. Vocês matam suas famílias e simplesmente comem a carne deles. – O homem suspirava enquanto posicionava a arma no rosto do garoto. – Se não quer responder então me fala somente o seu nome para que eu possa enterrar você, meu nome é Charles caso queira saber quem te matou quando descer no inferno.

– Phillip – O garoto hesitava um momento antes de continuar a falar. – Phillip Roberts Wincold e quer saber? – Um sorriso sádico se formava no rosto do garoto. – Eu matei minha família mesmo e apreciei cada um de seus gritos e Dean, meu irmão, aquele rosto desesperado dele, eu mataria meus pais novamente só para ver aquilo. – Ele começava a rir como se aquilo fosse algum tipo de piada.

O homem olhou uma última vez para Phillip, seus olhos estavam cheios de desprezo ele apontou sua garrucha para a cabeça do menino que continuava a rir incansavelmente e posicionou seu dedo no gatilho, um tiro e tudo aquilo acaba.

Foi quando o braço do homem saiu voando, o homem só teve um momento para olhar para trás e notar um punho indo em direção ao seu rosto, seu corpo que voou contra a parede fazendo um forte som de impacto antes dele cair.

– Caçadores, sempre atrás dos mais fracos. – Um estranho homem vestindo um casaco e um chapéu limpava sua mão do sangue do caçador.

Ele olhou para Phillip, que aparentemente parecia ter parado de rir a algum tempo, e estendeu sua mão a ele.

– Consegue levantar? – O homem olhou para os ferimentos do garoto. – Bala de prata, realmente um saco, temos que tirar elas daí. Vamos eu te ajudo.

Phillip estranhou de começo, mas logo se sentiu familiarizado com o homem e aceitou sua ajuda para levantar, ele então segurou Phillip em seu colo como se ele fosse seu filho, o homem andou até o fim do beco para a rua principal onde gritos podiam ser ouvidos.

– Vocês vão logo com isso. – O homem disse.

Doze lobisomens se encontravam no meio de uma pilha de corpos, alguns ainda seguravam os corpos pelos braços outros comiam a carne morta no mesmo instante. Aquela cena fez com que, lentamente, um sorriso sádico se abrisse no rosto do garoto.