Fallen

4 Visita inesperada!


Notas iniciais
Demorou, mais consegui. E aqui está mais um capitulo. Boa leitura a todos!

Capitulo IV — Visita inesperada.

A chuva tinha se esvaído desde cedo, deixando uma manhã nublada e gostosamente fria. O ruivo abriu a porta de vidro que dava acesso à sacada. O vento frio imediatamente entrou em contado com a pele de seu rosto, balançando seus fios ruivos, fazendo-os chicotear sua face.

— Incrível. — Milo sussurrou, completamente fascinado com a beleza do francês sob a luz tênue do dia nublado. Imediatamente os olhos castanhos miraram em direção à porta do quarto, encontrando os de Milo. — Como consegue não tremer nesse frio? — Perguntou esfregando as mãos uma na outra.

— Eu nasci em um país frio. — Volveu. Fechou a porta e sentou-se na cama. Mirou atentamente seu anfitrião. O mesmo estava sem luvas e meias. Os cachos loiros estavam desgrenhados e os lábios tremulavam. Frio?! Talvez! A fisionomia do grego – a pele bronzeada e os músculos definidos por horas de malhação — demonstrava que ele era avesso ao frio. Diferente dele que era avesso ao calor.

— Rússia?! — Perguntou brincalhão. Sabia que o Striper era francês, não tinha como não ter notado o sotaque carregado que o ruivo possuía. Era quase uma ofensa não tê-lo feito. Ainda sim, resolveu brinca. Era a primeira martelada na parede de gelo erguida com afinco pelo o outro.

— França! — Respondeu torto. Era praticamente impossível que o outro não tivesse notado seu sotaque. Falava fluentemente o inglês americanizado, mas ainda possuía o sotaque de sua terra natal.

— Errei por pouco. A França é um belo país. — Volveu o escorpiano de braços cruzados, soltando um sorrido displicente. — E então, quer comer alguma coisa? Você não quis jantar ontem, imagino que esteja com fome.

O ruivo mirou o rosto despreocupado de Milo. Sentia-se estranho em relação ao grego. Não que o mesmo lhe fornecesse perigo, ou talvez fosse porque o fornecesse ate demais. Não sabia dizer. Em todo caso, não entendia aquele súbito interesse que impelia o loiro a conhecê-lo. Não se lembrava de ter visto Milo antes, ao menos, ele olhava antes de subir no palco quem pudesse lhe atrair e lhe conviesse dar uma preferencia. Ate entendia os outros que retornavam ou que de algum modo estavam ali toda a noite, mas Milo...?! Quando veio a primeira vez? E como veio das vezes anteriores sem que o ruivo o notasse? Mesmo que fosse somente uma rápida passada de olho? Isso era um mistério, que agora, só piorava...

Sentia-se como se estivesse preso em uma gaiola sem grades e que o loiro era o carcereiro desarmado, mas que seu intimo lhe avisava; não fuja ou vai se machucar. Fato que o deixa irremediavelmente de mau humor.

— Eu gostaria de ir para casa — Volveu, olhando pelas janelas de vidro as nuvens carregadas que eram empurradas pelo o vento no lado fora do apartamento.

— Não foi isso que eu perguntei — O loiro falou ríspido, esperando a resposta almejada. Sim ou não, não importava qual.

— Não. Eu não quero comer nada, Sr. Onpreyde. — O ruivo falou irritado, olhando desafiador para Milo.

— Milo. Camus, quantas vezes eu já te disse para me chamar de Milo?!

O ruivo sorriu com escarnio.

— Foi mal grego, mas essa intimidade que está querendo impor não está funcionando e provavelmente nem vá. — Decerniu venenoso.

Milo apertou o canto dos olhos. Aquilo era inédito. Mesmo após o amanhecer, Camus ainda continuava com aquela tez de indiferença. Talvez estivesse sendo apressado de mais. Admitia, não era bom em esperar. No entanto, era a primeira vez que revelava que era herdeiro do fundador da Giudecca e a pessoa a quem queria impressionar não fazia simplesmente nada. E nada, era nada mesmo. Nem uma expressão de surpresa. Interesse, nada...! E isso o irritava.

— Não estou querendo impor. Eu realmente quero que exista intimidade entre a gente. Eu quero conhecer você melhor Camus. Você pode confiar em mim e dizer o que lhe aflige.

O aquariano balançou negativamente a cabeça. Perguntava-se por quanto tempo aquilo duraria.

— Ok. Você quer me conhecer, saber mais sobre mim?! Pois bem, aqui vai... Detesto que invadam meu espaço e é exatamente isso que está fazendo.

O loiro ergueu uma sobrancelha, olhou da porta para onde o ruivo estava. Ate então, a casa era sua. Poderia entrar em que compartimento quisesse. Então, ter por “invasão de espaço” era somente por ter entrado no quarto que cedera ao ruivo sem bater ou pedir?! Porque então tinha a leve impressão de estar totalmente enganado?

— Só porque eu não bati na porta ou pedi para entrar?! — Perguntou, ainda com a sobrancelha erguida.

Camus suspirou. Aquela seria uma conversa difícil.

— Por isso, pelo o que me disse ontem. Quero que saiba que eu detesto pessoas mentirosas. Que abusam do poder que tem. Que subjugam outras a seu bel prazer.

— Quando foi que fiz isso em relação a você?

— Quando pagou uma divida que eu não queria que você tivesse pago.

— Então o problema é esse?!

— É o começo dele. — Volveu levantando-se da cama — Ontem você disse; “quero que saiba que detesto dividir o que é meu” só que eu não sou propriedade sua, nem de ninguém. Você também disse que eu não precisaria pagar da mesma forma que pagava a Saori, no entanto, a única diferencia é que você ainda não me pediu para transar com ninguém. Pois está me tratando igual a ela. Como se eu fosse uma propriedade!

Milo fechou o semblante. Não tinha gostado de ser comparado a garota de dupla coloração capilar. Camus era uma pessoa arisca, não seria fácil dobrá-lo.

— Ok. Eu já entendi. Arrume-se, vou leva-lo de volta para Yonkers.

O aquariano piscou confuso. Aquilo era inédito. Aquele não era o jeito dos Onpreyde agirem e sabia por experiência própria.

— Diga-me, o que quer que eu faça para pagar o que devo a você?

— Pensarei nisso mais tarde. Por hora, vou pedi para prepararem o helicóptero, vou levá-lo de volta. Tem certeza que não quer comer nada antes de sair?

— Tenho. — Murmurou o aquariano olhando desconfiado para o loiro.

Milo deixou Camus sozinho no quarto e foi tomar café. O ruivo poderia não querer comer nada, mas ele não ficaria bem se não comesse algo logo. Quando o escorpiano voltou o aquariano já estava de roupa trocada. A pequena valise que trouxera estava próxima ao seu pé.

Mesmo a porta estando aberta, Milo optou por mudar de tática. O aquariano havia dito que detestava quem invadisse seu espaço, então passaria a pedir permissão. Mesmo que fosse em algo tão banal como aquilo. Bateu na porta e quando o olhar acastanhado voltou-se para ele, perguntou;

— Posso entrar? — Camus franziu o cenho e soltou um pequeno sorriso suspirado.

— Pode. — Volveu. Mordeu o lábio inferior, não deveria deixar aquele gesto inédito chegar ate si. Não devia se perturbar por tão pouco. No entanto, não conseguia. Somente o olhar do grego o perturbava e o deixava quente.

Milo notou o pequeno gesto nervoso e sentiu um fisgar. Simplesmente amava quando o outro mordia o lábio daquela maneira. Era um gesto pequeno e simples, mais que causava um efeito poderoso em si.

— Posso pedir um único favor? — Perguntou o grego. Camus olhou-o de canto, esperando que ele continuasse. — Ao menos, poderia almoçar comigo hoje? Pode ser em Yonkers mesmo.

Camus fez uma expressão desacreditada, como poderia o loiro ainda querer almoçar com ele? Mesmo depois de tudo o que escutou? Fechou os olhos e pediu por força. A família Onpreyde tinha um jeito meio “dark” de fazer as coisas. Era uma família que impunha poder, mais de algum modo, Camus notou que Milo era diferente... Que o status da família não lhe afetava tanto.

— Ok. Eu cozinho para você — Retrucou. Decidiu dar-se por vencido naquele sábado.

— Está me convidando para entrar em seu apartamento? – O escorpiano soltou um ínfimo sorriso infantil.

Camus engoliu seco e virou o rosto.

— É... Por ai. – Murmurou, sentindo as bochechas ficarem quentes.

“Credo, estou perecendo o Degel!” constatou em pensamento.

— Não quer mesmo tomar café? — Milo perguntou mais uma vez.

— Qual é o seu problema com um não?

— Nenhum. Apenas não desisto no primeiro que eu escuto.

Camus revirou os olhos. Tinha certeza de que aquilo ainda estava longe de acabar.

— Vamos logo, ok.

— Sim. Vamos.

...Fallen...

Os olhos âmbar vislumbraram o teto com certa afinidade que chegava a doer. Culpa do sonho ruim... Sonhou com lugares escuros e sombrios. Pisos brancos e frios, e em certo momento, apareceram olhos azuis esverdeados. Sentiu as bochechas queimarem, por lembrar-se que, em dado momento, foi beijado com fúria e abraçado com ardor.

Aquilo, a lembrança daquele sonho, fazia certas partes de seu corpo esquentar e tremular. O pior de tudo é que aquela não era a primeira vez, passou a semana toda tendo sonhos como aquele.

Regulus deu duas batidas na porta e estancou com os braços cruzados na entrada do quarto. O amigo estava suado, com a face vermelha e os cabelos desgrenhados. O lençol cobria-lhe somente parte do corpo — vestido com um short cinza e uma camisa fina também na mesma cor — um dos braços estava curvado sobre a cabeça e os dedos finos adentravam a cascata esverdeada fazendo uma leve caricia. A outra mão segurava firme a ponta do lençol.

— Você está bem? — Perguntou o leonino mirando o estado desleixado e ate um pouco perturbado do amigo.

Degel olhou desfocado para o colega. Sentia-se quente.

— Acho que sim. — Murmurou meio rouco.

Regulus aproximou-se e colocou a mão na testa de Degel e a outra na própria, medindo assim a temperatura do colega.

— Você está com febre. — Sentenciou.

— Vou ficar bem. Acho que o tempo fechado de Stamford me deixou um pouco mole. Tudo o que preciso é tomar um banho gelado e algumas aspirinas. — Falou terminando de tirar o lençol de cima do corpo, levantando-se devagar.

— O que vamos fazer hoje à noite? — Degel mirou o rosto animado do leonino e balançou negativamente a cabeça. O outro já não tinha mais o rubor avermelhado na face, o que indicava que estava bem melhor.

— Como assim? As provas finais estão ai, temos que estudar. — O aquariano respondeu entrando no banheiro. Foi ate a pia, pegou pasta e escova.

Mais uma vez, Regulus parou na porta com os braços cruzados.

— Ah, qual é Degel. Não temos feito outra coisa nas duas ultimas semanas. Não acha que precisamos nos divertir um pouco?

— Diversão? Somente depois da formatura! — Sentenciou o aquariano terminando de escovar os dentes.

Degel tirou a camiseta e o short, ficando totalmente nu. Dando a Regulus uma visão panorâmica de seu corpo esquio. Abriu o box e entrou debaixo do chuveiro, a agua passou a escorrer sem pudor pela pele branca. O leonino o olhou sem muito interesse. Não que não achasse o amigo bonito, ao contrario... Degel era um homem horrivelmente belo: Os músculos proporcionais ao corpo, o longo e liso cabelo verde era algo exótico e dava ate uma aparência mística ao estudante de administração. As pernas torneadas, a pele lisa e firme. Todo o conjunto formava o amigo um homem bastante atraente, mas já tinha confirmado que gostava mesmo era de mulheres. Admitia que, ate sentia uma vontade enorme de estapear, mesmo que fosse apena uma vez e quando o mesmo tivesse nu, as nádegas roliças do amigo. Somente para ver a pele branca ficar vermelha

— Degel, você já decidiu? — O leonino perguntou repentino ao ver o amigo enrolar-se na toalha amarela. — Será homem ou mulher?

O aquariano arqueou as sobrancelhas, confuso com a pergunta do amigo.

— Há quatro anos que eu espero pelo tão sonhado dia. Quero, pelos menos, saber antecipadamente se é com gênero masculino ou feminino.

A face do esverdeado tornou-se rubra ao entender a pergunta do colega.

— Regulus, não seja indiscreto. Quando acontecer você vai saber como e se foi com homem ou mulher, ok!

— Você pretende fazer antes dos trintas, né? — Regulus exibia um sorriso travesso. Seu passatempo preferido era deixar Degel constrangido.

— Regulus! — Repreendeu-o gritando.

— Ok. Ok. Mas diga-me, o que vamos fazer hoje à noite?

— Ainda não sei. Já que está se sentindo melhor prepare um programa para nós dois. Surpreenda-me! Mais sem bebida, por favor.

— Sem bebidas? E se eu tiver sede? Degel eu ainda estou gripado e preciso me hidratar. — Retrucou o leonino com ar infantil.

O aquariano lhe lançou um olhar mordaz.

— Regulus Linyu, você entendeu.

Os olhos do futuro jornalista brilharam de felicidade. Finalmente uma folga entre uma lição e outra. Estavam precisando dar um tempo nos estudos, nos trabalhos, nos jornais estudantis e em qualquer outra coisa que tomavam tempo deles.

Depois de vestido, Degel e Regulus foram para cozinha tomar café da manhã. Depois foram à sala escutar um pouco de musica e assistirem alguma coisa ate dar à hora de irem trabalhar. Degel estava colocando as musicas do pen-drive para tocar quando escutou a campainha.

— Eu atendo. — Disse aproximando-se da porta. Surpreendendo com a visita.

Parado na soleira do apartamento, segurando uma garrafa de champanhe, encontrava-se Albafica. Albafica, ou Alba, como os dois costumava chamá-lo, foi o primeiro amigo que fizeram quando chegaram à universidade. O jovem parecia tão perdido e solitário. Degel sentiu-se como se tivesse reencontrado um irmão que não via há séculos, e se tornaram amigos desde então.

O pisciano tinha uma aparência frágil. Como se estivesse sempre doente. Assim como Degel, o rapaz também possuía longos fios lisos, só que na cor loira. Os amigos compartilhavam tudo, menos o senso de humor. Enquanto Regulus era um jovem alegre, Degel já era mais recatado e Albafica um tato petulante. O loiro estudava engenharia ­— algo que ao ver dos outros dois, não combinava em nada com ele — era sempre o primeiro da classe. Tinha “uma maldita mente brilhante” (segundo Regulus), mas sua verdadeira paixão era a fotografia.

“Ele tem um bom olho para fotos.” — Regulus tinha mencionado uma vez.

— Albafica... Bom te ver. — O aquariano sorriu, abraçou rápido o colega — Entre.

— Eu tenho novidades. — Falou o pisciano, sorrindo e balançando a garrafa de champanhe. Os olhos azuis acinzentados estavam escuros e brilhando.

— Não me diga que você conseguiu ser expulso por mais uma semana. — Regulus provocou, Albafica fez uma careta.

— Não! A galeria de Yonkers vai exibir minhas fotografias no próximo sábado à tarde.

— Isto é incrível, parabéns! — O aquariano abraçou o loiro, orgulhoso pelo amigo — Tá vendo Regulus, trabalho duro é recompensado.

— É isto aí Alba. Eu devia pôr isto no jornal. Nada como mudanças editoriais de último minuto. — O leonino arranhou desdenhoso.

Albafica revirou os olhos. Já esperava a atitude desinteressada do leonino. Na verdade, Regulus não se interessava por muita coisa remanescente. Olhou atentamente para o aquariano.

— Vamos celebrar. Eu quero que você venha para a abertura. — Falou. Degel ruborizou. Regulus pigarreou, soltando um olhar de advertência para o loiro — Vocês dois claro. — Albafica adicionou, olhando nervosamente para Regulus.

Degel e Albafica eram bons amigos, mas o aquariano notava que lá no fundo o pisciano gostaria de ser mais que isto. O estudante também o achava bonito, atraente (Engraçado nos momentos certos), no entanto, não rolava química entre eles. E o aquariano preferia deixar as coisas como estavam. Somente na amizade.

Sorriu gentil e abraçou novamente Albafica.

— É claro que vamos, querido. — Afastou-se, olhando dentro dos olhos azuis acinzentados. Pegou sua bolsa a tira colo e a colocou no ombro — Bem crianças, agora eu tenho que ir trabalhar. — Falou e deixou que ambos, Regulus e Albafica fizessem o que achassem melhor quando chegasse à noite.

— Não vai comemorar comigo... Quer dizer com a gente? — Albafica perguntou visivelmente decepcionado.

— Não posso. Tenho que ir trabalhar, mas Regulus estava querendo beber um pouco.

— É isso ai, joga ele pra mim. — Gracejou o leonino.

— Regulus deixa de ser chato. Faça companhia a Albafica, sim?!

— Não é bem a minha companhia que ele quer, mas vou ver o que posso fazer.

— Ei, eu estou aqui, sabiam?! — Albafica indagou alternando o olhar entre os amigos. Degel soltou um sorriso sem graça e Regulus deu de ombros pegando a champanhe das mãos do loiro. Pegou duas taças na cozinha e comemorou com o amigo.

...Fallen...

Kardia era o típico homem que detestava atrasos e sua companhia estava terrivelmente atrasada. O garçom, que já tinha vindo anteriormente e coletado o pedido, trouxe um café preto forte e com pouco açúcar. O escorpiano levava a xicara com a bebida fumegante aos lábios quando uma figura feminina ocupou, de forma impetuosa, a cadeira vazia a sua frente.

— Esta atrasada! — Declarou ríspido. A moça sorriu-lhe em um mistura de esmero e escarnio.

— Meu bem, isso não é jeito de falar com uma dama, ainda mais depois dessa mesma dama ter vindo de tão longe somente para vê-lo.

Foi à vez de Kardia sorrir com escárnios.

— Dama? — Repousou a xicara em cima do pires. — Saori, você pode ser tudo, menos dama. E além do mais, sou seu marido. É seu dever vir ao meu encontro quando convocada.

A mulher lançou um olhar frio para o homem a sua frente. Detestava falar com Kardia. Não gostava quando o mesmo pedia para falar com ela. Diferente dela, o escorpiano sabia como colocar os momentos a seu favor. Sem dar muita atenção as palavras ferinas do outro, chamou o garçom e pediu um cappuccino.

— Chamou-me aqui somente para implicar comigo ou realmente tem algo de importante para tratar “senhor meu marido”?

O escorpiano sorriu desdenhoso.

— Ficou realmente com raiva pelo o que eu disse ou só está agindo como manda a etiqueta da sociedade?

— As duas coisas... — Respondeu, pondo em pausa a conversa assim que o garçom aproximou-se para entregar-lhe o cappuccino — Obrigada! — O homem maneou com a cabeça e retirou-se, dando privacidade aos dois. — Kardia é serio, só porque sou dona de uma boate/clube...

— Prostibulo! — O escorpiano interrompeu-a.

— Pode ser o que for, mais é meu. Não sou igual a você que viver sob as ordens e regras do seu pai. Há muito tempo eu deixei de ser obrigada pelo meu avô!

— Graças a mim e a Hilda. — Rebateu o grego. Ele havia ajudado a Saori a conseguir o club através do jogo.

— Não! Graças a minha sorte e ao meu jeito de jogar...

— Roubando?! — Alfinetou.

— Se está falando da Hilda, saiba que eu não tenho culpa. Ela é quem deveria está preparada para qualquer tática de seus adversários. Ela foi uma boba por acreditar totalmente em mim.

Kardia maneou um pouco. Não estava ali para aquilo e sim para falar com a “esposa” sobre o irmão e as coisas que o mesmo andava fazendo.

— Certo. De todo modo, não te trouxe aqui para saber sobre seus botes. O que quero realmente saber é por que aceitou vinte mil do Milo.

— Eu não aceitei como você diz. Ele participou de um leilão. Foi à pessoa que pagou mais e tenho absoluta certeza de que ele não se queixou do trabalho oferecido.

— Ele é seu cunhado. Não deveria ter saído de graça? — Retrucou o escorpiano, o olhar estava crispado.

Saori sorriu desdenhosa. Era sempre assim a conversa entre ela e o “marido”. Não se bicava, nem tão pouco concordavam. Na verdade, tinha sido apenas uma vez que concordaram em alguma coisa e está foi no casamento. Mesmo que este fosse somente por conveniência, ainda sim, foi um ato concordado.

— Regulando mixaria meu caro marido? — Volveu ferina — Pois eu o aconselho a olhar novamente a conta da Giudecca. Tenho certeza que terá um infarto quando vir o que aconteceu...

Kardia elevou à mãos as têmporas. Milo tinha “exagerado” mais uma vez.

— Quanto?

— Vou deixar que confira por si só — Disse levantando-se. Chegou próximo ao “esposo” e sussurrou-lhe ao ouvido — Me deixara viúva e rica!

— Saori... — O escorpiano segurou-a pelo pulso. Logo um jovem, um pouco mais baixo que Kardia, moreno e com um olhar azul frio e penetrante apareceu para socorrê-la. Segurou o punho de Kardia que lhe direcionou um olhar intrigado.

— Por favor, solte à senhorita — Pediu calmo.

O empresário sorriu jocoso.

— Senhorita? Essa aqui? — O homem continuou a rir com gosto. — Você agora contrata crianças como guarda costa, ou assim como Milo, você também quer ter amantes particulares?

Saori olhou com o olhar estreito em direção a Kardia.

— Tudo bem Ikki — Ditou a mulher de cabelos castanhos para o moreno que a acompanhava. — Esse senhor não pode fazer nada contra mim.

— Verdade, Kardia não é um homem agressivo com as mulheres. — Outra voz calma foi ouvida. Chamando a atenção dos demais — Só acho que se vão conversa dessa maneira, sugiro que se retirem para um lugar mais reservado.

O loiro estava Impecável. Muito bem vestido numa calça risca giz e uma camisa verde clara. Os cabelos loiros estavam presos por um elástico e ele mantinha as mãos nos bolsos numa atitude pueril.

O empresário, a mulher e o moreno olharam a figura que, além da voz, mostrava também uma face serena e impassível. Os olhos azuis celeste estavam calmos e avaliativos. Olhava com advertência para Kardia e Saori.

— O que faz aqui, Shaka? — Kardia perguntou surpreso ao vê-lo ali.

— Nada de mais. Estou somente zelando para que não façam nenhuma besteira — Falou aproximando-se do casal — Estou falando serio. Se vão passar dos limites aconselho procurarem outro local. Hades não vai gostar nada de um escândalo.

Saori suspirou cansada, Kardia desabotoou um botão da camisa. Estava começando a sufocar.

— Acho que por enquanto não temos mais nada a conversa. Certo, Kardia? — A grega olhou morna para o “marido”. Não queria afrontar o sogro. Ainda não tinha poder para isso.

— Concordo plenamente, Saori. — O escorpiano olhava zangado para a mulher e o moreno que se encontrava ao lado dela.

Kardia e Saori saíram acompanhados por Shaka e Ikki.

— Vai voltar para Yonkers? — Perguntou o virginiano quando já estavam do lado de fora do estabelecimento, olhando da mulher para o moreno ao lado dela.

— Não hoje! — Respondeu captando o olhar do loiro de cabelos lisos. Saori era do tipo que pegava certas coisas no ato e por isso mesmo soltou um sorriso malicioso e resolveu apresenta Ikki — Kardia, Shaka, este é Ikki Amamiya.

— Seu segurança particular? — Desdenhou o escorpiano de forma maliciosa. Sabia que aquilo iria alfinetar a “esposa”, Ikki tinha exatamente o tipo de perfil de homens ao qual Saori gostava e não duvidava nada que a mesma o tivesse pegado como amante e o disfarçado de segurança.

Saori sorriu no mesmo tom, com uma nota debochada.

— Não meu querido. Ikki é um protegido do vovô. E por isso está me acompanhando.

Kardia engoliu seco. Talvez Saori não tivesse notado a gravidade do que estava falando, mas se aquele jovem era protegido de Mitsumasa Kido, então tinha um propósito para ele estar ali. Pegou na mão de Saori e se afastou com ela.

— Saori, esse garoto é de confiança? — Perguntou ao estarem longe do loiro e do moreno.

— Totalmente. — respondeu impassível.

Kardia segurou-a pelo os ombros e forçou-a a olha para si.

— Sua, ou do seu avô?

— Minha. — Respondeu a mulher retirando as mãos Kardia de seus ombros.

— Tem certeza?

— Absoluta Kardia. Pare com essa mania de querer controlar tudo. Nem tudo acontece como a gente planeja. Portanto, pare logo com essa onisciência. Eu confio em Ikki e tenho certeza de que ele é completamente fiel a mim.

O escorpiano resolveu deixar como estava. Se sua com pactuante confiava no moreno de cabelos rebeldes, então por hora, ele também confiaria. Voltaram para perto dos dois homens que tinha ficado parado próximo ao carro da grega. A mesma entrou e Ikki foi ao volante. Saori acenou um tchau para os homens que ficaram na calçada.

— Você gostou do rapaz? — Indagou quando o carro da “esposa” se afastou. Shaka lançou lhe um sorriso dubio.

— Posso dizer que ele é bastante atraente. — Respondeu Shaka. Tinha gostado do moreno de olhar enfezado. — Mais acho que ele já está encoleirado, não é?

— Nada que minha adorada esposa não possa dar um jeitinho especial. — Formulou com um sorriso matreiro — Conseguiu o que te pedi?

— Sim. ­— Afirmou estendendo um papel para o homem de cabelos azuis, vendo-o abrir um imenso sorriso vitorioso — É incrível como seu humor mudar quando você consegue o que quer.

— Nada melhor que um doce para apagar o gosto amargo que a vida nos impõe. — Ditou pegando o papel. — Mais uma coisa... Descubra de quanto foi o estrago dessa vez.

— Milo fez de novo? — O indiano perguntou, porém, não estava surpreso. Não duvidava que Milo cumpriria o que havia dito, só achou que dessa vez ele fosse esperar um pouco mais para meter a mão na quantia que Saori tinha pedido.

E agora? Como diria a Kardia o valor gasto? — Esses pensamentos povoavam a mente do loiro quando este viu o grego pegar o carro e ir para algum lugar desconhecido, afinal não sabia qual o interesse do grego mais velho em uma loja de bricolagem...

...Fallen...

Degel estava lanchando discretamente, sentado atrás do balcão do caixa, enquanto verificava algumas ordens de serviços. Finalmente a população de Harrison tinha dado uma trégua, e, ele, poderia se dedicar a bebericar algo, uma vez que o horário do almoço já tinha passado e assim levado sua fome abismal consigo.

A Sanctuary fittings dia de sábado era um pesadelo. Era o dia em que a loja recebia uma enorme quantidade de clientes: Todos querendo enfeitar suas casas. Os donos — Seiya e Seika — ajudavam como podiam. Todos os empregados corriam de um lado para o outro, apressados. Tentando atenderem a demanda que estava sendo grande. Estava absorto na tarefa, verificando os números do catálogo dos itens que teriam que encomendar. Os olhos passavam rapidamente do livro de ordem para a tela do laptop, verificando se todas as entradas batiam, quando um vulto aproximou-se no balcão.

“Puta que pariu. Que diabos ele está fazendo aqui?” — O sorriso desfocado não era suficiente para demonstrar seu desconforto e surpresa.

Engoliu seco.

— Sr. Onpreyde... — Degel sussurrou nervoso.

— Sr. Oushevard, que surpresa agradável. — O timbre grave e o olhar intenso do outro, fizeram Degel fixar as pernas no lugar.

— Eu preciso abastecer algumas coisas e me disseram para vir aqui. — Kardia falou, tentando explicar como exatamente tinha chegado ate ali. — Será que você poderia me ajudar, Sr. Oushevard?

”Por que a voz dele nos lembra damasco em calda de chocolate escuro derretido… ou algo assim?” a mente de Degel indagou enquanto olhava de forma boba para o homem de cabelos azuis. Estava totalmente deslocado pela visão do homem em pé, parado a frente do balcão.

O aquariano agitou a cabeça, precisava se concentrar. Voltar à realidade e ao bom senso.

— Degel. Meu nome é Degel — Murmurou, seu coração batia freneticamente. E seu rosto corava furiosamente sob o olhar minucioso — Em que posso ajudá-lo, Sr. Onpreyde?

O aquariano estremeceu com o sorriso que Kardia lhe lançou. Era como se o homem estivesse escondendo algo surpreendente... E que o envolvesse.

— Há alguns itens que eu preciso. — O escorpiano entregou uma lista para Degel.

— Braçadeiras? — O aquariano perguntou confuso.

Por que Kardia Onpreyde precisaria daquele tipo de coisa? A ideia de pergunta lhe pareceu absurda, por isso, desistiu dela. Levantou e tentou avistar alguém livre para atender o homem.

Sem sucesso, Degel passou para o outro lado, ficando de frente para Kardia.

“Você é gay, Sr. Onpreyde?” chegou em letras garrafais na mente do aquariano, agora com muito mais sentindo, tendo em vista a forma simples como o outro estava vestido (um suéter creme, jeans e botas) deixando-o desconcertado. Suas bochechas coraram imediatamente.

Um ínfimo sorriso passeou pelos lábios de Kardia, iluminados os olhos intensos. Era quase como se o grego tivesse desfrutando de alguma piada particular. Degel estreitou o olhar. Assim como a frase: Você é gay, Sr. Onpreyde? Não saia de seus pensamentos, a entrada triunfal de sua pessoa em uma ampla sala de reuniões lhe acertou como se estivesse em frente a um alvo.

Degel respirou fundo, colocou uma fachada de profissional. Como se fosse um dos vendedores que trabalhava na loja há anos, respondeu educado e altivo.

— Venha comigo Sr. Onpreyde, vou mostrá-lo onde está tudo o que precisa. — O estudante falou, sua voz saiu suave e sem oscilações.

Kardia deixou um leve sorriso adornar seu rosto.

— Sim, você mostrará. — Sussurrou mordendo com força o lábio inferior.

Degel o olhou.

— Disse algo?

— Por favor. Vá na frente, Sr. Oushevard. — O escorpiano possuía um sorriso matreiro nos lábios. Estendeu a mão, apontando o caminho, dizendo assim que acompanharia o esverdeado.

Degel sentia a constância dos olhos azuis sobre si e isso o deixava bastante nervoso.

“O que ele está fazendo aqui em Harrison? Melhor, porque ele está aqui na Sanctuary fittings” perguntou apavorado. O coração quase lhe estrangulando. Querendo passar por sua garganta. Tentando fugir de seu peito por sua boca. Enquanto uma minúscula parte do meu cérebro, aquela em que provavelmente habitava o seu subconsciente, estava dizendo: “Ele está aqui para vê-lo!”.

— Sem chance! — Murmurou audível.

— O quê? — Kardia perguntou surpreso com a súbita resposta.

— N-nada. Eu apenas estava pensando em coisas fúteis. — “Ccomo, por exemplo; Por que um belo e homem como você, iria querer me ver?” — Você está em Harrison a negócios? — Perguntou antes que seus pensamentos se fizessem audíveis. No entanto sua voz saiu alta, como se tivesse prendido o dedo em uma porta ou algo assim. Maldição! Tente ficar frio Degel! Oh porque a presença deles nos perturba tanto?

— Sim, negócios! — Falou lembrando-se da conversa com sua esposa e, agora, no jovem a sua frente. — Perturbadores negócios particulares.

“Não está aqui para encontrar você afinal” seu subconsciente zombou alto, orgulhoso, e rabugento. Degel sentiu-se ruborizar com seus tolos pensamentos impertinentes.

— Estes servirão. — O escorpiano falou quando Degel mostrou-lhe dois modelos de um dos itens perdidos da lista.

— Gostaria de mais alguma coisa?

— Sim. Algumas fitas adesivas, por favor.

O aquariano ergueu o olhar. O que faria com aquele monte de coisas. Não conseguia imaginar o outro fazendo um trabalho manual.

— Fitas adesivas? Por acaso você está redecorando sua casa? — A pergunta saiu antes que ele pudesse detê-las. O tom escarlate voltou ao seu rosto.

“Não imbecil, certamente ele contratou operários ou tem pessoas para ajudá-lo a decorar”.

— Redecorando? Não, não. — Kardia falou depressa, um sorriso fluindo no canto de seus lábios. Degel sentiu como se tivesse falado uma imensa bobagem.

— Por aqui. — Murmurou envergonhado, seguindo para o corredor de fitas.

— Você trabalha aqui há muito tempo? — O escorpiano perguntou com a voz baixa. Os olhos azuis muito concentrados na figura do jovem atendente.

— Quatro anos — Murmurou. Deu duas opções de fitas para o loiro escolher.

— Eu vou levar essa — Kardia falou suavemente pegando a fita mais larga. Roçando levemente nos dedos do atendente.

O aquariano arfou, mais uma vez a corrente elétrica atravessava-lhe todo o corpo. Era como se tivessem tocado em um fio exposto. As borboletas no fundo de sua barriga também se agitaram.

— Mais alguma coisa? — Degel perguntou ao conseguir pegar o ultimo item da lista. Kardia lhe sorriu e o aquariano sentiu a boca secar.

“Não olhe para a boca dele!” repreendeu-se Degel. “Você vai querer beijá-lo” as lembranças do sonho que vinha tendo o atormentaram e logo seu rosto ficou vermelho novamente.

Kardia arqueou uma sobrancelha, ligeiramente intrigado.

— Não. Nada mais. — Respondeu. — Para você trabalha aqui há quatro anos, você dever ser ótimo com trabalhos manuais. — Observou o grego.

— Não! Só sou organizado, as atividades em grupo não são realmente minha praia, Sr. Onpreyde.

— E qual é a sua praia, Degel? — O escorpiano perguntou, um sorriso divertido enfeitou a expressão curiosa do loiro.

Degel o olhou incapaz de se expressar. Não podia simplesmente dizer: Você! Você é minha praia!

— Livros. — O aquariano respondeu rápido.

— Hum... Que tipo de livros?

— Literatura britânica. — Respondeu, sentia-se sufocado com tanta pergunta. — Você realmente não precisa de mais nada?

— Eu não sei. O que mais você recomenda?

“O que eu recomendo? Eu sequer sei o que você está fazendo”.

— Para um trabalho manual? — Kardia movimentou a cabeça, os olhos azuis vivos e um com humor perverso. — Macacões... — Respondeu inseguro. Kardia levantou uma sobrancelha, divertido — Você..., acho que..., não quer estragar sua roupa. — Degel gesticulou vagamente na direção de sua calça jeans.

— Eu sempre posso tirá-las. — O escorpiano sugeriu.

— Hum... — Degel sentiu a temperatura de seu rosto subindo novamente. Abriu a boca, no entanto, antes que pudesse falar alguma coisa, Kardia falou seco e irônico.

— Eu vou levar alguns macacões. Deus me livre de arruinar qualquer roupa.

Degel pôs uma tromba na cara

— Você precisa de mais alguma outra coisa, Sr. Onpreyde? — Pergunto ríspido, entregando alguns macacões azuis a Kardia.

— Como está indo o artigo? — Kardia ignorou a pergunta do aquariano.

— Eu não estou escrevendo, Regulus está. O senhor Linyu, meu companheiro de quarto, ele é o escritor. Não eu. Ele é o editor do jornal juvenil da escola, e ficou devastado por não poder fazer a entrevista pessoalmente. — O aquariano sentia-se como se emergisse depois de muito tempo submerso, enfim um tópico normal. — A única preocupação dele, é que ele não tem nenhuma fotografia original sua.

Kardia ergueu uma sobrancelha.

— Que tipo de fotografia ele quer? — Degel balançou negativamente a cabeça, não sabia que tipo de fotografia o amigo precisava. — Bem, essa semana eu vou estar meio ocupado. Vou fazer uma viagem para Yonkers. Tenho negocio a resolver e vou participar de uma exposição lá. E...

— Você vai para a exposição de fotos naturais?

— Como sabe dela? Da exposição?!

— Um amigo meu vai expor algumas fotografias.

— Amigo seu? Isso quer dizer que você vai?

— Sim, vou — disse sorrindo com um ar infantil. — O acompanharei juntamente com o senhor Linyu. — Kardia enrijeceu a mandíbula. Um silencio decaiu entre eles. Degel sentiu-se estranho, como se fosse obrigado a desfazer aquela situação. — Bom à exposição vai ser somente à tarde. Estaria disposto a participar de uma sessão de fotos na parte da manhã? — A voz do aquariano saiu meio estridente novamente — Regulus ficará muito satisfeito. — Degel sorriu gentil.

Kardia engoliu seco. Sentiu um fisgar no baixo ventre. A terra parecia ter se deslocado através do sorriso de Degel.

— Pode apostar que sim. — Kardia colocou a mão no bolso traseiro, pegando a carteira. — Avise-me quando estiver lá. — O grego entregou um cartão ao aquariano. — Tem meu número do celular nele. Você tem que ligar antes das dez da manhã.

— Ok. — Degel sorriu novamente imaginando a alegria do amigo.

— Degel. — O aquariano ouviu seu nome, logo em seguida identificou a silhueta de Jabu no final do corredor.

Jabu era primo de Seiya Seika. Mesmo sabendo que o colega já tinha voltado a Harrison para acertar a mudança dos primos, o aquariano não estava esperando vê-lo naquele mesmo dia.

— Ah, com licença por um momento, Sr. Onpreyde — Pediu o aquariano, afastando-se um pouco. O que arrancou uma expressão carrancuda de Kardia.

— Degel, é tão bom ver você. — Jabu falou. Abraçando apertadamente o outro, pegando-o de surpresa, fazendo um olhar estreitado e perigosamente ameaçador surgir na face do escorpiano.

— Olá Jabu, como você está?

— Bem, Degel — Ditou sorrindo, examinando de certa distancia o rosto pálido do amigo. Então o liberando do acerco, mas mantendo um braço possessivo caído sobre o ombro estreito do atendente.

Jabu amava deixar Degel assim, embaralhado, envergonhado. Meio sem jeito, os olhos âmbar encontraram os de Kardia que os observava como um falcão. Seus olhos azuis encobertos e especulativos, em sua boca uma linha impassível.

— Jabu, eu estou com um cliente. Alguém que você deve conhecer. — falou, tentando desarmar o antagonismo que via nos olhos de Kardia.

Degel pegou na mão de Jabu e o arrastou para apresentá-lo a Kardia. Ambos mediram um ao outro. A atmosfera tornou-se momentaneamente ártica.

— Hum. Jabu este é Kardia Onpreyde. Kardia, este é Jabu Ogawa. Primo do dono da loja — O aquariano explicou.

— Sr. Ogawa. — Kardia sustentou seu aperto, seu olhar estava ilegível.

— Sr. Onpreyde — Jabu retribuiu o aperto de mão. — Espere, não é Kardia Onpreyde? Da Giudecca Corporations? — Jabu passou para impressionado em menos de um segundo. Kardia lhe dirigiu um sorriso cortês, porém seco e frio.

— Uau, há alguma coisa em que eu possa ajudá-lo?

— Degel está me ajudando, Sr. Ogawa. Ele tem sido muito atencioso

— Legal. — Jabu respondeu sem graça. Virou para Degel. — Vejo você mais tarde, Dede.

Degel sentiu o coração acelerar. Aquele apelido era ridículo e Jabu o estava chamando na frente de Kardia.

— Certo, Jabu. — Degel observou ate que o amigo desaparecesse na direção da sala de estoque. Virou-se bruscamente para Kardia e perguntou — Mais alguma coisa, Sr. Onpreyde?

— Só estes itens. — Falou em tom cortante. O aquariano franziu o cenho. O que tinha feito de errado? Não sabia! Mesmo assim respirou fundo e dirigiu-se ao caixa com o outro.

Degel informou o valor em tom informal. Olhando, e desejando imensamente não ter feito isso, para o azul esverdeado que o olhava de perto também, de forma intensa e escurecida. Enervada!

— Você gostaria de uma sacola? — Perguntou enquanto pegava o cartão de crédito.

— Por favor, Degel — Pediu o escorpiano, Sua língua acariciando o nome do atendente, fazendo seu coração mais uma vez ficar frenético. E com dificuldades para bombear. Apressadamente, Degel colocou as compras em uma sacola de plástico.

— Você me liga se você quiser que eu faça a sessão de fotos?

— Hum. — Murmurou.

— Ótimo. Até sábado, talvez... — Kardia virou-se para partir, no entanto, estancou os passos, olhou novamente para o aquariano — Ah, Degel, eu estou feliz que o Senhor Linyu não pôde fazer a entrevista. — Ditou para logo em seguida, sair da loja.

Degel ficou um bom tempo olhando fixado para a porta fechada pela qual Kardia acabara de sair.

“Certo, eu gosto dele” admitiu. Na verdade não conseguia esconder de seu cérebro e nem de seu corpo que dava reações estranha toda vez que o outro estava por perto. O que não passou de duas vezes, mas muito dificultosas.

Nunca tinha se sentido assim antes. Nunca havia achado ninguém — Albafica e Regulus não contavam — atraente, muito atraente, diga-se de passagem. Mas era uma causa perdida, sabia disso. E um suspiro agridoce irrompeu por seus pulmões, era a plena convicção de que “o amargo” era pouco para o que estava perto de vir.

Continua...

Notas finais
Bem é isso!