Notas iniciais
E ai, como vão? Capitulo NÃO betado! Desejo boa leitura todos!

Capitulo V — Frágil.

Regulus estava incontestavelmente feliz. Fotos de Kardia Onpreyde em seu artigo era tudo o que faltava para ficar perfeito.

“A chave da minha cela na faculdade”. Sorriu, finalmente iria se formar.

Por conta da travessura descabida (colar na cara de madeira e ainda fazer o professor guardião distribuir a pesca) Regulus foi o que mais ganhou trabalhos extracurriculares dos professores.

— Mas o que ele estava fazendo na Sanctuary fittings? — A curiosidade do leonino era palpável.

Regulus estava animado com a possibilidade de poder conhecer o empresário mais falado do país.

— Não sei. — O aquariano respondeu, tentando fazer sua voz sair em tom casual. — Talvez ele só estivesse de passagem.

— Eu não acho que isto seja uma coincidência. — Especulou o estudante de jornalismo.

— O que quer dizer?

— Ora, Degel, não se faça de desentendido. Ele foi ver você. — O aquariano sentiu o coração bater rápido, compartilhando da dedução do colega de quarto.

“Ele esteve aqui a negócios!”. Seu cérebro gritou, trazendo a triste e decepcionante realidade.

— Está enganado Regulus, ele veio a negócios. — Murmurou tentando se convencer daquilo.

— Ho, sim. Claro, negócios. — Debochou o leonino. Sabia o quanto o amigo era desligado quando o assunto era interesse: Albafica tentava buscar um pouco de atenção do esverdeado deste que se conheceram. — Ao menos, ele tem um certificado de doação de mais de dois bilhões como álibi.

— Como você sabe disto? — Degel perguntou admirado com a facilidade do amigo em conseguir informações.

— Eu sou um jornalista, Degel. — Justificou. — Meu trabalho inteiro é sobre o cara, você sabe disso.

— Ok, Sherlock Holmes, fique frio. Então você quer as fotos?

— Claro que quero. Mas como vamos fazê-las e onde.

— Em Yonkers. Ele disse que vai para a exposição de fotos no sábado, a mesma que o Alba nos convidou.

— Correção. Convidou você. — Alfinetou.

— Que seja. O importante é que ele me disse para ligar se você quiser as fotos.

— O quê? — Um grito surpreso fez o aquariano afastar o telefone do ouvido – Você pode localizá-lo? A hora que quiser?

— Não é bem assim... — Falou desconfortável. — Ele só me deu o número do celular dele. — Degel disse como se não fosse grande coisa.

Regulus assobiou surpreso.

— O mais rico, esquivo e enigmático solteiro de Connecticut, apenas lhe deu o número do celular dele?

— Anm… sim?! — Respondeu incerto.

— Degel, ele definitivamente gosta de você. — Regulus enfatizou.

— Não, ele está apenas tentando ser agradável. — Falou entre sorriso. Tentando se convencer das próprias palavras.

— Kardia Onpreyde não é agradável. Ele é educado, polido? talvez... Mas agradável?! Com certeza não é.

Degel arrepiou-se com a possibilidade do escorpiano sentir algo por ele. Era loucura. Tinha plena convicção disso. Mas por outro lado, o próprio Kardia havia dito que estava contente por Regulus não ter feito à entrevista. E tal possibilidade (a de que Kardia pudesse gostar dele) fez seu coração bater acelerado. E seus ouvidos ouvirem sinetas ao invés das perguntas eufóricas que o amigo fazia.

— Eu não sei como vamos conseguir fazer as fotos. — O leonino o trouxe de volta ao presente

— Humm… Que tal Albafica? — Degel sugeriu. Albafica poderia não ser um fotografo profissional, mas amava fazer fotografia.

— Grande ideia. Você pergunta a ele. Ele faz qualquer coisa por você. Então chame Kardia e... bem, você já sabe o resto — Regulus ordenou, irritantemente arrogante.

— Eu acho que você deveria chamá-lo.

— Quem? Alba? — Regulus debochou da ideia do amigo. — Você é mais eficiente com ele.

Degel revirou os olhos.

— Não, Regulus. Estou falando do Kardia. — O leonino gargalhou.

— Degel, você é o único que tem um relacionamento com ele.

— Relacionamento? — O aquariano bufou. — Eu mal conheço o cara.

— Pelo menos você o conheceu. — Volveu o leonino — E parece que ele quer conhecer você melhor. — O aquariano suspirou. — Ora, Degel, apenas ligue para ele e marque o encontro. — Regulus falou e desligou antes que o amigo falasse mais alguma coisa.

“Porra, ele é tão mandão às vezes!” — O aquariano murmurou fazendo uma careta e mostrando a língua para o celular. Queria poder dizer poucas e boas para o amigo, mas naquele momento não pode fazer nada. Seiya entrou na sala de estoque tão rápido quanto um raio.

— Degel, estamos meio ocupados lá fora. — Disse o rapaz, totalmente esgotado.

Degel e Seiya voltaram para o interior da loja, e, como o moreno havia dito, encontram-na lotada. Algo bem comum para a continuação de um sábado. Quase às cincos horas da tarde foi que conseguiram fechar a loja.

— Então, como é que você conheceu Kardia Onpreyde? — Jabu perguntou, tentando mostras indiferença em suas palavras.

— Eu tive que entrevistá-lo para nosso jornal estudantil. Regulus não estava bem. — Respondeu encolhendo os ombros, tentando soar casual em sua resposta.

— Hum…

— Por quê? Teve algum problema?

— Não. Mas Kardia Onpreyde na Sanctuary fittings. Vá entender... — Jabu discorreu, agitando a cabeça — E então, quer sair para beber ou algo assim hoje à noite?

O aquariano sorriu sem jeito. Era sempre assim quando Jabu vinha visitar seus primos. Sempre o convidava para sair e Degel sempre negava. Aquilo já tinha até se tornado um ritual. Claro, não tinha problema nenhum sair com o primo do seu chefe para beber. O problema estava somente na forma como o outro ficava quando bêbado. Mesmo nunca tendo saído antes com o mesmo (ao menos não sozinho) às vezes em que o vira “alcoolizado”, Jabu flertava bastante com ele. Sem contar nos avanços desmedidos. Então passou a considerar a ideia de nunca aceita sair com o irmão do chefe. Ao menos, não sozinho.

Além do mais, considerava Jabu uma pessoa muito atraente (Como todo jovem americano da casa ao lado) e as conversas incisivas demais. Entretanto o escorpiano não era nenhum — nem forçando ao estremo sua imaginação — herói literário. Príncipe encantado ou algo do gênero. Kardia é? seu subconsciente perguntou-lhe. E antes que começasse a se esbofetear o aquariano começou a rotular sua incisiva desculpa.

— Você não tem um jantar de família ou algo assim com seus primos?

— Isto é amanhã.

— Talvez alguma outra hora, Jabu. Eu preciso estudar hoje à noite. Além do mais meu exame final já é na semana que vem. Eu realmente preciso me preparar.

— Degel, um dia desses, você dirá sim? — Jabu sorriu contraditório.

— Er... Um dia desses, talvez eu diga sim, mas hoje é não! — O outro bufou.

Degel sorriu.

— Ate segunda, Degel! — O moreno falou antes que o estudante sumisse de seu capo de visão.

...Fallen...

Camus olhava frustrado para sua geladeira vazia. Na pressa de voltar pra casa tinha prometido cozinha algo para ele e Milo comerem. O problema era que como morava sozinho, mal comia em casa. Então além de agua, a única coisa que tinha dentro de sua geladeira era refrigerante, alguns sucos de caixinha e mais agua com gás...

“E agora? O que eu faço?” indagou-se perturbado. “Camus não seja idiota. A única coisa que tem que fazer é sair e comprar!” não entendia porque seu raciocínio se desorganizava quando o loiro estava por perto. Mesmo sendo pouca, às vezes que se encontraram, já tinha notado isso.

Voltou para a sala, Milo estava com as mãos nos bolsos da calça e olhava curioso para seus porta-retratos.

— Meu irmão e o amigo dele, Regulus. — Informou o ruivo, a curiosidade estava explicita nos olhos azuis do escorpiano.

— Desculpe. Eu só estava olhando. Se bem que ele parece com você. O de cabelos verdes. — Explicou, como se fosse uma criança pega em uma travessura, coçando o rosto com o indicador.

Camus sorriu com o jeito pueril de Milo. Nessas horas, tudo ficava confuso. Do mesmo jeito que se mostrava dominador e possessivo, Milo também mostrava um ar infantil às vezes. Romântico e um pouco inocente.

“Quando foi que passou a notar ele assim?” seu cérebro indagou. “Não se esqueça, Camus, ele é um deles!” foi alfinetado com força.

— Milo, eu preciso sair um pouco. Volto logo! — Disse o ruivo, perturbado.

— Vai aonde?

— Comprar alguma coisa. Minha geladeira só tem água e suco.

— Você insiste em cozinhar? — O escorpiano perguntou, receoso. Camus cruzou os braços e ergueu as sobrancelhas. — Poderíamos ir a um restaurante ou pedir fast-food. — O grego sugeriu.

— Na boa, não quero que gaste mais dinheiro comigo. — Volveu dando as costas para o loiro.

— Não se preocupe, é uma cortesia minha. Não vou te cobrar por isso. — O escorpiano segurou o pulso do ruivo, sentiu uma pequena descarga elétrica no processo. — Eu só quero te levar para almoçar.

Assustado, o aquariano puxou o braço e fechou à mão no próprio punho, bem onde Milo tinha lhe segurado, massageando. Seu coração ficou acelerado, quase querendo sair pela boca.

— É serio. Não entendo porque faz isso. — Falou com a mão junto ao peito, sentindo o retumbar desenfreado dentro de seu corpo.

— Não vamos começar de novo, não é? — Milo perguntou, seu coração também batia descompassado.

O francês olhou serio para o homem loiro, era a primeira vez que se sentia assim — confuso — em relação a alguém. Também era a primeira vez que seu corpo tremia daquele jeito com um simples toque.

— Ok. Prometi que almoçaria com você e é isso que vou fazer. — Ditou após engolir seco. — Vou comprar algumas coisas e volto logo.

Milo fez menção de avançar em direção ao ruivo, no entanto, ao vê-lo recuar parou quase que instantemente. Com Camus teria que seguir com calma.

— Escute Camus, é quase meio dia. Se você for agora, vamos almoçar que horas?

Camus ponderou sobre o assunto. O loiro tinha razão. E quanto mais rápido comesse junto com o loiro, mais rápido se veria livre dele, ao menos aquele dia.

— Tudo bem. Vamos pedir, mas eu pago. — O aquariano ditou, impassível de qualquer acordo.

— Olha, eu não sei que complexo é esse que você tem, mas se assim te agrada, vamos fazer assim. Nós escolhemos, nós pagamos. Tudo bem pra você?

O francês revirou os olhos.

— Tudo. — Aceitou. Ainda sentia seu corpo reclamar.

— E então o que vai ser? Dê sua opinião primeiro. — disse o loiro com um sorriso vitorioso nos lábios.

— Para você simplesmente concordar de imediato? Não obrigado. Diz você primeiro.

“Assim não vamos chegar a lugar nenhum!” pensou o escorpiano coçando as têmporas.

— Ok. Digamos ao mesmo tempo então. — Sugeriu cansado. Nunca tinha encontrado um homem tão teimoso e tão imune ao seu “charme”.

— Façamos assim você escolhe e eu pago.

— Ok. Você venceu. — Milo levantou os braços em sinal de rendição. — Mas como é teimoso. — Esbravejou. — Vou logo avisando que tenho um gosto muito requintado.

Camus sorriu vitorioso.

— Posso saber qual é a graça? — Milo perguntou ao vê-lo sorrir.

— Nenhuma. — respondeu. — Você quer um pouco de vinho?

— Não. Eu quero a garrafa toda. — Camus sorriu. Pegou vinho e taças, enquanto isso Milo ligava para pedir o que comerem.

...Fallen...

— Desculpe-me Degel, mas só fotografo lugares. — Albafica falou descontente por não poder ajudar o amigo.

— Alba, por favor... — O aquariano andava de um lado para o outro dentro do apartamento que dividia com Regulus, implorou em tom manhoso. Desviando do olhar mordaz do amigo leonino que estava a ponto de tomar o celular de sua mão.

— Dê-me o telefone, Degel. — Regulus arrancou com estrema violência o telefone do amigo.

— Escute aqui, Albafica Kodds, se você quiser que nosso jornal cubra a abertura da sua exposição, você vai fazer as fotos no sabado, capiche? — O pisciano tremulou do outro lado da linha. Regulus era terrivelmente intimidador. — Ótimo. Degel vai ligar de volta informando o local e o horário. Nós vemos você no sabado. — Ditou e desligou o celular com um sorriso vitorioso nos lábios. Tirando Degel, ele não dava opção de escolha a ninguém!

“E isso apenas porque é um jornal estudantil, imagina se fosse um dos famosos?!”

Pensou o aquariano

— Feito. Tudo o que nós precisamos fazer agora é decidir onde e o horário em que vamos fotografar Kardia. Pegue, ligue para ele. — Regulus devolveu o telefone ao amigo. — Ligue e o informe que vamos esperá-lo no hotel Kielton, às nove horas da manhã.

Degel sentiu o estômago revirar. Não queria falar com Kardia, mesmo assim, pegou o numero de telefone impresso no cartão de negócios que o empresário havia lhe dado, no bolso de trás da calça jeans. Seus dedos tremiam ao discar o número.

— Onpreyde... — O escorpiano atendeu. Sua voz exalava frieza, era como se atendesse contra sua vontade.

— Hum… Sr. Onpreyde? É Degel Oushevard. — Apresentou-se nervoso. Talvez tivesse ligado em uma hora ruim. Talvez o outro pudesse estar com alguém... Esse pensamento o deixou um pouco inquieto.

— Senhor Oushevard. Como é bom ouvi-lo. — O homem respondeu depois de uma breve pausa. Sua voz soando completamente diferente: receptivo, sedutor.

O estudante engoliu seco. Sua respiração entalou em sua garganta e o tom escarlate veio ate sua face.

— Hã... nós, o senhor Linyu e eu, gostaríamos de fazer a sessão de fotos para o artigo. — Falou, tentando demonstra indiferença, mas estava tremendo por dentro.

— No sábado? — Kardia perguntou.

Degel sentiu que seus pulmões foram obrigados a absorvem uma respiração apressada.

“Respire, Degel, respire.” Ordenou-se. Quase vislumbrando o sorriso de dentes brancos adornando o rosto de Kardia.

— Sim, no sabado. Às nove horas se estiver tudo bem. — Falou apressado.

— Eu vou estar no Hampton às nove e meia da manhã. Se quiserem as fotos estejam por lá.

— Certo, nós veremos você lá. — Concordou quase sem fôlego. Mas parecia uma criança que um homem adulto que pode votar e beber legalmente. Ficou totalmente vermelho de irritação. Não conseguia entender como o outro conseguia lhe deixar naquele estado.

Regulus o olhava boquiaberto, surpreso até, pela conversa e reações presenciadas. Degel foi para a cozinha, tentando evitar o inquiridor olhar indesejável do leonino.

— Eu espero ansiosamente por isto, Senhor Oushevard.

O aquariano tremulou, conseguia vislumbrar o brilho perverso dos olhos azuis esverdeado e o sorriso constrangedor do escorpiano ditando aquela frase.

“Como ele consegue fazer tantas promessas tentadoras em uma única frase?” Degel desligou e levou à mão as têmporas.

— Dede, você gosta dele! — Regulus falou da porta da cozinha. — E nem adianta negar. Eu nunca vi ou ouvi você tão afetado por alguém antes. Você está realmente corado.

— Oh, leãozinho (perigo), não seja ridículo. Você sabe que eu ruborizo o tempo todo. É quase uma profissão. — Volveu em tom ríspido. O leonino piscou surpreso. Raramente Degel ficava com raiva, e, se ficava, rapidamente deixava para lá. — Eu apenas o acho… intimidante, isto é tudo.

— Hampton?! Nada mal. — Regulus murmurou. Não falaria nada sob a escolha do hotel. Não queria continua com aquela conversa perigosa com o amigo. — Eu darei um telefonema para o gerente e negociarei um espaço para as fotos.

— Eu vou fazer o jantar. Depois eu preciso estudar. — Degel não conseguia esconder a irritação que sentia.

“Como se não bastassem minhas reações malucas e desajeitadas perto dele, ainda tenho que escutar esse tipo de coisa vindo do meu amigo!” seu pensamento fervilhava enquanto abria os armários buscando utensílios para fazer o jantar.

...Fallen...

Milo estava com um sorriso radiante no rosto. Depois de algumas doses de vinho o ambiente entre ele e Camus estava bem mais leve. O francês já não estava mais tão na defensiva, conversa sem a rispidez aparente.

Os restos do que outrora foi uma pizza estava dentro da caixa em cima da mesinha. As taças se encontravam pela metade e Camus já exibia um tom rosado no rosto. Detestava bebidas com álcool por conta disso, era muito vulnerável a elas.

— Você não tem algo mais forte não? — Milo perguntou, olhando diretamente para taça em suas mãos. Encontrando somente a metade da taça banhada pelo liquido avermelhado. Solveu-a de um só gole. Extinguindo assim sua bebida.

— Desculpe-me, mas eu fico bêbado somente com vinho. Então, nem pensar em algo mais forte. Destilados não entram na minha casa.

— Como você é inocente! — Brincou o grego. — Ficando bêbado com algo tão fraquinho.

Camus sorriu perverso. De um modo bem estranho não tinha gostado de ser chamado de inocente pelo loiro.

— Então eu sou inocente por ficar bêbado com vinho? — Agitou tirando a taça das mãos de Milo e colocando-a, junto com a sua, em cima da mesinha de centro.

— Um pouco. — Alfinetou o grego. Aquele era um jogo divertido. Saber quem conseguia dizer a ultima palavra entre eles dois era algo impagável.

O ruivo então, meio cambaleante, levantou-se de onde estava. Passou uma perna sobre Milo, posicionando um joelho de cada lado do quadril do loiro. Sentando-se sobre as coxas firmes. Prendendo o grego sob o seu corpo. Juntou as mãos no rosto moreno. Mirou com seus olhos vermelhos dentro da íris azulada...

— Uma pessoa inocente faria algo desse tipo? — Perguntou, logo em seguida, tomando os lábios de Milo nos seus. Beijando-o de forma sedutora. Arrancando um gemido de surpresa e deleite do loiro.

Uma das mãos desceu pela nuca, emaranhando-se com os cachos loiros que residiam na nuca. A outra foi levada ate o peito másculo coberto pela camisa preta. A língua adentrou apressada a cavidade úmida e quente. Chegava ate ser um tanto grosseiro. Milo não fazia muito. Apenas retribuía o beijo desesperado sem entender o porquê daquela angustia de Camus.

Sim, podia sentir angustia no beijo do francês.

O ruivo não sabia o que tinha dado em si para fazer aquilo. Seu cérebro gritava para que parasse. Que mesmo sentindo prazer naquele momento, iria se arrepender depois. Que o escorpiano não aceitaria... Ele não aceitaria quando contasse. Que com certeza o culparia também.

Uma lembrança dolorosa o fez parar de supetão e puxar o ar com força. As duas mãos agora apertava desesperadamente a camisa preta. Em seus olhos algumas lacrimas começavam a brotar. Baixou a cabeça, envergonhado. O que havia sido aquilo afinal?

— Tem razão... — Escutou o timbre firme e grave ditar. — Ate mesmo uma pessoa inocente, não beijaria com tanta insegurança.

Milo segurou o ruivo pelos quadris e o jogou contra o tapete felpudo da sala do apartamento de Camus, e o prendeu com o peso de seu corpo.

— Ora, seu... — Camus elevou os punhos na defensiva e Milo os prendeu sobre a cabeleira ruiva. — O que pensa que vai fazer? — Perguntou extasiado pelo som grave e penetrante da voz rouca do grego. Seu corpo estava rijo, esperando o que quer fosse por parte do loiro.

— Vou mostrar a você como se beija! — Milo sussurrou a milímetros dos lábios do francês.

Camus levantou o rosto e seus olhos, ainda molhados, mas escurecidos pelo desejo, se fixaram aos do grego. Sentia-se estranhamente hipnotizado.

O escorpiano vislumbrou “mais uma vez” o lampejo de cores em tons avermelhados.

Não era a primeira vez que os via. A coloração ocular exótica que Camus exibia, no entanto, era a primeira, sob o brilho das lagrimas. E a cor avermelhada tornou-se mais hipnóticas. Chamativas, difíceis de se rejeitar. Tornou-se algo sublime e cheio de nuances magicas.

— Milo... — Camus chamou-o. A voz um pouco vacilante, tremula, quase implorando... O corpo do loiro tremulou. Sabia que aquilo era afeito do vinho. O próprio Camus tinha dito: Eu fico bêbado somente com vinho!

Mesmo assim... Não conseguia restituir. Era estranha a forma como o “striper” o fazia se sentir. Baixou a cabeça e deixou que seus lábios roçassem levemente a face alva. Delineando o rosto pálido com beijos, saboreando a textura suave da pele fina... beijou-o na bochecha, e em seguida a ponta do nariz, onde havia algumas pequenas sardas... bem poucas. Pressionou os lábios levemente contra um dos cantos da boca do ruivo, sem, contudo, beijar-lhe diretamente. Fazendo uma tortura silenciosa. Sentindo o corpo esquio abaixo de si estremecer. Da boca bem desenha sair murmúrio de desagrado pelo não consumo do ato final.

Um sorriso sínico e perverso brincou nos lábios gregos. Era divertido ver o tão centrado e arredio striper sucumbir. Desejar. Implorar. Milo inclinou a cabeça para explorar o pescoço alongado, depositando beijos suaves na pele macia, arranhando com os dentes, deixando marcas vermelhas na superfície branca. Subiu com os beijos pela lateral do rosto, mordendo a cartilagem da orelha, deslizando a língua para dentro do orifício auditivo. Camus sentiu um tremor percorrer seu corpo e soltou um gemido de prazer.

Ao sentir o corpo abaixo do seu contrair e os lábios se entreabrirem, deixando escapar um gemido, junto alguns suspiros pesado, começou a contornar a boca fina com a língua. Bem de leve. Lentamente. Inebriando-se pela textura suave e o gosto de vinho que vinha da boca do francês. Deixando que sua língua escorregasse — Um pouco por vez — Para dentro dos lábios finos. Pressionando com carinho e paixão. Tomando-o com fome de saciar o desejo que crescia a cada dia que se passava. Instigando a carne rosada do outro a seguir a sua.

O escorpiano soltou os pulsos do aquariano e deixou sua mão correr solta. Entrando por baixo da camisa, buscando a textura macia da pele... Sentindo o francês ceder a cada toque seu. Brincando com a língua atrevida que se enroscava a sua.

Camus se sentia débil. Sem força alguma para reclamar. Era inacreditável, quase inaceitável — Se não fosse tão deliciosamente prazeroso — Que somente com um beijo, Milo quase o estivesse fazendo chegar a um ápice... Quase ter um orgasmo. Sentia todo o seu corpo tremular e por sua espinha dorsal descer uma corrente elétrica. Era como se estivesse prestes a ser engolido pela a maior onda existente no mundo, e, ao mesmo tempo, um raio lhe acertar. E então, antes que a onda chegasse ate ele, e lhe engolisse com prazer, e antes que o raio lhe acertasse... Tudo acabou. O beijo cessou deixando resquícios de saliva, os toques morreram. Deixando no lugar um desejo entorpecedor.

— Por quê? — Camus perguntou sem forças, olhando diretamente dentro dos olhos de Milo, mostrando suas nuances cor de vinho cheia de cores escuras e desejos implacáveis. — Por que você está fazendo isso comigo?

O escorpiano o encarou sem entender.

— Fazendo o quê? Eu não estou fazendo nada. — Milo acariciou a face avermelhada com o indicador.

— Por que veio até aqui? Porque brinca comigo desse jeito? — Continuou a pergunta de forma fraca. Milo havia drenado toda sua força.

O loiro sorriu matreiro. Podia lhe dizer varias coisas. Como por exemplo; que fora incapaz, desde a primeira vez que viu seus fascinantes olhos avermelhados, de tirá-los completamente da cabeça. Ou que, diferentemente do que aparentava, sentia uma vontade louca de estar com ele sempre. De protegê-lo. De acordar ao seu lado. Que sentia vontade de tornar todos os seus sonhos em realidade. De lhe levar café na cama. E, mais ainda, que soube, desde a primeira vez que transaram, que o queria. Que o queria muitíssimo. Entretanto, não queria assusta-lo com tanta informação. De forma que, Camus deveria entender somente com uma frase.

— Ruivo, a verdade é que, eu me apaixonei por você!

— Mentiroso! — Falou incrédulo. — Porque não pega logo o que quer e some da minha vida?

— Porque quando eu pegar o que quero, então, vou fazer parte da sua vida e não vou precisar sumir. — Falou serio. — Ligo pra você na quinta, combinando nosso final de semana. — Deu um ultimo beijo rápido em Camus e saiu de cima do mesmo. Passando rapidamente pela porta de entrada. Deixando o francês entalado com palavras não ditas e de braços aberto em cima do tapete. Com algumas lagrimas — Bem poucas — escorrendo lhe pelos cantos dos olhos.

...Fallen...

A semana passou se arrastando. Na quarta-feira, Regulus e Degel se encontravam com os nervos a flor da pele. Degel estava ansioso por seu novo encontro com Kardia. Regulus não queria que nada desse errado, afinal, o artigo do jornal e a peça de Hamlet eram as chaves que, depois de apresentada, iria lhe dar nota máxima. Era sua forma de dizer; viu, mesmo vocês ferrando comigo, eu consegui terminar a faculdade de jornalismo!

Chegaram a Yonkers na sexta à noite. Hospedaram-se em hotel próximo a Hampton. Dividiram uma suíte. Cortesia de Regulus é claro.

— Diz pra mim Degel, porque mesmo que não fomos ao apartamento do seu irmão? — O leonino perguntou mais uma vez.

— Porque quero fazer uma surpresa para ele amanhã. Além do mais, está tarde Regulus. E se ele tiver com alguém? Da ultima vez que nos falamos, ele me pareceu tão estranho. Como se estivesse me escondendo algo.

— Sei... Isso parece ser mal de família, não é Degel? — Alfinetou o leonino. Ainda estava se perguntado sobre a estranha relação que Kardia Onpreyde tinha com seu melhor amigo.

— Não sei do que está falando Regulus. Eu te conto tudo. — Volveu o aquariano de forma inocente.

— Tudo?! Tem certeza “Dede” — O aquariano estreitou o olhar em direção ao amigo. Detestava aquele apelido e sabia que o amigo só usava quando estava ironizando consigo. Algo que ultimamente vinha fazendo muito. Na verdade desde o sabado passado — O que foi que combinamos? Que quando estivéssemos apaixonados por alguém, diríamos um ao outro e você acha que eu sou idiota. Eu sei que você não quer assumir que...

— Já chega Regulus! Tá ok. Se você quer tanto assim saber. Sim! Kardia Onpreyde mexe muito comigo. Eu gaguejo mais que o normal e faço cada coisa estranha quando estou perto dele. Minhas pernas tremulam e falham. Meu coração fica na minha garganta, na verdade, a um passo de sair voando por ela. — exasperou cansado. Estava difícil guardar tantas emoções.

— Então está confessando que está apaixonado pelo solteiro invicto e mais cobiçado de connecticut? — Regulus indagou com ar de desdém. Degel ficou puto.

— Não! Estou apenas dizendo que ele mexe comigo. Não é algo que chega a ser amor.

— Ei, quem falou em amor? Degel eu perguntei se você estava apaixonado pelo cara. Não se você queria dividir a vida com ele. — O rosto rubro do aquariano tomou tonalidade escarlate.

— Ok, eu vou dormir. — Falou depois de respirar profundamente. Precisava disso para não espancar o amigo. Regulus sorriu vitorioso, sabia bem como tirar o amigo do serio ou como fazê-lo falar quando não queria.

Degel deitou na cama e puxou as cobertas para cima de si. Ficando totalmente submerso nelas. Os pensamentos a mil. Tomando varias formas. Ficou inquieto a noite toda. Não parava de dar voltas e voltas na cama. No pouco tempo em que conseguiu dormir, sonhou com olhos azuis, macacões, pernas e dedos longo. Um local escuro e gesto íntimos. Despertou assustado. O coração batendo muito rápido. “Oh, se não conseguir dormir, amanhã vou estar com uma cara estupenda” repreendeu-se.

Esmurrou o travesseiro na tentativa de deixá-lo mais confortável. Forças jogadas fora. Acordou cheio de olheiras e com os ombros caídos. Regulus estava do mesmo modo na cama ao lado.

— Bom dia! Não conseguiu dormir? — Perguntou primeiro.

— Não, estou um pouco ansioso. E você? — O leonino perguntou coçando os olhos.

— Passei a noite toda sonhando com possibilidades improváveis. — Murmurou em resposta. Olharam um para o outro. Jogaram-se, exaustos, para trás. Afundando as camas com o peso de seus corpos.

— Vamos. Não podemos nos atrasar. — Regulus jogou o cobertor para o lado.

— Quanta responsabilidade. — Brincou o aquariano.

— Não sou de fugir dos meus compromissos. — Volveu sem muita convicção das próprias palavras.

— Sei... vá na frente. Eu sempre sou mais rápido no banho. — Disse voltando a puxar as cobertas para cima de seu corpo.

— Que tal tomarmos banho junto?! — O leonino fez graça.

— Vá se ferrar! — Bradou o esverdeado.

Hampton era um impressionante edifício de pedras marrom e cheio de andares. Os amigos chegaram ao hotel meia hora antes do combinado. Albafica, já se encontrava no local. O mesmo tinha chegado na quarta-feira, com o proposito de organizar a parte cabível a si na exposição. Regulus e Degel junto com mais um amigo, trazido para arrumar os “detalhes” da seção, chegaram no carro do leonino.

Hyoga, o rapaz trazido para arrumar os detalhes da seção de fotos, era amigo e gopher de Albafica. Regulus conseguiu adquirir um quarto livre de encargos, pela manhã no hotel, em troca de um crédito no artigo do jornal estudantil.

— Estamos aqui para fotografar o CEO Kardia Onpreyde. — O leonino informou quando chegou à recepção.

Os quatros amigos foram conduzidos para uma suíte de tamanho regular já que aparentemente o Sr. Onpreyde ocupava a maior parte do edifício. O executivo de marketing — A pessoa responsável em mostrar à suíte aos estudantes — Era extremamente jovem e estava muito nervoso por alguma razão...

— Olhem, ele é um bebê! — Hyoga cochichou para os amigos.

— Um bebê que com certeza você gostaria de pegar, não é Hyoga? — Volveu Regulus em tom brincalhão. O loiro apenas deu de ombros. Avaliando sua futura presa.

— Que estranho. Degel você disse que somente loiros trabalhavam para Kardia Onpreyde. ­— Observou o loiro, notando que a cor dos cabelos do executivo de marketing eram castanho cinza e não loiros.

— Foi por isso que você veio Hyoga? ­— Alfinetou Albafica — Pretende me deixar para trabalhar com a criatura mais arrogante da América.

— Também não precisa extrapolar, Albafica — Degel volveu com um sorriso no rosto, no entanto, se segurando para não dar uma resposta mais dura no amigo.

— Que hora são? — Regulus perguntou acabando com a conversa paralela.

— Nove e dez. — Albafica respondeu. O loiro foi para o outro lado da sala, verificar o material que seria usado.

— Ótimo. Nós temos vinte minutos para nos instalarmos. — O leonino andava de um lado para o outro, avaliando o espaço. — Alba, acho que nós vamos fotografar contra aquela parede, você concorda? — Perguntou, mas não esperou por uma resposta. — Hyoga, limpe as cadeiras e as coloque ali. — Apontou para a dita parede — Degel, você pode pedir ao serviço de quarto para trazer algumas bebidas? Ah... deixe Kardia saber onde estamos.

— Sim senhor. — Falou o aquariano batendo continência. O leonino lhe olhou mordaz — Regulus você está muito mandão hoje. — disse e foi fazer o que lhe foi pedido. (leia-se mandado).

Vinte minutos mais tarde, vestido de forma bem informal — Uma calça jeans preta e uma camisa branca aberta ate o peito e com mangas dobradas ate o meio do braço, nos pés um sapato social também na cor preta — Kardia Onpreyde entrou na suíte dos amigos. Acompanhando por uma quantidade bem significante de loiros, alguns vestidos em ternos escuros e gravatas. Outros, assim como ele, mais despojados.

— Senhor Oushevard, nos encontramos novamente. — Kardia estendeu a mão em um cumprimento sociável. Degel engoliu seco. A mão quente do escorpiano envolveu a sua em um aperto forte.

Kardia ainda estava com os cabelos úmidos, com gotículas escorrendo pela lateral de seu rosto. Degel sentiu a boca secar. A deliciosa corrente atravessa-lo diretamente, iluminando-o, fazendo-o ruborizar, e sua respiração se tornar irregular, quase audível.

— Sr. Onpreyde, este é Regulus Linyu — Murmurou pesado.

Kardia avançou em direção a Regulus, olhando-o diretamente nos olhos e um pequeno sorriso se fez presente.

— O tenaz senhor Linyu. Como vai? — Indagou divertido. — Eu acredito que você está se sentindo melhor?! Degel disse que você estava indisposto na semana passada.

— Eu estou bem, obrigado, Sr. Onpreyde. — Regulus devolveu o aperto de mão do escorpiano com firmeza. — Obrigado por ter tempo para fazer isto. — Disse, soltando um educado, e, profissional, sorriso.

Regulus havia crescido em uma família “bem de vida”, estudou em bons colégios. Nesse meio tempo adquiriu confiança e certeza de seu lugar no mundo. Ou seja, não engolia nenhum desaforo. Além de passar confiança nos mais singelos gestos.

— É um prazer. — Kardia respondeu, voltando seu o olhar para Degel, fazendo o aquariano ruborizar levemente.

— Este é Albafica Kodds, nosso fotógrafo e Hyoga o assistente dele — Apresentou o estudante, sorrindo para Albafica que retribuiu o sorriu com carinho.

— Sr. Onpreyde — O pisciano movimentou a cabeça. Hyoga ainda continuava de olho no executivo. Kardia havia se tornado alguém bem insignificante pra ele.

— Sr. Kodds — Kardia soltou uma expressão de indiferença ao avalia Albafica.

— Onde você me quer? — Kardia perguntou, seu tom era vagamente ameaçador para Albafica. No entanto, percebendo o clima tenso Regulus rapidamente tratou de atuar e direciona o escorpiano para uma cadeira instalada contra a parede.

— Sr. Onpreyde, sente-se aqui, por favor? Tenha cuidado com os cabos de iluminação. E depois, nós vamos fazer algumas em pé também. — Hyoga ligou as luzes, ofuscando Kardia e, imediatamente, murmurando uma desculpa.

Hyoga e Degel recuaram um pouco. Albafica iniciou a seção. Tirar fotos de Kardia Onpreyde nunca foi seu sonho. Depois de quase quarenta minutos nas mais diversas poses — sentado, em pé, paciente e forçadamente natural — sob os flashes da câmera de Albafica e as ordens de Regulus, Kardia finalmente se viu livre do tormento.

— Eu acho que temos o suficiente — Regulus anunciou. — Obrigado novamente, Sr. Onpreyde.

— Vou esperar ansiosamente para ler o artigo, Senhor Linyu — O escorpiano murmurou. Virou-se para Degel. — Será que você poderia me acompanhar um pouco, Senhor Oushevard? — O escorpiano perguntou.

— C-claro — O aquariano respondeu completamente nervoso.

Regulus não deu muita importância, já Albafica ficou um pouco carrancudo ao lado do leonino.

— Bom dia para vocês todos — Kardia desejou antes de sair com Degel e o batalhão de loiros da suíte. — Gostaria de saber se você se juntaria a mim para o café da manhã. — Kardia perguntou.

Degel sentiu o coração disparar em sua boca. “Um encontro? Kardia Onpreyde está me convidando para um encontro?!” Indagou a si mesmo, piscando algumas vezes no processo. “Pense Degel, ele está perguntando se você quer um café. Talvez ele pense que você não acordou ainda” seu subconsciente resmungou irônico.

— Eu tenho que levar todo mundo para casa — Mentiu baixando a cabeça, torcendo as mãos e os dedos na frente do corpo, como se fosse uma criança dando desculpas.

— Enzo... — O empresário chamou em voz alta. Logo um homem alto, de pele bronzeada e rebeldemente arrepiados cabelos pretos, apareceu no fim do corredor. Degel o reconheceu. Era o mesmo homem que tinha chamado Kardia para joga algum esporte caro no final de semana passado.

— Kardia... — O moreno cruzou os braços.

— Você está fazendo alguma coisa de importante? — O grego perguntou.

— Além de estar finalizando a reunião que você deixou pela metade, antes de sair correndo com a desculpa de se arrumar para algum encontro descabido a essa hora da manhã, ou algo do tipo?! Não! Estou completamente livre. — Ditou irônico.

— “Não” já estava de bom tamanho. — O escorpiano falou mordaz. Seus olhos expressavam nitidamente a vontade de espancar o moreno a sua frente.

— Diga logo o que quer? — Enzo retrucou como se já estivesse acostumado com aquilo.

— Você poderia fazer a gentileza de levar o senhor Linyu, o senhor Kodds e o assistente dele ate o hotel onde eles estão hospedados?

Degel sentiu seu estomago gelar. Seria pego na mentira, sim por que sob-hipótese alguma, Regulus ou qualquer outro participante da seção, precisaria de sua ajuda para voltar para o hotel.

— Kardia eu sou seu sócio não seu empregado. — Falou o moreno enfezado.

— Acredite, é exatamente por isso que estou perguntando.

— Porque não manda o seu chefe de segurança? — Perguntou olhando para um dos loiros ao lado de Kardia.

— Porque papai e mamãe estão no prédio. — Respondeu como se fosse obvio.

— Shaka você está sem fazer nada, não?! — O moreno perguntou ao indiano.

— Enzo, eu estou pedindo a você e não ao Shaka. — O aquariano engoliu seco. Os ânimos já estavam começando a sair do controle com aqueles dois.

— Tudo bem, eu não quero incomodar, senhor Onpreyde. Além do mais, tenho certeza de que Regulus ficará preocupado e... — Tentou sair da situação escabrosa ao qual tinha se metido.

— Tudo bem, eu os levo — Shaka não deixou Degel terminar. — Tenho um encontro agora. Não será problema nenhum.

— Um encontro?! — O empresário cruzou os braços na altura do peito. Seus olhos inqueriam mais que suas palavras.

— É segredo. — Shaka falou sem se deixar intimidar. Retirando-se sem dizer mais nada.

— Bom, já que está decidido. Vou voltar para a reunião. — O moreno se retirou.

— Kardia, ainda vai precisar da gente? — Perguntou um dos loiros de ternos escuro.

— Não Saga. Você, Kanon e Defteros podem ir. Tenho certeza de que Aspros já deve estar cansado de tomar de conta de tudo sozinho — Kardia dispensou mais três loiros.

— Bem, eu vou ver se Sonnya já chegou ­— Informou o loiro que tinha ficado.

— Ok. Você também pode ir Aioros. Não vamos ter mais nenhuma reunião que mereça sua presença ate o final da próxima semana.

— Certo, então até o jantar na terça. E foi um prazer conhecê-lo senhor Oushevard. — Falou olhando dentro dos olhos violáceos do estudante.

— Também foi um prazer conhecê-lo — Falou com a face rubra. Olhando Aioros sumir no corredor.

— E então? Agora aceita tomar café comigo? — Kardia perguntou cortês.

— Bem, acho que não tenho escolha. Meus amigos já foram embora, e não tenho mais nada de importante a fazer hoje. — Disse, totalmente sem graça.

— Ótimo. Então vamos. — O escorpiano abriu passagem para que o aquariano adentrasse no elevador que havia acabado de abri as portas.

Degel apenas suspirou e seguiu o empresário.

Continua...

Notas finais
Bem, é isso. As modificações estão acabando, só mais dois capitulo e finalmente teremos novo. Enquanto isso, espero que este consiga comentários. Beijinho a todo!