Fallen

16 Prenúncios de tempestades!


Notas iniciais
Olha quem retornou...! (0) Então... Meus queridos (as) leitores (as) (que eu espero sinceramente que não tenham desistido da fic) quero desejar um feliz 2018 (beeeemmm atrasado) a todos. E dizer que depois de mais de um ano, volto aqui com mais um capitulo dessa deliciosa historia para a alegria de muitos. Inclusive minha própria por conseguir atualizá-la. Primeiro, não queiram me bater com algumas coisas que vão acontecer nesse capitulo, digamos que é apenas pontos de explicação e continuação para as tretas que virão. Segundo, quero agradecer a todos que comentarão no capitulo anterior e mandar um grande beijos para aqueles que me pediram atualização da fic através de mensagens privadas no nyah (SadGirl e Yullen) e através de comentário de outras fics tanto no nyah quanto no animespirit. Capitulo não betado. Pois é gente, fiquei sem beta. Brunaryu teve uns probleminhas e não conseguiu mais betar pra mim. Mesmo assim agradeço todo o carinho e paciência que ela teve com capítulos anteriores. Portanto quaisquer erros, por favor, perdoem. Desejo boa leitura a todos!

Capitulo XVI — Prenúncios de tempestades.

Dégel acordou ao som de vozes exaltadas. Levantou-se um pouco desnorteado, seus olhos tentando se acostumar com a pouca claridade do local. Vestiu a primeira peça que encontrou – uma camisa de Kardia –, a peça havia ficado frouxa, mas não era muito grande e mal cobria suas coxas...

O aquariano andou sorrateiramente, na ponta dos pés, não queria atrapalhar a conversa. Reconheceu à voz de Milo junto à de Kardia, o mais novo parecia estar exaltado com alguma coisa. Seu coração acelerou ao escutar o nome de Camus.

— Você quer parar com isso? — Kardia pediu nervoso. Se Dégel escutasse aquela conversa provavelmente não entenderia. Seu destino estaria marcado por confusão. O fato de como aquela historia chegaria ao conhecimento do amante, o deixava inquieto.

Milo andava de um lado para o outro, totalmente contrariado.

— Porque não me contou? Eu merecia saber! — Milo sentou-se no sofá da sala do irmão. Porém foi algo muito rápido, logo ele se levantou e foi em direção à janela com a expressão cheia de raiva, zanga. — Você sabia..., sabia o tempo todo e não fez nada. — Acusou. — Não me disse nada!

— Acalme-se! – O escorpiano mais velho ordenou firme.

Milo o olhou com ganas.

— Não me peça calma. — O mais novo gritou. — Você não sabe como foi difícil escutá-lo. — Milo enfiou os dedos nos cabelos, desesperado. — Não aceito isso. Não quero acreditar que ele... Que ele... Que meu pai e o cara por quem estou apaixonado tenham um caso deturbado como esse. E que meu irmão sabia de tudo e não fez nada.

— Não foi assim! — Kardia revidou no mesmo tom. Milo recuou. Mordeu o lábio com força. — Não foi assim. — Disse mais calmo.

Milo e Kardia trocaram olhares incisivos. Milo mordeu o lábio com força e Kardia suspirou pesado. Em partes, Milo não estava errado. Mas o que poderia fazer contra o homem que os dera um lar, uma família, casa, comida e tudo o que tinham? Hades poderia não ser o mais exemplar, mas foi o único que teve compaixão.

— Você ouviria se eu te contasse? — Volveu o mais velho depois de um tempo. — Acreditaria em mim se eu te dissesse toda a verdade?

Milo estreitou o olhar em direção ao irmão, respondendo intimamente aquelas perguntas: Não! Não escutaria Kardia e não acreditaria em nenhuma palavra que ele pronunciasse contra Camus! Era quase certo que retrucaria, diria que Kardia só falava aquelas coisas porque não aceitava sua relação com um garoto de programa. E várias outras coisas que não valia a pena pensar naquele momento.

Milo andava de um lado para o outro, completamente desconsolado. O escorpiano suspirou frustrado, havia deixado o amante sozinho no pior momento possível. Mas precisava daquilo. Daquela explanação sobre a situação. Precisava respirar um ar que não fosse o mesmo que Camus. Entender... Pensar...

Precisava gritar com alguém!

Sua cabeça girava, inquieta e confusa. Sua alma gritava. Seu peito batia frenético, dolorido.

Talvez se seus pensamentos fossem verdadeiros e fosse Kardia o amo de Camus, não doesse tanto. Não que aceitasse dividir o amante com o irmão, apenas sabia que podia lutar contra Kardia. E, talvez, conseguisse levar melhor a situação. Mas sendo Hades, a historia mudava completamente o rumo de suas ações.

Como venceria Hades?

Seu pai não era um homem benevolente e tudo indicava que ele não abriria mão de Camus.

Kardia observava o irmão ir de um lado para o outro, completamente nervoso.

— O que pretende fazer agora que sabe? — Ariscou a perguntar.

Milo o olhou impassível, enfiou as mãos nos bolsos da calça. Não tinha a menor ideia do que fazer!

— Milo, você sabe que pode contar comigo, não é? — O grego mais velho aproximou-se do mais novo. Ainda via em Milo uma criança e talvez nunca perdesse esse olhar para com o irmão.

Milo amainou o semblante. Não era com Kardia que ele deveria perder as estribeiras, embora o grego mais velho tivesse uma grande parcela de culpa.

Kardia tocou em seu rosto e Milo fechou os olhos. Era hora de parar de gritar. Pensar. Recolher as garras e o ferrão. Camus precisava de ajuda e ele era o único que poderia ajudá-lo. E se iria lutar contra seu pai precisaria da ajuda de Kardia.

— Acho que preciso dormir um pouco. — Disse seco.

— Pode usar um dos quartos de hospede. — O grego mais velho respondeu no mesmo tom.

Milo não esperou por uma segunda sugestão, seguiu para o quarto que o mais velho indicara. Cortou o corredor bem a tempo de ver a silhueta de Dégel sumindo na escuridão que dava acesso ao quarto de Kardia. Sentiu um pesar no coração.

O que Dégel faria quando descobrisse que parte do sofrimento de Camus era para protegê-lo?

Deixou-se cair na cama macia e apagou logo em seguida. Só queria acordar daquele pesadelo.

...Fallen...

Era quase meio dia e o interior do quarto de Sonnya ainda estava um breu. Nos últimos dois dias a rosada estava enfurnada no quarto. Não queria descer ou conversar com ninguém. Descia somente para fazer as refeições e logo retornava para o quarto, assim como as lagrimas para o seu rosto. Pandora não aguentava ver a filha naquela lamuria. Ela, Milo e Kardia optaram por não contar a Hades o ocorrido, mesmo sabendo que era perca de tempo, pois sabia que o homem mais cedo ou mais tarde saberia.

Sonnya, não tinha outra pessoa a quem culpar além dela mesma. Como pode ser tão burra? Jamais lhe passou pela cabeça que poderia ser descoberta? Não! Não podia dizer que não pensou naquela hipótese, apenas estava esperando o momento oportuno para falar com Regulus sobre sua situação e seus planos.

Seu corpo soluçava!

Porque o destino havia feito Kardia aparecer naquele exato momento? Será que não tinha o direito de ser feliz? E se fosse seu pai, ao invés de Kardia, a flagrá-la com Regulus? Sentiu uma ânsia incontrolável ao pensar em tal hipótese.

Sabia o quão cruel o pai poderia ser. Ele poderia até...

Não! Sonnya, não! Ele não faria isso!— pensou colocando ambas as mãos na cabeça.

Levantou-se apressada, correu em direção ao banheiro, não conseguia mais controlar a ânsia que sentia. Vomitou antes mesmo que chegasse ao sanitário. Colocou tudo o que a incomodava para fora. Acalmando-se somente quando não conseguia, ou não tinha, mais o que colocar para fora. Baixou a tampa do vaso sanitário e sentou-se sobre ele, pensativa.

Havia sido burra, mas precisava contornar a situação. Não amava Aioros e sabia que ele também não a amava. Não se prenderia a um casamento de fachada somente porque seu pai impôs.

Não viveria uma vida que não desejava!

Lutaria! Lutaria por sua felicidade!

Uma nova onda de ânsia tomou conta de seu corpo e novamente voltou a vomitar.

Depois que conseguiu se acalmar, tomou um demorado banho, vestiu um jeans e uma blusa de alça e ligou para o único que poderia ajudá-la naquele momento.

— Preciso falar com você! — Disse assim que foi atendida.

...Fallen...

Um sorriso cumplice formou-se nos lábios de Mitsumasa Kido quando este avistou seu amigo de infância, Hades Onpreyde, recostado na limusine de vidro fumê. Muito bem vestido dentro de um terno negro, com as mãos nos bolsos, sem nenhuma preocupação. Afinal, quem ameaçaria um dos homens mais poderosos do país? Sem contar que havia vários seguranças a uma boa distância.

— Meu amigo, há quanto tempo...

Mitsumasa aproximou-se de Hades com os braços abertos e um grande sorriso no rosto. Hades retribuiu o gesto amistoso, abraçando o amigo de longa data, dando-lhe leves tapinhas nas costas.

— Realmente, muito tempo, meu amigo. — Volveu o homem. — Venha, vamos conversar um pouco enquanto chegamos até a mansão de sua neta.

O homem entrou na limusine, enquanto o chofer guardava suas malas no porta malas do veículo. Dentro da limusine, Mitsumasa foi servido de champanhe enquanto Hades lhe mostrava suas facetas de aristocrata.

— E sua filha, como está? — Mitsumasa perguntou.

Mitsumasa não percebeu o brilho frio que tomou conta dos olhos do amigo. Brilho ao qual Hades não fez questão de mantê-lo. Era uma pergunta normal, no fim. O amigo de longa data ao qual não via há alguns meses, apenas queria saber como sua filha estava. O que Mitsumasa não sabia era que algumas coisas havia acontecido e que todos estava superestimando sua ignorância com relação ao seu conhecimento sobre tais coisas. Como por exemplo, Hades sabia perfeitamente que sua filha Sonnya estava tendo um namorico com um iniciante em jornalismo e que Kardia, Milo e Pandora estavam cientes e não faziam nada, apesar de Sonnya estar às portas do matrimonio.

Sabia que Milo estava com um romance com um dançarino do Imperius e que esse dançarino havia custado uma quantia exorbitante — e em euros —, e que ainda por cima esse dançarino tinha grandes probabilidades de ser Camus. O que poderia ser de fato um incomodo, mas não um problema. Já até arquitetara uma contramedida em sua mente. Também sabia que Kardia estava saindo com um recém-formado e que estava encantado pelo rapaz. E que apesar de Saori está andando na linha, como havia prometido, não estava conseguindo esconder sua enorme vontade de liberdade.

— Nervosa com a proximidade do casamento. — Respondeu blasé.

— Todas elas ficam, meu amigo.

— Não tenho dúvida disso! — Respondeu absorvido por outros pensamentos. Afinal, tinha coisas mais importantes que um casamento para se preocupar. Mesmo que esse casamento fosse o de sua filha.

Hades era o tipo homem que tinha tudo sobre controle. “Querer não é poder”, era o que dizia sempre que se confrontava com as retrucas injuriadas de seus filhos.

E no fim, eles aprenderam a se camuflar. Lembrou ao pensar que até o presente momento Kardia estava sendo o mais inteligente.

— E Milo, continua com o mesmo instinto libertino? — Mitsumasa tirou o amigo de seus pensamentos.

— Por enquanto. — Hades tinha uma expressão enigmática ao responder. — Tenho planos para Milo.

Mitsumasa balançou a cabeça, como se já esperasse por aquilo. Sempre achou que Milo era provido de mais de seu gozo de liberdade, uma vez que Hades sempre impunha suas vontades sobre quem fizesse parte de seu cotidiano e seus filhos não eram exceção.

— Kardia ainda está com raiva de mim? — Uma nova pergunta, mas dessa vez com uma entonação de seriedade.

Os olhos intensos de Hades se voltaram envoltos em uma seriedade profunda para o amigo. Mitsumasa pegou um pouco mais de champanhe.

— A raiva de Kardia não desaparecerá, afinal você roubou o amor da vida dele. — Hades alfinetou sutil.

— O amor da vida dele? — Rosnou o homem, desdenhoso. — Por conta dele e de seus caprichos tive que quebrar o meu melhor brinquedo, enquanto você ainda tem o seu.

Hades soltou um ínfimo sorriso. Mitsumasa o acompanhou.

O “destino” havia interferido bastante na vida de Kardia e consequentemente na de Saori. O escorpiano havia sido abandonado no orfanato ao qual Mitsumasa Kido e Hades Onpreyde exerciam suas ações de “humanitarismo”.

Assim que colocou os olhos no menino, Hades sentiu algo diferente, como se tivesse sido atingindo por algo divino. Foi a primeira vez que sentiu seu coração bater por algo mais que instinto. E por aquele algo mais decidiu que adotaria aquela criança uma vez que não conseguiria reproduzir.

Kardia era uma criança excepcional. Inteligente, aprendia rápido. Uma criança muito independente. Com garra e uma força de retorica que deixou o empresário ainda mais fascinado.

Hades preparou toda a papelada legal, mas uma semana antes da adoção foi descoberto que o garoto tinha um irmão menor e que este se recusava a ir com Hades se o irmão não o acompanhasse. Hades pediu para conhecer a criança, se houvesse o mesmo sentimento então não haveria problema. Porém, Hades não sentiu nada ao olha para Milo e cogitou seriamente em deixá-lo no orfanato, mas assim não poderia levar Kardia.

O empresário, por outro lado, detestava perder, e como um raio latente em sua mente uma ideia absurda surgiu. Tudo seria resolvido em uma partida de xadrez; Se Kardia ganhasse poderia levar o irmão, mas se perdesse o menino iria sem reclamar.

Kardia era acostumado a jogar com os senhores que ficavam na praça em frente ao orfanato e assim que surgiu a possibilidade o garoto a levou a seu favor.

E nesse dia, Hades perdeu... Mais uma vez!

Foi quando percebeu o que o atraia naquela criança; Kardia daria um filho perfeito!

Dois anos depois, o empresário soube que poderia gerar uma criança através de uma cirurgia. Bastava uma pequena incisão e poderia ser pai através de uma inseminação artificial ou fertilização in vitro. E assim foi feito, alguns meses depois da cirurgia veio Sonnya, para o desgosto de Hades que queria um menino. O empresário ainda fez uma nova tentativa, mas descobriu – através de uma ultrassonografia – que seria pai de uma nova menina e fez com que Pandora abortasse. Assim Kardia não foi substituído e Hades o ensinou tudo o que sabia.

Dominar, subjugar, controlar. A ler um inimigo e atar os aliados. A família Onpreyde não tinha amigo, apenas submissos. Fosse na cama ou no meio empresarial. Em simples convivências ou mesmo em meio à família, ninguém merecia ser tratado como igual, mas como uma peça de xadrez que devia ser movida no momento certo. Kardia aprendia rápido a tudo o que Hades o ensinava, executava com maestria e impiedosamente todos os ensinamentos até o dia em que se apaixonou por uma das netas de Mitsumasa Kido; Sasha.

Sasha era um pouco mais velha que Saori. Uma garota linda, doce, meiga e gentil. Em poucas palavras, Sasha era a garota por quem Kardia estava disposto a abrir mão de tudo. O amor pela garota o fez até desobedecer quando Hades o ordenou a sodomizar um garoto ruivo a quem Kardia conhecia desde criança. Possuíam a mesma idade, mas Camus parecia mais frágil. Seus olhos haviam perdido um pouco de brilho e em seu rosto residia uma expressão derrotada. Naquele dia, Kardia não fez outra coisa além de assistir seu pai subjugar uma pessoa de todas as formas possíveis. E ele não pode fazer nada.

Não queria se transformar naquele tipo de monstro!

Depois que foi liberado, procurou por Sasha, na mansão que a família Kido tinha em Stamford, e lá descobriu um dos seus piores pesadelos. Sua amada Sasha não era tão inocente quanto demonstrava ser. Constatou isso ao vê-la vestida de dominante e em uma frenética cavalgada sobre o quadril de seu avô. Inicialmente aquilo foi um choque, somente depois Sasha contou que fazia aquilo desde os nove anos, não somente com Mitsumasa, mas com todos os homens que seu avô trazia para casa. Kardia entendeu que Mitsumasa era um monstro tão igual ou até pior que seu pai.

Kardia ainda passou algum tempo sem falar com a garota, mas com o passar do tempo não teve outra opção além de aceita que o amor por ela não havia morrido. E que apesar de tudo, ele a queria como esposa. Falou com o pai que prometeu o ajudar, porém algum tempo depois, Sasha teve que ser internada com uma doença desconhecida. Foi colocada em coma para antever qualquer reação da doença, mas teve seu fim prematuramente, previamente autorizado pelo avô, quando o mesmo autorizou o desligamento dos aparelhos que a mantinha viva. Para “diminuir” a dor do filho que definhava incomodamente, Hades promoveu o casamento com a segunda neta de Mitsumasa; Saori Kido. A verdade que estava por trás de tais acontecimentos, era que Sasha não era a sucessora de Mitsumasa, uma vez que ela não era neta dele de sangue, diferente de Saori que era filha de Sendai, irmã mais velha de Sasha.

Sendai era submissa de Mitsumasa e tinha apenas quatorze anos quando morreu ao dá a luz a Saori. Depois da morte de Sandai, Sasha ocupou o lugar da irmã e assim cuidou da sobrinha até o fim de seus dias.

— Um brinde ao destino. — Mitsumasa ofereceu.

— Um brinde ao Deus da morte! — Hades o acompanhou.

O destino nada teve a ver com os ocorridos. Se não fosse pelas obras de Hades Kardia seria um vegetativo do cotidiano, casado com uma garota frágil e sem eira nem beira. Era o pensamento que fluía na cabeça de ambos os empresários.

A limusine parou de se movimentar, haviam chegado à mansão de Saori. Mitsumasa avistou Ikki na entrada.

— Soube que Ikki esta saindo com o seu contador. — Mitsumasa falou antes que o chofer abrisse a porta do automóvel.

— Está bem informado para alguém que mora a meio mundo de Stamford, Kido. — Devolveu Hades em tom irônico.

— Você não é o único com olhos fora do corpo, Onpreyde.

Hades sorriu com á retruca do amigo. Ikki e Shaka realmente estavam tendo um momento Romeu e Julieta, porém mais contidos que os outros. O moreno não se preocupava com aquilo, uma vez que Shaka era um dos seus. Porém...

Hum..., talvez eu possa tirar proveito dessa situação. Pensou avaliando o rosto moreno e inexpressível de Ikki.

...Fallen...

— Você está bem? — Shun perguntou deixando à amiga entrar.

Uma pergunta retorica, afinal bastava olhar para Sonnya e notar que ela não estava em seus melhores dias. Seus olhos estavam fundos e escuros, seu rosto estava macilento. Ela havia perdido um pouco de peso.

— Não muito bem. — Ela respondeu.

Estava eufórica, mas não podia continuar presa dentro do quarto. Sentia-se sufocada. Porém, estava restrita e só poderia sair com um segurança, então pediu que Kanon a levasse até o apartamento de Shun.

Chegando ao local, a rosada subiu e o loiro ficou na recepção do prédio.

Shun indicou o sofá para que ela sentasse.

— Que beber alguma coisa? — O virginiano perguntou cortês.

— Não. Ultimamente não estou conseguindo segurar nada no estômago. — Disse sem dá importância ao fato.

— Entendo. E como estão as coisas? — Outra pergunta retorica, afinal nada poderia estar bem na vida da amiga.

— Não muito bem. Caso-me daqui a uma semana, mas não quero fazê-lo. — Falou, e imediatamente levou uma mão ao estomago e outra a boca.

— Que foi? Está se sentindo bem? — Shun perguntou preocupado. Sonnya estava branco papel.

— Não. — Respondeu sentindo o estômago embrulhar. — Acho que comi alguma coisa que não me fez bem. Meu estômago dói. Desde ontem estou com ânsia e já vomitei umas três vezes hoje.

Shun franziu o cenho diante a informação.

— E você já foi ao medico?

— Nem tive tempo de pensar nisso. — Respondeu circulando a mão na barriga, tentando acalmar o que quer que estivesse querendo sair. — Na verdade, a única coisa que pensei foi em Regulus.

— Não conseguiu falar com ele?

— Não. — Sonnya respondeu pesarosa. — Estava dando a mensagem fora de área ou desligado em todas as vezes que tentei. E ninguém atende o residencial.

A rosada fechou os olhos e levantou a cabeça, encostando-se ao encosto do sofá. Levou uma mão ao rosto, apertando a fonte com o polegar e o dedo médio, sentiu seu corpo fraquejar momentaneamente.

— Acho que você foi bloqueada. — Shun disse o obvio, atento às ações da amiga.

— Também acho. — Falou após um suspiro cansado.

— Sonnya, tem certeza de que está se sentindo bem? — Sonnya não teve tempo de responder a pergunta, correu para o banheiro do amigo, pois não aguentava mais segurar a nova ânsia que a afetava.

Shun estava verdadeiramente preocupado com a amiga. Sabia que ela estava sobre forte pressão, com os nevos a flor da pele e cheia de problemas. O semblante dela estava muito carregado. Chegou à porta do banheiro bem a tempo de vê-la fazer forças para manter-se em pé.

O som da descarga encheu o ambiente.

— Desculpe-me por isso. — Pediu, caminhando para a pia.

— Sem problemas. — Respondeu. Sonnya era sua amiga, e ela não tinha feito nada de mais. Teria sido um enorme problema se ela tivesse feito aquilo em sua sala, mas em seu banheiro, não havia problema nenhum. — Sonnya, além da ânsia, está sentindo alguma outra coisa? — Perguntou.

A escorpiana franziu o cenho. Pensou um pouco, mas nada lhe veio à mente.

— Não que eu tenha notado. — Falou colocando a mão nos seios. — Apenas estão um pouco doloridos, mas isso sempre acontece quando meu ciclo está para começar.

— E quando começa? — Quis saber.

— Não sei, mas deve estar perto. — Sonnya falou com descaso.

— Como assim você não sabe quando seu ciclo começa?

— Ah, Shun. Não é algo que eu goste de acompanhar. — Respondeu jogando um pouco de agua no rosto. Shun era um garoto e não entendia como esse tipo de coisa funciona na vida de mulheres. Apesar de ser bem aberta com ele, falar de ciclo menstrual era mesma coisa que pedi-lo para experimentar um conjunto de sutiã e calcinha para ver como ficou e decidir se leva ou não, sendo que no caso da menstruação você leva querendo ou não — Mas é nojento se quer saber.

Shun mordeu o lábio inferior. Por todos os Deuses do Olimpo, isso não podia estar acontecendo! Pensou o japonês realmente preocupado.

E se realmente fosse verdade?

Que destino teria a amiga?

O virginiano pegou o celular e ligou para uma farmácia. Era melhor tirar aquela duvida o quanto antes. Se as preocupações de Shun fosse realmente verdade então Sonnya teria que se preparar para o prenuncio de uma tempestade.

...Fallen...

— Boa noite, vovô! — Saori beijou a testa de Mitsumasa, virou-se para Hades. — Boa noite, meu sogro. — Despediu-se dos dois e deixou a biblioteca onde seu avô e Hades continuaram jogando xadrez e tomando vinho.

O jantar de “boas vindas” havia sido calmo, sem muitos comentários por parte dos dois mais velhos. Hades e Mitsumasa não mostravam suas verdadeiras formas quando Shun ou Ikki estavam presentes, restando a pobre Saori decifrar as entrelinhas de uma conversa monossilábica como aquela, mas que ela já tirava de letra os desejos de seu sogro.

Claro que muitos assuntos foram tocados na mesa. Alguns sem importância, outros até interessantes e o principal deles: O casamento de Sonnya, um assunto que definitivamente não interessava à virginiana. Mas que ela não deixava de solidarizar com a noiva, uma vez que era nítido o contragosto por aquele casamento. Porém não era algo que ela poderia impedir que acontecesse.

Mas aquela vida de impotência estava próximo do fim. Todos que a aguardassem, pois algo grande estava prestes a acontecer.

Saori deixou o aposento com uma ordem muda. Outra coisa que ela não gostava de executar — mas também não conseguia fazer nada contra. — eram os desejos linfáticos de seu sogro. Aquele câncer exposto para ela, que corroía Hades com aquela obsessão por Camus que o deixava cego para outras coisas. Em todo o caso, era graças aquilo que seu plano seria posto em pratica sem realmente fazer grande esforço.

Hades queria Camus, ela o daria de bom grado se assim pudesse fazer queria.

A virginiana subiu a escadaria que dava acesso ao corredor de quartos do segundo andar. Chegou em frente ao quarto de Ikki e bateu. Não esperou a “ordem” para entrar, ela não precisava.

— Ah, é só você?! — Ikki falou ao ver Saori passar pela porta.

— Como assim “é só você”? — A virginiana imitou, desdenhosa, o tom blasé do moreno. Fechou a porta atrás de si. — Antes você gostava que eu viesse ao seu quarto. — Falou com a voz manhosa.

Ikki sorriu sacana. Seus olhos perigosamente estreitos para a virginiana.

De fato, isso era bem antes! Bem antes de Shaka. Queria externar aquele pensamento, mas achou melhor não.

Saori passou a língua nos lábios e mordeu o lábio inferior de forma sensual. Ikki imediatamente entendeu o que a “patroa” queria. Já estava acostumado aquela situação. Sempre que Saori se sentia acuada, tudo o que ela precisava era trepar para relaxar. O que ele normalmente não se importava em ajudá-la já que ele ganhava duplamente com isso. Pois tinha prazer sem fazer esforço e livrava Shun de ser alvo Mitsumasa ou Hades.

Entretanto, as coisas estavam ficando insustentável desde que começara a sair com Shaka. Era como se todas as transas que pudesse ter houvesse perdido o sentido. Nenhuma outra pessoa lhe daria tanto prazer. Nem mesmo as que tinha com a cafetina do Imperius.

Ikki aproximou-se dela como um felino aproxima-se de um rato e a pressionou entre a parede e seu corpo.

— O que quer que eu faça? — Ikki perguntou bem próximo.

Saori sentiu o hálito quente tocar seu rosto e fechou os olhos. Levou uma das mãos ao peito de Ikki e o puxou pela gola da camisa até que seus lábios estivessem rentes ao do moreno. Abril os olhos e arrepiou-se toda com o olhar extremamente intenso sobre si.

A virginiana preferia transar com Kardia, pois o escorpiano sempre a satisfazia no mesmo jogo. Não que o leonino encostado ao seu corpo não fizesse, ao contrario... Ikki era como uma grande explosão. Fazia todo o seu corpo pegar fogo, assim como sua garganta secar. Mesmo que não houvesse amor no ato, transar com aquele japonês era sempre muito bom. Mas em questão de compatibilidade sexual, Kardia era melhor.

Saori empurrou Ikki até que o mesmo caísse sobre a espaçosa cama de casal. Ikki caiu quase deitado no colchão. Sustentou seu corpo nos cotovelos enquanto a mulher subia em cima dele e sentava sobre seu quadril, com uma perna de cada lado de seu corpo.

— Primeiro eu quero que me coma como se sua vida dependesse disso. — Ela falava insinuando-se sensualmente contra a virilha do leonino. — Depois quero que leve uma mensagem a Camus — A virginiana tirou a camisa de Ikki e logo em seguida passou as unhas por aquele peitoral moreno, arranhando por onde passava. — E por fim, continue encenando com Shaka, logo logo precisaremos dele.

Ikki estreitou perigosamente o olhar ao ouvir a ultima ordem e a forma como Saori falava do loiro. A grega sorriu com desdém. Sabia que o moreno estava se apaixonando pelo contador do Kardia, isso se não tivesse se apaixonado, mas assim como ela, Ikki ainda não era livre para fazer o que quisesse. Então ela sabia que ele iria cumprir expressamente suas ordens.

O japonês trocou de posição e pressionou Saori contra o colchão. — Entendido, minha senhora. — Saori gargalhou com a resposta. Não demorou em chegar o momento em que Ikki começasse a estocar ferozmente contra ela, dando-lhe um prazer indescritível.

Continua...

Notas finais
Então... Autora se esconde pra não apanhar com esse final de revirar o estômago. Mas convenhamos que em uma fic onde a Saori seja dona de um prostibulo algumas coisas estranhas hão de acontecer, né? E como pode ver todo mundo tem o rabo preso. O único que estava livre de alguma coisa era Dégel e agora nem ele. E por falar em Dégel como será que ele vai reagir às novas descobertas? Espero que melhor que o Milo que teve a ousadia de deixar o nosso querido Camus sozinho. Quanto a Sonnya...? Sem comentário para ela! Bem amadinhos, beijokas a todos e até o próximo capitulo!