Fallen

6 Perdição!


Notas iniciais
E ai galera. como vão? Enfim, mais um capitulo colocado. Agora falta somente mais um e capitulo novos chegaram. Desculpa por demorar a revisar, mais é que enquanto fazia essa, uma ideia nova me apareceu. Sem contar também que estou quase terminando de escrever o ultimo capitulo de My Music Is for you , então eu tava meio que dando prioridade a ela. Bom, em todo caso; Desejo boa leitura a todos!

Capitulo VI — Perdição.

Degel e Kardia caminhavam ladeados pelo largo corredor do hotel em direção aos elevadores que os levaria ao hall do hotel, totalmente mudos. O loiro havia convidado o estudante para um café e mesmo não gostando da bebida, Degel aceitou.

O silencio entre eles era mortificante, mas Degel não conseguia falar nada de coerente. Sua mente travava quando Kardia estava por perto. E daquela vez não foi diferente.

— Há quanto tempo você e o senhor Linyu se conhecem? — Kardia quebrou o silencio.

— Desde o nosso primeiro ano. Ele me convidou para morar com ele. — Respondeu, constrangido. Kardia tinha aura de soberano, tudo e todos ao seu redor pertenciam somente a ele. Dar-lhe brecha poderia ser algo perigoso. Mas não pode evitar e, no fim, agradecia internamente ao outro por tomar as rédeas da situação.

— Humm... — O escorpiano esboçou.

Chegaram aos elevadores. Kardia adiantou-se: apertou o botão da maquina que abriu as porta quase que imediatamente, revelando duas jovens figuras que se atracavam em um beijo altamente luxurioso.

Os olhos de Degel se arregalaram. Conhecia as pessoas dentro do elevador, ao menos uma delas. Ficou sem reação, olhando fixamente para os integrantes da cena “constrangedora”. Sua pasma reação era devolvida na mesma intensidade pelos jovens pegos de surpresa dentro do elevador. O empresário estreitou o olhar para o seu executivo de marketing e o jovem tremulou.

— Senhor Amamiya... — A voz fria de Kardia fez todos os pelos de Degel arrepiarem-se. — O que pensa que está fazendo?

— Aann... bem... é que — O mais jovem se embaraçou.

— A culpa foi minha. Eu o ataquei. — Volveu o outro.

— Então isso é caso de policia?! — O escorpiano ergueu uma sobrancelha. Seu tom era ríspido.

— Não. — Gritou Degel e o executivo de marketing ao mesmo tempo, fazendo Kardia os indagar com um olhar mordaz.

— Creio que não será preciso. — Degel se pôs na frente dos mais jovens. — Hyoga não atacou o seu funcionário no mal sentido. Quer dizer... Eles estavam se beijando e tudo mais, mas...

“Nem você sabe o que quer dizer” seu cérebro alfinetou-o.

— Sei... — O escorpiano cruzou os braços. Achava divertido quando coisas daquele tipo aconteciam. Simplesmente amava ver o outro sem jeito. — Está dizendo que a ação foi consentida?!

— Bom... — Degel sentiu suas bochechas corarem. Como afirmar algo que ele nem sabia se era verdade. Melhor, nem tinha notado quando Hyoga havia saído da suíte. Perguntavam-se porque que sempre que estava com Kardia esse tipo de coisa acontecia?

— Mais foi. — A voz meio infantil, porém, firme do executivo afirmou — Kard... quer dizer, Sr. Onpreyde, eu deixei que Hyoga me beijasse. — Afirmou o executivo. Degel pode notar seus dedos trêmulos e suas bochechas rosadas.

O grego soltou um suspiro. Olhou novamente para o executivo e amainou o semblante.

— Você não tem mais nada para fazer hoje? — O escorpiano já não exibia o tom zangado. O jovem apenas respondeu negativamente com um maneio de cabeça. — Então, acho melhor você ir pra casa.

O executivo agarrou no pulso de Hyoga e saiu arrastando-o. Degel olhava a cena sem entender. Seu intimo gritava pedindo uma explicação, no entanto, sua racionalidade o mandava ficar quieto ou seu vexame só pioraria, em todo caso, poderia simplesmente matar o loiro depois.

O empresário e o estudante entraram no elevador e seguiram, com mais uma porção de constrangimento, para seu destino: O café em frente ao hotel!

...Fallen...

Mais uma vez se encontrava naquela situação constrangedora. Algo que não sabia por que ou como acontecia. Como se deixava levar daquela maneira. Como havia prometido no sábado anterior: Milo ligou para Camus na quinta-feira bem cedo. Instruiu-o para a hora em que se encontrariam na sexta-feira.

Sem dizer uma única palavra arrumou uma pequena valise com algumas mudas de roupas, afinal, iria passar somente o final de semana. Arrumou seu apartamento. Fez tudo o que tinha que fazer. Quando Milo chegou na sexta para buscá-lo estava pronto e esperando para partir com o grego. Entretanto, Milo fez algo inesperado, ao invés de irem para Stamford como tinha combinado com o aquariano, o escorpiano veio para Yonkers. Não poderiam ir para Stamford, pois o grego tinha sido praticamente intimado por sua família para assistir a exposição de fotos no sábado.

— Milo, eu já te disse. Não tenho nada para usar em ocasiões como esta. — o ruivo falou cansado. Milo sorriu matreiro.

— Não vejo problema nenhum com isso. Tudo o que temos que fazer, é comprar!

— Não sei se você prestou atenção, mas graças a você, não posso gastar nem mais dez centavos, quanto mais comprar uma roupa para um evento como este. —o ruivo tentou argumentar — Além do mais, odeio multidão. E não gosto de estar onde tem muita gente importante.

“E voltamos ao quesito dinheiro!” pensou o escorpiano frustrado.

— Posso comprar pra você. — se ariscou a dizer. Mesmo já tendo notado que o francês se ofendia quando o problema era dinheiro. Mas Camus não podia lhe privar quando quisesse dar a ele presentes. — Quanto a ter muita gente... Você está se contradizendo. Você era um striper.

Camus olhou incrédulo para Milo. Um sorriso frustrado e ate um pouco decepcionado escapou de seus lábios. Sabia que qualquer coisa entre ele e o grego, que não se restringisse somente ao prazer, nunca daria certo. E ali estava à prova... Milo, com certeza, sempre iria usar, conscientemente ou não, o seu passado contra ele. E mais... Estavam sempre se desentendendo, que tipo de casal conseguiria sobreviver assim?

“Ho, já está vendo em vocês um casal?! Realmente, não tem como isso dar certo!” os pensamentos do aquariano eram malévolos.

Além do mais não entendia o que, exatamente em si, despertava o interesse daquele homem. Milo era um homem bonito e ainda por cima rico. Ele um striper... (ex), se for contar que desde que escorpiano o “comprou” ele não tinha mais aparecido no Club ou feito qualquer outro programa.

Em todo o caso, tinha que pensar com calma. Usou todos os dias em que Milo se manteve longe para organizar seus pensamentos. Tinha feito besteira na vez anterior. Demonstrado fraqueza. Certo, estava cansado daquela vida. De todos decidirem o que deveriam ou não fazer, no entanto, agora tinha que se focar em quem devia. Em quem, no presente momento, era “dono” do seu destino. Tinha que lembrar que Milo, antes de qualquer outra coisa, era um Onpreyde. Que dinheiro e poder sempre andavam de mãos dadas naquela família. Tinha que ser cauteloso. E, acima de tudo, tinha que começar a pagá-lo.

— Ok. Vamos comprar alguma coisa que sirva em mim. — aceitou, para o espanto do grego. Milo já se encontrava preparado para argumenta com o que quer que fosse.

— É serio? Vai mesmo aceitar sem discutir? — o escorpiano ergueu ambas as sobrancelhas, espantado. Olhou fixo para o ruivo.

— Não vai adiantar em nada, certo? — o francês devolveu o olhar. Porém, Milo notou o brilho avermelhado fraco. Frio. Distante. — Você, de alguma forma, vai usar o poder que tem e me convencer a ir com você. Então, dessa vez, vou escolher... Eu quero ir com você. Além do mais, foi você mesmo que disse que queria gastar tudo o que tinha e o que não tinha comigo. Então, se quiser minha companhia nessa exposição, dê-me algo para vestir.

A altives, a arrogância e o olhar frio do aquariano fizeram Milo estremecer. Seu intimo estava feliz por, finalmente, Camus estar entrando em concordância consigo, no entanto, algo lhe dizia que o francês estava mais longe do que nunca de seus sentimentos.

— Ok. A exposição vai ser esta tarde. Você quer ir comprar agora?— indagou. Seu sorriso saiu nervoso.

— Sim. Vamos agora. Aproveitamos e passeamos um pouco. — volveu. Seu pensamento estava funcionando a mil.

Demoraria um pouco, mas diferente do que acontecia com a “senhorita” Kido, a Milo, Camus conseguiria pagar.

...Fallen...

O ambiente do café era algo esperado para uma localidade como aquela. Logo após a porta giratória encontrava-se um extenso e movimentado saguão. Ambos, Degel e Kardia, podiam ouvir vários burburinhos desconexos, devido a grande quantidade de conversas paralelas.

— Você escolhe uma mesa e eu pego as bebidas. — Kardia falou, em tom ditador — O que você gostaria de beber?

— Eu? Bem... eu quero… um chá em saquinho, leite também serve. — Kardia ergueu as sobrancelhas.

— Café não?

— Eu não gosto de café. Só o tomo quando necessário.

— Ok, chá em saquinho então... Doce?

“Kardia estava lhe chamando carinhosamente?” fez confusão.

“Não estúpido, ele quer saber se você quer açúcar. E responde logo que ele está olhando pra você!” Seu cérebro gritou.

— Não, obrigado. — Murmurou baixando a cabeça. Era em horas como aquela que tinha vontade de se estapear.

— Alguma coisa para comer?

Degel respondeu sacolejando a cabeça negativamente. Kardia encaminhou-se para a fila do balcão. O aquariano escolheu uma mesa de canto, próximo a janela, mas com sua visão para porta do estabelecimento. Queria poder ver toda a beleza das ruas finas de Yonkers e ver quem entrava e saia do estabelecimento. Sorriu aquele lugar ainda continha uma beleza escondida. Algo que não teve tempo de conhecer. Olhou de canto para o balcão. Suas íris logo avistaram a cabeleira azulada e seu dono. Ainda tinha algumas pessoas na frente do escorpiano. Ainda dava para comtemplar, mesmo que de longe, a beleza viril que Kardia possuía.

Notou que apesar da cor aberrante do longo cabelo azul — Que por sinal, combinava bastante com o seu verde lodo — Kardia era um homem sublime... era alto, tinha ombros largos, a pele morena e o sorriso de cafajeste.

“Oh meu Deus e se ele for realmente isso? Um cafajeste? Eu vou estar me metendo em uma encrenca das grandes!” Seu pensamento sibilou.

O aquariano sentiu um fisga entre as pernas quando viu o grego passar algumas vezes as mãos no cabelo, tentando arrumar, entretanto, bagunçando-os ainda mais.

“Humm… eu gostaria de fazer isto! De bagunçá-los um pouco. De sentir a macieis, não só dos cabelos, mas também...”.

Degel elevou ambas as mãos à cabeça, apertando as têmporas. Tentando calar a voz de seu pensamento. Desviou o olhar para fora. Para através das janelas de vidro. Não estava gostando daqueles pensamentos e sensações. E seu cérebro dizia que se Regulus descobrisse também não ia gostar nada, nada daquela situação. Mordeu o lábio com força

— Dez dólares por seus pensamentos. — Kardia murmurou bem próximo ao ouvido do estudante. Assustando-o. Fazendo-o quase pular da cadeira.

O rosto de Degel atingiu um tom escarlate. Se o outro descobrisse...

― Os chás ingleses são os meus favoritos... ― Balbuciou. Kardia soltou um sorriso de: “Ho... eu sei que está mentido, mas tudo bem!”.

Degel colocou o saquinho de chá na xicara e quase que imediatamente o retirou novamente. Colocou o saquinho usado em cima do pratinho.

— Eu gosto de meu chá preto e fraco. — Explicou ao ver as sobrancelhas do grego o interrogando.

— Entendo. Ele é seu namorado?

— Haaã... Quem? — Degel ficou atordoado com a pergunta.

— O fotógrafo. Albafica Kodds.

O aquariano engasgou. Kardia o olhou por cima dos olhos.

— Não! — Degel falou mais alto do pretendia. — Albafica é um bom amigo, apenas isto. Além do mais, nós dois somos homens... Por que você pensou que ele fosse meu namorado?

— O modo como você sorriu para ele, e ele para você. — Kardia respondeu, seu olhar estava compenetrado no violáceo do aquariano. Tentava decifrar o outro, e quem sabe... descobrir, o que exatamente Degel possuía para deixá-lo preso, encantado. — Além do mais, eu não sabia que você abominava relações entre pessoas do mesmo sexo.

— Não abomino. Acho que cada um tem o direito de decidir o quer e o que gosta. — Falou. Seus olhos sendo enervado pelo azul esverdeado do grego. — Acredite, ele tá mais para família do que para namorado. — Afirmou. Tentando por fim aquele assunto sem cabimento.

Kardia acenou ligeiramente com a cabeça, satisfeito com a informação.

— Desculpe. É que seu “não” me fez presumir que você achava relacionamentos homossexuais algo repugnante. — Disse o grego. Provando um dos kurabie que tinha comprado. — Você quer um? — Perguntou, dando um sorriso divertido.

— Não obrigado. — Respondeu, franzindo a testa. Estava intrigado com a “coerência” de conversa que o outro tinha.

— E o garoto que eu conheci na loja. Ele não é seu namorado?

— Não. Jabu é mais um amigo. — Respondeu sentindo a situação ficar ridícula. — Pode, por favor, parar de ficar me jogando namorados? — Indagou. Logo sentiu sua face ficar vermelhar. — Quer dizer..., eu ate entenderia se você me perguntasse sobre mulheres... Mas homens?! Por quê?

— Porque, primeiramente, ainda não vi você com nenhuma garota e você parece ficar nervoso ao redor dos homens. — Ditou com um sorriso cruel no rosto.

— Não fico nervoso perto de homens. Isso só acontece com você. — Degel estava escarlate. E mentalmente lhe dava tapinhas nas costas por estar sendo tão franco com alguém que lhe intimidava. — Eu acho você intimidante. — Murmurou e olhou para as próprias mãos.

Kardia suspirou profundamente. Não era bem aquele tipo de sentimento que esperava causar no outro.

— Você me acha intimidante? — Perguntou. — Você é muito honesto. Por favor, não olhe para baixo. Eu gosto de ver seu rosto. — O aquariano olhou assustado para o grego, o mesmo lhe deu um sorriso encorajador e irônico. — Isto me dá algum tipo de pista do que você pode está pensando. Gosto do seu jeito misterioso.

— Misterioso? Eu? — O aquariano perguntou jocoso. Estava surpreso. — Não existe nada misterioso em mim.

— Eu penso o contrario. Também o acho muito autossuficiente. — O grego murmurou.

— Autossuficiente? Eu? — “E agora, como vamos administrar isso?”.

— Exceto quando você ruboriza, claro, o que acontece frequentemente. Eu só gostaria de saber por que você estava corado. — Informou.

Kardia jogou um pequeno pedaço do bolinho na boca e passou a mastigá-lo lentamente. Olhando bem dentro dos olhos de Degel. Logo após de engolir a massa passou, sensualmente, a língua pelos lábios. Como se estivesse sugerindo algo.

— Você sempre faz este tipo de observações pessoais? — O aquariano perguntou depois de engolir, dificultosamente, seco. Seu rosto estava em chamas e seu pensamento processando a mil.

— Eu não percebi que fosse. Eu ofendi você? — Perguntou.

— N-não. — Respondeu dificultoso.

— Que bom. Não quero ser inconveniente.

— Você não é inconveniente. Só arrogante e intimidador. — Informou calmamente.

Kardia levantou as sobrancelhas assustado. E um leve rubor tomou conta de sua face. Degel mordeu o lábio inferior para não deixar um sorriso vitorioso escapar.

— Não sou arrogante, apenas, estou acostumado a fazer as coisas do meu jeito. — O murmúrio saiu quase como uma retruca de uma criança mimada.

— Eu não duvido disso. — Alfinetou. Gostou da pequena desestabilidade que tinha provocado em Kardia e queria um pouco mais. Entretanto, o escorpiano não tinha gostado do comentário.

Não queria passar arrogância para o mais novo. No entanto, não sabia como falar de outra maneira. Tudo para ele tinha dois lados. O que ele podia ter e o que podia comprar. Mas o ser a sua frente, não estava em nenhuma das duas opções.

Possuí-lo era um sonho distante e falar com ele um possível contrato era algo inconcebível.

— Você é filho único? — Kardia perguntou. Queria se ver livre da sensação antagônica ao qual estava sendo exposto.

— Não. Eu tenho um irmão mais velho. — Informou. Lembrando-se com carinho do irmão e se perguntando se o mesmo iria ficar feliz ao lhe ver ali.

— Um irmão mais velho? — Kardia perguntou. Uma sensação estranha tomou conta de si.

“Uma pessoa com o mesmo sobrenome?! Não. Não podem ser a mesma pessoa”. O escorpiano tomou um pouco do próprio café

— Fale-me sobre sua família. — Degel pediu. Queria saber um pouco mais sobre Kardia, mas queria que o mesmo o contasse. O escorpiano franziu a testa.

— Acho que eu já fiz isso uma vez. — Comentou seco. — Na entrevista que você fez. E eu me lembro de algumas questões bastante comprometedoras. — Sorriu maldoso.

O rosto de Degel voltou a ficar cor escarlate. Mais uma vez tinha ficado mortificado. A frase ecoando em sua cabeça como se fosse uma musica enganchada em um único refrão. Desviou a visão para as próprias mãos. Aquela sensação iria persegui-lo para sempre.

— Hum... eu...

— Não se preocupe. Eu não me incomodei. — Kardia falou. Não queria acabar com o pouco clima que existia entre eles. — Mas me conte... como é seu irmão?

— Ele é… reservado.

— Só isto? — Reclamou o grego.

Degel encolheu os ombros. O que Kardia esperava? Que ele fizesse um relato “minha historia e minha vida” para ele?

— Ok. Ele é tão reservado como o irmão mais novo. — O grego sugeriu.

Não respondeu, sorriu de uma maneira cálida. Kardia estranhou. Não entendeu o porquê daquele sorriso, mas tinha gostado do mesmo. Sentiu-se aquecido pelo gesto.

— Você pode tirar suas próprias conclusões. — Falou. Kardia franziu o cenho. — Pode parecer coincidência, mas ele acabou de entrar nesse café acompanhado de alguém que eu não conheço.

O escorpiano olhou rapidamente para a porta de entrada. Seu coração falhou uma batida. Recusava-se a acreditar. O jovem com quem dividia a mesa e o homem que acompanhava seu irmão. Sim porque seu irmão tinha entrado com alguém naquele café, não podiam ser irmãos.

— Aquele homem ruivo é seu irmão? — Perguntou temeroso.

— Como sabe que é o homem ruivo? — Perguntou desconfiado.

— Porque o loiro é meu irmão mais novo. — Respondeu. Seu olhar transmitia frieza e desagrado.

...Fallen...

Camus e Milo tinham entrado no café porque o grego se queixou de fome. Estavam andando desde cedo. Indo de um lado para o outro, mas claro, tudo ideia do grego que não comprou apenas uma roupa. Com a desculpa de não saber quando, provavelmente, outro evento como aquele fosse acontecer e sem ter certeza de que Camus estaria tão amistoso quando naquele dia, comprou varias peças. O aquariano achou algo desnecessário, mas como convencer, ou melhor, acabar com a empolgação do escorpiano uma vez que ele mais parecia uma criança escolhendo o que quer ganhar de presente de natal.

— Milo, você não acha que já está na hora de voltarmos pra casa, não? — formulou. O evento ao qual Milo tinha falado iria ter seu inicio às quinze horas daquela mesma tarde. Estavam próximo a hora do almoço. Daquele lugar ate seu apartamento não era tão longe, mas... — Não gosto de chegar atrasado aos compromissos.

Milo sorriu. A sensação que tinha sentido logo pela manhã tinha se esvaído no decorrer do dia. Agora, aproveitava o “passeio” sem pressa.

— Camus, meu bem, a exposição só vai começar à tarde. Além do mais, eu estou com fome. Passamos a manhã toda rodando. — Exasperou. Era bom estar ao lado do ruivo. E queria permanecer, ou melhor, prolongar aquele passeio o máximo que pudesse.

— E isso aconteceu por culpa de quem? — ironizou o ruivo. Seu semblante era desafiador.

— Foi algo necessário. — Falou. — Porque você não vai escolher uma mesa pra gente?

Camus balançou negativamente a cabeça. Ao contrario do escorpiano, queria que aquele passeio terminasse. Na verdade, queria que aquela fase da sua vida passasse logo. Quanto mais tempo passava junto do escorpiano, mas perigoso seus sentimentos ficavam. Tinha medo. E se acabasse se apaixonando pelo filho de Hades? Balançou a cabeça. Era melhor não pensar em coisas como aquelas.

Camus virou-se para o amplo salão do café, a fim de escolher uma mesa para ele e o grego. E mesmo estando cansados, seus olhos não deixaram de brilhar quando avistou o irmão acenando discretamente para si. Soltou um sorriso bobo. Caminhou para o irmão quase que como um metal para o imã. Degel ao ver o mais velho indo de encontro a si levantou-se para recebê-lo.

— Degel?! — Falou, abraçando o mais novo. Sentir novamente o calor fraterno do irmão era algo muito bom e totalmente indispensável. — O que está fazendo aqui? E onde está Regulus?

O esverdeado “soltou-se” do acerco do mais velho.

— Regulus, a essa altura, já deve ter chegado ao hotel. E eu estou aqui porque fui convidado para tomar um café. — Camus ficou confuso. Sabia que o irmão só ingeria cafeína e derivados quando precisava fazer uso de tal “droga”.

— Café?! — perguntou, ainda sorria bobo. Rever o irmão causou-lhe uma sensação tão prazerosa que o aquariano nem notou quem acompanhava o mais novo. Notando, apenas, quando foi ser apresentado ao empresário.

A íris acastanhada do francês chocou-se com o azul gelado do grego. Camus sentiu um frio percorrer sua espinha e suas pernas pesarem como chumbo

— Camus este é...

— Kardia...?! — A voz fria e carregada do irmão fez Degel se arrepiar.

Conhecia o irmão. Sabia que Camus, por vezes, poderia ser um pouco antissocial. Frio e nem um pouco pacifista. Entretanto, isso não acontecia assim... logo a primeira vista.

— Vocês se conhecem? — Degel ariscou-se a perguntar. Porém, isso pareceu desagradar o escorpiano que se levantou. Aproximou-se dos irmãos de um jeito felino.

— Não precisa disso Degel. — O aquariano olhou com as sobrancelhas erguidas para Kardia. O tom de voz do escorpiano tinha mudado completamente. Um sorriso dissimulado residia em seu rosto. — Então, foi assim que aconteceu?! Do nada você me conheceu? — Os olhos azuis brilhavam no rosto bronzeado e algo dentro do estomago do aquariano mais novo agitava-se desenfreadamente. — Quanto você pagou ao senhor Linyu para conseguir se aproximar de mim? — Indagou áspero. Apertando o pulso do mais novo.

— Do que está falando? — Degel perguntou confuso. O plácido, civilizado e cordial empresário tinha se transformado em um homem perverso. Não dizia coisa com coisa e aparentemente o acusava de algo.

— Olhe, vamos deixar a ingenuidade de lado sim. Porque de ingênuo você não tem nada. — Reverberou. — Você já sabia quem eu era quando entrou no meu escritório pela primeira vez. Já sabia exatamente o que queria. — Acusou.

— Eu não entendo. — Degel estava perdido. Puxou o pulso e o massageou.

— Ele não tem nada a ver com isso Kardia. — Camus falou, defendendo o irmão. — Isso é assunto entre mim e você.

— Camus...? — O aquariano chamou confuso.

— Depois eu explico a você Degel.

— Claro. Vão encenar. Você é bom nisso, não é? Camus. — Kardia alfinetou.

Mais uma vez a íris francesa chocou-se com o azul grego. Camus e Kardia desafiavam-se em silencio.

— O que pensa que está fazendo Kardia? — Milo tinha avistado o irmão de frente ao ruivo e um jovem ao qual ele logo reconheceu como sendo o mesmo que ele tinha visto em um porta-retratos no apartamento do francês. Logo presumiu — pela expressão zangada do irmão — Que a conversa entre eles não estava sendo boa.

A passos largos, saiu da pequena fila no balcão e, foi em socorro do ruivo antes que fosse tarde de mais. Conhecia bem o irmão. Sabia que Kardia quando queria não era nada gentil.

— Espero que não seja esse... o puto com o qual você vem desperdiçando seu tempo e o dinheiro do nosso pai. — O escorpiano era cruel com as palavras.

— Ele não é puto Kardia. Tenha respeito quando falar dele ou com ele. — Milo tinha um tom desafiador.

— Ah. É verdade, alguém que ganha dinheiro com o corpo não é puto. Na verdade, não é ninguém.

— Cale a boca. — Degel pediu em sussurro desfalcado. Seu olhar estava em riste. — Eu não lhe dou esse direito. — Falou audaz.

Não via seu irmão há algum tempo. Não sabia o que o mesmo fazia. Em que ele trabalhava. Mas sabia que o mesmo se esforçava para ajudá-lo como podia. Que sempre que precisou, Camus nunca hesitou de fazer o que fosse necessário para vê-lo bem. Então... mesmo que fosse Kardia, a única pessoa que ao decorrer de seus vinte e dois anos... o único que conseguiu fazê-lo estremecer. Mesmo que fosse ele, o homem da sua vida, jamais o deixaria magoar seu irmão.

Camus era a pessoa que mais amava e o único que tinha por família.

— Você não me dá o direito?! — O grego perguntou belicoso. — Assim como esse vadio, você também não é ninguém.

Assim que acabou de falar, Kardia sentiu um lado seu rosto esquentar. Um som pesado e estridente ecoou. O soco fez o grego dar um passo para trás, levando a mão ao rosto. O ato arrancou vários olhares abismados.

— Não vou deixar que insulte meu irmão. — Falou firme. Sua mão doía. Seu coração doía.

O escorpiano sentiu-se intimidado com o olhar crispado em sua direção. Era a primeira vez que via no olhar âmbar uma determinação vigorosa. Algo que fez seu intimo tremer. Vibrar. E todos os pelos do seu corpo eriçarem.

— Eu não quero, nunca mais, ver você. — O grego de cabelos azul falou mordido. Frio. Seu outrora olhar plácido, agora, exibia aversão.

Kardia saiu pisando duro do estabelecimento. Degel sentiu seus olhos marejarem, e seu cérebro pela primeira vez, depois que conheceu o escorpiano, não falou nada. Camus acercou a cintura do irmão e o abraçou pelas costas. Beijou-lhe a cabeleira verde. Precisava mimá-lo, mesmo que isso não ajudasse em nada. Milo ficou sem ação. Depois da cena presenciada, tinha multas coisas a perguntar ao ruivo. No entanto, sabia... aquele não era o momento.

...Fallen...

Luzes em neon, musica alta, as bebidas caras e um dançarino no topo do palco indicavam que a noite no Imperius tinha começado e que ali, só usufruía do melhor aquele que pagasse mais.

Não era a primeira vez que ele ia ate aquele lugar, por isso, e somente por isso, sabia exatamente das principais regras da casa.

Em sua mão residia um copo com ouzo. Uma bebida tipicamente grega, feita com base no anis e muito forte. Não costumava tomar coisas tão pesadas. E o que estava fazendo com uma coisa daquelas em mãos? Não sabia. No entanto, tinha certeza de que aquilo era, puramente, induzido pelas ações recentes de Milo.

Sim, era mais fácil e, diria ate, mais aceitável assim. Colocar a culpa nas ações descabidas e eloquentes do escorpiano... ações essas que não lhe afetavam diretamente, mas que o deixava em maus lençóis da mesma forma. E era por isso que estava ali, naquele lugar. Tomando bebidas forte. Bebidas que lhe deixaria com uma dor de cabeça terrível e uma ânsia enorme no dia seguinte, mas que acima de tudo, lhe faria esquecer, pelo menos por enquanto, que descobriu e agora estava acobertando os desfalques do amigo. O que será que Kardia faria em relação a isso? Ou melhor, o que Hades faria quando descobrisse que “alguns trocados” — dois milhões de euros — não tinham sido investidos em nada rentável... ou seja, em nada que aumentasse sua renda, ou melhor dizendo, em nada que, futuramente, fosse lhe dar algum lucro. E que pior que isso, Milo estava com o único brinquedo que Hades não aceitaria dividir com os filhos.

E era com esse tipo de pensamento que o estava ajudando a entornar o quarto copo de ouzo.

— Achei ter ouvido você dizer que nunca mais colocaria seus pés em um lugar de perdição como este... — Uma voz feminina atrás dele se fez ouvir. Os grandes e expressivos olhos azuis olharam fixamente para dona da voz. ­— Siga-me! Sei o que veio procurar, Shaka.

O virginiano engoliu seco. Como assim ela sabia o que tinha ido procura?! Ele tinha ido procurar alguma coisa para começo de historia? O álcool já começa a afetar seu sentido. Os longos cabelos roxos de Saori — que iam ate o meio da coxa — balançavam com a pouca ventilação que o local lotado exibia e de acordo com o andar da mulher, passou a lhe chamar atenção. Era como se estivesse sendo hipnotizado pela cor arroxeada. E como se tivesse vida própria, suas pernas passou mover-se no mesmo caminho da mulher. Seguiu-a. Passaram por dois corredores de paredes em tom carmim. Chegaram em frente a uma porta de cor manteiga desbotada. Saori abriu a porta e deu-lhe passagem.

Shaka arregalou o olhar assim que entrou ao quarto.

Uma luz quase alaranjada e um forte cheiro de almíscar permeava o ambiente. Vários objetos de prazer enfeitavam o local. Shaka sentiu todos os pelos de seu corpo eriçar e seu rosto arder.

— M-mas o que significa isso? — Perguntou. Seu olhar demonstrava espanto. — O que acha que vim fazer aqui?

Saori sorriu maliciosa. Tocou gentilmente no corpo do indiano e empurrou-o em direção a cama. Shaka caiu quase deitado no colchão. Sustentou seu corpo nos cotovelos e olhou assustado para a mulher que subia em cima dele e sentava sobre suas pernas.

— Ora, meu querido. Não se acanhe. — Disse, passando de forma sedutora a unha do dedo indicador pelo peito Shaka. — Sei exatamente porque veio aqui — Prendeu o rosto do indiano com o polegar e o indicador e sussurrou bem próximo aos seus lábios. — E vou dar-lhe o que deseja.

— Saori...

Shaka murmurou o nome da mulher, no entanto, antes que dissesse algo mais... Uma presença o fez emudecer. Saori saiu de cima dele e encaminhou-se em direção a porta, antes pegando algo em cima de uma das mesinhas. Parou bem próximo ao homem para na porta do quarto.

— Cuide muito bem dele, Ikki. — Ordenou. Passando o chicote que havia pegado na mesinha em volta do pescoço do moreno. Deu um beijo estalado no peito do mesmo.

Ikki sorriu malicioso ao vislumbrar a figura meio deitada em cima da cama.

— Pode deixar. Ele não vai se queixar de nada. — Falou. Elevou o queixo de Saori e selou os lábios dela.

A grega sorriu. Passou o indicador nos lábios grossos do moreno.

— Assim espero. — Lançou um ultimo olhar para Shaka. — Divirtam-se. — Falou antes de sair do quarto.

O coração do virginiano falhou uma batida ao ver o moreno vir em sua direção. Um chicote nas mãos. O sorriso sacana e o jeito predatório. Ikki apoiou um dos joelhos em cima da cama, bem entre as pernas de Shaka. O loiro sentiu um fisgar involuntário. O cheiro do moreno, uma mistura amadeirada e selvagem, era simplesmente irresistível.

Ikki era um jovem alto. Exibia um misto de menino rebelde com postura de homem maduro. E mesmo estando enfiado em uma blusa social preta e uma calça jeans grafite, o loiro conseguia ver os traços da musculatura definida. O olhar azul âmbar possuía uma magnitude viril. Algo que beirava o encanto e a atração. E isso incomodou Shaka profundamente.

A sensação de estar perto o suficiente para tocar era maior do simplesmente se restringir ao olhar. Suspirou. Precisava controla seu instinto de tocar.

— Olha, eu não sei o que Saori pediu para você fazer, mas...

— Ela disse para usar bondage em você. — Revelou calmo. Pendendo um pouco o corpo em cima do de Shaka. Alcançando assim a gaveta do cômodo ao lado da cama.

— O quê? — Indagou assustado. A proximidade do moreno o deixava desnorteado. O cheiro amadeirado fazia certas partes de seu corpo despertar.

Ikki retirou de dentro da gaveta um par de algemas. Uma fita acetinada preta e duas gravatas roxas.

— E então? Vamos começar? — O leonino sussurrou, cheio de lascívia, ao ouvido do loiro.

— Começar? — A voz de Shaka saiu tremula. — Começar o quê?

— Você sabe o que. — Falou, assoprando o alvo pescoço. Mordendo o lóbulo da orelha de Shaka. O loiro soltou um gemido involuntário. — Escolha. — Disse, afastando e mostrando as opções para o loiro — Qual tipo você quer?

O virginiano olhou nervoso para os objetos. Ficou constrangido ao ter escolher um deles. Certo... não era um virgem inexperiente, mas também não era um dos depravados que frequentava aquele local. Sabia que para cada tipo de amarra existia uma ritual diferente.

— E então? — O moreno insistiu.

Tentou se acalmar. Saori era inteligente e ela sabia que ele não aprovava certo tipo de coisas. Talvez, apenas por isso a mulher tenha pedido para que Ikki usasse apenas bondage. Mas isso não era o que o estava perturbando. Estava acostumado a ter certo tipo de brincadeiras na hora do sexo. Algo que envolvia mais posições do que brinquedos. Mesmo assim estava tenso e com o coração batendo rápido de mais. Coisas povoavam sua cabeça. Claro, nada era mais perturbado do que o moreno que estava logo ali. Bem a sua frente.

Tentou se acalmar. Aquilo iria acontecer, ele colaborando ou não.

— Gravatas... — Respondeu enervado. O moreno sorriu. Elevou uma mão ate o rosto pálido. Desenhou a boca do loiro com o polegar. Shaka engoliu seco antes de sentir seu lábio serem comprimidos.

Os lábios do japonês apossaram-se errante da boca de Shaka. Se conectando, com o prosseguir do osculo, de forma única. Shaka soltou um gemido agoniado e logo o beijo tornou-se algo mais agressivo.

A camisa de linho foi tirada e seu peito foi exposto. As mãos foram juntas em suas costas e amarradas com a gravata. Ikki fez com que deitasse por cima do próprio corpo. Com a ponta dos dedos, tocou a pele leitosa. Trilhando caminho do pescoço ate os pontinhos rosados que o peito pálido possuía. Apertou-os e Shaka soltou um gemido convalescente. O leonino sorriu perverso. Guiou a boca para um dos mamilos sugando-os. Deliciou-se com a respiração descompassada do indiano. Mais ainda quando, ao resvalar de seus dentes sobre a pele macia, arrancou um leve arfar do outro.

Alguns ínfimos toques e o loiro já estava em chamas. Talvez fosse o efeito da bebida. Talvez fosse porque estava a tempo suficiente sem uma boa companhia, talvez fosse tanta coisa e ao mesmo não fosse nada. O virginiano não sabia dizer. As coisas pararam de fazer sentindo a partir do momento em que Ikki se aproximou.

— Hummm... — O virginiano gemeu impaciente.

Ikki dedilhou o corpo do loiro ate chegar ao cós da calça. Desafivelou o cinto. Abriu o botão e desceu o zíper. O rosto de Shaka ficou rubro. Ikki agora podia ver seu corpo totalmente desperto. Alguns toques, coisas singelas... e seu corpo estava aceso.

— Fica de joelhos em cima da cama. — O moreno pediu rouco, lambendo do pescoço ate o lóbulo da orelha do virginiano.

— O quê? Pra que? — Shaka perguntou com o pedido inusitado. Estava atordoado.

— Vamos, colabore. Prometo que não vai se arrepender. — O moreno pediu, beijando-o com paixão e fúria. Apesar da pouca idade, o leonino era mestre em prazer e isso deixava o mais velho cheio de receios.

A mente de Shaka funcionava a mil. Seu corpo sensível esquentava ainda mais com os toques do moreno. Fez o que Ikki pediu. Ficou de joelhos em cima da cama. Logo o moreno foi para o meio do quarto. As mãos passaram a abrir a blusa social e o corpo moreno a mover-se de forma sensual, sem existir musica. Retirando botão por botão. O tecido escorregou pelos ombros largos. Mostrando aos olhos índigos, exatamente o que eles vislumbraram quando o tecido estava por cima da pele.

Ikki mordeu o lábio. Passou a mão pelo dorso. Desceu ate o cós da própria calça e a retirou. Ficou somente com a box vermelhar que tinha vestido naquela mesma tarde.

Aproximou-se da cama de forma felina. Mantendo conexão visual com o loiro. Pegou o chicote esquecido minutos atrás em cima da cama e colocou na boca do loiro, o mesmo o prendeu com os dentes.

— Você não pode deixar o chicote cair. — Falou sensual. — Não importa o que aconteça... segure-o. Solte-o apenas quando eu mandar.

Shaka acenou positivou. Seu falo doía. Pulsava cada vez mais alto. Podia não ser depravado, mas conhecia as regras daquela brincadeira. Então iria fazer exatamente tudo o que o moreno mandasse e sem deixar o chicote cair. Tarefa que ele comprovou ser impossível quando Ikki passou a estimulá-lo

— Continue de joelhos. — Sussurrou. Deu um beijo do pescoço do indiano e desceu. Trilhou saliva pelo ombro claro. Chegou ao peito e novamente abocanhou um mamilo e estimulou o outro.

— Humm... — Shaka estremeceu e o chicote balançou. O loiro então cerrou os dentes, prendendo novamente o chicote. Sabia que se o deixasse cair, então tudo se iniciaria novamente e isso não seria algo bom. Estava adorando a sensação causada pelos pequenos choques que seu corpo estava recebendo.

Ikki sorriu ladino, aprofundou as carícias. Deixou-as mais ousadas... prendeu a ponta do mamilo do loiro e o puxou. Shaka teve que prender a respiração para não soltar o chicote. Ikki, novamente, esticou a mão em direção a cômoda que existia ao lado cama. Retirou de lá dois vidros de brilho incolor.

O primeiro continha uma espécie de óleo mentolado ou apimentado, não soube explicar, mais a sensação causada era boa. Ikki colocou uma grande quantidade nas mãos, friccionou uma na outra e passou a espalhar no corpo do outro. Começou pelas coxas, parou ao chegar na extensão entre as pernas de Shaka. Masturbando-o numa cadência lenta. Sensual... provocando espasmo no corpo magro. Shaka trincou o dente e apertou os olhos, estava ficando mais difícil segura o chicote. Em um ato mais ousado, o moreno envelopou completamente o membro do virginiano. Shaka gemia de boca fechada, mas sua intenção era gritar de prazer. O mais novo apertou-lhe as pernas com força, beijando as coxas firmes.

Colocou um pouco do liquido do segundo vidro nas mãos. Afastou as pernas do amante. Shaka não disse nada. Sua respiração estava entrecortada e a tonalidade da sua pele já demonstrava o quanto ele queria aquilo. Um sorriso malicioso brotou nos lábios do japonês, os olhos azuis estreitaram-se de forma lascívia.

— Quero ouvir você gemer. — Exigiu, olhando dentro a íris azul celeste. Movendo as mãos sobre a pele das nádegas. Enfiando dois dedos na entrada do indiano.

Os movimentos lentos fazia uma grande agonia crescer no peito do loiro. Queria aquele homem e queria já. Tinha que fazer algo. Ikki queria ouvir seu gemido e ele o daria de presente. Gemeu cheio de desejo. Lascivo.

O leonino fechou os olhos apreciando a melodia dos suspiros e sons que o indiano soltava. Em um rompante de excitação, empurrou o loiro para que o mesmo caísse em cima da cama. E novamente Shaka estava sobre os próprios braços. Ikki pegou o chicote e o jogou longe. Retirou a cueca que pressionava seu sexo, que também já doía, dando-o “certo alivio”.

— Eu sei o que você quer. — Murmurou rente ao rosto do virginiano. — Mas quero ouvir você pedir. — Apertou as nádegas do outro com vontade, deixando a marca dos dedos. — Me pede para te comer! – Exigiu, enfiando, novamente, os dedos na entrada do loiro, a outra mão apertando as coxas roliças enquanto ele movia o dedo bem devagar.

Shaka sentiu o rosto ficar quente. Estava sendo intimamente afrontado.

— M-me... — Começou tremido. Tímido. — come. Humm. — pediu, e gemeu ao sentir o moreno retirar os dedos de si.

Ikki pegou o segundo vidro e um pacotinho que Shaka não viu quando o mesmo tinha pagado de dentro da gaveta. Rasgou a embalagem luminosa e colocou a camisinha no próprio membro, que de tanto ouvir os sons de Shaka, estava duro e gotejante. Colocou uma grande quantidade do conteúdo do segundo vidro nas mãos e espalhou por entre as nádegas de Shaka. Depois colocou a ponta do falo, começando a entrar devagar, deslizando suave com ajuda do lubrificante. Entrava e saia bem devagar, quase sem mover-se de verdade.

— Me come mais forte. — O loiro pediu enrouquecido. O leonino estancou, mas logo sorriu perverso. No fim, as sensações sempre venciam. Empurrou-se com vontade para dentro do loiro que gemeu alto. Mas continuou rebolando contra a invasão desconfortável que o arrebatava. Abrindo mais a perna para receber o corpo forte que o penetrava. Mexendo o quadril para facilitar tal ato.

— Hummm. Como você é gostoso. — Ikki falou em dando momento. Era difícil manter a sanidade. Seu corpo era sacolejado pelo prazer. Puxou o nó que prendia as mãos de Shaka e o loiro, assim que se viu livre, elevou os braços ao seu pescoço. Puxando o corpo musculoso mais para si.

— Mais... Mais rápido... Ikkiii... — Pediu, o leonino se esforçava para atender, sentindo seu corpo em chamas. As pernas do mais velho estavam firmes em torno da cintura morena, os pés apertavam as nádegas, o obrigando a se enterrar ainda mais fundo do que podia. — Ah, Ikki! — O loiro gritou. Espasmos lhe assolando até finalmente revelar o orgasmo. O líquido viscoso se espalhava entre os dois corpos. O indiano, simultaneamente, se contraía. Levava o japonês ao delírio e ao fim do que lhe restava de sanidade.

Ikki, louco de prazer, não prestou atenção no quão, selvagemente fundo, estocava o loiro quando este gozou. Só conseguia sentir Shaka lhe apertando mais e mais... Ate por fim... Gozar! E então desabar no corpo inerte abaixo do seu, sem ao menos sair de dentro dele. Pela primeira vez seu coração estava prestes a entrar em colapso. Foi a primeira transa, com as ordens da jovem para quem ele trabalhava, a lhe arrancar tantas sensações e a faze-lo agir como algo prazerosamente carnal.

Shaka dormiu ali mesmo. Ikki, porém, tinha feito o que havia lhe pedido. Agora precisava sumir. Saiu de cima do virginiano, catou suas roupas, vestiu-as como pode e saiu do quarto. No entanto, uma vozinha dentro si pedia para que voltasse.

Continua...

Notas finais
Eu sei, eu sei... tem muita gente querendo me matar por parar o capitulo logo numa situação como essa... por fazer um dos casais – o que estava mais provável e iluminado - se desentenderem, por frigilizar (eu nem sei se essa palavra existe) o Camus. Mas... fiquem felizes, ao menos Ikki e Shaka começaram agora... hehe Também quero que me perdoem a falta de concordância com o livro, pois no livro eles – Anastácia e Grey - meio que ficam longe depois dele não querer beija-la (coitada, mal sabia que estava se livrando de uma boa ou talvez não, depende do ponto de vista) e aqui Degel e Kardia se desentende por Camus (detalhes explicados mais frente) Agradecimentos especiais para; Tekla Valerius por ter recomendado I Gotta Go My Own Way Obrigada pelo carinho flor! Bejinho a todos!