Fallen

9 O perigo a espreita!


Notas iniciais
E ai amadinhos (as) tudo bem? Espero que sim! Primeiramente, quero agradecer a Mari Mitarashi por recomendar a fic. Obrigada linda! E claro, o capitulo é dedicado a você. Segundo, os ânimos de confusão nesse capitulo é tudo por conta da situação confusa e agoniada da autora. Sim, estou a ponto de enlouquecer, pois sou hiper desorganizada e endoido quando tenho muitas coisas a fazer. (meu cérebro também não ajuda, funciona a mil). E me deu outra fic. Estou escrevendo-a sorrateiramente, mas não se preocupem, não ficarei com um monte de fic a terminar e só a postarei quando estiver com quinto ou sexto capitulo pronto, pois estão betando ela pra mim. Assim como os outros, esse capitulo não está betado por tanto, peço desculpas pelos erros. Desejo boa leitura a todos!

Capítulo IX — O perigo a espreita!

— Explique-se. — Regulus ditou autoritário para Dégel depois que Kardia saiu do apartamento que seria dele por mais aquela semana. Mas que ele só habitaria por mais dois ou três dias.

— O que exatamente você quer que eu explique? — o aquariano suspirou cansado, afundou no sofá já plastificado e quase pronto para a viagem.

— Como o quê, Dégel? Quero que me diga o que estava fazendo com Kardia Onpreyde?

Dégel olhou de relance para o amigo. Estava confuso, os pensamentos a mil e sem conclusão, mas como explicar isso a Regulus sem que ele quisesse matar Albafica ou Kardia?

— Bom, ao menos no tempo em que estou consciente... nada! — respondeu simples. Tentando fazer as coisas soarem normais.

— Como assim consciente? — Regulus perguntou confuso, logo colocando a mão na testa e imaginando várias coisas, esquecendo-se totalmente do quanto o aquariano tinha bebido na noite anterior. — Meu Deus, aquele filho da puta drogou você?

— Não. — Apressou-se em negar. Não se lembrava do que realmente tinha acontecido e tudo da noite anterior estava um completo borrão em sua mente. Entretanto tinha plena consciência de que a culpa da “inconsciência” tinha sido totalmente sua.

Lembrava-se de ter bebido bastante e de tudo o que teve direito. Também lembrava de ter vomitado e da promessa de não voltar a beber. Fora ele a ligar para Kardia, também foi ele a beijar Albafica. Sua face passou de pensativa a aflita em questão de segundos.

“Oh meu Deus, o que foi que eu fiz?” — Pensou, apertando levemente a têmpora, sentindo sua dor de cabeça retornar.

— Eu beijei o Albafica. — Afirmou baixo.

— O quê? — O leonino franziu o cenho.

— Eu o beijei… o Alba. — O aquariano repetiu, olhando quase desesperado para o amigo. Desejava ansiosamente que o fotografo não tivesse aquilo como uma possível chance de ficarem juntos.

Regulus olhou espantado para o amigo, sentando-se ao lado dele.

— Por favor, diga-me que isso foi tudo de errado que você fez. — Pediu quase choroso. Sempre fez brincadeira com o amigo, pedindo para que ele se decidisse logo a entrar na vida adulta e contemplar todos os prazeres que a mesma tinha a oferecer. Inclusive o sexo. No entanto, agora, pedia desesperado para que ele não tivesse o escutado.

— Não tenho certeza. — Falou. Regulus o olhou confuso. — A única coisa que me lembro de fazer depois de ter beijado Albafica e de ter o rosto de Kardia muito próximo ao meu e... de acordar somente de cueca na cama dele. — Disse a última parte depressa, embolando uma palavra na outra.

— Espere... Está tentando me dizer que não se lembra de ter transado com Kardia, mas que não descarta a probabilidade?

— É mais ou menos isso. — Volveu. Suas bochechas ficaram vermelhas.

Os amigos ficaram calados por um longo tempo. Cada um analisando, a sua forma, a situação. Dégel tentando lembrar além do ocorrido e Regulus revendo as palavras do amigo. Tentando entender o que não conseguia.

— Bom, o que quer que tenha acontecido entre vocês, por favor, não deixe passar de uma noite qualquer. — o leonino pediu realmente preocupado com o amigo.

— Você acha que eu transei com ele? — O aquariano perguntou nervoso. Seu íntimo estava dividido. Parte de si queria que aquilo realmente tivesse acontecido, no entanto, sua parte sensata desejava que não. E sua cabeça doía com tamanha indecisão.

— Não. Porém, se tiver feito, siga somente com isso. Não gosto do jeito dele.

Dégel acenou positivo com a cabeça, aquilo agora era passado. Tinha coisas maiores a se preocupar; procurar um emprego, por exemplo. Quem sabe uma namorada ou um namorado, isso ainda era incógnito. Enfim, precisava preencher seu tempo até a próxima quarta-feira. Dia oficial de sua partida para Yonkers.

Ficaria com Seiya e Seika por mais dois dias, tempo suficiente para se despedir dos amigos, depois estaria à disposição do destino. Talvez retornasse a trabalhar com os amigos depois que estes abrissem a filial em Yonkers como estava previsto. Tentaria deixar isso acertado com Seiya.

Pegou o celular e ligou para Camus, informando que ele e Regulus tinham concluído o ensino superior. Agora era finalmente um administrativo e Regulus um jornalista. Também avisou sobre o retorno a Yonkers e a moradia com o amigo grego. Tentou evitar palavras diretas e relacionadas ao último encontro que tiveram.

No decorrer da conversa achou o irmão meio disperso, mas achou melhor não perguntar. Ainda não conseguia formular uma conversa firme com o mais velho. As acusações de Kardia ainda perpetuavam em sua mente e não sabia como agir diante de tal afirmativa se ela fosse verdade. Naquela mesma tarde tomou uma decisão sobre a situação de Camus, assim como sua noite indistinta com o CEO da Giudecca Corporations já era passado, a vida libertina de seu irmão também era, caso ele fosse “culpado” ou “inocente”. Isso era algo que já não importava mais.

...Fallen...

Camus acordou assustado, suado. Seu peito retumbava forte, quase querendo passar por sua garganta. Uma agonia e uma vontade louca de chorar o consumiam. Tinha tido um pesadelo, um sonho que há muito tempo tinha deixado de sonhar... O dia ainda não tinha clareado, era pouco mais de quatro da manhã. Olhou para o lado, Milo dormia de forma serena. O ruivo sorriu suspirando, algo dentro de si gritava, queria sair junto com o sonho ruim que o acordou.

Pensou em acordar o loiro, pedir por proteção. Mas não era bem isso que queria... O certo seria dizer que não sabia o que queria. Seu coração gritava, pedia por paz. Entretanto, não podia fraquejar naquele momento. As horas com o escorpiano tinha sido belas, maravilhosas. O carinho do grego tinha trazido um pouco de alento para sua alma machucada. Entretanto, era hora de encarrar a realidade, contos de fadas não existiam e aquele sonho tinha lhe comprovado isso. Levantou devagar, colocou uma roupa de corrida. Precisava sair de dentro do quarto... do apartamento. Precisava espairecer, sentir o vento tocar seu rosto. Ainda estava escuro e era perigoso, mas tinha que espairecer de alguma forma. Aplacar a necessidade louca de gritar e correr...

Fazia tempo que aquela sensação não o atormentava. E ele sabia; precisava colocar para fora o mais rápido possível ou iria enlouquecer. Abiu a porta e saiu para a rua. Talvez, os movimentos eufóricos que seu corpo produzisse em uma corrida desenfreada o acalmassem, e assim, ele conseguiria voltar e descansar. Entretanto, aquilo não estava sendo eficiente e em vez de acalmá-lo, seu cérebro cansado mostrava imagens de um sonho perturbador...

“Proteja seu irmão e nunca confie naquele homem” — conseguia escutar as últimas palavras de sua mãe, o quanto ela estava cansada antes de morrer.

Chegou à orla bastante ofegante. Seguiu em direção ao mar, à imensidão azul sempre o acalmava. No entanto, naquele momento, ela estava escura... escura igual ao seu coração e tão nociva quanto o seu pensamento. Retirou os sapatos, queria sentir a areia fofa afundar sob seus pés e emergir entre seus dedos. Uma sensação antagônica de felicidade e desespero fez seu peito pular mais forte. Sorriu igual a um louco a beira do desespero. O que estava fazendo afinal? Por que estava achando que conseguiria ser feliz ao lado de Milo ou de quem quer que fosse? Sim, tinha dito que deixaria acontecer... e não conseguia negar; foi bom acordar ao lado dele, fazer amor com ele... mas não poderia levar adiante aquela vida. Não era alguém merecedor de felicidade. Já era para ter aprendido aquilo.

O mar estava agitado e a água que antes estava longe, agora morriam em seus pés e fazia seu corpo tremer ao mesmo tempo fazia um calor gostoso subir por seu corpo. Dubiedade? Nada era o que devia ser. Adentrou um pouco no mar, estava cansado de fingir que era feliz. Que estava sobre o controle de tudo... que estava cumprindo bem o seu papel de irmão mais velho.

“Proteja seu irmão e nunca confie naquele homem” — o pensamento e o rosto lívido de sua mãe não o deixavam. Mas ele não estava conseguindo proteger nem a si mesmo, quanto mais a seu irmão.

Ainda era uma criança quando viu aquele homem pela primeira vez, nunca imaginou que ele fosse se tornar seu pior pesadelo.

Flashback On!

Aparentava ser mais um dia comum; Camus levantou de manhã para ir à escola. Ajudou seu irmãozinho com a roupa e o café da manhã. Deu um demorado beijo em sua mãe e partiu com seu pai para escola. Enquanto Dégel era deixado na creche para passar o dia todo, o ruivo passava somente metade. Com exceção dos dias de educação física. Nesses, Camus passava o dia todo. E aquele foi um dos dias que Camus passou o dia todo na escola. Saindo somente a tardinha.

Depois de algum tempo estranhou a demora de seus pais, entretanto não podia fazer mais nada além de esperar. Aquele era o dia de sua mãe ir buscá-lo, e sabia que ela pegaria Dégel primeiro. O irmão era uma criança muito inquieta. Não gostava quando as coisas demoravam a acontecer, principalmente a irem buscá-lo.

— Você ainda está aqui? — Kardia, um menino grego que estudava com ele, perguntou ao vê-lo ali, estranhando. Os pais de Camus eram sempre pontuais.

— Sim. Acho que minha mãe teve algum contratempo. — Camus respondeu sorrindo forçado, um pouco embaraçado. Embora aquela não fosse a primeira vez que conversavam, Camus sempre ficava um pouco nervoso quando falava com Kardia.

O grego era uma criança estranha. Sem muitos amigos, ou quase nenhum. Por conta dos cabelos azulados era bastante briguento. Possuía um olhar frio e impassível, triste. Era como se estivesse sempre em agonia. Kardia não era de falar muito. Então foi uma enorme surpresa para Camus ele ir falar consigo, tanto da primeira vez como naquele momento. Talvez fosse porque o ruivo era o único a não lhe implicar.

— Então tá. Ate amanhã. — o outro falou sem muita importância. Caminhou em direção ao portão da escola e lá ficou. As conversas entre eles eram sempre assim. Simples e diretas

— Até. — murmurou, no entanto Kardia não ouviu.

Não demorou muito para que o pai de Kardia chegasse. Camus olhou admirado para o homem de longos cabelos negros e olhar intimidadoramente penetrante. Aquela era a primeira vez que via o homem, também era a primeira vez a ver Kardia ficar tenso.

— Vamos! — o homem chamou. Kardia apenas meneou a cabeça, lançou um último olhar para Camus e entrou no carro. Muito rapidamente o ruivo avistou, bem ao fundo do banco traseiro, uma criança loira, com a expressão de birra. Provavelmente era irmão de Kardia. Lembrou-se do irmão, com certeza, sua mãe estava chegando com ele.

Antes de Kardia e o pai saírem, a mãe de Camus chegou com Dégel. A mulher estancou assim que avistou o pai de Kardia.

— Louna?! — Camus ouviu a voz do moreno dirigir-se a sua mãe.

— H-hades! — ela falou assustada.

— Há quanto tempo? — um sorriso diabólico brilhou no rosto do homem. Camus sentiu um frio percorrer seu corpo.

— Bastante tempo. — falou Louna. O ruivo correu para junto da mãe, fosse o que fosse... ele iria protegê-la! Mesmo não sabendo o real motivo para tal.

— E esta criança? — Hades perguntou olhando demoradamente para Camus.

O ruivo escutou o som que a grossa saliva fez ao descer pela garganta da mãe, enquanto ela o segurava junto do corpo, acarinhando seus cabelos.

— Ah, é meu filho. Camus! — Louna falou. Um sorriso cheio de asco tocou os lábios do homem.

— É uma criança muito bonita. — murmurou.

— Mamãe, eu tô com fome. — Dégel choramingou no banco traseiro. Hades imediatamente estreitou o olhar para o irmão de Camus. O ruivo tremulou, a mulher também.

— Aquele também é seu filho?

— Sim, aquele é Dégel, meu caçula. — Louna abraçava Camus com firmeza.

— Você deveria vir me visitar qualquer dia desses. Traga sua família, tenho certeza de que nossos filhos se darão muito bem. — Hades parecia uma serpente a espreita de um ninho, avaliando qual dos ovos saborearia primeiro.

— Vou pensar... preciso falar com meu marido antes... — Hades endureceu a mandíbula ao escutar a frase.

— Claro. Sem problemas. — falou. Pegou um cartão e entregou a Louna. — Aqui está, quando puder é só me avisar.

Duas semanas depois daquele dia, seus pais sofreram um acidente de carro. O pai de Camus morrera na hora, Louna morreu alguns minutos depois de pedir a Camus que tomasse conta de Dégel e que ficasse longe Hades.

Flashback Off!

A agonia sumia de acordo com que sua visão se tornava turva. A água salgada do mar se misturava com a água que vertia de seus olhos, cobrindo-lhe o topo da cabeça. Não soube dizer ao certo quando ela chegou ali, mas conseguia vislumbrar com perfeição a imagem de sua mãe. O sorriso cálido, e os braços reconfortantes ao seu redor. Abraçando-o como se ainda fosse uma criança desprotegida.

“Sua bela mãe está morta, mas eu posso lhe ajudar”. — escutou o timbre grave de Hades, de repente o homem tinha aparecido ao lado de sua mãe. Deixando-o apavorado.

— Camus! — escutou um grito longínquo. Alguém o chamava. Não conseguia ver quem era, a força da água não o deixava olhar para nada além do que estava em sua frente. — Camus, saía daí! — o gritou veio mais forte... mais próximo.

Um par de braços fortes rodeou seu corpo, aquecendo-o de maneira diferente. Fazendo-o emergir com força. Seus olhos capturaram a face aterrorizada de Milo. O grego o conduziu para fora d’água. Ambos caíram na areia, cansados. Milo mais cansado que ele.

— O que pensou que estava fazendo? — o escorpiano gritou, preocupado.

— Nada... — Camus pôs um dos braços sobre os olhos. Nem ele mesmo sabia o que estava fazendo.

— Como nada?! Se eu não tivesse aparecido... — o grego pensou com temor. Olhou desesperado para o ruivo, puxando-o pelos braços para que ficasse rente a si e assim ele conseguisse mirar dentro da íris avermelhada do ruivo. — me diz Camus, o que aconteceria se eu não tivesse chegado a tempo?

— Com certeza, eu estaria livre. — murmurou desviando o olhar. Não conseguia encarar Milo.

O loiro sorriu forçado.

— Bem que eu achei que você estava agindo de forma estranha, mas nunca pensei nisso, sabe? Eu devia ter desconfiado quando você me deixou te tocar. Estava se despedindo de mim, Camus? — o francês olhou assustado para Milo. Não tinha colocado as coisas daquela forma, mas se elas tinham saído daquele jeito... ele não as mudaria. Era orgulhoso demais pra isso.

...Fallen...

Dégel estava sentado em um cantinho, entre um fardo e outro, do depósito da loja onde trabalhava quando sentiu seu celular vibrar no bolso de sua calça. Atendeu quase que imediatamente, por algum motivo desconhecido achava que era Camus. Estava com o pressentimento muito ruim em relação ao irmão.

— O que vai fazer no próximo final de semana? — a voz impassível e o timbre sério deram ao aquariano uma leve visão da possível feição do homem naquele momento. E por mais que tentasse imaginar Kardia sorrindo e/ou de bom humor, a única coisa do empresário que se lembrava era do seu estereótipo lado mandão e do sorriso ladino que lhe era característico. Também do jeito irritante que ele tinha de lhe tratar.

— Provavelmente ajudarei Regulus a organizar nosso novo apartamento. — respondeu tentando não dar muita ênfase ao assunto.

— Vai continuar dividindo o apartamento com o senhor Linyu? — o tom inquisidor do escorpiano fez o aquariano afastar o telefone do ouvido e olhar para ele, como se assim pudesse olhar diretamente para Kardia.

Puxou o ar com força, não queria ter que dar aquele tipo de explicação para alguém, ainda mais para Kardia.

— Sim, continuarei! — respondeu como se a curiosidade do outro fosse algo supérfluo. O silêncio se fez presente por alguns minutos. — mas acho que não foi pra isso que você ligou, não é?

— É, você tem razão. Liguei por que quero me encontrar com você no próximo final de semana. — Kardia falou sem rodeios. Sua voz mansa e tom suspirado ao final da frase demonstrava que o homem já sabia que cor estava sua face naquele momento.

“Sorte sua que ele não pode ouvir seu coração.” — sua consciência veio alfinetar.

Dégel estagnou. Sentiu sua boca secar e seu coração bater mais rápido. Kardia queria ter um encontro com ele, mas para quê? Seria para “recordar” a noite de sábado? Por algum motivo a mesma também não saia de sua mente, mas não achava realmente que era esse o motivo. Em todo o caso, tudo o que precisava fazer era negar.

— Sinto muito, Kardia. Não vai dar. — falou tentando conter a enorme vontade de aceitar aquele pequeno momento com o empresário.

— Não precisa ser o final de semana todo, sei que estará ocupado. Por isso somente o domingo está bom pra mim. — disse. — Tudo o que preciso é ter uma conversa particular com você, Dégel.

Dégel ficou em silêncio, ponderando sobre o assunto. Estranhou... não estava gostando do tom do outro, parecia até que Kardia estava implorando?!

“Ele? Implorando pra sair com você? Sai dessa!” — dessa vez foi obrigado a concordar com seu cérebro. Kardia não era homem de implorar ou pedir. Uma ordem disfarçada era isso o que era. Uma ordem que ele não obedeceria, além do mais tinha Camus; por algum motivo o ruivo não saia de sua cabeça e isso o estava preocupando, então usaria o domingo para passar o dia com o irmão e quem sabe assim, acalmar seu coração.

— Acho que no domingo vou visitar meu irmão. — falou ansiando a desistência do escorpiano.

— Poderíamos usar a noite. Você poderia vir jantar comigo, no meu apartamento.

— Não acho uma boa ideia eu o encontrar no seu apartamento.

— Pode ser em um restaurante público se você achar melhor. — aquela insistência por parte do outro estava irritando-o. Kardia era uma incógnita. Alguém instável que mudava muito rápido de ideia. Afinal, não tinha sido ele a dizer que nunca mais queria vê-lo? Então por que agora ele estava ali, mesmo que por telefone, quase implorando para que ele fosse encontrá-lo?

— Preciso pensar. — falou, tentando achar uma razão para a atitude afetada do empresário.

— Quero a resposta até sexta-feira. — o escorpiano falou autoritário. Desligando sem dar ao aquariano a chance de retrucar.

Detestava falar com Kardia, ao mesmo tempo em que seu corpo insistia em se deleitar somente por escutar a voz séria do empresário.

“Decida-se, por favor!” — murmurou antes de sair. Dégel voltou a trabalhar com uma tromba enorme.

...Fallen...

Sexta-feira feira era um dos dias mais rentáveis da Imperius, isso, claro, quando Saori tinha Camus a seu lado. Por algum motivo desconhecido, o ruivo era o striper que possuía mais fãs, e seu “afastamento” repentino trouxe consequências ao seu estabelecimento. Sua clientela caiu bastante e ela precisava dar um jeito nisso...

Afrodite era bonito, mas também era quase uma boneca de porcelana. Usava muita maquiagem e tinha alguns trejeitos femininos, muitos dos clientes (ou quase nenhum) da Imperius não gostavam. Claro, tinha aquele que não abriam mão de uma transa sueca por nada, mas... como Camus, não havia igual!

A falta de resultados em sua planilha de rendimento e a diminuição de seu caixa, somado ao número de bebida em sua prateleira era a prova disso.

Um suspiro gasto deixou o peito da virginiana.

Ninguém quer saber de danças sem incentivos ou de sexo sem aproveitamento dos que estavam pagando. Ninguém quer pagar por um brinquedo que só saber fazer um tipo de coisa ou por uma geladeira que só funciona no verão. Não! Eles querem se sentir atendidos, saciados. Submetidos e dominados em uma doce e gostosa dança chamada prazer!

Algo aparentemente complicado, pois submisso ou dominador parece soa como o resultado de uma aposta: Onde o submisso (inferiorizado) tem que ser obediente e representar qualquer papel e aceitar qualquer punição que seu parceiro ou parceira, amante, namorado (a). Ou seja, submisso são “escravos”, ou, mais claramente, consentem em ser propriedade. Já dominadores não. Esses são diferentes, alguns difíceis de agradar. Com jeitos e manias, tendências e aptidões inomináveis. Algo que Afrodite não conseguia acompanhar.

Dominação e submissão... o ruivo tinha disso na medida certa. Camus era um escravo da obediência. Ensinado a atuar nos dois papéis durante uma permanência em quarto. Tornava submisso e dominador algo extremamente relativo, afinal, não é somente por que se é passivo que tem que ser submisso e nem todo ativo é dominador.

“Eu preciso reavê-lo!” — sentenciou a mulher pensativa, mordendo a ponta do lápis no processo. Seus pensamentos foram interrompidos por Ikki adentrando em sua sala sem pedir ou bater.

— Senhorita, você tem uma visita. — falou refreado.

— Diga que não posso atender agora. — sentenciou à grega.

— Nem mesmo a mim, minha querida nora? — o homem de longos cabelos negros e ar de superioridade falou, entrando no escritório de Saori. Surpreendendo a mesma.

— Hades! — Saori levantou estupefata, arregalando seu olhar em direção ao sogro. — O que o senhor está fazendo aqui?

Hades esboçou um mínimo sorriso, amava a sensação que causava nas pessoas. Ainda mais nas que achava que tinham controle de seu próprio destino. Esses, ele gostava de esmagar. O moreno pediu para que Ikki saísse, pois ele queria conversar a sós com sua nora.

— O ar francês somado a burocracia da empresa estava me cansando... — o sorriso ladino do homem era idêntico ao de Kardia. — Por isso resolvi vir visitar meu brinquedo.

Saori engoliu seco. E agora? O que faria? Hades era do tipo que não aceitava outra pessoa que não fosse o ruivo. A virginiana não entendia aquela pequena fissura que o homem possuía por Camus. E naquele momento não interessava saber, precisava pensar em como reaver o ruivo ou Hades a castigaria.

— Meu querido sogro, deveria ter me avisado que viria. Camus não está sob meus cuidados no momento.

— Não? — Hades franziu o cenho.

— Não. — Saori rodeou a mesa, ficando de frente pra o sogro. — Alguém pagou para ficar com ele por um mês. — mentiu.

— Entendo. — o moreno coçou o queixo pensativo, avaliando uma possível solução que Saori rezava para que ele não achasse. — ficarei em Yonkers por três semanas e na última o quero comigo, portanto, trate de reavê-lo o mais rápido possível.

— Hades, eu entendo que somente Camus sabe agradá-lo, mas preciso que me compreenda, não tenho como fazer isso, entende? Um cliente pagou por ele. Como ficará o nome da Imperius se o cliente se sentir constrangido?

— Minha querida, use a inteligência que eu sei que você tem. Devolva o dinheiro, ofereça outro stripper. — Hades falava com uma calma assustadora. — Se isso não for o bastante, diga ao comprador que devolverá o dobro do que ele pagou.

— Devolverei? — Saori perguntou em choramingo. Hades riu.

— Não se preocupe, você somente negociará. A quantia eu proverei. — a grega sorriu nervosa.

— Ok, meu sogro. Farei de todo o possível para que seu desejo seja saciado. No entanto, quero que entenda que existem pessoas que são birrentas e muito difíceis de convencer, se é que me entende.

— Não, eu não entendo. No entanto, acho que você também não me entendeu. Por isso falarei de modo que compreenda. — Hades se aproximou da nora, prendeu o rosto fino dela entre os dedos, impossibilitando-a de olhar para qualquer outro lugar que não fosse seus intimidadores olhos azuis cinzentos. — Quero que minha última semana de estadia nessa cidade, Camus esteja comigo. Fazendo o que ele sabe fazer de melhor e o que eu ensinei, no apartamento de sempre. Fui claro?

— Muito! — Saori falou com dificuldade.

— Ótimo. Aguardo ansiosamente para poder desfrutar de uma semana especialmente prazerosa. — falou soltando Saori. A virginiana fez um pouco de força para se equilibrar. — A propósito minha querida, seu avô disse que vem para a festa de Ação de Graças.

Saori olhou ferina para Hades, aquele homem ainda pagaria caro pelas afrontas que a fazia. A raiva no olhar da grega tirou um sorriso sarcástico do homem.

— Oh, minha querida, não me olhe assim. Já estou de partida, vou deixá-la trabalhar. — Saori nada disse. Sua raiva e seu orgulho estavam feridos. Detestava aquilo... aquele poder absoluto e intimidador que Hades emanava.

Hades era o único homem que não entendia que ela não precisava temê-lo. Que ela era mais forte e dona de suas ações.

— Se isso é verdade então por que está tremendo, sua idiota? — se perguntou baixo. Tentando conter seu coração que queria sair pela boca. Ikki entrou apressado a sala de Saori.

— Está tudo bem?

— Sim, está. Não precisa se preocupar Ikki, estou bem! — falou altiva. Mais calma. Precisava se conter, pensar. Hades tinha lhe dado um prazo e por ora era melhor pensar no que fazer. Ainda aquela semana falaria com Camus, claro, sem Milo saber. Sua mente trabalhava rápido e já tinha um jeito de trazer o ruivo de volta, não somente para Hades como também para ela. — Vamos Ikki, precisamos abrir a casa.

Continua...

Notas finais
Antes que queiram me matar... não. Eu não tentei matar o Camus, ele só estava precisando respirar, tirar um pouco dos pensamentos nocivos que o assolam de vez enquanto. Eu também faço isso sabe? É uma terapia ate que boa. Você entra (totalmente) dentro d’agua e só emergi quando sentir realmente necessidade de respirar. Por incrível que pareça você sente algo diferente, uma necessidade nova. Louca?! Um pouco! Haha. Bom é isso, ate o próximo! Beijos a todos e espero comentários, quem sabe assim eu não escreva mais rápido?