Fallen

15 Nem tudo sai como se planeja!


Notas iniciais
Hello people, Capitulo novo na área. êêêê Capitulo betado por Brunaryu! Minha flor obrigada pela força de sempre! Agradeço ao carinho e a atenção das minhas leitoras queridas Sheilinha, Milascorpions, Katt e Herick Uchiha que estão presentes nos meus capítulos. Um super beijo a vocês! ♥♥♥♥ Desejo boa leitura a todos e até as notas finais.

Nem tudo sai como se planeja.

Camus dormia profundamente sob o efeito dos calmantes que Milo havia lhe dado. Ao menos, foi isso que o grego pensou que ele tivesse fazendo quando se sentou na ponta da cama e passou a acariciar o rosto do francês, afastando a franja farta que cobria a tez pálida e os encaixando atrás da orelha levemente salpicada com algumas sardas. Admirando o quanto ele estava sereno. Não conseguiu conter a vontade de passar o dedo nos lábios finos e bem desenhados, nem tão pouco a vontade de selá-los.

— Pensei que estivesse dormindo. — Milo comentou, sentindo que Camus correspondia o movimento leve de seus lábios.

— Acordei agora. — Murmurou o francês, tentando sentar-se na cama.

Seu corpo reclamou por conta do esforço e ele esboçou uma expressão dolorida.

— Tudo bem? — Milo questionou preocupado. Ajudando Camus a se colocar confortável.

— Acredite, estou melhor do que eu realmente mereço. — O aquariano esboçou um sorriso fraco.

— Não se rebaixe. Você merece tudo de bom no mundo. — Os olhos do grego estavam brilhantes, Camus suspirou e balançou negativamente a cabeça.

— Não mereço não, Milo. Eu sou uma pessoa desprezível. O pior ser humano do mundo.

Milo tocou o rosto do francês, levantando-o até que conseguisse olhar dentro de suas íris avermelhadas.

— Ei, por que isso agora? Você não é o cara birrento que conheci, pode, por favor, trazê-lo de volta?

Camus engoliu seco. Olhou terno para Milo e gentilmente afastou a mão dele de seu rosto

— Você é alguém formidável, Milo. Tão puro... Tão angelical... — Deu um longo suspiro. — Hm... Definitivamente não merece uma pessoa como eu.

— Camus!

— Shh! Escute-me, por favor. — O francês pediu. — Eu, normalmente, não sou assim, sabe? Sou bem calado e inexpressivo. Sempre controlado! Muitas vezes fingido. Uma versão mentirosa. — Falou com um sorriso amargo. — Minha vida toda, bem, ao menos depois que eu perdi meus pais, foi de verdade uma grande e irônica mentira! Perdi a conta de quantas vezes eu tentei me matar, mas nunca fui corajoso, sabe. Não o suficiente para chegar até o final.

Milo engoliu seco. Seria aquele o momento que deveria interferir? Será que estava preparado para o que estava por vir?

A tensão que se formou o deixou nervoso.

— Viver sempre é mais importante. Significa que ainda não acabou. Não é?

— Será mesmo? — Camus questionou com um olhar vago. — Às vezes viver não é tudo ou simplesmente não é tão necessário como todos imaginam. Eu, por exemplo, poderia ter me libertado quando quisesse. Hoje vejo, a porta sempre esteve aberta, eu apenas estava empurrando para o lado errado.

— Eu não entendo... Onde quer chegar?

Camus baixou o olhar e remexeu nos dedos. Procurando as palavras certas para fazer o que tinha decido a pouco tempo. Depois de algum tempo pensando, Camus voltou seu olhar para o rosto interrogativo do escorpiano.

Ele disse que ama você, então não há o que temer.

— Vou lhe contar uma história, Milo. — Camus sentiu algo apertar em sua garganta. — No centro de uma cidade qualquer, havia uma família comum e feliz: Uma mãe amável, um pai carinhoso, um irmão inocente e..., uma criança mais velha! Certo dia, depois de pegar o carro na revisão, a esposa adorável, o pai carinhoso e o irmão inocente sofreram um acidente durante o percurso em que foram pegar a criança mais velha na escola. Os freios do carro que havia acabado de sair da oficina não funcionaram, e o pai, que era quem estava dirigindo, perdeu o controle da direção e bateram contra uma minivan que transportava alguns produtos químicos. O pai morreu no local do acidente, ele recebeu o maior impacto. A mãe e o irmão inocente foram levados ainda com vida ao hospital mais próximo. Ela... Teve queimaduras por quase todo o corpo, causado pelo tal produto químico.

O tom nostálgico de Camus afetou Milo. Aquela história era perturbadora, trazia dolorosas lembranças à mente do francês que já estava com os olhos rasos d’água! Apesar da aparente calmaria de Camus, o escorpiano conseguia ver por trás dos olhos lacrimosos o quanto ele estava se controlando. Como aquilo mexia negativamente com o ruivo.

— Camus, se você quiser parar... Eu sei que isso deve estar sendo doloroso.

— Não, tudo bem! Eu posso continuar. Eu só preciso respirar um pouco. — Camus falou calmo.

— Certo! Então..., que tal um pouco d’água?

Milo não esperou por resposta, levantou-se e foi buscar água para o francês. Camus bebeu tudo rápido, sem dar espaço para respirar. Milo sentou-se novamente ao lado do amante.

— Sente-se melhor?

— Um pouco!

— Que bom. Não gosto de te ver triste ou se Autodepreciando com palavras descabidas.

— Não são palavras descabidas, Milo. É um desabafo.

— Um desabafo que te faz mal!

— Você não quer me escutar?

— N-não é...

— Não quer escutar que uma semana depois desse acidente, minha mãe morreu?

Milo engoliu seco, olhando assustado para o francês.

— É Milo, ela morreu. E o mais curioso é que ela estava respondendo bem aos estímulos médicos, mas que de uma hora para a outra o ar dela faltou e ninguém soube responder por que não havia nenhum médico por perto. Que apesar de um homem ter entrado no leito dela, nenhum enfermeiro ou médico alegou ter visto.

— O que está querendo dizer?

— Que minha mãe foi assassinada, Milo. Minha família foi destruída. Meu irmão, por sinal, único sobrevivente, perdeu todo o cabelo. Passou quase dois anos para o cabelo dele voltar a crescer, e, quando o fez, ainda saiu esverdeado. Ele odeia o cabelo que tem. — Camus colocou uma mão na têmpora, apertando-a levemente. — Depois eu tive que “escondê-lo”. Mantê-lo longe da vista daquele homem era o único jeito de cumprir o último pedido da minha mãe. Foi assim que eu acabei com uma dívida com Hilda, depois com a Saori... Agora devo a você

— Eu não sabia disso, Camus. Por isso foi tão relutante comigo.

— Realmente você não sabia! Nem quer escutar. Não quer saber que eu sei quem é o cara que entrou no quarto da minha mãe e a sufocou. E eu era relutante com você porque...

— Por quê?

Camus olhou avaliativo para Milo.

— Diga-me Milo... — O francês parou um pouco, procurando as palavras certas. — Se algum dia eu te contasse que eu e seu pai temos um relacionamento. O que você faria?

— O quê? Isso é um absurdo, sabia? — disse revoltado, entretanto sabia que Camus não brincaria com uma suposição dessas.

— Se você parar pra pensar, vai ver que não é.

Milo estreitou o olhar em direção a Camus, como se pensasse no que ele estava dizendo.

— Como eu já disse, eu acabei nessa vida de stripper nas horas livres, para esconder meu irmão de uma pessoa. Impedir que ele tivesse um contato com ele, mas... eu não sei... Não sei como, entende?! Ele é influente, poderoso. Tem status e poder

— Ah, meu deus, você está falando do Kardia. Por isso usou meu pai como exemplo.

— O quê? Não é nada disso. — Camus sentia uma dor aguda no peito. Não tinha mais como voltar atrás. — Por que está falando de Kardia agora? Ele não tem nada a ver com essa história. Ou até tenha. Também não sei definir.

— Como não tem? Você não sabia? Nossos irmãos têm estado muito próximos ultimamente.

Camus suspirou profundamente agoniado. Havia feito tanto que seu irmão não entrasse em contato com aquela família. No fim o destino o havia pregado uma peça.

Um sorriso impotente formou-se em seus lábios, deixando um gosto amargo em seu âmago.

“Ao menos, Kardia é mais gentil.” Pensou enquanto pensava em tudo o que havia lhe acontecido. Como Kardia relutou em não participar do que Hades o propôs há algum tempo atrás. O escorpiano não era cem por cento um homem politicamente correto, mas tinha seus princípios.

— Bom. Eu espero que ele consiga proteger meu irmão contra Hades.

— Por que meu irmão teria que proteger Dégel do meu pai? — Milo perguntou com o cenho franzido.

Camus o olhou de solaio, se perguntando se continuaria com aquilo ou simplesmente pararia por ali. Entretanto, Camus não era homem de deixar as coisas pela metade... — Eu realmente tenho um caso com seu pai.

— O quê? — Milo perguntou sorrindo descrente. — Isso não tem graça, Camus.

— Tem razão, não tem! E acho que o correto a se dizer é que eu jogo com seu pai.

Milo fechou o semblante.

— Camus...

— Olhe pra mim. Olhe o meu estado. Você conhece as regras do BDSM. Você sabe! Eu sei que sabe.

— Pára!

— Seu pai! Meu amo!

Milo prendeu o rosto de Camus entre suas mãos de forma impetuosa. — Chega. Eu não quero mais ouvir! — Falou impassível, retirando as mãos do rosto de Camus e as deixando cair sobre o colchão.

O tom frio e repreensível do escorpiano fez o coração de Camus bater acelerado. Um extenso silêncio instalou-se entre ele. O rosto de Milo estava ilegível, seus olhos ofuscavam uma emoção contida.

— O que vai fazer? — Camus perguntou ameno, quebrando o incomodo silencio.

— Agora, eu não sei. — Milo respondeu sem levantar o olhar.

— Eu sei... — Milo o olhou de canto. — Você vai sair por aquela porta e me deixará aqui. Por quanto tempo eu não sei. Talvez volte logo ou talvez nunca mais volte. E sabe por quê? — Milo meneou com a cabeça. — Por que nem sempre há perdão no amor.

Milo sorriu desolado.

— Não é bem assim... — Pensou em contornar. — Eu preciso respirar. Assimilar algumas coisas. Você sabe, não é fácil.

O loiro virou a cabeça para o outro lado, não queria encarar o ruivo.

— É, eu sei. — O escorpiano levantou-se depressa. — Aonde vai?

— Dar uma volta. Mas não se preocupe será somente uns dois quarteirões... Talvez um pouco mais.

— Certo. Então...

Milo não esperou Camus terminar, apenas saiu do quarto sem rumo certo.

...Fallen...

Já era noite quando Dégel saiu de casa, vestindo uma calça jeans preta e uma blusa azul claro de mangas curtas e tênis. Carregava uma bolsa a tiracolo azul marinho. Os cabelos estavam soltos e úmidos.

Dégel não falou com Regulus antes de sair. Não julgou necessário uma vez que sua decisão já estava tomada. Assim que chegou à portaria do prédio em que morava avistou a Mercedes prateada que Kardia havia mandado para buscá-lo, não foi difícil identificar o carro quando tinha um homem loiro encostado a ele.

— Boa noite, Kanon! — O aquariano desejou polido.

— Boa noite. — O grego retribuiu. — Já está pronto?

— Desde cedo! — Afirmou. No entanto, apesar da aparente firmeza, o coração do aquariano estava aos pulos. Insistindo em sair por sua garganta.

Dégel havia pensado e repensado varias vezes antes de tomar aquela decisão.

Não era criança, estava ciente do problema que estava se metendo. Mas era preciso! Seu irmão não mediria esforços para ajudá-lo, então ele, com certeza, não poderia ter receios.

Não demorou muito para que chegasse ao apartamento de Kardia.

Kanon o acompanhou até o elevador, depois Dégel seguiu sozinho para a cobertura. À medida que o aquariano se aproximava da suíte de Kardia, seu coração apertava em um misto de ansiedade e nervosismo. Foi impossível conter o longo suspiro assim que se pôs em frente à suíte. Apertou a campainha e esperou. Não demorou para que a figura de Kardia se fizesse presente.

O grego tinha uma toalha em volta do pescoço, impedindo que a água dos cabelos ondulados molhassem suas costas. A blusa de mangas longas era fina e a calça jeans apertava as pernas musculosas.

— Você demorou, achei que tivesse desistido. — Kardia alfinetou.

— Se eu tivesse desistido teria ligado. — Dégel devolveu serio.

Kardia franziu o cenho, avaliando a postura rígida do aquariano. Dégel não se deixou intimidar, manteve o contato visual até que o próprio Kardia o quebrasse.

— Entra!

Dégel adentrou a suíte. Tudo permanecia igual como da última vez em que esteve ali: a cor acinzentada das paredes, os sofás de cor marrom... As decorações abstratas ainda davam um tom frio e distante ao ambiente. Até os cinzeiros estavam presente.

Kardia sentou-se de forma despojada no sofá maior e indicou o outro a Dégel.

— Quer beber alguma coisa?

— Por enquanto... Não!

O aquariano sentou-se e colocou a bolsa sobre as pernas. Podia ouvir seu coração batendo disparado.

— E então? O que queria conversar?

— Podemos ir para o seu quarto de jogos?

— O quê? Por quê?

— Digamos que tudo o que quero falar com você se resumirá a ele

— Não entendi — proferiu cruzando os braços em reflexo.

— Vamos até lá e eu o explicarei.

Kardia olhou de solaio para o menor, estranhando a atitude de Dégel, ainda assim o guiou pelos corredores de sua suíte até o local que ele queria ir.

Assim que chegou ao quarto, o aquariano sentiu o cheiro doce misturado ao de couro entrar por suas narinas, mas não se importou. Não se acanhou como da primeira vez, entrou antes mesmo que seus olhos pudessem se acostumar com a pouca claridade que provinha do local.

O escorpiano se recostou ao umbral.

— Agora eu aceito uma bebida. — Dégel virou-se de lado, somente para confirmar que Kardia ainda estava ali.

O escorpiano lançou um sorriso de meia boca.

— E o que quer beber? Vinho, algum drink doce? — indagou sorrindo de canto.

— Uísque!

— O quê? — Kardia arregalou levemente os olhos, surpreso pelo pedido.

— Um uísque duplo e sem gelo. — O aquariano repetiu. — Se possível, traga a garrafa toda!

Kardia estava achando aquilo tudo muito estranho. Dégel parecia muito sério e a forma altiva dele o incomodava. Ainda assim o escorpiano o serviu exatamente do que ele pediu e o acompanhou.

O francês se sentou no divã e pediu para que Kardia se sentasse próximo a ele. O grego obedeceu, ainda desconfiado. Dégel retirou um amontoado de papeis de dentro da bolsa tiracolo e entregou a Kardia.

— O que é isso? — perguntou confuso.

— Um contrato. — O escorpiano soltou um sorriso tanto quanto ansioso. O que Dégel pretendia?

— E o que diz nesse contrato? — Kardia questionou jocoso.

— Por que você não descobre? — Dégel devolveu no mesmo tom.

— Certo...

Kardia leu tudo com calma. Um contrato daquele tamanho não era muito para ele que já estava acostumado. Entretanto, quanto mais lia, mais seu semblante ficava carregado. Estava em um misto de excitação e irritação.

— Isso, por acaso, é algum tipo de brincadeira, Dégel?

— Não. É exatamente o que você leu. Estou disposto a aceitar sua proposta, no entanto, quero assegurar que meu corpo têm limites.

Kardia engoliu seco e pousou dois dedos sobre a boca. Olhando fixo para Dégel que sustentava o olhar, porém seu corpo dava leves espasmos, em resposta ao ritmo de seu coração.

Kardia prendeu um pouco a respiração, soltando-a gradativamente.

— Deixe-me ver se entendi... — Usou o mesmo tom que o aquariano quando ele havia lhe proposto algo igual. — Você será meu amante, meu brinquedo! No entanto, terá livre arbítrio para fazer o que quiser?

— Correto!

— Especifique “o que quiser”.

— Quer dizer que terei liberdade de dizer não para os caprichos que eu julgar desnecessários. Que quando eu não quiser mais fazer parte da sua coleção, poderei sair.

— E você acha que tudo é assim..., muito simples?

— Hum... Sim. É tudo muito simples! É pegar ou largar. Você não é o único que sabe sobre o passado do meu irmão, entretanto é o único que tenho conhecimento no momento. Será que seria difícil achar outra pessoa?

Kardia sorriu mordendo o lábio inferior com força, olhando ferino para o mais novo. Aquele jeito autoconfiante dele era instigante.

— Tsc, tsc. Você não deveria brincar assim, Dégel. — O escorpiano colocou seu copo no chão, ao lado do divã. — Pode acabar se machucando.

— Sei das consequências dos meus atos.

— Eu espero realmente que saiba.

Kardia pegou a caneta e assinou as vias do contrato que Dégel havia trazido. Entregou uma ao aquariano e deixou a outra sobre o divã.

Dégel engoliu seco, seu estômago ficou gelado.

— Não quer acrescentar nada? — Perguntou nervoso.

— Não! Seu contrato me dá total liberdade de usufruir do seu corpo e não preciso fazer esforço algum, nem ter preocupações futuras. Estou de pleno acordo com sua proposta. Só achei estranho o fato de que toda a vez que nos encontrarmos terá que ser nesse quarto. Mas isso é algo que pode ser maleável dependendo da situação. — Dégel manteve-se calado. — Então, tudo o que preciso fazer agora é ensiná-lo a ser um bom submisso.

Dégel engoliu seco. Estava feito! Não tinha mais como voltar atrás.

Kardia se levantou, acendeu a luz do abajur e fechou a porta do quarto. Logo em seguida sentou na cama de dossel com um sorriso diabólico no rosto.

— Eu espero que não tenha esquecido... Dégel, os primeiros atos serão seus.

O francês ficou rubro e engoliu nervosamente em seco, não tinha a menor de ideia de como começar aquele tipo de coisa. Nunca havia ficado com alguém até aquele ponto. E da única vez em que se viu em uma situação constrangedora, havia sido com o próprio Kardia e depois de tomar algumas boas doses de álcool.

Nem tinha certeza se algo tinha acontecido entre eles. Tão pouco teve coragem de perguntar, nem no dia, nem agora com Kardia exibindo aquele sorriso.

Levantou-se um pouco vacilante. Incerto. Sabia que tudo começava com um beijo e o resto acontecia naturalmente. Aproximou-se vagarosamente do escorpiano até ficar rente a ele. Retirou os sapatos e sentou-se no colo de Kardia, com uma perna de cada lado do quadril do grego. Kardia o ajudou a se equilibrar, segurando-o pela cintura.

O corpo esguio de Dégel tremulou e ele mordeu o lábio com força para não deixar um gemido surpreso sair. Conseguia sentir o calor do outro.

Apesar de não conseguir distinguir o tom rosado da face do aquariano, por causa da tonalidade que envolveu o quarto com mais intensidade, Kardia sabia que Dégel se encontrava terrivelmente corado.

Era da natureza dele ser assim. Foi isso que o atraiu nele...

O jeito recatado e sincero. A forma graciosa e desajeitada. Tudo em Dégel o deixava louco. E isso estava se tornando uma deliciosa novidade para Kardia.

O primeiro contato por parte do aquariano saiu um pouco desastrado. Era pra ser algo leve, começando com um encostar de lábios, seguido de uma abertura de boca, para que assim pudesse se iniciar um beijo. Porém, de alguma forma que ele não soube explicar, os dentes foram na frente. Arranhando levemente os lábios de Kardia.

— Desculpe! — Pediu nervoso. Seu rosto inteiro, junto com suas orelhas, estava quente.

Kardia sorriu divertido, tinha percebido a inexperiência do aquariano quando se beijaram a primeira vez.

— Diga-me Dégel, há algo que não gosta de fazer no sexo? — Tentou acalmá-lo. Mas o aquariano ficou mais nervoso.

— N-não... Sei. Nunca fiz uma coisa assim. Ao menos, acho que não. — O menor mordeu o lábio com força terrivelmente ruborizado. Kardia franziu a testa, olhando curioso para o aquariano. — Bom, a única vez em que eu acordei na cama de alguém desconhecido, esse alguém foi você. — Foi sincero.

Kardia ficou pensativo durante alguns instantes, apenas olhando para o aquariano que remexeu-se desconfortável.

— Espera... Você é virgem? — O escorpiano perguntou em um misto de incredulidade e indignação. Dégel assentiu com a cabeça, agora queria um buraco no qual pudesse se enfiar e nunca mais sair.

Kardia o jogou em cima da cama de forma nada gentil.

— Como assim? Que dizer, eu sabia que não tinha muita experiência, ou nenhuma, mas... virgem? — O francês fechou o semblante. Aquilo soava como um insulto, e ele não via o porquê de tanta incredulidade por causa da sua virgindade. E isso não era somente com Kardia — tinha acontecido a mesma coisa na festa de formatura, quando seus colegas usaram tons pejorativos quando descobriram sobre sua condição.

Kardia suspirou ao ver o semblante carregado do mais novo.

— Ok, já beijaram você alguma vez, sem que tenha sido eu? — O grego perguntou tentando conter sua recente surpresa.

— C-claro que sim! — O aquariano novamente corou até as orelhas.

— Os beijos roubados não contam.

Dégel ficou pensativo. Se fosse considerar dessa forma, ficava somente Albafica que foi o único a quem ele havia realmente beijado.

— Talvez uma ou duas pessoas. — Mentiu, desviando do olhar intenso do escorpiano.

— E ninguém conseguiu te levar pra cama?

Dégel tentou se acalmar. Somente corar não ia ajudar em nada. No entanto, foi impossível não ficar ainda mais vermelho.

— É... Que... Bom, ninguém nunca me fez sentir assim antes. Tão quente! Tão necessitado de... hum...

Kardia balançou a cabeça negativamente.

— E quanto à masturbação? — Dégel mordeu o lábio inferior e olhou para o lado. — E você está realmente falando sobre contratos sexuais, dentro de um quarto de BDSM, quando não tem experiência nenhuma com sexo?

— Bom, eu posso aprender. Não acho que tenha realmente um grande segredo nessas coisas. — Rebateu. — Além do mais, fui eu que pedi.

“Que espécie de monstro eu sou?” Kardia se viu perguntando enquanto os olhos de Dégel lhe encaravam fixos. Tão firmes e decididos que Kardia se sentiu um pouco intimidado.

Não era a primeira vez que se sentia acuado daquela forma, mas era a primeira sob um olhar tão quente.

— Eu nem sei o que dizer.

Dégel se levantou da cama e foi até Kardia. O pegou pela mão e o guiou até a cama.

— Você não precisa dizer nada por enquanto. — O aquariano sentou-se novamente em seu colo e prendeu o rosto bronzeado entre suas mãos. Forçando-o a olhá-lo. Os lábios estavam rentes e as respirações se misturavam. — Temos um contrato agora, então... tudo o que você precisa fazer é aproveitar. Não é?

O escorpiano umidificou os lábios, completamente hipnotizado com o olhar violáceo que lhe era lançado.

O aquariano sentiu a rigidez e a ansiedade tomando conta de seu corpo. Sabia como fazer, Kardia já tinha o beijado uma vez, não havia por que temer. Calmamente ele encostou seus lábios nos do grego, dessa vez faria certo. O escorpiano novamente o segurou pela cintura, o assustando.

— Não tema... — Kardia sussurrou, os lábios rentes aos do aquariano que novamente voltou a unir os lábios dos dois.

Dessa vez os dentes não interferiram e as bocas puderam se encaixar com perfeição; se reconhecerem, transmitir, uma para a outra, o gosto e a textura. Iniciando um beijo leve e gostoso.

Kardia não conteve um gemido abafado ao sentir a língua quente de Dégel mover-se contra a sua, instigando a acompanhá-lo naquela tortuosa e deliciosa brincadeira de se enroscarem. Vez por outra, resvalando em seus dentes ao explorar cada canto de sua boca. O escorpiano enfiou as mãos por baixo da blusa de Dégel, encontrando a carne macia dos quadris. Apertando tão firme que recebeu um gemido como resposta.

Sem interromper o beijo, Kardia deitou Dégel no colchão e cobriu o corpo dele com o seu. Encaixando uma das pernas entre as de Dégel.

— Nesse meio tempo, eu estive pensando em algo. — Afirmou, apartando levemente o beijo e roçando seu nariz na face do aquariano.

Dégel o obrigou a parar, novamente prendeu o rosto do escorpiano com as mãos e o forçou a olhá-lo. Não deixaria aqueles toques afetuosos enganá-lo. Kardia queria apenas seu corpo e, de brinde levaria seus sentimentos, ele, no entanto, queria informações sobre seu irmão, mesmo não conseguindo separar seus objetivos de seus sentimentos. Não era uma troca justa, mas ele já havia a aceitado.

— Em quê? — Perguntou sedutor. Seus olhos conectados aos de Kardia.

O escorpiano tocou a face rubra do aquariano com ternura, desenhando os traços do rosto com o dedo.

— Que antes de começarmos a brincar dessa maneira, eu farei amor com você. —Dégel riu.

— Ora, eu pensei que você não fizesse amor com ninguém. Que só fodesse duro com seus amantes.

Kardia gargalhou.

— Esqueça isso, ok? Esqueça tudo o que eu disse até agora. E se foque apenas em me sentir. Essa noite seremos somente nós.

O francês engoliu seco, os olhos de Kardia estavam tão intensos. Tão firmes e decididos. Fazia cada fibra do seu ser tremer. Lhe prometiam tantas coisas...

— Kardia, eu...

— Shh... Apenas sinta.

Um novo beijo foi iniciado, dessa vez por Kardia que, diferente da calmaria prazerosa que Dégel havia feito, tomou a boca do aquariano em um beijo ávido e cheio de paixão. Dégel gemeu com o ato e enfiou seus dedos nos cabelos enrolados de Kardia, enquanto ele apertava-lhe a cintura e se pressionava contra o seu quadril. O grego sentia o corpo abaixo do seu contorce-se e impor um ritmo leve de vai e vem, insinuando-se em sua perna. Acompanhando seu ritmo de pressão.

Dégel soltou o ar dos pulmões dificultosamente quando Kardia desceu em direção ao seu pescoço. Nem sabia o momento exato em que havia prendido a respiração. Talvez, tenha sido quando Kardia havia começado a lhe beijar, ou poderia ter sido quando ele habilmente enfiou a mão por baixo de sua blusa e passou a estimular seus mamilos. Não sabia dizer ao certo, mas pedia internamente para que ele não parasse com aquela tortuosa atenção para com seu corpo. Que apesar dele não expor em voz alta, ele queria desesperadamente aquilo.

Entretanto, totalmente alheio ao que o francês queria, o escorpiano ficou de joelhos na cama, entre as pernas de Dégel, apenas observando o quanto ele era lindo e incrivelmente receptivo a suas caricias.

— Isso... Você... tem um gosto muito bom! — Kardia murmurou. — Vamos tirar isso aqui. — Falou desabotoando os botões e descendo o zíper do jeans, retirando-o logo em seguida, junto com a cueca e as meias.

Kardia pegou um dos pés do aquariano e o beijou, deslizando a língua pelo tornozelo e panturrilha, inclinando-se vagarosamente sobre o menor. Beijando a parte interior de uma coxa, continuando a subir, sem deixar de beijar, até o encaixe entre as pernas de Dégel que ficou imóvel, incapaz de se mover ou de expressar qualquer coisa que não fossem gemidos condoídos e suspiros calados.

— Hum... Kardia! — O aquariano suspirou forte e surpreso quando Kardia beijou bem entre suas pernas.

O escorpiano sorriu divertido. continuou a subir com seus beijos pelo corpo menor, abrindo a blusa que ainda cobria o corpo alvo, retirando-a. Novamente afastando-se somente para constatar o quanto ele era bonito, o quanto ele ficava irresistível tão entregue daquela forma como estava.

Dégel era lindo!

— Você é lindo, sabia? — Kardia voltou para cima de Dégel, sem, contudo, encostar diretamente no corpo dele.

Dégel engoliu seco e o puxou pelos ombros, enfiando a língua dentro da boca de Kardia que se assustou com o ato urgente do mais novo, mas não se negou a aceitar, ainda mais depois que Dégel o abraçou com as pernas.

Kardia desceu a mão pela barriga do francês, até que seus dedos tocassem a carne sensível e delicada entre as pernas dele. Acariciando levemente a rigidez da ponta e descendo pela pele maleável até fechar a mão totalmente por toda a extensão, iniciando um vai e vem delicado. Dégel não conseguiu segurar o beijo, e Kardia aproveitou para marcar-lhe o pescoço e tudo o que sua boca conseguisse alcançar. O aquariano se retorceu entre gemidos enquanto Kardia os unia em um abraço apertado e o masturbava.

Aquelas novas sensações o deixaram agoniado e ele não conseguia definir se queria um pouco de distância ou uma maior aproximação. Era complicado. Seu corpo estava em chamas e sua respiração irregular. E Kardia o tocando daquele jeito não ajudava muito, ao contrário, fazia seu corpo inteiro tremer, convulsionar... Sua visão tornar-se nublada de prazer.

Kardia afastou-se um pouco para dar velocidade ao ato. Dégel respondia com gemidos descompassados.

— Mais rápido! — Dégel se viu pedindo.

— Vou fazer melhor! — Kardia murmurou no ouvido aquariano, provocando-o. Mordiscando sensualmente a cartilagem fina da orelha, descendo com beijos molhados pelo pescoço e peito desnudo. Chegando a cintura e brincando com o umbigo. Dégel murmurou algo e agarrou os cabelos de Kardia. O escorpiano, no entanto, prendeu as mãos de Dégel no alto da cabeça dele.

— Fique quieto! — Ordenou. Descendo unicamente em direção as coxas de Dégel, alternando beijos e pequenas mordidas.

— Kardia... — Dégel tentou se soltar. Kardia retirou a própria blusa e amarrou as mãos do aquariano na cabeceira da cama. — O que está fazendo?

— Imobilizando você!

— Isso não tem graça!

— Realmente, fazer você rir não é minha intenção — ironizou o mais velho.

Kardia retomou ao que fazia, pegando o menor novamente pelo pé, fazendo-o abrir as pernas.

— Tem ideia do quanto te desejo? — Sussurrou. Dégel puxou os braços com força, sem sucesso de se soltar. — Não! Você não faz a menor ideia.

O escorpiano novamente iniciou seus beijos pela panturrilha, subindo pelo interior das coxas magras. Aspirando o cheiro que se desprendia dali. Subindo até tocar levemente a carne rija com a língua. Provocando-o com uma lambida.

Dégel soltou uma grande quantidade de ar. Kardia sorriu matreiro e abocanhou completamente a carne pulsante entre as pernas de Dégel.

— Ah... Kardia! — O menor murmurou, jogando a cabeça para trás, o escorpiano subia e descia com a língua por seu membro, vez por outra deixando que os dentes tocassem a glande, fazendo-o estremecer.

Os toques de Kardia eram quentes. Faziam sua pele pegar fogo. Tudo ardia, seu corpo inteiro se contraia. Aquilo era bom... Kardia era bom! As sensações, o gosto, tudo se misturando em sua mente. Tudo culminava de maneira tão única que o incomodo causado pela invasão dos dedos de Kardia quase passou despercebido, se não fosse pela pequena dor ínfima que Dégel não soube identificar bem onde era, mas que não perdurou. O prazer era tão grande que tudo o que interessava eram aquelas estonteantes e sublimes sensações causadas pela boca de Kardia. Podia sentir o suor molhando seu corpo. Kardia voltou a beijá-lo com paixão, encaixando-se entre suas pernas. Forçando-se contra seu corpo.

— Anh...

A dificuldade inicial da penetração e a contração involuntária do corpo menor impôs uma dificultosa barreira para Kardia. Era impossível para Dégel não contrair o corpo, algo entre a dor e o prazer se misturavam em sua cabeça, mais dor do que prazer. E aquela sensação? Era quase como se fosse ser partido ao meio. Sabia que seria difícil, só não imaginava que fosse tanto. Tentou facilitar enlaçando Kardia com as pernas, ajudando-o a se enterrar com mais facilidade, sem sucesso. O aquariano sentia o membro rijo afundar-se dolorosamente dentro de seu corpo e cogitou seriamente a possibilidade de desistir daquela loucura.

Aquilo não era pra ele!

Entretanto, antes que conseguisse pensar em qualquer coisa, Kardia libertou seus braços e o virou de bruços no colchão, penetrando-o de uma única vez.

Dégel soltou um grito! Não esperava por aquilo.

— Desculpe-me por isso. — Kardia pediu abafado. Completamente imobilizado, esperando Dégel se acostumar com a dolorosa invasão.

Ele queria não precisar ter feito daquela forma, mas foi impossível se conter.

Dégel tentou controlar a própria respiração e a vontade chorar, sem sucesso, já que algumas gotículas se formaram nos cantos de seus olhos. O membro de Kardia inchava entre suas pernas e fazia aquela sensação de ardência se prolongar e se estender por todo o seu corpo, então Dégel resolveu rebolar os quadris, procurando uma posição mais confortável. Kardia interpretou aquilo como um sinal de que deveria começar a estocar, e o fez devagar e sensualmente.

— Ahhh... Kardia! — Um gemido, causado mais pela dor do que pelo prazer, saiu pesado. Quase forçado.

Condoído, o grego passou a beijá-lo no rosto e na jugular pálida. Acariciando seus cabelos esverdeados. — Vai melhorar! — Falou sentindo-se culpado.

Queria dar prazer e não aquela sensação de algo horrível que sabia estar passando.

Kardia acelerou um pouco o ritmo das estocadas, tentando passar a Dégel o exato prazer que ele queria lhe dar. O aquariano empinou, ainda procurando uma posição confortável. Kardia aproveitou para masturbá-lo e dar leves mordidas em suas costas, deixando-a marcada.

Dégel sentia que a dor excruciante era levemente substituída por algo agradável... Gostoso! Algo que valia apena acompanhar o ritmo.

— Anh... — Gemeu vacilante.

Kardia sorriu de canto, satisfeito com as reações do menor. Dégel passou a rebolar no mesmo ritmo de Kardia que parou com as investidas somente para virá-lo de frente para si. Queria poder ver o brilho nos olhos exóticos.

— Kardia... — Um gemido de deleite escapou dos lábios de Dégel quando Kardia voltou a penetrá-lo.

O colchão afundava e emergia com o peso dos dois e Dégel, dessa vez, podia jurar que conseguiria subir ao céu. Kardia conseguia tocar tão fundo em si que era difícil manter a sanidade diante daquele toque estonteante que sacolejava seu corpo por causa da força impregnada.

A sensação de deleite e jubilo não o deixava respirar.

As estocadas se tornaram arrebatadoras... Dégel sentia algo acumular-se entre suas pernas, bem abaixo de seu ventre, e o membro de Kardia tornar-se incrivelmente maior dentro de seu corpo: parecia que algo explodiria a qualquer momento. O local havia se tornado imensamente quente... O suor em seus corpos, o cheiro de sexo inundando o quarto, as cores dançando formando o mundo... o universo. E então, não demorou a acontecer, logo seu corpo convulsionou e amoleceu. Retesou, comprimindo o pedaço de carne que ainda se encontrava ereto dentro de si. Algo que também não demorou muito e logo uma grande quantidade de um líquido viscoso junto com um filete de sangue escorria de forma sinuosa entre suas pernas. A sensação de sacieis chegava de forma sorrateira aos amantes.

O mesmo acontecia com Kardia que não se moveu durante alguns segundos. A languidez, junto com a respiração pesada que tomou conta dos corpos, causando torpor, não deixou. Kardia depositou um beijo nos lábios de Dégel e apoiou a cabeça no peito pálido do aquariano. Fazendo um carinho leve com a unha no curto esquadrinhar de músculos não muitos definidos.

E por mais estranho que aquilo pudesse parecer, Kardia adormeceu ali...

Continua...

Notas finais
Olá novamente, Escondendo-me por que sei que tem gente querendo me matar por um final tão estranho entre Milo e Camus. Mas, enfim, conseguir entrar em um acordo com a minha mente que estava chocada com as minhas notas na semana passada. Serio... Nunca na minha vida eu tinha tirado menos que cinco e dessa vez eu conseguir mesmo depois de passar dias estudando. Quase chorei! Resisti bastante. Bem, vamos ao que interessa. Acho que esse foi o Lemon mais difícil que eu já fiz. Quase que não termino. Mas fiquei satisfeita com o resultado. Embora eu ache que o Dedé esteja se metendo em uma fria. Em contra partida, posso parabenizar o Camus. Ele finalmente teve coragem de contar e se expor uma pouco. O problema será somente como Milo reagira. Como será que está a cabeça escorpiana? Isso por hora é complicado. E como mais uma vez me foquei somente nos dois casais, me despeço por aqui. Até o próximo capitulo! Beijokas a todos e até...