Fallen
12 Meu lado podre. Parte um!
Notas iniciais

Capitulo XII Meu lado podre. Parte um!
Camus tentou passar todo o autocontrole que não tinha quando Milo voltou para casa com uma garrafa de uísque. O grego sorriu nervoso ao avistar a forma como o ruivo estava vestido; muito idêntico ao dia com que tinham feito amor (ao menos pela parte dele) pela primeira vez... A mesma expressão seria e obstinada. O mesmo jeito admoesto. O mesmo short, justo e cavado, que colava ao corpo delgado só que em tom preto. A mesma gargantilha preta com uma corrente em aço encoleirava o pescoço branco, assim como da vez anterior, a corrente descansava nas mãos finas do ruivo.
Milo não perguntaria que roupa era aquela, uma vez que aquilo não passava de um ritual para sua aceitação ou uma forma de facilitar para que tudo fluísse melhor entre eles.
— Acho que não consigo... — Milo falou, aproximando-se devagar da cama, notando que existiam ao lado do francês, dois objetos peculiares; um par de algemas e um chicote curto com várias tiras na ponta. O loiro engoliu seco e parou no meio do quarto. — Me parece ridículo achar que sou seu mestre e você meu escravo quando existe forma tão mais intensa e prazerosa de sentir e de dar prazer.
O francês deixou escapar um sorriso difuso, contrariado. Levantou-se da cama e foi ate onde Milo estava, tomou a bebida das mãos tremulas do grego, e o puxou pela nunca ate que seus rostos ficassem bem próximos.
— Ah, Milo. Nós não devíamos encenar para nos encontrarmos com o sofrimento, uma vez que a vida já nos oferece tanto dele, não é? — o loiro balançou a cabeça em concordância. Camus acariciou o rosto bronzeado do loiro. — entretanto, sexo faz parte da natureza. E nós dois só estaremos seguindo a natureza. — o ruivo falou baixo. A voz quase arrastada.
— Você sabe que a situação não é bem essa. — rebateu o grego sentindo as mãos de Camus acariciar as penugens loiras de sua nuca, fazendo todos os pelos de seu corpo eriçaram com o toque.
O ruivo selou os lábios do amante antes de se dirigir ate a mesinha de centro onde tinha dois copos rasos e quadrados. O escorpiano o seguiu parando próximo a cama, sentando-se nela com vontade. Camus serviu uísque puro nos dois copos, deu um a Milo e tomou o outro em um único gole decorrido, sem dar espaço para respirar. Sentindo a garganta rasgar e seu interior queimar.
Milo olhou assustado, Camus não gostava de destilado e ficava bêbado com vinho.
Precisava controlar aquela situação o mais rápido possível.
— Não vai beber? — o ruivo inquiriu ao ver que Milo matinha o copo preso entre as mãos. O grego mordeu o lábio com força. Estava indeciso, não sabia o que fazer exatamente. Já tinha presenciado muitas cenas decorrentes daquele tipo de sexo que ele julgava como sujo, e que em nenhum momento se achou apto a fazê-lo. Ainda mais com Camus.
O loiro abriu os lábios para expressar algo, mais nada de coerente saiu e com medo de decepcionar o francês baixou o olhar.
Camus suspirou profundamente; Milo parecia uma criança assustada e se continuasse daquele jeito... Nada aconteceria. E por mais louco que fosse, precisava daquilo... Desejava intensamente sentir a pele queimar. Almejava sentir o gosto agridoce que o sadomasoquismo deixava em sua alma. Talvez estivesse apenas ansioso, nervoso, por ter que estar frente a frente com Hades novamente. Mais seu corpo já queimava de antecipação. Sabia que não seria algo fácil, ou mesmo prazeroso, por isso queria gravar os momentos com Milo para reproduzi-los com o seu eterno amo e senhor de seus atos podres.
Era doentio como Milo dizia? Sim! Era! Talvez fosse um doente incurável. Se gostava daquele jeito? Antes pensou que fosse apenas costume. Por ser iniciado daquela forma e precisava ser daquela maneira para agradar seu amo, mas, no decorrer daqueles dois meses, seu corpo sentiu falta da dor. Do prazer. Da submissão. De ser marcado. Não gostava, mais precisava. Não queria, e queria.
Era contraditório...
Era louco...
Era ele!
Encheu novamente o copo que segurava e mais uma vez entornou sem piedade, soltando-o logo em seguida em cima da mesinha. Aproximou-se da cama, pegou o chicote e estalou-o no ar. Milo levantou quase que imediatamente e Camus conteve-se para não rir. A reação do filho foi bem diferente da do pai; enquanto Milo pulava que nem um gato assustado, Hades o parabenizou quando fez aquilo pela primeira vez e com um chicote bem maior.
— Hei, ficou louco? Se isso pega, machuca.
— A ideia é essa. Entretanto se dependermos de você essa noite não vai fluir. — Milo engoliu seco. Camus aproximou-se de forma felina, quase predatória, ate que o loiro encontrasse a cama macia novamente. Tomou o copo de uísque das mãos do grego, colocando-o em cima da mesinha. Passou a parte grossa do chicote pelo rosto e pescoço de Milo que se arrepiou sentindo o couro correr por sua pele. Camus dobrou um dos joelhos entre as pernas do loiro, bem próximo ao membro protegido pela calça jeans. — Milo, quando fazemos uma pessoa descobrir qualquer coisa, o professor também acaba descobrindo algo novo... — o loiro respirou pesado, Camus fazia uma pressão gostosa com o joelho em seu sexo. — Primeiro; você só me machucará se eu não conseguir executar o que irá me ordenar... — Milo abriu a boca depressa, mas Camus o impediu de dizer o que quer que fosse. Novamente o ruivo sentou-se no colo de Milo, uma perna de cada lado do corpo musculoso. Novamente as mãos foram parar na nuca aloirada. Os rostos ficaram próximos, os olhos se fixaram uns nos outros e os lábios ficaram a milímetros. — Segundo, vamos estabelecer regras.
— Que tipo de regras? — a indagação saiu como uma suplica por tudo aquilo que Camus deixou a desejar.
— Nos comunicaremos por cores. Vermelho... Significa pare. Amarelo deverá diminuir a dor infligida e acho que sabe o que significa verde...
— Camus... — o escorpiano tentou interpelar, mais Camus o conteve colocando um dedo em seus lábios.
— Shii. Não pense. Apenas decore as cores, beba seu uísque e comesse. Por que se você não fizer outro fará.
Outro fará independentemente. — o cérebro de Camus reverberou. E como que para terminar aquele impasse entre eles, o aquariano colou os lábios dos dois de forma sôfrega. Camus prendia a cabeça de Milo entre as mãos, a fim de mantê-la favorável ao ósculo. O gemido deleitoso solto quando a língua ávida e experiente do ruivo adentrou a boca do loiro de forma faminta e nada gentil, junto das mãos do grego pressionando em sua cintura (em uma forma desesperada de unir mais seus corpos) deu a Camus um interno sorriso vitorioso.
Ambos estavam sem folego quando as bocas se separaram. Milo engoliu seco ao olhar novamente dentro dos intimidantes olhos do francês. Aqueles dois rubis o instigavam a obedecer. O loiro sentiu um tremor gostoso correr por seu corpo, excitando-o. Não queria fazer aquilo, mas não era ele quem estava mandando. Logo percebeu que mestre estava longe de ser dominador e o escravo não precisava ser submisso...
— Quer ir adiante? — perguntou pela ultima vez, e mais uma vez teve um maneio positivo de cabeça por resposta. Tão logo Milo jogou Camus de forma violenta em cima da cama, pegou o copo de uísque e o tomou da mesma forma que o ruivo tinha feito minutos antes. Repetiu o gesto por mais duas vezes... Pegou a algema que havia ficado solitária em cima da cama. Olhou para Camus e o ordenou; — Vire-se!
O francês lançou um sorrido sedutor em direção a Milo, mostrando seu contentamento com a decisão do grego. Milo havia se tornado mais uma vez um cliente... Entretanto, não como tantos outros. O loiro era um cliente especial e precisava respeitá-lo, fazendo o possível para deixá-lo contente e... Satisfeito!
Milo prendeu com a algema os pulsos brancos as costas nuas do francês. Tomando cuidado para não apertar muito, não era seu intento machucar seu amante. Depois pegou o chicote e o estalou no ar, Camus tremulou. Queria sentir aquele pedaço de couro acertar sua pele.
— Fique quietinho ai que eu volto já. — o escorpiano ditou. Foi ate a sala e pegou uma das cadeiras de visita. Colocou-a no meio do quarto. Acarinhou o rosto do ruivo e o puxou de cima da cama. Guiou-o ate que ficasse aponto de sentar na cadeira. — essa noite serei seu mestre e senhor. E você meu escravo. Me obedecerá. Fará tudo o que eu quiser e mandar, entendeu?
Camus mordeu o lábio inferior com força.
— Sim. — respondeu já esperando o castigo que não demorou a chegar, sentiu quando o chicote acertou suas nádegas com um som estalado, arrancando um gemido como resposta pela ardência causada. Entretanto, ainda não estava satisfeito... Aquela era uma peça de teatro no qual era um ator bastante cobiçado. Cada fala e ação eram essenciais para que o público aplaudisse em pé, e, retornasse novamente.
— Diga: Não, meu senhor. — ordenou Milo. — neste momento toda resposta deve vim acompanhada de meu senhor. Entendeu?
— Sim, meu senhor. — respondeu prontamente.
— Bom menino. — o loiro falou. Camus estava exultante, estava novamente vivenciando o desconhecido que o fascinava e amedrontava. — agora sente-se. — a ordem do grego veio em uma mistura de doce e autoritário. O aquariano obedeceu, e uma onda de calor percorreu seu corpo; aquela ordem, por mais simples e familiar que fosse, fazia com que se sentisse seguro. Feliz! Era como estar em casa depois de longos dois meses andando a esmo. Era bom receber ordens. Não precisava pensar, apenas obedecer e com certeza não se restringiria somente aquilo.
Milo pegou mais uísque. Precisava beber mais, soltar-se mais. Era a maneira mais fácil de controlar seu pavor. Não era uma questão de caráter, era sua forma de dizer que amava aquele homem e que, por ele, faria qualquer coisa. Inclusive machucá-lo. Não o queria somente por uma noite. Queria-o para sempre. E como havia dito anteriormente... Pagaria o preço que fosse necessário! E o que vergão que havia ficado nas nádegas brancas do francês era a prova disso.
...Fallen...
— Você quer que eu faça o quê? — Dégel perguntou surpreso com a resposta do escorpiano.
— Exatamente o que você ouviu. — disse o empresário. Kardia e Dégel tinham retornado para a varanda por receios do mais velho. Apesar do fascínio, o escorpiano também notou hesitação no aquariano. — para obter informações sobre seu irmão terá que me pagar por elas.
Dégel sorriu sarcástico. Por mais absurdo que pudesse parecer vir de uma pessoa, achou aquele tipo de ação bem a cara de Kardia. Com ele, nada vinha de graça.
— E sobre que tipo de pagamento nós estamos falando? — indagou o francês tomando um pouco mais do vinho de Kardia voltou a servi-lo.
— Ora, o que mais seria se não contatos... Beijos... Toques... sexo!
Em outras palavras, temos que agir conforme um puto. Negociando nosso corpo em troca de informação sobre seu irmão. — o cérebro do aquariano gritou e Dégel engoliu nervosamente seco.
Teve que pigarrear para que conseguisse falar novamente.
— Já te passou pela cabeça de que posso perguntar diretamente ao meu irmão? — indagou exibindo uma segurança que não possuía, ainda mais depois do beijo.
Kardia sorriu de modo cafajeste, aquele jogo era divertido, excitante. Sentou-se junto a Dégel, tocou o rosto afilado do outro, levantando o queixo, deixando-o na altura exata para que seus olhos se conectassem.
— Acho que se essa fosse uma opção viável... Você não teria perguntado diretamente a mim. — Dégel respirou fundo, abriu a boca para retrucar, porém Kardia continuou. — em todo caso, eu pergunto... Você teria uma resposta se por acaso você chegasse a perguntá-lo?
Dégel crispou o olhar para o escorpiano e afastou a mão que segurava seu rosto de forma insistente. Levantou-se depressa. Detestava ter que admitir, mas Kardia tinha razão; Camus jamais lhe diria nada. Em contra partida tinha a condição estatal cívica do homem sentado naquele amplo divã aveludado. Estava totalmente fora de seus principio envolver-se com alguém casado. Ainda mais sabendo que não conseguiria acompanhar os gostos peculiares desse alguém. E ainda tinha as duvidas... Poderia confiar totalmente em Kardia ou teria que tirar suas próprias conclusões dependendo do que ele contasse? O que esperava descobrir sobre o irmão? E depois? O que faria?
Suspirou pesado. Primeiro precisava de um ponto de partida. Sentiu a boca secar. Pediu mais vinho, Kardia o serviu. Sentou-se novamente.
— Digamos eu aceite esse seu jeito de fazer as coisas, como exatamente vamos fazer? — tinha entendido que aquilo não passava de um jogo para Kardia. Tudo o que precisava fazer era entrar naquele jogo sem chance alguma de vencer.
Kardia sorriu. Aquela tortura era deliciosa.
— Primeiramente, toda ação partirá unicamente de você. É você quem ditará o que irá me conceder dentro das formas que mencionei. E dependendo de como for te responderei... As respostas seguiram em: simples, complexas e aprofundadas. — explicou.
— Deixe-me ver se entendi... No patamar existente entre beijos e... — respirou fundo, era constrangedor falar daquele assunto, mesmo estando aliciado por algumas doses de vinho. — bem... sexo, sua resposta será classificada em simples, complexas e aprofundada, onde simples pode ser algo que eu já saiba e aprofundada será algo que eu nunca imaginei?
— É exatamente isso.
— Você não acha que isso é um pouco ridículo?
— Depende muito do ponto de vista de quem ver.
— Ok. E teria algo que eu deva levar em consideração?
— Boa pergunta. E sim, eu tenho normas e quero que as aceite dentro desse contexto. — Dégel olhou curioso para Kardia. — não se preocupe, são normas que te beneficiam e me proporcionam prazer. Se cumprir essas normas para satisfazer-me, te recompensarei com algo além das respostas. Se não, te castigarei para que aprendas.
— O castigo será com aquelas coisas? — Degel referiu-se ao que tinha no quarto.
— O prazer também. — o de cabelos verdes mordeu o lábio com força. Duvidava muito que conseguisse sentir prazer daquela forma.
— Você é louco. Um completo sádico. — acusou.
— Não. Sou um Amo e pretendo lhe ensinar tudo o que precisa aprender sobre o prazer. No entanto, isso depende unicamente de você. Aceite minhas condições e terá um prazer jamais visto.
Dégel soltou um sorriso suspirado e uma negativa com a cabeça. Tinha tanto a perguntar e, se possível, também gostaria que Kardia respondesse a resposta que havia feito dentro do quarto medieval, entretanto, não queria pagar o preço. Na verdade, já queria ter corrido dali a tempo... Mas estava tão surpreso com tudo que não tinha ação nenhuma.
Nunca esteve tão perdido.
Oh, aonde fomos nos meter?! — seu cérebro choramingou.
— Dégel... qual sua resposta? — Kardia perguntou impaciente. Aquele silencio por parte do outro era agoniante.
— Não entendo... Se tem pessoas dispostas a aceitá-lo dessa forma, por que está pedindo isso a mim?
— Pessoas? — O escorpiano indagou divertido. O jeito do mais novo era um pouco equívoco. — Não faço com pessoas... Ate agora foram somente três mulheres e quatro homens. — Degel levantou a sobrancelha ate o alto da testa, como que perguntando por que tantos? — entretanto, nesse exato momento quero fazê-lo com você. Desejo-o desde o primeiro dia que o vi. — o aquariano engoliu seco com a sinceridade exposta. Entretanto, seu bom senso gritava mais alto. Amava de mais seu irmão, mas não estava disposto a negociar seu corpo com Kardia para ajudá-lo, entendê-lo. Ainda mais por que a única coisa que via no mundo em que Kardia estava querendo mostrá-lo era agonia e desespero.
E foi pensando assim que Degel levantou meio cambaleante, colocou sua taça em cima da mesinha de vidro, pegou seu casaco e dirigiu-se a porta.
O empresário levantou-se rápido,
— Aonde vai? — Kardia perguntou com as sobrancelhas erguidas.
— Sinto muito senhor Onpreyde, mas ao seu lado eu só vejo dor. — o aquariano disse chegando à porta.
Kardia segurou pelos ombros, trazendo o corpo do menor para junto do seu. Dégel olhou assustado para Kardia
— Dor é algo muito relativo. Por exemplo; o amor faz você sentir dor, ainda sim você não deixa de amar.
— É exatamente por não deixar de amar que vou procurar outra forma de extingui a dor. — falou, soltando-se logo em seguida dos braços de Kardia. Abriu a portar... — Tenha uma boa noite
— Dégel espere. — O escorpiano chamou, mais Dégel estava convicto em sua decisão. Saiu o mais rápido que conseguiu do apartamento do mais velho.
...Fallen...
— Mais... — Camus pediu em tom suplicante. E foi rapidamente atendido por Milo que colocou mais uísque em sua boca, beijando-o logo em seguida. Compartilhando o liquido de gosto áspero diretamente da boca do francês.
Milo não soube explicar quando exatamente tudo deixou ser sujo e passou a ser extremamente erótico, delicioso. Se tornando até prazeroso. Talvez fosse o jeito como Camus se movia e obedecia suas ordens, ou talvez fosse porque finalmente estavam conectados, ambos se mostravam como realmente eram: eufóricos e loucos. Tudo colaborava para o momento perfeito, como se a energia que comungava no universo mostrasse também seu lado violento. Sem, contudo, ter ocorrido penetração.
— Não se mexa. — Milo ordenou e Camus ficou imóvel. Ouviu sons de passos e da gaveta se abrindo, mais sons de passos e logo sentiu suas pernas serem amarradas um pouco acima dos joelhos, com uma distância de um palmo. — abra as pernas ate onde conseguir. — Camus obedeceu. Impotente por vontade própria, submisso porque assim desejava. Infelizmente, ou não... Não conseguia abrir mais que meio palmo, e agora se perguntava o que Milo estava pensando em fazer — ok. Agora, levante-se.
Obediente, o ruivo saltou da cadeira. Seu corpo se desequilibrou, Milo teve que segurá-lo. Camus sorriu travesso... estava embriagado! Mais nada que já não tivesse acostumado.
— Eu não dei autorização para sorrisse. — Retorquiu o loiro, desferindo o chicote mais uma vez contra o corpo branco de Camus. — Agora fique em pé de forma correta.
— Sim, meu senhor. — Camus ficou em pé, a milímetros de distancia do corpo do amante. Olhando cada covinha de musculo coberto pela blusa colada que o grego vestia, ansiando pelo momento do contato.
— Não me olhe. Abaixe a cabeça, respeite seu dono. — Antes que pudesse abaixar a cabeça, as pontas finas do chicote estalaram no ar como se tivesse vida própria. — Beba. Mantenha a cabeça baixa, mas beba. — outra dose foi servida.
O francês entornou mais um copo de uísque. Agora não era apenas um teatro, mas a realidade de sua vida: não tinha mais controle sobre nada. Estava com as mãos presas e as pernas amarradas e, embora Milo estivesse se controlando muito, estava sendo açoitado. Agora tudo fazia mais sentido... Sentia-se um objeto, um simples instrumento, e por incrível que pareça, aquela submissão lhe dava a sensação de completa liberdade. Não era mais o mestre que ensinava, nem tão pouco aquele que consola, o que escuta as confissões, o que excita; agora era apenas um menino órfão diante do poder gigantesco do homem.
— Tire minha roupa. — A ordem veio seca, sem desejo e, no entanto, nada mais erótico e excitante de se ouvir. Um sorriso de canto de lábios foi lançado. Aquela era uma ordem quase impossível para uma pessoa em suas condições, mais Camus era alguém inteligente. Era alguém que com certeza executaria perfeitamente a ordem. — Você não está se comportando bem... Sabia? — novamente o chicote estalou contra seu corpo, marcando-o. Libertando-o. Um castigo merecido, afinal um submisso não pode deixar seu amo esperando. — Precisa ser castigado. Um menino da sua idade... como ousa me contrariar? Você devia estar de joelhos diante de mim.
— Sim, meu senhor. — Camus fez menção de ajoelhar-se, mas o chicote o interrompeu; mais vez tocava a carne de suas nádegas. Ardia, mas era algo que conseguia suportar, mesmo com seus olhos quase lacrimejando, era algo que não queria reclamar. Não queria parar. Aquela dor, aquelas ordens, aquela submissão: tudo o fazia mergulhar no inferno e subir ao paraíso. Necessitava de mais daquilo, entretanto, tudo o que queria era Milo.
— Eu não disse para ajoelhar-se. Disse? — o tom de voz do grego era algo que contrastava perfeitamente com o momento: nem alta nem baixa, porem, intensamente autoritária, doce, sexy.
— Não... — Outra vez o chicote tocou suas nádegas.
— Diga: "Não, meu senhor." — Milo sussurrou próximo ao lábio de Camus. O grego via o desespero tomar conta da alma do francês e quase transbordar pelos olhos avermelhado. — Vamos parar? — perguntou incerto, a final o francês não conseguiria cumprir sua ultima ordem.
— Não, meu senhor. — Camus falou baixo. Um nó prendia sua voz na garganta
— Se não está pronto para desistir, diga-me: porque ainda não tirou minha roupa? — O aquariano soltou um sorriso forçado. Para quem estava bastante relutante no começo, o grego tinha incorporado bem no papel. — tenho absoluta certeza de que não quer ser castigado de novo.
— Não, meu senhor. Não quero mais ser castigado... — por uma fração de segundo, Camus pensou em parar com aquilo tudo. Que apesar de não ter feito sentia-se extremamente cansado, enquanto Milo lhe explorava com seu consentimento. Mas era uma pessoa de palavra... Um homem de palavra. E já tinha escolhido ir até o fim. Era daquele jeito que queria Milo... Era com o cheiro e com as lembranças dele que queria permanecer, era ao loiro que queria pertencer. Não se tratava apenas do desejo, ou da submissão. Não era algo de pele. O que sentia transcendia além. — Amo você. — falou do nada, pegando Milo desprevenido.
Camus aproximou-se mais do loiro, tocou o primeiro botão da camisa de linho com os lábios e com a língua, conseguindo retirá-lo da casa. Abrindo assim o primeiro. Fez o mesmo com os demais e logo a blusa do loiro foi ao chão. O ruivo engoliu seco assim que viu todo o peitoral musculoso de Milo descoberto, sua intenção logo se reverteu em querer passar a língua por cada covinha exposta, entretanto, tinha que ater-se a sua ordem. Olhou para o cinto, teria que abaixar-se, no entanto a grava que prendia suas pernas o impedia de abaixar-se devagar. Sorriu com a perspicácia do loiro. Teria que se abaixar de uma única vez, com certeza seus joelhos ficariam marcados. Mesmo assim o fez... Abaixou de uma vez. E logo passou a desafivelar o cinto, empurrando de forma contraria com os dentes. Estava sendo difícil, um pouco complicado, mas conseguiu. Para desabotoar a calça, fez o mesmo processo que a camisa, e puxou o zíper com os dentes e a calça de Milo teve o mesmo destino que a blusa (o chão).
Os olhos de Camus culminaram em direção aos de Milo que o olhava atentamente, como se perguntasse se deveria retirar tudo. Com um aceno positivo, o ruivo passou a retirar, também com a boca, a cueca box do amante. Camus se inebriava com cheiro forte que desprendia do outro. Mesmo nas partes intimas Milo tinha um cheiro gostoso, másculo. O grego já encontrava totalmente desperto e Camus conscientemente deixou que seus dentes resvalassem na ponta da glande do loiro que estremeceu com o toque inevitável.
— Chupe-me. — Milo ordenou assim que se viu livre de toda roupa. Estava na hora de acabar com aquele jogo. Era muito excitante ter seu amado daquele jeito tão submisso, mas queria algo além. Queria estar conectado com Camus; unidos pelos corpos e entrelaçados pelas almas.
Camus começou com pequenos beijinhos na ponta da glande, passou levemente a língua na fenda avermelhada provando o sabor salgado que se desprendia do orifício, depois deu uma longa lambida por toda a haste e, por fim, o ruivo acoplou completamente o membro do grego na boca. Não precisou de muitas sucções ate que Milo perdesse completamente o controle e soltasse o chicote no chão. O grego fechou uma das mãos nos fios rubros e, com a outra, segurou Camus pelos ombros, ditando como ele (Camus) ia engoli-lo.
Milo gemia de acordo com a sucção e se sentia extremamente necessitado... Tentado a expelir cada vez que se enterrava completamente dentro da boca do francês. Camus foi puxado pelos cabelos e teve sua boca comprimida de forma exigente, era se Milo estivesse tentando impedir que o mundo se desfizesse e saíssem sem escrúpulos por seu corpo.
O grego estava cansado. Enquanto Camus preocupou-se unicamente em obedecer e executar, Milo teve que ditar como as coisas ocorreriam e certificar-se que tudo sairia como quisesse. Camus foi guiado ate a cadeira, ficando de frente para ela.
— Levante um dos joelhos e o apoie em cima da cadeira. — o aquariano obedeceu. Mesmo com a dificuldade imposta pela gravata em suas pernas e ruivo dobrou um dos joelhos e o apoiou na cadeira, enquanto a outa perna ficou apoiada no chão, rente à cadeira. Milo aproximou-se de suas costas, Camus já esperava pela dor latente da penetração feita sem preparo algum, quando sentiu o chicote em sua boca. — morda... — o francês obedeceu. — se você solta esse objeto, vou entender como um vermelho...
Camus sorriu e apertou mais o chicote com os dentes.
Milo afastou um pouco o short cavado que ainda cobria o corpo branco de Camus, sem, contudo, retirá-lo nem mesmo um pouco, e como o ruivo havia previsto, o loiro enterrou-se fundo e de uma única vez dentro dele e ao mesmo tempo o mordeu na altura do ombro. O francês não sabia qual dor era pior..., ainda sim ambas bastante prazerosas. Milo não esperou que se acostumasse com a invasão ou mesmo que puxasse um pouco de ar..., começou a estocá-lo sem dar espaço para que respirasse: o chicote quase escorregou e as tiras tocam em seus mamilos no processo. O ato seguinte de Milo não ajudou muito... O grego retirou seu sexo para fora pela parte da perna do short e passou a movimenta a mão de cima para baixo em movimentos lentos e cadenciados.
Camus conseguiu soltar um gemido sufocado e um suspiro pesado. Milo foi mais fundo e obteve um gemido mais aberto. Estava difícil prender o chicote entre os dentes, entretanto, o mais difícil era se manter naquela posição desconfortável. Tentou soltar-se, encontrar uma posição que o favorecesse, mais estava impedido pelas algemas em seus pulsos e pela gravata que prendia suas pernas. O ruivo teve que morder o chicote com um pouco mais de força para não o soltar quando o grego o acertou a próstata. Não conseguiu manter o controle com a insistência de Milo em lhe acertar em ponto tão único e prazeroso. Fez com que seu corpo se remexe como nunca, justamente porque não podia se mexer, gritou como jamais tinha gritado, porque não podia abrir boca e ninguém poderia escutá-lo, ou melhor, escutá-los, porque percebeu que Milo também gritava (e para todos os efeitos era o único). Aquilo era o prazer depois da dor. A calmaria depois de uma intensa tempestade. Não sabia quanto tempo estavam ali, não imaginava quantas vezes tinha sido açoitado, ou quão seus pulsos estavam marcados. Quantas vezes Milo tinha entrado e saído de dentro de seu corpo somente para penetrar-lhe tão intensamente novamente, até que, consequentemente, veio o gozo. O gozo que dezenas, centenas de homens, que em todos aqueles anos, jamais conseguiram despertar. Uma luz que nenhum outro conseguiu acender
Seu corpo explodiu. Camus sentia que entrava em uma espécie de buraco negro em sua própria alma, onde a dor intensa e o medo se misturavam com o prazer total, e o empurrava além de todos os limites que conhecia. Logo em seguida veio o transe. O cansaço. A dor no ombro, a ardência no corpo. A paz no espirito. O chicote já não estava mais em sua boca. Milo estava com a cabeça apoiada em suas costas, mas ele conseguia sentir a respiração eufórica e cansada do grego que ainda estava preso entre suas pernas, os cabelos molhados pelo suor abundante. As mãos carinhosas que lhe retiravam as algemas e desatavam o nó da gravata de suas pernas, acabando com toda sua convicção de ficar em pé, fazendo-o quase cair. Estava sem forças, confuso, incapaz de olhar para o homem que o colocava nos braços e acariciava seus cabelos. Que arfava junto com ele e que mesmo assim o levava ate a cama. Aninhou-se contra o peito de Milo sem coragem alguma para olhá-lo diretamente nos olhos, porque simplesmente estava com vergonha de si mesmo. Com o nojo de seus gritos, de seu orgasmo, com o que estava preste a fazer novamente... Daquele circulo vicioso que o prendia. Mas entendia o porquê: aquela era a primeira vez que dor e prazer consistiam no que realmente significava e conseguia usufruir de ambos e de uma forma tão intensa e tão prazerosa que chegava a dar medo.
— O que você fez comigo? — o ruivo perguntou com um gomo grosso querendo sair de sua garganta. Uma vontade louca de chorar.
— O que você queria que eu fizesse. — respondeu igualmente cansado. — Sei o que vai fazer Camus... — o ruivo escutou, mas manteve-se imóvel, apenas sentindo os batimentos cardíacos de Milo. — não sei com quem e não precisa me contar. Apenas peço que, por favor, volte pra mim.
Camus mordeu o lábio inferior com força, entretanto isso não o impediu que começasse a chorar, e Milo pacientemente o acalentou, dispensou-lhe alguns beijinhos no topo da testa e carinhos nos cabelos compridos.
— Porque? — Um soluço veio junto da indagação.
— Porque eu amo você. E quem ama liberta e aceita certas coisas. — O grego falou sorrindo. — Então desde que eu não saiba da traição acho que vamos ficar bem. Então por favor, continue mentindo assim pra mim. Não vou me importar quando você disser que vai ajudar um amigo. Só nunca me deixe ver os vestígios de quem quer que seja.
Camus fechou o punho em cima do peito de Milo e tentou a todo custo engolir o choro, no entanto, Milo havia conseguido quebrar seu espirito e convicção. Sentia-se um completo desgraçado e o mesmo tempo a pessoa mais amada do mundo. Adormeceu daquela maneira; em cima do peito do grego e com soluços sacudindo seu corpo.
...Fallen...
Dégel passou a noite toda sem dormir e na manhã seguinte saiu para visitar o irmão. Iria acabar de uma vez por toda com aquele impasse entre ele e Camus. Aquilo era ridículo, compartilhavam o mesmo sangue e a mesma carne. Não deveria existir um abismo entre eles. Não se importava nem um pouco se o irmão era um puto (como Kardia dizia) ou não. Mais precisava saber. Deixar tudo em pratos limpos.
Não se envergonharia ou mesmo criticaria o irmão, mas tentaria ajudá-lo se fosse questão de necessidades. Avistou Camus assim que chegou a rua onde o francês morava. O irmão parecia abatido e um pouco nervoso, mesmo assim lindo. Vestido com um, sobretudo e os cabelos soltos, balançados pelo vento frio da manhã. Carregava uma mala nas mãos e olhava de um lado para o outro. Quando pensou em chamá-lo um carro branco aproximou-se e Camus entrou.
Degel sentiu um temor inexplicável e, por isso, não pensou duas vezes antes de seguir o carro em que o irmão estava. Camus desceu em frente a um condomínio muito luxuoso. Os seguranças do local revistaram o ruivo e depois disso Dégel não teve mais como seguir o irmão. Estava obvio que aqueles homens não o deixariam passar. O aperto em coração aumentou.
...Fallen...
Camus caminhava lentamente pelos corredores que antecediam a entrada daquele apartamento, reconhecendo o caminho. As paredes ainda continuavam sem vida ou talvez fosse ele que não conseguia enxergar nada além de horror.
Chegou em frente a porta do apartamento, pegou a chave que Saori tinha lhe entregado minutos antes, no bolso do sobretudo e abriu a porta. Seu corpo tremulou, seus estomago gelou. Tudo estava como sempre esteve... Impecável. Fechou a porta atrás de si e jogou as chaves em cima da mesinha. Retirou o, sobretudo, e sentou-se no sofá. Ainda tinha algum tempo. Respirou fundo, sentiu o cheiro de limpeza, com certeza a faxineira tinha ido ali. Aparentemente tudo era aconchegante: os sofás eram macios e espaçosos, a televisão era grande, tinha videogame e home. A decoração era bonita e harmoniosa. Tinha uma piscina no edifício, poderia usá-la o quanto quisesse, se divertir o quanto quisesse...
Fachada... Tudo naquela aconchegante sala não passava de uma perfeita fachada. Talvez fosse por isso que se ateve nela. Não queria enfrentar sua amarga realidade. Escutou o trinco da porta ser desfeito e seu estomago pesou, seu cérebro se desesperou. Somente duas pessoas tinha a chave daquele apartamento: o primeiro era o dono... Hades. Segundo ele (Camus), que deixava suas chaves ficar com Saori. Então estava mais do claro a identidade de quem estava abrindo a porta, porém Camus não conseguiu se mexer, apenas esperou que ele entrasse. O ruivo logo reconheceu o longo cabelo moreno bem organizado em uma trança e os olhos tão azuis que produziam uma mistura de paz e pavor em quem ousasse mergulhar neles. Apesar da idade a pele ainda possuía um pouco de viço. Os músculos ainda existiam por baixo de toda aquela roupa de gentleman.
— Espero que você esteja vestido assim porque pensou em sair para comprar alguma coisa para comer e não porque passou a noite toda ai.
O francês sorriu contraditório, baixou um pouco a visão e passou a língua nos lábios.
— Não meu amo, eu acabei de chegar. — falou baixo. A informação arrancou um olhar crispado do homem.
— Como assim acabou de chegar? Saori não se certificou de seus passos?
— Sim, ela se certificou de tudo. Fui eu mesmo que decidi que viria somente hoje. — o ruivo falou homérico. Estava disposto a tomar as rédeas de sua vida das mãos daquele homem. Já tinha se sacrificado demais, não devia mais nada a Hades.
— Decidiu foi? — Hades perguntou irônico e Camus engoliu seco. O homem caminhou ate o sofá ficou de frente com ele. Prendeu o rosto fino do francês entre as mãos. — vous avez rien décidé... mon petit. — Hades retrucou para o francês que apenas acenou com a cabeça. — você tem meia hora para ficar limpo e estar ao meu dispor no quarto jogos. — volveu e adentrou apartamento adentro.
Continua...
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