Fallen

13 Meu lado podre. Parte dois!


Notas iniciais
E ai galera amada, tudo beleza? Bem, vamos começar... Primeiro: em contato com a minha amiga Brunaryu que está betando a fic pra mim, quero dizer que fiz novas mudanças. Nada de mais. Apenas modifiquei os títulos dos capítulos e coloquei imagens em cada um deles. Segundo: este capitulo não está betado por que Brunaryu andou tendo uns problemas familiares e não teve tempo ainda, mas assim que ela me passar o capitulo betado eu corrijo esse, portanto, desculpem qualquer erro de ortografia: que por mais que eu revise eles sempre teimam em se multiplicar. Hahaha. Terceiro: Obrigada a todos que comentam, acompanham, recomendam e favorita a fic. Meus queridos, desejo boa leitura a todos!


Capitulo XIII — Meu lado podre. — parte dois!

O pesadelo não está nos conflitos de um sonho, mas nos acontecimentos vividos diariamente. Era o que Camus pensava enquanto aceitava seu destino resignado. Naquele momento era somente um submisso.

O francês estava de joelhos dentro do circulo designado para ele, bem próximo à porta, dentro do quarto frio de cores negras. O cheiro de couro, óleos e incensos enchiam o ambiente de forma entorpecente. Tiras, cordas, varas, algemas e chicotes enfeitavam as paredes. Havia suspensórios no teto e um X de madeira negra, afastado alguns centímetros da parede, com couro negro forrando as extremidades e o meio do objeto. Lençóis de veludo negro enfeitavam a cama de dossel. Uma espécie de Puff de couro da mesma cor dos lençóis jazia aos pés da cama (aquele conjunto sempre havia sido seu terror.), assim como um divã de terapia e imobilizadores aéreos. Também tinha mobilizadores fixados no chão. Óleos, cremes, pomadas, canetas e géis tomavam todo o espaço dos criados mudos. Dentro das gavetas haviam vários consolos erótico dos mais diversificados tamanhos e modelos.

Camus estremeceu com as lembranças já vividas dentro daquele quarto. As perversões de Hades nunca haviam tido limites. Por vezes, enquanto Hades o molestava, outro homem sempre os olhava e filmava. E, algumas vezes, o homem também entrava na brincadeira. O contrario também acontecia, Hades também gostava de observar seu sofrimento.

— Ele não veio. Você não tem com o que se preocupar. — O francês murmurou baixo, suspirando fundo.

— O que está resmungado? — Hades perguntou adentrando ao quarto. O homem vestia uma calça jeans colada e uma blusa branca de botão, as mangas da blusa estava dobradas ate o cotovelos. Trazia nas mãos uma fita isolante, cordas finas e um chicote comprido com uma ponta de metal e mais algumas coisas que Camus não teve tempo de ver.

— Mestre Hades... — Balbuciou baixando a cabeça, submisso. — Nada meu amo. Eu apenas estava estranhando sua demora.

Um sorriso friamente ladino vestiu os lábios do moreno.

— Seu dever é me esperar, mesmo que eu demore uma eternidade para chegar. — Objetivou Hades em seu costumeiro tom seco.

— Sim meu amo, perdoe minha ousadia. — O ruivo falou cabisbaixo.

Hades olhou em direção a figura submissa no canto da parede. Lindo como sempre. Pensou.

Camus estava parcialmente nu, somente uma cueca box cobria seu corpo. Os cabelos estavam soltos e a costumeira cólera pendia o pescoço alongado. Camus havia deixado de ser o garoto ingênuo e se tornado um homem muito bonito. Os cabelos vermelhos como sangue e olhos tão intensos quanto rubi. A pele branca e os lábios um tanto rosados o deixavam muito parecido com a mãe: Louna. O grande amor da vida de Hades, assim como também a destruidora de seu coração.

Torturar Camus foi à forma que Hades encontrou para machucar Louna. Assim como possuí-lo era a forma dele ter o amor de sua vida em seus braços. Mas, mais que isso, Camus era a extração de seus sonhos e desejos. A jaula de sua fera interior. Por isso ficou extremamente zangado quando o ruivo disse que havia decidido ignorar momentaneamente suas ordens.

“Com certeza arrumou outro namorado...” o empresário pensou ferino. Logo saberia.

Logo o extinguiria...

— Sabe, Camus, você é um bom menino. Não..., acho que o correto é dizer que você se tornou um bom menino.

Camus franziu o cenho.

— Acho que não entendi, meu amo. — Falou, ainda sem olhar para seu amo.

Hades o puxou pela coleira, fazendo-o ficar rente a ele. Admirando aquele olhar solido e frio do francês. Um olhar que amava destruir. Por que para ele, Camus não era mais do que um brinquedo deixado pelos pais para que ele se divertisse enquanto os mesmo saiam para jantar fora.

— Não é para entender. Dispa-se! — Hades ordenou.

Camus sentiu aquela mesma sincronia prazerosa percorrer seu corpo por receber uma ordem, mesmo que fosse de Hades, estava ali para cumprir seu papel, sua essência, por isso obedeceu sem pestanejar. Ficou completamente nu. Hades mordeu o lábio inferior com força enquanto apertava um pouco a carne dos braços de Camus até que os mesmo ficassem vermelhos. Tocou nos cabelos carmesins, afastando-os um pouco dos ombros finos. Seus olhos negros logo capturaram a marca avermelhada deixada ali por alguém.

O homem crispou os lábios. Teria que castigar o ruivo, afinal, ele sabia das regras. E elas o incumbiam de estar sempre limpo e sem marcas.

— Diga-me Camus, como deve ser o sexo?

Perguntou enquanto passava uma espécie de cinta por baixo dos braços abertos do francês, fechando-a na frente, bem na altura do peito de Camus. Juntou ambas as mãos do ruivo e as isolou com fita isolante. Camus suspirou profundamente. O jogo daquela vez seria no ar e ele provavelmente não teria liberdade de escolha.

— O sexo deve ser como um soco no estômago e tão angustiante quanto andar de montanha russa. — Camus respondeu. Hades curvou-se um pouco para passar a corda pelas pernas do francês, logo em seguida amarrando-a na nuca do ruivo: impedindo o movimento das pernas. — Ele deve pegar você desprevenido, fazer com que perca o fôlego só de pensar no que está por vir; deve fazer você arfar com descobertas, deve acelerar seu pulso e consumir seu corpo. Tragar sua mente e sua alma para o prazer.

Hades parou o que fazia. Tocou nos lábios de Camus com as pontas dos dedos.

— Está me dizendo que sexo é prazer?

— Sim, meu amo.

— Hum. Não está de todo errado em suas palavras... afinal, existe sim, um pouco de prazer no ato. Vire-se! — Ordenou. Camus obedeceu, mecânico. — Mas sexo não é prazer. Existe muito mais prazer na dor do que no sexo. O sexo é apenas uma forma de fazer e dizer coisas que não diria ou faria em sã consciência. Enquanto a dor...

Hades sorriu maquiavélico, guiou Camus para uma espécie de cavalete enorme, com quatro hastes fixadas no chão, e, com mais alguns suspensórios: pares da cinta que Camus usava no corpo.

— Você ainda lembra como se usa uma cadeira suspensória, não é? — Perguntou irônico. Camus o olhou confuso.

Hades afivelou as fivelas da cadeira suspensória com as da cinta que ele havia colocado em Camus, e o suspendeu. Prendeu os pés do francês longe do corpo, deixando-o completamente exposto e aberto. As cordas marcavam as coxas de Camus com vergões, quase cortando a carne. Enquanto suas mãos foram presas em uma das bases, fazendo o corpo do francês ficar em forma de arco.

— Eu já havia lhe dito antes, Camus, sexo tem que fazer você pegar fogo. Uma parte sua, aquela que você nem imagina que existe, deve ganhar vida nas brasas. A severidade das sensações físicas deve paralisá-lo e o prazer deve consumi-lo junto com uma dor extenuante. Você entende?

— Sim. Meu amo! — Camus respondeu com um pouco de dificuldade. Ser suspenso era uma condição bastante desconfortável. Daquela maneira então... — Moderação é para puritanos sexuais. Dor e prazer devem sempre andar de mãos dadas.

— Muito bem, Camus. — Hades falou. O sorriso malicioso fez Camus tremular. — Então, peça...

Camus respirou profundamente.

— Por favor, meu amo, me faça sentir prazer.

O sorriso do moreno alargou-se.

Abriu o armário que tinha dentro do quarto e pegou duas caixas: uma preta e outra de cor mogno e um frasco de lubrificante. De dentro da primeira caixa pegou um consolo simples, com tamanho e formado de um pênis, feito de silicone. Pegou o lubrificante e melou toda a haste do objeto.

— Diga-me, Camus, como ele é? — Perguntou sem olhar para o francês.

— Ele?

— Seu namorado.

— Eu não..., não tenho namorado, meu amo. — Respondeu temeroso.

Hades terminou de lambuzar o consolo

— Ah, tem sim. Ou não teria se atrasado para encontrar comigo. Tão pouco teria uma marca dessas em seu corpo. Você conhece as regras... — Afirmou, caminhou até Camus.

Disparou um caricia rude nas coxas do aquariano. Subindo pela virilha, parando no membro desacordado do francês, começando uma masturbação leve.

— Meu amo...

O coração do ruivo batia acelerado, temeroso da futura represália.

— Shii. Tudo bem mon petit. Eu sei que passei muito tempo longe. Você se sentiu carente, não foi? Não o culpo por ter achado alguém. Estou apenas questionando por que não quero que se esqueça das regras, do nosso contrato. — Hades subia e descia a mão com maestria sobre o pênis de Camus, mas aparentemente o francês não estava no clima. — Ele já sabe? Sobre nós?

Camus travou. Apesar da posição desconfortável, conseguia ver a expressão debochada no rosto do moreno.

— Não, amo. Eu... — Respondeu com um pouco de dificuldade. O sangue começava a se acumular em sua cabeça e embebedar seu cérebro.

— Por quê? — Hades encostou a ponta do consolo na entrada entre as pernas de Camus.

— Acho que ele não entenderia. — Murmurou lamentoso. Sentia aquele monte de gelatina escorregar lentamente para dentro de seu corpo e causar sensações que não queria sentir.

— Ninguém nunca entenderá. — Hades murmurou, logo em seguida passou a distribuir beijos estalados pelo corpo de Camus, enquanto o penetrava com o consolo e o masturbava.

O francês sentia aquela pressão agoniante em seu cérebro se expandir para seu corpo e não conseguia se impor, pensar estava fora de seu alcance e, mesmo a contra gosto, seu corpo reagia aquela forma insana que seu amo impregnava em seu corpo, em sua alma. Com Hades tudo era diferente, obscuro. O moreno o torturou até que seu corpo entrasse em frenesi e ficasse a um passo do orgasmo, para logo em seguia o abandonar. Convulso e entregue. Camus soltou um murmúrio lamentoso, Hades o amordaçou.

Ficou entre as pernas de Camus e colocou um dedo dentro do ânus do francês.

— Veja meu querido, você está sujo. Tenho que limpá-lo para que eu possa usá-lo. — Camus estremeceu, sabia o que aquilo significava. Hades o mostrou um objeto em forma de gota, com uma ponta cilíndrica de metal. — Você reconhece isso? — Camus queria poder balançar a cabeça e confirmar. Claro que sabia o que era aquele objeto, reconhecia bem um enema. — Sinto muito, vou ter que usar em você.

A amordaça suprimiu o grito que Camus provavelmente soltaria se pudesse. Contudo, não conseguiu evitar que algumas lagrimas secas corressem pelos cantos de seus olhos exóticos. Camus estava fisicamente desconfortável e emocionalmente humilhado e sabia que aquilo não era nem o começo do seu sofrimento.

Queria grita! Queria morrer!

— Por hora, você ficará aqui, nessa posição. Ao menos até que seu corpo se limpe. Depois continuaremos com a brincadeira.

Hades saiu do quarto e deixou Camus ficar sozinho. O francês não conseguia se mexer ou respirar direito. Suas costas doíam, suas pernas ardiam, provavelmente estivessem cortadas devido à corda. O enema dentro de se corpo fazia aquela parte em particular doer, com certeza teria dificuldades para sentar. Não conseguia sentir seus pulsos e seu raciocínio estava lento. Seu corpo dava leves espasmos doloridos. Sua visão, já turva, acabou se fechando.

“Por que tenho que passar por tudo isso?” perguntou choroso. Queria estar com o irmão, com seus pais. Queria ter uma vida diferente. Queria estar com Milo.

— Você está bem, Camus? — O francês assustou-se ao escutar a voz do irmão. Procurou-o com o olhar como pode, mas não o encontrou. — Por que não me contou, Camus? Eu poderia ter ajudado.

— Camus, onde está você? — Também escutou Milo perguntar.

“Estou aqui” tentou dizer, mas sua voz não saiu. A mordaça não deixava.

— Camus! — Novamente Dégel o chamou. Camus pode finalmente vê-lo e para o seu desespero o irmão mais novo estava todo sujo sangue. Tinha marcas no corpo e as roupas rasgadas, assim como lagrimas nos olhos. — Por que não me contou? Você poderia ter evitado isso...

— Por que não me avisou que era meu pai? — Milo apareceu ao lado de Dégel, o cobrando do mesmo modo. — Você poderia ter evitado isso.

“Eu queria!” tentou mais uma vez, novamente nada saiu.

— Olha o que tivemos que fazer por você! — Ambos disseram, Camus sentiu o peito apertar.

— Eu não queria! Milo, Dégel, eu juro... Eu não queria. — O ruivo conseguiu dizer. Aproximou dos dois e tocou as faces de ambos.

— Agora é tarde Camus. — O francês sentiu os braços do irmão e do amante abraçarem seu corpo. Os cheiros fortes de sangue e éter chegaram a suas narinas. — Muito tarde.

Camus acordou em um sobressalto assustado, olhando desfocado de um lado para o outro. E, para o seu desespero, encontrou somente o semblante serio de Hades sobre ele. O moreno o segurava firme em seus braços.

— Calma, mon petit, você apenas desmaiou. — Hades acariciou os cabelos ruivos de Camus, tentando acalmá-lo. — Você precisa descansar.

Camus franziu o cenho. Hades estava muito amável. Não era algo natural do homem que só o tratava como um objeto. Não. Definitivamente havia algo mais e, com certeza, nada confortável para ele escondido sob aqueles gestos. Hades ordenou que Camus tomasse um banho e dormisse um pouco. E assim o francês o fez.

...Fallen...

Ikki e Shaka aproveitavam a calmaria que o momento permitia.

— Ah, loiro. Você me deixa... Hum... Louco! — Ikki falou com dificuldade.

Shaka gemeu.

O virginiano subia descia como podia sobre o pênis de Ikki, uma vez que o próprio o prendia pelos quadris. Impossibilitando-o de mexer-se livremente. Causando uma agonia prazerosa em Shaka continuava com os movimentos lentos. Enquanto Ikki acariciava lhe o membro, dando- lhe mais prazer.

— Você... Também me deixa, Ikki... Muito louco — Ofegou entre gemidos. Suas costas encostadas no peito do moreno. — M-Mas... Mas me deixa ir... Eu quero! Own... Eu quero muito gozar... — pediu, sentindo a necessidade do orgasmo chegando. Só mais um pouco e chegaria ao êxtase.

Ikki exibiu um sorriso sacana, adorava ver aquele loiro arrogante (como pode comprovar com o passar dos dias) tão submisso e se transformando em algo que aparentemente ele julgava ser, de certo modo, doente. No entanto, ele próprio já não aguentava mais.

— Ok. Vem loiro gostoso. Vira de frente pra mim. — Ikki soltou Shaka que se ergueu e virou de frente para Ikki.

Gemendo baixo ao encaixar-se novamente no membro do moreno, o loiro logo começou a se mover com sua tão sonhada liberdade sobre o falo pulsante. Enlaçou o pescoço de Ikki e sorrindo sensualmente para o moreno, voltou a subir e descer, olhando dentro dos olhos birrento, se deliciando com as expressões de deleite de Ikki.

— Humm... Isso... Assim, vai. — Ikki murmurou. Shaka só conseguia gemer, subindo e descendo cada vez mais rápido, literalmente pulando no colo do leonino.

— Ikki. — o loiro chamou. — Estou... Ahh... Quase... Eu vou... Humm — tentou avisar. Mas um grunhido foi mais rápido ao sair de sua garganta e anunciar o gozo.

Shaka jogou a cabeça para trás, gozando entre os tórax dele e de Ikki, mantendo o leonino preso, cravado dentro dele. Debatendo-se de prazer.

— Isso, Shaka. Tão bom... — Ikki murmurou. Vagando entre o prazer e a razão — Você é tão... Tão quente... Tão... Gostoso. Ahhh. — Ikki gemeu buscando a boca do loiro para um beijo exigente. Puxou Shaka pela nuca, deixou-se levar, gozando dentro do loiro.

Shaka gentilmente empurrou Ikki para que ele deitasse na cama e deitou logo em seguida sobre ele, encaixando-se entre os braços fortes. Embriagados com o prazer e com o cheiro um do outro, ambos relaxaram. Ikki fazia uma caricia leve nas costas do indiano, enquanto isso, Shaka brincava com as penugens existentes em seu peito.

— Tenho que ir visitar meu irmão. — Volveu o moreno sonolento. Shaka levantou a cabeça. — Faz tempo que não apareço em casa. Ele deve estar desesperado.

O loiro sorriu.

— Quanto pretende ir? — perguntou voltando a encostar a cabeça no peito de Ikki.

— Amanhã. — o moreno respondeu. — Tem alguma objeção?

— Nenhuma. Apenas uma pequena observação. — Ikki olhou serio para Shaka, esperando que ele continuasse. — Você é meu Ikki Amamya. Então cuidado com o que pretende fazer. Eu posso te castigar severamente.

Ikki sorriu sacana.

— Não se preocupe, eu realmente vou ver meu irmão. — O moreno volveu sorrindo cativante. — Esse seu lado possessivo eu não conhecia.

— Existem vários lados meu que você não conhece. — Alfinetou o indiano.

— Pelo menos, o principal eu conheço. — Ikki retrucou dispensando beijos estalados nos lábios já avermelhados de Shaka. Logo voltando ao frenesi de minutos atrás.

...Fallen...

— O que houve? — Regulus perguntou. Dégel andava muito introspectivo naqueles dias.

— Nada. Não houve nada. — Degel respondeu sem muito animo.

O francês andava muito pensativo sobre o que deveria fazer. Dentro dele um conflito desesperador era travado. Havia tentado falar com seu irmão, mas o mesmo não havia atendido suas ligações. Retornou ao apartamento de Camus no dia seguinte, mas o francês não se encontrava em casa. Seu peito doía e sua preocupação aumentava. Sonhos o perturbavam: em muitos deles, Camus pedia por ajuda e ele não conseguia fazer nada.

Desde pequeno era assim. Se havia algo com Camus ele se preocupava. Perdeu as contas das vezes em que Camus ficou doente e ele chorou para estar ao seu lado. Sua sensibilidade em relação ao irmão aumentou bastante quando foi enviado para estudar fora do país. Sempre sentia quando Camus estava com problemas, ou angustiado, ou doente...

O ruivo sempre foi tudo pra ele.

Não se lembrava muito bem dos pais, eles eram apenas um borrão em suas lembranças, mas Camus... Ah, com o irmão a coisa era diferente. O francês havia estado com ele em todas as ocasiões importantes. Em todos os momentos bons e ruins. Depois que os pais morreram, foi Camus quem pagou os colégios, as roupas, os remédios. Deu carinho e atenção. E ver aquela pessoa entrar no mesmo prédio que seu irmão o deixou nostálgico. O sentimento havia sido tão angustiante, que Dégel discou varias vezes o numero de Kardia, tentado a aceitar a proposta do empresário, mas seu cérebro dizia que não era certo e ele acabava deixando o celular de lado.

— Não se preocupe. Ele sabe se cuidar. — Regulus tentou passar força para o amigo. Só tinha uma pessoa que conseguia deixar Dégel com aquela cara de taxo: Camus.

— Não estou preocupado com ele. — Mentiu. — Acho que ele não precisa da minha ajuda.

Regulus lançou um olhar duvidoso ao amigo. Dégel estava escondendo algo serio dele, mas respeitaria a decisão do aquariano em não querer lhe contar. Dégel tinha o direito de ter segredos. Além do mais, naquele momento Regulus tinha uma preocupação maior: O que vestiria para ir encontrar com Sonnya?

— Ok. Vou fingir que acredito e quando quiser contar, estarei aqui. — O grego disse. — Você quer ir ao cinema comigo e a Sonnya?

Dégel o olhou torto

— Não obrigado. Não pretendo ficar segurando vela pra ninguém. — Respondeu ríspido.

Regulus revirou os olhos.

— Não vamos somente eu e ela, ou por outro lado eu não estaria te convidando. — Regulus rebateu.

— Mais alguém vai? — Dégel perguntou interessado.

— Kardia não vai, se é o que quer saber. — Dégel ficou vermelho, mas não rebateu a indelicadeza do amigo. — Iram somente alguns amigos da Sonnya. Shun também e... — Regulus fez suspense. — Hyoga.

— O Hyoga? — Dégel perguntou surpreso. — Aquele loiro tratante está em Yonkers e não me disse nada? — Falou exibindo uma expressão avessa.

— Sim. Parece que o rolo dele com o executivo do Kardia tá indo bem. Bom, de acordo com o próprio. Acredita que ele vai trazer o curso dele para uma das universidades daqui?

— Serio? — Dégel demonstrou entusiasmos, porém tudo parecia deixar de ter sentido somente por uma menção do nome de Kardia.

— Sim. Confesso que não achei que o rolo deles fosse muito longe, mas aqui estamos, não é?

— É. E em que hotel ele se hospedou?

— Você não vai acreditar quando eu te contar. — Novamente Regulus fez suspense, Dégel franziu o cenho. O semblante do leonino não escondia a malicia

— Não... — Negou com um semblante perspicaz, porém divertido.

— Sim... No apartamento do bebê. — Regulus imitou o modo como o amigo loiro havia falado ao ver o executivo pela primeira vez.

— Isso não é classificado como casamento? — Ironizou o aquariano.

— Isso ainda não foi confirmado mais acho que falta bem pouco. Mas não quero falar do Hyoga agora. Quero saber se você vai ou não ao cinema.

— Se eu não vou ficar de vela, tudo bem. Eu vou! — Concordou o aquariano. Precisava mesmo se distrair

...Fallen...

Camus acordou no meio da noite escutando ao longe o som de um piano. Seu corpo estava dolorido, a posição desconfortável ao qual havia sido submetido cobrava o preço. No fundo, agradecia a Hades por ter tido piedade e o libertado para que descansasse.

A melodia o guiou ao grande salão de artes que aquele apartamento possuía. Era um quarto simples, cheio de quadros e jarros. No meio da sala havia um velho piano branco onde Camus conseguiu avistar Hades concentrado, tocando uma linda melodia, porém, triste. Os dedos longos do homem escorregavam nas teclas de marfim como se fizessem parte delas.

O semblante de Hades estava carregado, como se estivesse em um dilema interno profundo e bastante conflituoso. Aquela canção era triste e tocava a alma do francês de tal modo que o mesmo fechou os olhos para apreciá-la melhor.

— Há quanto tempo está ai? — Camus assustou-se.

— Hã... Não muito. — Respondeu rubro. Não era certo um submisso espionar seu amo em um momento intimo dele.

— Venha cá. — Hades o chamou. Um pouco recluso, Camus o obedeceu. O moreno o ordenou a sentar em seu colo. — Você sabe tocar, não é? — Camus acenou com a cabeça. — Então toque.

— Que melodia o senhor tem em mente? — Camus perguntou vacilante.

— Escolha. Eu confio em seu gosto...

O ruivo respirou fundo.

O toque na primeira tecla saiu tímido. Um acorde solitário. Camus engoliu seco, fazia tempo que não tocava. Deslizou os dedos pelas teclas, como se estivesse reconhecendo o instrumento. Um sentimento adormecido, uma canção guardada no seu subconsciente e o desejo de reproduzi-la ditaram aos seus dedos a forma como tocar. Uma melodia suave e cheia de sentimentos guardados saia e enchia o ambiente e o deixava dormente.

Não se importou quando Hades tocou em seu rosto ou mesmo quando o moreno afastou o cabelo de seu pescoço, colocando uma grande quantidade atrás da orelha de cartilagem fina e esbranquiçada que ele possuía. Nem mesmo quando beijos leves começaram pela nuca e desceram pelo ombro, ele não se importou.

Um apertão em um dos seus mamilos o fez morder o lábio com força e soltar um leve suspiro. Hades desceu a mão por todo o peito de Camus, apertando tudo o que conseguia. Beijou as costas e apalpou as coxas roliças. O fez ficar em pé e retirou-lhe a boxe, única peça ao qual o aquariano era obrigado a usar enquanto estivesse no apartamento. Deixando-o novamente nu.

— Não perca o foco. — Hades ordenou se colocando entre as pernas de Camus.

O moreno deslizou a língua pela virilha de Camus, até encontrar seu objetivo, fazendo o aquariano contrair o corpo e tremer com o toque úmido sobre a carne sensível entre suas pernas, assim bem como o orifício quente e apertado entre as nádegas de Camus.

O ruivo gemeu com a surpresa inicial.

Hades continuou pressionando com firmeza, deixando os dois primeiros dígitos escorregar para dentro do francês, fazendo-o tremer algumas notas. Hades o castigou com doloridas mordidas na glande. O ruivo espaçou um pouco as pernas para que seu amo conseguisse penetrá-lo mais facilmente.

Outro gemido foi libertado, Hades o havia sugado tão forte que o fez separar as mãos do piano e levá-las aos cabelos negros do homem, fazendo-o parar quase que imediatamente.

Hades levantou contrariado. Guiou Camus ao divã de veludo negro e sem delicadeza ou precaução o jogou em cima e o prendeu sob seu corpo. O aquariano distinguia ira nos olhos do homem.

— Eu tentei ser gentil com você, Camus. Mas sua teimosia não tem limites... — Hades ditou raivoso. Colocou o pênis turgido para fora da calça e penetrou Camus tão seco e tão doloridamente que ele trincou o dente para conseguir suportar a pressão.

As estocadas foram secas e sem prazer algum por parte do ruivo. Somente dor, o desespero. Hades rugia feito um animal quando chegou ao ápice.

Como eu consegui suportar isso por tanto tempo? O ruivo se perguntou. O corpo dolorido.

— Entenda meu querido, nunca vou abrir mão de você. — Hades falou. Destruindo toda e qualquer possibilidade e expectavas que Camus havia criado com o novo namorado.

— Por que ama me torturar? — O aquariano perguntou derrotado.

— Por que você é meu... Meu para sempre. Bem diferente do modo que eu pretendia, mas assim é mais divertido. — O sorriso sínico e impiedoso adornava os lábios do moreno. — Agora se retire. Volte para sua jaula.

Camus fez o que lhe foi ordenado e retornou para o quarto de sua eterna dor. Entrou na jaula e fechou a portinhola. A jaula era uma espécie de cercado (bem parecida com uma casinha de cachorro) forrado com um colchão que Camus era obrigado a ficar quando não estava em uso. Era ali onde dormi e passava a maior parte do tempo, ali era o único lugar onde Hades não podia perturbá-lo.

...Fallen...

Eram quase onze da noite quando Sonnya, Regulus, Saga, Aioros, Dégel, Kanon, Shun e Hyoga saíram da sessão de cinema. Sonnya sorria animada, havia passado à tarde com Regulus e havia acabado de dividir uma sessão com os amigos: estava irremediavelmente feliz.

Sonnya andava um pouco a frente com Regulus, esquecida momentaneamente do casamento que estava próximo, das obrigações que a família lhe impunha, e o melhor: seu pai estava longe.

Shun e Hyoga vinham logo atrás deles, trocando beijos vez e outra. Sorrindo feitos bobos. Saga e Aioros vinham logo atrás. Conversando amenidades, tocando as mãos discretamente.

Os últimos eram Kanon e Dégel, o último vinha escutando as reclamações do primeiro.

— Ugh, o amor é brega e transforma os apaixonados em perfeito idiotas. — Kanon arrancou uma risada de Dégel.

— Você vai mesmo amanhã? — Shun perguntou a Hyoga. Suas mãos entrelaçadas se apertaram.

— Bem cedo. — O russo disse beijando as mãos finas de Shun. — Mas estarei aqui no próximo final de semana. — Afirmou. Logo deu um beijo nos lábios do namorado.

Sonnya e Regulus pararam próximos a limusine.

— Tenho uma novidade para te contar. — Regulus comentou feliz. — Fui aceito no Ômega York times. Começo na segunda-feira.

— Serio? Parabéns! — A rosada felicitou o amante com um abraço e Regulus aproveitou para roubar um beijo da namorada.

— Então, quando ela pretende contar pra ele que casará com você? — Saga perguntou baixo, somente para Aioros escutar.

— Não sei. — O sagitariano respondeu, compartilhando da felicidade da amiga. Também estava feliz, tinha passado à tarde com o amante: tinham feito amor até a exaustão. Comeram juntos, dividiram o banho... Não havia motivos para estarem tristes.

Sonnya e Aioros haviam conversado por longas horas e decidiram que não iriam casar um com outro. Assim como Sonnya, Aioros não estava disposto a sacrificar sua felicidade. Ambos já tinham concordado que não levariam aquele casamento sem sentimento e sem sentido adiante. Claro que aquilo não seria fácil. Pois toda ação causa uma reação de igual proporção, mas estavam dispostos a lutarem por seus respectivos amores.

Claro, iriam com calma. Não jogariam logo agora o fim do relacionamento. Ainda tinham tempo, fariam as coisas devagar. Sairiam juntos, encobertariam um ao outro. Uniriam forças. Encontrariam com seus amantes. Até tudo se encaixar, viveria a liberdade escondida. Adiariam o casamento um pouco mais. Lutariam.

— Sabe Saga, existem coisas que somente o futuro dirá. — Saga sorriu, Aioros era um homem extremamente inteligente, além de bonito e atraente.

— Aioros... — Saga chamou, porém não teve tempo de continuar o que quer que fosse dizer, pois a voz intempestiva encheu o estacionamento pegando o grupo desprevenido.

— Kardia? Milo? Irmãos? — Sonnya estava estática. Havia sido pega em flagrante e delito. Por que Regulus tinha que beijá-la justo naquele momento? — O que estão fazendo aqui? — perguntou trêmula.

A ira no olhar do irmão mais velho a intimidava. Não sabia o que dizer da expressão confusa de Milo.

— Isso não vem ao caso agora. — O escorpiano falou. Eximiu sua expressão trincada para o leonino. — Onde está seu noivo?

— Noivo? — Regulus perguntou sem entender. Sonnya prendeu a respiração, tinha tido a tarde toda para falar com o leonino, mas não teve coragem de dizer a ele que estava de casamento marcado, que ela e Aioros iriam fazer dele e de Saga seus respectivos amantes.

— Eu posso explicar — A escorpiana formulou chorosa. Magoa e raiva se mesclava no olhar de Regulus.

— Você tem um noivo e está saindo comigo? É isso que pretende explicar? — Regulus trincou o dente.

— Sonnya? — Aioros se aproximou ao ver a confusão.

— Ai está você. Como você deixa sua noiva agir como uma devassa e beijar outro cara em publico e na sua presença? — Kardia perguntou revoltado.

— Kardia, espera... Você está fazendo confusão. — Aioros tentou apaziguar. Nesse momento Dégel chegou ao local.

— O que houve? — Perguntou deslocado. — Kardia? — Franziu o cenho ao ver o empresário ali. Kardia também estranhou ao mesmo tempo em que ficou feliz por em ver o francês.

— Você também faz parte disso? — Kardia perguntou contrariado.

— Do que está falando? — Dégel

— Não se equivoque. — Milo falou baixo, somente para o irmão ouvir. — sabe o que papai fará se vir os filhos dele em escândalos desnecessários.

— Ele não sabe de nada Kardia. — Sonnya interviu.

O leonino soltou um suspiro debochado.

— Não é só ele... — Falou frustrado. Pegou na mão do amigo e saiu o arrastando. — Vem Dégel, vamos embora que a noite já deu.

Dégel ainda lançou um ultimo olhar a Kardia antes de seguir com o amigo.

Regulus andava rápido pelo estacionamento. Apertava inconscientemente o pulso do aquariano. Degel não reclamou e não perguntou. Os amigos pegaram um taxi e voltaram para casa. Regulus não falou uma única palavra antes de se trancar dentro do quarto e Degel respeitou a decisão do amigo.

Suspirou! Kardia sempre trazia confusão e o previu que, daquela, vez não seria diferente.

Não podia confiar nele...

Continua...

Notas finais
Escondendo-me por que sei que tem gente querendo me matar uma vez que só faço o Camy sofrer... Gente, eu lutei tanto para não escrever essas partes horrorosas, mas foi necessário. Infelizmente! Bem, Ikki e Shaka estão no maior love, claro que isso vai ter um contratempo né? Então que aproveitem. Advirto que no próximo capitulo tem confuso, já que depois de tanto rala e rola o Ikki resolveu visitar o irmão e convenhamos que o Oga, não vai sair tão cedo... kkkkk meu cérebro maquiavélico não para. E, por fim, Regulus... Descobriu da pior maneira. Credo! Kardia Sonnya... minha filha, sem palavras pra você! Um super beijo a todos, e até...