Fallen
2 Kardia Onpreyde!
Notas iniciais

Capitulo II — Kardia Onpreyde.
“Regulus tinha razão”. — pensava enquanto dirigia. O caminho era bem longo. — “eu deveria ter saído mais cedo de casa. Só espero chegar na hora marcada!”.
Estava um pouco perturbado e inseguro. Regulus havia lhe pedido para entrevistar o CEO da Giudecca Corporations, só que o amigo não tinha lhe dito nada sobre o mesmo. O amigo mala com quem dividia o apartamento, não havia lhe dado um chão onde pisar...
Suspirou frustrado. “Onde eu estava com a cabeça quando me deixei ser convencido por ele?” pensou. Tinha que admitir: Regulus será um ótimo jornalista!
Regulus era seu companheiro de quarto desde que foi estudar em Miller-Motte technical, uma das universidades de Harrison. Tornaram-se amigos logo de cara. Os tios do leonino haviam comprado um apartamento para que o mesmo não ficasse nas republicas. Sabiam como o sobrinho gostava de festa e as republicas tinham regras as quais eles — os tios de Regulus — não queriam ser chamados atenção por conta dos caprichos do sobrinho.
Um sorriso bobo desgredou em Degel ao lembrar-se da sena de seu primeiro encontro com o amigo.
Estava perdido no meio do campus de Miller-Motte quando o leonino esbarrou em nele. O olhar azul esverdeado analisou, rapidamente, a aparência desfocada do futuro amigo.
— Desculpe-me — Regulus pediu ajudando a apanhar o material do ruivo. — Você não é daqui, certo? — perguntou, olhando com seus grandes e brilhantes olhos, a figura quase pálida.
— Non! – respondeu fugaz. Tentando apanha todas as coisas que deixou cair no chão por conta do encontrão. Depois de verificar sua matricula, ainda tinha que ir ver a republica ao qual ia pertencer.
— Você não quer dividir o apartamento comigo? — o convite de supetão fez o aquariano largar tudo o que tinha apanhado e recuar um pouco, suas bochechas se avermelharam.
— Hein?
Um sorriso infantil e sem jeito brincou nos lábios do leonino. Quem em sã consciência iria aceitar um pedido daqueles, feito de maneira tão irresponsável? Estava claro que o outro se assustaria.
— Ah, que bobeira a minha. Eu me chamo Regulus Linyu e vou começar esse ano em Miller-Motte também. Como não quero ficar sozinho no imenso apartamento que meus tios me deram, eu pensei em conseguir um colega de quarto. Você parece ser um cara legal... Claro, você aceita se quiser e... seu cabelo é verde?!
O esverdeado teve que colocar a mão na boca para não rir da maneira açodada como o outro lhe lançava informações e reparava em seu cabelo.
— É, é verde sim. — exclamou acalmando-se. Aquele menino não seria perigo para ninguém, tanto que sentiu vontade cuida dele. Daquele menino inocente e irresponsável que estava chamando ele, um completo desconhecido, para morar consigo. — eu me chamo Degel.
— Isso é um sim, Degel?! — perguntou exibindo um semblante feliz por não ter que “comprar” alguém para morar com ele.
— Sim, Regulus. É um sim. — volveu de maneira contida. Seria uma boa morar a dois, com um amigo. Não que o outro fosse seu amigo, afinal, tinha acabado de conhecer aquela afoita criatura. Mais ao menos, ele parecia ser um cara legal.
Tirando as farras dos fins de semana e a dor de cabeça que o mesmo tinha quando as provas estavam próximas, ou quando findava o tempo de entrega de exercício obrigatórios e extracurriculares, o leonino ate que era uma boa pessoa. Bastante “responsável”, pelo menos ate certo ponto, com suas coisas. Era tenaz, objetivo e muito persistente.
— E escolheu justamente essa semana para sucumbir à gripe. — murmurou saindo dos pensamentos passados. Depois de quase duas horas e meia dirigindo, finalmente havia chegado a Giudecca Corporations.
...Fallen...
Os olhos extremamente azulados olharam em direção a porta quando a mesma abriu-se. Um sorriso debochado formou-se nos lábios formoso ao ver o companheiro adentrar.
— O-o que está fazendo aqui? — indagou um dos dançarinos surpreso.
— Ate onde sei, eu trabalho aqui. — respondeu junto com um olhar intimidador. Não era segredo para ninguém que não se bicavam.
— Achei que estivesse de folga, afinal, é seu aniversario...
— É um dia como qualquer outro. Além do mais, hoje é sexta. O segundo dia mais lotado da imperius. Você acha que consegue dar conta sozinho? — perguntou. Um sorriso maligno brincava em seus lábios. Conseguir deixar o outro sem fala era quase um feito histórico.
— Ao menos, eu não passo mais de vinte minutos com um cliente. — devolveu crispando os punhos ao lado do corpo — sou muito mais desejado que você.
— Será mesmo? — indagou elevando o dedo ao queixo. Fazendo pose de quem estava pensando — você tem que trabalhar o dobro, ate o triplo a mais que eu. — ditou sem piedade.
— Ora, seu...
— Já chega! Camus, Afrodite... — a ordenou em tom feminino, mas ao mesmo tempo firme e imponente, fizeram os dois calarem-se.
— Senhorita Kido. — murmuraram ao mesmo tempo. Vislumbrando a figura ínfima da patroa.
Saori Kido era uma mulher de descendência grega, customizada no Japão, residente em Nova lorque. Tinha ganhado o Club imperius em uma das apostas que fez com sua prima Hilda. Ganhou, não somente o Club, como também todos os funcionários nela.
A senhorita Kido (como gostavam de chamá-la) tinha uma visão diferente de sua prima, Hilda. A garota era uma perfeita pervertida com tendência a leiloemos e fazia, de quarta a domingo, os dias mais lucrativos do prostibulo que ela chamava de Club.
— Eu adoraria que todos vocês tivessem uma convivência pacifica. — ditou olhando os dois colegas. — agora, Camus, por favor, venha comigo ate meu escritório.
O ruivo estranhou o pedido da mulher, mesmo assim, seguiu-a como lhe foi pedido.
...Fallen...
Degel ergueu a cabeça de tal modo que seus longos fios lisos e esverdeados encostaram-se aos calcanhares. Somente para que seus olhos conseguissem vislumbra o topo da sede da Giudecca Corporations. Um edifício comercial enorme: tinha mais de vinte andares e era todo em aço e vidro curvo. Uma estrutura linda, fascinante e ainda assim com uma altura assustadora. Um letreiro gigantesco nomeando o lugar.
Olhou o relógio em seu pulso e suspirou aliviado. Ainda era uma e quarenta e cinco da tarde. Havia conseguido chegar quinze minutos antes do horário marcado. Passou pela enorme portaria de vidro espelhado e aço negro transparente, entrando no prédio. Atravessando o corredor que dava acesso à recepção. O local parecia com uma grande sala de espera. Tinha sofás em cores brancas. Uma mesinha de centro com algumas flores em cima. Logo mais à frente, tinha um balcão de arenito cinza e atrás dele estava uma jovem loira muito bem uniformizada.
A mesma lhe sorriu agradável.
— Boa tarde. Estou aqui para ver o Sr. Onpreyde — falou altivo. Pode sentir o olhar curioso da recepcionista fixo na cor de seus cabelos. Corou levemente.
Prendeu alguns fios atrás da orelha, não queria que ela notasse seu desconforto. Nunca antes tinha se importado em ter um cabelo daquela cor, agora, parecia que todos olhavam diretamente para sua cabeça.
— Boa tarde. O senhor tem hora marcada? — o timbre aveludado da mulher parecia algo falso. Como se ela fosse uma máquina programada para aquilo.
— Sim, sou Degel Oushevard, vim representando Regulus Linyu.
A mulher franziu o cenho por trás dos óculos de grau em direção ao jovem de cabelos verdes.
— Aguarde um momento, Sr. Oushevard. — a recepcionista pediu. Suas sobrancelhas se arquearam ligeiramente. Os dedos curtos batendo nas teclas do computador.
— Senhor Linyu tem hora marcada... — falou erguendo novamente o olhar para o aquariano. — Por favor, registre-se aqui — disse entregando um livro preto para que Degel assinasse. Depois, deu-lhe um crachá de segurança. — os elevadores ficam naquela direção. — falou, mostrando o caminho por onde ele deveria seguir.
Degel dispensou “um obrigado” para a mulher e seguiu na direção indicada. Passou por dois homens loiros idênticos que estavam muito mais bem vestidos em ternos pretos bem cortados. Não pode evitar o sorriso que lhe desenhou os lábios finos: Era tão óbvio que estava só de visita...
“Nós também não contrastamos em nada com este local”.
Chegou ao vigésimo andar mais rápido do que imaginou. O estudante passou por outra grande entrada, também formada com extensões em vidro negro. Chegou a outra recepção, com sala de espera e outra jovem loira também vestida impecavelmente. Essa, diferente da primeira, se levantou para atendê-lo de perto.
— Senhor Oushevard, você poderia por gentileza esperar aqui? — apontou para uma área acomodada por sofás e cadeiras de couro branco.
Atrás das cadeiras tinha uma espaçosa sala de reunião envidraçada. Dentro da sala havia uma mesa carcada por pelo menos vinte cadeiras escuras que contrastava de forma impecável com ela. Um pouco mais além das mesas e cadeiras tinha uma janela do chão ao teto com uma visão do horizonte de Stamford.
“É uma vista deslumbrante”. — Pensou, paralisando com tanta beleza.
— Claro. — murmurou para a recepcionista, sentando-se em uma das cadeiras.
A julgar pelo edifício moderninho, o Sr. Onpreyde é um homem entre cinquenta e noventa. Sua forma física deteriorada está em perfeito estado. É, provavelmente, um homem bronzeado e de cabelos loiros para combinar com o resto do pessoal.
“Será que isso soaria tão ridículo em voz alta, como está soando em meus pensamentos” — indagou-se, tentando acalmar sua obsessão por conhecer o eminente.
Abriu a mochila e pegou o questionário que Regulus havia feito: ensaiar antes de estar frente a frente com o homem mais poderoso de Stamford (segundo Regulus) que não seria má ideia. Ao menos tentaria traçar um perfil mais complexo pelas perguntas. Já que o local era neutro demais para lhe dar uma conclusão exata. Ralhou mentalmente com Regulus por ele não lhe fornecer uma breve biografia do homem que estava prestes entrevistar. Afinal, nem que lesse todas as perguntas escritas naquele pedaço de papel, não conseguiria o que queria até estar cara-a-cara com o empresário.
— Noventa ou cinquenta anos? — indagou baixo.
Detestava incertezas. Irritava-se com perguntas que não sabia a resposta. Ficava incomodado. Na verdade, nunca ficou confortável em uma entrevista com varias pessoas ou em apresentações em classe. Preferia o anonimato de uma discussão em grupo. Se pudesse escolher, preferiria se sentar imperceptivelmente na parte de trás da sala. Era do tipo que preferia a companhia de um bom romance clássico britânico e enrolado, a multidões e debates. E era por isso, por está ali, no meio daquelas pessoas vestidas em terninhos perfeitamente cortado e bem alinhados, que interiormente “amaldiçoava” Regulus por ter ficado doente e fazê-lo passar por aquilo. Por todo aquele stress que enchia sua mente de arroubos e aumentava sua incerteza por não saber nada sobre o homem que estava prestes a entrevistar.
Revirou os olhos consigo mesmo. O que estava acontecendo afinal? Por que não conseguia se manter sobre controle? Era só uma entrevista...
“Porque você é curioso!” — seu cérebro acusou.
Começou a fazer seção de pequenos suspiros para se acalmar. Estava para ler a terceira pergunta quando um homem — também loiro e empacotado em um terno escuro — passou pelo saguão igual a um furacão.
— Senhor Anihan... — chamou a recepcionista praticamente pulando da cadeira.
— Agora não Eire... — o homem falou, levantando a mãos aberta em direção à mulher — vou impedir um assassinato. — volveu e entrou por uma porta branca.
O aquariano sentiu-se desfocado. Talvez sua roupa de aparência inteligente — um jeans azul, a camiseta branca e a jaqueta azul marinho — não fossem tão apropriados para aquele lugar. Passou a desejar ter pegado emprestado um dos ternos de Regulus. Sem jeito, ajeitou um dos fugitivos tentáculos verde, que desprendia de sua cabeça, atrás da orelha.
— Isso é injusto. — um grito potente foi escutado vir da porta em que o loiro de instantes atrás havia entrado — você não tem esse direito. — a mesma voz ditou novamente.
A porta foi aberta de supetão e, de lá, um loiro de pele bronzeada, vestido em terno risca giz saiu arrastado pelo loiro que havia entrado ali segundos antes dos gritos. Os olhos âmbar arregalaram-se, assim como os da recepcionista.
— Eire, por favor, peça a Yuzuriha para levar agua e calmante para minha sala — pediu o homem arrastando o outro pelo braço.
— Sim, senhor Anihan — respondeu a recepcionista com os lábios trêmulos e uma expressão nervosa. Degel sentiu o estomago dar voltas. Aparentemente algo grave tinha acontecido dentro daquela sala.
Degel remexeu-se no assento. Desejou estar em uma cadeira na biblioteca do campus, lendo algum livro ou estudando para suas provas finais. Não sentado em um edifício de vidro e pedra, se contorcendo nervosamente igual a uma minhoca tirada da terra.
Outra elegante e, também impecavelmente vestida, recepcionista loira saiu de uma grande porta à direita. Tinha cabelos compridos e seus índigos olhos verdes eram serenos e profundos. De inicio, o aquariano achou-a um tanto estranha... A mulher tinha duas pintinhas na testa.
“Ao menos ela não tem o cabelo verde” — seu pensamento lhe alfinetou — “loira embaixo, loira em cima, loira saindo pelas portas, loiros na segurança e loiros dando escanda-lo. Das duas uma; ou senhor Onpreyde tem complexo com loiros ou está havendo uma convenção nessa empresa e eu não fui informado!” pensou ao notar a situação ao seu redor.
— Yuzu, o senhor Anihan pediu que você levasse água e calmante na sala dele. — informou Eire, ainda tremula.
— Ele disse quantos? — perguntou a outra, muito tranquila.
— Não, mas é bom levar bastante. — disse com um sorriso sem graça. Como se dissesse: a situação é grave!
— Entendo... — Yuzuriha colocou um dos fios loiros atrás da orelha, deu um suspiro resignado e saiu.
A recepcionista ficou olhando ate a colega sumir pelo corredor. Com um suspiro resignado e uma expressão sem graça, Eire se aproximou de Degel.
— Senhor Oushevard? — chamou-o, a voz baixa da mulher o surpreendeu, tirando-o de suas divagações sobre o que pudesse ter acontecido na sala e o porquê de só ter loiros trabalhando ali.
— Sim... — o aquariano grasnou. Fato que deixou seu rosto avermelhado.
A garota lhe sorriu amável. Era perfeitamente compreensível seu estado de choque, depois de presenciar, mesmo que não completamente, uma situação como aquela.
— O Sr. Onpreyde irá recebê-lo em um momento. Eu posso pegar sua jaqueta?
— Oh, por favor. — tirou a jaqueta e entregou à loira.
— O senhor aceita alguma bebida? Chá, café, água? — Eire perguntou. Sua voz ainda saia um pouco tépida.
— Um copo com água, por favor.
— Claro, aguarde só um pouco, por favor!
Degel assentiu com a cabeça e a prestativa recepcionista foi busca a agua, levando consigo a jaqueta do aquariano. Eire não demorou muito no processo de ir e vir, retornando com um copo com água gelada.
— Quanto tempo acha que ele levará para me atender? — indagou calmo. Pegando o copo das mãos de Eire. Tomando em grandes goles o liquido transparente.
— Acho que mais uns cinco minutos. — Eire respondeu, recebendo o corpo de volta.
— Obrigado. — disse antes da garota se retirar, com seus saltos quicando no chão, para a escrivaninha que ocupava do outro lado da sala.
Depois de mais alguns minutos de espera a porta do escritório se abriu e, um moreno alto, atraente e elegantemente vestido, saiu da sala que anteriormente o outro, porém loiro, saiu arrastado.
“Eu definitivamente vesti as roupas erradas” — pensou. Encantado por ver alguém daquele prédio que não era loiro.
— Não se esqueça Onpreyde, temos Tênis neste final semana. — ditou o moreno antes de sair sem esperar por resposta. Eire novamente saltou da cadeira para chama o elevador.
“Se houvesse um concurso, ela com certeza, ganharia.” — pensou maldoso, notando o nervosismo da garota.
— O Sr. Onpreyde verá você agora. — disse retornando do elevador — Siga-me. – pediu a loira.
Degel olhou para a porta parcialmente aberta e engoliu seco. Não sabia como ou quando, mas... o ambiente tinha ficado intensamente pesado. Suas pernas se tornaram inconvenientemente tremulas. Tentou suprimir seus nervos, ajeitando os cabelos atrás da orelha...
Estava nervoso. Como se portar na frente de alguém tão importante?
— Você não precisa bater, apenas entre. — a recepcionista falou sorrindo. Degel assentiu com a cabeça. Suspirou fundo, pegou a mochila e caminhou até a porta
Após um suspiro prolongado, o aquariano empurrou porta. Suas pernas tremularam, cambaleando, tropeçando uma na outra, fazendo o corpo magro entrar de porta adentro e cair, literalmente, de cabeça dentro do escritório.
“Merda dupla” — praguejou de cara no chão — “eu e meus dois pés esquerdos!” — sentou-se em suas pernas, em cima de seus joelhos, na entrada do escritório. Escutou um engasgo, como se a outra pessoa, a que estava dentro da sala, tivesse suprimido uma grande quantidade de ar nos pulmões.
“Essa será uma longa tarde” — pensou sentindo seu rosto arder de vergonha.
...Fallen...
— Você vai o quê, Milo? — a voz que outrora era controlada e pacifica, agora exasperava dentro da sala.
— Gastei vinte mil com um striper no Club Imperius. — respondeu como se fosse à coisa mais natural do mundo. E na cabeça dele era, pois tinha tantos direitos quanto o irmão. — eu não entendo qual a dificuldade de você e Kardia aceitarem isso.
— Será que é por que é uma quantia grande demais para um programa?! — volveu o loiro de forma enérgica.
— Shaka, quantas vezes eu vou ter que te dizer que não foi somente um programa? — indagou, um leve brilho passando por seus olhos azuis. — nós fizemos amor.
O loiro sorriu com a inocência do amigo.
— Milo meu bem, presta atenção. Aquele homem pertence ao Imperius, ou seja, pertence à Saori e a todo homem que pagar para ter o corpo dele. E não vai ser uma noite com você que vai mudar isso.
— Eu sei, eu pensei nisso. — falou desgostoso. — por isso que estou disposto a comprá-lo dela, se esse for o caso.
Os olhos azuis celeste do loiro indiano quicaram com os azuis esverdeados do grego, por um pequeno espaço de tempo, ate o indiano cair na gargalhada.
— Você...?! Comprar um striper particular? — Shaka perguntou entre o riso.
— É. — afirmou, erguendo uma sobrancelha em direção ao amigo risonho — e não vejo qual é a graça nisso.
— Isso é um absurdo Milo.
— Para mim não! — volveu enfezado para o amigo que continuava sorrindo. — Shaka quer parar? — ralhou.
O indiano parou o riso. Mirou a face seria do amigo.
— Eu não acredito nisso Milo. — volveu, constatando a intensidade da convicção do escorpiano.
— Não acredita no que?
— Você... não acredito que se apaixonou por um puto.
— Ele não é puto, Shaka.
— Não? E é o que? — o grego mordeu o lábio com força. Não queria responder aquela pergunta — Milo ele trabalha em uma boate. Vai pra cama com quem pagar mais por ele...
— Eu sei disso. Não precisa ficar repetindo — o virginiano cruzou os braços e olhou-o serio. — é exatamente por isso que vou fazer uma proposta a ele.
— Uma proposta?
— Sim, uma proposta!
— E o que você vai propor a ele? Que deixe o Club e se case com você? — ironizou.
— Quase isso.
— Por Buda, Milo deixe de ser sonhador. Desista disso.
— Est impossible. — ditou o grego com o dedo levantado. Tomou o ultimo comprimido que o amigo havia lhe dado. Passou por ele e caminhou em direção à saída.
— Aonde vai? — perguntou preocupado.
— Encontrar meu striper particular. — volveu com um sorriso sapeca.
— Milo, o Kardia não vai gostar disso. — ditou o indiano tentando colocar senso na cabeça loira do amigo.
— Shaka, o Kardia que vá para o raio que o parta. Não vou fica sob as regras dele.
O grego abriu a porta e partiu. Deixou Shaka com um semblante serio e sem saber o que fazer, dentro de seu escritório.
...Fallen...
Degel ainda se encontrava sentado sobre as próprias pernas, próximo à porta, massageando a testa.
— Senhor Linyu?! — a voz rouca e com um leve tom pejorativo veio de encontro aos seus ouvidos — o senhor está bem? Deseja sentar-se? — o homem foi ate o aquariano e lhe estendeu a mão.
Contendo a enorme vontade de sair correndo dali, Degel aceitou a mão que lhe foi oferecida como apoio para que se levantasse. O aquariano sentiu estranho calafrio correndo através de seu corpo assim que sua mão e a do empresário se tocaram. Era como se estivesse metido inconscientemente o dedo na tomada e, consequentemente, levado um choque. Notou que o mesmo aconteceu com o outro, pois no mesmo instante em que se pôs em pé, o homem puxou rapidamente a mão e a levou para dentro do bolso da calça risca giz que vestia. Estava tão envergonhado que desejava que um buraco se abrisse naquele momento e o engolisse.
“Deve ser estática” — pensou e piscou rapidamente, tentando controlar as batidas de seu coração.
— Eu sou Kardia Onpreyde — o empresário apresentou-se. A voz roufenha, em tom moderado, fez com que todos os pelos da nuca do aquariano se arrepiassem.
“Nem noventa, nem cinquenta” constatou, vislumbrando a aparência jovem do empresário. O mesmo possuía reluzentes e penetrantes olhos azuis revestido com uma cor transversal tornando-os meio esverdeados. Kardia era um homem atraente. Alto. Estava vestido em um fino terno preto, camisa branca e gravata azulada, talvez para combinar com seus incontroláveis cabelos... Azuis?!
O aquariano arregalou o olhar. Assim como ele, o homem a sua frente possuía uma tonalidade “diferenciada” de cabelo...
— Senhor Linyu, o senhor está bem? — indagou o azulado.
— Hum. Perfeitamente... — murmurou ainda chocado com a aparência do empresário. Jovem e de cabelos azul berrante. — e eu me chamo Degel. Degel Oushevard. — apresentou-se. — estudo administração na mesma faculdade que Reg... hum… Senhor Linyu, em Harrison.
— Miller-Motte? — perguntou.
— Sim, Miller-Motte!
— O que houve com o senhor Linyu?
— O senhor Linyu está indisposto, com uma gripe violenta. Então, espero que o senhor não se importe Sr. Onpreyde.
— É muito senhor em uma única frase, mas não. De forma alguma. Eu não me importo... — ditou. Degel sentiu algo dentro de si embrulhar, a voz de Kardia era impassível. Vazia. — Você gostaria de se sentar? — perguntou acenando na direção de um divã em couro preto aveludado.
— Sim. — novamente o aquariano murmurou. Os olhos violáceos correram pela decoração do escritório. Uma enorme escrivaninha de madeira escura direcionada as janelas que iam do chão ao teto, uma mesa de café ao lado de uma poltrona. Varias molduras e fotos espalhadas pela parede branca. — Seu escritório é muito grande para um homem só. — falou, tentava afastar a sensação predatória que a presença daquele homem estava lhe causando.
— Concordo plenamente, Sr. Oushevard — retrucou, fixando-se ainda mais na figura débil do jovem.
Era menor que ele. De pele pálida e longos cabelos esverdeados. Os olhos curiosos e de uma cor um tanto quanto exótica. O corpo magro e de poucas curvas. Degel sentou-se no divã e Kardia repetiu o gesto. Afundando de corpo e tudo ao lado aquariano. Cruzou uma perna sobre o joelho. Apoiou o cotovelo no braço do sofá e passou a analisando o homem que estava prestes a entrevistá-lo com uma curiosidade nada contida.
― Você deve chamar atenção por onde passa, não?! ― volveu o empresário. Degel sentiu suas orelhas corar.
― C-claro... — respondeu com sua face quente. — como pode notar meu cabelo não me deixa passar despercebido.
“E se você andasse por ai como uma pessoa normal também chamaria” — pensou maldoso.
Abriu a mochila, pegou as perguntas e o minigravador de dentro. Nervoso com o olhar intimidante e constrangedor do outro, o aquariano deixou o objeto cair sobre a mesinha de madeira. Kardia apenas sorriu ínfimo. Enquanto Dégel colocava a mão na testa, envergonhado e frustrado, por ser tão atrapalhado, Kardia se divertia com a maneira atrapalhada de seu entrevistador. Fazendo o possível para conter sorriso divertido que queria deixar seus lábios.
— Desculpe-me. — o aquariano gaguejou. — Eu não estou acostumado a isto.
— Leve o tempo que você precisar — volveu, passando levemente a língua nos lábios.
— Você se importa se as respostas forem gravadas? — Indagou o mais jovem.
— Agora que pergunta? Depois que você teve tantas dificuldades para instalar o gravador? — gracejou o empresário, fazendo o aquariano ruborizar e piscar para ele sem saber o que dizer — Não, eu não me importo. — ditou quando Degel desviou o olhar.
— Será que Reg.. quer dizer, o senhor Linyu explicou para o que é a entrevista? — perguntou, tentando parecer firme.
— Sim. Para aparecer na edição de graduação do jornal estudantil quando eu congratular os formando na cerimônia de graduação deste ano. — volveu cheio de si. Fato que deixou o aquariano extremamente irritado.
— Que bom que está bem informado — retrucou engolindo nervosamente. Ajeitou um punhado perdido de cabelo atrás da orelha.
Enquanto o escorpiano estava achando simplesmente adorável o constrangimento do jovem. Degel tentava passar uma postura mais confiante. De alguém que está apto a fazer aquele tipo de coisa. Sentou-se reto, alinhando os ombros, tentando parecer mais alto e mais intimidante. Apertou o botão iniciar do gravador, e tentou parecer profissional.
Kardia ergueu uma sobrancelha diante a postura adotada.
— Por favor, senhor Onpreyde, diga seu nome, idade, signo e nacionalidade em voz alta. — pediu o aquariano. A voz fria e impassível. O perfil altivo. Mostraria aquele homem arrogante que era uma pessoa diferente. Ao menos tentaria enganar...
— Kardia Onpreyde, vinte e oito anos, signo de escorpião. Sou de nacionalidade Grega e morro em Stamford desde pequeno. — Degel ergueu uma sobrancelha. Aquele homem não aparentava ter a idade que estava dizendo, mas não estava ali para questionar aquilo.
A resposta da pergunta seguinte, assim como de todas as outras que se seguiram, deixou Degel boquiaberto. Incomodado. Kardia tinha um jeito diferente de ver as pessoas. Era como se elas (as pessoas) fossem apenas ferramentas de um trabalho compensativo. Não mais que maquinas, alimentadas somente por óleo e energia elétrica.
— Eu emprego um time excepcional, e eu os recompenso bem. Os salários deles é a prova disso.
Degel sentiu-se impelido a rebater tal pensamento. Não achava certa aquela forma de pensa. Pessoas não são peças de uma grande e interminável maquina. Não pode simplesmente colocá-las esquecida de lado, se por um acaso elas não encaixarem-se na ”maquina”.
— Você soa como um maníaco por controle. — As palavras saíram dos lábios finos, antes que o aquariano pudesse detê-las. Uma expressão de desdém nasceu no rosto amorenado.
— Bom, eu exerço controle em todas as coisas, Sr. Oushevard — um sorriso de escarnio acompanhou a frase. E Degel começou a pedir internamente o fim daquela entrevista..
— Talvez você seja apenas sortudo. — retrucou, se mostrando desgosto com as palavras rotularias.
Os olhos azuis flamejaram momentaneamente surpresos. Entretanto, Kardia tinha uma essência arrogante e pejorativa.
— Eu não acredito em sorte ou azar, Sr. Oushevard. Quanto mais duro eu trabalho, mais sorte eu pareço ter. — retrucou. Incitando o jovem. Fazendo-o ruborizar e engolir em seco
— A julga pelo modo como o senhor fala, sinto como se você possuísse um imenso poder. — falou incontido. “Maníaco por controle”.
— Eu emprego mais de quarenta mil pessoas, Sr. Oushevard. Isso me dá certo sentido de responsabilidade... poder, se assim prefere. Se decidisse que já não me interesso mais pelos negócios de telecomunicações e vendesse tudo, vinte mil pessoas teriam grandes dificuldades em pagar suas hipotecas no final do mês então...
O aquariano abriu a boca. Estava espantado com a falta de humildade do outro. E conforme as perguntas iam seguindo, Degel ficava cada vez mais horrorizado com as respostas obtidas.
Era hora de mudar o rumo daquela conversa ou sairia dali sem conseguir matérial necessário para seu amigo.
— Você tem algum interesse fora de seu trabalho?
— Tenho interesses variados. — um sorriso paloso se fez presente nos lábios do escorpiano, fazendo o tom ruborizado retornar a face pálida — Muito variados...
A resposta deixou Degel confuso, queria uma resposta concreta.
— Pude notar que você trabalha muito duro, o que você faz para relaxar? — indagou receoso.
— Relaxar? — Kardia deu um sorriso jocoso, revelando seus dentes brancos e perfeitos.
Degel prendeu a respiração. Sentiu o corpo tremular e sua face novamente esquentar. Um sorriso mais firme saiu dos lábios carnudos ao notar a reação do menor.
— Bem, para “relaxar” como você diz, eu velejo, eu voo, eu desfruto de várias atividades físicas — Kardia se remexeu. — eu tenho passatempos caros, muito caros e que tomam muito meu tempo.
— Se é um homem muito ocupado, mesmo em suas horas de lazer, por que concordou em fazer esta entrevista?
— Porque... para todos os efeitos... eu não consegui tirar a senhor Linyu do meu pé. Ele insistiu e insistiu com meu pessoal de Relações Públicas, e eu admiro esse tipo de tenacidade.
Degel esboçou um sorriso divertido. “Nem mesmo o homem mais arrogante do mundo conseguiu se livrar de Regulus Linyu” — pensou. Ele como companheiro de quarto do leonino sabia bem como outro sabia ser tenaz. Era por isso que estava sentado ali, se retorcendo como uma minhoca retirada da terra, com um ser altamente arrogante e nem um pouco humilde, sob o seu olhar penetrante, quando tinha que estar estudando para os exames finais.
Aquela entrevista o estava deixando cansado. Enjoado. Kardia parecia ser um homem frio. Cruel... ter controle sobre tudo era o que realmente parecia importar para ele. Isso incomodava demais.
— Você é gay, Sr. Onpreyde? — a pergunta saiu estagnada. Ambos se olharam críticos.
Degel puxou o ar com força. Encolhendo-se, mortificado. Achando que levaria um soco. Amaldiçoando-se por não ter feito um filtro antes de ler em voz alta a pergunta.
Kardia levantou suas sobrancelhas, um brilho frio e perverso possuiam em seus olhos.
— Eu peço desculpas. Isto está hum… escrito aqui. — Degel tentou inutilmente contornar a situação. O batimento cardíaco estava acelerado dentro do peito, suas bochechas ardiam de vergonha. Nervoso, colocou o cabelo solto atrás da orelha.
— Estas não são suas próprias perguntas? — Kardia indagou curioso.
— Éee… non. Reg... quer dizer, o Sr. Linyu, ele as escreveu. Esse é um trabalho dele.
— Vocês são colegas no jornal estudantil?
— Non! Je n'ai rien à voir avec le journal étudiant — ditou nervoso. O escorpiano ergueu as sobrancelhas, notando a mudança linguística — eto... quer dizer, eu não tenho nada a ver com o jornal estudantil. É a atividade extracurricular dele, do sr Linyu — ditou. O rosto em chamas — somos apenas colegas de quarto.
Kardia analisava calmamente os movimentos do estudante.
— Você se voluntariou para fazer esta entrevista? — perguntou calmo demais para alguém que teve sua masculinidade questionada.
“Quem deveria estar entrevistando quem?” — Degel franziu o cenho. Sentindo os olhos inquisidores queimar em si. Forçando-o, obrigando-o a responder com a verdade.
— Eu fui sorteado. Ele não está bem. — respondeu com um sorriso fraco. — como eu já havia mencionado, ele pegou um resfriado e não conseguiu vir pessoalmente.
— Isso explica muita coisa...
Uma batida pôs uma ínfima pausa na conversa e Eire entrou na sala.
— Sr. Onpreyde, perdoe-me por interromper, mas sua próxima reunião será em dois minutos.
— Nós ainda não terminamos aqui, Eire. Peça a Milo para me substituir. — Kardia ordenou e a recepcionista ficou sem saber o que fazer.
— Seu irmão saiu Sr. Onpreyde — Eire murmurou e Kardia franziu a testa.
— Como? Pra onde?
— Não sei senhor, ele não informou. — o escorpiano inspirou fundo. Um pensamento perturbador invadiu sua mente.
— Ok. Eire, cancele minha próxima reunião — falou ríspido, deixando a funcionaria boquiaberta, sem saber o que falar.
— Sim, senhor.
— Onde nós estávamos? — indagou, voltando sua atenção para o aquariano.
— Por favor, não quero atrapalhar suas obrigações — Degel viu a oportunidade perfeita para fugir.
— Não está atrapalhando... Eu quero saber sobre você. É justo, não? — volveu. Seus olhos azuis transbordando de curiosidade, fazendo o aquariano engolir seco.
— Não existe muito para saber — ditou débil. A face novamente rubra.
— Quais são seus planos depois que você se formar?
Degel encolheu os ombros, desconcertado com o interesse do outro. Ate então sua única e real preocupação era com os exames finais. Para o qual devia estar estudando, ao invés de estar sentado em um dos sofás daquele escritório ostentoso, sentindo-se desconfortável sob o penetrante olhar do CEO daquele palácio.
— Eu ainda não fiz quaisquer planos. No momento só estou focado em passar nos meus exames finais. — ditou. Pegando o mini gravado e o colocando rapidamente dentro da mochila. Queria sair correndo dali.
— Temos um excelente programa de estágio aqui. — disse, de forma calma.
— Oh. Eu vou pensar nisto — murmurou. As sobrancelhas erguidas. Completamente confuso — ainda que eu tenha certeza de que não me encaixaria aqui.
— Por que diz isto? — o escorpiano perguntou intrigado.
— Isso é óbvio, não é? — “Eu não tenho coordenação, sou desleixado e principalmente... não sou loiro”.
— Não para mim — resvalou. Estreitando o olhar em direção ao aquariano.
Degel sentiu-se incomodado com o olhar intenso sobre si. Todo o humor tinha desaparecido da face que agora se mostrava hostil. Desviou o olhar, cegamente para baixo, em direção de seus dedos atados. Se perguntando o que estava acontecendo? Suas pernas e mente dizendo que tinha que sair dali, agora. E era a primeira vez que elas concordavam em alguma coisa.
Já tinha colocado a mochila nas costas e caminhava disfarçadamente para a porta quando o escorpiano perguntou.
— Você gostaria que eu lhe mostrasse o local?
— Eu estou certo que você é uma pessoa extremamente ocupada Sr. Onpreyde e eu tenho uma longa viagem.
— Você vai dirigindo de volta para a Harrison? — indagou surpreso. Ansioso até. Olhando para fora da janela. Notando a chuva que começava a cair. — Bem, é melhor você dirigir com cuidado — ditou. Seu tom severo, autoritário.
— Ok. — disse o aquariano.
— Você conseguiu tudo o que precisa?
— Sim, senhor — respondeu. — Obrigado pela entrevista Sr. Onpreyde. Foi um prazer conhecê-lo.
— O prazer foi todo meu. — Kardia disse cortês. Estendo a mãos para o jovem — Até a próxima Senhor Oushevard — ditou em tom desafiante, ameaçador. Degel não soube dizer qual. Apenas retribuiu o aperto, duvidando imensamente de que voltaria a encontrá-lo. Sentiu novamente a estranha corrente entre eles.
— Sr. Onpreyde — agradeceu com um movimento de cabeça após ver o escorpiano abrir a porta.
— Só assegurando que você passe pela porta, Senhor Oushevard — disse o escorpiano, dando um pequeno e maldoso sorriso.
“Obviamente, ele está referindo-se a nossa entrada nada elegante mais cedo em seu escritório” — Degel corou com a alfinetada intima.
— Muito amável de sua parte — o aquariano falou bruscamente. Fazendo o sorriso no rosto do outro alargar-se. Deixando o rosto já corado, escarlate de fúria.
Caminhando a passos largos para o hall de entrada.
— Você tem um casaco? — Kardia perguntou.
— Na verdade, uma jaqueta — Murmurou. Eire já vinha com a mesma em mãos. Pegou a peça da mão da recepcionista e a agradeceu. Tirando um tom rosado da face da mulher.
Kardia foi ate o elevador e pressionou o botão, chamando o elevador. Permanecendo-se sereno e frio, esperando ao lado de Degel — que praticamente suava — sem jeito. Desesperado para escapar.
“Eu realmente preciso sair daqui” — pensou. Assim que as portas da maquina se abriram.
— Degel... — Kardia o chamou como uma despedida, fazendo o outro erguer as sobrancelhas. Era a primeira vez aquele homem o chamava pelo nome.
— Kardia... — chamou, antes das portas fecharem.
Continua...
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