Fallen

1 Errantes!


Notas iniciais
Capitulo não betado.

Capítulo I — Errantes!

Luzes em neon resplandeceram no mesmo instante em que as luzes normais apagaram. A figura pálida entrou no palco, as mãos seguravam livros e cadernos. O tecido branco da blusa de mangas longas, com fechamento em botões na frente, cobria todo o corpo de poucas curvas e marcava os poucos músculos. Um short azul marinho, justo e cavado, colava-se ao corpo. As meias escuras iam ate o meio das coxas. Nos pés não haviam nenhum calçado.

Ele faria qualquer um derramar-se em êxtase somente por olhá-lo dançar no centro do palco, deslizando nas balizas de pole dance, indo de encontro ao chão.

Respirar ficou praticamente impossível depois que o ruivo começou a mover-se de forma sensual e sexy. As mãos de dedos longos soltaram todos os livros e cadernos e logo foi de encontro aos botões da blusa, abrindo-a: mostrando todo o dorso pálido e de poucos músculos, porém, bem definido. Revelando também, a pequena coleira existente por baixo do tecido de algodão.

Os olhos castanhos avermelhados passearam por entre as mesas do Clube, procurando pelo sortudo que seria premiado com sua presença. Sua íris avermelhada captou todo o tipo de pessoas: Desde engravatados com suas faces contraídas a depravados que já conheciam aquele show, mas que não cansavam de assistir e, por vezes, pagavam ate o dobro para participar.

O apagar das luzes deu inicio ao show daquela noite.

Havia também jovens virgens, esperando serem escolhidos por aquele Deus em forma de gente. Seus olhos, porém, não encontram ninguém que lhe agradasse.

Retornou ao meio do palco, retomando a dançar. Novamente, os movimentos retornam. Deslizou o tecido branco pelos braços, deixando-o cair rente por seu corpo. Também retirou as meias, ficando somente com o short colado. Os pés finos tocaram o solado do palco com leveza e precisão.

Movimentos sinuosos foram distribuídos no meio do palanque. Dançava, agora, sem observar os rostos a sua volta. Muitos deliravam com os movimentos, com o som da música e a bebida que corria solta. Alguns rostos suados, outros ainda com um ar de frescor que desapareceria em pouco tempo, outros já sem blusas... Corpos... Belos corpos.

— Eu sei que vocês o querem... — Todos na pista gritaram ao reconhecer a voz do apresentado. Era hora do momento mais esperado daquela noite: o começar leilão. — Todos aqui já conhecem as regras. Só poderá levar nosso pequeno aquárius para um dos nossos quartos reservados quem der mais.

Sim... Todos ali conheciam as regras: Para ter o dançarino mais belo e mais desejado da boate, mesmo que por algumas horas, tinha que pagar mais.

O corpo delgado passou a se mover de forma mais sensual. Seus movimentos lembravam um felino. Seus longos fios rubros balançando, colando um pouco em seu pescoço e testa, adornando o rosto austero.

E os lances começaram. Vários palpites... Varias ofertas...

Quinze mil estavam sendo o maior lance daquela noite. No entanto, quando o condutor do espetáculo, causado pelo jovem que escorregava as costas pelo pole dance, tencionou em dar o veredito, o ultimo lance veio de alguém aos fundos da boate.

— Vinte mil, pela noite toda. — a voz rouca e desgrenhada, por causa da bebida, ecoou pelo ambiente.

Os olhos acastanhados miraram o seu comprador daquela noite. Um sorriso malicioso e nada casto abriu-se ao ver a fisionomia do homem. Olhos profundamente azuis que, mesmo de longe, transbordavam malicia. Cabelos grandes e cheios de cachos aloirados. A pele morena e o corpo cheio de músculos. Aquele era o melhor presente de aniversario antecipado que alguém poderia ganhar.

Sim, estaria aniversariando no dia seguinte, mas quem ligava? Ao menos ele não, afinal, aquele dia sempre foi e sempre seria um dia como qualquer outro... Não era a debito de comemorações, também não tinha com quem comemorar. A única pessoa que provavelmente lhe mandaria uma mensagem seria seu irmão, no entanto, ele não se encontrava ali...

Com passos leves foi seguindo em direção ao seu cliente. Os olhos travessos encaram os azuis do homem que lhe sorria com evidente malicia.

— Vamos?! — disse puxando-o pelo cinto. O sorriso fácil aflorou-se ainda mais na face bronzeada.

Seguiram sem pressa para a parte condômina do Club. Os olhos castanhos ainda conseguiram vislumbrar o outro colega subir no palco onde estivera anteriormente...

Os anises olhos azuis se arregalaram quando chegaram ao quarto. Não por surpresa, pois já estivera ali. No entanto, aquela era a primeira vez que entrava ali com o anjo a quem vinha admirando já há um bom tempo e que somente naquela noite teve coragem de se aproximar.

Os quartos eram aconchegantes. Todas as camas eram grandes e espaçosas. Dentro dos quarto possuíam vários “brinquedos” para obtenção de prazer: Chicotes, algemas, vibradores, óleos de vários tipos e sabores. Bolinhas de cheiro e gosto, enfim... Dentro dos quartos, um mundo inimaginável de perversão surgia.

O ruivo sentou-se na cama. Passou a balançar, em forma de circulo, a corrente que prendia a coleira em seu pescoço.

— E então? Como vai ser? — indagou extremamente provocante. Sua atenção agora era somente daquele homem.

— Posso fazer o que eu quiser? – perguntou pegando a corrente das mãos finas e puxando-a, fazendo o corpo do menor ir de encontro ao seu.

— Claro. Você pagou por isso. — ditou, mordendo, de forma instigante e sensual, o lábio inferior.

— Ótimo! Então primeiramente vamos tirar essa coleira. — disse desafivelando o objeto do pescoço do outro. Aquarius achou aquilo inusitado. Era a primeira vez que um dominante não queria que a coleira permanecesse — agora eu quero que me diga seu nome

— Aquarius!

— Seu nome de verdade.

— Desculpe. Sem nomes. Apenas me chame de aquárius. Eu o chamarei do quiser também.

— O valor que eu paguei não vale o seu nome?

— Sinto muito, são regras! Sem nomes, eles só complicam as coisas.

— Por quê?

— Por que depois de você, outra pessoa vai me usar. — ditou com um falso sorriso no rosto. — e não quero que me conheçam pelo meu nome.

Não gostava da situação em que vivia. Não gostava de fazer aquilo. Ate que gostava de dançar, o problema era só os programas. Só os fazia por que pagavam mais e precisava do dinheiro.

— Entendo! — o loiro rosnou entre os dentes. Não gostou de como o menor havia colocado as coisas, mais era algo que estava fora de seu controle. Ao menos por enquanto.

— E então? Vamos fazer alguma coisa interessante ou vamos simplesmente conversar? — um sorriso lascivo adornou o rosto do loiro diante do convite ousado.

— Vamos fazer algo interessante. ­— ditou o homem. ­— e eu quero que você me chame pelo nome.

— E qual é o seu nome?

— Milo. ­— falou, elevando uma das mãos ate a nuca envolta em fios rubros e, com a outra, enlaçou o menor pela cintura. — também pode me arranhar o quanto quiser.

— Por mim tudo bem... Milo. — sussurrou, fazendo os pelos da pele bronzeada do outro arrepiarem-se. Um sorriso de canto adornou a face do ruivo, minutos antes de sua boca ser tomada em um beijo quente e cheio de... carinho?! Ao menos era o que parecia. Fez um ronronar escapar por entre o beijo, logo em seguida o corpo menor foi jogado na cama.

O “striper” apoiou o copo nos cotovelos. Sorriu safado ao ver o outro ir para cima de si, engatinhando de forma felina e predatória. Sim, estava enganado. O sorriso displicentemente instigante daquele homem lhe provou isso. Foi “apenas” pego de surpresa. Talvez ele beijasse daquela forma mesmo. Ou talvez, simplesmente, estivesse se cansando daquela vida.

A mão grande pousou sobre o peito pálido, se deliciando com os músculos que se destacam suavemente sobre a pele branca. A boca de lábios cheios passou a saborear a outra com avidez. O loiro desceu a mão, fazendo um carinho no tórax. Massageando o mamilo exposto. Mordendo e chupando os lábios finos.

Milo inclinou-se sobre o “striper” e ondulou as pernas do mesmo em seus quadris. Sentindo seus membros se tocarem por cima do tecido.

Um gemido eclodiu por entres as bocas, assim que as coxas espessas foram apertadas. Um arrepio gostoso percorreu o corpo do menor ao sentir os lábios quentes do homem roçar todo o seu rosto e descer pelo pescoço. Resvalando os dentes ali.

O ruivo sentiu-se diferente. Não estava acostumado aquele tipo de situação. Aquela “mansidão” toda o incomodava. Os frequentadores daquele Club eram completos depravados e menininhos inocentes. Aquele homem estava longe de ser um menino inocente. Então, onde estava a depravação?

— Eu vou ter que fazer todo o trabalho sozinho? — indagou, provocativo e rouco, no ouvido do menor. O mesmo sorriu sínico.

— Apenas estava vendo ate aonde ia essa sua lerdeza. — falou. Trocando subitamente de posição com o loiro, fazendo-o encostar-se a cama. Milo ficou surpreso. Não soube de onde o menor tirou tanta força para subjugá-lo.

O toque sensual na barra de sua calça o fez fitar ansioso o ruivo que sorriu e sentou-se em seu colo, circulando o loiro com o quadril enquanto beijos quentes e envolventes lhe eram oferecido. As mãos subiram para a camisa e passou a abrir botão por botão do tecido preto que Milo vestia. Distribuiu beijos molhados pelo rosto bronzeado. Foi de encontro ao tórax bem definido. Brincou com o orifício do umbigo, metendo a língua dentro do mesmo.

Os dedos finos dedilharam, desafivelando o cinto e abrindo os botões da calça, revelando o membro intumescido. Deixou a língua passar sensualmente por cima dos lábios como se estivesse se preparando para degustar um belo pedaço de carne.

O polegar, longo e hábil, encontrou o ponto mais sensível residente ali. Acariciou em forma de circulo a glande aveludada. Seu acompanhante fechou os olhos apreciando o toque ousado e prazeroso. O ruivo passou levemente a língua na fenda avermelhada da glande, provando o sabor salgado.

Enfiou a mão no cós da calça e a desceu por completo, junto com a cueca. O membro cresceu. Um sorriso perverso dançou na face pálida do striper e sem dar chances para seu cliente pensar... Abocanhou, por completo, o pênis ereto a frente de seu rosto.

Um suspiro sôfrego escapou dos lábios entreabertos. Os dedos do loiro meteram-se pelos fios escarlates, puxando-os um pouco. Cadenciando ritmos. Fazendo o menor engolir — bem mais do que podia — a carne pulsante. Sensual, provocante, envolvente... Os lábios passeavam pelo mastro entre as pernas de Milo. E o grego sentia-se extremamente necessitado. Tentado a expelir. Pronto para gozar.

— Ahhh... Aquárius ­— chamou. Extasiado pelo o trabalho que o striper fazia com os lábios. Um sorriso de canto de boca foi lançado.

— Você gosta? – indagou com a face avermelhada.

Aquele jogo estava sendo perigoso. Estava gostando das reações que conseguia causar naquele homem. E isso, para pessoas como ele, não era bom sinal. Tinha que dá prazer. E somente isso lhe era permitido.

— O que você acha? – devolveu dificultoso. Já tinha ouvido falar daquele jovem. Do quanto ele era habilidoso. Também já tinha ido algumas vezes aquele Club e visto de perto seu desempenho no palco.

Encantou-se assim que o viu. O jeito de se mover, de olhar, de dançar... Era um profissional nato, no entanto, ele via bem mais naquele menino de rosto bonito.

O striper tencionou voltar para o meio das pernas amorenadas, entretanto, em um ato abrutado, o corpo pálido foi jogado na cama. Milo queria que aquele contato se prolongasse. As mãos fortes fecharam-se na cintura esguia e, subiram pelas laterais do corpo, pararam ao chegar à face corada. Os dedos morenos acariciaram a pele macia das maçãs do rosto. Passando os dedos na nuca, em um movimento ínfimo, um carinho de pele.

Um sorriso malicioso brotou nos lábios do grego, os olhos azuis estreitaram-se de forma lascívia. O grego sentiu seu membro reclamar com força. Provocativo, colou os lábios de ambos, o corpo do menor pulsou com a forma selvagem e ate um tanto violenta de mais um beijo foi iniciado. A luta da dominância estava sendo travada. Não que o ruivo fizesse questão para dominar, estava ali para dar prazer e nada mais.

O colchão afundava com o peso dos dois. A mão previamente colocadas na cintura esguia, deslizou, passando pelo tórax, descendo e apalpando as coxas firmes. Retirou o tecido escuro que ainda cobria o corpo do striper. Os dedos atrevidos invadiram, sem pudor algum, o pequeno orifício residente entre as pernas torneadas. Massageando, preparando. O ruivo arfou quando os dígitos foram substituídos pela carne quente e rija. As mãos apalpavam e apertavam a carne firme sentindo a pele macia se contrair. As unhas do ruivo permearam os músculos definidos do tórax.

— Ahhh... Milo! ­— o gemido veio em tom gutural. Cheio de desejo. Lascivo!

Logo murmúrios de êxtase se fizeram audíveis. Os corpos dançando de acordo com a musica da luxuria e do prazer. As estocadas firmes ditavam o ritmo.

— Milo... — outro gemido deleitoso escapou. Aquilo estava fora dos conformes. Aquela sensação de deleite e jubilo não deveria existir...

Era difícil manter a sanidade diante de toques tão íntimos e tão profundos ao mesmo tempo. Sentia seu corpo ser sacolejado diante a força empregada nas investidas. Rápidas, fortes, frenéticas e arrebatadoras... Seu corpo convulsionou e amoleceu. Retesou, comprimindo assim o pedaço de carne que ainda se encontrava ereto dentro de si. Mais algumas estocadas firmes e logo da ponta circular saia o liquido viscoso que lhe preenchia e saciava, escorrendo de forma sinuosa entre suas pernas.

Sons ruidosos e estrangulados — que mais parecido com golfadas. — eram ouvidos. O entrelaçar de mãos durante o ápice, se fez presente. O striper se assustou. Aquele toque era algo sublime e intimo demais.

— Você é realmente tudo o que dizem! — ditou o loiro. O corpo totalmente sobreposto em cima do menor.

A languidez, junto com a respiração pesada tomou conta dos corpos, causando torpor. Uma sensação de satisfação fazia o jocoso sorriso do striper sair meloso. Tinha que tomar cuidado com aquilo. Aquela era apenas uma noite. No entanto, nenhum outro “pagante” que estivera ali anteriormente, tinha-o tratado como aquele homem. Com carinho e respeito.

— Já se satisfez? — indagou sussurrante.

— Por quê? Já quer ir?! — Os olhos azuis o fitaram. Um sorrindo plácido saiu espontâneo.

— Não é isso. Quero apenas saber se vamos continuar com a brincadeira — o cenho do loiro franziu-se — você pagou pela noite toda.

— Ora, tenho direito a uma noite toda, mas não ao seu nome?

— Porque meu nome é tão importante para você?

— Não acha mais divertido fazer sexo escutando seu nome ser pronunciado?

— Eu nunca tinha pensado assim. – volveu, posicionando-se novamente em cima do loiro. Propagando carinhos no peito musculoso e cheio de penugens aloiradas.

— Não quer tentar? — perguntou. O sorriso envolvente e o nariz brincando com o rosto de pele branca.

O striper ponderou um pouco. Por que não? Aquele homem era diferente. Tratou-lhe com carinho. Não tinha perversões formadas ou era afoito como os jovens que vinham ali. Além do mais, uma única vez não faria mal nenhum.

— Camus. — exclamou, beijando suave a boca carnuda do outro. — meu nome, é Camus.

— Hum... é um belo nome. Então Camus, vamos começar a brincar de verdade.

O ruivo sentiu uma forte corrente elétrica passar por todo o seu corpo. Reacendendo, de forma resplendorosa, toda a chama que havia se esvaído minutos antes. Um sorriso sapeca trouxe um tom rosado a sua pele.

E mais uma noite havia começado no Club Imperius...

...Fallen...

Frustrado... Era incrível como sempre se sentia dessa forma quando se olhava no espelho e não conseguia arrumar aquela espessa e desorganizada moita esverdeada que chamava de cabelo.

Espelhos eram os piores inimigos que poderia ter. Pois eram somente através deles que podia ver todos os pequenos – e os grandes também – defeitos que possuía. E por serem objetos inanimados não sentiam nenhum pouquinho de culpa ou remorso por destruir seus sentimentos.

— Você sabe que está exagerando, não é? – indagou seu colega. A voz um pouco anasalada por causa de uma gripe que havia pegado.

— Exagerando? – perguntou, irritado — olhe o meu cabelo... ­— pediu virando-se para o colega de quarto — Que cabelos são esses? ­— falava apontando para os fios que tentava inutilmente pentear.

O outro revirou os olhos. Ainda não entendia como tinha conseguido torna-se amigo de alguém tão... Tão... Complexado.

O amigo era uma pessoa legal. Bastante inteligente. Um aluno excelente, o melhor da faculdade, diga-se de passagem. No entanto, tinha um pequeno defeito... Dava muita importância à aparência... Melhor dizendo, a cor berrante de seus cabelos. Coisa que em sua opinião era algo bobo da parte dele, afinal, tirando o cabelo verde (é o cabelo de seu amigo era verde.) e a falta de músculos... O jovem complexado era bastante bonito.

— Longo e verde... ­ ­— choramingou ao olhar-se mais uma vez no espelho — meu cabelo é verde. Onde já viu isso? Essa coloração verde lodo berrante!

Mais uma vez o outro jovem revirou os olhos.

— Aff, Dégel. Já disse que seus problemas estarão resolvidos assim que você resolver pintá-los.

Os grandes olhos violáceos dirigiram-se ao amigo.

— Como se eu já não tivesse tentado... — volveu com a escova nas mãos. — Regulus, quantas vezes eu vou ter que te dizer que meu cabelo não consolida tinta nenhuma? — falou repreensivo. — Às vezes acho que tenho parentesco com o Frankenstein.

Regulus achou melhor não revidar.

— Então, você vai ou não no meu lugar? — indagou antes que o amigo pudesse falar qualquer outra coisa.

— Ainda non tenho certeza — respondeu com a voz plácida. Nem parecia com o complexado de instantes.

— Degel, por favor — Regulus pediu quase chorando. A falta de ar dificultava sua fala. — você já tinha que ter saído daqui. Você não faz ideia do quanto eu tive que ralar para conseguir essa entrevista. Foram nove meses de pura insistência. Provavelmente levará outros seis para reagendar, e nós dois vamos estar formados até lá. Você não pode deixar isso acontecer. Esta entrevista é importante pra mim.

— Regulus não seja mala. Eu deveria está estudando para as provas finais, sem contar que eu ainda vou ajudá-lo com Hamlet. — volveu passando mais uma vez as escova nos cabelos, tentando organizá-lo.

— Degel entenda, não vejo ninguém melhor do que você para interpretar a noiva de Hamlet ao meu lado. — O leonino falava com seus grandes e brilhantes olhos azuis ofuscados pela vermelhidão em seu rosto.

Foi à vez de o aquariano revirar os olhos. Tinha prometido ajudar o amigo, claro, não sabia que o papel ao qual se prestou a fazer era Ophelia, a noiva suicida de Hamlet. Quando soube já era tarde. Já tinha prometido ajudar.

— Ok, Regulus, eu aceito. Vou ajudá-lo com a entrevista — Regulus vibrou e tossiu — claro, desde que você me livre de Ophelia.

O leonino fechou o semblante. Estava em uma tremenda enrascada. Tinha uma entrevista marcada com o homem mais poderoso de Stamford. No entanto, não poderia comparecer a mesma: naquela semana havia se abrido uma maré de azar para ele. Tinha pegado uma gripe daquelas, ainda tinha a peça de Hamlet para apresentar sem contar todos os fóruns e apresentações. E o tempo era curto.

Degel tinha prometido lhe ajudar com Hamlet, faria o papel de Ophelia sem problema. Entretanto, agora, o colocava entre a cruz e a espada. Onde conseguiria uma Ophelia tão perfeita quanto o amigo?

Pensaria nisso depois. Por hora tinha fazer Degel sair e ir entrevistar o presidente da Giudecca Corporations.

— Então apresse-se. Tudo para aquele homem é marcado com antecedência e meticulosidade, está é sua ultima chance de fazer a diferencia.

Degel fechou a cara.

— Como assim é minha ultima chance de fazer a diferencia?

— Certo, certo — volveu o leonino sorrindo sem graça e tentando acalmar o amigo com as mãos — acho que peguei um pouco pesado com você.

— Um pouco pesado? — retrucou desacreditado com a cara de pau do amigo — ate onde sei, não sou eu quem esta com nota baixa. Também não fui eu que, simplesmente não teve a decência de desmarcar uma entrevista e agora o nome da minha família esta preste a ser marcada como “pessoas sem palavras!”.

O aquariano baixou o olhar, envergonhado. Não queria dizer todas aquelas coisas ao amigo que mesmo estando doente estava tentando passar nas matérias. Sem olhá-lo voltou a pentear os cabelos, coisa que já estava fazendo a um tempão.

“Ele bem que poderia colaborar e se submeterem logo. Mas, não! Eles sempre têm que dá uma de “rebeldes ao estremo”. Mais também, quem manda dormir com um cabelo daquele tamanho molhado?” — pensou ao avistar o amigo passar mais uma vez a escova nos cabelos.

Regulus suspirou. Talvez não tenha sido uma troca muito favorável para sua pessoa. Mas...

— Degel, eu sinto muito por fazer você passar por isso. — disse com a voz rouca, de garganta inflamada.

— Não se preocupe Regulu, além do mais, vou ter que fazer isso sempre, certo? Cuidar de você será um trabalho duradouro. — o outro maneou com a cabeça em concordância. Por alguma razão não se via longe do amigo. — agora, você deve voltar para a cama — Degel disse preocupa. — você gostaria de algo antes d’eu sair? Algum remédio?

— Sim... alguma coisa para dor de cabeça, por favor. Minha cabeça parece que vai explodir.

O aquariano sorriu, pegou o remédio e entregou ao amigo, junto, um pouco de agua. Regulus tomou fazendo careta.

— Não esqueça o elaborado e o minigravador. — alertou. Sabia o quanto o amigo era desligado.

— Ok. — murmurou suspirando profundamente. Aquele seria o maior dos favores que estava fazendo a Regulus.

— O que o está incomodando em um momento tão importante? — o leonino indagou ao ver a expressão cansada do amigo.

— Um monte de coisas... — falou, seus olhos estavam grandes e brilhante. Tentava a todo custo suprimir seu pânico. — Primeiro, eu não sei nada sobre ele — mordeu o lábio. — e se minha voz travar? E se eu não conseguir formular nada? Regulus eu...

— Calma... — o grego pediu ao esverdeado. Seria um enorme problema se ele começasse a surtar. — Não se preocupe. Mantenha a calma e as perguntas virão ao seu encontro. — Degel suspirou aliviado. — Agora, vá. É uma longa viagem. Eu não quero que você se atrase.

— Ok, eu estou indo. Volte para a cama. Eu fiz sopa, tudo o que você tem que fazer é aquecer mais tarde. — ditou olhando para o amigo ternamente.

— Eu sei. E obrigado Degel, você sempre me salva. — ditou tossindo — Boa sorte!

— Obrigado. — o aquariano disse cantarolando. Deu uma ultima conferida no espelho — Qualquer dia desses me irrito de verdade e, taco a tesoura neles – falou ainda irritado com a teimosia dos cabelos.

Regulus gargalhou de forma gostosa do comentário, como se duvidasse de que algum dia o amigo fosse cumprir as ameaças.

Degel desistiu de tentar deixar as madeixas “sob controle” com a escova. Pegou a opção mais rápida: Prendeu os cabelos com um elástico, em rabo-de-cavalo baixo. Pegou a mochila, sorriu ironicamente para Regulus, e, encaminhou-se porta afora.

Continua...

Notas finais
Um super beijo a todos!