Fallen
8 Consequências!
Notas iniciais

Capitulo VIII — Consequências.
Ikki observava da imensa janela do cômodo impecável e de tom neutro, o nascer do sol naquele lugar cheios de arranha-céus. Da janela do quarto dava para ver quase toda a cidade de Stamford e a linha meio simétrica do mar. As ondas bem encalcadas nas pequenas ruelas. Como se fizessem parte dos prédios. Isso fazia com que o lado de fora da janela fosse uma pintura inacabada de uma cidade maravilhosa. Dava para ver também o edifício todo espelhado da Giudecca Corporations.
O moreno sorriu meio bobo. Aquele lugar era lindo. Não era nenhum paraíso amazônico, nem tão pouco um acerco de natureza, na verdade podia ate dizer que tinha mais plantas dentro do apartamento do que fora dele, no entanto, não deixava de ser igualmente bonito.
― Gostou da paisagem? ― A voz serena do dono do apartamento chegou aos seus ouvidos.
― Posso dizer que sim. ― respondeu sem olhar para trás. Escutou um sorriso desdenhoso.
― Pobre criança, se deixa levar por algo tão bobo quanto uma paisagem bonita de uma cidade envelhecida.
O moreno virou-se para quem lhe falava. Mirou a imagem plácida nua do loiro de corpo delgado, sentado na cama de lençóis azulados. Os fios dourados espalhados e desalinhados, com uma pequena porção colada na face. O sorriso sínico desenhando-se no rosto de anjo. O moreno ficou um tempo perdido na aparência de Shaka. Ele era um homem bonito, não havia duvidas. O que o estragava era somente seu humor.
― Não gosta de paisagens bonitas? ― indagou igualmente desdenhoso, após livrar-se do encanto que a imagem do loiro causava.
― Gosto! ― respondeu. ― é exatamente por isso que estou olhando para você! ― respondeu, exibindo em seu rosto um sorriso sensual... Convidativo.
Ikki sorriu de forma aberta. Passando a achar que todos que se envolviam com a família Onpreyde tinha um certo desequilíbrio de personalidade. Da primeira vez que tinha visto o loiro... ele, apesar de estar um pouco alterado por conta das bebidas que tinha ingerindo, pareceu mais tímido, recatado, talvez, ate um pouco “puritano”.
Riu com os próprios pensamentos. Em duas noites pode comprovar que: quem ver cara não vê coração. Shaka, apesar da primeira aparência que havia lhe dado era tão ou mais carnal que ele.
― Sabe, eu bem que desconfiei... ― Ikki formulou, indo em direção a Shaka, voltando para perto da cama. ― você só estava fingindo. Que na verdade chega a ser tão puto quando os garotos que trabalham na Imperius.
O virginiano ergueu as sobrancelhas.
― E você não trabalha na Imperius? ― perguntou, elevou a mão ao abdômen do moreno assim que o mesmo chegou mais perto. Aranhou um pouco a carne morena.
― Não! ― respondeu, prendendo o pulso do loiro entre sua mão. Puxou-o para que ficassem na mesma altura. ― eu “trabalho” diretamente para Saori. Estou mais para segurança particular. ― informou. Os dedos perdendo-se entre os fios loiros. Tirando-os da face do virginiano. Mirando dentro do olhar azulado.
― Puto particular você quer dizer! ― volveu irônico. Aquilo lhe incomodava. Não chegava a ser horrores, mas fazia uma sensação incômoda, quase ridícula, lhe alfinetar.
― Chame do que quiser. ― falou. Logo em seguida puxou o rosto do loiro para um beijo envolvente. Lascivo.
Shaka gemeu. Mais uma vez o gosto do moreno escorregava para dentro de sua boca. Ikki era bom. Gostoso! Uma espécie de doce dietético recomendável a ser consumido em grande quantidade. Shaka foi jogado de volta em cima da cama. Ikki deixou que seu peso pendesse em cima do corpo de pele leitosa. Acariciou a face languida enquanto sua boca devorava os lábios simétricos.
Shaka grunhiu.
― Gosto dos seus beijos, Ikki. ― Shaka ditou, sentindo o olhar o moreno sobre si.
Ikki apenas riu com o comentário. Também gostava de beijá-lo. Desde a noite na boate não conseguia pensar em outra coisa que não fosse os lábios do virginiano.
Shaka era um homem diferente. Bonito. Angelical. Não era algo delicado, mais sim másculo, atraente, viril, viciante... um homem que fazia seu coração balançar e bater mais rápido. Alguém com quem não se importou de transar logo de cara. Agora, alguém com quem não se importaria de transar todo o dia.
Quando viu Shaka a primeira vez, no café em que Saori foi tomar com o marido, ele ficou ― em primeira instancia ― fascinado com a aparência do indiano. O rosto de anjo, a atitude de um adulto repreendendo “crianças” ― Saori e Kardia ― o deixou excitado de imediato. Ficou mais que satisfeito quando a grega o presenteou com a noite mais sublime que já teve. Ter o virginiano em seus braços foi diferente. Agradável.
Sorriu maravilhado ao encontrar com o loiro logo no começo da semana no prédio da Giudecca. Shaka era do tipo que causava contentamento ate mesmo sem querer. Combinaram de se encontrarem na noite de sábado. Estava claro que iriam acabar daquela maneira. Na cama de um dos dois... Juntos!
.
― Também gosto de te beija, loiro. ― volveu. ― mas gosto mais ainda de te comer. ― voltou a beijar os lábios finos, agora, porém de forma selvagem. Apertou as nádegas de Shaka com vontade, deixando a marca dos dedos. ― também gosto quando pede pra me enfiar em você! ― ditou, movendo as mãos, enfiando um dedo na entrada do virginiano. Circulando vagarosamente as paredes de carne apertada.
― Ah... Ikki... ― gemeu pesadamente alto, rebolando contra a invasão um tanto desconfortável.
Abriu mais as pernas e mexeu os quadris.
O leonino sentiu seu membro reclamar. Já tinham feito aquilo à noite toda, não precisava de tanto preparo. No entanto, não queria causar nenhum desconforto ao loiro. Ao contrario, queria dá-lo muito prazer. O moreno subiu com beijos molhados pelo corpo languido, buscando novamente os lábios úmidos e vermelhos para um beijo cheio de volúpia.
Shaka estava impaciente. Queria ter logo Ikki novamente dentro de si. Queria sentir a sensação de plenitude que o contemplava a cada orgasmo obtido. Por isso, empurrou o leonino de modo que fosse Ikki a ficar com as costas sobre o colchão. O indiano sentiu seu corpo reclamar pelos dígitos de Ikki saírem bruscamente de seu corpo, mas não conseguia mais esperar. Queria o moreno e queria já.
O leonino ficou atravessado na cama. Shaka passou uma das pernas por seu abdômen. Desceu de encontro ao membro entumecido e sentou devagar. Sentia o pênis de Ikki entrar lentamente e tocar fundo em si. Causando estremecimento. Começou rebolar devagar, subindo e descendo. Querendo sentir mais do moreno. Querendo enlouquecê-lo tanto quanto ele o estava enlouquecendo.
Sim, Ikki o enlouquecia. Fazia seus desejos mais básicos vir à tona. Desejava-o de forma eloquente e, por isso, fazia questão de apertá-lo dentro de si. Movia-se vagarosamente com um único proposito... judiar do moreno. Prolongar-lhe o prazer. Ikki deixou a cabeça pender para trás. A posição “desconfortável” fazia-o ver tudo de cabeça para baixo. Sentia o prazer ater-se em si de forma louca ao ter Shaka daquele jeito, em cima de si. Subindo e descendo. Engolindo-o completamente.
Shaka cavalgava com afinco. Quase pulando em cima de Ikki. Fazendo o colchão da cama alternar entre afunda e emergir. Ikki rodeou a cintura de Shaka com as mãos, ajudava-o a subir e a descer em um ritmo frenético. Descompassado. Ambos, embalados pelo prazer, falavam coisas desconexas e maliciosas.
Um grito rouco ecoou pelas paredes do quarto, anunciando o ápice. O indiano caiu ofegando ao lado do moreno. Suas pernas tremiam. Seu coração estava aos pulos e sua visão enervada. Sonolenta.
Ikki fechou a mão na face rosada do virginiano.
Shaka sorriu.
― Também gosto de ser “comido” por você, criança tola. ― volveu o indiano, fechando os olhos. Estava cansado.
Ikki sorriu sarcástico. Shaka era um ser bem arrogante. Selou os lábios do loiro e também fechou os olhos. Também sentia-se cansado. Como era domingo não tinha nada para fazer. Por isso, resolveu ficar por ali mesmo. No apartamento do indiano.
...Fallen...
Degel abriu os olhos devagar. Tudo estava em silêncio. O local estava à meia luz. Algo macio cobria seu corpo, mantendo-o aquecido. Estranhou o local.
A cama não era a sua. Não tinha como ser. Era grande demais e tinha um formato oval. O travesseiro dourado tinha a forma de um escorpião. O edredom branco tinha pequenas pontilhas azuladas, como se estivesse representando estrelas. As cortinas eram cinza e estavam fechadas. Sentiu a cabeça rodar um pouco. Seus lábios estavam ressequidos. Uma jarra de suco, um copo e dois comprimidos jazia na bandeja que tinha em cima do criado mudo ao lado da cama. Um sorriso amargo apossou-se de seus lábios. Não sabia exatamente onde estava, mas sabia com quem estava. Somente uma pessoa era meticuloso daquela maneira. Sinceramente, um contato com Kardia era o que menos queria naquele momento.
Ainda mais depois do ocorrido na noite anterior.
Flash On
Os grandes e belos olhos violáceos de Dégel piscaram aturdidos. Kardia tinha escolhido o pior momento para se materializar na sua frente, sim, porque somente assim para explicar como ele tinha chegado ali e tão rápido.
— Kardia?! — o aquariano falou totalmente confuso. Estava bêbado e totalmente enjoado.
— Senhor Oushevard... — Kardia o chamou em tom repreensivo. O corpo de Degel encolheu involuntariamente. — acho que você tem que aprender a se comportar. — O homem falou severo.
Degel riu. Sua face estava corada e seus olhos pequenos. Sua falta de equilíbrio também era visível. Ele estava se apoiando em Albafica.
— Senhor Onpreyde... — chamou desdenhoso. Quem aquele homem pensava que era para falar com ele naquele tom? — o senhor também precisa aprender algumas coisas. Como por exemplo: que tal aprender a ser menos hipócrita, menos canalha e menos mentiroso também. — o aquariano rosnou com sua coragem com sua coragem de bêbado.
Kardia o olhou torto, erguendo ambas as sobrancelhas em claro sinal de confusão. Degel nunca tinha falado daquele jeito antes. Levou em consideração o estado de embriaguez do outro.
Provavelmente nem sabia do que estava falando.
— Ok. Você me acusa do que quiser quando estiver em condições, nesse momento acho que precisa dormir. — falou chegando próximo ao francês. — Você vai estar com uma ressaca enorme amanhã.
Kardia puxou Degel pelo braço. Sua real intenção era tirar o aquariano de perto do fotografo. Ver os dois juntos lhe deixava zangado. Muito zangado, diga-se de passagem. Albafica também estava bêbado. Claro, não tanto quanto Degel, mais também sentia-se tonto . Ainda mais depois do beijo surpresa que recebeu. Pasmo, só conseguia assistir a cena entre os dois homens.
Sua lerdeza só acabou ao ver Dégel ser puxado pelo homem de cabelos azuis.
— Ei, Calma ai, você não pode tratá-lo assim. — o loiro protestou. — Dégel e eu não estávamos fazendo nada de mais.
— Realmente, no estado em que ele está, não consegue mesmo fazer muita coisa. — o grego rebateu. Estava irritado. — você sim está em condições... estar menos bêbado.
— O que está insinuando? — Albafica perguntou ofendido. — Não sou eu que estou tentando me aproveitar dele. — rebateu maldoso, encarando o verde azulado do empresário.
Inicialmente o grego ficou aturdido, mas logo trincou o dente. "Quem aquela criatura pensava que era? Enfrentando-o daquela maneira" se viu perguntando. Eram poucos os tinha tal coragem. Na verdade, somente que não o conheciam.
— Não sei o que está querendo dizer... — segurava Degel contra o seu peito com força. O mesmo forçava querendo se soltar do mais velho. — Não fui eu quem beijou um bêbado que estar sem noção alguma do que está fazendo. Você sabia que isso de certo modo é crime?
Os homens se miravam cerrados. Uma batalha estava sendo travada.
— Kardia... — Dégel chamou abafado.
— Agora não querido. — o escorpiano falou sem olhar para o ex-estudante. — deixe-me terminar de exterminar um pequeno incomodo.
— Não dá tempo. — falou com a mão na boca. — acho que algo vai sair. — falou, soltando-se rapidamente. Colocou a mão no estomago e curvou o corpo pra frente com força. Vomitando nos pés dos dois homens que estavam discutindo.
— Ugh! Degel, que droga! — Albafica pulou para trás, sentindo nojo e ameaçando vomitar também.
— Não se atreva. — Kardia ditou autoritário para o loiro. O pisciano colocou a mão na boca. Murmurou um: "te vejo lá dentro" para Dégel e saiu correndo. O escorpiano balançou negativamente a cabeça, chamando mentalmente de fraco. Pegou Degel pelos ombros e o guiou ate o fim da calçada da boate.
— Se você for vomitar novamente, faça isso aqui. — falou, fazendo leves movimentos de vai e vem nas costas languidas do aquariano.
Degel tentou empurrar o grego para longe, mas a vontade de vomitar novamente era mais forte.
"Por quanto tempo isso irá durar?" pensou. Sentia que seu estômago já estava vazio. "nunca mais vou beber desse jeito de novo" prometeu. Mesmo quando não vomitava mais, seu corpo ainda dava leve arrepio e sua boca ainda enchia de água.
— Está melhor? — Kardia perguntou.
Respondeu com um balançar de cabeça. Estava mortalmente envergonhado. Sentiu-se cansado. Vomitar era exaustivo. Kardia estendeu-lhe um lenço e ele o olhou ofuscado. Seu coração apertou e seus olhos encheram-se d'agua. "Era só o que faltava, além de praticamente vomitar em cima do cara, agora nós vamos começar a chorar igual a um bêbado chorão" seu cérebro gritou inconformado. Era agoniante de mais ver a pessoa da sua vida bem ao seu alcance, mais totalmente longe de sua alma.
— Obrigado! — murmurou pigarreando. Limpou rapidamente a boca e enxugou os olhos, não iria chorar. Kardia não merecia. — Agora eu já estou bem. — falou engolindo o nó que queria sair rasgando sua garganta.
Kardia sorriu fosco.
― A quem você está querendo enganar? — indagou. Capturou uma pequena lagrima seca que escorria pelo canto dos olhos do aquariano. Não estranhou. O outro tinha acabado de colocar tudo para fora. Seu corpo estava apenas expondo reações. — eu simplesmente te vi vomitando pelo chão todo, sabia? Não há nada mais deselegante.
Degel o encarou... estava envergonhado. A única pessoa que o já tinha visto daquele jeito, provocando horrores, tinha sido Camus, seu irmão. E foi somente por que ficou doente e era pequeno demais para entender o quanto aquilo era nojento. Diferente de seu irmão, Kardia era um completo estranho... Uma pessoa rigidamente educada nos bons modos de etiqueta. Presenciar uma cena daquelas deveria estar sendo bastante repulsivo.
― É. Eu acho que um buraco já pode me engolir agora. ― falou nervoso. Irritado.
— Todos nós já passamos por isso. Talvez não de forma tão dramática como você. — Kardia falou seco. — Isto é sobre conhecer seus limites. Eu sou a favor de rompê-los... — seus olhos azuis esverdeados não abandonava a figura pálida e débil do jovem francês. — Mas talvez isso seja muito para você.. — ditou. O aquariano olhou-lhe trincado, Kardia sentiu que existia mais naquele olhar.
Degel sentia sua cabeça zunir como excesso de álcool e irritação.
― O que diabos isto tem a ver com você? Eu não o convidei para vir até aqui. Você veio por que quis. ― reverberou, tentando se equilibrar. Sua visão embaçou. Tentou se afasta, mas acabou tropeçando nos próprios pés e cambaleou. Kardia o segurou.
Degel sentiu o rosto esquentar. Se ainda estivesse sob o efeito do álcool, com certeza, nem se importaria em estar, literalmente falando, nos braços do grego. O violáceo brilho opaco encontrou-se com os azuis ferinos e brilhantes. Seu corpo vibrou.
Segurou-se nos braços que o prendia, tentando sustentar o peso do próprio corpo. A brisa noturna, fora da boate, trazia o cheiro que desprendia de Kardia até as narinas de Dégel. Alguns fios azuis acoitou o rosto do aquariano e roçou em seu nariz. Conseguiu sentir o cheiro fresco vir do outro. Seus olhos enervaram.
Notou, através da névoa que a bebida formava em seu cérebro, que Kardia estava vestido em estilo quase colegial... composto por uma blusa branca solta, jeans, all-star preto e uma jaqueta comportada. A blusa estava desabotoada, dando-lhe a visão do começo dos pelos de seu peito. Algo no meio de suas pernas deu sinal de vida. Mesmo em seu estado grogue, podia ver o quanto o outro era gostoso. Todos os sentimentos “proibidos” que tentava inutilmente esconder vieram à tona. Drenando seu corpo. Tirando toda a força de suas pernas. Enrubesceu ainda mais, seu desejo se estendeu a Kardia.
O escorpiano enfiou a mão entre os cabelos de Dégel. O sorriso divertido surgir nos lábios do grego. Dégel estava hipnotizado, os olhos azuis de Kardia o tragava. O rosto do escorpiano pareceu crescer, logo tudo virou um imenso borrão azul e...
Flash Off.
...Fallen...
Um terror tomou conta da face do aquariano, não se lembrava de mais nada. Retirou o lençol de cima de si e constatou que estava só de cueca. Seu coração bateu acelerado. Levantou-se em uma velocidade de fazer inveja a qualquer atleta, precisava procurar suas roupas e ir embora dali. No entanto, enquanto estava ocupado procurando suas vestes à porta do banheiro se abriu. Revelando um Kardia totalmente molhado, enrolado somente da cintura para baixo por uma felpuda toalha.
O escorpiano fixou o olhar no corpo seminu do aquariano. O jovem realmente era bonito. A pele branca contrastava com o cabelo esverdeado. Os olhos vivos o aliciava e a face de anjo assustado o deixava excitado. Ficaram um bom daquela maneira, somente se olhando em um silencio mortal.
— Bom dia! — Kardia desejou frio e imparcial. — Como se sente?
— Melhor do que pareço... eu acho — o ruivo murmurou um pouco grosso. Olhava diretamente para o grego totalmente molhado. Sua garganta secou imediatamente e a respiração ficou um pouco pesada.
Podia jurar que seu rosto estava em chamas.
Kardia caminhou na direção de Degel. Não conseguia mais negar... o jovem a sua frente o excitava e muito e, por isso, o melhor que fazia era manter-se longe. Não queria magoá-lo. Não queria machucá-lo. O aquariano recuou ate cair sentado na cama. A proximidade do grego fazia seu coração querer sair pela boca. Kardia passou ao lado dele, em direção ao guarda roupas. Pegou algumas peças de roupas e entregou ao ex-estudante. O francês logo reconheceu como sendo roupas de alguma grife que ele com certeza, ao menos com o salários de estagiário que ganhava, não podia comprar.
— Depois que você tomar banho, veste uma dessas. — o grego ditou.
— E onde estão as minhas? — perguntou desviando o olhar. Estava imensamente envergonhado
— Na lavanderia. Você as sujou ontem. — Kardia pegou uma toalha no guarda-roupa e entregou a Degel que se sentia muito incomodado.
Não se lembrava de quase nada do que tinha acontecido na noite anterior, e o que mais pesava em seu pensamento era se continuava virgem. Não suportava a ideia de ter transado com Kardia sabendo que ele é casado, e nem se perdoaria se o tivesse feito. Mas como saber? Perguntar estava fora de questão.
— Queria muito ter uma ideia do que está pensando. — Dégel quase pulou ao escutar a voz de Kardia. Estava tão concentrado que não percebeu o outro se aproximar.
Ficou rubro.
O olhar do escorpiano sobre o dizia que Kardia sabia claramente o que ele estava pensando.
— N-nada... não estou, ou melhor, não estava pensando em nada. — respondeu tremulo. O escorpiano sorriu aliviado, o mais novo finalmente tinha retornado com seu tom atrapalhado. Degel, porém, não gostou do sorriso de meia lua do escorpiano. Aquilo lhe dava a impressão de que Kardia estava rindo dele. Pegou a toalha, caminhou em direção ao banheiro. Antes de entrar murmurou um “com licença” para o outro e entrou no cômodo do banheiro, fechando a porta com rapidez, escorregando ate o fim dela.
Definitivamente não perguntaria, naquele momento, a incerteza seria sua melhor aliada.
...Fallen...
Assim como em todas as manhãs, Camus acordou cedo. Porém, continuou na cama. Admirando discretamente o grego. A pele morena, mesmo não estando sob a luz do sol, era bonita. Reluzente. Os cabelos eram de um loiro dourado. Os lábios cheios e muito convidativos enfeitavam o rosto adormecido. Os músculos do peito exposto possuíam algumas penugens loiras.
O aquariano engoliu seco, aquele homem estava se tornando sua perdição.
Fechou os olhos e mordeu o lábio inferior com força. Não deveria se apaixonar... Seu corpo ainda reclamava pelos encontros com o patriarca da família Onpreyde. No entanto, já tinha dito que não mais atrapalharia o que quer que fosse acontecer entre eles. Milo era diferente, desejava imensamente estar certo disso.
Milo o deixava confuso. Se ao menos tivessem se conhecido de outra forma.
“Se ao menos ele não pertencesse à família de Kardia”. — Murmurou interno.
— Queria saber o que o atormenta? — Camus abriu os olhos assustado ao escutar a voz de Milo.
O loiro estava acordado e lhe fitava com os belos e intensos olhos azuis. A testa estava franzida.
— Nada me atormenta no momento. — mentiu. Não conseguiria externar tudo o que sentia.
— Sei que está mentindo. Posso ver em seus olhos. — o grego levou a mão ao rosto de Camus a fim de acariciá-lo, o ruivo não ergueu objeção. Ao contrario, apreciou o singelo toque. — mas se não quer me contar, não vou forçá-lo.
A mão de Milo fazia um carinho leve pelo rosto afilado do aquariano, provocando tremores involuntários no ruivo. Camus sentia uma tensão suprimir seu corpo. Ao mesmo tempo em que era bom sentir aquele pequeno gesto de Milo, também era agoniante estar perto dele, e não entendia por que essa imensa dualidade em seus sentimentos.
Os olhos de cor peculiar capitavam as reações do corpo do grego, Milo tinha umidificado os lábios inúmeras vezes enquanto rodeava os lábios do francês.
— Você quer me beijar. — Sussurrou o ruivo arrancando um leve sorriso de Milo.
— Está tão obvio assim? — O grego perguntou no mesmo tom.
— Sim, estar. Mas não sei por que não o fez ainda. — continuou em tom sussurrante
— Quero que seja consensual.
— Não vou pedir.
— Então não vou te beijar.
— Mesmo que eu diga que não me importo?
— Mesmo assim... — afirmou alto, para que seu cérebro ouvisse. Numa tentativa louca de conter-se. Porque tudo o que queria era mandar sua inexistente racionalidade pras cucuias e agarrar o francês ali mesmo.
Camus sorriu sensual, mordeu o lábio inferior com força. Milo sabia ser arisco e isso o excitava. Engoliu seco. O grego passou mais uma vez a língua nos lábios, umidificando-os. Sentiu seu membro palpitar e seu corpo esquentar... queria Camus. Queria abraçá-lo, beijá-lo, tê-lo novamente em seus braços. Precisava ir com calma, mas era difícil fazer a racionalidade prevalecer. Ainda mais com o ruivo lhe olhando daquela forma tão intensa.
Milo conseguia ler nos olhos vermelhos de Camus que; ele também o queria!
O francês colocou a mão do grego em sua cintura. Sentiu os dedos de Milo tremerem e friccionarem contra o tecido da regata branca que vestia. Sorriu interno, mesmo Milo dizendo que não o beijaria se ele não deixasse, estava claro que Milo estava se segurando para não atacá-lo.
Camus escorregar para junto de Milo, colando seus corpos. O loiro soltou um gemido fraco e involuntário.
O ruivo estava o testando?
— Camus... — Milo sussurrou.
— Shii. — Camus colocou o indicador nos lábios sedutor do loiro, pedido para que ficasse calado. Empurrou-o para que ficasse completamente deitado no colchão e apoiou todo o peso de seu corpo sobre o dele. Fixando seus olhos com os de Milo. — Vamos fazer assim... eu não peço, você não me beija. Deixamos simplesmente acontecer. — Camus interpôs, sua voz estava anasalada. Cheia de promessas caprichosa.
Um sorriso de meia lua brincou nos lábios do grego. As mãos morenas ganharam vida e formaram caminho por entre os fios rubros, fechando os dedos na nuca do francês, trazendo o rosto dele para perto. Milo deu um beijo leve no canto da boca de Camus. Um gesto simples, mais bastante demorado. Camus fechou os olhos, apreciando aquele gesto gostoso. Os lábios de Milo exprimiam calor.
O loiro puxou Camus ate que ele ficasse totalmente em cima de si. Queria sentir seus corpos disputarem um mesmo espaço. Queria que o francês também exibisse suas reações. Queria poder sentir o corpo do menor tremer. Camus apoiou ambas as mãos no peito de Milo e inclinou um pouco a cabeça para o lado, esperando os lábios de Milo pousar sobre os seus.
— Simplesmente deixar acontecer? — Milo eximiu sussurrante, mirando a face rubra do ruivo. Queria ter certeza de que, independente do que acontecesse entre eles, Camus não se arrependeria depois.
— Humhum. — Camus murmurou. Queria ser beijado mais uma vez por Milo, no entanto... era orgulhoso e não pediria por isso.
Diferente de Camus, Milo não era tão orgulhoso, nem tão pouco indiferente a excitação que o ruivo causava em seu corpo. E o beijou.
Um beijo suave, leve. Um beijo onde somente as bocas se provavam. Se reconheciam. Um beijo gostoso, cheio de lascívia. Milo trocou de posição com Camus, alternando o osculo para algo mais quente, selvagem. Cheio de luxuria e paixão. Milo abandonou os lábios do ruivo para atacar a jugular embranquecida, mordendo, chupando, deixando marca. Tentando controlar sua respiração, sua ansiedade e desejo. Relembrando um pouco da única vez em que transaram.
Camus estava com a respiração pesada. Suprimia na garganta o gemido que queria sair. Seu corpo estava todo elétrico, quente. A língua experiente de Milo passeava por todo o seu corpo, deixando rastro de saliva. As mãos grandes de Milo tatearam por suas coxas firmes, subindo pelo short curto que usava, e que dava acesso a todas as partes interessantes do ruivo com muita facilidade. Milo alcançou as nádegas de Camus, apertando-as com desejo. Arrancando um som extasiante do intimo do ruivo. Era gostoso sentir Camus daquele jeito, totalmente a mercê de seus toques. Entretanto, aquilo não era suficiente.
Queria estar dentro dele e atacá-lo da forma mais promíscua que podia.
— Quero você. — Disse rouco. Seu desejo despontando no meio de suas pernas.
— Pegue. — Volveu Camus com languidez. Seu corpo implorava por aquilo.
Milo retirou o short e a regata de Camus e desceu ate que sua boca ficasse rente com o membro intumescido do francês. Abocanhando tudo o que conseguia. Iniciando uma felação intensa. Camus gemia e empurrava-se contra o rosto de Milo, aquilo era bom. A sensação de estar todo da boca de Milo era maravilhosa. Tanto que o francês exclamou seu descontentamento em alto e bom som ao ser solto de supetão.
Milo não conseguiu deixar de sorrir satisfeito em ter Camus totalmente entregue.
Subiu todo o corpo do francês, fazendo uma trilha de saliva por onde passava. Mordiscando os mamilos. Colocou uma das pernas de Camus na altura de seu ombro e passou a sondar, com os dedos, a carne firme entre as pernas de Camus. Penetrando-o com dois dígitos, preparando-o. O francês arqueou o corpo, uma satisfação enorme tinha o atingido. Um gemido rouco saiu de sua garganta, mostrando a Milo o quão necessitado ele estava. O grego não esperou mais, retirou a própria cueca e acomodou-se entre as coxas torneadas, forçando-se contra a carne rosada e quente.
Camus mordeu o lábio inferior com força, havia sido difícil mais Milo estava totalmente dentro de si. A dor inicial perante a invasão era incomoda e, mesmo relaxando, Camus não a deixou de sentir. No entanto, não era somente dor... tinha algo mais sublime. Uma sensação boa, gostosa. Plenitude era a palavra certa.
— Vou mexer. — o loiro informou. Camus fechou os olhos e virou o rosto de lado depois da primeira estocada. — olhe para mim. — pediu, Camus acatou. Fixou seus olhos com os do loiro. Mirando as expressões de deleite de Milo.
Um novo beijo foi iniciado, junto... novas estocas eram processadas, unindo os corpos. Milo desceu os lábios pelo queixo levantado, distribuindo beijos, mordiscando pescoço, nariz, orelha e tudo o que sua boca conseguia alcançar sem que precisasse deixar o corpo de Camus. Atentou-se novamente para a boca do francês. Escorregando o membro devagar para fora da entrada apertada, somente para logo em seguida atacar furiosamente o corpo do ruivo. Embora parecesse que ia ser partido ao meio, a sensação de paz de instalou no corpo de Camus.
O francês já não se reconhecia. Seu corpo respondia com afinco as investidas do loiro. Seus quadris seguiam copiosamente os de Milo. Sua garganta produzia obscenos sons languidos, enrouquecidos. E suas unhas passeavam livres pelas costas de Milo. O loiro estagnava estocas firmes, exatas e sem trégua.
— Milo... — Camus chamou em forma de lamento, sentia seus sentidos deslocados. Não suportaria muito tempo.
— Deixe vir... eu também vou. — volveu o loiro. Sentia o corpo de Camus contrair-se. Ele também estava próximo ao ápice. O cheiro de sexo era forte.
Um grito rouco ecoou pelo quarto, ambos gozaram ao mesmo tempo. Milo prendeu Camus em um acerco firme, impedindo o ruivo de se mexer. Enfiou o nariz no pescoço do francês e ali permaneceu por um longo tempo, ao menos, ate o próprio Camus pedir para que ele o soltasse.
...Fallen...
Sonnya deu um carinhoso beijo de despedida nos lábios de Regulus. A rosada tinha passado a noite toda com o leonino, assim como Shun com Hyoga. Os quatro tinham ido para o apartamento do loiro, uma vez que o apartamento que Regulus dividia com Degel estava quase que completamente sem nada. E agora que o dia tinha feito presente era hora de partir.
— Nos vemos outro dia? — Regulus perguntou animado.
— Não sei. — a escorpiana falou olhando de esguelha para Shun. — Quem sabe nos encontramos por ai, em alguma outra festa?
— Tenho ideia melhor... — Regulus puxou Sonnya pela cintura, encostando-a em seu corpo. — Porque você não me dar seu número de telefone?
Sonnya sorriu sem jeito para o leonino. Tinha cometido um erro. A noite tinha sido maravilhosa, mas aquela era a primeira e ultima vez que havia ficado com Regulus. Estava com o casamento marcado, não poderia fugir de seu destino.
Seu pai não a deixaria ser livre.
— Por que... — Murmurou baixando o olhar.
— Não seja indiscreto gatinho, dê um tempo para a garota pensar se foi bom. — Hyoga falou, largando Shun. Deus uma piscadela para Sonnya que sorriu aliviada.
— Vá se ferrar. — Regulus rosnou irritado com o amigo mala. Sonnya era uma garota legal, bonita, atraente. Queria conhecê-la melhor, ficar com ela pra sempre, ou ao menos, ate durar aquele sentimento de “uma noite”. No entanto, concordou com o Hyoga, talvez Sonnya precisasse de um tempo. Sem saber ao certo se àquela seria a melhor opção, anotou o numero do celular dele em um pedaço de papel e entregou a escorpiana. — Me liga. — Pediu.
Sonnya pegou o pedaço de papel e colocou no bolso, deu mais um beijo em Regulus e saiu junto com Shun. O leonino se jogou em cima do sofá de Hyoga, o loiro foi buscar duas canecas de café.
— Não sei porque ela não quis me dar o numero de telefone. — Resmungou se ajeitando no sofá e pegando a caneca da mão do amigo.
— Vai ver você não soube fazer. — Hyoga alfinetou. Um sorriso sacana aflorou em seu rosto.
— Cretino. — Regulus rosnou entredentes. — Para o seu azar, eu a fiz gemer muito.
— De desgosto? — Hyoga rebateu prontamente.
— Vai à merda Hyoga. — O loiro riu com gosto. Era muito fácil tirar Regulus do serio.
— Calma cara, ela só deve estar confusa. Garotas têm disso, sabe? Ficarem frustradas depois de um primeiro encontro como o que vocês tiveram. — Hyoga falou. Regulus olhou-o torto, estreitando o olhar. Hyoga logo tratou de explicar. — pensa comigo, vocês mal se conheceram, transaram e você já quer casar... a garota só pode ficar assustada. Além do mais cara, ela pertence à família Onpreyde. Você pode até ter alguns trocados, mas a família dela te supera... e muito.
— Acho que você tem razão. — o leonino murmurou suspirando. — vai ver estou sendo muito apressado. — colocou a caneca em cima da mesinha. — vou ligar para o ingrato do Degel. Sumiu da festa e nem para se despedir serviu.
— Vocês formam um belo casal sabia? — Hyoga falou jocoso, estalando a língua. Regulus lançou-o um olhar de advertência. Já estava cansado daquela brincadeira.
— Por favor, você também não. — falou discando o numero do amigo. — porque ele também não atende? — perguntou irritado. Re-discando o numero de Degel.
O celular do aquariano chamava ate cair na caixa postal. Estava começando a ficar preocupado. Hyoga somente assistia a frustração do leonino crescer.
— Acho melhor eu ir pra casa. — volveu, guardando o celular no bolso da calça, pegou seus pertences (carteira, relógio, sapatos...), despediu-se de Hyoga e saiu. Voltaria para o apartamento que ainda era dono. Antes passaria no apartamento de Albafica na tentativa de saber sobre o paradeiro do amigo sumido.
Continua...
Fale com o autor