Fallacy - Pride

9 Noite Um: Pesadelo


Nunca em minha vida, senti algo que chegasse perto daquela sensação. A dor era tão grande e intensa que eu realmente desejei minha própria morte. Eu sentia algo dentro do meu peito se movendo; crescendo aos poucos. A minha cabeça aparentava estar explodindo internamente. Eu escutava com perfeição o estalar dos ossos se quebrando, e os tendões se rompendo, enquanto minha pele se rasgava aos poucos, fazendo surgir buracos cobertos por um pelo fino e negro. Meus dedos se deslocaram por um momento, e logo depois, começaram a aumentar de tamanho, até se tornarem finos e longos, com garras sólidas levemente curvadas.
Levei minhas mãos ao rosto e senti o toque áspero da nova pele que ali crescia. Berrando de dor, eu notava que o tom da minha voz estava mudando com frequência, ao mesmo tempo que falhava ligeiramente. Caí para o meu lado direito em posição fetal, e até mesmo o barulho das folhas se estalando como choque do meu corpo eu pude ouvir com uma intensidade que eu nunca tinha escutado antes. Minhas mãos migraram para a altura das orelhas então, enquanto um campo minado parecia explodir na minha cabeça. Eu pude sentir o formato estranho e pontiagudo que estavam adquirindo, aos poucos.
Assustado, eu abri os olhos. Minha visão estava desfocada, para a minha surpresa. Eu acabei enterrando as garras no meu próprio rosto, como reflexo da dor extrema que eu sentia. Um pedaço da minha pele veio junto a elas, quando eu tirei a mão. E, no lugar da pele, mais um tufo de pelos negros. Quando notei, até mesmo o formato dos meus dentes estava diferente. Os caninos eram longos, grossos e afiados. Tão grandes que eu não consegui fechar minha boca. Então, meu maxilar também se deslocou. Dentes a mais surgiram depois do cizo, empurrando toda a estrutura óssea para frente, e formando um tipo de... Focinho.
De repente, toda a dor parou. Meus olhos se abriram espontaneamente, e eu pude sentir que estavam ardendo. Eu sentia o calor fora do comum que meu corpo soltava; como se meu sangue estivesse fervendo. Mesmo na escuridão, eu pude ver com perfeição. Hillary estava encostada na árvore, abraçando suas próprias pernas, enquanto seu olhar suplicante e amedrontado parecia ter a mim como foco. O estranho foi que, mesmo a oito metros dela, eu pude escutar cada batida desesperada de seu coração. Pude também sentir o cheiro dela – doce e provocante, quase como se fosse um perfume forte. E também consegui escutar cada criatura presente e oculta sumir dali. O que estava acontecendo, afinal?
Então, meu corpo começou a se mexer devagar. O estranho era que não era eu quem estava fazendo aquilo; era quase como se agisse por livre e espontânea vontade. Até que, mesmo que sem um comando do meu cérebro, ele se levantou...
Minha visão estava, no mínimo, sessenta centímetros mais alta. Isso significava que, se eu tinha um metro e noventa, aquela criatura tinha mais de dois metros e meio. O corpo estava coberto por aquela pelagem fina e negra, que tinha pelo menos oito centímetros em algumas áreas. Minhas mãos ainda eram mãos; os polegares ainda estavam em seus lugares. A única coisa diferente era o tamanho, que tinha dobrado. Cada músculo do corpo daquela coisa estava no auge da definição. Ele rosnava baixo para Hillary, que poderia ter um ataque cardíaco a qualquer minuto, a julgar por seu desespero.
Sutil, ele deixou a posição bípede e imponente, colocando as patas dianteiras no chão. E a minha surpresa foi que, mesmo que seu corpo fosse completamente proporcional, ele podia se mover com eficácia das duas maneiras; lobisomens podiam optar por isso.
Devagar, ele se aproximou de Hillary, rosnando cada vez mais alto. Eu sentia sua garganta vibrando freneticamente do mesmo modo que sentiria a minha. A respiração fraca e a frieza que teve em se aproximar só deixou a pobre garota ainda mais desesperada. Quando ela não tinha mais opção, a não ser encarar a íris vermelha sangue – que eu podia ver pelo reflexo nas dela – ela virou o rosto, encostando a parte de trás da cabeça na árvore e fechando os olhos. Foi quando devagar, ele começou a abrir a boca...

Um ruído vindo da floresta fez o grande lobisomem esquecer da existência de Hillary, para a sua sorte. Assustada, ela ainda manteve a cabeça encostada ao tronco, respirando fundo, e deixando as lágrimas caírem suavemente, escorrendo com delicadeza por seu rosto. A criatura encarou a floresta sombria, procurando alguma coisa. Depois, ele se afastou devagar, colocando uma pata de cada vez no chão, e seguindo em um ritmo fraco para a direção das árvores. Eu percebi sua respiração mudar naquele segundo. Puxava o ar com mais frequência, e por mais tempo, provavelmente atrás do odor de alguma coisa. E de repente, ele rosnou baixo... Foi quando enterrou as garras dianteiras no chão, e com uma força monstruosa, se arremessou em uma corrida extraordinariamente veloz dentre as trilhas da floresta.
Era estranha a sensação. Eu sentia perfeitamente a terra úmida entre os dedos do lobisomem, assim como o peso do impacto nas articulações de seu corpo. Sentia seus músculos trabalhando, e até mesmo seu enorme coração batendo eu podia sentir. Não havia uma só diferença entre aquilo e minha forma humana. Mas, ainda assim, ele me ignorava. Não seguia um comando meu, mesmo que fosse algo tão simples quanto piscar. Era quase como estar em um daqueles pesadelos terríveis em que você não consegue fazer o que quer; apenas segue o sonho, torcendo para que a morte não te encontre. Mas infelizmente, o final é sempre o mesmo.
De repente, ele parou de correr. Suas garras se fixaram ao chão com força, e apenas sua garganta vibrava, emitindo um ruído discreto, mas que não deixava de ser assustador. Seus batimentos cardíacos caíram rapidamente, e nem um músculo de seu corpo se moveu, enquanto ele seguia com os olhos um vulto negro pela mata – algo que eu não enxergaria sem a visão dele. E, como se fôssemos um, eu podia ouvir os passos dados, ecoando em minha mente. Podia ouvir o coração daquela criatura batendo freneticamente, deixando claro seu estado de desespero. E o cheiro era o mais impressionante. Um odor gelado, que entrava por suas narinas de um modo áspero, causando uma sensação fria e um vazio dentro do peito... O cheiro do medo.
O lobo virou o pescoço largo de modo lento, e as finas orelhas pontiagudas no alto da cabeça se voltaram para a mesma direção. Então, ele jogou sua base para as patas traseiras, e com um impulso leve, se colocou em posição bípede mais uma vez. Contraindo o abdômen, soltou um rugido forte e ensurdecedor. No mesmo momento, eu senti o alvo dele se afastando de nós... Ao mesmo tempo que um cheiro parecido com o dele, mas não igual, surgiu.
Para minha surpresa, um outro lobisomem menor – mas com o mesmo olhar sanguinário – saiu da direção que ele encarava. Em um gesto hostil, ele mostrou os finos e afiados dentes compridos para o lobo negro, que não hesitou nem por um segundo. Se manteve de pé, firme, quase como se tivesse a certeza de que acabaria com o outro em apenas duas patadas. E honestamente, eu não duvidaria disso.
Mais alguns segundos se passaram, sem que nenhum dos dois fizesse nada, além de encarar e rosnar baixo. E, quando eu já tinha alguma esperança de que aquilo não se acabasse no derramamento de sangue que eu estava esperando, o lobo menor decidiu me mostrar que aquele meu pensamento nada mais era que um desejo. Afinal de contas, era de lobisomens que a história se tratava, não de cisnes.
Com força e velocidade, o menor arrancou em direção a mim (ou ao lobo negro, tanto faz). A violência das patadas na terra era tão grande que logo uma trilha de buracos surgiu. O ódio era evidente, assim como sua vontade de matar. Eu congelei quando vi que o lobo negro não se movia. Se continuasse parado, ia acabar matando nós dois. Mas, não havia nada que eu pudesse fazer, além de rezar. E aquilo, de longe, foi o que mais me atormentou. Ser obrigado a observar a morte chegar até mim, logo na primeira noite em que o demônio possuiu meu corpo.

Mas, por sorte, eu estava errado. E aquele enorme lobisomem negro fez questão de me provar da pior maneira possível.
Antes que o lobo menor tocasse seu corpo, ele agarrou seu pescoço com apenas uma de suas mãos. No mesmo segundo, eu senti a tensão provocada pela vulnerabilidade se espalhar pelo outro lobisomem. Os músculos ficaram rígidos, e em um rugido alto e desesperado, tentou fazer com que nos afastássemos, mas não conseguiu. Então, o lobo negro apertou. As garras foram encravadas no trapézio, ao mesmo tempo que o lobo menor fechou os olhos com força e seu rugido trepidou. Fraco, e perdendo sangue inacreditavelmente rápido, foi uma questão de segundos até que seu corpo falhasse, e sua força desaparecesse. E como se estivesse apenas esperando esse momento chegar, o lobo negro delicadamente levou sua mão livre ao focinho do menor, e esticou seu pescoço. Depois, ele abriu a boca rapidamente, apenas para esticar os músculos. E finalmente encravou seus dentes enormes na jugular do pobre lobisomem.
Eu senti o sangue na boca dele, como se fosse na minha. O sabor que lembrava ferrugem, em todo o lugar. Descia, quente, pela garganta dele; me deixando enjoado. Caía pelo lados da boca e tocava seu peito. Pude sentir também os batimentos cardíacos do outro por suas veias; cada vez ficando mais lentos. E ele continuava engolindo o sangue como se fosse água. E eu continuava sentindo como se fosse comigo.
Ele soltou o corpo do outro, com um pedaço do músculo do pescoço e trapézio entre os dentes. Eu desesperadamente quis gritar quando ele aos poucos foi engolindo. A carne ainda ensanguentada, passando por cada centímetro da garganta dele. Descendo de modo pesado; e só piorava quando eu pensava de onde aquilo estava vindo. Era torturante ser obrigado a sentir e ver o que estava acontecendo. Mas, nem mesmo a dor no peito estava presente. Nem uma gota de piedade. Lobisomens não eram criaturas infernais, como Aidan alegou. Infernal mesmo era o que eu estava passando, por não conseguir controlar o meu.
Assombrado, eu tentei gritar. Uma explosão de sentimentos tomou conta da pequena parte consciente que havia em mim. Por um breve momento, tive a impressão de que, de alguma maneira, eu consegui mostrar ao lobo que eu não estava completamente morto dentro dele. Foi como se minha mente tivesse, por um segundo, encontrado uma brecha para chegar até o comando. E como eu sabia disso tudo? Porque, por mais que não tenha durado, quando eu manisfestei a minha vontade de gritar, o lobisomem rugiu.
Pude notar que ele se assustou, percebendo que aquele gesto tinha sido involuntário. Fitou os cantos com as orelhas em pé, atentas, e arregalou os enormes olhos vermelhos. Então, ele soltou o pedaço de carne que estava comendo. Ainda com descrição, colocou as patas dianteiras no chão mais uma vez. De repente, minha visão ficou embaçada, sem um motivo aparente. E então, eu o perdi. Perdi a pouca consciência que ainda me restava quando não consegui ver mais nada, e parei de sentir tudo que acontecia a ele.

O vento gelado tocou minha pele sutilmente. Com os olhos fechados, eu continuava zonzo demais para pensar em alguma coisa. Com suavidade, eu me virei de lado, e provoquei um estranho estalo. O vento soprando forte mais uma vez me incomodou. E quando eu finalmente abri os olhos, eu apenas pude perceber que estava deitado no chão da floresta. As árvores altas ficavam impecáveis iluminadas pelo sol discreto da manhã. Demorei um pouco para entender o que eu estava fazendo ali, estirado no chão gelado, coberto de folhas mortas. Mas, assim que as lembranças voltaram a minha cabeça, eu me sentei.
Meu corpo estava coberto de sangue. Meu peito, minha boca, e até mesmo meu pescoço. Parecia que eu tinha sido espancado (ou que eu tinha devorado alguma coisa). Em desespero, eu passei a mão por meus cabelos. Aos poucos, a dor da realidade foi ficando cada vez mais intensa. Uma lágrima desceu por meu rosto. A calça jeans estava completamente destruída, e a camisa que eu estava usando antes da transformação não estava comigo. Minha respiração ficou mais rápida, e eu não conseguia pensar no que fazer. Eu sabia que tinha matado um lobisomem. Mas, não pude ver o resto da noite. Não tinha como saber se provoquei apenas uma morte.
Ainda assustado, eu levantei. Meus braços começaram a tremer espontaneamente. Quase como se minhas forças tivessem sido tomadas de mim, eu me senti fraco. Cambaleei, perdendo o equilíbrio. A cicatriz da mordida em meu braço direito começou a arder discretamente, fazendo meu coração bater mais forte. O cheiro do sangue em meu peito subia, e toda vez que eu respirava eu podia senti-lo percorrendo meu corpo. Cada ruído me chamava a atenção de um modo intenso que eu não conseguia compreender. Se eu me concentrasse, escutaria com perfeição o coração de um pequeno pássaro batendo. Meus olhos acinzentados não tinham mais sensibilidade à luz forte. De um modo ou de outro, mesmo fraco e cansado, eu sabia que meus sentidos estavam mais apurados. Muito mais do que o de qualquer humano normal.
E foi apenas depois disso tudo que eu percebi a segunda catástrofe daquela tarde. Eu não fazia ideia de onde eu estava. Completamente perdido, no meio daquela enorme floresta; exposto e vulnerável a qualquer ataque. Quase como uma ovelha indefesa no meio de uma alcateia. Mas, em conflito com minha vontade de viver estava o medo da noite. E isso realmente me fez pensar se eu devia ou não lutar pela minha vida. Descer o olhar até meu torso nu coberto de sangue me fazia sentir um vazio dentro do peito. Um sentimento que misturava culpa, e a sensação infernal de saber que poderia ter matado alguém. Dilacerado. Mutilado.
Que tipo de ser humano poderia querer continuar vivendo?
Quando decidi voltar para a casa da árvore, minha intenção não era continuar vivo. Mas sabia que não poderia me matar sem antes falar com Hillary. Eu sabia que seria doloroso para ela, mas pior seria se eu sumisse e a deixasse sem saber absolutamente nada. O fato era que ela não conseguiria me impedir. Nada que dissesse ou fizesse poderia me confortar diante àquela situação. Se por um lado eu nunca me importei com ninguém, por outro, eu tinha um coração. E ele jamais permitiria que eu colocasse em risco a vida de inocentes.

Para minha surpresa, foi extremamente fácil encontrar o caminho de volta. Meu cheiro estava impregnando o ar, e por incrível que pareça, eu podia tranquilamente me guiar por ele. Era absurdo o modo que meus sentidos funcionavam. Obviamente, era consequência da transformação. E era até divertido bancar o farejador. Logo, as chances de me perder se tornaram mínimas. Especialmente quando eu reconheci a trilha que me levaria até a casa da árvore.

Me aproximei o suficiente para ver Hillary. Sentada no chão, encostada na enorme árvore, com o olhar triste e perdido. O contorno dos olhos estava vermelho, assim como seu rosto. Ela se mexia tão pouco que eu não conseguia saber se estava respirando. O cabelo escuro bagunçado, jogado no rosto, como se a dor que estava sentindo fosse forte demais para que ela se preocupasse com coisas tão irrelevantes. Estava pálida e fortemente abatida. Não queria se mover; estava completamente perdida em sua mente confusa e desorientada. Por mais que soe soberbo, pela primeira vez, eu não estava sendo quando pensei que ela só estava assim porque achava que eu tinha morrido.
– Hillary...
No mesmo instante, ela levantou a cabeça. Seus olhos se arregalaram e sua respiração parou quando finalmente seu olhar encontrou o meu. Estava incrédula por já ter perdido a esperança. Eu honestamente não me surpreenderia, tendo em vista que me tornei um lobisomem descontrolado e extremamente imprevisível. Mas, o brilho se acendeu de novo nos olhos dela. Me ver de pé mais uma vez a fez transparecer um sentimento que ela escondia. Algo que sempre lutava para manter escondido. Algo que me fez perceber que seria puro egoísmo meu dizer que estava apenas nos olhos dela.
– Dave... — Sua voz desapareceu.
Ela se levantou. Eu diminui o ritmo da caminhada que me levava a ela, até que finalmente congelei diante a Hillary. Então, ela começou a andar até mim. Os passos eram lentos e ainda surpresos. O olhar continuava o mesmo. O brilho que deixava evidente que o que existia entre nós poderia muito bem ir além de uma amizade. Eu sabia que gostava dela. Sabia também que ela gostava de mim. O mais triste era pensar que aquilo iria acabar da pior maneira. Aliás, acabar mesmo sem ter começado direito. Não era justo... Mas teria que ser assim.
Hillary parou quando dez centímetros separavam nós dois. Ela fitou meus lábios, e depois meus olhos. A íris azulada era suplicante e o silêncio absoluto do momento só fez a tristeza ficar maior ainda. Sem perceber, uma lágrima escorreu pelo meu rosto.
– Eu devo morrer. — Eu disse em um tom baixo.
– Você não pode...
– Não posso correr o risco de matar de novo, Hillary. Eu tenho que morrer.
– Eu não vou deixar. Eu estou com você.
– Não vai ser fácil, eu sei... Mas você tem que entender. Eu sou um assassino.
– Há outra maneira, David. Tem que haver. Deve conseguir se controlar se você tentar.
– E me arriscar de novo a tirar uma vida? — Perguntei. — E se eu não conseguir? E se eu matar de novo?
– Você sabe que não tem culpa...
– Isso não muda os fatos. — Interrompi. — Por favor, não me peça para não fazer isso...
– Por favor, não faça. — Ela entonou em um tom baixo.
– Nada pode ser um motivo bom o suficiente para me arriscar a tirar uma vida.
Hillary franziu as sobrancelhas.
– E quanto a mim?
– Vai conseguir voltar a Inglaterra. — Eu disse.
– Não sem você...
– Você tem uma vida, Hillary. Tem Johnny, sua carreira, seus amigos... E eu estou colocando isso tudo em risco. Não vale a pena se arriscar a perder por causa de mim. Eu nunca quis seu mal...
– Acha que eu vou ficar bem se você morrer?
– Por que não ficaria?
Ela fitou o chão, confusa.
– Porque você é tudo que eu tenho.
Eu engoli em seco.
Hillary se aproximou de mim devagar. Aos poucos, seu corpo foi se adaptando ao meu. Ela enterrou a cabeça no meu peito, sem se importar com o sangue já seco. Eu senti minhas pernas ligeiramente bambas quando coloquei meu rosto perto do seu pescoço e seu cheiro invadiu minha mente. Novamente, o desejo quase acabou comigo. Passei meu braço direito por volta de sua cintura, e levei minha mão esquerda até seu rosto com suavidade. Passei a ponta de meus dedos por sua bochecha, e senti sua pele quente e macia. Me aproximei devagar, respirando com descrição, deixando meus lábios a poucos centímetros dos dela; prontos para que ela os beijasse. Mas Hillary abaixou novamente a cabeça, ignorando meu gesto. Eu fechei os olhos, derrotado.
Foi quando, em uma atitude de recomeço que tomava de mim todo meu ar abatido, eu senti com timidez seus lábios doces tocando os meus, moldando-me levemente para o beijo que tanto me fora cobiçado.