Fallacy - Pride
11 Noite Sete: Paraíso
Disseram-me uma vez que a maior arma de beleza e sedução de uma mulher é o seu sorriso. No primeiro momento, achei difícil acreditar em tal teoria; para mim, mulheres tinham atributos melhores. Mas conforme o tempo passava, eu ia entendendo que aquilo era verdade. A mais bela das mulheres sem um sorriso largo no rosto seria apenas mais uma. E por isso eu gostava tanto do de Hillary. Se já era inacreditavelmente bela quando séria, seu sorriso conseguia ser mais quente que o próprio sol. – Achei que estivesse morta...– Não é tão fácil quanto achou que fosse, não é? A morena de olhos azuis começou a caminhar devagar para perto de mim. – Eu disse que sabia que não seria fácil, Hillary.
– E não foi... Eu me perguntava o que tinha acontecido com você a cada momento. Não conseguia tirar você da minha cabeça. Não aguentava continuar esperando por algo que eu não sabia se ia acontecer. Eu sorri discretamente. – E depois disso tudo, ainda tem coragem de dizer que não sente algo por mim? – Mas eu sinto, Dave. Desprezo. — Hillary riu baixo. – Engraçadinha. — Debochei. — Sabe o que eu quero dizer. – Bem, e qual seria a vantagem de sentir algo por você? Você não é confiável. – E o que está ganhando agora? O título de Dama do Octógono? Hillary riu. Alto. – Você e a sua implicância com o pobre Johnny... Ele é até um cara legal, sabia? Talvez você gostasse dele.– Hillary, o único tipo de namorado que eu gosto é o que vem com o prefixo “ex” na frente. Namorado bom é namorado morto. – Não seja bobo. Ele não é tão ruim assim.– Bem... Não dá para dizer que eu odeio tudo nele. Tem uma coisa que eu gosto. – E o que é? — Ela perguntou, curiosa. – A mulher dele. Hillary passou por mim devagar, sorrindo de um modo malandro que me provocava. A tentação estava nos olhos dela, e ficou evidente quando ela virou o pescoço para me encarar. Umedeceu os lábios de forma lente e prazerosa, e logo depois puxou os cabelos negros para trás mais uma vez. Eu definitivamente precisei de alguns segundos para respirar antes de a seguir até a casa da árvore. Quando eu subi, Hillary já estava completamente instalada na cama de casal. Os olhos estavam fechados enquanto ela respirava fundo, como se aquele momento fosse o único descanso que ela teve nos últimos quatro dias. As linhas suaves de seu rosto ainda me deixavam boquiaberto. Até o modo com que a camiseta preta se movia conforme ela respirava parecia mais interessante aos meus olhos. Eu ainda me perguntava se ela era real. Uma mulher como ela devia ter algum defeito; talvez ignorância ou infantilidade... Sempre tinha alguma coisa assim. Mas, ela parecia ter saído dos meus melhores sonhos. A personalidade forte de uma mulher decidida, com o fundo docemente inocente. O pavor da rejeição. O medo de ser machucada. Pura feito água. Um ser fascinante e inacreditável. Uma raridade no mundo atual. – Dave? — Ela chamou.– Estou aqui, olhando para você. – Posso fazer uma pergunta? Da última vez, aquilo não teve um bom rumo. – Claro...– O que aconteceu na última noite era verdade ou era por ambos estarmos sensíveis e alterados com a sua suposta morte? Eu encostei o ombro no batente. – Você quer dizer o beijo ou tudo o que falamos um para o outro?– Tudo. Hillary se sentou na cama, com as costas apoiadas nos travesseiros. Ela me encarava pensativa, e com um pequeno fundo de curiosidade misturada com tristeza nos olhos. – De fato, estávamos alterados... E eu quero pedir desculpas a você. Hillary uniu suas sobrancelhas e fez o canto de seus lábios tremerem discretamente. Uma linda expressão meiga de derreter o coração. Era impossível deixar mais evidente que minha resposta não era o que ela queria ouvir. – David Matlock está pedindo desculpas por ter me beijado? Eu respirei fundo, e o canto da minha boca se arqueou em um sorriso leve, sem que eu percebesse. – David Matlock está pedindo desculpas por não ter beijado você como deveria. E acredite, se acontecesse tudo de novo, ele faria completamente diferente. Ela se calou. Discretamente, se ajeitou na cama. Mas, eu vi um sorriso suave em seu rosto. E isso fez com que eu ganhasse o meu dia. – Mas, voltando a sua pergunta... — Eu completei. — Sim, Hillary. Era verdade. Pelo menos de minha parte, sempre foi. Não sei sobre a sua... – Não acha que eu vou responder minha própria pergunta, ou acha?– Na verdade, não acho. Mas isso só me faz entender que a resposta é “sim”. Hillary olhou para mim com as sobrancelhas baixas. – Por que eu, David? Eu não quero você.– Por que você tem tanto medo de mim?– Porque você não passa de um cretino sem vergonha. Então, eu saí da porta e me sentei ao lado dela, na cama. Minha mão procurou a dela sobre o colchão, e quando meus dedos tocaram os dela, por um momento ela se assustou. Mas ainda assim, permitiu que eu a segurasse. – Me responda com sinceridade. Qual é o seu cômodo favorito da sua casa? — Perguntou ela.
– Mas que tipo de... – Só responda. — Cortou, irredutível. – Ahn, ok... É a minha garagem. Eu sou apaixonado pelos carros. Hillary jogou as sobrancelhas, respirou fundo, e esfregou os olhos azuis. – Ok Dave, agora responda com sinceridade. É. Me pegou. – Tudo bem, Hillary. É a minha cozinha. Ela riu baixo, com ironia. – E por que a cozinha?– Bem... A minha cozinha tem uma bancada enorme de mármore que serve como mesa. E... Bem.. Digamos que eu tenho uma admiração especial por aquela bancada. Passamos bons momentos juntos. Ela riu. – Por que eu sinto que isso não tem absolutamente nada a ver com comida?– Você quer a resposta sincera ou a politicamente correta? — Ela riu. – A sincera. – Realmente, não é porque tem comida lá. O que tem é uma bancada enorme. Hillary acenou negativamente com a cabeça. – Você é um idiota mesmo...– Você perguntou! — Nós rimos. – E como quer que eu te leve a sério? Como eu vou saber o que se passa pela sua cabeça? – Confie em mim. – Como quantas já fizeram? Novamente, respirei fundo. – Eu não acho que deva pensar nisso. Eu entendo você, e realmente entendo que não esteja segura, porque talvez eu no seu lugar também não estivesse. Eu sei que você não pode ler o que se passa pela minha cabeça, Hillary, mas todas essas mulheres nada mais são do que insignificantes na minha vida. E você está longe disso.– Prove. — Ela disse.– Quando você fica nervosa, você se torna irônica. Você tem uma mania que te domina, que é ficar puxando o cabelo para trás. O canto de seus lábios treme quando algo te incomoda. Você perde seu olhar com facilidade quando fica pensativa. Seus olhos ficam cinzas quando o tempo está nublado e mais azuis ainda perto do oceano. Você adora passar o cabelo pela boca. Quando faz charme, morde os lábios. E além de qualquer outra coisa, você quer que aconteça algo entre nós dois, mas tem medo que eu te magoe. Hillary arregalou os olhos, surpresa. Depois, a expressão se tornou tímida e triste. Aos poucos, estava cedendo. – Eu sou virgem. Eu gargalhei. – Eu também.– Não seja grosso! — Ela riu. – Pelo amor de Deus, você não seria virgem nem que fosse de estupro. – Questões religiosas. – Então os padres te estupraram. — Ela deu um tapa leve no meu ombro. – Como pode ter tanta certeza de que não sou? – Porque você tem um namorado lutador de trinta anos, porque você é a garota mais bonita que eu já vi, porque você é uma mulher de verdade e porque eu estou me controlando para não te estuprar. Ela riu alto. – Essa não ia colar com você... É, com certeza não.– Não vai conseguir me afastar assim. — Eu sorri, puxando o cabelo dela para trás da orelha. – Quantos anos tem, Dave? – Vinte e cinco. E você?– Vinte e quatro. Qual é o seu signo? – Dez de março. Sou um bom pisciano. Ela se calou, surpresa.– Impossível.– Haha, é verdade. Isso significa que, de algum modo, tenho sentimentos. Pelo menos, se você acreditar em horóscopo. — Sorri. — Eu diria que você é... Libriana. – Hm... Acho que não. — Ela sorriu. — Treze de novembro. Escorpiana. Eu ri, incrédulo. – Haha, sério? Fria, vingativa, egoísta e calculista? — Bufei ironicamente. — Isso não parece você. Hillary sorriu com um canto da boca. – É um signo mal compreendido.– E peixes com escorpião dá certo? — Perguntei. – Devo estar com cara de astróloga, não é? — Nós rimos. Discretamente, arrastei meu corpo alguns centímetros para frente para que pudesse ficar mais perto dela. Meus dedos acariciam sua mão macia de modo suave. – Realmente seria mais interessante se descobríssemos isso sozinhos. — Eu sussurrei. Hillary e eu nos encaramos quando o tom da minha voz foi sumindo. Mais um olhar intenso que me fez parecer novamente um garotinho diante a ela. A pupila dela estava dilatada, mas de algum modo seus olhos refletiam a luz fraca das tochas, que tinham óleo de baleia como combustível, do quarto. O canto de seus lábios tremeu ligeiramente. Por um segundo, a senti vulnerável. Eu consegui ver que estava pronta para se entregar. E eu definitivamente estava pronto para finalmente tê-la em meus braços. Já não conseguia controlar minha vontade por ela. Eu avancei devagar a pequena distância que nos separava. Hillary focalizou rapidamente nos meus lábios que obviamente tinham como alvo os dela. Engoli em seco, mas não hesitei. Fechei meus olhos. Quando percebi, senti sua respiração quente em meu rosto. Minhas mãos procuraram a nuca dela discretamente e quando encontraram, meus dedos se afundaram profundamente na raiz de seus cabelo negro. Ela não estava resistindo a mim. Novamente, um sorriso leve se moldou em minha boca. Então, meu rosto finalmente foi de encontro ao dela. – Eu estou grávida. Antes que meus lábios pudessem tocar os dela, eu parei. Incrédulo, a única coisa que consegui fazer foi rir. Quando abri os olhos, ela estava me encarando, séria. Só podia ser brincadeira. – Não seja boba, eu mal encostei em você.– Estou grávida do Johnny, não de você, imbecil. Eu ri. – Mas você não era virgem há dez minutos atrás?– E você acreditou muito nisso. — Ela sorriu ironicamente. – E por que eu acreditaria nisso agora? – Porque é verdade.– A única verdade é que você está fazendo de tudo e falando qualquer coisa para me manter longe. Mas, você não vai conseguir. — Levantei uma das sobrancelhas. – Ele é meu namorado, David. Tente entender isso. Não vale à pena para mim. Passei a mão por meus cabelos, jogando-os para o lado.– Quem te garante que ele não está transado com nenhuma mulher nesse momento?– Mesmo se estivesse, não é motivo para eu transar com um cara qualquer. Bufei.– Eu não escutei isso de você.– Vai bancar o sensível agora por causa da parte do “cara qualquer”? – Não. Eu não consigo acreditar que você não se importaria. Você mesma me disse que ele não te trata bem, e ainda assim, você quer ser fiel? Qual é o seu problema? Hillary recolheu sua mão. – Eu não sou igual a você.– Não é questão de ser igual a mim ou não. Olhe para você e olhe para ele. Você é maravilhosa, e ele é um imbecil. Não há lógica no mundo que explique o namoro de vocês dois. Você está sendo ingênua, Hillary. Ela bufou e desviou o olhar para o lado por um segundo. Quando me encarou mais uma vez suas sobrancelhas estavam baixas. Ela mordeu o lábio inferior levemente, e depois sorriu, provocando. Foi quando eu finalmente percebi. Ela não estava sendo ingênua. Eu estava.– Ou não... — Sussurrei, em algo que mais parecia um pensamento alto. — Não está fazendo essas coisas por ele, está?– Hm... Talvez não esteja. – E sobre fazer jogo duro para ver até onde eu vou? Qual é a sua opinião? — Perguntei, sorrindo. Era óbvio demais. Hillary sorriu. – Parece interessante. — Ela sussurrou. — Mas meu namorado não gostaria.– Ex namorado. Meus lábios procuraram os dela com urgência. E aquele beijo começou de forma deliciosamente lenta e provocante. A língua dela rapidamente procurou por uma passagem para minha boca e foi prontamente atendida. Nossos lábios se correspondiam de forma tão perfeita que parecia que havíamos combinado. Aos poucos, nos perdemos. Finalmente, ela era minha. Era tão bom que nem mesmo parecia real. Custei a acreditar no que estava acontecendo. Ninguém merece tanto; especialmente eu. O único modo de se livrar de uma tentação é cedendo a ela. E por isso, minhas mãos subiram delicadamente para a cintura de Hillary. Descontrolado, eu segurei sua camisa com força, fazendo-a subir talvez uns três dedos. Por mais que a ideia fosse ir com calma, eu não conseguia. Quando percebi, meus lábios se soltaram dos dela e se consumiram em um desejo enorme de descer, beijando o seu pescoço suavemente. Hillary arfou, se esticando mais ainda para que eu continuasse. E eu nem ousava pensar em parar. Se aproveitando da situação, minha mãos (que pareciam ter vida própria) desceram até suas pernas. Aos poucos, eu ia arqueando minhas costas, inclinando meu corpo para frente, cada vez indo mais para cima dela. Então, eu puxei seu corpo contra o meu, fazendo com que suas pernas abertas abraçassem meu quadril. E quando eu fiz isso, Hillary se foi se deixando de costas na cama, de modo lento e teatral, enquanto seus lábios procuraram os meus mais uma vez. Meu corpo de repente se encaixou sobre o dela. As leves e sagazes mãos de Hillary rapidamente procuraram a borda de minha camisa e a puxaram, tirando-a por minha cabeça e a jogando no chão. Então, olhando em meus olhos, ela sorriu por apenas um segundo. Até que seus lábios tocaram meu pescoço de forma suave, me fazendo tremer e gemer baixo. Minhas pernas ficaram bambas com o modo que ela me tocava. Então, ela me deu um chupão no pescoço. Novamente, me vi tremendo como um inexperiente. Virgem uma ova.
Então, ela me jogou para o lado. Rapidamente, suas pernas passaram por cima de meu quadril e ela se sentou. Com mão direita em meu abdômen, Hillary puxou o cabelo para trás com a esquerda, e mais uma vez sorriu. Suas costas se arquearam para que ela pudesse me beijar mais uma vez e morder meu lábio inferior delicadamente. Minhas mãos subiram para um pouco acima de suas pernas, e apertaram com força. Ela gemeu mais uma vez. Até que, com beijos suaves, foi descendo pelo meu tórax e fazendo os desenhos dos músculos com os lábios, até a borda da minha calça jeans. Foi quando Hillary se levantou mais uma vez e sorriu. E ela retirou a perna do meu quadril e com suavidade, saiu de cima de mim e pulou para fora da cama, sem dizer uma palavra. Ajeitou suas roupas e arrumou o cabelo. Sem entender o que estava acontecendo, eu apenas a observei. Íamos continuar ou não? – Ahn... Tudo bem com você? — Perguntei, no mínimo curioso com a situação.– Tudo ótimo, e você? — Ela sorriu com ironia. – Eu fiz alguma coisa errada? — Perguntei, assustado. – Não, ora bolas.- Ela respondeu em um tom óbvio. — Você fez tudo certo. Mas, eu não vou transar com você na primeira noite. – Sua vadia... Você me fez... E-eu... – Eu sei. — Ela interrompeu, radiante. — Eu queria ver onde você ia chegar. Me desculpe por... Ahn, iludir você. — Ela apontou para um lugar estratégico de minha anatomia. — Eu vou dormir no outro quarto por questões óbvias. Tenha uma boa noite, Dave. Hillary começou a caminhar em direção a porta. – Espere... Isso foi surto de uma noite ou vamos continuar? Meu tom de voz de repente ficou doce. Minhas sobrancelhas se uniram. Hillary sorriu de modo meigo. Ela era linda demais. – Não sei se estaremos vivos amanhã, Dave... Quem dirá continuar.– Bicho ruim não morre, Hillary. — Eu sorri. — E se por acaso acontecesse, eu daria uma jeito de ressuscitar apenas para poder continuar com você. Ela sorriu com o canto da boca, me encarando com intensidade. Era evidente o que ela queria. E naquele momento, eu senti que o que nós tínhamos ia muito além da questão física. Na verdade, eu estaria sendo superficial se dissesse que se tratava apenas daquilo. Havia uma coisa entre nós que palavras não poderiam explicar. Que olhares não seriam o suficiente para denunciar. Que nada poderia entender. Eu não compreendia, mas eu sabia o que era. E sabia que pela primeira vez estava em mim. – Boa noite Dave. — Ela saiu e fechou a porta. De repente, não era a gravidade que me mantinha preso ao chão.
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