Fall
9 Thirsty
Notas iniciais
Anonymous’s Pov
Carreguei o lobisomem com um pouco de dificuldade, apesar de ele ser bem magro, sua musculatura forte fazia com que seu corpo se tornasse pesado, dificultando a caminhada. Andei com o homem nu apoiado pelo meu ombro esquerdo por mais alguns minutos, até que alcanço uma pequena cabana de madeira escura e reforçada com ferro. Mais conhecida como minha casa
Meu nome é Nico Robin, vivo no bosque por cerca de muitos milênios, a fim de proteger os humanos das criaturas demoníacas existentes em abundância no bosque amaldiçoado. É o meu dever como Elfa protetora da região, porém, atualmente a floresta está sendo muito abalada por demônios poderosos, onde eu e meu parceiro temos muita dificuldade de encontra-lo.
-Cheguei! – Anunciei alto enquanto eu abria a porta de madeira com cuidado, pois eu não queria incomodar o esverdeado, que dormia profundamente no meu ombro.
-ROBIN-CHWAAAANN, SEJA BEM VINDA DE VOLTA! – Um homem loiro apareceu de repente no cômodo próximo a entrada, fazendo um tremendo escândalo ao ver a minha chegada – Robin-chwan, quem é esse idiota que está nos seus ombros delicados? – Indagou o loiro levemente irritado. Pude ver suas orelhas pontudas de Elfo ficarem vermelhas, devido a forma que o esverdeado estava – E por que ele está nu?!
-Sanji-kun, eu o encontrei na floresta, parece que ele é um lobisomem! – Exclamei colocando o esverdeado no sofá de casa – Mas parece ser boa pessoa – continuei – Você poderia emprestar algumas roupas para ele Sanji-kun? – Perguntei, dando um sorriso sereno para o Elfo.
-É PRA JÁ, MINHA RAINHA ELFA!!!
Luffy’s Pov
Acordei em minha cama macia e feita de madeira em mais um dia frio de outono. Lembranças do dia anterior vieram à tona na minha mente, deixando-me confuso e dando um leve arrepio na espinha. Passei a minha mão direita no meu pescoço, mas algo estava errado, não havia nada ali, nenhuma marca de mordida ou resto de sangue, o que eu achei realmente esquisito “Será que tudo isso foi um sonho?” Pensei por alguns instantes.
Após alguns minutos de reflexão, decidi ignorar o fato. Olhei para a janela e visualizei pela posição do sol que era aproximadamente 16 horas da tarde.
Tentei me levantar da cama, porém, duas coisas me impediam de praticar a ação. Primeira: Meu corpo estava super dolorido, eu mal conseguia movimentar os meu membros, era como se uma manada de elefantes ferozes tivessem atravessado o meu corpo brutalmente. Segundo: Uma pessoa, que não pude identificar imediatamente quem era, estava deitada na minha cama, ao meu lado e com o braço musculoso envolvido na minha cintura fina e forçando que o meu corpo, consideravelmente menor, ficasse colado ao peito do maior.
Era Ace que estava dormindo no meu lado. Sua expressão era calma e serena, suas sardas infantis se movimentavam lentamente pelo seu rosto de acordo com a sua respiração. Eu não queria de forma alguma acorda-lo de seu sono profundo, Ace parecia um anjo de tão belo, mas eu queria sair dali, eu não estava aguentando ficar deitado na cama, eu queria levantar, cozinhar, fazer as minhas obrigações!
Lentamente tentei levantar seu braço, mas assim que o toquei ele fez uma leve expressão com o rosto, como se estivesse acordando. Tirei minhas mãos dele e logo sua expressão serena retornou. Com isso concluí que ele tinha sono muito leve e qualquer coisa que eu fizesse acabaria acordando-o.
Mas isso não queria dizer que eu desistiria de levantar. Ainda que aquela dor não estivesse ajudando em nada. Primeiro, eu tentei escorregar para o lado, tentando sair do abraço do maior, mas não funcionou. Ele me segurou com mais força. Tentei sair por baixo, mas senti dor nas costas. Por cima e quase bati a cabeça na parede.
-Mas será possível isso? – Resmunguei. Deitando-me novamente e tentando bolar um plano para sair de lá. – Talvez eu devesse acordar Ace. Vai ver ele consegue dormir depois. – Me virei para olhar o maior e tentar acordá-lo. Mas ao olhar para seu rosto concluí que não conseguiria. Sua expressão de serenidade simplesmente não me deixava acordá-lo. Ele parecia estar tendo um ótimo sonho.
Talvez estivesse sonhando com carne. Eu só acho isso pelo o que aconteceu pouco depois de eu decidir não acordar Ace. Eu estava deitado, esperando que o maior abrisse os olhos ou me soltasse, quando senti Ace apertar um pouco seu braço ao meu redor.
Não doeria tanto normalmente, mas meu corpo estava todo dolorido. Ele aproximou sua boca de meu ombro e me mordeu. Não era uma mordida tão forte quando a daquele cara do meu sonho... Ou talvez não tivesse sido um sonho... Eu ainda estava muito confuso. Enfim, não era igual, mas aquilo doeu bastante.
-Ace! O que você está fazendo? – Perguntei.
-Carne... – Ele disse baixinho. Olhei para ele e vi seus olhos fechados. Então ele era sonâmbulo? Sério? Eu não tinha muitos detalhes sobre isso, mas de uma coisa eu sabia: Não se pode acordar um sonâmbulo.
Ele me mordeu mais uma vez e se aproximou de meu pescoço. Pude sentir sua respiração tocar minha pele sensível, senti todos os pelos do meu corpo se arrepiarem e meu coração se acelerou. Eu me virei a fim de olhar para Ace. Ele ainda estava dormindo.
Fiquei agradecido por isso, já que pude sentir meu rosto queimar. Eu tinha certeza de que estava muito vermelho naquele momento. Meus olhos involuntariamente se direcionaram para o pescoço de Ace. Ele era tão... Convidativo.
Eu percebi que minha garganta estava muito seca. E eu estava com tanta sede, mas era uma sede que eu nunca havia sentido antes. Aproximei-me do pescoço de Ace, cada célula do meu corpo me dizia que a coisa certa a fazer era mordê-lo e drenar seu sangue. “Hein? Como assim sangue? O que é que eu estou pensando” Eu pensava, mas ainda assim não parava de me aproximar.
-Não... Isso não está certo. Aquele sonho teve tanta influência sobre mim? Mas o que eu estou fazendo?
Eu estava quase alcançando o pescoço de Ace quando vi seus olhos abrindo. Foi um grande alívio para minha parte racional, mas boa parte de mim ainda desejava que ele tivesse continuado a dormir. E então eu percebi a situação em que me encontrava. Com o rosto perigosamente próximo ao seu pescoço, seminu, deitado ao lado de Ace na cama. Aliás... Quando é que eu fora parar ali?
-Err... Lu... Quer dizer, Luffy... O que você...? – Ele disse meio sem jeito. Imediatamente me afastei dele.
-Ah, desculpa... Eu ia gritar no seu ouvido pra você acordar... – “Bela desculpa... Sabe quantas pessoas acreditariam? 0!” Me repreendi mentalmente.
Ace olhou para o próprio braço e, percebendo o que estava fazendo, retirou-o rapidamente de cima de mim.
-Desculpa! Entendo... Você se lembra do que estava fazendo antes de acordar aqui?
-Mais ou menos. Eu tava voltando pra casa da cidade... Mas acho que eu tenho umas lembranças confusas. Era de um cara de cabelo vermelho que começou a mexer comigo, ele me mordeu e eu perdi meu sangue e tinha um lobo gigante... Mas eu não sei quanto disso é verdade e o quanto foi só um sonho.
-O cara de cabelo vermelho... Ele é de verdade. Ele começou a mexer com você e você desmaiou, Lu... Digo, Luffy. E então eu fui lá e te ajudei, porque estava em débito com você! Te trouxe pra cá.
-Obrigado... E... Pode me chamar de Lu, se quiser. – Eu disse corando. E me levantei rapidamente, indo o mais rápido possível buscar água em algum rio do bosque. Antes de sair coloquei um casaco comprido, assim não precisaria vestir mais nada.
-Algum problema? – Perguntou Ace, enquanto eu me vestia.
-Sim. Eu estou com sede. Muita sede. – Eu falei e depois saí do quarto o mais rápido que pude.
Ace’s Pov
Fiquei olhando a porta pela qual Luffy acabara de passar. Alguns pensamentos de como ele era fofo invadiram minha mente e eu demorei muito tempo para levantar-me e começar a me vestir.
Depois de colocar minha camiseta e minha calça de antes – que depois eu precisaria lavar – eu sentei na beirada da cama e comecei a pensar sobre a conversa que eu tinha acabado de ter com Luffy. Foi então que minha ficha caiu.
-Ele disse... Sede?
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