Falcão
3 CAPÍTULO O3: Impaciência & Segurança
Notas iniciais
FALCÃO
Escrita por Coffee
CAPÍTULO O3: Impaciência & Segurança
Sakura foi trabalhar no dia seguinte, sem nem ao menos conversar com ele antes. Sabia que ela estava o evitando para não chorar. Kakashi apareceu na janela da cozinha minutos depois dela sair.
– Era por isso? Você sabia?
– Sim. Mas não podia falar nada, sinto muito.
Acenou positivamente com a cabeça.
– Sasuke... Eu sei que você provavelmente vai ir contra. Vai ir lá no dia combinado e falar que não vai se casar. Eu sei. E isso não é nada bom.
– Kakashi... O que está querendo dizer?
– Nada. Só que marcaram uma reunião com Sakura, Naruto, Hinata Ino e Shikamaru.
– Para que?
– Para isso que você está imaginando. Para que eles te convençam.
– E não de uma forma amigável.
– Exatamente. O conselho ainda é podre Sasuke. E você deveria ir lá.
– Por quê?
– Pelo o que conheço de vocês de todos esses anos... Sei que Sakura não ficará calada dessa vez.
Ele não precisou ouvir mais nada para entender.
Então saiu às presas, correndo e correndo, até chegar à torre do conselho.
Quando estava prestes a entrar alguém segurou seu braço com tanto chakra que ele parou imediatamente.
– Tsunade?
– Você não pode entrar Sasuke, não piore ainda mais as coisas...
Ele podia ouvir, como o bom ninja que era o conselheiro falando e falando vezes e vezes seguidas, mas ele nem ao menos se atentou a isso, apenas percebeu quando uma voz se sobressaiu.
– Vocês não tem o direito de obrigar alguém a se casar!
A voz de Sakura estava tão alta que ele pensou nunca ter a ouvido assim.
– Paciência Sakura, por favor, paciência.
Ele ouviu Tsunade sussurrar ao seu lado, baixinho.
– Chamamos vocês aqui para convencê-lo, não para irem contra! – O conselheiro respondeu.
– Vocês não podem obrigá-lo a se casar! Menos ainda com pessoas que ele mal conhece. As pessoas têm sentimentos, sabia?
– E o que você quer? Que ele se case com você?
Sakura não respondeu.
– Eu jamais permitiria que ele se casasse com você! Uma criança mimada, que nem ao menos pertence a um clã! Minha próxima medida será proibir que pessoas que não pertencem a um clã se tornem ninjas, para que não fiquem iguais a você!
– Não fale assim de mim!
– Eu falo do jeito que eu quiser! Você é uma criança, uma criança patética, que se não fosse pela pena de Tsunade ainda estaria jogada pelos cantos com os outros rindo da sua testa e da sua fraqueza!
– Cale a boca!
– Você acha que em algum momento estaria à altura de se casar com alguém de um clã? Para que? Para arruinar a genética? A linha de poder? Você é estúpida!
Foi tudo tão rápido que quando ele percebeu já estava furioso, dentro da sala.
Sakura estava perigosamente perto do conselheiro, com os punhos azuis de tanto chakra. Ela só não o acertara porque Shikamaru lutava para segurá-la e puxá-la para trás.
Ele se aproximou, vendo os outros paralisados encostados na parede, e tomou o lugar de Shikamaru, vendo-a nervosa em seus braços, puxou o punho direito para trás, e depois o esquerdo, segurando-os com força e puxando o tronco pequeno para trás.
Agora ela estava mais machucada do que irritadiça.
– Vamos.
Ele disse, puxando-a e vendo-a amolecer em seus braços, acompanhando-o.
Antes de sair pode ver o conselheiro sorrindo cínico, e o que ele mais quis fazer foi voltar lá e socá-lo.
Após descerem as escadas da torre, já lá em baixo, soltou-a.
Ela permaneceu parada, durante o que lhe pareceu uns cinco minutos, e depois voltou a andar seguindo-o.
– Vamos.
Disse novamente.
Quando estavam na metade do caminho, ele ouviu-a fungar e quando olhou para trás notou os olhos encharcados.
Andou mais rápido, como forma de tirá-la das ruas movimentadas, até finalmente chegarem ao distrito.
Abriu a porta, vendo-a passar por ela e desabar no sofá.
Ela chorou baixinho e humilhada, e ele permaneceu ali em silêncio, até ela se acalmar. Depois andou até o sofá, agachando-se em frente a ela.
– Shiiii. Tá tudo bem Sakura. Vai ficar tudo bem.
Ela soluçou quatro vezes, e depois segurou sua mão entre as dela.
– Vai ficar tudo bem.
Repetiu, vendo-a se acalmar.
– Não se importe com o que ele disse. Vai ficar tudo bem.
E ele repetia as mesmas palavras para si mesmo, tentando acreditar também.
♦ ♦ ♦
Quando ele se levantou, Sakura ainda dormia. Encolhida ficava ainda menor, e isso fez com que um bolo se formasse em sua garganta.
Ele saiu, silencioso, rumo ao prédio do conselho.
– Fiquei sabendo das coisas ontem. Cheguei atrasado, você já tinha saído com ela, enquanto Naruto derrubava todos os papeis da mesa e gritava com ele.
Kakashi disse, andando em seu lado.
– Como ela está?
– Péssima.
– Imagino que sim, Ino e Shikamaru me disseram as coisas horríveis que ele disse.
– Me arrependi de não ter deixado-a socá-lo.
– Isso pioraria as coisas.
– Eu sei.
– Eu sinto muito não poder fazer nada. Eu e Tsunade não temos muito poder quando se trata do conselho, você sabe... Tsunade não pode fazer nada porque eles podem pedir uma sessão para que ela saia do cargo, e como sabe que eu vou entrar no lugar dela, podem me tirar também.
Acenou positivamente com a cabeça.
– Caso sairmos, um deles entra, e isso acabaria de vez com Konoha.
Eles andaram mais alguns metros, antes de Kakashi se despedir.
Quando chegou a torre, subiu as escadas sem se importar com os que o seguiam tentando para-lo. Abriu a porta de supetão.
Umiko o conselheiro principal estava sentado com aquela pose que o dava enjoo.
Ele não se abateu, apenas se aproximou.
– Não ouse dirigir qualquer outra palavra a ela.
Disse baixo, mas ameaçador o suficiente. Os olhos dele vacilaram alguns segundos, mas depois a confiança estava lá novamente.
– Você é quem não deve ousar falar desse modo comigo. — Ele respondeu – O conselho já acabou com a pose dos Uchihas uma vez, pode muito bem acabar de novo!
Ele deu dois passos próximos, sua paciência indo embora, céus, como odiava aqueles malditos conselheiros.
Ele não suportava vê-lo falando daquele jeito de sua família. Ele estava pronto para atacar quando ninjas o seguraram.
– Escute bem. Percebi que você tem algum tipo de relação, ou seja lá que diabo for isso. Os outros conselheiros já estão a par, ou seja, pode me matar agora, que tudo continuará do mesmo modo, porque eles concordam comigo. É bom se afastar daquela garota, é bom ficar bem longe dela, e escolher logo uma das opções que te demos, antes que...
– Antes que?
– Antes que demos um fim nela.
– Você não ousaria-
– Quer pagar para ver? Afasta-se seja como for, imediatamente.
– E esqueceram-se dela?
– É claro. É uma promessa.
Umiko viu o garoto Uchiha se desvencilhar de seus guardas, e sair com passadas longas e irritadiças.
Sorriu, vendo após alguns minutos outros dois conselheiros – Yumo e Hachiro – entrarem.
– O Uchiha saiu daqui?
– Sim. Veio tirar satisfação sobre ontem.
– E você?
– A relação dele com a garota é mais forte do que pensávamos. Com a presença dela ele jamais se casara com uma das escolhidas. E a Vila Oculta do Trovão e da Névoa estão com descendentes fortes demais, sem falar nas alianças entre elas que a cada dia estão mais intensas. Precisamos de herdeiros fortes, Konoha precisa estabelecer seu lugar de líder perante as vilas, e isso jamais acontecerá se depender da loira bêbada, ou do copy-ninja grisalho que irá suceder ela.
– E então?
– Eu disse para ele se afaste da garota. Prometi que se ele terminar com ela, vamos a deixar em paz.
Yumo pareceu notar seu sorriso.
– Pena que ele não sabe que você não é de cumprir promessas.
– Pois é! Nossa! Que pena! Esqueci-me de avisá-lo.
Os três sorriram.
– Com ele longe dela, será fácil jogá-la em uma missão para fora da vila. Vai querer pegar a primeira coisa que aparecer para espairecer e ficar longe dele.
– O que precisamos fazer?
– Quero que escreva um pedido de missão, como se fosse um senhor feudal de uma vila qualquer, pedindo ajuda de uma médica-nin.
– E se ela não aceitar a missão?
– Acredite, ela vai.
Sorriu novamente.
– O que devo fazer? – Hachiro perguntou.
– Entre em contato com os Yoikis.
– São mercenários muito poderosos.
– Eu sei, eles pretendem ser a nova Akatsuki. Prometa status e muito dinheiro, não vão recusar. Quero que a interceptem no caminho, não muito longe daqui, quero que seja em uma estrada que passem ninjas, para que achem o corpo, não quero ver a vila toda louca atrás de uma garota desaparecida.
– Certo.
E novamente o sorriso veio fácil, não pode conter.
♦ ♦ ♦
Quando entrou, viu Sakura sobre a cama, lendo um livro.
Ele entrou, com o coração na mão e um pesar sob os ombros.
Andou até o guarda roupa, podia senti-la observá-lo com o olhar, procurou por uma mala grande o suficiente, ela era sua, mas não se importou, colocou-a sobre a cama e abriu totalmente o guarda roupas.
– Sasuke-kun? O que está acontecendo?
Ela perguntou, por detrás do livro.
Não respondeu.
Somente quando pegou as roupas dela, até mesmo com os cabides e começou a jogá-las dentro da mala, foi que ela jogou o livro sobre a cama e se levantou.
– Sasuke? O que você está fazendo, o qu-
– Estou te mandando embora.
– É uma brincadeira?
– Sabe que eu não brinco Sakura.
Ele a notou estática, enquanto ele pegava as roupas e a jogava dentro da mala. Foi até as portas do quarto e do banheiro, pegando os jalecos brancos e colocando-os na mala também.
– Mas... Mas você disse que estava tudo bem, que íamos resolver isso e-
– Eu estava louco. Isso nunca daria certo.
– Sasuke, está com medo? Nós podemos resolver isso juntos e...
Ele sabia o que teria que fazer para Sakura se afastar dele. Teria que magoa-la, machucá-la, quebrá-la de novo.
– Ele tem razão Sakura, você não é mulher para mim.
E ela parou novamente, de boca aberta, e antes que pudesse ter qualquer reação, notou o tapa certeiro em sua face e os olhos cheio de lágrimas.
Sua bochecha ardia, enquanto ela lhe olhava furiosa.
Ele havia merecido aquele tapa, sabia daquilo.
– Você jamais poderá me dar herdeiros fortes, não posso reconstruir meu clã com alguém como você.
E ele viu ela se encolher, as lágrimas caírem, e ele soltou tudo que segurava.
Preciso sair daqui, preciso sair daqui.
Ele repetia em sua mente, precisava sair porque não aguentava vê-la chorando daquele modo.
– Quando voltar, não quero mais te ver aqui.
E deu as costas, andando firme, embora tudo que quisesse era dar meia volta e aninhá-la em seus braços.
Ele ouviu o barulho oco, e podia jurar que ela havia caído no chão, ouviu os soluços e o choro, mas não voltou nem olhou para trás.
Ele já havia feito muito mal a ela para ser egoísta em um momento desses – mesmo que desejasse ser – ele sabia que havia a machucado, a magoado, sabia que ele havia – novamente – a feito chorar. Mas ele não podia se dar ao prazer de mantê-la ali, junto a ele.
Ficarem juntos era perigoso.
Era o melhor para ela.
Era para o bem dela.
Mesmo que ela o odiasse agora, ela estava segura e protegida.
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