Falcão

4 CAPÍTULO O4: Vazio & Pânico


Notas iniciais
Oláá amores! Nesse sábado a noite venho com mais um capítulo de Falcão para vocês! Agradeço novamente por todo o carinho de vocês, muitos têm me perguntado sobre o tamanho da história, e apesar de ter a história em minha mente ainda não tenho muita noção do número de capítulos pois a cada minuto e a cada review que recebo eu tenho novas ideias para novas cenas... Enfim... Não deve ser uma história muito extensa, mas também não vai acabar por enquanto! Vamos a leitura!

FALCÃO

Escrita por Coffee

CAPÍTULO O4: Vazio & Pânico

Quando voltou para casa, horas depois, viu que as luzes estavam apagadas. Ele subiu assim mesmo, no escuro, e ao chegar no quarto acendeu a luz.

A cama estava arrumada, o guarda roupas fechado, tudo estava silencioso e arrumado, como era quando ele morava ali sozinho.

Abriu o guarda roupas encontrando somente suas roupas, no banheiro havia apenas o sabonete, e não os vários vidros de shampoo com os quais tinha se acostumado. Sua escova de dente agora estava solitária, e ele não encontrou nem ao menos um fio cor-de-rosa no chão.

Não havia bolsas espalhadas pela casa, nem absorventes no armário do seu banheiro, nem pentes cor de rosa.

Estava tudo arrumado, mas estava vazio.

A cama arrumada, mas vazia.

E foi ali que ele sentou, com a cabeça entre as mãos, sentindo o seu coração bater apertado, sufocado. Tudo estava pesado, até mesmo o ar.

Tinha a sensação de asfixia, aquela... Angustia. Queria socar muito alguma coisa, mas especificamente alguém, por ter deixado tudo tão triste e solitário novamente.

Faltava uma parte dele.

O falcão estava sem asas.

♦ ♦ ♦

Ele não via Sakura há duas semanas, mas parecia meses e mais meses.

– Viu Sakura?

Perguntou para Naruto que estava sentado ao seu lado no Ichiraku.

– Vi ontem, partiu para uma missão hoje.

– Sozinha?

Naruto pareceu perceber sua careta.

– Sim, não parece ser complicado, apenas um senhor feudal pedindo ajuda de uma médica-nin.

– O que diabos um senhor feudal quer com uma médica-nin?

– Ora teme, eu vou lá saber? Apenas relaxe! Sakura-chan sabe muito bem se cuidar sozinha.

Balançou a cabeça negativamente, não que tivesse duvidas que ela sabia se cuidar sozinha, mas apenas estava com uma sensação ruim.

– Afinal o que aconteceu entre vocês? Sakura-chan me pareceu tão abatida...

– Eu... Expulsei-a da minha casa.

Naruto pareceu perplexo.

– Mas... Mas por quê?

– Não pergunte Naruto, apenas foi necessário.

♦ ♦ ♦

– Sasuke, Naruto, Shikamaru, chamei vocês aqui para conversar sobre o conselho. Isso é uma reunião particular e confidencial, não podem falar sobre isso com ninguém.

Assentiram com a cabeça.

– Sinto que o conselho está com mania de grandeza. Como sabem depois da guerra as vilas começaram a lutar por poder, por status. Konoha foi uma vila que se deu muito bem na guerra, afinal ela foi vencida por dois ninjas nossos.

– Ela tá falando de nós teme!

Naruto gritou, e ele revirou os olhos assim como Tsunade e Shikamaru.

– Tsunade... Vá direto ao ponto.

Pediu para a loira, antes que Naruto falasse mais alguma besteira.

– Precisamos eliminar o conselho.

Os outros ficaram tão surpresos quanto ele próprio.

– Mesmo que tenhamos trocado os membros, ainda não confio neles. Eles têm valores muito parecidos com o de seus pais e avós, e isso não é bom. Sei que o conselho está montando formas de fazer Konoha subir socialmente, eles querem poder, querem que a vila reine sobre as outras. Um exemplo disso é o mandado ridículo que deram a você Sasuke, quer dizer, ninguém é obrigado a se casar a o que? Uns trinta anos?

– Como iríamos destruir o conselho?

– Foi por isso que os chamei aqui, para que encontrem um modo, como sabem eu não posso me envolver muito nisso e-

A porta foi aberta tão rapidamente que ele se assustou.

Por ela passou uma mulher com roupas brancas, agora manchadas de puro vermelho, em pânico. Ela parecia assustada, horrorizada e muda.

– Hayme, o que foi?

Tsunade perguntou.

– Sakura. Sakura foi encontrada por um ninja de Suna que vinha para cá.

Ele se mexeu inquieto na cadeira. Tsunade se levantou.

– E?

– Está morrendo.

Ele se levantou tão rápido da cadeira que a ouviu caindo no chão. Naruto e Shikamaru se levantaram tão rápidos quanto ele, e antes que pensasse em andar, Tsunade já não estava mais na sala.

Eles a seguiram, apressados e ele agradeceu pelo hospital não ser tão longe.

Seu coração batia descontrolado, apressado, desesperado.

Quando entraram, havia uma confusão de ninjas e enfermeiros ali. Outro grupo de ninjas havia chegado machucados, e ele andou apresado por entre as macas em busca dela.

Sakura, Sakura, Sakura.

Sua mente gritava em pânico.

Ele virou dois ou três corredores, em busca do chakra de Tsunade. Estava tão aflito que só notou Naruto e Shikamaru em seu enlace quando parou de repente e o loiro trombou em si.

Foi ai que ele entendeu o pânico da enfermeira, o medo, o horror nos olhos dela.

Naruto se desvencilhou, saindo de trás dele, e se aproximando da maca em que Sakura estava deitada.

– Shikamaru! Vá atrás do ninja que a trouxe e o investigue, recolha o máximo de informações possíveis! Outros ninjas chegaram de uma missão agora, estou tendo que dividir o pessoal, estou arrumando a sala de cirurgia, preciso que fiquem com ela e que a mantenham acordada! Não a deixem dormir!

Tsunade gritou, saindo apressada pelos corredores.

E ele apenas permaneceu lá, paralisado.

Ele podia ver a sua frente Naruto chorando em volta de sua ex-companheira de time moribunda.

Sakura havia sido colocada na maca do mesmo modo em que provavelmente havia sido trazida para cá, retorcida e de mau jeito, mas provavelmente as enfermeiras não a ajeitaram com medo de danificar ainda mais alguma parte do corpo dela.

Como se isso fosse possível.

Havia sangue, sangue manchando o lençol branco da maca, sangue saindo e manchando a roupa estraçalhada que ela usava e sangue pingando no chão branco.

O cabelo cor-de-rosa estava banhado do liquido vermelho, de terra, de sujeira.

Ele tomou coragem, após respirar três vezes profundamente e se aproximou.

Naruto estava ajoelhado ao lado da maca chorando e Shikamaru havia desaparecido.

Aproximou-se devagar, ele sabia que o braço dela estava quebrado, porque estava virado em um ângulo impossível de se virar se ele estivesse são. Havia cortes pelos braços, pelas pernas, pelo abdômen e pelo menos sete dedos quebrados.

Todos retorcidos e ele ficou imaginando em como fizeram aquilo, se ela havia os quebrado dando um soco, ou se haviam quebrado eles um por um.

Ele engoliu em seco quando sem sua permissão a imagem formou-se em sua mente.

A cabeça dela estava virada para o lado, e os olhos estavam quase desfocados. Agachou-se de cócoras em frente à maca.

– Sakura, Sakura, está me ouvindo? Sakura fique acordada, não durma Sakura!

Os olhos dela pareceram olhar para ele, e ela abriu a boca, lentamente.

O rosto dela estava cortado pelo que pareciam golpes de kunai, havia cortes em ambos os supercílios, na boca, na bochecha e no queixo.

Seu nariz podia estar quebrado, porque havia sangue seco sobre ele e dentro dele, além de parecer arroxeado e danificado.

Viu-a abrir a boca, e quando pensou que ela fosse falar qualquer coisa o sangue subiu em grande quantidade, saindo pela boca e pelo nariz.

Os olhos dela reviraram, e tudo parecia fora do controle.

– NARUTO!

Ele gritou, seu amigo parecia paralisado, agachado no chão.

– NARUTO!

Chamou de novo, o loiro finalmente ouviu.

– Arrume algum pano, precisamos secar esse sangue na boca dela, está afogando!

Ele ousou colocar a mão em baixo do pescoço, mas quando tentou movimentá-lo para levantá-lo Sakura arregalou os olhos, e soltou um barulho que se assemelhava a um gemido de dor.

O loiro levantou-se depressa, e começou a andar de um lado para o outro no corredor sem realmente ir a lugar nenhum.

– NARUTO! Ela está se afogando com o próprio sangue!

Viu o loiro tirar a camiseta, afinal não era como se soubesse onde achar qualquer coisa naquele hospital. Pegou a peça branca e laranja nas mãos, colocando na boca dela para que o pano sugasse o liquido vermelho.

– Sakura, não durma Sakura.

O pano estava molhado e vermelho, e a mente dele uma confusão.

Papai? Mamãe? Por que não acordam?

Não, não, não.

Sakura não ousaria morrer.

– Sakura-chan, fique com nós.

Ele ouviu Naruto falar ao seu lado, e viu que ela estava perdendo a consciência de novo.

– Naruto... Cadê Tsunade?

– Está vindo, o chakra dela estava se aproximando.

Ele tirou o pano da boca dela quando notou que o sangue parara de sair em uma quantidade tão grande.

– Sakura, fique, lute Sakura, lute.

Ele se aproximou, sem se conter, porque naquele momento nem ao menos veio na sua cabeça a ideia de que podia machucá-la.

– Sakura, está me ouvindo? Fique aqui, Sakura.

Seu coração batia descontrolado, descompassado.

E ele caiu de joelhos no chão, segurando a mão esquerda dela, com os dedos retorcidos, onde ela nem ao menos reclamava da dor.

Naruto estava do seu lado, com a camiseta na mão, pronto para colocar novamente na boca dela se fosse necessário.

– Sakura, fique comigo Sakura.

Antes que notasse ele sentiu as lagrimas quentes percorrerem seus olhos, as bochechas até o fim do rosto e pingarem na blusa.

– Eu a amo Sakura, fique aqui, fique comigo.

Ele pensou ter visto um sorriso na boca vermelha dela, antes de Tsunade aparecer com mais duas enfermeiras atrás de si. Elas tiraram a maca de perto dele, colocando-a em uma sala, e parecia que uma parte dele rachou.

– Naruto, vá colocar uma camisa. Peça para alguém na recepção que eles lhe darão. Eu não deveria deixar vocês aqui pelos riscos de infecção, mas os riscos dela morrer agora são maiores do que se pegar uma infecção, então preciso que vocês peguem cinco bolsas de sangue, agora.

Ele viu Naruto sumir ao seu lado, assim como Tsunade entrando na sala.

Primeiro ele seguiu Naruto, e ao chegarem à recepção lhe indicaram onde arrumar uma blusa, e onde arrumar o sangue. Eles andaram apressados com Naruto já vestido, até chegar à sala indicada.

– Qual devemos pegar?

– O negativo, Naruto.

– Como sabe?

– Você deveria saber também – disse, enquanto os pegava – O membro de um time deve saber o tipo sanguíneo dos demais, aprendemos isso no segundo semestre da academia ninja. Você é B positivo, e Kakashi O positivo.

Naruto coçou a cabeça sem graça, ajudando-o.

– É... Eu deveria saber.

Nada foi dito.

Em sua mente só se passava preocupação e xingamentos para si próprio. Como havia sido tolo, confiado em alguém como Umiko, nas palavras, nas promesas... Ele sabia por que havia feito aquilo. Por ele queria – ao menos uma vez – acreditar que tudo ficaria bem. Queria ter aquele espírito otimista de Naruto, aquela esperança de Sakura.

Mas ele sempre foi assim, afinal, movido pelas conversas alheias, confiando em tudo – ou na grande maioria – do que lhe diziam. Isso já havia trazido muita desgraça para sua vida, e pelo que parece ele ainda não havia aprendido a lição.

Graças ao seu deslize, ao seu descuido, Sakura estava naquela situação. E ele não sabia se devia odiar a si próprio ou ao conselheiro.

Eles voltaram e entraram na sala sem pedir.

Uma enfermeira pegou as bolsas de sangue com eles, e ele olhou para Tsunade pela primeira vez.

Tsunade estava desesperada, ele pode notar, e pela primeira vez a viu tremendo enquanto curava. Tinha a roupa já suja de sangue, os olhos perdidos e desesperados.

Ela parecia não saber nem ao menos por onde começar, nem o que salvar primeiro. Pela primeira vez a Hokage não sabia o que fazer.

Tsunade estava em pânico.

Instantaneamente, ele entrou em pânico também.

Notas finais
:o E agoooooora? Começamos a subir a montanha russa! Espero que tenham gostado, quero ler a opinião de todos vocês em! Beijos!