Falcão
10 CAPÍTULO 1O: Caridade & Abates
Notas iniciais
FALCÃO
Escrita por Coffee
CAPÍTULO 1O: Caridade & Abates
Quando acordou notou Sakura tentando ser sutil e silenciosa. O que era um esforço muito grande para alguém como ela. Após tentar abrir a porta do banheiro de maneira sutil (o que não funcionou, porque a maçaneta emperrou e a porta rangeu) ela fazia alguma coisa sem muito sucesso, porque soltava muxoxos e palavrões baixinhos.
Ela estava claramente tentando fazer silêncio (com muita ênfase em tentando), por achar que ele continuava adormecido.
Tsc. Como se fosse possível dormir com ela tentando ser uma sombra, mas na verdade sendo um espécime barulhento e nem um pouco sutil.
Após passar as mãos nos olhos, revirou-se, sentando na cama, e observando-a. Ela dava pulinhos estranhos, enquanto vestia a calça negra, com a blusa presa na cabeça.
Quando a calça finalmente entrou, ela puxou a blusa para baixo, murmurando palavras desconexas, até notar que estava sendo observada.
— Oh!
Ela gritou em horror, dando passos para trás, quase tropeçando na mochila negra. Seria cômico, se não fosse trágico. Estava com a calça aberta, o cabelo totalmente despenteado, e a blusa torta.
— Oh! Eu não sabia que estava acordado!
Ele pensou em dizer que ela era sutil como um elefante, mas a médica correu para o banheiro, e voltou segundos depois, com a calça arrumada, assim como a blusa e o cabelo penteado.
— Me avise quando tiver acordado!
Ela pediu, com uma carranca, guardando o pente na bolsa.
— Por quê?
Perguntou, no fundo, se divertindo com a situação.
— Oras, se me ver desse jeito mais vezes vai desencantar de mim!
Soltou um projeto de risada pelo nariz.
É adorável.
Pensou, mas apenas levantou-se indo para o banheiro.
— Vou ver se os outros acordaram, te espero na sala de refeições!
Ela gritou por detrás da porta. Em seguida ele ouviu outra porta se abrindo e se fechando em seguida. Fez sua higiene matinal, tomou uma ducha, e logo estava pronto para sair do quarto.
Conferiu se não haviam esquecido nada (mais especificamente Sakura), e depois se pôs a descer as escadas. Estava bem descansado, e até um pouco ansioso para acabar com tudo aquilo logo.
Quando chegou lá em baixo, Sakura já estava na mesa com os outros dois. Os irmãos estavam entretidos lendo as fichas dos ninjas procurados, enquanto a rosada olhava para o seu pão de queijo. Quanto mais tempo passava, menos ele a entendia. Em alguns momentos ela parecia firme, ansiosa até pela missão, em outros ela parecia desolada e receosa.
Sentou-se sem falar nada. Apenas pegou alguns dos aperitivos na mesa, colocando no prato que o esperava, e começou a comer. Uma mulher veio os servir chá e café, e logo as fichas também foram abandonadas.
— Qual o plano? — Yomo perguntou diretamente para ele.
Deu os ombros. Eles não estavam meio grandinhos para precisarem de planos?
— Segundo Kakashi alguns deles estarão esperando um carregamento de armas a dois quilômetros de Yukigakure no fim do dia. Vamos chegar lá a tempo, acabar com eles, e com sorte, conseguir informações sobre os outros.
O ninja pareceu não gostar.
— Isso é muito vago.
— Sempre dá certo.
— Eu não sei o que aquele cara tinha na cabeça para te colocar como líder!
A médica, já prevendo um conflito interveio quando eles fizeram menção de levantar.
— Ei, ei, ei! Parem vocês dois ok? Já temos problemas o suficiente. Vamos seguir essa linha de raciocínio, e, se não o encontrarmos, ou algo der errado, montamos um plano. Tudo bem?
Ele não respondeu apenas voltou para o seu café.
— Yomo-san, não sei se na sua vila as coisas são mais premeditadas, mas sempre fizemos as coisas assim, sem muitos planos, e sempre deu certo. Estou certa de que teremos sorte dessa vez.
Os olhos do ninja se aliviaram, e ele assentiu.
— Se você diz...
— Agora vamos comer, para partimos logo ou não chegaremos a tempo.
Sakura disse com aquela voz mansa, que acalmaria até um leão faminto, e logo todos eles seguiram seu pedido. Até mesmo Yachi, que não parecia gostar nem um pouco da médica.
Não demorou muito tempo para partirem. Correram sem nenhum obstáculo, por toda a manhã e parte da tarde. Somente no meio da tarde tiveram que parar para colocarem suas capas de frio, já nas proximidades de Yuki quando a mudança de temperatura se tornara insuportável.
A rosada (agora com os cabelos castanhos e a máscara) espirrou a alguns metros dele.
— Eu odeio frio.
Mais um espirro.
— Eu realmente odeio frio!
A mulher da água, surpreendentemente concordou.
— Pensei que nunca fosse dizer isso, mas você está certa. Somos duas.
Agora com as capas, eles voltaram a correr. O sol já se punha nas proximidades da vila da neve. Logo passaram para o chão, quando as arvores começaram a ficar cheias de mais de neve, e assim, mais escorregadias.
Chegaram mais cedo do que o esperado.
Estavam em uma campina, grande e sem pessoas ou moradias.
— É aqui que combinaram.
— E se a pessoa das armas vier?
— Pegamos as armas.
— Vocês de Konoha são inconstantes.
Sakura soltou uma risada leve que melhorou o ambiente. Sentiram uma aproximação, atentos, eles viram uma pessoa surgir no horizonte.
Um menino, de estatura pequena, e ombros curvados. Usava um agasalho grosso, e botas típicas do frio. Não deveria ter mais do que doze ou treze anos.
— Uma criança?
Sakura parecia horrorizada, enquanto observava o menino puxar uma espécie de carrinho com um enorme saco bege em cima.
— Quem vende as armas provavelmente é um civil, e sabe que esses caras são perigosos. — Foi Yomo quem respondeu.
— Então mandaram uma criança...
Sakura sussurrou.
— Quem vende sabe que eles iriam matar o entregador para não deixar pistas. Essas crianças são usadas o tempo todo, buscam dinheiro, posições melhores para as suas famílias, são contratadas para levar pacotes, e na maioria das vezes, não voltam.
Yachi contou.
— Tínhamos muito disso na vila, Mizukage-sama conseguiu acabar com grande parte disso. Agora a venda de armas é legalizada e burocrática. Mas nessas outras vilas isso continua.
Sakura o olhou, os olhos verdes assustados.
— Não podemos matá-lo...
Ele não teve tempo de responder, foi Yachi quem cortou.
— Se deixarmos, outros saberão da nossa presença aqui.
—É uma criança!
— A vida exige sacrifícios.
— Não podemos matá-los. Vamos apenas pegar as armas, fingir que somos os homens da entrega...
— Isso é ridículo, que tipo de ninja você é?
Sakura não respondeu a kunoichi.
— Sasuke! — Ela chamou — Sasuke, por favor!
— É claro que você vai recorrer a ele, é fácil convencer alguém quando se dá para a pessoa.
Sakura parou os seus lamentos, e virou-se para Yachi. Ele percebeu-a enfurecida, e antes que pudesse intervir, foi Yomo quem interveio.
— Vocês continuam aqui, vou me transformar em um dos caras do relatório, pego as armas, e mando-o sair daqui rápido. Assim não ficam sabendo da nossa identidade, e ele não é morto.
— Perfeito! — Sakura comemorou.
— Não acredito que vai deixá-lo vivo somente porque ela quer!
— Fique calma, irmã.
— O que acha? — O homem se virou para ele em dúvida, mas claramente irritado por ter que o pedir permissão.
Sakura o olhou com esperança, e Yachi em fúria.
Acenou positivamente, notando Sakura sorrir ainda por de trás da máscara.
O homem se transformou em um dos retratos das fichas, e logo andava em direção ao menino. Eles ficaram de longe, observando a transação. Viram o ninja d’água pegar as armas e fingir ameaçar o garoto, correr atrás dele alguns metros, antes de fingir estar cansado e desistir. A criança saiu correndo, e logo o perderam de vista.
Quando o homem voltou, carregando o saco de armas nas costas a irmã o recebeu áspera.
— Você é patético.
— Qual é, você não é tão sanguinária assim, pare de fingir!
— Quem finge as coisas aqui é você.
Eles abriram o saco de armas, dividindo-as entre si, guardado os excessos nas mochilas, porque antes isso, a deixarem ali e correrem o risco dos inimigos as pegarem.
— Tem gente vindo!
Yachi, a sensorial do grupo avisou.
— Quantos? — Perguntou.
— Cinco. Já perceberam nossa presença.
— Vamos nos dividir, pelo o que sabemos eles são bons com ataque em conjunto, sozinhos teremos vantagem.
Os ninjas da água acataram sua ordem imediatamente.
— Sakura, consegue lidar com isso sozinha?
Os olhos verdes estavam arregalados e assustados. Ela estava claramente lembrando-se da ultima luta. Ela ficou alguns segundos, paralisada.
— Sakura?
— Eu, é, eu...
— Sakura, eu estarei aqui perto, basta mudar seu fluxo de chakra para um chamado, que eu irei até você, está bem?
— O dos olhos ele—
— Com sorte, você não vai lutar com ele.
— Mas e se for você e se—
— Sakura, nós podemos fazer isso.
Ela se calou e os olhos mudaram até parecerem mais firmes.
— Eu posso lidar com isso, Sasuke.
Acenou positivamente, enquanto se preparavam para correr. Mas ele sentia receio em deixá-la sozinha.
— Está tudo bem?
Perguntou uma ultima vez.
— Vai ficar tudo bem.
Ela andou até ele, beijou-o na testa, pediu para que ele tomasse cuidado e em seguida, correu separando-se dele.
Com a proximidade ele podia sentir o chakra dos inimigos, e também saber que eles estavam assim como eles, se separando. Ele ainda continuou prestando atenção no chakra de Sakura durante alguns poucos minutos, até ter que concentrar somente no do seu inimigo.
Ele estava bem ali, na sua frente. Apenas um deles, de cabelos escuros quase azulados, olhos amarelos e roupas vermelhas. Ele tinha estatura média e o olhava de um modo estranho, praticamente debochado.
Ficou em posição de ataque, uma das mãos sobre a katana, os olhos atentos. Sabia pelo que tinha lido que o inimigo era do tipo suiton, e já maquinava em sua mente maneiras de derrotá-lo. Sabia que seria uma disputa acirrada se usasse katon, por isso provavelmente apostaria em um raiton quando fosse o momento certo.
— Quem são vocês?
Ele perguntou. Não tinha posição de ataque, parecia tranquilo e confiante.
Não respondeu.
— Diabos. Quem são vocês? De qual vila?
Viu-o observar sua roupa em busca de uma bandana ou uma identificação qualquer.
— Tire a porra dessa máscara! Quem são vocês? Quem os mandou?
A sua paciência se esvaiu. Correu até ele, com a katana na mão. Atacou, inicialmente apenas estudando o estilo de luta. Como esperava ele facilmente defendeu, usando uma tantō. A habilidade dele era notável, após se defender, ele já conjugara um jutsu, com um esguicho de água forte e certeiro que ele desviara graças à previsão de seu sharingan.
Usou o katon para afastar a água de si, os dois jutsus lutando acirradamente.
Eles passaram algum tempo assim, com jutsus acirrados e algumas armas rebatidas. Em algum momento ele se distraiu, tentando achar o chakra de Sakura e foi atingido, em seguida, também atingiu o ninja, e eles seguiram assim.
Em algum momento estavam cansados, ofegando alto e com alguns machucados pelo corpo. O ninja era bom, mas não excepcional, ele podia acabar com aquilo logo, sabia, mas apenas queria retirar alguma informação, o que não aconteceu, porque ele permanecia calado desde que começaram a lutar.
— Que desgraça! — Ele finalmente falou. — Quem mandou vocês?
— Onde estão os outros? — Perguntou.
De repente o chão abaixo deles tremeu tão forte que ambos quase caíram.
Sakura.
Ele sabia. Aquilo era um sinal que ela estava por perto (e bem).
— Foram contratados para matar todos nós? Desistam.
— Onde estão os outros?
Perguntou mais uma vez, enquanto continuavam a bater armas e conjurar jutsus.
O ninja não mais respondeu, e ele soube que não teria jeito, ele não iria falar nada. Cogitou colocá-lo em um genjutsu, mas não valia a pena. Apenas concentrou-se então em acabar logo com aquilo.
Distraiu usando o katon mais uma vez, rapidamente apareceu por trás, já com o braço preparado com o raiton e o barulho de pássaros.
A água potencializou seu ataque, e ele apenas preocupou-se em acertar um ponto vital e se afastar antes que acabasse se machucando por acidente. O ninja tremeu, cuspiu sangue, o choque forte o atingindo. Até que caiu no chão, morto.
Procurou nos bolsos, algo, mas como o esperado de mercenários, não havia nada. Apenas notas de dinheiro, e armas. Olhou para o céu, havia perdido noção do tempo, já era noite, e ele não tinha muita noção do quanto de tempo que perdera na luta.
Ouviu um grito.
Imediatamente o cor-de-rosa veio em sua mente, mas sabia que não era ela. Era um grito masculino em pânico. Antes de sair dali, usando a bola de fogo, queimou o corpo do ninja, exatamente como Kakashi mandara, e correu em direção à voz.
Ao chegar, os três já estavam juntos.
Yomo em pé com o olhar espantado, e Yachi no chão, desacordada. Sakura estava sobre ela, às mãos trabalhando firmes. Ele pode deduzir que a médica estava tentando salvá-la. Viu armas jogadas ao lado dela, ensanguentadas e soube que ela havia sido atingida por aquilo.
— Estão mortos?
Perguntou ao ninja.
— Sim... O corpo do meu ainda está lá. — Ele apontou para a direção em que o corpo estava. — Sakura já queimou o dela, os de Yachi estão ali — Ele apontou — Ouvia-a gritar e vim para cá...
Acenou positivamente, entendendo o pedido silencioso. O homem não queria sair de perto da irmã, e ele respeitou isso. Andou na direção apontada, usando também bolas de fogo para queimar os corpos.
Quando voltou, Sakura já estava de pé, esperando-o. A ninja continuava no chão desacordada, mas ele podia ver o peito dela se mover.
— Ela está bem. Vai ficar. — A médica falou assim que ele chegou.
Olhou-a, buscando algum ferimento, ou algo sério (do mesmo modo que ela fazia com ele), mas não encontrou nada demais. Ele sabia que mais tarde iriam conversar sobre seus inimigos e sobre suas respectivas lutas quando estivessem a sós, por isso não perguntou nada.
— O inimigo de Yomo abriu a boca. Os outros dois não estão longe daqui, já passaram a fronteira de Yuki, mas não disse exatamente onde estão, achamos que irão atravessar o mar do norte...
— Vamos atrás? — O ninja perguntou, sem tirar os olhos da irmã.
Sakura olhou diretamente para ele.
— Yachi precisa descansar, e eu preciso monitorá-la, pelo menos durante a noite...
— Vamos para uma pousada em Yukigakure, já está tarde e precisamos entrar em contato com Naruto. Descansamos, e amanhã logo pela manhã saímos em busca dos outros dois.
— Mas... Minha irmã...
Olhou-o. Pela primeira vez ele sentiu algo pelo ninja, compaixão, talvez. Ele olhava a irmã com as roupas ensanguentadas e os cabelos bagunçados com uma expressão de puro desconsolo. Sakura também pareceu notar.
— Ela vai ficar bem, vou monitorá-la à noite, e amanhã ela já estará totalmente estável. Você pode ficar com ela, eu e Sasuke-kun daremos conta dos outros dois. Não?
A médica olhou para ele em busca de apoio. Acenou positivamente.
O irmão não mais respondeu. Apenas andou até a irmã, pegando-a com cuidado do chão. Sakura foi até ele, ajeitando-a no colo dele e falando o modo que ele deveria segurá-la. Logo, eles estavam correndo em direção à vila.
O frio novamente se tornou insuportável, mas eles não pararam para se agasalhar mais. A vila estava calma, e eles usaram os telhados, descendo apenas em frente à pousada. Pegaram quartos lado a lado, para que Sakura pudesse olhar pela ninja ferida.
Ela checou-a mais uma vez, estendendo-a na cama.
— Ela está suja, mas vamos mantê-la assim mais um tempo. Não quero movimentá-la mais do que já movimentamos. Os órgãos dela ainda estão se recuperando.
O ninja da água acenou positivamente.
— Eu vou para o quarto, mas volto no meio da noite para checá-la. Qualquer coisa estranha me chame. Mantenha-a agasalhada, use mais de um cobertor se for necessário.
Andou já saindo do quarto, sendo seguido por ela. Quando estavam logo na porta, ele ouviu o ninja pedindo para a médica esperar.
Por cima do ombro ele viu o homem andando até Sakura e abraçando-a fortemente.
— Obrigada, obrigada por salvar minha irmã.
Sakura sorriu gentil como sempre foi, e disse que não foi nada. E então ela se afastou, andando para o quarto deles.
Por algum motivo, aquilo o incomodou.
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