Falcão
11 CAPÍTULO 11: Cumplicidade & Medo
Notas iniciais
FALCÃO
Escrita por Coffee
CAPÍTULO 11: Cumplicidade & Medo
Eles entraram no quarto silenciosos. Tiraram seus sapatos, os pés em contato com o chão gelado fez que mais uma onda de arrepio percorresse seus corpos (como se já não estivesse frio o suficiente).
Sakura espirrou três vezes seguidas, antes de olhar para ele e finalmente perguntar:
— Como foi? Está machucado?
Ela ajudou-o a tirar a capa, assim como a blusa, e seu corpo tremeu de frio. Ela o colocou sentado na cama, e pôs-se a curar os pequenos machucados insignificantes em sua pele.
— Tranquilo.
Respondeu.
— Quem você pegou?
— Takeshi, o usuário de Suiton.
Ela parou de curá-lo, pensando nos relatórios, e logo acenou ao recordar.
— Peguei aquele que não sabiam o nome, de cabelo longo, o segundo usuário de Doton. — Acenou em concordância — Não foi muito complicado. Ele não estava entre aqueles que me atacaram, mas foi relativamente fácil prever seus ataques.
Nenhum dos dois ninjas com que lutaram haviam atacado Sakura naquele dia. Nem o de Yomo, somente os dois de Yachi.
— Yachi pegou dois. Eles lutavam em conjunto. Um acabou distraindo-a, o outro usou uma técnica de armas parecida com a de Tenten, você não imagina como ela estava quando cheguei lá...
— Ela vai se recuperar?
— Creio que sim. Acha que conseguiremos achar os outros?
— Sim.
— Eu poderia ficar cuidando dela, mas ela estará estável, e acho que seria importante ter uma ninja médica por perto, sem falar que duvido que Yomo saia de perto dela.
A menção do nome do ninja o causou uma sensação estranha.
Ela acabou de curá-lo em silêncio.
— Quer tomar banho primeiro?
— Pode ir, vou mandar uma mensagem para Naruto.
A médica acenou positivamente, deu um beijo em seu ombro, e entrou no banheiro. Levantou-se pegando os relatórios da mochila e riscando aqueles que já estavam mortos, sobraram oito, mas ele não sabia quantos o outro time tinha encontrado.
Codificou algumas poucas informações abstratas, como cor de cabelo, ou elemento usado daqueles que já estavam mortos, esperando que Naruto pedisse para Shikamaru ler porque ele claramente não teria capacidade para descodificar, colocou em seu falcão mais veloz, e observou a ave voar pelo céu.
Fechou a janela isolando o vento gelado e ainda esperou alguns minutos antes de Sakura sair do banheiro, usando uma calça azul marinho e uma blusa de mangas.
— Oh! Vou morrer congelada!
Ela disse, correu para cama e ainda sentada enrolou-se no cobertor. Ela formou uma bola em volta de si, onde ele só conseguia visualizar os cabelos róseos e os enormes olhos verdes.
Soltou uma risada pelo nariz, e entrou no banheiro. Não demorou muito tempo, a água estava quente, mas ainda sim ele sofreu um pouco devido ao frio. Saiu do banheiro, Sakura ainda estava enrolada na coberta, mas dessa vez, deitada.
Apagou a luz e andou até a cama, entrando em baixo do outro cobertor. A médica virou para ele apenas com o rosto para fora do cobertor e sorriu.
Eles não disseram mais nada. Apenas se encararam, até o sono bater e eles abraçarem a inconsciência.
Deveria ser a terceira vez que Sakura levantava. Ela estava cansada, ele podia perceber, porque ela tropeçava com mais frequência que o normal e até errara a porta nas duas ultimas vezes. Ele ouviu a porta se abrindo, e depois fechando, sabia que ela estava no quarto ao lado examinando Yachi.
Ela voltou algum tempo depois. Olhou no relógio ao lado, era uma hora da manhã e eles não tinham dormindo quase nada. Ela deitou ao seu lado novamente, percebendo que ele estava acordado.
— Desculpa te acordar. Ela estava com febre, tenho que checar com mais frequência.
Deu os ombros, embora em baixo do cobertor, duvidava que ela tivesse percebido.
— Yomo está acordado, vai ficar de olho agora, qualquer coisa virá me chamar.
Ela bocejou, de puro cansaço, e eles caíram no sono novamente.
Acordou quando Sakura já abria a porta na volta. Levantou, foi ao banheiro, e voltou para cama de novo, o frio o atingindo em cheio.
— Acho que agora conseguiremos dormir...
Ela sussurrou, embora estivesse mais desacordada do que realmente acordada. Ela bocejou vezes seguidas, e caiu no sono, assim como ele.
Acordaram quando alguns pássaros já cantavam. Era cedo, cerca de cinco horas da manhã e eles quase não haviam dormido, pelo menos não um sono produtivo. A médica passara a noite inteira checando Yachi, e, como consequência ele também pouco dormiu.
— Eu sinto muito por não ter te deixado dormir. Deveria ter pedido outro quarto.
Apesar de estar levemente cansado não se importava. Acordou todas as vezes, com os barulhos dela, e apenas se importou em ligar o abajur ao seu lado para que ela não caísse no chão. Ela agradeceu todas as vezes ao sair e ao entrar no quarto.
De algum modo aquilo o estendia um sentimento estranho e novo. Ele passou algum tempo para achar a palavra correta: companheirismo.
Talvez fosse aquele o sentimento que seus pais sentiam, quando passavam a noite acordados no seu quarto ou no de Itachi quando eles ficavam doentes, resfriados ou com febre. Ele notava que ambos estavam exaustos, com olheiras sob os olhos, e, por mais que um dissesse para o outro “vá dormir, eu fico” o outro permanecia.
Ele deixou os pensamentos para lá, se arrumaram e logo eles estavam no quarto ao lado. Yomo tinha olheiras nos olhos, e parecia exausto.
— Como ela está?
Sakura perguntou.
— A febre permaneceu.
— Por que não me chamou?
— Consegui abaixar com compressas de pano úmido.
A médica a examinou durante alguns minutos, e eles apenas observaram ela trabalhar. Novamente ele não gostou do modo como o ninja olhava para ela, mas permaneceu em silencio.
— Ela está estável. A febre é só um processo de resposta do corpo, ela vai ficar bem.
O irmão sorriu, tocando a testa da irmã.
— Não tenho palavras para agradecer o que você fez por ela.
— Não foi nada. — Sakura disse e sorriu.
— Vamos. — Chamou-a.
— Nós iremos atrás dos outros dois. Devemos chegar em breve. Cuide dela, e abaixe a febre se precisar. Ela deve acordar logo.
— Certo.
Eles saíram do quarto em seguida. Tomaram um café da manhã leve e rápido na sala principal da pousada, e posteriormente, disfarçados voltaram a rotina de pular de galho em galho.
Andaram bons quilômetros rumo ao norte, esperando que com sorte os alcançassem a tempo. Periodicamente ele ativava o sharingan procurando por qualquer vestígio deles.
— O navio sempre parte às oito da manhã. Peguei-o uma vez quando acompanhei Tsunade-sama em uma missão — Sakura comentou — Se tivermos sorte chegaremos por perto antes disso, eles não devem estar dentro da vila, apenas nas redondezas.
Acenou positivamente, correndo ao seu lado. O sol começava a despontar no horizonte e o frio a se esvair na medida em que se afastavam da vila da neve.
Tempo depois se aproximaram das redondezas da vila do porto. Era um lugar feio, de aparência suja, cheia de fumaça e neblina. Eles diminuíram a velocidade, escondendo seus chakras e elevando seus capuzes embora ainda estivessem de máscara.
Era uma vila pequena e simplória, poucas casas, claramente comercial que só sobrevivia devido a existência do porto. Quase não tinha vegetação, e nem muitas pessoas, apenas algumas que esperavam o navio que se aproximava no horizonte.
Com cautela eles observaram por cima de uma única arvore, até achar um casal suspeito. Dois homens que usavam capas escuras e compravam passagens de modo sorrateiro. Ele olhou para Sakura.
Mesmo após tantas missões juntos ele ainda não se acostumara em vê-la daquele modo quando estavam em serviço. Ali ela não era mais a doce e gentil Sakura. Apoiada na arvore ela parecia um animal exótico, um felino, talvez, observando sua presa.
Ele reparou no modo como ela se mexeu incomodada e ele podia jurar que ela havia travado a mandíbula por detrás da máscara. Algo ali não estava certo. O chakra dela oscilou de leve, e assim como ele, os outros dois ninjas perceberam, porque olharam imediatamente para a árvore em que estavam.
Ela olhou-o como se pedisse desculpas por estragar o disfarce, mas ele não se importou. Conhecia aquele tipo de ninja, eram matadores, tudo para eles era um jogo. Eles não recusariam uma luta, não importando se perderiam o navio ou não.
O objetivo deles era matar.
Independente de quem, onde ou quando.
Ele apenas deu sinal para que ela também corresse, e despontou para o chão. Alguns moradores olharam assustados quando vultos passaram por eles, e alguns segundos depois eles liberaram seus chakras totalmente para que pudessem ser seguidos. Não demorou uma fração de segundos para sentirem o chakra dos outros dois se aproximando.
Morderam a isca.
Eles correram, e passaram para as arvores quando elas reapareceram já distantes do porto e da pequena vila. Quando estavam em um campo mais aberto, bom o suficiente para a luta, embora a fumaça e a neblina ainda se fizessem presentes, Sakura falou.
— É ele. É o homem dos olhos. Tome cuidado.
Na hora ele entendeu a reação dela de minutos atrás, o leve descontrole.
Medo.
Ele pensou em dizer algo, mas não teve tempo. Sakura foi atacada em seguida, ela caiu da enorme arvore em que estavam, caindo alguns metros enquanto lutava com um ninja no ar. Ele não teve tempo de ver o que aconteceu em seguida, um jato de água o acertou, o derrubando também, e imediatamente ele usou arames para se firmar em outro tronco.
O sharingan ativado.
Pronto para a luta.
Até que seu sharingan se desativou instantaneamente por falta de chakra no globo ocular.
♦ ♦ ♦
— Umiko-sama?
— Entre.
— Tenho novidades senhor.
— O que está esperando para falar?
— O Hokage tirou todos os envolvidos daqui. O Uzumaki, o Uchiha e a garota.
— Ela já se recuperou?
— Pelo que parece sim, a vi na saída da vila, novinha em folha. Nem parece que foi tão machucada.
— E onde foram?
— Nas pastas de missões tudo que diz foi que eles foram para uma missão humanitária. Mas duvido muito. Estavam bem munidos, com mochilas grandes e acompanhados com ninjas da areia e da névoa.
— Desgraçados!
— Achei um pedido na sala de arquivos secretos, da vila da névoa para exterminar um grupo de mercenários. Imagino que tenha sido isso que foram fazer.
Os outros conselheiros, Yumo e Hachiro entraram em seguida.
— Ouçam isso! Mais essa! Descobrirem os Yoikis!
— Mas como?
— Não sei... Como aqueles desgraçados...
— Tinham pedidos de ajudas de outras vilas que também sofreram com os ataques dele. Pelo jeito uniram um mais um.
— Que inferno! Bosta de grupo mercenário! Não conseguiram acabar com uma pirralha! Uma puta!
— Acha que eles vão nos entregar?
— E precisa? Eles já devem desconfiar, ou melhor, ter certeza que fomos nós.
— Senhor?
— Fala!
— E tem mais uma coisa... Tem um líder de negociações de Kumogakure aqui. Ele veio tirar satisfações daquele acordo que você mandou para a vila deles fingindo ser o Hokage.
O homem deu um soco na mesa. Ela balançou, as pernas quebraram e ela desabou espalhando vários papeis pela sala. Os outros dois andaram de um lado para o outro furiosos.
— E agora? E se as outras também vieram tirar satisfações?
— Eu avisei Umiko. Mandar um acordo querendo colocar Konoha como soberana em nome do Hokage não era uma boa ideia. As outras vilas não aceitariam assim rapidamente só porque temos o Uzumaki e o Uchiha, muito menos porque uma prole mais forte que essa está sendo projetada.
— Não é um projeto! Vai acontecer!
— Não é o que parece, com o Uchiha para cima e para baixo com a sua puta.
— Mesmo uma criança deles seria forte, se me permite dizer, senhor.
— Não permito! Aquela mulher não tem genes de um clã para passar para a criança.
— Então por que a queria para si? — Yumo interrompeu. Já estava farto da soberania e das decisões de Umiko.
— Isso é um problema meu.
— Isso não é hora de discutirmos entre nós. — Hachiro cortou. — Precisamos resolver essa chuva de problemas que está caindo.
— Kakashi foi mais esperto que nós. Sorrateiro. Calculou tudo e inclusive tirou-os daqui para que não possamos fazer nada contra eles.
— Senhor?
— QUE FOI? O QUE MAIS TEM PRA FALAR?
— O Hokage dobrou a segurança. Tanto a própria quanto a da ex-Hokage. De pessoas queridas para eles e da vila em geral. Também triplicou a segurança das fronteiras. Ele provavelmente estava esperando um ataque vindo dos senhores.
— Desgraçado! Desgraçado! Ainda de quebra manteve o trio afastado e acabou com o Yoikis que estavam do nosso lado.
— O que vamos fazer?
— Nossa única vantagem é que eles não sabem de nossos esquadrões secretos. Precisamos pensar em um plano b. Sem afetar muito o Uchiha ou o Uzumaki. Precisamos deles para o outro plano, o de montar Konoha como soberana, dar o valor que essa vila merece.
— E os outros?
— Pouco me importa. Podem ser exterminados.
— Kachi, chame um dos nossos esquadrões ninjas. Faça uma reunião longe das fronteiras. Quero que ataquem Kumogakure. Com roupas e bandanas da folha, e assinem em nome do Hokage.
— Atacar e...
— Atacar, queimar, matar! O que puder ser feito!
— Sim senhor.
— Chame mais um esquadrão também e os coloque atrás do trio. Não é para matá-los, pelo menos não o Uzumaki e o Uchiha, apenas para trazê-los de volta, e de preferência para dentro da nossa base.
— Senhor, não acho que teremos forças o suficiente para capturar os dois.
— Então mecham com o psicológico. Peguem a Hyuuga querida do Uzumaki.
— Mas os Hyuuga’s eles—
— Vocês são ninjas ou não? — Hachiro interrompeu — É um esquadrão! A garota deve ficar em algum momento sozinha!
— A segurança foi tripl—
— Dane-se a segurança. É bom juntar os esquadrões e fazer com que essa missão seja bem sucedida.
— Sim senhor.
O subordinado saiu da sala imediatamente. Restaram apenas os três.
— Acha que temos chance? — Hachiro perguntou para nenhum dos dois em particular.
— Sim. Os dois podem ser fortes, mas podemos muito bem brincar com eles.
— Como?
— A dor psicológica é pior que a física.
Foi tudo que Umiko disse. Mesmo fazendo parte do conselho, de tudo aquilo, Hachiro tremeu.
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