Falcão
12 CAPÍTULO 12: Arremates & Segredos
Notas iniciais
FALCÃO
Escrita por Coffee
CAPÍTULO 12: Arremates & Segredos
Sobre o galho de uma sequoia ele observava o inimigo. O sharingan jazia desativado, esquecido. Ele sabia que não precisava dele para vencer, mas sem dúvida, faria falta e estenderia ainda mais a luta.
Abaixo dele o chão tremeu, até mesmo a árvore, e aquilo era como um aviso que Sakura estava bem, lutando. Voltou à atenção para o adversário. Pelo que a médica havia contado o ninja não sugava o chakra, apenas tirava-o para outra parte do corpo, e pelo que notara limitadamente, apenas de um lugar por vez.
Ele tinha que achar uma maneira de ganhar, de conseguir controlar seu chakra nos lugares e nos momentos certos. Sem erros, sem distrações. O ninja olhava para os seus olhos, mas mantinha uma distância entre eles o que indicava que ele não deveria ser bom em combate direto e era nisso que ele ia apostar.
Esquecer os olhos poderosos do seu clã, e dar espaço para sua velocidade, para jutsus corpo a corpo. O ninja não conseguiria mexer seu chakra das mãos, dos braços, dos pés ao mesmo tempo. Era nisso que estava apostando.
Fez menção de montar um jutsu, mas o ninja não tirou os olhos dos seus. Isso significava que ele tinha mais receio de seu sharingan do que em qualquer outra coisa que ele pudesse fazer.
Concentrou chakra nos seus pés rapidamente, mudando de lugar, usando a velocidade para chegar atrás do ninja, ele só percebeu quando ele estava muito próximo e não conseguiu se defender. Seu chute acertou-o diretamente nas costelas, e ele despencou da árvore.
Mas logo ele se equilibrou novamente no galho, voltando a olhar para os seus olhos. Acostumado a prever movimentos com o seu sharingan ele não foi rápido o suficiente e acabou sendo atingindo por um jato de água.
Umas séries de ataques se sucederam.
Ele usou sua velocidade, sua força e conseguiu atingir o ninja muito mais vezes do que ser atingido. Ele percebeu que o outro olhava desesperadamente para baixo, como se procurasse ajuda do seu companheiro, mas não a recebendo.
Não sentia mais o chakra de Sakura nem do outro ninja, mas ele não podia ficar muito tempo divagando sobre isso, ele tinha que acabar com aquilo logo.
Seu momento de distração foi o suficiente para ser atacado novamente. Bateu as costas no tronco da árvore, suas costas doeram pelo impacto, o ar fugiu de seus pulmões por alguns instantes e ele não soube se tinha quebrado alguma costela.
Levantou-se rapidamente.
Estava pronto para soltar uma bola de fogo quando o ninja desestabilizou o ar de seus pulmões. O sharingan voltou por uma pequena fração de segundo e ele conseguiu prever mais um golpe de água a tempo de não ser atingido.
O que ele não esperava era que aquilo fosse apenas uma distração. Seguido do jutsu de água vieram uma quantidade infinita de armas em sua direção, e o chakra foi tirado dos seus pés aponto dele não conseguir desviar o suficiente. Com a katana na mão, se preparou para rebater o máximo de armas que conseguia, e aproveitando que o ninja tirava o chakra de seu pé, tentou ativar o sharingan e consequentemente o susanoo. Não funcionou.
Ele rapidamente percebeu sua pretensão e voltou a olhá-lo nos olhos novamente. O chakra em seus pés voltou a tempo dele desviar, porém não rápido o suficiente, e cerca de meia dúzia de armas cravaram em partes diferentes do seu corpo.
Os locais atingidos começaram a adormecer e ele soube: veneno. As armas estavam envenenadas e ele precisava acabar com aquilo logo, antes que o veneno se espalhasse por todo o seu corpo e ele não conseguisse mais se mover.
Sem falar que ele não tinha muito conhecimento de venenos e não fazia ideia do que aquele em especial poderia lhe causar.
Firmou a katana na mão, distraindo com alguns golpes corpo a corpo pouco evasivos. Ele parecia menos preocupado agora, como se esperasse que ele caísse duro a qualquer momento devido ao veneno. Ele sabia que aquilo não demoraria a ocorrer, apenas estava tendo um efeito mais lento devido às experiências de Orochimaru.
Tinha que ser rápido e letal.
Com um golpe conseguiu derrubá-lo do enorme galho em que se encontravam. Usou sua velocidade para se jogar no ar também atrás dele. O ninja tentou se equilibrar, voltar a ter o controle do seu corpo, mas já era tarde. Ele já estava perto o suficiente com a katana na mão, o chidori preparado e o som de mil pássaros.
O ninja tirou o chakra de suas mãos e o chidori se desfez enquanto eles caiam pelo ar, mas a espada conseguiu atingir o objetivo e acertou-o fazendo cuspir sangue. Estava há alguns metros do chão quando o homem perdeu o controle dos olhos, e ele conseguiu refazer o chidori o acertando em cheio.
O corpo tremeu, e caiu.
Sentiu a dormência atingindo ainda mais seus membros, e estava tão próximo do chão que não conseguiu se mover novamente pelo ar. Apenas se virou de forma que caísse sem se machucar tanto, embora soubesse que se machucaria.
Caiu de mau jeito. Os pés chegaram ao chão primeiro, amortecendo a queda, mas a dormência não permitiu que permanecesse em pé e cambaleou até cair deitado.
O ombro bateu forte no chão e ele quase gritou de dor. Sabia que se tivesse a sorte de não ter quebrado ele estava no mínimo, deslocado.
A dormência fez efeito e ele já não conseguia mais se mover. A única coisa que pode fazer foi controlar um pouco o chakra e descontrolá-lo de uma vez, forte, como um chamado e torcer para que Sakura tivesse sentido.
♦ ♦ ♦
— Está tudo bem.
A voz lhe disse, calma e serena.
Sakura.
— Consegue me ouvir?
Ele quis dizer que sim, mas parecia que não tinha controle de seu corpo. Podia sentir sua pele úmida de suor, e seus membros ainda adormecidos embora com menos intensidade.
— Já te dei um antídoto para o veneno. Seu corpo é bem resistente a ele, e o veneno não é muito forte, um antídoto geral que trago na bolsa foi o suficiente.
Ela continuava a conversar com ele, sabia que, de alguma forma ela sabia que ele ouvia.
— Vou colocar seu ombro no lugar. Vai doer pouco, aguente firme.
Ele sentiu as mãos em sua pele suada, o puxão e a dor sem fim. Não soube se gritou, gemeu de dor, ou se permaneceu calado. A dor nublou sua mente e caiu na inconsciência de novo.
♦ ♦ ♦
Sentia que tinha adormecido por dias. Suas pálpebras pesadas se abriram, e tudo que viu foi o céu azul. Em seguida a cabeleira cor de rosa entrou em seu campo de visão.
— Está tudo bem. Acabou.
Ela sorriu gentil. Não parecia machucada, e sim, aliviada por ter acordado.
Tinha a sensação de ter dormido muito, mas ainda estava cedo e o sol continuava presente. Ela pareceu compreender sua dúvida.
— Não se passou nem uma hora. É o veneno que tira a nossa sensação de tempo. O antídoto já dominou o seu corpo, e você já vomitou praticamente todo o veneno.
Não se lembrava de ter vomitado, nem achava que tinha passado tão pouco tempo.
Permaneceram em silêncio durante alguns minutos. A dormência tinha abandonado seu corpo, e conseguiu se sentar sem ajuda.
— Quando sentir que o corpo está firme pode levantar.
Ela disse e ele o fez. Levantou-se devagar, em algum momento uma tontura o atingiu, mas conseguiu recuperar-se a tempo.
Sakura sorriu ao vê-lo em pé, e recolheu toda a parafernália que estava fora de sua mochila. Em seguida observou-a colorir novamente seus cabelos de castanho, colocou a mascara e entregou a dele, e logo eles partiam novamente.
Queria perguntar como foi à luta, se ela havia o matado, mas sua boca estava seca e ele não se sentia muito humorado para conversações.
A rosada pareceu entender e eles continuaram em silêncio durante parte da viagem. A volta foi calma e tranquila, ele parou vez ou outra para por o resto do veneno para fora, vomitando até o ponto de seu abdômen doer pelo esforço.
Era incômodo andar ainda, e por esse motivo eles correram pouco não se esforçando muito. Era noite quando chegaram a Yukigakure, com o frio os atingindo novamente, mas eles não colocaram seus casacos, apenas mantiveram as máscaras no rosto.
Ao chegarem ele foi direto para o quarto, seu corpo estava exausto e ele precisava urgentemente se deitar.
— Vou checar Yachi, volto logo.
Sakura disse, após checar sua temperatura e colocar as mochilas no canto do quarto. Ele dormiu rapidamente e nem ao menos acordou quando ela retornou ao quarto.
♦ ♦ ♦
— Naruto enviou uma carta, a missão está completa, podemos voltar.
Disse enquanto tomavam café da manhã, Yomo e Yachi estavam presentes, a loira ainda estava se recuperando da última luta, sua pele clara marcada por machucados em cicatrização, mas já parecia bem o suficiente para viajar.
O efeito do veneno em seu corpo também tinha se esvaído totalmente e ele estava pronto para partir, embora só de pensar em voltar para vila e ter que lidar com o conselho fazia sua têmpora doer.
Os dois acenaram positivamente, assim como Sakura, e logo eles estavam correndo de galho em galho novamente na exaustiva e longa viagem até suas vilas.
Foram poucas pausas, apenas para recuperar suas energias e se alimentar. Quando chegaram perto de uma fronteira, Yomo e Yachi anunciaram que partiriam dali mesmo para sua vila natal, Kirigakure.
— Temos ordem da Mizuake para voltar, temos outras missões para completar.
Ele acenou positivamente. Sakura foi mais receptiva.
— Obrigada por nos ajudarem nessa missão...
Yomo foi até ela e a abraçou.
— Nós que agradecemos você salvou minha irmã, nunca nos esqueceremos disso.
A rosada sorriu sem jeito, e até Yachi foi simpática dessa vez.
— Sim, meu irmão tem razão, obrigada por ter me salvado, peço desculpas pelas coisas que disse a você antes...
Elas se abraçaram, emocionadas, e depois eles despontaram a correr novamente. Ao anoitecer pararam os dois em uma pousada, para pernoitar, no próximo dia provavelmente se encontrariam com o grupo de Naruto e não teriam mais folgas até chegarem a Konoha.
Ao entrarem no quarto, após tomarem banho, eles finalmente tiveram um momento de paz, sozinhos, sem ter que chegar outros quartos, relatórios ou se manter em alerta.
— Mal posso acreditar que tudo isso finalmente acabou... Foi mais tranquilo do que imaginei, na verdade, acho que eu me sentia tão... Humilhada que eu idealizei muito os riscos dessa missão, o poderio desses ninjas...
Acenou positivamente, como se entendesse o conflito interno dela, e, de certo modo, entendia, ele sabia muito bem o que o medo podia fazer com as pessoas.
— Esse meu último oponente tinha me atacado naquele dia, foi um pouco mais complicado porque ele sabia muito mais meu estilo de luta do que eu o dele... Mas eu consegui me sair bem... Acho que não adianta eu ficar corroendo aquele momento na minha mente... Aconteceu, foi um erro meu, e já passou.
Ele sabia o suficiente do orgulho de Sakura para entender que não importava o quanto ele falasse que não fora culpa dela, que aquilo havia sido uma armadilha, ela continuaria se culpando pelo acontecimento, então ele não estendeu mais a conversa.
— Yachi e Yomo foram de grande ajuda, não?
Ele não queria falar da loira e muito menos de seu irmão inoportuno em um momento daquele. Então ele apenas se preocupou em calá-la com um beijo.
O beijo carregava todo o tempo em que ficaram “separados” carnalmente. Começou com um leve roçar de lábios, e foi se intensificando, assim como a falta que sentiam um do outro.
Em pouco tempo eles estavam sem as roupas, sobre a cama. Mãos apressadas procuraram por um preservativo nas mochilas ao lado da cama. Não havia muito romance ali, somente a vontade de se satisfazerem. Colocou-a de bruços, seu corpo pairando sobre o dela, elevou uma das pernas dela até perto dos seios, colocou o preservativo e a penetrou.
— Oh...
Ele quase concordou com a onomatopeia dela, era a “palavra” certa para definir o prazer de estar dentro dela novamente.
Ao achar o ponto certo que a fazia se contorcer mais, continuou a arrematar ali, até que eles chegaram ao máximo, o prazer começando nas partes baixas do corpo e se alastrando por todo ele, até que acabaram os dois suados na cama.
Sakura não era do tipo que falava muito durante o sexo, apenas alguns comentários necessários às vezes ou alguns palavrões, e ele agradecia por isso. Depois do sexo ela geralmente fica sonolenta, e eles dormiam tranquilos.
Aquele dia foi uma exceção.
Uma maldita exceção.
— Sasuke?
Ela chamou. Ele já tava naquele estado de inércia, pós-prazer, então apenas ronronou um “hum” sem muita convicção.
— Tem uma coisa que preciso te contar.
Ele quis dizer que aquele não era um bom momento, estava cansado e queria dormir, mas conhecendo Sakura como ele conhecia, sabia muito bem que ela falaria de qualquer modo.
— Sei que deveria ter contado antes... Mas eu me sentia insegura quanto a isso, ao que você acharia disso e...
Ele não respondeu.
— Você está me ouvindo?
— Sim.
Eles não estavam de frente um para o outro, ele estava deitado de lado, com a cabeça na direção oposta. Aquilo não era um problema para eles, nunca foi, na grande maioria das vezes eles não dormiam grudados um ao outro.
— Há algum tempo atrás...
Uma história do passado? Ela ia realmente contar uma história do passado após o sexo que compartilharam? Ele só esperava que essa história não envolvesse ramén e Naruto.
— Você não está me dando atenção...
Ela parecia nervosa, mas ele estava com muita preguiça para se virar.
— Umiko me pediu em casamento.
Ela soltou.
E aí sim ele se virou rapidamente, como se tivesse sido atingido por um soco no estômago.
De certo modo, ele foi.
Fale com o autor