Falcão
13 CAPÍTULO 13: Descobertas & Exigências
Notas iniciais
FALCÃO
Escrita por Coffee
CAPÍTULO 13: Descobertas & Exigências
Sua cabeça estava um tumulto de perguntas e palavrões.
Havia muito que ele queria perguntar, mas permaneceu em silêncio enquanto se sentava na cama atordoado. A médica pareceu perceber seu estado e não fez perguntas, apenas começou a contar com a voz cautelosa.
— Não se precipite. Nós nunca tivemos nada. Eu nem ao menos sei de onde veio essa fixação dele, eu apenas o via algumas vezes enquanto treinava com Tsunade-sama, às vezes eu a acompanhava até o prédio do conselho e ele estava lá, mas eu nem ao menos falava com ele...
Ela fez uma pausa, como se esperasse alguma reação dele, mas como ela não veio, a Haruno continuou.
— Um dia eu fui levar uns papéis a pedido da shishou, ele estava sozinho no escritório e veio com umas conversas estranhas, umas indiretas, me convidou pra sair... Eu recusei, ele insistiu e eu inventei desculpas, disse que estava vendo alguém, mas ele sabia que era mentira.
Levantou-se, pegando a cueca e as calças ao lado da cama as vestindo, porque de repente a nudez pareceu errada, estranha. Sentou-se na beirada da cama.
— Depois desse dia todas as vezes que eu o encontrava, fosse ao mercado, nas ruas, na academia ninja, nos prédios, ele sempre vinha com as mesmas conversas, elogios... Indiretas que na verdade eram diretas demais. E aí veio a guerra, eu não o vi mais...
Ela se levantou, dando uma pausa, vestiu as roupas e sentou-se ao lado dele, com a cabeça entre as mãos.
— Ele era do último esquadrão, aquele que só lutam em últimos casos, bem nos primeiros dias da guerra, quando eu ainda estava no batalhão médico ele veio me encontrar, parecia desesperado, por algum motivo ele me pediu em casamento, disse que se saíssemos vivos da guerra nós poderíamos casar, que ele me fazia feliz...
Quis vomitar. Um amargor subiu pelo seu esôfago e um raiva possuiu o seu corpo sem motivos, ele não estava presente naquele momento, ele não tinha o direito de ficar bravo por alguém se interessar por Sakura, ele não estava presente em metade da vida dela, fosse quando ela precisava dele, fosse quando ela atingia formas de mulher e começava a chamar atenção do sexo masculino.
Ele não estava lá.
Fosse para protegê-la, fosse para clamá-la como sua.
Não tinha direitos. E talvez fosse por isso que sentia tanta raiva, por não ter nem ao menos o direito de sentir-se daquele modo: ferido.
Umiko provavelmente era só mais um dos muito que deviam ter percebido as qualidades dela, pedido-a em namoro, casamento... Enquanto ele estava enfunado em um ciclo de vingança e ódio.
— Eu sinto muito...
Foi o que ela disse por fim, como se ela fosse culpada pelos seus erros, pelos seus pecados. Por ele não estar presente no resto da sua infância, na sua puberdade, na sua adolescência enquanto era descobria os prazeres da carne, o sexo oposto.
O que ele podia exigir afinal?
Ele já havia estado com outras mulheres também.
Não tinha direitos.
Repetia isso, tentando colocar isso na mente, fixar lá.
— Sasuke, por favor, fale alguma coisa...
Ele quis colocar tudo para fora, dizer tudo que se passava em sua mente, falar qualquer coisa para suavizar aquela expressão desesperada dela, mas nada saia de sua boca. Ele não conseguia juntar palavras para formar frases (nunca fora bom nisso, afinal).
— Sei que nunca conversamos sobre estar com outras pessoas antes, mas eu queria que soubesse que no meu coração, sempre foi você. Outros podem ter tocado meu corpo, mas o meu coração, só você.
Queria dizer a ela para que parasse de falar de outros, para que ele conseguisse parar de imaginar outros tocando o corpo dela, mas nem ao menos isso conseguiu.
Apesar de estarem nesse “relacionamento” há algum tempo nunca haviam falado abertamente sobre sentimentos, eles tinham cumplicidade seja carnal ou sentimental, tinham companheirismo, mas Sakura não havia se aberto, feito uma declaração, nem ele.
Mas eles sabiam que havia sentimento ali, muito sentimento, mais do que qualquer palavra ou declaração fosse capaz de expressar. Por isso eles preferiam o silêncio, as ações...
Olhou-a. Ela parecia prestes a chorar e ele imaginou que ele deveria ter passado muito tempo em sua divagação, em seu silêncio. A boca se abriu uma vez, mas nada saiu por ela.
Tentou uma segunda.
— Tudo bem.
Foi tudo que conseguiu pronunciar. Ela sorriu triste, pareceu entender sua dificuldade, o abraçou ainda preocupada e permaneceu ali, paralisada.
Não conseguiu retribuir, não por não querer, ou por ter ficado ressentido com ela após a revelação, ele apenas estava digerindo tudo que foi dito e tentando controlar seus pensamentos.
Naquela noite, apesar do sexo quente, não dormiu.
♦ ♦ ♦
A corrida continuou, eles não tinham costume de conversar enquanto corriam e ele quase agradecia por isso. As máscaras tapavam seus rostos e ele não podia estar mais grato. Haviam conversado pouco na noite anterior (nenhum dos dois tinha o que falar – ou conseguia) assim como na manhã.
Passou a noite remoendo aquela história e sua indignação tinha diminuído um pouco. Conseguiu colocar de vez em sua cabeça que ele não tinha direito de ficar nervoso, mas ainda sim sentia um ranço na garganta só de imaginar um “velho” como Umiko pedindo-a em casamento, desejando-a.
Não dela. Não sentia ressentimento algum dela, sabia que o acontecimento foi exatamente como ela contara, confiava nela (na maioria das vezes mais do que em si mesmo). Esse ranço, esse ressentimento vinha para o conselheiro, e ele quase podia ouvir Naruto rindo em sua mente, dizendo a palavra repetidas vezes: ciúmes.
De repente a tentativa do conselho de separá-los não parecia somente um interesse em herdeiros fortes (embora aquele fosse provavelmente o maior objetivo), mas ainda sim ele não conseguia parar de imaginar se o conselheiro investiria novamente caso eles seguissem suas ordens e se separassem.
A vontade de não deixar isso acontecer aumentou.
À tarde encontraram o grupo de Naruto. O loiro com suas baboseiras deixou a atmosfera mais leve, embora tivesse percebido o clima entre ele e Sakura e feito uma pergunta silenciosa para ele com o olhar. Isso o fez se perguntar se o Uzumaki ficara tão atento devido ao treinamento para kage ou se ele apenas conhecia bens os amigos. A pergunta não foi respondida.
Correram juntos, Sakura, Shikamaru, Naruto, os ninjas de areia e ele. Não pararam. Ao passarem por Suna os dois ninjas ficaram. Ofereceram repouso para eles, mas decidiram continuar a viagem até Konoha.
Queria por algum motivo chegar à vila, mas ao mesmo tempo tinha receio de chegar, de descobrir o que o esperava por lá.
Os portões foram vistos depois de algumas horas e quando pensou que finalmente poderiam ir para casa, os guardas deram o aviso que Kakashi queria os ver tão logo chegassem.
Partiram para a torre. Antes mesmo de falarem sobre a missão, Kakashi soltou:
— Kumogakure foi atacada por nossos ninjas.
— Como? — Foi Shikamaru quem conseguiu pronunciar.
— Com ordens do Hokage.
— Mas você é o Hokage! — Naruto comentou, mostrando que apesar da aparente maturidade, ele nunca deixaria de ser estúpido.
— Estão tentando te incriminar, incriminar a vila.
— Sim Sakura. O líder estava aqui no momento, mandaram que ele voltasse imediatamente, perdi toda a comunicação com a vila.
— E aí?
— Enviei ninjas para desfazer a confusão, mas está complicado provar que não foi à vila que atacou e sim mercenários contratados para parecer que sim. Gaara está tentando ajudar, assim como a Mizukage, mas o Raikage está cada vez mais certo que somos culpados, os ninjas usavam bandanas, técnicas da vila...
— O estrago foi muito grande? — A médica perguntou.
— Não, alguns prédios incendiados, infelizmente algumas pessoas mortas, os ninjas de Kumogakure conseguiram reagir a tempo...
— Identificaram quem fez isso? — O Naara questionou mudando o peso de uma perna para a outra, ele quase podia ouvir as engrenagens do cérebro dele trabalhando.
— Queria trazer os corpos para identificar, mas o Raigake não liberou, nem sei se irá.
— Nos mande até lá! — Naruto gritou.
— Não posso tirá-los daqui. Todos estamos de acordo que isso é coisa do conselho, não tenho noção de o quão longe eles irão com isso, quero deixá-los aqui para proteger a vila caso precise.
— Você acha que ele seria capaz de atacarem a própria vila?
— Não duvido de mais nada, Naruto.
Eles ficaram algum tempo em silêncio, as cinco mentes tentando achar soluções, nenhuma tendo sucesso.
— Bom, está quase de madrugada, não vamos resolver nada agora, podem ir para casa, amanhã cedo quero todos aqui, vamos resolver esses problemas de uma vez por todas, e claro conversaremos sobre a missão.
Eles se despediram e partiram para casa.
Sakura partiu para sua casa, (os dois silenciosamente concordando que aquela era a casa dela também), onde suas coisas já estavam dispostas novamente.
Tiraram os sapatos na entrada, exaustos.
— Quantos problemas... Eu nem sei em que pensar primeiro...
Concordou com um aceno.
— Acha que eles seriam mesmo capazes de atacar a vila? — Ela perguntou enquanto eles subiam as escadas.
— Sim, não estão medindo esforços para incriminar Kakashi.
— Precisamos achar algo para incriminá-los, depô-los...
— Kakashi tem poder para depô-los, só não o fez pela reação em cadeia que isso desencadearia.
— Sim, mas acho que ele não irá hesitar dessa vez.
Eles seguiram com uma conversa sobre os problemas da vila, tomaram banho e deitaram-se relaxando os corpos exaustos.
Estava quase pegando no sono quando sua porta foi espancada, antes que pudesse ao menos levantar o Uzumaki já estava dentro do quarto, as mãos entre os cabelos loiros, em pânico.
— Sequestraram Hinata.
Sakura levantou-se rapidamente, não se importando com o pijama, andando até o amigo.
— Naruto, tem certeza que foi sequestro?
— Sim, ela sumiu agora no meio da noite, os Hyuugas deram falta, mas ainda não deram alarme, já avisaram Kakashi e ele também pediu sigilo, quanto menos os civis saberem dos problemas da vila, melhor.
— Conselho — Afirmou, o loiro e a rosada olharam para ele concordando.
O jinchūriki engoliu o choro com dificuldade e olhou para os dois como se perguntasse o que faziam agora.
— Já entraram em contato? Eles provavelmente vão pedir alguma concessão de Kakashi ou até mesmo de vocês dois para soltá-la.
— Não, não entraram em contato. Eu vou até lá.
— Nós vamos também.
Trocaram de roupa rapidamente e logo estava no prédio do conselho. Como o esperado os três estavam lá, esperando-os, sabendo que eles iriam tão logo soubessem do sumiço.
Naruto foi o primeiro a disparar pela sala, indo até Hachiro e o pegando pelo colarinho.
— Calma senhor Uzumaki, talvez devesse soltar meu amigo, para podermos conversar civilizadamente. — Foi Umiko quem falou.
Ao vê-lo a ânsia voltou, principalmente após observá-lo olhar rapidamente para Sakura. Quis andar até ele e estraçalhá-lo, mas um barulho o impediu.
Um grito dolorido e ruidoso.
Assim com ele, Naruto e Sakura olharam para os lados, tentando achar algo e pararam ao ver o comunicador nas mãos de Yumo.
— Hinata?
O loiro chamou, a dor parecendo sufocá-lo.
Outro grito veio, um grito de pura dor.
— O QUE VOCÊS ESTÃO FAZENDO COM ELA? ONDE ELA ESTÁ?
— É bom abaixar a bola, antes que machuquem mais ela...
— Vocês não se atreveriam...
— Ah não? P.? — Yumo chamou no comunicador, uma voz falhada respondeu — Continue.
Outros três gritos foram ouvidos, Naruto se aproximou do comunicador, gritando o nome da namorada em desespero.
Ele próprio sentia-se sufocado ao ouvir os gritos dela, podia imaginar a dor do jinchūriki.
— Parem! — Sakura pediu desesperada, o instinto médico e altruísta enlouquecido em busca da amiga.
Os barulhos cessaram. O comunicador foi desligado.
— Ela está com alguns companheiros nossos...
— O que vocês querem em troca? — Foi direto ao ponto.
Os três homens olharam para ele com ódio, como se perguntassem o que ele estava fazendo ali.
— Vamos ser claros então... É claro que vocês sabem sobre a nossa investida em Kumogakure, e bem, sabemos que Kakashi tentará se livrar jogando a culpa em nós.
— Eu não tentarei, eu farei.
Olharam para o mascarado que chegou naquele exato momento. Kakashi parecia uns vinte anos mais velho, cansado, exausto. E ele se perguntou há quanto tempo ele não dormia ou tomava um banho descente.
— Bem-vindo.
Hachiro disse irônico. O Hokage não respondeu.
— Não, você não vai. Você vai se safar dessa, mas sem nos culpar, para que as outras vilas não se revoltem contra nós, e vai assinar esse tempo aqui — Umiko estendeu uma folha — Garantindo que não irá nos depor. E irá parar com essa sua liderança estúpida de reerguer Konoha na paz. Irá declarar Konoha soberana perante as outras vilas, irá dar a essa vila a posição que ela merece.
— E o que te faz pensar que as outras vilas aceitariam isso?
— Todas elas morrem de medo desses dois. — Apontou para ele e Naruto.
O loiro correu até ele pegando-o pelo pescoço e encostando-o na parede.
— É bom você também ter.
O comunicador foi ligado novamente e mais gritos foram ouvidos.
Umiko foi largado imediatamente.
— Parem com isso! Vamos fazer um acordo!
Sakura pediu, quase gritando.
Todos eles estavam explodindo com aquela situação. Queria matar todos eles, o ódio explodindo dentro de si, mas não podia comprometer a namorada de Naruto.
— Sim, um acordo. Bom, são cinco da manhã, daremos até ao meio dia para vocês decidirem o que irão fazer. Nossas propostas são nenhuma punição, a assinatura e a declaração do poder de Konoha.
— Isso está fora de cogitação. Isso iniciaria uma guerra.
— Kakashi-sensei, Hinata está em jogo.
— Sim Naruto, e eu prezo muito por ela, mas não posso começar uma guerra nesse momento, você sabe disso. Outra proposta?
— Nenhuma punição, a assinatura e ela.
Os três se viraram rapidamente para onde Umiko apontava.
Seu sangue ferveu, o sharingan se ativando sem permissão.
— Como? — Naruto perguntou em dúvida.
— Isso mesmo. Nenhuma punição, a assinatura e a Haruno pela Hyuuga.
Oh, aquilo sim estava fora de cogitação.
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