Notas iniciais
Capitulo inicial, um pouco pequeno, só para apresentar nossos quatro caçadores de monstros. No próximo capitulo começa a jornada.

O barulho das grandes e pesadas botas de couro ecoava pelo corredor de pedra do castelo. Os quatro jovens seguiam em direção ao gabinete do rei, e estavam ali por serem os melhores e mais famosos dentre todos os caçadores de monstros.

O líder, Máscara da Morte, com 24 anos, já havia matado mais de mil demônios, mesmo que ainda estivesse na tenra idade, pois desde os 16 anos, seus pais foram assassinados por um demônio chamado Gambit. Desde então, o rapaz havia dedicado sua vida a exterminar seres diabólicos, um por um, até encontrar Gambit e vingar sua família.

Ikki, o braço direito do líder, com 22 anos. Quando era criança, viu sua vila ser varrida do mapa por um grupo de licantropos selvagens. Traumatizado e completamente sozinho no mundo, acabou conhecendo Máscara, que o aceitou como um auxiliar por um bom tempo, depois o menino cresceu e evoluiu se transformando num exímio caçador de Lobisomens.

Aiolia tem 22, e é o único do grupo que não é totalmente humano. Pertence à raça dos transmorfos, o que significa que pode se transmutar em um forte leão quando precisa. Ele e Ikki vivem se desentendendo, por que o braço direito do líder não consegue aceitar a idéia de ter um monstro na equipe. Já Máscara da Morte, aceitou o rapaz por sua agilidade e força, além da facilidade contra vampiros e demônios terrestres.

Por ultimo temos Milo, com 23 anos de idade. Está nessa profissão pelo dinheiro e pela fama. Não fala muito sobre o próprio passado, porém é um pouco divertido, e claro, competente, quando precisa. Sua relação com Máscara é de camaradagem, participam da missão, no final recebem o dinheiro, dividem entre si e todo mundo fica feliz. Sem muitos laços de amizades, ou atos de bondade e esses sentimentalismos.

O mais velho dos quatro abriu a porta do gabinete sem muita cerimônia, não era muito amigável, muito menos educado. Entraram todos na sala, encontrando D. Duarte I sentado à poltrona detalhada em ouro branco. O rei levantou-se para cumprimentar os recém chegados, tendo seu conselheiro Afonso ao lado.

- Enfim, chegaram... – disse, parecendo muito satisfeito com os homens que tinha contratado, todos muito fortes e aparentando experiência.

- Não tenho muito tempo a perder, vamos direto aos negócios. – esclareceu Máscara, com sua típica delicadeza.

- Ah... Claro, claro... Afonso feche as janelas, e vigie a porta. Não deixe ninguém entrar. – mandou o rei, sendo atendido pelo conselheiro, que fechou as janelas, acendeu os castiçais, saindo para o corredor e fechando a grande porta de madeira.

- Bem, sentem-se. Vai demorar um pouco... – indicou o sofá à frente da mesinha e foi até a estante pegando um livro grosso, de capa antiga e um pouco empoeirada, voltando a sentar em seguida. – O que eu tenho para vocês, é uma missão muito importante. Porém perigosa – explicou, — Preciso que vocês capturem vivas, quatro criaturas. É de extrema importância que elas estejam vivas. – frisou. Dando uma pausa e folheando o livro. – Eu fornecerei uma carroça grande, com seis dos meus melhores cavalos, onde vocês prenderão e guiarão essas quatro criaturas, para um local chamado Ilha do Trovão. Assim que vocês conseguirem prender as quatro, Shaka estará esperando com um navio ancorado na Baia dos Corsários, onde vocês embarcarão com a carga e por fim vão partir em direção ao lugar onde eu estarei aguardando.

- Com que tipo de criaturas estamos lidando? – indagou Aiolia.

- Uma das criaturas é praticamente inofensiva, porém as outras três são monstros muito fortes e traiçoeiros, será uma jornada difícil. – disse o rei, franzindo o cenho. – A primeira das criaturas e a mais fácil de capturar, será uma ninfa do lago, eles vivem em um lugar chamado Vale das Bromélias. Vocês podem encontrá-los nos lagos, brincando sobre as vitórias-régias. – declarou, segurando seus óculos e olhando no livro as informações. – A segunda, vive nas florestas sombrias próximas à cidade de Phinkle. Trata-se de uma Banshee. Um ser muito traiçoeiro, sua forma é muito sedutora, porém não é a única. Ele pode se transformar em uma criança perdida, ou uma mendiga, podendo ensurdecer qualquer homem com seu grito. Não caiam nas ilusões que ele vai criar para enganá-los, mantenham-se firme na sua missão. – advertiu, desviando os olhos do livro para olhar os quatro jovens e depois voltando a ler. – O terceiro monstro, é altamente recomendável que se capture durante o dia... Pois as sereias são inofensivas durante o sol, mas passam as noites cantando para atrair marinheiros e afundando navios, para devorar seus tripulantes. – comentou. – E a nossa ultima criatura, é um Succubus, e será sua maior provação. Terão que ter coragem, e controle, para não sucumbir ao desejo da carne, precisará de firmeza e fé. – concluiu.

- Há anos que eu não acredito em fé, majestade. – declarou Máscara, num tom de desdém.

- Quanto será o pagamento para isso tudo? – Milo interveio, sentado folgadamente de pernas abertas.

- 500 mil moedas de ouro, para cada um, além da fama... É claro. – disse o rei, voltando seus olhos para Milo, que ao ouvir a palavra fama, aceitou automaticamente.

- 800. – retrucou Máscara.

- 750. – ofertou o rei.

- 800 mil moedas de ouro, para cada. Ou nada feito. – insistiu intimidando o homem sentado a sua frente.

-... – D. Duarte pensou um pouco, reavaliando a importância dessa missão. – Fechado. – concordou, selando o aperto de mão com o líder. – Quando poderão partir?

- Partiremos amanhã ao amanhecer.

- Ótimo. Levem isto com vocês. Será de grande ajuda. – pegou um pergaminho onde havia um mapa desenhado e entregou ao outro. – Depois que tiver as mercadorias em mãos, vá até o litoral, e procure por Shaka. Ele guiará vocês até a ilha.

O grupo saiu do castelo, pegando a carroça com as prisões de ferro e seguindo para o acampamento.

- Achei que o que fazíamos era exterminar esses desgraçados, e não capturá-los para vender, correndo o risco de fugirem depois e continuarem com sua existência patética. – alfinetou Ikki, olhando atravessado para Aiolia, que o ignorou. Máscara guiava os cavalos, com uma expressão mal humorada no rosto. Cenho franzido em sinal de preocupação. O que o menor disse era verdade, exterminar monstros era uma coisa, capturá-los, era outra, mas não estava preocupado com o destino das criaturas, e sim com a missão, pelo jeito teriam uma longa caminhada pela frente.

- E daí? Pagando bem, foda-se o que teremos que fazer... – disse Milo com um sorriso debochado, passando o braço sobre os ombros largos do moreno.

- Falou o mercenário do grupo. – retrucou no mesmo tom debochado, retirando o braço do outro.

- Estranho o cara pedir para nós capturarmos os monstros. – comentou Aiolia, — Que diabos ele quer fazer com essas quatro criaturas? – indagou.

- Isso não tem nada a ver conosco. Vamos terminar a missão, pegar o nosso dinheiro e cair fora. – respondeu o líder, sério, sem desviar o olhar da estrada.

Podiam ser um tanto rebeldes, porém quando Máscara falava alguma coisa, o resto aquietava-se, era melhor não contrariar.

Ao chegarem às cabanas improvisadas, começaram a colocar os equipamentos na carroça, como redes, armas, arco e flecha, espadas pesadas, munição, entre outros itens. Aiolia se transformou em leão, embrenhando-se na floresta, para caçar o jantar dele e dos outros. Ikki se preocupou em acender a fogueira, enquanto o mais velho traçava algumas rotas no mapa. E Milo... Bem, o loiro estava deitado sobre um tronco de árvore, mordendo um galhinho de mato para passar o tempo.

- Seria bom se você trabalhasse de vez em quando. – ironizou o moreno, soltando uns galhos grossos de madeira no chão, para atiçar o fogo.

- Estou exercitando a mente... – murmurou Milo, sem desviar os olhos das estrelas que observava. Ikki bufou, agachando-se e arrumando os gravetos.

- Quanto tempo você espera que vamos levar Máscara? – indagou, ignorando o loiro preguiçoso e mirando o líder, que estava entretido nos papéis.

- Não tem como calcular isso. Talvez leve uma ou duas semanas. – respondeu, — Amanhã vamos direto ao Vale das Bromélias. Se o velhote falou que lá seria o mais fácil, não tem por que perder tempo. Vamos adiantar logo essa droga e partir para Phinkle. – concluiu, deixando bem claro que não estava a fim de conversar.

Depois do jantar, os quatro apagaram a fogueira, entrando em suas tendas e preparando-se para descansar. Um longo caminho os espera, cheio de mudanças e surpresas. Principalmente, amores...

Notas finais
A cada review que você não deixa, um autor morre.