Fairy Tales

5 Capítulo III - Cicatrizes Expostas


Notas iniciais
Bem, enfim o meu bloqueio criativo para esta fanfic desapareceu e eu consegui tecer mais uma parte dessa trama que ainda tem muita coisa para desenrolar. Rsrs. Eu avisei no último capitulo que haveria um Hentai, porém, não teve! Graças a Deus, por que eu odeio Hentai. ENFIM! O capitulo até que ficou grandinho, temos ai a aparição de mais uma das criaturas misticas dessa fic "E" o encaminhamento para a próxima, que aparecerá no próximo capitulo. Prometo não demorar para atualizar, beijos beijos, aproveitem.

Assim que o manto de escuridão tomou conta da floresta, e a neblina se espalhou entre as árvores, os caçadores se perderam uns dos outros.

Ikki acendeu sua tocha, olhando ao redor e não enxergando nada. O silêncio era absoluto, os cavalos tinham sumido.

- Milo! – gritou, vasculhando entre a escuridão. – Máscara!

Após alguns minutos a neblina foi se dissipando, melhorando a visão do moreno, que arregalou os olhos azuis ao perceber-se parado no meio da vila onde nasceu.

As casinhas simples de madeira, todas intactas... Estava tudo escuro, e não havia ninguém na rua. De repente, como se num bater de asas de uma borboleta monarca, tudo mudou. O fogo queimava a palha dos telhados, assim como as paredes das moradias. As pessoas gritavam e corriam em direções opostas, mulheres carregavam seus filhos no colo, que choravam apavorados. Os homens tentavam lutar contra os lobisomens que atacavam em bando, varrendo a vila do mapa pouco a pouco, destruindo as casas com facilidade, arrebentando paredes com as garras, matando as mulheres, as crianças, os cavalos... Até não sobrar ninguém.

Ikki se encontrava em estado de choque. Sem reação. Não conseguia nem se mover, estava desesperado, vendo seu pesadelo de infância se repetir diante de si. Sobrancelhas levantadas, os olhos arregalados, assim como sua boca entreaberta. Ele não conseguia acreditar no que via.

Foi então que seu olhar cruzou com um menino de cabelos castanhos que corria sozinho em meio ao fogo. Tão pequenino, com uma blusa surrada e um short curto. Seus pés descalços tropeçavam nos destroços espalhados pelo chão, enquanto escorriam lágrimas de seus orbes esmeraldas.

O menino passou correndo pela frente de Ikki, entrando num beco entre duas casas que pegavam fogo. O moreno então despertou, e sem hesitar seguiu seu irmão, correndo muito.

~~*~~

Máscara encontrava-se na mesma situação, porém a sua frente estava seu amor da adolescência; Helena. Estava vestindo uma capa vermelho sangue, que não cobria completamente seu corpo perfeito, de sinuosas curvas, assim como seus cabelos dourados, jogados sobre os ombros, ocultando-lhe os seios fartos.

Em seu rosto ela exibia um sorriso meigo, contrastando com a aparência sensual. O umbigo à mostra, assim como os pés descalços sobre as folhas.

O mais velho tentava manter-se concentrado. Porém seu amor por Helena nunca morrera. Era uma de suas fraquezas, e esta estava bem ali, em sua frente. Ele apertou as mãos, observando o corpo daquela que amava. Estava crescida, tinha se tornado uma bela mulher. Seus instintos masculinos não puderam ser controlados, e ele não conseguiu desviar seu olhar daquela figura hipnotizante que sempre desejou. Ele sabia que alguma coisa estava errada, mas era como se sua cabeça não fosse capaz de formar algum plano em mente diante daquele ser.

- Matheo... Você cresceu tanto... – a voz dela soou num tom inocente, porém provocante. O barulho das folhas secas sendo pisadas pode ser ouvido, enquanto ela andava a passos lentos para perto dele. – Eu senti tantas saudades. – sussurrou, espalmando as mãos no peito firme do caçador e aproximando seu rosto do maior. Máscara não teve reação, apenas sentiu ser beijado pela bela moça a quem amava, trazendo-lhe todas as lembranças de uma infância e adolescência na sua terra natal.

Ele a encostou contra a árvore, levando as mãos grandes aos seios arredondados e apertando-os entre os dedos. Penetrou a boca dela com sua língua, hipnotizado pelos sentimentos não esquecidos e desejos não saciados.

~~*~~

Ikki perseguia o menino pelo beco, mas este não parecia dar-lhe atenção. Estava desesperado e ganhava velocidade conforme diminuía a distancia entre os dois.

- Shun! Meu irmão sou eu! Ikki! – o menor, ao ouvir o nome do irmão mais velho, estancou voltando-se para trás, mas antes que pudesse se mover, uma cratera começou a rachar debaixo de seus pés. Ikki tentou salvá-lo, porém um lobisomem arrebentou a parede de uma casa, atravessando o buraco de madeira quebrada, e percebendo a presença do moreno a sua frente.

Atrás do monstro, Shun teve o tornozelo agarrado pela mão esquelética de um demônio, começando a ser puxado para o fundo do abismo que se alargava partindo a terra seca ao meio. De dentro da cratera saia uma luz amarelada, como se no fundo o próprio inferno estivesse a queimar.

O pequeno menino soltou um grito agudo e infantil, caindo ao chão e sendo arrastado cada vez mais. Cravou as unhas compridas na terra, formando um rastro na areia, no intuito de tentar se agarrar em alguma coisa e se livrar das garras do demônio que estavam arranhando suas pernas.

- Ikki! – gritou, deixando o irmão mais velho desesperado, que tratou de resgatar o machado atrelado às suas costas, e avançar sobre o lobisomem, que fez o mesmo, desviando do golpe de Ikki e arranhando-o no ombro direito. A adrenalina tomou conta do corpo do mais velho, fazendo com que ele se transformasse num homem feroz, disposto a defender seu irmão fosse o que fosse. Soltou um urro, correndo em direção ao monstro e acertando o lado direito do pescoço peludo com o machado de guerra, voltando a acertá-lo mais duas vezes no mesmo lugar até arrancar de vez a cabeça da criatura e largar o machado, correndo em direção a Shun.

Agarrou a pequena mão com força, começando a puxá-lo de volta, porém mais demônios começaram a subir e a puxar o menino.

- Não me solte! Por favor... – implorou o pequeno, seus olhos banhados em lágrimas mirando diretamente nos olhos do irmão mais velho. – Não me solte! — num movimento bruto, o menor de cabelos castanhos fora arrancado das mãos de Ikki, soltando um grito de horror e sendo engolido pelo buraco.

Não é possível descrever o sentimento que se apossou do coração do caçador naquele momento. Fora como se tivessem tirado seu coração ainda batendo de dentro de seu peito e arrancado a metade com as unhas, deixando outra metade vazia e sem sentido para trás. Era assim que ele se sentia sem seu irmão. Vazio. Sua vida não tinha sentido, e seus pesadelos o assolavam todas as noites. Fazendo com que se amaldiçoasse todos os dias, por seu erro.

- NÃÃÃÃO! – berrou em plenos pulmões tentando impedir com as mãos que a cratera voltasse a se fechar, enquanto seus olhos vidrados observavam a imagem do pequeno corpo de Shun caindo na profunda fenda e desaparecendo aos poucos.

Após o chão se fechar, Ikki ainda gritou e socou a terra várias vezes, deixando-se por fim, curvar-se apoiando as mãos no chão e deixando que suas lágrimas mornas banhassem a areia, enquanto toda a vila queimava ao seu redor.

~~*~~

Máscara afastou-se bruscamente da mulher loira, um tanto perturbado, fazendo-a se assustar por um momento, mas logo voltando com sua expressão calma e sedutora no rosto.

- O que foi Matheo... Você não me ama mais? – indagou, aproximando-se do maior e arranhando-lhe peito largo com as unhas finas, deslizando uma a mão sobre a camiseta até chegar ao membro ereto do caçador, acariciando-o por cima da calça. O mais velho voltou a prensá-la contra o tronco da árvore, lambendo seu pescoço devagar.

- Amo... Mas você não é ela! – sussurrou rente ao ouvido da Banshee, que só pôde arregalar os olhos antes de ter a adaga de Matheo cravada em sua barriga, fazendo com que sua expressão facial se contorcesse em dor.

Os seios começaram a desaparecer lentamente, revelando o peito liso e alvo que começava a se formar, assim como seu quadril que começou a diminuir, mantendo os cabelos loiros e compridos e a cintura fina de outrora. Os olhos se tornaram azuis, e o rosto mudou de forma, libertando a aparência de um menino jovem que levou as mãos até a faca em seu abdômen, arrancando-a fora lentamente num movimento sofrido, fazendo a lâmina ensangüentada deslizar sobre a pele branca até sair totalmente.

A noite e a neblina ao seu redor começaram a desaparecer, deixando que o sol voltasse a brilhar levemente entre as árvores gigantescas. Aiolia e Milo ao perceberem a localização de Máscara correram em sua direção, preocupados.

Mu que fora proibido de sair de perto da carroça por Aiolia, não pode conter-se ao ver Ikki ao longe, curvado sobre o chão sofrendo. Deu uma ultima olhada em Aiolia que não estava prestando atenção em si, e correu em direção ao moreno, abaixando-se ao seu lado e tocando devagar em suas costas largas, tentando passar-lhe apoio enquanto o mais velho esmagava as folhas secas em suas mãos, fechando-as em punho e deixando alguns soluços contidos escaparem, vez ou outra.

Máscara arrancou brutalmente a capa vermelha da Banshee, deixando o garoto nu e desprotegido, já que sem sua capa rubra, não tinha nem metade de seus poderes da ilusão. O rapaz soltou um gemido, cobrindo o corte na barriga com as duas mãos, tentando impedir que saísse sangue demais. Caiu de joelhos sobre as folhas deixando que seus cabelos loiros ondulados ocultassem parte do rosto.

O líder guardou a capa em uma bolsa amarrada em seu cavalo e voltou para perto da Banshee, agarrando-o pelos cabelos e puxando em direção as gaiolas.

- Chame o seu namoradinho. Precisamos curar esse inútil antes que morra. – ordenou Máscara para Aiolia que procurou Mu com o olhar até achá-lo perto de Ikki, afagando-lhe as costas.

- Mu, você precisa curar a Banshee. Ele está com uma ferida aberta na barriga. – explicou, chamando a atenção do menino que desviou o olhar de Ikki por um momento e depois voltou a fitá-lo.

- Ikki, você vai ficar bem? – Mu perguntou suavemente, mas o moreno não lhe respondeu. O leão sentiu-se enciumado com a cena, porém ignorou, trazendo o menino de cabelos lilases para perto da outra criatura que estava começando a fechar os olhos e perder a consciência.

O menor levou suas mãos até o ferimento, liberando sua energia roxa em grande quantidade, fazendo as ligações venosas reatarem e a pele fechar-se, deixando somente o sangue seco sobre a pele pálida do loiro. Ao terminar, tentou se levantar, porém sentiu uma vertigem aguda sendo amparado pelos braços de Aiolia.

Antes que Misty pudesse se levantar completamente, Ikki avançou de súbito sobre ele, socando-lhe o rosto e fazendo com que caísse no chão novamente.

- Foi você! Não foi?! FOI VOCÊ QUE CRIOU ISSO! Desgraçado! – urrou com o rosto vermelho de raiva, agarrando os cabelos loiros e preparando-se para esbofeteá-lo mais vezes, porém Milo veio socorrer o garoto e Máscara segurava Ikki com certa dificuldade, já que este se debatida de todos os modos tentando se livrar. – ME LARGA! Esse anormal vai me pagar! – gritou, fitando com um olhar mortal, o loiro que limpava o sangue do canto da boca sem se importar muito com toda a situação.

- Foi só ilusão Ikki! Acalme-se, foi só uma ilusão... – alegou Milo, deixando a Banshee de lado e indo de encontro ao amigo, tentando lhe explicar que todo o pesadelo que se passou fora apenas uma visão criada pela criatura.

Após o moreno se acalmar, desvencilhou-se de forma rude dos braços de Máscara e se afastou.

- Está tudo bem? – indagou Aiolia para Mu que tremia em seus braços.

- Sim, foi só uma fraqueza. – respondeu baixinho.

- Você está com medo? – questionou, vendo o menor se encolher todo contra seus braços.

- Um pouco. Mas já vai passar. – falou, levantando seu olhar para o do leão.

- Não fique... Ele só estava nervoso. E eu não deixaria que ele machucasse você... – afirmou Aiolia, referindo-se ao comportamento descontrolado de Ikki, que acabou por assustar o menino do lago. Abraçou protetoramente o menor contra si e sorriu.

Mu sorriu levemente retribuindo, deitando a cabeça de lado sobre o peito do maior e observando Milo e Máscara que estavam botando o menino loiro dentro da jaula, como um animal. Seus olhos ficaram tristes, vendo como o menino fora tratado como ele, quando o capturaram. E também percebeu como o jovem era bonito, de olhos marcantes e semblante imutável.

Era verdade que o menor havia se assustado com a explosão de raiva de Ikki, mas não é por menos, afinal as ninfas não são acostumadas a nenhum tipo de violência. Suas vidas se resumem a comer frutas, viver nos lagos, nadando, cantando, apanhando flores, ficando a conversar uns com os outros e a dormir a maior parte do tempo. Mas Mu com certeza também entendia o lado do caçador, que deveria ter passado por uma alucinação bem perturbadora para ter ficado naquele estado. E era por isso que sentia mais compaixão por ele do que pela criatura em si, que estava sentada dentro da gaiola.

Misty limpou com raiva o sangue do canto dos lábios. Agora que estava conseguindo pensar melhor, fora tudo tão rápido, a facada na barriga, começou a perder a consciência, depois o soco que o deixou atordoado e agora... E agora... Estava numa jaula?! Que espécie de brincadeira era aquela? Estavam tirando sarro com a sua cara?

- Hey! O que é isso?! O que pensa que está fazendo?! Você me venceu, pois então me mate! Não vou aceitar ficar preso para ser vendido como um espécime valioso se é isso que você pensou! Eu exijo sair dessa merda AGORA! – o grito de Misty ecoou pela floresta toda, enquanto dirigia suas palavras indignadas ao líder que fingia não escutar enquanto aprontava os cavalos. – Devolva a minha capa! Devolva-me! Você não tem direito de entrar aqui! No MEU território e ainda por cima me desafiar! Desgraçado! Me tira daqui! ME TIRA DAQUI! – gritou, socando a grade com o punho e fazendo com que o ferro entortasse sob seus dedos. Uma Banshee possuía uma força considerável, porém sem sua capa essa força era cortada pela metade. Mesmo que quisesse não poderia sair daquela jaula sozinho.

- Fica quietinha boneca, antes que eu vá ai e amarre um pano nessa sua boca! – ameaçou Máscara, lançando um olhar intimidante sobre o loiro enquanto juntava sua adaga ensangüentada limpando-a na camiseta.

– Milo! Ache o Ikki e vamos embora! – ordenou ríspido e montou em seu cavalo negro, tomando a liderança.

- Vou te mostrar a boneca quando eu sair daqui, caçador. – Misty retribuiu o olhar, sentando-se no canto da jaula e pondo-se a pentear os cabelos longos com os dedos de maneira nervosa, para passar o tempo e bolar um plano de se livrar daquela armadilha.

~~*~~

O plano de Máscara para achar as sereias estava vinculado à cidade de Phinkle, então todo o grupo viajou para lá.

Encima da colina estava o majestoso castelo do rei, e ao seu redor, os vastos terrenos da nobreza, junto da catedral onde se acumulava o clero. Embaixo, o resto da sociedade. O que sobrava. Camponeses, ferreiros, comerciantes, entre outros. Por último, protegendo a cidade, erguia-se uma enorme muralha, com pedras cuidadosamente encaixadas umas sobre as outras. E no meio dela, um portão de madeira, reforçado com ferro, e acompanhado de duas torres com guardas a vigiar.

Máscara mandou que Aiolia e Mu acampassem do lado de fora da cidade, pois não poderiam entrar com a carroça, seria muito suspeito e o líder queria evitar problemas. Sendo assim, só entraram ele, Milo e Ikki.

Sua maior preocupação no momento era encontrar seu velho amigo Wolfric, então ele encaminhou-se diretamente para uma das tavernas da parte baixa de Phinkle. Um lugar sujo, abafado, pouco iluminado pelas tochas atreladas às paredes e de baixo nível social. Ali se encontravam malfeitores, camponeses no fim do expediente de trabalho, bêbados, inúteis e prostitutas. Não era incomum os homens meterem-se em confusões e discussões ali dentro, resultando em socos, dentes perdidos e narizes quebrados. Porém era o lugar ideal para Máscara encontrar quem estava procurando.

- Achei que o encontraria aqui Wolfric! E pelo jeito eu estava certo, você nunca muda seu velhote imprestável. – exclamou Máscara, aproximando-se do velho amigo que estava sentado numa das mesas conversando, bebendo e rindo alto, enquanto uma mulher rechonchuda esfregava-se a ele sentada em seu colo.

- Matheo! Meu rapaz! Por onde andou?! Pensávamos que tinhas morrido homem! – alegou Wolfric surpreso. Afinal, todos no reino conheciam o caçador Máscara da Morte, porém o antigo Matheo ficara para trás. E Máscara não fazia questão nenhuma de resgatá-lo do passado.

- Fale mais baixo velho! Queres que todos fiquem sabendo? Enfim, preciso falar contigo. O resto de vocês caiam fora! – ordenou, intimidando o restante dos trabalhadores que de repente foram se dispersando, deixando Wolfric e Matheo a sós.

- Claro! Claro! Pode contar comigo amigão, mas sente-se! – insistiu, assoviando para o dono da taverna e pedindo uma cerveja para o amigo. – Qual é o problema? – indagou o velho, que já tinha metade dos cabelos grisalhos perdidos devido à calvice. Sua barba era espessa e um pouco comprida, cobrindo-lhe parte do pescoço. Era barrigudo, e usava roupas amarrotadas, pois sempre fora um homem muito relaxado e preguiçoso.

- Estou atrás de sereias Wolfric. E pelo que me lembro o único aqui que pode me dar esta informação é você. Onde posso encontrá-los? – Máscara fora direto, não era de fazer rodeios e muito menos se preocupar com o que o amigo iria pensar, apenas iria arrancar-lhe a informação e pronto.

- Sereias?! – o velho cuspira metade da cerveja quente que bebia para o lado, surpreso, soltando em seguida uma gargalhada um pouco rouca e tossiu algumas vezes, limpando a garganta e catarrando no chão, para depois voltar a atenção ao amigo. – Vai me dizer que você está querendo mudar de time e ir atrás daqueles putos d’água? – indagou, rindo mais um pouco, fazendo com que suas bochechas gordas ficassem avermelhadas.

- Não torre a minha paciência seu bêbado inútil! O que eu vou fazer ou não, não te interessa, apenas quero saber onde encontrá-los. – afirmou o mais novo, mostrando que paciência realmente não era uma de suas virtudes, se é que ele possuía alguma.

- Hehehe! Você também nunca muda rapaz! Vejo bem que herdou esse gênio temperamental de seu falecido pai. – comentou, recebendo um olhar cortante de Máscara, que não entendia o porquê daquele costume irritante que aquele velhote tinha de tocar em assuntos desagradáveis. – Ok, ok... Desculpe-me. Enfim, eu não sei onde achar esses malditos peixinhos, mas conheço alguém que sabe. Seu nome é Shura, um jovem rapaz que trabalha como ferreiro aqui na cidade, ele sempre pesca por várias praias do litoral, e acho que ele sabe onde é a localização exata da Baía das Espumas. – concluiu, logo depois mostrando para Máscara o rapaz que estava ali mesmo na taverna, sentado numa mesa de canto, conversando e bebendo vinho com outros rapazes.

O líder despediu-se do velho e foi em direção ao grupo, pedindo para conversar a sós com Shura, um moreno alto, de músculos trabalhados pela forja do aço que era seu trabalho desde os dezessete anos de idade. Em aparência, se assemelhava ao próprio Máscara, porém Máscara era maior, em questão de musculatura e ombros e até um pouco mais alto também.

- Bem rapaz... Eu lhe proponho uma quantia em moedas de ouro, em troca de uma informação. Pelo que sei você conhece a Baía das Espumas, e quero que me leve até lá. – afirmou, fitando o mais novo que pareceu um tanto indeciso e hesitante em concordar.

- Hum, eu não sei... Faz tempo que não vou lá, até por que, é bem perigoso durante a noite... – explicou o rapaz, fazendo rodeios.

Máscara tirou uma pequena bolsa que estava amarrada ao seu cinto e a jogou encima da mesa de madeira, exibindo certa quantia em moedas de ouro. – Isso é o suficiente?

-... Está bem. Mas, só se você me disser o que você quer fazer lá. – desafiou Shura, puxando a bolsa de dinheiro para si e analisando as moedas brilhantes.

- Dizem que se deitar com uma sereia após anoitecer é de enlouquecer qualquer ser humano. Quero ver se essa besteirada que contam é mesmo verdade. – persuadiu Máscara, ocultando seus verdadeiros propósitos.

- Pois, já deitei com um desses seres, e te garanto que é verdade. Mas você tem que ser mais esperto do que eles meu caro. Precisas atrair um só, para bem longe dos outros, e pegá-lo sozinho. Pois juntos, eles destroem navios, acabam com tripulações, hipnotizam homens com suas canções, atraem, matam e devoram milhares por ano... Mas sozinhos... Sozinhos não são nada mais do que um mero bichinho de estimação. – concluiu Shura, achando que o que o homem a sua frente procurava, não era nada mais, nada menos, do que matar sua curiosidade quanto aos boatos que os pescadores espalhavam por ai.

- E se nos aproximarmos de dia? – indagou Máscara, levantando uma de suas sobrancelhas fartas e masculinas.

- Daí eles não servem para nada, por que não podem abrir as pernas para a gente. – debochou, dando uma leve risada e bebendo um pouco do seu vinho. – Durante o dia eles não se transformam em humanos, só à noite. De dia eles são peixes sempre, até o sol se por, e a lua aparecer. Então eles perdem as caudas e aquelas bundas maravilhosas aparecem. – explicou, apertando nádegas imaginárias ao proferir a ultima frase, imaginando como era bom apalpar a pele lisa e macia envolvendo a carne farta... Máscara tentou disfarçar o desprezo e a vontade de rir que teve ao ouvir o relato do rapaz, mas não conseguiu, deixando transparecer em sua face todos os pensamentos que passavam pela sua cabeça, mas o mais jovem não percebera.

- Enfim, você vai me levar até eles. E já que é tão experiente, vou deixar que você escolha um. Amanhã nos encontramos, e você vai me levar até a Baía das Espumas.

- Está certo... Mas você tem que me dar a sua palavra de que não vai fazer mal a eles. Dê a sua palavra que só vai deitar-se com um deles e deixá-los em paz! – pediu Shura, um pouco preocupado.

- Eu dou a minha palavra. – mentiu, selando o acordo com um aperto de mão medieval.

~~*~~

Milo não perdera a oportunidade de passar num ponto de prostituição, e Ikki, bem... Este se afundou completamente no vinho, usando uma mesa de fundo mais afastada da taverna para se debruçar e acabou dormindo, depois de ter bebido até esquecer todas as lembranças ruins.

A noite ainda estava no meio, e o céu bem aberto, estrelado. Uma lua cheia e grandiosa podia ser vista do lugar onde Mu e Aiolia estavam acampados.

O leão estava sentado à beira de um penhasco, observando a grande esfera lunar, que estava bem a sua frente. Ao seu lado, enrolado num pano bem grosso por causa do frio estava sentado Mu, com a cabeça levemente encostada no ombro do maior. Aiolia passava o braço por trás do corpo do pequeno, o abraçando, e os dois estavam em silêncio, observando a noite.

- Aiolia... – Mu, fora o primeiro a quebrar o silêncio.

- Hm? – murmurou.

- Para onde estão nos levando? – indagou o menor, colocando para fora uma dúvida que já lhe perturbava há algum tempo.

- Ilha do Trovão... – respondeu um pouco baixo e triste, por se lembrar dos problemas que ainda precisavam enfrentar.

- Você sabe o que farão com a gente lá? – voltou a perguntar, levantando o olhar para fitar o mais velho e franzindo o cenho levemente em preocupação.

- Eu não sei meu amor... Eu não sei... – concluiu vagamente, deixando seus olhos se perderem no horizonte a sua frente.

- Você... Acha que... Vão me matar? – questionou o menor, desviando o olhar do amado e fitando o chão por alguns momentos.

Aiolia ao ouvir tal coisa arregalou os olhos em surpresa e moveu-se subitamente, pegando o rosto do menor entre suas mãos e fazendo-o olhar dentro de seus olhos.

- Que absurdo! Nunca mais fale isso! Ok?! Eu vou te proteger, de qualquer coisa Mu! Vou te proteger sempre! Não to nem ai se eu fiz um trato com o rei, ou com o imperador, ou quem quer que seja! Não me importo com as 800 mil moedas de ouro ou com o reconhecimento! Se for para te levar para os braços da morte eu jamais permitiria! Nunca! Eu fujo com você! Eu desisto de tudo... Só pra ficar contigo... – explodiu o leonino, demonstrando o quanto aquilo o incomodava, e deixando bem claro que não aceitaria de modo algum, viver sem o seu garoto, que desde o primeiro dia que o viu, sentado encima de uma vitória régia, tão leve quanto uma criança, perdeu-se completamente, afundando-se cada vez mais no amor tão verdadeiro, que nascera rápido, era verdade, mas que ele tinha certeza que duraria para sempre... Pelo menos até quando ele tivesse forças para lutar por esse amor.

- Aiolia... – o pequeno sussurrou, tendo ainda seu rosto segurado entre as mãos grandes do caçador, e seu olhar, alternando entre os olhos azuis do leão.

- Você está tremendo... Eu te assustei? – indagou Aiolia, preocupado, aproximando seu rosto do menino e encostando sua testa na dele, para poder olhá-lo mais de perto.

- Não... – voltou a sussurrar. – Mas... É que você diz coisas tão lindas... – pausou, desviando o olhar envergonhado. – Coisas que eu nunca tinha ouvido antes... E que me fizeram sentir um frio aqui dentro... – descreveu, levando sua mão até a barriga lisa por cima das vestes. – Um frio que me dá medo... Mas que é gostoso... Eu não sei explicar... Dá medo por que... Porque o que você sente é tão forte... E me dá medo por que eu nunca tinha sentido isso por ninguém... E acho que sinto por você... Sinto que faria qualquer coisa... Sinto que deixaria tudo, abriria mão de nunca mais poder entrar nas águas do lago onde vivi de novo... Só para te ter comigo... – afirmou baixinho, voltando a olhar o maior nos olhos. — Eu sei que isso pode não parecer muito... Mas é o que eu sinto... E toda vez que você me toca... Como está fazendo agora. Eu me arrepio... Sinto esse frio na barriga... Não consigo assimilar meus pensamentos... Não consigo pensar em mais nada que não seja você... E esses seus olhos... – concluiu. Acrescentando. – E é por isso... Que eu acho que te amo...

Aiolia aproximou seus lábios do de Mu, roçando-os um no outro levemente. O menor podia sentir a respiração pesada do mais velho contra o seu rosto, e tinha consciência de que a sua estava do mesmo jeito. Os dedos do leão que acariciavam com adoração a bochecha do menor enquanto este se declarava, agora desciam devagar, passando os braços ao redor do corpo pequeno, trazendo-o para si. Apertando-o contra o seu. De forma que só o que faltava se unir, eram os lábios dos dois amantes.

- Eu também te amo... Incondicionalmente... – sussurrou em resposta, unindo de vez as duas bocas, provando do menino aquele gosto que pouco a pouco se tornava um vício.

~~*~~

O dia seguinte foi marcado pelo sol forte logo ao amanhecer. O céu estava claro, totalmente limpo de nuvens e acompanhado pela brisa fresca litorânea que acariciava o rosto sério dos caçadores... Estes seguiam por uma estrada estreita de pedra em direção a Baia das Espumas, liderados por Shura.

A cabeça de Ikki latejava ao ritmo do trote de seu cavalo, fazendo com que tivesse que fechar os olhos na maioria do tempo, tentando se recuperar da ressaca que o assolava após ter exagerado no vinho durante a madrugada. Milo acompanhava Shura, os dois conversavam abertamente sobre a forja de armas e a experiência que o ferreiro tinha de criar espadas e machados a partir do aço e do ferro bruto.

Não demoraria muita e eles estariam na praia em que se encontrava a terceira criatura que procuravam. Agora era só pegarem a sereia e partirem em busca da última e mais difícil missão. Capturar o Succubus...


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(Hey, esta é a imagem de como a Helena, "o amor da adolescência do Máscara e blá blá blá", apareceu para ele. O Misty é bem parecido com ela, e a capa dele é assim vermelha, os cabelos são mais compridos, e a pele bem branca. Bem, é só).

Notas finais
Gente, se alguém quiser me matar por fazer o Ikki sofrer, tudo bem, mas já aviso já, ele vai sofrer muuuuito mais, e eu gosto de drama okaaay? E não reclamem que não tem Lemon por que eu gosto de fazer tudo no seu devido tempo! Hãm! *faz uma cara de brava e levanta o dedinho*. Espero que tenham gostado e não se esqueçam de comentar, por que se não, um autor por ai cai morto, seco e esturricado. ú.ú que pressão psicológica néah? ¬¬' Kisses