Fairy Tales

4 Capítulo II - Floresta da Escuridão Eterna


Notas iniciais
Voooolteii! Com um capitulo enooorme, =D Eu particularmente, amei esse capitulo. Para quem gosta de Aiolia e Mu, vai amar, para quem não gosta... Bem, dai eu não posso fazer nada né XD Eu sei que prometi que em cada um dos primeiros capitulos apareceria um dos monstros, porém não deu de colocar o próximo monstro nesse capitulo ainda... E do mesmo jeito ficou enorme. Eu espero que me perdoem. Não tem lemon nesse ainda, mas vai ter hentai no próximo. Quem não gosta de hentai é só pular pq não vai influenciar em nada na histório ú.ú. Beeeeeeijos Beijos, aproveitem.

— “Não solte a minha mão!” – sussurros... Lembranças...

- “Ikki... Ikki!” – Tinha falhado...

- “Não deixem ninguém vivo! Matem todos!” – Por causa de seu descuido havia perdido a única pessoa que mais amava.

- “Ikki! Por favor... Não me deixa... Por favor... (Por favor)” – Aquela voz o assombrava todas as noites sem cessar. Não importava o quanto tentasse esquecer, os ecos do passado sempre voltavam.

- “Shun...” – novamente a mesma sensação de torpor. O mesmo sentimento de vazio preenchendo-lhe o coração, ao mesmo tempo em que mirava aquelas esmeraldas brilhantes que refletiam as chamas de uma tragédia antiga. Suas pálpebras começaram a pesar, fazendo com que os olhos azuis fechassem, saindo lentamente do caleidoscópio dos sonhos e voltando a realidade.

Acordou. O vazio e a tristeza ainda lhe preenchiam completamente. Porém não se permitia chorar, nem uma lágrima que fosse.

Saiu da tenda pequena, agarrando a capa que estava jogada num canto. Vestiu a roupa, colocando as proteções para o braço e calçando as botas de couro.

Como sempre, tinha levantado primeiro do que os outros, menos Milo, que já estava acordado no seu posto de vigia. Colocou a feição fria e mal humorada habitual no rosto e passou pelo loiro, embrenhando-se na floresta.

- Bom dia para você também... – ironizou o mais velho, que permanecia sentado em uma pedra, afiando sua adaga despreocupadamente.

Aiolia espreguiçou-se de forma viril, esfregando as mãos nos olhos para espantar o sono. Andou em direção ao outro.

- Como ele está? – perguntou baixo, indicando com a cabeça a jaula de ferro onde o menino dormia. Milo apenas balançou os ombros, desinteressado.

- Vou caçar, fique no meu lugar. – mandou, agarrando o arco e flecha ao seu lado e saindo na mesma direção em que Ikki havia ido.

O leão suspirou, pegando um recipiente com água e levando para o pequeno. Mu estava deitado no chão de madeira da carroça, todo encolhido com as mãos embaixo do rosto. Mechas de cabelo tampavam boa parte do corpo, para esquentar.

- Ei... Eu trouxe um pouco d’água... – chamou, passando seu braço entre as grades e balançando de leve o ombro do menino.

Os olhos esverdeados abriram um pouco, observando o recipiente de madeira com o liquido dentro.

- Vamos... Beba um pouco... – insistiu Aiolia, com muita pena do ser de cabelos violetas.

Mu sentou-se, escondendo sua nudez com os longos cabelos. Pegou o pote, virando-se de costas para o maior. Levou aos lábios, bebendo um pouco de água, depois trouxe seus cabelos todos para frente, deixando suas costas expostas e derramou o restante da água sobre a pele, sentindo escorrer levemente, molhando as costas quase que totalmente, assim como suas asas fechadas.

Nem um dia havia passado ainda, porém já sentia uma saudade imensa de mergulhar no lago e dormir bem lá no fundo, em meio às algas, com seus irmãos.

O leonino sentiu um arrepio percorrer-lhe a espinha ao ver aquela cena, tão pura e ao mesmo tempo tão tentadora. Balançou a cabeça, afastando seus pensamentos e olhando o pequenino a torcer os cabelos.

- De que... V-vocês Ninfas se alimentam? – indagou um pouco atrapalhado, vendo o menor voltar-se de frente para si e fitá-lo.

-... – o pequeno não respondeu de imediato, deixando o silêncio imperar por alguns segundos. — Os Elfos nos traziam frutas em troca do nosso poder de cura. – respondeu baixo.

- E... Qual você mais gosta? – perguntou meio incerto.

- Maçãs... – revelou, desviando suas esmeraldas para a direção em que o som da água da cachoeira era mais forte, com certa tristeza no olhar.

-... – Aiolia não comentou, porém aquele olhar, com certeza havia mexido com alguma coisa dentro do seu peito. Não o conhecia direito, porém não queria vê-lo com aquela feição triste.

Saiu em direção à floresta, precisava ser rápido e voltar antes de Máscara se levantar. Não havia muitas árvores frutíferas por ali, mas não demorou muito até encontrar uma macieira. Apanhou umas poucas maçãs, fazendo da blusa uma bolsa para carregá-las. Voltou pelo mesmo caminho, até que percebeu ao longe a silhueta de alguém. Foi se aproximando devagar, até chegar perto o bastante para visualizar.

Era Ikki, que socava fortemente o tronco de uma árvore. Seus punhos acertavam sem hesitar a casca grossa e irregular, fazendo com que os nós dos dedos ficassem machucados. Independente do motivo, aquela cena indicava que o moreno estava descontando sua raiva de alguma coisa. O leão pensou em aproximar-se, mas devido à antipatia que o outro cultivava por si, decidiu se afastar e voltar ao acampamento.

- Trouxe para você... – falou, chamando a atenção do menor que entrelaçava seus cabelos em uma trança frouxa, cheia de mechas soltas caindo-lhe pelo rosto. O menino olhou Aiolia, segurando algumas maçãs dentro da blusa, e não pode evitar achar aquilo fofo, porém conteve o sorriso, aproximando-se da grade e recebendo as frutas das mãos fortes do mais velho.

- Obrigado. – sussurrou, mirando-o nos olhos.

- Só estou pagando minha divida com você. – esclareceu sem retribuir o olhar. Não seria bom se apegar a algo que não poderia ter. Afastou-se da carroça, indo desmontar sua tenda, deixando para trás o garoto um tanto decepcionado.

O líder levantou-se, saindo da barraca e amarrando suas faixas em torno do abdômen e dos punhos, entrelaçando entre os dedos e finalizando nos pulsos com um nó. Amarrou os cadarços das botas e prendeu firmemente suas adagas nos cintos, passando a alça da bainha de uma espada por cima de um dos ombros de modo que ela ficasse na vertical sobre suas costas.

- Vamos embora. – ordenou para Milo que chegava com duas aves médias.

- Ma-mas... E a comida?! – indagou o loiro, levantando as duas aves com as mãos. – Eu passei um tempão caçando...

- Jogue fora! Você caça outras mais tarde. Estamos atrasados. – retrucou Máscara sem dar atenção às reclamações do outro.

- Não estaríamos atrasados se a bela adormecida não tivesse dormido tanto... – murmurou baixinho, fazendo um bico contrariado. Máscara lançou-lhe um olhar de nojo e depois se voltou para sua tenda, começando a desmontá-la.

Depois que Ikki voltou e terminou de levantar o acampamento junto dos outros, eles montaram em seus cavalos partindo novamente.

~~*~~

Liderando o grupo estava Máscara, montado em seu cavalo negro. Logo ao lado, Ikki, com uma expressão indecifrável, um misto entre culpa e tristeza, sendo ocultados por uma feição brava. Seu capuz lhe tampava parte do rosto, deixando-o com uma aparência sombria. Atrás dos dois, vinha Milo, escorado encima do cavalo, com uma cara de tédio total. E por ultimo, escoltando a carroça puxada por dois cavalos, estava Aiolia, montado em seu animal bege, com uma bela crina branca. Tentava ao máximo evitar olhar o menor dentro da jaula, mas parecia que seus olhos eram feitos de ferro, sendo puxados pelo imã de pele branca e cabelos cor de lavanda, que estava sentado comendo uma de suas maçãs, acompanhando com seus orbes verdes as árvores que passavam vagarosamente.

As nuvens foram cobrindo o céu ao decorrer do dia, fazendo com que a tarde ficasse nublada e melancólica. Cavalgaram horas a fio, sem se alimentar ou mesmo parar para descansar. Quando a noite caiu, já estavam a quilômetros do Vale das Bromélias. Exaustos e famintos, o grupo parou para acampar, saindo os três para caçar e deixando Aiolia cuidando do prisioneiro.

O rapaz tentava acender o fogo sem sucesso, já que a umidade do ar impedia até mesmo uma simples fagulha de se propagar. Assim que os primeiros pingos de chuva começaram a cair, Aiolia desistiu, largando as pedras ao chão, deixando-se sentar e descansar um pouco, sentindo os pingos d’água começando a ficarem mais grossos. Em pouco tempo a chuva caia pesadamente, encharcando o chão e as plantas. Lavando e renovando todas as coisas ao seu alcance.

Foi nesse momento que o leão desviou seus olhos para o menino dentro da gaiola, observando curiosamente como o menor inclinava a cabeça para trás, pondo a língua de fora e deixando que a água escorresse para dentro de sua boca, assim como por seus cabelos, fazendo-os se grudarem ao corpo.

A lua iluminava a criança. Sua luz prateada refletia nas gotas de chuva junto ao corpo virgem. A pele branca e convidativa clamava por ser tocada. As pernas grossas servindo de apoio para o quadril que pousava levemente sobre as panturrilhas. A barriga lisa, exibindo um umbigo delicado.

Aiolia parecia hipnotizado pela cena. Quando deu por si, estava em frente à jaula, observando mais de perto aquela visão encantadora do pequeno. Seu coração estava acelerado, não conseguia raciocinar diante de uma situação dessas. Teve ganas de tomar o menor em seus braços e beijar-lhe os lábios volumosos até que não houvesse mais ar em seus pulmões.

Abriu a porta da gaiola, livrando-se de todo e qualquer impedimento que ainda houvesse entre os dois. Vendo-o tão perto de si, não resistiu a levar uma das mãos até uma mecha molhada de cabelo sentindo-a escorregar entre seus dedos.

Mu ao sentir as mãos do maior em seus cabelos voltou à realidade. Estava tão imerso naquela sensação maravilhosa que era sentir a chuva em seu rosto, lembrando tanto as águas do lago onde vivia.

Abriu os olhos esverdeados, voltando-se para o mais velho. A imagem daquele homem forte parado diante de si, debaixo da tempestade, era tão... Intimidante, e ao mesmo tempo tão acolhedora. Difícil de explicar.

A regata branca simples e ensopada colava-se ao corpo definido dele, desenhando seus músculos forjados pelas inúmeras batalhas. Que em contrapartida deixaram suas marcas, em forma de cicatrizes, nos braços e nas costas. Seus olhos selvagens pareciam querer devorá-lo por inteiro. Os fios castanhos, encharcados, grudavam-se ao belo rosto.

O menino aproximou-se, ajoelhando-se, para ficar com o rosto na altura do maior. Levou sua mão ao peito de Aiolia, deslizando seus dedos lentamente pelo músculo rígido daquele corpo tão diferente do seu. Levantou seus olhos, encontrando as esferas azuis do leão, perdendo-se naquela imensidão que brilhava, retribuindo-lhe o olhar com devoção.

O maior tocou o rosto do menino delicadamente, acariciando as bochechas com os nós dos dedos. Não sabia o que estava acontecendo consigo, porém o que sabia era que faria qualquer coisa pelo garoto à sua frente. A ligação que havia se formado entre os dois em tão pouco tempo era muito forte. Inexplicável... Como duas almas, perdidas no espaço, que buscam incansavelmente uma pela outra, até se encontrarem, e se unirem, de forma que jamais possam ser separadas novamente.

Aiolia aproximou o rosto do menor, deixando a boca próxima à orelha de modo que sua respiração quente batesse contra o pescoço delicado. Passou seus braços em torno do corpo pequeno, apertando-o contra si. Fechou os olhos, roçando sua bochecha contra a bochecha de Mu de forma felina, afundando-se entre seus cabelos, sentindo o perfume de flores que deles emanava.

- Eu não sei o que você fez comigo... Mas não vou voltar atrás. – sussurrou em seu ouvido, com sua voz rouca, fazendo o mais novo arrepiar-se.

O menino deixou-se levar pelo rapaz, entregando seu corpo nos braços firmes do mais velho. Também fechou seus olhos, entreabrindo a boca de lábios grossos, esperando pelo outro, que ao ver o menor naquele estado, não hesitou em juntar suas bocas em um beijo casto.

Somente a lua fora a testemunha dos dois corpos abraçados debaixo da chuva, e do primeiro beijo do jovem casal. Presenciando o amor que começava a nascer ali, a partir daquele dia.

~~*~~

A chuva já havia parado quando o resto do grupo voltou ao acampamento. As gotas da chuva que sobraram nas folhas de árvore agora pingavam devagarzinho no chão. A lua ainda iluminava completamente o ambiente, estava cheia e bem perto da terra, aumentando seu tamanho. A floresta estava silenciosa, com os pássaros bem aconchegados em seus ninhos, assim como os pequenos esquilos em suas tocas. Porém os vaga-lumes estavam por toda a parte. Suas luzes esverdeadas piscavam repetidas vezes, bailando sob o luar.

Aiolia estava sentado sobre uma pedra, com o mapa em mãos, procurando o melhor jeito de chegarem à Phinkle, mas seus olhos vez ou outra se desviavam para o pequenino dormindo todo encolhido dentro da jaula.

Milo carregava as lanças e máscara trazia os peixes em mãos. Ikki que vinha logo atrás foi direto em direção aos cavalos, trazendo algumas maçãs para os animais. Ao passar pela gaiola notou o menino que dormia coberto pelos cabelos roxos com uma feição infantil no rosto. Não pode evitar lembrar-se de seu irmão, tendo o ato quase que automático de tirar a capa para cobri-lo e protegê-lo, porém quando voltou a si parou o que fazia, recolocando a capa e deixando que suas sobrancelhas suavizassem de forma triste, ao perceber que não era seu menino ali. Apenas empurrou uma das maçãs dos cavalos para dentro da jaula de modo que os outros não percebessem e foi levar o resto das frutas para os animais.

- Se nós cortássemos caminho pela antiga trilha que levava à Phinkle, provavelmente chegaríamos amanhã ao anoitecer à cidade muralha. – opinou Aiolia, levantando seus olhos do pergaminho e mirando o líder.

- Ouvi dizer que a ponte da antiga trilha está arruinada. – advertiu Milo, que terminava de montar a tenda.

- Milo está certo. A ponte está apodrecida, não é a toa que não a utilizam mais. O certo é fazer como todo mundo e gastar mais algumas horas subindo o rio até achar um trecho com menos correnteza e atravessar. – concluiu Ikki, que tinha dado comida aos cavalos e ouviu a conversa enquanto voltava para perto do grupo.

- Enrico do mercado negro de Meanzza ha detto que há uma nova passagem usada pelos comerciantes para encurtar o caminho. Se il truffatore di merda che ha detto è vero, o que io acho muito diffícile, podemos cortar e ir direto às Florestas Sombrias. – acrescentou Máscara, que às vezes acabava trocando algumas palavras com seu idioma italiano, formando uma confusão que só seus amigos entendiam.

Após discutirem sobre o percurso a ser seguido, optando pela rota dos comerciantes, o restante dos homens foram deitar, deixando Aiolia no primeiro turno de vigia.

~~*~~

Mu que dormia tranquilamente abriu seus olhos esmeraldas de súbito, levantando dentro da jaula e sentando sobre a madeira, sentindo um cheiro esquisito no ar. A floresta estava quieta, muito quieta, e os vaga-lumes tinham ido embora.

Direcionou seu olhar para Aiolia, que estava muito cansado, porém tentava manter-se acordado, encostado a uma árvore de braços cruzados.

O pequeno ser estava começando a ficar inquieto preso ali. Alguma coisa estava errada, e ele procurava saber o que era, vasculhando atentamente a escuridão da noite entre as árvores ao seu redor.

- Aiolia! – chamou baixinho, chamando a atenção do rapaz que ao perceber veio rápido em sua direção parando em frente às grades de ferro. – Tem algo na floresta... Você tem que me tirar daqui! – sussurrou, apavorado.

- Acalme-se anjo, acalme-se... O que houve? – perguntou preocupado, baixando igualmente o tom de voz.

- Me dê sua mão! – pediu, agarrando uma das mãos do maior entre as suas, acendendo sua luz violeta e sugando o cansaço do guerreiro para si. – Você tem que ficar acordado. Chame os outros. Tem algo vindo... – pediu, apertando a mão forte do caçador entre as suas.

Antes que Aiolia pudesse assimilar a informação, um Scrunt veio pelo lado oposto da carroça, avançando com toda a força contra a jaula, fazendo-a balançar.

Milo agarrou uma de suas lanças em mãos, enquanto Ikki não teve muito tempo de se preparar antes que uma das criaturas mordesse sua perna, arrastando-o para fora da tenda e rasgando pequena parte da calça marrom. Máscara arrancou a cabeça do lobo com sua espada larga de duas mãos, dando tempo de Ikki se recompor e se equipar com seu machado de guerra.

Aiolia transmutou-se em leão, encarando o Scrunt maior, que veio acompanhado de mais alguns, seguindo o cheiro da Ninfa d’água.

Um deles avançou novamente sobre a jaula, entortando os ferros com o impacto, fazendo com que Mu soltasse um grito de pavor e empurrasse automaticamente suas costas contra as grades opostas, onde outro deles preparava-se para pular e tentar agarrar o menino, antes de ser atingido precisamente pela lança de Milo, que perfurou as costelas do animal.

- Aiolia! – gritou o pequeno, ao ter seu cabelo puxado pelos dentes de um dos Scrunts, tentando inutilmente puxar sua mexa cor de lavanda de volta com as mãos pequenas.

O leão ao ver a cena, rugiu pulando na direção do lobo, cravando suas unhas e seus dentes sobre o dorso do animal, fazendo com que este largasse os cabelos do menor. As duas feras travaram uma batalha entre si, ao mesmo tempo em que os três caçadores tentavam se livrar do resto da matilha

Milo correu em direção a uma árvore sendo seguido de um Scrunt, chegando bem perto dela ele saltou, apoiando um de seus pés no tronco e voltando com impulso em direção ao lobo, segurando com as duas mãos sua lança e perfurando o topo da cabeça da criatura, atravessando o crânio e grudando-o ao chão, pousando levemente ao lado do corpo e arrancando a lança ensangüentada de volta, seguindo em direção aos outros.

Ikki estava em meio a dois deles, optando por atacar o da esquerda, que desviou dando um passo atrás, enquanto o da direita avançou, levando um forte chute do rapaz, seguido de uma machadada no pescoço. O outro que antes havia desviado mordeu-lhe a perna, encima da ferida feita pelo outro Scrunt no inicio do ataque ao acampamento. Ikki soltou um urro de dor e deu uma pancada com o cabo do machado encima da nuca do lobo fazendo-o perder a consciência para depois girar o machado em mãos e matá-lo com um golpe só.

Máscara da Morte estava acabando com os últimos dos que restavam, manejando a espada pesada e acertando os cães com precisão. Um dos Scrunts acertou um arranhão no músculo do seu braço, fazendo-o sangrar, porém em seguida ele fechou o punho dando um poderoso soco na mandíbula do lobo desnorteando-o. Chutou a lateral de sua barriga, fazendo com que o bicho caísse no chão e então pisou sobre ele, agarrando com as mãos as extremidades da coluna, ou seja, pescoço e cauda, e então puxou com força, partindo os ossos do animal ao meio.

Aiolia que já estava um pouco machucado agarrou o inimigo, mordendo o pescoço do mesmo e torcendo-o, fazendo com que a tensão estalasse os nervos, até o pescoço quebrar e o ultimo dos cães cair morto ao chão.

O líder só estava com um arranhão, Milo não havia se machucado muito, já Ikki estava mancando, e Aiolia com mordidas e alguns arranhões.

Mu chorava compulsivamente encolhido dentro da jaula. Os cabelos bagunçados, o rosto pálido e os olhos já vermelhos de tanto lacrimejar. Estava completamente apavorado, nunca tinha visto tão de perto a morte certa diante dos seus olhos.

O leonino transformou-se em humano novamente, indo rapidamente para perto da jaula e abrindo-a, puxando em seguida o pequeno para seus braços e abraçando-o forte, sob os olhares do resto do grupo.

- Caspita! Mas que merda é essa? – interrogou Máscara incrédulo ao ver a cena inusitada.

- Não posso deixá-lo nessa jaula, ele não oferece mal algum! Nem consegue se defender! Não podemos deixá-lo encurralado ali dentro, facilitando para o que vier de fora pegá-lo e estraçalhá-lo com os dentes! – exclamou exaltado, enquanto o menor afundava o rosto em seu peito. – Deixe-o fora dessa gaiola! Eu juro que tomarei conta dele se for o caso. – pediu sincero.

- O que diabos deu em você? Primeiro me desobedece no Vale das Bromélias e agora se impõe rugindo e ameaçando como um leão encurralado?! – cuspiu o líder se aproximando de Aiolia.

- Eu só peço que o deixe fora da gaiola, se não vamos perdê-lo, e não poderemos cumprir a missão. Deixe a jaula para os próximos que virão. – insistiu. – Prometo não desobedecer nunca mais se fizer o que eu peço. – concluiu, vendo Máscara estreitar os olhos ameaçadoramente.

- Lembre-se o porquê de estares aqui Aiolia, é bom saber o que estás fazendo, pois mais um erro teu, e não hesitarei em te colocar no teu lugar! – encerrou o líder, encarando-o e virando-se para o acampamento, começando a desmontar as barracas. – Vamos marchar!

~~*~~

- Coloque isso. – pediu. – Vai lhe proteger do sol. – adornou o menino com um pano ao redor do corpo, passando uma faixa por sobre a cabeça, fazendo um capuz para Mu, a fim de protegê-lo do sol forte do meio dia.

- Obrigado Aiolia. – sorriu Mu, que estava mais tranqüilo depois de viajarem a noite toda a cavalo. Dormiu nos braços do leonino quase a noite inteira, acordando perto do amanhecer. Agora cavalgavam junto do grupo, com Aiolia sentado atrás do menor, segurando as rédeas do animal e Mu sentado entre seus braços, acariciando a crina branca do cavalo entre seus dedos.

Ikki tentava conter a dor que sentia em sua perna direita, continuando a viajem em silêncio, assim como Máscara, que estava muito zangado com o contratempo, e Milo, que estava cansado por não ter dormido.

Não demorou muito até chegarem à ponte dos comerciantes, que realmente existia, conforme Enrico havia dito. Após a travessia, cavalgaram por mais cinco horas, e então deram a ultima pausa para descansar antes de chegarem à floresta.

Sentado em uma pedra, enfaixando seu ferimento, com uma feição de dor no rosto estava Ikki, até que Mu se aproximou, agachando-se à sua frente.

- Não tem jeito... Se você enfaixar, vai infeccionar. Está sujo. – esclareceu o menor, desenfaixando a perna sob o olhar do mais velho. Colocou as mãos em posição e preparou-se para curá-lo, porém foi impedido.

- Poupe sua energia garoto. Não preciso disso. – resmungou orgulhoso.

- Você é um homem corajoso Ikki... Mas esse orgulho não combina com você. – insistiu serenamente, voltando a colocar as mãos no mesmo lugar e curando o machucado do maior, fazendo com que a perna voltasse exatamente ao normal. No fim, acrescentou. – Um homem corajoso e muito forte... Seu irmão ficaria orgulhoso de você.

O menino levantou-se sorrindo levemente, para depois virar-se e sair dali, deixando Ikki com uma expressão surpresa no rosto.

~~*~~

Milo e Máscara estavam caçando, Ikki permanecia sentado ao lado da fogueira e ao lado dele os cavalos junto da carroça vazia. A noite ainda não tinha chegado, mas o sol estava perto de se por.

Perto dali, estava Mu com um pedaço de pano amarrado na cintura, a mando de Aiolia, que ficava constrangido quando o menor andava por ai coberto só pelos cabelos.

- Vamos, bata as asas, com força! – incentivava o leonino embaixo do barranco, segurando na mão do mais novo, que estava encima, batendo as asinhas transparentes repetidas vezes, conseguindo sair do chão por alguns segundos e depois caindo, dando risadas.

- Que difícil! – sorriu, tentando de novo, dessa vez conseguindo voar de cima da elevação até o solo e dando pulos de satisfação.

- Eu acredito em você, você vai conseguir, continue. – Aiolia sorria, vendo Mu elevar-se por algum tempo e voltar a pousar.

- Acho que está bom por hoje! Eu fui bem não fui? – perguntou eufórico.

- Muito bem! – respondeu Aiolia, vendo o sorriso de Mu murchar um pouco e desviar seus olhos verdes para o horizonte. – O que foi? – indagou terno.

- Sinto falta do lago... – sussurrou um pouco triste, voltando a olhar nos olhos profundos do leão.

-... – Aiolia com certeza não sabia como lidar com isso, mas vendo o olhar do menino nos seus, acabou perguntando. – Se... Eu te deixar entrar na água... Você promete... Que não vai fugir? – hesitou temeroso de que o menor fugisse para sempre, e ele nunca mais o visse outra vez.

Os olhos do mais novo brilharam de felicidade ao ouvir a proposta, e ao contrário do maior não hesitou nem um pouco em concordar empolgado. – Prometo! Prometo Aiolia! Eu juro. – sorriu.

- Ok... Vamos... – sorriu, pegando na mão do menor e correndo os dois para perto do riacho.

Era uma passagem de água meio rasa, talvez cobrisse até a altura dos ombros de Mu, sendo que a correnteza era bem fraquinha, e quase não havia pedras.

- Posso tirar isso? – questionou animado, apontando para o pedaço de pano amarrado na sua cintura.

- Err... Pode. – Aiolia arregalou os olhos, mas acabou concordando, vendo o menor se livrar das vestes improvisadas e voar rapidamente para dentro da água como uma libélula. Ainda não conseguia voar plenamente, porém conseguia manter um vôo rápido de um lado ao outro. – Você não vem? – perguntou virando-se.

- Hum... Eu não sei... Não temos muito tempo. – respondeu meio envergonhado.

- Ah... Não quer nadar comigo? – fez um beicinho infantil abaixando-se e ficando com o nível da água logo abaixo do queixo.

O leonino ficou na margem do riacho, apertando os punhos numa luta interna contra si mesmo, acabou mordendo o canto dos lábios mais um pouquinho e... Tirou a blusa ficando só de calça, entrando junto do mais novo na água morna.

O menor sorriu aproximando-se de um Aiolia acanhado e jogando-se nos braços deste de súbito, sem maldade.

- Obrigado... Muito obrigado... Estou tão feliz por ter me deixado entrar na água um pouco. E queria agradecer também, por ter me protegido ontem à noite. – disse por fim, levantando o olhar e fitando o maior.

Aiolia ao ser pego de surpresa pelo abraço repentino do pequeno quase teve uma parada cardíaca, porém após processar a informação, retribuiu ao abraço, ouvindo-o agradecer e vendo-o olhá-lo nos olhos.

- Seu coração esta batendo rápido... Posso senti-lo... – sussurrou Mu, que mantinha suas mãos espalmadas sobre o peito forte do mais velho.

- Eu sei... – respondeu baixinho, com a respiração alterada.

- Por que ele ta assim? – voltou a sussurrar.

- Por sua causa... – respondeu, mandando o autocontrole para o inferno e agarrando o menor em seus braços, beijando sua boca de forma necessitada, apertando-o contra si e arrancando-lhe um gemido abafado entre o beijo.

Mu não resistiu... Abriu seus lábios avermelhados, deixando que o felino se apoderasse de si, largando-se em seus braços e depositando toda confiança do mundo em seu algoz.

As mãos grandes e ásperas de Aiolia passearam pelas costas lisas do menino, deslizando e percorrendo sobre a pele macia e branca, enquanto sua outra mão segurava firmemente a nuca por debaixo dos cabelos compridos e encharcados, que flutuavam ao redor dos dois. O menor não hesitou em deslizar suas mãos sobre as costas largas do maior, repetindo seu gesto e sentindo seus músculos sob os dedos finos, arranhando vez ou outra de leve sobre a pele morena.

Beijaram-se por algum tempo, alternando-se entre abraços e caricias comportadas, desfrutando do calor dos corpos e da companhia um do outro, que agora podiam tocar-se sem grades ou barreiras, separando-os.

Aquela noite foi extremamente tranqüila para todos, que tiveram tempo de jantar direito, dormir um tempo consideravelmente bom para recuperar suas energias perdidas...

~~*~~

Encontravam-se todos em frente à entrada das Florestas Sombrias. De onde se erguia um mar de árvores extremamente altas, que tampavam boa parte da luz do sol, deixando assim o caminho meio escurecido, porém não muito. Os caules retos e longos povoavam em volta da estrada, dificultando uma visão mais ampla do ambiente.

O chão coberto por folhas mortas e secas, resumindo a floresta somente a árvores e um chão forrado pelo outono, sem pedras, sem animais, sem flores nem plantas.

O grupo adentrou ao lugar, seguindo cautelosamente sobre a trilha que quase não era percebida devido à quantidade de folhas no chão.

- Não entendo por que se chama Floresta da Escuridão Eterna, aqui até que está bem iluminado. – disse Milo montado em seu cavalo.

- Você vai entender... Quando o encontrarmos... – disse Máscara, atento.

Após cavalgarem alguns quilômetros para o interior da floresta, alguma coisa assustou os cavalos. Fazendo com que o dia vira-se noite e o sol sumisse diante dos olhos de todos, cobrindo a floresta com um manto negro. A neblina se espalhou por todo lugar, ondulando-se entre as árvores e preenchendo tudo com sua palidez.

- Não precisamos mais procurar... Ele nos achou...


~~*~~

\"\"


(Meus dois anjos aqui... São lindos não são? *chora compulsivamente*)

Notas finais
A cada review que você não deixa, um autor morre.