Fairy Tail: Operation Fairy Back
10 Capítulo 10 – A nova missão de Mira e Yuu ( A Avaliação)
Notas iniciais
(Pov Erza):
Era o começo de mais uma manhã ensolarada na cidade de Londres, capital da Inglaterra. Já estava de pé a cerca de duas horas, fiz minhas necessidades no vaso sanitário que estava polido e brilhava como novo, depois segui para dentro do box onde tomei uma ducha de água morna. O banho durou alguns poucos minutos, ao ensaboar uma parte dos meus quadris senti uma pontada de dor e ao olhar de relance para as costas, notei uma marca nova causada por um embate com uma criatura feroz e atroz em meio a uma operação secreta nas selvas da amazônia brasileira.
Talvez, aquele ser gigante e com golpes colossais, fosse mesmo algum tipo de demônio. De toda forma, me vi inclinada a resolver aquela “parada” seguindo um plano cuidadosamente elaborado — parada é uma maldita gíria que peguei de um turista oriundo do estado do Rio de Janeiro. — e, solucionei o caso após uma árdua e exaustiva batalha com aquela coisa monstruosa.
Posterior a isso, entreguei meu relatório ao d.p.o.i.c — Departamento de Operações Intercontinentais —no interior da sede da inteligência e o nosso amado diretor e mestre, por sua vez, fez às honras e me colocou a par de todas as informações pertinentes que ocorreram na casa desde minha partida. Já soube da novata sob custódia e pelo visto, ela irá dar trabalho se não for adestrada corretamente.
Diante dos fatos, me coloquei à inteira disposição para tratá-la como um elemento hostil e submetê-la a um rigoroso processo disciplinar. Algo que fez até os mais velhos agentes da casa concordarem com o meu plano, entretanto, outro assunto delicado veio à tona em meio aos acirrados ânimos e debates acalorados sobre o que fazer com a jovem herdeira dos Heartfilia.
E algo chamou minha atenção em particular, por envolver justamente duas pessoas que considero importantes em minha estadia na casa. Não que eu esteja surpresa em ouvir os rumores suspeitando da conduta de um deles, todavia, o envolvimento pessoal de uma das nossas agentes experientes, uma querida amiga e sua persistência, bem como a linha de raciocínio torpe que seguiu para justificar a decisão de apoiar o infrator. Me fez querer esganá-la de mil maneiras cruéis possíveis.
Por esta razão, e dada a minha ligação de longa data com esses dois indivíduos, eu fui selecionada e escalada para ser a responsável por conduzir uma avaliação plena de conduta destes membros, que resolveram assumir um relacionamento íntimo. Trata-se apenas de um protocolo, quando alguém viola as normas e diretrizes internas, e tal atitude eufórica pode ocasionar no comprometimento de suas funções ora designadas. Para isso, um agente próximo das partes envolvidas é incluída no processo interdisciplinar de investigação particular e para fins de acareação jurídica.
Em primeiro lugar, está a albina mais idiota do planeta e com coração de mãe que conheço bem como a palma de minha mão, não do jeito que possam pensar. Isso seria muito imprudente, rude, nojento e para não dizer que me colocaria em posição embaraçosa. Ela que em minha ausência deveria demonstrar maior exemplo, e não se esbaldar com um gato pingado por aí.
Isso é como chover no molhado, literalmente. Mais uma vez, eu sendo influenciada pelo povo brasileiro. Enfim, retomando o meu raciocínio, o que diabos a Mira tinha na cabeça quando decidiu se entregar toda para aquele paspalhão? Quantas vezes eu lutei e relutei para que esse pesadelo jamais se tornasse realidade? E agora, isso. Por Deus, eu preciso me acalmar ou irei cometer uma atrocidade sem precedentes.
Depois vem o cabeça de vento, um esbelto rapaz de cabelos azulados e que desde que me entendo por gente. Os seus olhos ofuscam um brilho intenso e ele perde a fala quando se depara com a beleza estonteante dessa jovem albina. Até então, ela nunca, ou melhor dizendo, eu jamais havia notado alguma reciprocidade no olhar dela, por isso é muito estranho que em um curto período de tempo, esses dois resolveram ficar mais próximos. Talvez tenha a ver com a suposta segunda identidade, ainda não confirmada dele.
Mesmo assim, é como atirar no escuro. De uma insensatez sem tamanho. De qualquer forma, não é hora para reclamar. Retornei ao quarto trajando um típico roupão de banho de coloração rosa, abri o guarda-roupas e através do espelho pude vislumbrar meu corpo curvilíneo, os fartos seios avantajados pela graça divina e minha nossa senhora, como os meus cabelos ruivos vividos cresceram nesses últimos tempos. Ainda havia algum tempo, até que fosse de encontro do casal do momento.
Certamente, ao menos por parte do azulado, ele não deve estar muito contente e receptivo com a ideia, embora ambos estejam cientes de que não darei trégua em meu próximo relatório. Se por um acaso, eu suspeitar que estão tentando se beneficiar indevidamente da nossa boa relação, sem dúvidas, terei de neutralizar os dois para que sua loucura não me contagie.
Procurei no interior do armário, uma roupa mais casual e que possa facilitar em primeiro momento, o meu trabalho de causar fortes impressões. Assim, terei um pretexto para reportar ao nosso diretor quanto ao mal comportamento da dupla dinâmica, e dessa forma, simplificar um pouco mais coisas. Se é que alguém possa me entender, não é mesmo?
Passei alguns minutos revirando as minhas roupas, pensando em certas coisas, refletindo cada momento que vivemos. E realmente, não dá para acreditar que agora terei de bancar a babá malvada. Enquanto, eles saem para mais uma missão no mínimo engraçada, pois serão babás de um moleque ranhento que mal saiu das fraldas e já se acha a última bolacha do pacote.
O diretor não poderia ter pensado em uma penitência melhor, sem falar que é uma oportunidade para que eles me mostrem que são capazes de lidar com desafios sérios do cotidiano. Afinal, se forem capazes de controlar essa pequena peste, segundo os relatórios, chegarei a conclusão de que estão aptos para ter uma relação extra-oficial. E terão meu apoio incondicional até no casório.
De repente, me deparo com uma vestimenta um tanto peculiar, esbocei um sorrisinho malicioso e já imaginava os olhares que iria atrair no caminho até chegar à residência da família Strauss. Sem sombra de dúvidas, nem mesmo aquele cafajeste do Yuu conseguirá resistir e se verá tentado. E aí será selado o seu fim drástico.
Então, sem nem pensar duas vezes, analisei o conjunto e formulei as palavras mágicas em minha boca para que, num piscar de olhos, pudesse me trocar e assim sendo, nenhum idiota pervertido poderá me bisbilhiotar.
– Reequipar!
Ao deixar de lado o roupão de banho, uma magia dourada cobriu cada parte de meu corpo e logo estava vestida tipicamente como uma corretora. Trajando um sutiã vermelho com aro por debaixo de um terno feminino acompanhado por uma saia curta que media-se até os joelhos e realçava meus dotes traseiros, as pernas estavam cobertas por uma meia collant preta estilo sedução e nos pés calçava uma sandália de salto baixo revestida de couro especial anti-inflamável. E como poderia esquecer do óculos com lentes finas e um acabamento simples.
Estava irresistível para qualquer fera máscula que ousasse cruzar o meu caminho. Erza Scarlet, vestida para matar, estava pronta para sair e fazer mais uma vítima de seus encantos sem fim. Eu era uma deusa de cabelos escarlates com aquela vestimenta, nenhum otário conseguiria se conter por muito tempo na minha presença. A pressão seria imensa.
Não precisava nem mesmo ensaiar uma fala. Naquele momento, deixei a porta de casa e dirigi-me à garagem, procurei entre os veículos disponíveis, algum que me levasse ao local mais rápido e chamasse demasiada atenção. Foi aí que então me deparei com uma moto com rodas um pouco maiores que o comum, um aspecto visual bem moderno e que não usava com certa frequência. O retirei do local, aqueci o motor e chequei os níveis de combustível, tudo estava “ok”, logo girei a chave de ignição e pus o capacete de proteção.
Segui pelas estradas fazendo um trajeto habitual, ora indo mais à esquerda e ora cortando para a direita, quando necessário. Sentia a adrenalina pulsando a flor da pele, conduzia o veículo nas ruas da cidade como uma tresloucada, sempre que havia uma oportunidade, realizava manobras que aprendi ao longo do tempo no serviço militar. Alguns minutos se passaram como horas, e num piscar de olhos já avistava a residência da Strauss e difícil seria não identificar a localidade em questão. Afinal, é a única casa com um cercadinho de madeira na lateral direita e havia dois andares, estes foram construídos a base de concreto e o revestimento das áreas de seu interior composto de argamassa.
A fachada do logradouro, por sinal, era deveras interessante. A pintura seguia o padrão de cores da bandeira da Rússia, pois a família Strauss fora resgatada das ruas de Frankfurt na Alemanha, eles eram crianças órfãs que vagavam solitariamente durante o fim da URSS e sobreviveram graças às habilidades de caça ensinadas pelos residentes da comunidade local. Sem falar nos conhecimentos básico do idioma e o estilo de vida marcado por muitas perseguições, o que fez o nosso mestre e diretor ter que intervir e impedir que o pior acontecesse aos membros dessa família.
Todavia, a falecida Lisanna — Que os céus a tenham no paraíso — só aprendeu o essencial dos irmãos mais velhos e sempre fora alvo de muitos cuidados. Me recordo de um certo dia, em que a peguei no pulo, perambulando pelos corredores da sede da MI-Fairy e ao seu lado acompanhava o Natsu e Happy — Até então, ele era apenas um ovo misterioso na sala diretor — e aí, bom, a princípio lhes dei uma bronca por vadiarem tão tarde da noite.
O Mestre/Diretor, sem querer, deixou sua sala destrancada e ao se lembrar disso, me encarregou de garantir a segurança do perímetro. Eu estava fazendo uma ronda, quando me deparei com aquele casalzinho de bobos, e de alguma forma que até hoje não entendo, eles conseguiram me persuadir e me convenceram a adentrar no recinto — sem autorização prévia do diretor —e , tal ação quase culminou em uma punição severa para todos nós.
Enfim, o tempo passou e hoje ela já não está mais entre nós. Imagino o quanto a Mira mudou com a perda de sua amada irmã mais nova, creio que foi um dos momentos mais tristes da nossa história. Recordo que tentei dialogar com ela, à época, entretanto ela estava nervosa demais e não queria ver ninguém. Se não fosse o preparo e a sabedoria do mestre/diretor em lidar com ocasiões mais complicadas, não duvido que a Mira teria sucumbido à escuridão que assolava o seu coração e hoje, provavelmente, ela teria se tornado um enorme pesadelo para todos na casa.
Mas, isso são águas passadas. Pela graça divina, Mira se tornou uma mulher fantástica e que ostenta um sorriso singelo capaz de arrebatar até os corações moles dos mais velhos, por velhos, me refiro ao Macao e Wakaba, que embora sejam casados e um deles já tenha até um filho pequeno. A dupla de coroas estúpidos não perdoam, e ao menos, da parte do Wakaba, ele não perde a oportunidade de tentar pedir a mira em casamento. Mesmo sabendo que, atualmente, ele só tem olhos para outro.
Bem, agora eu começo a ver quem é o quê, afinal.
Dito isso, estacionei a moto em um canto, logo atrás da residência. Desci do veículo com calma, analisando o ambiente ao redor com cautela e, ora acenando para algum vizinho que por aquela calçada estivesse de passagem. Fiz isso no intuito de me precaver, no caso de uma eventual fuga do azulado, assim restringindo suas opções a unicamente ter que me encarar e confessar em nome da verdade que, ele está mesmo levando essa ideia de relacionamento a sério.
Retirei o capacete da cabeça, o segurei com uma das mãos e logo dirigi-me até a porta da residência da figura que, algum dia, já tive minha rivalidade. Hoje em dia não mais, como disse antes, os tempos mudaram e a pergunta que não quer calar é: “O quanto esses dois mudaram nesses quatro anos que estive fora?”. Logo iria obter minha resposta, era só uma questão de tempo agora. Dei três batidas na porta, apertei a campainha e levou cerca de meio minuto para que finalmente ela se abrisse sozinha, assim, misteriosamente.
Adentrei no ambiente calmamente e já empunhando uma espada, que fora parar magicamente em minhas mão. Deixei o capacete cair, e num impulso me movi instintivamente avançando contra a primeira ameaça que, repentinamente, entrou em meu campo de visão e desferi um corte preciso e cirúrgico na altura da cabeça.
A escuridão, pouco a pouco, fora desaparecendo com o acender das luzes. Dessa forma, me fazendo ter uma visão mais nítida do que de fato havia acertado. O bestalhão do Dawnford estava parado, a poucos metros à minha frente, assoprando um pequeno tubo de papel que outrora havia se esticado e eu, sem imaginar, havia cortado ao meio criando uma cena no mínimo cômica.
Olhei de relance para o alto, onde pude ver uma faixa estendida e travei ao reparar na seguinte mensagem escrita: “Welcome Back Erza!”. Mira estava toda sorridente e com os olhos fechados, segurando uma espátula de cortar bolo e, já servindo uma fatia no prato daquela iguaria com camadas de glacê rosado e uma fruta de morango no topo dele. Uma enorme gota se projetou em minha cabeça, esbocei um sorriso meio sem graça no rosto e antes que pudesse me pronunciar. Um dos dois idiotas resolveu tagarelar.
– Ai! Meu pai, o que foi isso? Socorro, essa doida quer me matar! – Yuu, gritou histericamente feito uma criança birrenta.
Em seguida, ele deu um passo para trás e Mira apenas ria da situação cabulosa em que acabei me envolvendo.
– Bem vinda de volta, Erza. – Saudou Mira, ignorando a reação exagerada de seu ficante até abrir os olhos, e ver a arma que empunhara triunfante.
– Minha nossa, Yuu. Você está bem? – A albina, por sua vez, se demonstrou preocupada com o amado e o questionou, surpresa com o que acabara de testemunhar.
Passado o clima de tensão. Nos sentamos, deixamos as diferenças de lado e enquanto saboreava em silêncio o doce que me ofereceram. Ora tornava a fitar os seus rostos, com uma expressão serena e levei até a boca uma xícara de chá fumegante que exalava um cheiro de ervas naturais. Por um breve momento, pude observar a reação deles e ambos tentavam conter as risadas. Algo que só me fez respirar fundo e calmamente dirigir minha atenção à albina.
– Ouça, Mira. Você por um acaso não está grávida dele? Ou está? — Lancei a pergunta devastadora, tentando entender melhor as motivações dela.
– É claro que não, Erza. Mas que pergunta mais.. estranha. — Declarou Mira, sem perceber que já havia mordido a isca.
– E qual o problema se estivesse, amor? Digo, é importante se formos levar isso adiante, consideramos essa possibilidade. —Afirmou Yuu, convicto de que poderia fazer a albina repensar na sua resposta.
– Yuu, só estamos ficando por enquanto, e não faz nem uma semana que estamos juntos. Não acha que é cedo demais para discutirmos sobre esse assunto? – Indagou a albina, impondo certos limites e evitando ter que se alongar demais na conversa.
– Eu detesto ser estraga prazeres, mas concordo com a Mira. Yuu, você se precipitou demais, sem falar que está arriscando não só a sua carreira na inteligência, como a dessa albina idiota também. — Pontuei de forma coloquial, trincando os dentes e com um sorriso suave no rosto.
– Ahh, mas o que imaginava que eu fosse fazer diante da situação? A mulher com quem tanto sonhei ter um relacionamento sério, desconfia que na verdade eu sou um agente duplo infiltrado na base. A minha segunda mentora na casa, figura pela qual tenho um imenso carinho e respeito, não pode depositar um voto de confiança em mim. E para piorar, a minha mãe partiu a menos de dois dias. – Desabafou o Dawnford para minha surpresa.
– Espera aí, sua mãe, o quê? – Indagou a albina, que até então só prestou atenção na conversa quando este mencionou o fato oportuno na última palavra.
– Isso é mesmo verdade, Mira? Ou é só é uma desculpa que ensaiaram para me ludibriar? — Provoquei, mesmo não sendo meu real interesse querer ver o circo pegar fogo.
– Eu… não fazia ideia. Droga, Yuu, por que não me contou isso antes? — A albina o questionou, notavelmente irritada por ter sido pega desprevenida.
– Desculpe, amor. É que você estava tão preocupada em como encarar a Erza que eu pensei em te contar em um momento mais apropriado. — Por fim, o azulado se defendeu e abriu o jogo, de forma que todo o joguinho que tinha planejado para ferrar com sua vida, agora foi por água abaixo.
– Erza. Se você colocar isso em seu relatório, eu juro que.. — Mira, então, rangeu os dentes e com seus orbes azuis lacrimejando, se manifestou.
Logo, respirei fundo e balancei negativamente com a cabeça.
– Não se preocupe, eu posso parecer um monstro, às vezes, porque trabalho para certas pessoas com um grau de influência tamanha. Mas, garanto vos, que não sou como essa gente. Pelo menos, não quando me refiro aos meus amigos. — Declarei para amenizar um pouco a situação.
Olhei de relance para os lados, enquanto os dois se abraçaram e trocaram carícias na minha frente. Pude perceber algo então, ao observar o casal de idiotas, e logo, cheguei a uma conclusão da qual poderia me arrepender.
– Então, pessoal. Ouçam como vai ser… — Comecei a orientá-los da melhor forma, interrompendo o clima de afeto e os fazendo dirigir sua atenção a mim.
~~~~~ (Algum Tempo Depois…) ~~~~~
Já havia me trocado para me juntar aos dois naquela missão, dessa vez, a Strauss me convenceu a usar um vestido mais leve e que realce os meus seios fartos. Contudo, sem aparentar ser uma mulher vulgar. O Dawnford ao me rever, assobiou e não poupou elogios que me tiraram um pouco do sério. Lancei um olhar mortal ao bandido de cabelos azulados, enquanto este, oportunamente deu um tapinha de leve no meu traseiro. Em seguida, gargalhando como um patife idiota.
Se não fosse pela trágica situação em que está passando — ou melhor dizendo, se aproveitando — eu já o teria feito em mil pedaços, só por tamanha audácia. Mas precisava ser discreta e manter as aparências, do contrário poderiam desconfiar seriamente de nossa real identidade e comprometer o êxito da missão.
Quando foi a vez da Mira, ela estava arrasando, literalmente, com as suas vestes. Escolheu um modelo da cor vinho, com um decote justo na altura dos bustos, e não revelando muito de suas coxas torneadas. Calçava uma sandália de salto baixo, cor cinza com detalhes semelhantes a uma flor metalizada emitindo um brilho intenso na coloração prata. Yuu se rendeu a tamanha formosura, ficara boquiaberto e a albina apenas retribuiu, o provocando com aquele seu olhar sedutor.
Precisei deixar meu veículo estacionado na residência dela, ao passo que seguíamos no interior de um carro particular descaracterizado e o diretor fez questão de escolher um motorista que atendesse ao perfil rigoroso e estivesse apto a manter a operação em curso. Por isso, fiquei no banco da frente, ao lado do condutor, e assim que escutei o som do projetor sendo ligado — cerca de quinze minutos trafegando por um túnel ao longe da cidade — pressionei o botão, este acionou o sistema de isolamento acústico no interior do veículo.
A mensagem, por sua vez, começou a ser transmitida e os pombinhos assistiram tudo no mais absoluto silêncio. Me questionava se estavam mesmo prestando atenção, todavia, precisava me conformar e acreditar que eles entenderam cada etapa da tarefa. Não será nada fácil o que estavam prestes a fazer, se cometerem um só deslize que seja, poderão dizer adeus às suas carreiras.
A tarde mal chegou e foi passando bem devagar aos nossos olhos, seguimos a princípio monitorando a residência da pequena peste — segundo o que os relatórios indicam —, em seguida fomos até o convento onde este se encontrava e os pombinhos não foram autorizados durante esse momento a interferir no curso do episódio. Vimos apenas o garoto brincando junto de sua turminha, jogavam uma partida de futebol e olhando de relance dava para contar uns quinze ou vinte ranhentos como ele, respeitando a distinção de sexos, correndo por uma área delimitada.
Aparentemente transformaram o terreiro do convento em uma quadra improvisada para a prática ao ar livre de esportes. A ideia não era uma das piores, durante minha segunda visita em missão ao Brasil, pude notar que em certas regiões em determinados estados mais distantes e carentes, as crianças apesar dos tempos difíceis vividos por suas famílias. Não deixavam de lado o amor pelo esporte, para uns era o sonho de serem reconhecidos por algum olheiro de um time importante e após assinar um contrato, e jogar uma longa temporada, com o dinheiro recebido poderia finalmente tirar seus pais daquele atoleiro.
Portanto, às vezes o futebol se trata também de sobrevivência e por isso respeito muito os jogadores amadores. Aliás, se parte da minha infância não se resumisse àquela ilha e o filme de terror que vivenciei por lá, perdendo uma pessoa amada para as trevas de Zeref. Talvez, pudesse ter sido um pouco mais feliz, crescido e me tornado uma mulher normal. Não que eu seja esse monstro que todos acreditam que sou, porém, hoje tenho uma missão mais importante em mãos e ao meu redor estou cercada de pessoas importantes que me fazem me sentir uma mulher especial.
— Fiquem aqui, idiotas. — Ordenei ao casal no banco de trás do veículo. Enquanto sai um pouco para esticar as pernas.
Depois de fechar a porta do veículo e me virar com um sorriso largo e descontraído, prestes a enunciar alguma palavra para aqueles pequenos indivíduos. Eis que, após um chute aplicando uma força descontrolada, fez com que a bola saltasse e pegasse um efeito no ar, e atingisse em cheio o meu rosto.
— E é goool! Oops. — Exclama um sujeitinho de meia tigela. — Irmã rose, irmã rose, eu… extrapolei. — Concluiu o garoto, o alvo em questão que estávamos observando ao longe.
Em seguida, acabei apagando literalmente e caindo para trás. Mas antes que pudesse colidir fatalmente com o solo, fui pega bem a tempo por uma esbelta mulher de aparência jovial, albina, e que se disfarçou rapidamente para intervir, sem estragar a nossa missão. Minha mente estava em parafuso, a respiração pesada e balbuciava uma série de palavras que não faziam nenhum sentido.
Até que do interior do recinto da pequena capela, a poucos metros à nossa frente, uma freira se prontificou e caminhou em nossa direção em passos apertados. Creio que estivesse presente no local fazia algum tempo, e por alguma razão, se distraiu enquanto aqueles vermes insolentes faziam das suas.
— Oh, minha nossa. Eu peço mil desculpas por isso, moça. — A freira se pronunciou, se desculpando formalmente. — Ela vai ficar bem?
Mira, que seguia mantendo a postura do seu disfarce, graças a sua magia de transformação. Apenas assentiu com a cabeça, negando qualquer inconveniente, e demonstrando pacientemente compreender a situação. Sem provocar nenhum atrito, ela deixou o local me carregando de volta para o veículo. Dessa vez, eu fiquei no banco de trás e ela se sentou no meu lugar na frente do veículo. E o pior, estava deitada no colo de meu subordinado mais idiota e cabeça oca, ao passo em que o condutor seguia viagem para um lugar seguro seguindo as coordenadas enviadas para o sistema de GPS.
Não demorou muito, levamos cerca de meia hora contada e o veículo fez sua parada na frente de um hotel de luxo. As reservas já haviam sido realizadas por membros integrantes do departamento de ações operacionais, que prestavam apoio logístico aos nossos agentes de campo e foram acionados rapidamente após o pequeno acidente com a bola. Recebi os cuidados necessários, ao ser levada para o meu quarto e depois de confirmarem que estava bem, e só ficaria com um inchaço por alguns dias. Me prescreveram uma série de comprimidos analgésicos, e eu ignorei, mesmo sob os protestos de Mira. Então, dispensei as equipes médicas e tive um breve diálogo com a albina, antes dela ser liberada e voltar para o seu alojamento.
— Escute, Mira. Aconteça o que acontecer nessa missão, não quero ver você ou o Dawnford agindo feito um bando de imbecis na minha frente. — Expliquei o óbvio para ela, ressaltando o meu objetivo de prosseguir com a minha avaliação técnica. Enquanto segurava uma compressa no local atingido.
Ela teve de engolir as duras palavras, mesmo que no fundo discordasse de cada vírgula que outrora tinha dito. Mira, apesar das idiotices, ainda era uma das espiãs mais antigas da casa e com vasta experiência em missões no currículo. Embora, nos últimos cinco anos, ela tenha sido promovida, e se conformando com isso. Ainda recebeu altas condecorações do governo, ficando mais na retaguarda, ora cuidava dos afazeres da casa dentro da base de operações.
Ora se desdobrava para visitar a sede da nossa guilda junto com alguns companheiros e aparava as arestas daquele local, além de tirar a poeira e manter acesa as chamas de boas vindas ao nosso segundo lar. A MI-Fairy e Fairy Tail sempre estiveram em ótimas mãos, quer seja pela direção magistral do nosso mestre e diretor, Makarov. Quer seja pelo bom humor e da disposição dos demais membros ,sobretudo os mais velhos na casa como Macao e Wakaba, estes que eram policiais veteranos de rua e agora usam sua experiência em prol de algo maior.
A noite enfim chegou, passado algumas horas, sob a luz do luar e estando sozinha no quarto. Me despi das peças principais de minhas roupas, ficando apenas de trajes menores. Comi algo leve, um pedido ao serviço de quarto, era parte também do meu disfarce como avaliadora e espiã infiltrada em meio a tantos civis incautos. Segui para a varanda, uma luz dourada ofuscou de minhas mãos, onde uma espada se projetou magicamente cujo gume era feito de aço, realizava os movimentos que aprendi à duras penas ao longo de uma vida inteira. É fato que o ideal seria ter alguém para testar os avanços de minhas habilidades técnicas, afinal, o vento soprando não pode revidar aos meus ataques.
Até que, me senti um tanto exausta, deitei na cama enquanto o peito arfava para cima e para baixo, em movimentos rápidos. A respiração acelerada se acalmava, à medida que o sono chegava e não demorei muito a apagar em cima do colchão. Os minutos se passaram como horas à fio, me virava pelos lados, me revirava amarrotando o lençol e tinha curtos flashes de árduas batalhas que já travei contra oponentes de um nível de poder abissal.
Estava agitada. Acordei, olhei para o relógio do celular, duas horas já haviam se passado desde que comecei a tentar descansar, respirava fundo e via minhas mãos tremerem. Já fazia algum tempo que não sentia aquela sensação de ansiedade, ou será que havia ali algum tipo de ressentimento ou mesmo culpa por ter aceitado esse tipo de missão de via dupla?
Quero dizer, terei não só de ser responsável por emitir um relatório que, poderá acabar com a trajetória brilhante de uma das mais incríveis e fantásticas espiãs que tanto admiro na casa, como essa figura em particular se tornou minha grande amiga e mesmo distantes, apesar da reputação que acabamos criando com nossas brigas infantis.
Mira já se tornou uma mulher adulta, responsável dentro dos limites do tolerável, tem contas para pagar e não sobrevivia só da carreira como espiã. Ela também era uma modelo muito requisitada e constantemente sabatinada pela imprensa. Enfim, aquela albina idiota virou uma estrela aos olhos dos lobos da mídia oportunista, já quanto a mim, me restava ser apenas parte da vanguarda. Viver caminhando pelo vale das sombras, e sem olhar para trás, ou poder se lamentar por qualquer coisa leviana.
Bebi um copo d’água, me acalmei por alguns instantes e pensei em algo para lá de embaraçoso. Seria cômico, para não dizer trágico, o que estava prestes a fazer em seguida. Mas que se dane, essa noite eu só queria um pouco de diversão e quebrar a tensão, essa era minha única missão, e para atingir o êxito precisaria me aproveitar só um pouquinho da boa relação que tinha com aqueles dois.
Eles mal perdem por esperar a gracinha que aprontaria, o plano era perfeito. Por que nunca pensei em algo assim antes? Erza Scarlet está pronta para provocar altas reações de um certo elemento que se ousou tentar me aliciar para sua causa perversa e doentia, mais um inimigo que merecia ser punido, só pelo fato de ter encostado suas mãos nas minhas partes inferiores. O bandido azulado não perde por esperar.
Então, o som de lâminas colidindo ecoava pelo vazio. No chão de concreto da sede da MI-Fairy, os corpos dos agentes de elite estavam caídos. Yuu, não obstante, pressionava a ferida em seu ombro, a respiração cortada, enquanto a silhueta à sua frente avançava. Não era mais apenas a lendária "Demônio Escarlate". Asas de pura energia escura rompiam a textura da pele por debaixo da armadura, e os olhos outrora castanhos agora brilhavam em um tom carmesim assassino. Havia erguido a espada para o alto lentamente, desferindo um golpe vertical feroz diretamente contra o seu peito.
Yuu despertou em um sobressalto, o peito subindo e descendo violentamente. O suor frio escorria por sua testa, colando alguns fios de cabelo azulado em sua pele. Ele piscou várias vezes, tateou os lençóis até que seus olhos se ajustaram à parcial escuridão do interior de seu quarto.
Ao seu lado, Mira repousava em sono profundo. Não acordaria, nem mesmo se estivessem em meio ao fim do mundo. A expressão serena e os cabelos alvos espalhados pelo travesseiro a faziam parecer um anjo intocado pelo caos do universo da espionagem britânica. Yuu soltou o ar sem fazer ideia que o segurava, um suspiro de puro alívio. Era apenas mais um pesadelo corriqueiro. Então sorriu tranquilo, com uma calmaria surpreendente que ele só encontrava estando ao lado dela e deu uma risada leve para descontrair o clima.
— “Nossa, então aquilo… foi só um pesadelo?” — Ele pensou amargurado, fitando sua amada repousar na quietude da noite e então depositando um beijo na testa dela. — Mais um sonho ruim, Yuu, baka! Como diabos permitiu que aquele demônio da Erza invadisse os seus sonhos mais profundos? Mas que tipo de homem você é? — Murmurou o azulado, decepcionado com a sua falta de coragem.
Não era para menos, eu até que tentei treiná-lo para vê-lo se tornar um homem de verdade. Mas aquele estúpido, canalha, e aproveitador só sabia pensar nas curvas da modelo infeliz e quando tinha olhos, estes eram para ver a dona do sorriso radiante e que irrompia a solidão de um coração que batia freneticamente em ritmos cada vez mais acelerados.
Ele, em seguida, virou o rosto para o outro lado da cama de casal, pretendendo se levantar e pegar um copo d'água que se encontrava no pequeno móvel próximo a cama. Suas pupilas então se dilataram instantaneamente. Pois deitada de costas, vestindo apenas roupas íntimas pretas que contrastavam rigidamente com os cabelos ruivos desalinhados, eu Erza Scarlet dormia a menos de um metro de distância de onde o cafajeste se encontrava.
O choque travou os músculos de seu corpo. O ar sumiu de seus pulmões e podia vê-lo abrir a boca lentamente, prestes a soltar um grito de puro pavor, quando uma mão firme e calejada pelo uso de armas pesadas, pressionou sua boca contra o colchão com uma força surreal.
— Urusai, Baka! Ou vai acabar acordando a sua cara metade. — murmurei, com a voz rouca pelo sono, mas detendo uma autoridade que fez a espinha de Yuu congelar. Abri apenas um dos olhos, fitando-o com irritação. — Seus gritos de moça assustada no meio da madrugada já arruinaram metade do meu descanso. E para sua informação, eu ouvi muito bem quando me comparou a um demônio.
Yuu tentou falar, a voz abafada pelas minhas mãos, até que o soltei.
— O que você está fazendo na nossa cama?! — sussurrou ele, trincando os dentes de ódio para não acordar Mira. — O orçamento da MI-Fairy caiu tanto assim a ponto de não pagarem um quarto individual para a maior agente da Europa?
— O sistema de aquecimento do meu quarto quebrou, e eu não vou reportar falhas operacionais tão banais ao Diretor às três da madrugada. — Respondi ironicamente, sentando-se na cama com uma postura impecável, ignorando completamente o fato de estar em trajes menores e estando na frente dele. — Além disso, somos agentes agora. Já dividi trincheiras piores em minha estadia na Amazônia. Portanto, esqueça isso e volte a dormir.
— E como acha que irei dormir, sabendo que há uma bomba-relógio ruiva do meu lado! — Taticamente protestou Yuu, gesticulando.
O espaço entre eles diminuía e ora crescia. Em um milésimo de segundo, uma luz dourada cortou as sombras do quarto e o som metálico de uma lâmina dilacerando o ar ecoou por todo o lugar. O gume afiado de uma espada, invocada por minha magia de reequipar, parou exatamente a alguns milímetros do pescoço de Yuu. Para decepar sua cabeça, não precisaria muito esforço depois disso.
Logo inclinei o corpo para frente, a lâmina seguia firme em minha mão direita.
— Se você não fechar os olhos nos próximos cinco, não, três segundos, ou se eu notar um único pensamento inconveniente vindo dessa sua cabeça oca... eu vou mostrar para o bobalhão aí o verdadeiro poder de um demônio enfurecido e até então adormecido. Fui clara, Agente Dawnford?
Yuu engoliu a seco cada uma de minhas palavras, sentindo o frio do metal quase tocar sua pele cervical. Ele ergueu as mãos para o alto em sinal de rendição, moveu-se para trás cautelosamente e puxou o cobertor até o topo da cabeça, fechando os olhos com força.
A espada desapareceu no ar num piscar de olhos. Bufei, deitando-se novamente e virando de costas.
No clima de tensão silencioso que se seguiu, Yuu começou a controlar sua respiração, rezando mentalmente em pequenos e curtos sussurros para que o amanhã chegasse rápido e que tudo aquilo fosse apenas fruto de sua imaginação fértil.
Quando o amanhecer finalmente chegou, os primeiros raios de sol refletiam porn entre a vidraça da janela no interior do quarto, havia conseguido torturá-lo psicologicamente com sucesso e podia notar a boca dele aberta, espumando, as olheiras fundas e seus olhos estreitos, arregalados. A posição dele inerte, naquele buraco íntimo, no túnel escondido, não trafegava nem mesmo um ventinho.
O que foi suficiente e imagem que levei em meu subconsciente, em seguida me levantei com calma e delicadamente retornei ao meu quarto, satisfeita. Da próxima vez, ele pode estar certo, que não serei tão boazinha e já tenho uma lista de métodos não-ortodoxos de como dar um jeito no falastrão, boquirroto e que agora sei que me vê como uma figura execrável. O inferno que irei tornar a vida dessa pobre criatura, não está escrito nas estrelas.
Mira acordou momentos após, imagino que deve ter se remoído toda na cama para se espreguiçar. Algo bem comum, sobretudo para nós mulheres, e também por ser a primeira reação típica dela. Já dormimos juntas em diferentes ocasiões estando em missão, como não me esquecer do Vietnã? Do Congo? Da Colômbia? As Filipinas? Tailândia? Estávamos dentro.
Apesar dos meus esforços em não chamar tanta atenção, era impossível para as figuras másculas resistir a tentação, de duas jovens esbeltas e desatentas, sempre com um pretexto na ponta da língua prontas para convencer as grandes lideranças à frente de operações espúrias envolvendo tráfico de entorpecentes, tráfico humano, lavagem de dinheiro, até mesmo demos uma lição em um ex-cientista atolado em dívidas, apostando alto num cassino.
No fim, ele teve o que mereceu, e nós seguimos adiante como a incrível dupla de agentes que marcaram toda uma fase de excelência e além de recebermos elogios do mestre/diretor, ainda levamos a fama de “Belas, Audazes e Perigosas!”. Aí conhecemos esse energúmeno, nossas vidas nunca mais foram as mesmas, e por mais que não demonstrasse certo interesse nele — a princípio —, no fim esses dois resolveram ficar juntos e comprometer todos os anos que trabalhamos em equipe.
E falando no diabo, não demorou muito e o showzinho começou. Até na travessa do corredor para a escada que leva ao andar superior, se podia escutar as vozes eufóricas daqueles dois, discutindo quem será o próximo rei dos idiotas?
O barulho de cômodo sendo arrastado, objetos sendo atirados contra ele, a voz doce e angelical soando e ecoando como um rugido de um leão feroz ao despertar e descobrir que havia sido feito de tolo. Uma discussão sem limites, uma obra prima digna de virar novela das sete. Apenas ria em descontração e tentava não dar a menor atenção à primeira briga do casal 8/80.
— Eu já sei, eu vou falar com ela. — Afirmou categoricamente a Albina, vociferando para meio mundo escutar.
— Calma, coração. Ela não estava levando a sério, aquilo era só… — O outro contra-argumentava, inùtilmente, pois àquela altura do campeonato, nada a faria mudar de ideia.
— Já decidi, Yuu. E é bom que você não se intrometa. — Profundamente irritada, a voz feminina que conhecia bem, se manifestava e podia ouvir seus passos cada vez mais próximos da porta de meu quarto.
— Amor, não ligue para isso, não percebe que ela está só provocando? — Argumentou de forma coloquial, o indivíduo imprestável e mais um soldado abatido por minha causa.
— Mesmo assim, não posso simplesmente ficar em paz, tudo na vida tem limites. E uma mulher, trajando roupas íntimas, dentro do meu quarto e para contemplar; ela está execrando o mesmo homem com quem decidi ter uma relação séria? — Indagou fortemente Mira, já espancando a minha porta, enquanto o seu ficante estava pálido. Quase sem voz, imaginando o pior que poderia acontecer, depois que aquela porta se abrisse.
Com um sorriso confiante no rosto, removi as peças restantes da minha vestimenta e me enrolei em uma toalha. Peguei um jornal com a data de dois dias atrás, o dobrei, segurei por debaixo do braço e calmamente segui em direção a porta. A abri, e por um breve momento, fechei os olhos em uma reação natural, ao ver os feixes de luz transpassando os seus corpos a poucos centímetros à minha frente.
— Huh, Ohayo, Mira! —A saudei, bocejando, enquanto a toalha se desenrolou e revelando assim meu corpo voluptuoso. Fechei um olho de maneira sedutora, sorri maliciosamente para o azulado, que se viu perdido e não parava de encarar as minhas partes — Superiores e Inferiores — e ficou completamente boquiaberto com o resultado.
— Erza… precisamos conversar. Nós três, de uma vez por todas.
— E sobre o que seria? — Indaguei, inocentemente. — Yuu, estou surpresa em te ver por aqui tão obstinado. Não estava assim na noite passada. — Provoquei, o azulado já se tremia dos pés à cabeça, Mira se mantinha firme de pé com seu kimono de coloração roxa e olhava com intensidade bem no fundo de meus olhos.
— Já chega, Erza. A brincadeira acabou e isso já está esgotando a minha paciência. — Ordenou Mira. — Serei franca e direta, quero que pare de atazanar o pobre do Yuu.
— É mesmo? E se eu não parar, o que pretende fazer? Vai chorar pro diretor, como sempre faz nessas situações? Ou será que prefere se enrolar debaixo do edredom do seu neto, o Laxus? — A confrontei com um fato oportuno, da qual me recordei prontamente.
— Espera aí. Você e o Laxus em um caso? E não estamos falando de trabalho? — Questionava Yuu, sem acreditar no que acabara de escutar. — Ai, meu pai. Agora não sei se isso é sério ou se é um assédio circunflexo.
Yuu já demonstrava que, após aquela noitada, não era muito difícil entrar na sua mente perturbada e enlouquecê-lo ainda mais.
— Erza, você sabe que naquele dia, não aconteceu nada. —Comentou ela, abaixando o tom de voz cada vez mais. — Yuu, isso não é o que você está pensando. Não dê ouvidos a ela.
— É Mesmo? Eu poderia contar como tudo aconteceu tão rápido naquela noite, entre vocês dois. Mas, talvez fosse melhor você dizer com suas próprias palavras. — Explicava de forma contundente, sem deixar dúvidas sobre nada.
O silêncio perdurou por um longo tempo, Mira que até então estava determinada a sustentar a sua frágil relação com o cabeça oca-mor. Por sua vez, não conseguia pensar em nenhuma palavra que fosse de qualquer utilidade.
— Erza, onegai! — Pedia ela com uma voz manhosa, após ser confrontada com a realidade, da qual não poderia escapar com facilidade. As lágrimas de angústia e talvez, de arrependimento, escorriam de seus olhos azuis e borravam a pouca maquiagem que retocava a pele de seu rosto.
— Yuu, agora falemos sério. A Mira que você tanto admira, endeusa e glorifica é uma mulher feminina. Ela tem suas falhas, suas carências e também tem seus desejos. — Adverti o fazendo encará-la com um olhar diferente. Não era de desprezo, tampouco acolhedor. —E quando não encontra uma maneira de se satisfazer para se sentir melhor, ela procura se envolver nos braços de um homem de verdade.
— Paixão, mas, isso é…
— Yuu, eu, n-não queria…
O corpo da albina tremulava, à medida em que ela soluçava entre cada palavra que saía de sua boca. Mordia a ponta dos lábios inferior, ressentida em não poder negar o menor dos fatos. Yuu engoliu a seco tudo aquilo, ainda estava processando todas as informações e Mira gesticulava, tentava fazer contato físico discreto. No entanto, seu amado permanecia distante, sua respiração cortada, sua postura cabisbaixa e ele evitava a todo instante dirigir o olhar para ela.
Pois bem lá no fundo, sentia o peso de não ter sido a primeira opção dela, e pela lógica, talvez nem fosse o último segundo o critério rigoroso dela. Afinal, Mira acima de tudo é uma espiã incrível, a arte de saber se relacionar e questões relativas, como amar, por exemplo, estão fora de cogitação para o bem de sua reputação.
Ela tentou se afastar, entretanto, antes que pudesse dar um passo a mais para longe dele. As mãos de seu amado a alcançaram, franzi o cenho como quem estivesse buscando entender aquela reação, Mira virou lentamente o rosto para trás e fitou os olhos marejados em lágrimas. Não de decepção, e sim de um sentimento sólido e profundo, onde havia encontrado reciprocidade e diria que até mesmo cumplicidade.
Podia notar as sombras em seu rosto, a cabeça dele erguida de maneira firme e numa atitude impensada, ele segurou no pulso dela e em seguida entrelaçaram os seus dedos, em um gesto de carinho e compaixão. Seus lábios se moveram formando não apenas uma palavra, mas sim uma frase inteira que iria mudar completamente a minha perspectiva e a percepção da minha amada amiga acerca de toda essa confusão.
— Eu não me importo. Que se dane, se a Mira algum dia já encontrou a felicidade em outro homem. — Declarou abertamente, o Dawnford. Não, o Yuu. — Hoje, eu estou certo e convicto de que não há mais espaço em seu coração para outro alguém, se não a mim. Porque é com essa mulher que eu escolhi passar o resto de minha vida, e será ao lado dessa mulher, Erza, que viverei o resto dos meus dias.
— Yuu. — Ela pronunciou o seu nome, com entusiasmo e esboçando, gradativamente, um sorriso singelo em seus lábios.
— Arigatou! — Mira o agradeceu, encerrando o assunto definitivamente e respirando mais aliviada.
Respirei fundo, olhei de relance para cada um dos dois, soltei o ar que até então seguia preso nos pulmões lentamente. E respondi, sem mais delongas:
— Reequipar! — Enunciei a frase, uma luz dourada cobriu cada parte do meu corpo e em seguida, me encontrava vestida formalmente com minha típica armadura e uma saia que media-se na altura dos joelhos.
Em seguida, os puxei para um abraço respeitoso e sem segundas intenções. E então foi minha vez, diante de uma situação que eu mesmo provoquei. Tomar a palavra e concluir aquele assunto oportuno.
— Seus idiotas. — Murmurei, derramando algumas lágrimas. — Nunca mais me façam ir ao extremo por aqueles que amo, pois saibam que se for preciso eu irei, sem nem pestanejar. Nunca mais!— Finalizei o raciocínio, apertando firme os dois contra o meu peito, com uma voz embargada.
E depois desse momento repleto de ternura e tomada pelo calor de uma verdade única. Encerrei a minha avaliação de conduta, apresentei o relatório aos meus superiores e voltei as minhas atenções para outro assunto importante da casa. Mas sem ignorar ou reduzir a importância de meu papel na missão deles, é claro. Estava confiante de que poderíamos resolver aquilo e os deixei seguir livres até o momento em que iríamos nos rever. E nesse dia, os rumos que a situação tomou seriam completamente diferentes do que imaginávamos. Até lá, vos deixo com esse meu mais breve e rico relato. Nos vemos em breve.
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