Fairy Tail- O Novo Time
2 Uma guilda destruida e lágrimas
Notas iniciais
POV. Gabriel
Já estava a noite quando a Hannah chegou, mas mesmo assim decidimos atacar a guilda das trevas "Death Light", afinal, foi para isso que fomos convocados. Todos já tinham se preparado e estavam animados para a missão, especialmente eu.
Saímos da cabana do Pedro e fomos em direção a floresta, onde disseram que a guilda estaria. Abrimos caminho por entre as árvores, tentando fazer o mínimo de barulho possível, para não chamar muita atenção, mas quando chagamos no local não havia ninguém. Quando eu vi a construção, memórias do meu passado vieram a tona e não consegui me segurar. Fiz várias plantas do tamanho da Death Light saírem do chão e destruir tudo, gritando:
– Aaahhh! — e uma lágrima escorreu pelo meu rosto.
– O que foi isso?! Não era para sermos discretos?! — Hannah me questionou perplexa.
– Está tudo bem com você? Por que está chorando? — dessa vez Marina que perguntou.
– Eu tenho certos problemas com guildas das trevas — disse eu, limpando a lagrima da minha face.
– O que, exatamente? — Marina me perguntou com um tom de voz preocupado.
– Vamos montar o acampamento aqui, já está tarde e acordaremos de manhã cedo — Falei tentando mudar o assunto.
Em seguida arrumamos o acampamento próximo aos destroços, mas em uma área um pouco mais escondida, pois de manhã cedo os magos das trevas chegariam. Percebi que quando estávamos na tenda todos estavam olhando para mim com um olhar curioso, então decidi fazer uma pergunta meio óbvia:
– Vocês querem saber meu "problema", né?
– Sim! — Exclamaram em coro, até o Pedro, surpreendentemente. Então suspirei e contei-lhes:
– Quando eu tinha três anos e meu irmão Logan dez, nossos pais morreram em uma missão e ele passou a cuidar de mim...
– Coitado! Deve ter sido muito triste... — interrompeu Annie.
– Eu ainda era bem pequeno, por isso não me lembro direito, mas a pior parte ainda está por vir: Nós passamos um tempo vagando por algumas cidades e sobrevivendo com pequenos trabalhos do meu irmão e vendendo algumas plantas que conseguia fazer crescer, até que a gente decidiu ir para guilda dos nossos pais, a Lamia Scale. Quando chegamos lá, eu já tinha cinco anos e demorou mais um ano para que meu irmão estivesse habilitado a sair em missões. Um dia ele foi com alguns magos destruir uma guilda das trevas "Dark Claw" e quando o grupo voltou disseram que ele simplesmente desapareceu. Ele foi junto dos outros, mas no final da luta, quando a Lamia Scale perdeu e a Dark Claw fugiu, não estava mais lá — disse com os meus olhos lacrimejando.
– Sinto muito — falou Marina.
– Na época meu poder era muito fraco e eu era muito novo, mas quando recebi essa notícia ocorreu uma explosão de poder dentro de mim. Foi nesse dia que o meu poder realmente aflorou. A partir desse acontecimento eu passei a treinar e melhorar minha magia para poder acabar com a guilda que acabou com meu irmão.
POV. Annie
A história dele realmente me comoveu, mas aquilo parecia loucura! Afinal eu estava presa com três pessoas que eu mal conhecia e estava prestes a contar a elas sobre o meu passado.
– Eu sinto muito... Pelo seu irmão. Sei como é perder alguém que você ama. Eu...Eu vi a pessoa que mais amava desaparecer diante dos meus olhos — hesitei em contar, aquela lembrança era muito dolorosa pra mim. Brinquei com meu colar em forma de floco de neve enquanto me decidia.
– O meu pai usava uma magia muito rara, ele podia convocar espíritos de magos mortos e usá-los para uma luta ou qualquer coisa que quisesse. Quando eu era pequena meu pai convocou o mais poderoso mago de criação de gelo de toda a história para me ensinar tudo que ele sabia sobre a magia. No começo, nossa relação não passava de nada mais além de pupilo e mentor, porém com o passar dos anos fomos ficando mais íntimos, até que nos apaixonamos...
– Se apaixonaram?! Mas ele estava morto! — Pedro falou. Não tinha percebido antes, pois ele nunca nos olha diretamente, mas ele tinha cabelos negros e encaracolados, pele morena e vestia uma blusa preta, calça jeans e uma jaqueta de couro marrom.
– Não me ache louca por amar alguém que está morto, mas por alguma razão, que eu ainda não consegui explicar, conseguíamos sentir isso um pelo outro. Isso não deveria acontecer, ele estava morto e não podia ter sentimentos... Mas ele tinha. Quando meu pai descobriu que estávamos apaixonados ele mudou seu comportamento, passou a ser frio comigo e nossa relação voltou a ser o que era. Eu não passava de uma aprendiz para ele, mas no último dia em que ficamos juntos ele voltou a me tratar bem e a me amar. Isso era bom e ruim ao mesmo tempo, a missão que o meu pai tinha designado para ele já estava concluída e isso significava que nunca mais nos veríamos. Passamos o dia inteiro juntos e no final da tarde ele me deu um presente, esse colar, disse que era para eu nunca esquece-lo. Segundo ele, representa o seu coração que vai estar sempre junto ao meu.
– Nossa isso é realmente triste, por que não pediu pro seu pai para vê-lo novamente? — Hannah perguntou.
– Meu pai nunca aprovou a nossa relação, além do mais é melhor assim, afinal de contas ele não é real, só ia me machucar.
– Mas, ele está morto! Pessoas mortas não têm sentimentos! — Pedro disse perplexo.
– Eu sei! Também nunca consegui entender — tentei dizer segurando o choro.
– Interessante, vou pesquisar sobre esse fato quando acabarmos aqui – logo após dizer isso Gabriel abriu o livro e começou a ler.
– Gente, por favor! É obvio que isso é a magia do amor! — Marina abriu um grande sorriso depois de dizer sua teoria.
– Olha muito legal isso, mas eu me sinto um pouco mal por vocês se abrirem tanto... Sabe, eu não tenho nada pra contar — disse Pedro olhando pra baixo
– Como não? Você não tem nada pra falar? Tipo seu hamster ter morrido... — brincou Marina.
– Não, eu não tenho nenhum passado, não tenho nem memória.
– Como assim não tem memória? — Hannah perguntou assustada.
– Deve ser um certo tipo de amnésia...- falou Gabriel pensando alto.
– Não me lembro de nada que tenha acontecido nesses últimos seis meses. Só de pequenas coisas como, por exemplo, que me chamo Pedro, como usar magia e... Um nome... Yui... Não faço a menor ideia de quem ela seja, mas sinto que tenho que encontrá-la. Tenho tido sonhos com uma garotinha sendo atacada por um demônio, o sonho é sempre o mesmo só muda o local, acredito que essa menina seja a tal Yui.
– Mas você não faz ideia de quem ela seja? — perguntei.
– Não, só sinto que tenho que encontrá-la e protege-la.
– E como ela é? — perguntou Marina parecendo muito interessada.
– Ela é linda, tem cabelos roxos, presos em um rabo de cavalo, uma franja reta, mas o rabo de cavalo é ondulado. E apesar de no sonho ser atacada, os olhos verdes dela passam uma sensação de esperança. Não tem mais de quatro anos.
– Apesar de eu não gostar de crianças ela realmente parece encantadora — disse Hannah tentando esconder que estava maravilhada com a Yui.
– Ela mais do que isso, é doce, linda, fofa, educada... Ela é perfeita. – disse ele.
– Menos entusiasmo por favor — Gabriel imediatamente o cortou — afinal como você mesmo disse ela só tem quatro anos.
– Nossa como você é malicioso... — respondeu Pedro assustado.
– Não sou malicioso, sou realista!
Fale com o autor