Fairy Tail! Aratana Densetsu!

39 Os Dois Lados da Moeda


Notas iniciais
O Nyah voltou *--* E já volto com um capítulo caprichado pra vocês ^^

Grupo 2: Eriol Kimihiro, Diego Darklight, Gabriel Draklight, Nonoka Amahara.

– Será que vocês podem nos dizer para onde estamos indo?

Diego, liderando o grupo, parou de caminhar. Gabriel olhou para seu irmão e virou-se para os outros dois.

– O nii-san não gosta muito de falar disso...

– Somos um time – disse Eriol. – Temos que saber para onde vamos!

O Darklight mais novo suspirou e apontou para baixo. Eriol olhou na mesma direção e o fitou por alguns segundos.

– Por que está apontando para o seu pé?

– Não! Estou apontado para o chão.

O rapaz continuou sem entender.

– Estamos descendo, Eriol – Explicou Diego. – Nosso destino é o Submundo.

Eriol e Nonoka ficaram assustados. A palavra “Submundo” já lhes causava arrepios, e o fato de precisarem ir até lá os deixava apavorados. Entretanto, Diego havia dito aquela palavra naturalmente, como se não tivesse problema algum com aquele lugar.

Diego continuou a trilhar seu caminho. Gabriel correu até alcançar o irmão, ficando ao seu lado em silêncio, como se quisesse consolá-lo. Os outros dois novamente ficaram atrás, estranhando o estado do Darklight mais velho. Eriol, como seu melhor amigo, estava preocupado; ele estava estranho desde o início da missão. Na verdade, estava curioso desde a chegada de Gabriel, quando os dois saíram para conversar e voltaram meio tensos, além do fato de ele ter deixado a calma de lado após Nadeshiko dizer que o tal Hayato era o Kenta. Por sua vez, Nonoka mal conhecia aqueles três; havia ajudado a Fairy Tail na Caverna Obscura, e só. E mesmo assim não podia deixar que aquele clima desagradável tomasse conta do grupo. Ela apressou-se em ficar na frente de Diego, abriu um sorriso e disse:

– Muito bem! Trabalhando em equipe, podemos acabar com isso bem rápido!

A garota apontou para o caminho a sua frente antes de continuar andando. Com o movimento, Diego pôde ver uma marca escondida pela manga de sua camisa. Foi até ela e segurou seu braço, puxando a manga para ver melhor: era uma cicatriz, a marca tomava uma forma que deixava a impressão de ter sido uma queimadura.

– O que é isso?

Gabriel e Eriol aproximaram-se para ver de perto. Nonoka logo libertou seu braço das mãos do rapaz.

– Não é nada – ela disse, com um sorriso fraco no rosto. – Então, vamos?

Os garotos trocaram olhares, todos pensando a mesma coisa: estranho.

O grupo 2 continuou o caminho, novamente com Diego e Gabriel na liderança, guiando os colegas em direção ao tão terrível Submundo. Caminharam por um bom tempo em silêncio. De vez em quando o mais velho dos irmãos olhava para trás, encarando brevemente a maga da Blue Pegasus. O usuário da Arrow Magic ficou a observar o amigo, cada vez mais intrigado com seu comportamento.

– Diga logo, Diego. O que você tem?

Pela segunda vez o rapaz virou-se para encarar o outro.

– Como assim?

– Você está estranho desde o começo da missão. E fala do Submundo de um jeito tão... Natural. Não parece ter medo do inferno, e isso é meio assustador.

– Eriol, eu realmente não tenho medo do Submundo. Tenho a mente forte, apenas isso.

– Qualquer humano comum fica arrepiado só de ouvir essa palavra. É muito estranho que você não tenha nenhuma reação.

Gabriel baixou o olhar, desconfortável com aquela situação. Diego desviou o olhar. Como encarar o amigo que havia lhe contado tudo a seu respeito, confidenciado seus segredos, seus sonhos e pesadelos, e que estava sempre ao seu lado?

– Você está escondendo algo de seu melhor amigo, Diego? Que decepção.

Eriol era um amigo para a vida toda, e se Diego quisesse manter aquela amizade, não podia trair sua confiança.

– Tudo bem. É melhor vocês se sentarem.

Os quatro ficaram sentados numa clareira. Eriol e Nonoka, os únicos que não sabiam de nada até então, fitavam os irmãos Darklight com curiosidade. Os dois se entreolharam. Por fim, Diego soltou um suspiro e, ainda sem encarar Eriol, começou a contar:

– Nós não somos mortais como vocês. E quando digo isso não estou os desprezando, é só que... Bem... Não temos sangue humano. Gabriel e eu somos filhos do deus do Submundo e da deusa do Mundo Celestial.

–--

12 anos atrás...

Diego, com 6 anos, descansava no colo de sua mãe. Preferia ficar com ela no Mundo Celestial a ficar com o pai no Submundo. Sua mãe era uma mulher divinamente bela, o fato de ser uma deusa era apenas um complemento. Tinha longos e sedosos cabelos castanhos claros, olhos azuis cristalinos, pele macia e quase tão branca quanto a neve. Em seu rosto sempre se encontrava um sorriso gentil e aconchegante, que sempre acolhia seus amados filhos.

Ela abraçava o menino carinhosamente, sentada em um pequeno sofá sob a agradável sombra de uma árvore, enquanto observava seu filho caçula admirando a grande diversidade de flores naquele belo jardim. Gabriel puxara aquele gosto por jardinagem da mãe, adorando ficar horas ali apenas para admirar e aproveitar o aroma das flores.

– Bom dia, mamãe.

A deusa virou os olhos serenos na direção de seu primogênito, que a olhava com um olhar sonolento.

– Bom dia, criança. Dormiu bem?

– Sim – respondeu o menino. – Não podemos ficar aqui com você para sempre? Não quero ficar com o papai.

– Desculpe, Diego, mas não temos escolhas. Ele é o pai, tem direito de ficar com vocês. E como você brincaria com o Hayato se ficasse sempre aqui?

– Mas... Eu posso ter novas amizades.

A moça riu, bagunçando os cabelos do menino carinhosamente.

– Sim, você poderia, mas nenhum amigo novo preencheria o vazio da perda de uma amizade. Pois todos nós somos únicos por termos nossas próprias características, nossas próprias formas de pensar. Lembre-se disso, meu filho: não se pode substituir ninguém.

Diego assentiu, ajeitando-se no colo de sua progenitora. Gabriel notou que seu irmão já despertara se correu até o banco, sentando ao lado deles e sendo envolvido pelo braço da mãe.

– O portal será aberto daqui a alguns minutos. Há algo que vocês queiram fazer?

As crianças nem precisaram pensar duas vezes antes de abraçá-la. Foi Gabriel quem respondeu sua pergunta:

– Queremos ficar com você. Para sempre.

– Oras, vocês não podem ficar aqui para sempre, assim como não podem ficar eternamente no Submundo. Algum dia vocês terão que conhecer o mundo mortal, se relacionar com outras pessoas.

– Mas poderemos vê-la quando quisermos – disse Diego. – Somos imortais.

A deusa o encarou por longos segundos, o olhar ainda calmo.

– Certamente. Mas digam, vocês querem ser imortais? Viver eternamente, vendo aqueles que amam morrer? A imortalidade por ser uma benção ou uma maldição, dependendo da forma como vocês a usam.

– Eu te amo, mãe. E a senhora também é imortal – respondeu Gabriel.

Nesse momento, um círculo de luz surgiu no meio do jardim.

– Pensem mais um pouco – sugeriu a deusa – e respondam quando nos encontrarmos novamente.

As crianças despediram-se da mãe, pegaram suas coisas e pararam no meio do portal. Uma forte luz os forçou a fechar os olhos. Quando os abriram, já estavam no triste e medonho cenário o qual chamavam de “segunda casa”: o Submundo.

–---

– Espere aí!! Quer dizer que vocês são imortais?!

– Calma, Eriol – disse Diego. – Estamos no começo da história!

O rapaz gemeu, impaciente.

– Vá logo ao ponto, essa enrolação tá me matando!!

Diego suspirou, enquanto Gabriel e Nonoka riam da impaciência do colega.

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Os meninos estavam acostumados a viver no Submundo, o único problema era o deus dali. O pai dos garotos sempre exigia que eles fossem Dark Mages, que honrassem seu nome e sua raça. Porém, nunca foi capaz de demonstrar carinho pelos filhos, fazendo-os duvidar de seu amor paterno. O deus do Submundo parecia ser um homem livre de emoções, o corpo enorme preenchido apenas por arrogância, egocentrismo e poder. Apenas uma pessoa os fazia ficarem bem naquele lugar.

– Diego! Gabriel!

Aquela pessoa era Hayato.

O garoto de 6 anos corria na direção dos irmãos com um sorriso travesso estampado no rosto. Tinha cabelos negros curtos e bagunçados, olhos castanhos avermelhados e pele levemente amorenada. Ele parou na frente de seus amigos e eles caminharam juntos até um canto mais afastado para poderem conversar e brincar.

Os pais de Hayato eram ausentes, estavam sempre sofrendo no trabalho que todos os adultos têm de aguentar. O Submundo não era habitado apenas pelos mortos, como também por almas pecadoras e sofridas que deveriam pagar por seus pecados. Acreditava-se que os pais do garoto sofriam da mesma forma, porém, ele nunca quis falar sobre isso.

Os irmãos Darklight contaram à ele sobre o que a mãe os dissera: que a imortalidade podia não ser algo bom, que eles deveriam conhecer o mundo mortal... Afinal, Hayato deu sua opinião.

– Eu queria ser imortal. Viveria até o fim do mundo e saberia exatamente o que o causou. Se a humanidade for completamente corrompida antes disso, eu mesmo o farei.

– Você parece um adulto maluco falando assim – observou Diego.

– Hayato é estranho – provocou Gabriel.

– Vai engolir essas palavras, pirralho.

O moreno começou a correr atrás do menino, ambos rindo sem parar. Diego os observava com um sorriso no rosto, mas não se juntou a eles. Sua mãe certa vez o dissera que as pessoas crescem mais rápido naquele inferno, e ela tinha toda razão. Uma prova disso foi a fala de Hayato. Nenhuma criança daquela idade deveria ter pensamentos desse tipo. O menino de olhos vermelhos vivia dizendo que seria alguém importante um dia, mas destruir o mundo o tornaria importante? O mundo perfeito era uma mera ilusão. Você não pode mudá-lo. Mas você pode mudar as pessoas. Era o que a deusa do Mundo Celestial vivia repetindo quando seus filhos ficavam com ela, e Diego ainda não compreendia totalmente.

O garoto logo se levantou e começou a correr atrás deles, completando o trio. Três crianças sorridentes brincando no Submundo... É, talvez cada um tivesse seu modo de ver o mundo perfeito.

Mas então Hayato desapareceu.

No dia seguinte, os irmãos ficaram o esperando naquele mesmo canto de sempre, mas ele não apareceu. Também não apareceu no outro dia. Ele nunca mais deu as caras.

– Nii-san, será que ele morreu? – Preocupou-se Gabriel.

– O Hayato é forte e você sabe disso. Ele não morreria por qualquer coisa – respondeu o mais velho, segurando em sua mão. – Eu juro que ele vai voltar!

Os anos foram se passando. Os garotos treinavam com o pai por pura obrigação. Aos 15 anos, Gabriel dominava muito bem a Dark Magic. Diego, com 16, também era ótimo , mas deixava bem claro que não desejava ser um Dark Mage.

– Está dizendo que não irá honrar meu nome?! – Rugiu seu pai certa vez. – Você é meu filho! Tem que ser um Dark Mage!

– Não é isso o que eu quero. E como um pai você deveria me apoiar, tanto faz o caminho que eu seguir.

– Nunca! Não quero saber o que você quer! Não passarei a mão na cabeça de um filho rebelde como você!

– Só estou pedindo para que seja um pai pelo menos uma vez.

– Se você negar seguir o caminho de um Dark Mage – disse o deus. – Esqueça que é meu filho. Saia daqui. Vá viver com a idiota da sua mãe e nunca mais pise em meu reino com vida!

Diego hesitou. Não pelo pai, e sim pelo irmão. Olhou para Gabriel e teve certeza que o caçula ficaria completamente solitário naquele lugar.

– Eu vou. E o Gabriel vem comigo.

– O Gabriel fica! – Gritou o deus.

Não adiantava discutir. Gabriel assentiu para o irmão tristemente, querendo que ele fosse morar com a mãe e aperfeiçoasse sua Light Magic. Mais ainda: queria que ele fosse feliz.

– Tudo bem – disse Diego, entendendo a vontade do irmão. – Eu vou. Também não quero mais olhar para essa sua cara feia, então peço para que deixe meu irmão nos visitar lá em cima.

– Esqueça. Você nunca mais o verá.

Aquilo o chocou. O mais velho novamente olhou para Gabriel, que não havia mudado de ideia. Ele apenas abriu um sorriso triste. Ele aproximou-se do caçula e sussurrou em seu ouvido:

– Papai não governa o mundo mortal. Podemos nos ver lá.

E assim, Diego foi embora. Um portal foi aberto para levá-lo ao Mundo Celestial, onde viveria com a querida mãe.

Dias depois, o Mundo Celestial foi destruído. O único que saiu com vida de lá foi Diego. Sua mãe era imortal, por isso ficou procurando por ela desesperadamente ao cair no mundo mortal, mas não a encontrou e nem conseguiu entrar em contato por meio da magia. Tentou criar portais com a Light Magic, mas eles não levavam a lugar nenhum. Naquele momento, sozinho num lugar desconhecido, sem seu irmão, sem seu grande amigo e sem sua mãe, Diego finalmente achou uma resposta para uma pergunta que a deusa fez 10 anos antes.

A imortalidade é uma maldição.

–---

O céu já estava ficando escuro. Todos os quatro continuaram quietos. Diego olhou para seu irmão e para seu melhor amigo. Devia um pedido de desculpas a eles.

– Sinto muito, Gabriel. Devia ter ignorado o papai e te procurado assim que o Mundo Celestial foi destruído. Desculpe, prometo que nunca mais sairei do seu lado.

Gabriel sorriu e abraçou o irmão.

– Eu também. Estarei ao seu lado para o que der e vier.

Eles se afastaram e Diego encarou Eriol.

– Foi mal, cara. Você é meu melhor amigo. Eu devia ter te contado isso há muito tempo.

– Eu que peço desculpas. Não podia te obrigar a contar isso, algumas coisas devem mesmo ser guardadas para nós mesmos.

O Darklight mais velho sorriu e estendeu a mão para o rapaz. Eriol o cumprimentou e, não deixando a brincadeira de lado, disse com um sorriso brincalhão:

– Chantagem emocional sempre funciona!

...

A noite caiu e os quatro decidiram acampar ali mesmo. Eriol acordou no meio da noite e afastou-se lentamente da clareira. Num lugar mais afastado, agitou a mão no ar e uma flecha mágica surgiu, sendo disparada na direção de uma árvore. A flecha parou bem no meio do tronco.

– Boa mira.

Gabriel aproximou-se do arqueiro, que ficou surpreso por ser descoberto.

– Também não conseguiu dormir? – Perguntou Gabriel.

– Não. Fiquei bem perturbado com a história de vocês – disse Eriol. – Sinto muito.

– Está tudo bem. Já foi.

Eriol deu de ombros e retomou seu treino. Atingiu mais duas flechas perfeitamente no meio do tronco, surpreendendo Gabriel com sua perfeita precisão.

– Ei, Eriol – chamou-o. – Que tal uma luta?

– Uma luta? Agora?

– Sim! Com tudo o que você tem, por favor.

O rapaz hesitou um pouco, mas aceitou o desafio. Afastou-se do garoto e criou uma estátua de anjo flutuante, que ficou em sua frente encarando o adversário com aqueles olhos estáticos e penetrantes. Uma espada feita de magia apareceu diante da estátua.

Lord of Weapons – disse ele.

Por sua vez, o corpo de Gabriel ganhou um contorno negro. Em suas mãos, o contorno ficou em forma de garras. Ele ficou mais rápido, mas forte e mais resistente, abriu um meio sorriso e preparou-se para a luta.

Darkness.

Assim, deu a primeira investida.

...

Nonoka também havia acordado naquele horário. Afastou-se da clareira e seguiu o caminho contrário de Eriol e Gabriel. Sacou três chaves e utilizou todas ao mesmo tempo. Aquilo drenava grande parte de sua energia, mas Nonoka podia aguentar.

Em sua frente surgiram seus Espíritos Celestiais: um jovem ruivo usando óculos e um terno, com um ar elegante; uma mulher de cabelos negros com a boca coberta por um pano, vestindo-se como uma dançarina do ventre; um bode elegante com óculos escuros e com trajes de um mordomo.

– Como posso ajudá-la, minha dama? – Perguntou o primeiro, Leo.

– Creio que ainda esteja em dúvida sobre aquele assunto – disse o bode, Capricorn.

A mulher, Libra, continuou quieta, mas Nonoka sabia que podia contar com ela.

– Sim. Todos eles são muitos legais, tanto o pessoal da Pegasus quanto da Fairy Tail e da Eletro Magic. Não sei se posso continuar mentindo...

– Então diga a verdade – sugeriu Leo. – Você sabe que nunca estive de acordo com isso.

– Eu sei. Eu também não gosto disso, mas...

– O que tanto teme, senhorita? – Indagou Capricorn. – Eles não estão a ameaçando.

– Eu sei. Mas eu ainda não desisti de meu objetivo, e eles são os únicos que podem me ajudar nisso.

– Ou talvez você esteja sendo iludida – ponderou Leo.

Nonoka baixou a cabeça. Já tinha pensado nisso, podia estar se arriscando tanto para nada. Porém, seus pensamentos foram interrompidos ao ouvir a voz de Diego.

– O que está acontecendo aqui?

A garota virou-se assustada. Os três Espíritos apenas encararam o rapaz calmamente.

– Diego, eu...

– A verdade – disse ele. – Por favor. Eu só quero te ajudar.

Notas finais
No próximo... (narrado por Yume) Hiromi lutando pela Akane... Sinto tanto por ele, deve ser um sofrimento enorme. Eu tenho que ajudar. Essa é uma batalha de Dragon Slayers. Preciso defender o nome de minha raça e proteger meus companheiros! Não percam o próximo! "Uma Questão de Honra!"