Fairy Tail! Aratana Densetsu!
40 Uma Questão de Honra!
Notas iniciais
15 de Agosto, Mt. Haboke...
Tudo o que Hiromi conseguia sentir naquele momento era raiva e nojo. Jazia derrotado no chão, sendo encarado pelos olhos impiedosos de Kazuo e tendo de assistir ao sofrimento de sua amada. Chegou a se sentir um inútil por não conseguir protegê-la. Escondia sua vergonha na neve fofa do Mt. Haboke, esperando que aquela nevasca o congelasse de uma vez. Nyra tentava levantá-lo, mas ele não sairia de lá até aquele pesadelo acabar.
Esse era o problema: aquilo só acabaria se ele fizesse algo.
Akane gemeu novamente, e aquilo foi o suficiente para despertá-lo. Finalmente aceitou a ajuda de Nyra e levantou-se, colocando todo o seu ódio no olhar. Kazuo percebeu aquilo e mostrou um meio sorriso, subestimando-o por ter um corpo tão magro.
– O que a raiva não faz com as pessoas? — Refletiu ele. — Sempre nos sentimos mais poderosos quando estávamos furiosos... Mas você não vai me vencer com uma mera ilusão de poder.
– Você está errado — retrucou Hiromi. — O que estou sentindo agora não é uma ilusão de poder. Minha força vem da vontade de proteger Akane, e pode ter certeza de que é real.
Assim, um contorno brilhante surgiu em volta de seu corpo. A nevasca ficou mais furiosa de repente, a neve encontrada no chão o envolveu por um momento. Hiromi se encontrou dentro de um vórtex de neve. Então ela se dissipou, revelando a armadura dele. Era azul gelo, capacete da mesma cor com vidro, enfeitada por meteoros em forma de cristais, em suas mãos encontravam-se luvas com garras.
– Reequip: Ice Armor!!
Uma foice de diamantes surgiu em sua mão, e Hiromi partiu para o ataque, movido pela raiva e pelo desejo de proteger a amada. Seu coração fora destruído no momento em que a viu como prisioneira de Kazuo. Não tinha nada a perder, a salvaria mesmo que isso custasse a sua vida.
O Dragon Slayer desviou-se agilmente, empurrando-o para o lado com chute na sequência. Hiromi tratou de se recuperar logo. Segurou uma corrente no cabo de sua foice e a jogou na direção do adversário, a corrente estendendo-se infinitamente. Kazuo desviou da arma, e em seguida usou seu rugido, soprando um monte de neve na direção de seu oponente.
– Yukiryuu no Hokõ!!
O golpe bateu direto no rapaz, que continuou parado. O rugido não adiantou nada; Hiromi continuou praticamente intacto.
– Habilidade Cub — explicou ele. — Com essa armadura me torno resistente à temperaturas negativas. Não espere me congelar com isso.
– Ah, não? Então parece que terei de atacar seu ponto fraco.
Kazuo aproximou-se de Akane e puxou seu cabelo com força para levantá-la. Sua boca atada a impedia de gritar, mas só sua feição de sofrimento causava uma dor insuportável no peito de seu namorado.
– Solte-a, seu covarde! Essa luta é entre nós dois!
Sua aflição parecia apenas divertir Kazuo, que sorria enquanto continuava a erguer a pobre garota. Hiromi avançou novamente, mas antes que pudesse atacar Kazuo colocou a garota em sua frente como uma refém e aproveitou a hesitação do rapaz para derrubá-lo no chão com um soco potente.
Assistindo aquela luta ao lado de Nyra e Willy, Yume estava indignada, tanto que já estava quase chorando por ver o sofrimento de Hiromi. Não só por aquela ser uma batalha injusta, como também por ofender sua raça. Conhecia outros Dragon Slayers, e todos eram pessoas boas, de sua própria maneira... Ace, Ammy, Dante, Natasha... Mas aquele Kazuo era um monstro! Não merecia o título de Dragon Slayer.
Ela aproximou-se de Kazuo antes que Hiromi pudesse se levantar. Seu colega de grupo a olhou sem entender nada, até que percebeu que a garota pretendia assumir a batalha.
– Não Yume, essa luta é minha! Ele sequestrou minha namorada, não posso ficar só observando!
– Essa luta também é minha — disse ela, em seguida apontando para o Dragon Slayer da Neve. — Kazuo Nakamoto, você é uma vergonha para a nossa raça! Um verdadeiro Dragon Slayer deve usar seus poderes apenas para proteger aos outros! Mas você machucou uma garota inocente, e isso eu não posso perdoar!
– Não venha com sermões. Esse papo de honrar nossa raça é pura besteira. Quando alguém é poderoso ele pode escolher o que quer fazer com sua força, e eu escolhi humilhar os fracos!
– Você é só um covarde se fazendo de forte.
Aquilo sim conseguiu irritá-lo. O vilão jogou Akane bruscamente no chão.
– Então tente provar seus argumentos estúpidos! Lute comigo, e se conseguir me vencer eu liberto essa inútil!
A garota olhou para Hiromi, que assentiu, deixando a luta nas mãos dela. Então Yume abriu um sorriso desafiador e fez algo que nunca pensou que faria: imitou Ace.
– Parece que eu vou ter que te espancar pra caramba.
E ela avançou, começando o duelo de Dragon Slayers.
Ambos colidiam socos e chutes, joelhadas e cotoveladas numa velocidade incrível. As escamas de Yume já apareciam, enquanto as de Kazuo nem davam sinais de existência. A garota conseguiu soprar milhares de fragmentos de rochas bem na cara do rapaz.
– Tsuchiryuu no Hokõ!!
Kazuo foi jogado para trás, mas nem mesmo isso o fez desistir. Como se não tivesse neve ali, Kazuo avançou velozmente, com o punho envolto por várias camadas de neve.
– Yukiryuu no Tekken!!
Yume cambaleou, mas não chegou a cair; suas escamas puderam deixá-la mais resistente. Pulou o mais alto que pôde e investiu com um chute, com milhares de pedras a envolvendo.
– Tsuchiryuu no Kagizume!!
O rapaz desviou. Correu para o lado, deu a volta e parou atrás da jovem em questão de segundos.
– Você está em meu território — sussurrou.
E a derrubou com um forte golpe no pescoço. Yume permaneceu no chão por alguns instantes, abalada e com vergonha por ter sido derrotada numa luta tão importante. O pior era saber que Hiromi assistia àquilo e que Akane congelava naquele ambiente gélido. O garoto depositara suas esperanças na Dragon Slayer. A vida da refém dependia dela. Yume sabia que não podia perder ali, porque sua derrota poderia significar a morte de uma inocente.
Enquanto Kazuo a olhava com desprezo, ela foi recuperando suas forças e erguendo-se aos poucos. Finalmente ficou de pé e o encarou com todo ódio possível.
– Para o inferno com seu território.
Assim, afastou-se um pouco e ergueu os braços. Inúmeras pedras se juntaram em torno de seus braços como duas asas, Yume os agitou e todas foram na direção de Kazuo ao mesmo tempo.
– Tsuchiryuu no Yokugeki!!
O mago da Pegasus foi pego de surpresa, sendo jogado no chão pela segunda vez. Levantou-se com dificuldade e avançou com raiva, concentrando a neve em sua mão até que uma garra foi formada.
– Yukiryuu no Saiga!!
O golpe cortou a garota na região do abdômen. Ela colocou a mão sobre o ferimento na tentativa de estancar o sangue, sem sucesso. Preservando a defesa, Kazuo deu cambalhotas graciosas para trás, afastando-se de sua oponente.
– E então? Não é melhor desistir de uma vez? — Disse ele.
– Nunca — disse Yume, a voz enfraquecendo. — Eu... Não posso me dar o luxo de desistir.
Kazuo se sentia estranho... O que seria aquela sensação? No fundo não queria machucar a garota, muito menos Akane. Não queria mais fazer aquilo. Tudo o que desejava era voltar pra casa e acabar com aquele pesadelo. Deixe de besteira, disse uma voz em sua mente. Você tem uma missão a cumprir! Acabe com esses lixos de uma vez!
Ele acabou ouvindo essa voz.
Utilizando todo o seu poder, reuniu uma grande quantidade de neve em torno de seu corpo. Um brilho branco contornou seu corpo, e a terra começou a tremer. Uma avalanche com certeza viria em pouco tempo, mas Yume nem pensava nisso naquele momento.
O mago avançou com tudo. A neve lhe deu velocidade, e aquela aura parecia deixá-lo ainda mais poderoso. A maga da Fairy Tail rapidamente sacou uma de suas pistolas e a recarregou com uma estranha munição. Mirou em Kazuo e esperou até que ele estivesse numa distância em que não pudesse se desviar.
– Você disse que as pessoas poderosas podem escolher o que fazer com sua força ela disse. Eu escolho proteger meus companheiros. Proteger meus amigos e todos aqueles que amo.
Kazuo já estava bem perto dela, parecendo mais furioso ainda.
– Isso é ser um Dragon Slayer.
O rapaz estava prestes a atacá-la quando Yume disparou. Foi como se tudo estivesse em câmera lenta: numa fração de segundos a munição especial permitiu que a pistola disparasse um raio potente e devastador, atingindo Kazuo diretamente e obrigando os outros a se afastarem. Hiromi apressou-se em abraçar Akane na intenção de protegê-la segundos antes de Yume puxar o gatilho. Nyra e Willy correram e se jogaram no chão, tampando os ouvidos. O resultado daquele disparo foi uma grande área devastada e um corpo caído no chão com marcas de queimadura pelo corpo inteiro. Yume sentiu-se mal só de pensar que ele podia estar entre a vida e a morte. Contudo, antes ela devia se preocupar com a avalanche que estava por vir.
A montanha tremeu furiosamente. Eles sabiam que precisavam fugir, só não sabiam para onde. E tinham outro problema: além de estar com um grave ferimento, Yume aproximou-se de Kazuo, indicando que não sairia dali sem ele.
– Mas ele é o inimigo! Disse Willy. Ele é o vilão da história, deixe-o aqui!
– Como pode dizer isso? Ele é um membro da sua guilda! — Defendeu-o Nyra. Concordo com a Yume. Não podemos deixá-lo aqui para morrer. É desumano.
– Não vou ser contra nem a favor em levá-lo conosco, só quero saber como vamos escapar dessa disse Hiromi enquanto tirava a faixa da boca de Akane e desamarrava seus membros.
Não tinham tempo para pensar em um plano; a avalanche chegou. Aquele monte de neve caiu bem onde eles estavam demonstrando toda a sua fúria por terem ousado fazer bagunça por ali. O jeito era pensar rápido. Hiromi equipou-se de ma armadura branca com partes escuras feita de um material super resistente, a parte de baixo composta por uma calça e botas brancas, a parte de cima composta por uma camisa de mangas longas coberta por ombreiras enormes e braceletes que iam até os cotovelos, de onde saíam dois enormes e resistentes escudos que podiam defender qualquer coisa.
– Reequip: Adamantine Armor!!
Hiromi mandou que todos ficassem atrás dele. Aquela neve mortal desceu e continuou em frente até se aproximar dos jovens. O rapaz juntou os escudos e um círculo mágico surgiu diante de si, protegendo a ele e seus colegas de grupo da avalanche.
Por fim, sua defesa venceu a natureza. A avalanche parou por ali, todas aquelas camadas de neve permaneceram no mesmo lugar, resultando em uma área mais volumosa do que a outra. Hiromi voltou ao normal e caiu de cansaço. Akane correu em sua direção e o abraçou com força. Eles ficaram por um instante em silêncio, transmitindo calor um para o outro. Enquanto observavam a cena os outros três se perguntavam como não haviam congelado ainda. Só podia ser por causa do calor da batalha, a empolgação, a ansiedade e a raiva os mantendo vivos.
– Sabia que você iria conseguir — falou com a voz fraca.
– O que... O que aquele cara fez com você?
– Acho que podemos deixar isso para depois.
Nyra e Willy sorriam vendo aquele reencontro. Yume colocara a cabeça de Kazuo em seu colo, e não pôde esconder um leve sorriso ao saber que ele estava respirando; algo que Nyra logo notou.
– Ei Yume, você não tem namorado?
– O quê...? — Estranhou ela, só então entendendo a pergunta. — Nem brinca com isso! Eu amo o Nick, só me preocupo com os outros!
A outra garota riu com a própria brincadeira, mas parou assim que viu o Dragon Slayer da Neve, por mais inacreditável que pudesse parecer, abrindo os olhos.
– Isso foi... Incrível — murmurou. — Agora eu entendo. Era por isso que Kenta queria tanto nos impedir. Agora eu finalmente posso compreender... Dragon Slayers não existem para destruir. Existem para proteger.
Yume riu docemente.
– Nós destruímos um pouco também.
Kazuo abriu um singelo sorriso.
– Pois é, você me destruiu. Mas foi graças à isso que pude perceber que estou no lado errado, e infelizmente não posso fazer nada para mudar isso. Mas vocês podem.
Todos se interessaram ao ouvirem isso.
– O jeito de impedir essa desgraça... A única maneira de impedir esse caos... — Murmurou com a voz tremida, o que apenas assustava aqueles ao seu redor. Por fim, engoliu em seco e tentou falar com a voz mais firme. — Eu, Kouji e Kenta. Os irmãos Nakamoto devem morrer.
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