Fairy Tail! Aratana Densetsu!

44 Contos de Dois Irmãos


Notas iniciais
Bom dia/tarde/noite ^^ Como vão todos? Aqui está um novo capítulo saindo do forno ^^

Manhã do dia 16 de Julho de X849...

Era inacreditável.

Depois de anos procurando por seu irmão, Elijah finalmente estava diante dele. Mas aquele não era seu irmão. Malik tinha mudado muito, e por algum motivo desejava a morte do irmão mais velho. Muita coisa tinha acontecido nesses anos em que os irmãos Allucard tinham ficado separados. Elijah e Malik seguiram caminhos completamente diferentes.

Isso era muito triste.

Elijah sonhava com o dia em que encontraria seu irmão. Imaginava uma cena emocionante, e que cada um diria o que viveu em todo esse tempo. Imaginou que Malik lhe mostraria sua magia e pediria para entrar na Fairy Tail. Imaginou que eles se juntariam para relembrar algumas histórias da infância. Imaginou que sentiria orgulho do caçula. Agora, o que sentia era nojo, coisa que não queria sentir de forma alguma. Quando soube que Malik estava na Phantom, sentiu um aperto insuportável no peito. Ainda havia esperanças de que ele estivesse planejando algo contra a guilda que matou seus pais. Mas agora não lhe restava dúvidas de que Malik realmente tinha ido para o lado deles.

E para piorar a situação, Elijah também tinha que confrontar com Dylan, o irmão de Mia, que estava sob efeito da magia de possessão de Malik. Ele não podia machucar o irmão de sua amiga. Seja lá o que tivesse os separado, Dylan estava claramente contra eles, mas ainda assim isso era algo que apenas Mia podia resolver.

– Deixe de ser covarde! – Exclamou Elijah – Isso é entre nós dois!

– Bem, ninguém disse que seria uma luta justa.

Por outro lado, Malik não tinha esse problema. Tinha se tornado uma pessoa tão suja que não se importava em machucar o próprio companheiro.

– Vamos começar, Dylan. Com Fueco!!

A magia de Malik fez com que Dylan socasse Elijah com uma força assustadora. O azulado foi jogado longe e colidiu com uma árvore. Com o impacto, cuspiu um pouco de sangue. Várias folhas caíram e o tronco rachou, estando muito perto de cair.

– Então, mano? Já vai desistir?

– Não... Eu vou acabar com a sua raça. Irei vingar meus amigos que você machucou!

Um relâmpago surgiu e envolveu Elijah. Com sua magia, podia controlá-los como bem entendesse. E usaria esse poder para derrubar Malik de uma vez por todas.

– Está disposto a ferir seu irmãozinho?

– Você não é meu irmão. Meu irmão está morto.

Mais relâmpagos surgiram em volta do rapaz.

– Você é só um desgraçado que veio atrapalhar nossos planos.

Ele não pensou que doeria tanto dizer aquelas palavras.

– Que bom que você não me vê mais como um irmão. Nós nunca fomos parentes mesmo!

Elijah ao menos teve tempo para perguntar o que ele queria dizer; Malik logo deu um novo comando à sua marionete.

Volante!!

Dylan disparou um raio poderoso na direção de Elijah. O rapaz juntou seus relâmpagos para formar uma barreira, mas sabia que isso não adiantaria muito. Porém, estando encurralado, não tinha muitas opções.

Por sua sorte, alguém caiu diante de si e criou uma barreira enorme, capaz de desviar o raio para outro lado, causando uma explosão.

Sua protetora tinha uma pele estranha, que parecia uma fantasia rosa com listras pretas. Duas asas de morcego, além do cabelo extremamente comprido, agora amarrado em uma trança, que a deixava inconfundível.

– Mortis?

– Elijah! E então, ainda acha minha magia esquisita?

O rapaz riu de leve.

– Pena que não temos nenhum espelho por aqui.

– Mas... Como?! – Malik se espantou. – Você já deveria estar morta!

Mortis riu.

– Digamos que sou um pouco sortuda.

Nesse momento, Lucky apareceu voando numa velocidade incrível, mergulhando em direção aos inimigos. Deu uma cabeçada potente na barriga de Dylan. O mesmo caiu e despertou da magia de Malik.

– Você é um canalha, Malik. – Dylan tentou se levantar, mas começou a sentir as dores causadas pelo ataque do Exceed.

– Só porque nossas guildas são aliadas, não significa que somos aliados também – revidou o vilão.

– Espera, vocês não são da mesma guilda? – Perguntou Elijah.

– Não. Apenas Malik é da Phantom Lord, uma guilda aliada à minha e do Jet. – Dylan estendeu o braço. Em seu antebraço havia a marca de um castelo completamente negro, como um castelo mal assombrado. – Realm of Darkness.

Mortis trincou os dentes ao ouvir aquele nome.

– Você é dessa guilda...?

A garota avançou furiosamente para cima do irmão de Mia. O rapaz se surpreendeu com o ataque repentino, se levantou com dificuldade e disparou contra ela uma rajada de chamas negras. Uma barreira transparente envolveu Mortis, e as chamas foram refletidas para todos os lados. Elijah abraçou Lucky com a intenção de protegê-lo e se abaixou, Malik deitou no chão, e Dylan se pôs na frente de Mia. Mortis lançou esferas transparentes contra seu adversário, que não tentou desviar; se o fizesse, sua irmã seria atingida. Ao invés disso permaneceu de pé no mesmo lugar, recebendo todos os danos.

– Ei, Dylan! Una-se a mim e juntos acabaremos com eles! – Propôs Malik. – Me deixe controlar você de novo!

– Não dessa vez.

Elijah apareceu atrás de seu irmão e o socou. O vilão foi lançado para o outro lado da área, e logo o mago da Fairy Tail surgiu atrás dele novamente, o chutando para baixo com seu poder elétrico. Malik abriu um buraco no chão com a força do golpe.

Lucky passou pela luta de Mortis e Dylan e segurou Mia, voando para levá-la para longe da confusão. Enquanto isso, seu irmão mal conseguia se defender dos ataques de sua adversária, que por algum motivo demonstrava um ódio enorme por ele.

No outro lado, Elijah conseguiu encurralar Malik, mas o mago da Phantom não lutava apenas com marionetes. Um círculo mágico surgiu sobre cada uma de suas mãos, e nelas apareceram luvas roxas enormes com garras. Malik cortou o peito de Elijah para afastá-lo. Ele caiu no chão gemendo de dor, seu irmão se recuperou do ataque anterior e se preparou para dar o ataque final em Elijah. Por sua vez, Elijah conseguiu interceptar o ataque com sua adaga, mas Malik usou a outra luva atacá-lo. Por sorte o ataque foi desviado para um ponto menos grave, mas a dor ainda assim foi enorme. Elijah gritou de dor, as garras de Malik foram manchadas por seu sangue, e aparentemente ele gostou muito disso.

– De onde saiu todo esse ódio, Malik...? – A voz de Elijah estava fraca devido à dor. – Eu nunca fiz nada contra você...

– Você fez algo contra mim e contra meus pais!

Nossos pais. E eu também não fiz nada contra eles...!

– Eles não são seus pais! Você não é um Allucard! E foi por sua culpa que nossos pais morreram, por sua culpa a Phantom foi atrás deles! Não ouse se fazer de inocente, Elijah Dreyar!

Nenhuma palavra sua fazia sentido... “Dreyar”? Elijah com certeza não tinha o sangue de Laxus, muito menos o de sua mulher, Mirajane. Ele não podia ser filho adotivo... Parando para pensar, ele realmente não era nem um pouco parecido com Malik. Mas mesmo assim...

– Mas como eu posso ser o culpado pela morte de nossos pais?!

– Por que você acha que a Phantom caçou eles? Para pegarem o herdeiro da família Dreyar, é óbvio! O seu poder seria útil para eles!

Oh, não...

– Você está distorcendo toda a história. Eu não tenho nada a ver com a morte deles. E mesmo se tivesse, me matar não os traria de volta.

– Cale a boca! Eles ainda estariam vivos se você não tivesse entrado em nossa casa! – Insistiu o loiro.

– Malik, se eles estiverem eternizados em nossas memórias, em nossos corações, eles continuam vivos. Acredito que eles continuam olhando por nós lá de cima... Acredito que eles querem que sigamos em frente.

– Eles estão mortos! Não coloque palavras na bocas deles!

Malik já estava cego de tanto ódio, se recusava a enxergar a verdade. Mesmo que Elijah fosse um Dreyar, não tinha sido o culpado pela morte de seus pais. Ele conhecia a história, mas não o deixaram contar para o caçula. E por causa disso Malik tinha se tornado uma pessoa guiada pelo ódio, visando apenas a morte de seu suposto irmão, não querendo nem parar para pensar se o que ele dizia podia ser verdade. Se continuasse assim, Malik sofreria cada vez mais, e faria cada vez mais pessoas sofrerem. Era como se estivesse correndo tão desesperadamente em direção ao seu objetivo que não notara que caía num abismo. Um buraco profundo e escuro, do qual ele não poderia sair.

Elijah não aguentava vê-lo assim. Tinha que acabar com seu sofrimento.

Enquanto Mortis continuava a atacar Dylan com tudo, e ele revidava algumas vezes, Elijah desferiu um soco elétrico no peito de Malik, que estava prestes a fincar suas garras no “irmão” novamente. Ele se afastou um pouco, e Elijah avançou com sua adaga para dar o fim nele.

“Onii-san!”

... Mas ele não podia. Podia matar qualquer um que ferisse seus amigos, qualquer um menos Malik. Podia até ser verdade que eles não tinham laços sanguíneos, mas continuavam sendo irmãos. Quando Elijah tentou matá-lo, viu seu irmãozinho querido no lugar do atual Malik. Isso o fez parar. Porém, Malik não tinha o mesmo sentimento; aproveitou a hesitação de Elijah e voltou a atacá-lo. Elijah, felizmente, foi rápido o bastante para se recuperar e criar uma barreira eletromagnética sobre si. Em seguida, empurrou Malik e se levantou, recomeçando a luta.

No outro lado, Mortis apenas atacava e Dylan apenas se defendia. Quando via brechas, ele lançava mais chamas negras, mas Mortis conseguia refleti-las ou se desviar. Estava claro que ela não iria desistir tão cedo.

– O que deu em você?!

– Vocês estavam lá, não estavam?! Eu reconheço essa marca! Realm of Darkness foi uma das Dark Guilds que destruíram minha vila!

Dylan se surpreendeu. Só podia ser isso.

– Então você sobreviveu... Eu sinto muito – disse Dylan –, mas não participei disso. Nem estava na guilda nessa época. Não acha que é errado se vingar de alguém que não te prejudicou?

– Inúmeros magos cruéis destruíram minha casa, mataram a minha família e a de várias outras pessoas. Eu fui a única sobrevivente.. Você pode não ter participado daquilo, mas agora que está no lado deles pode causar mais destruição no futuro. E eu não posso permitir que isso aconteça novamente.

Mortis finalmente se acalmou um pouco. Dylan continuou a encará-la.

– Eu sei como você se sente. Também perdi meus pais e fiquei separado de Mia por muito tempo. Temi perder minha irmã...

– Mas você a atacou – lembrou a garota.

Dylan baixou o olhar e se virou para Mia.

– Eu amo a minha irmã. Só não queria que ela visse o que estava prestes a acontecer. Sabia o plano de Malik, e não queria que ela visse seu amigo sofrendo assim. – Ele apontou para a luta que acontecia logo ao lado. – Veja, Elijah quase não se aguenta em pé. Não só por causa de sua ferida, como também pela dor de ver seu querido irmão no lado obscuro. Porém, tudo o que Malik deseja é matá-lo. Ódio é o sentimento que fala mais alto nele, ou talvez o único que lhe restou.

Na luta, Elijah usava apenas uma mão para socar e se defender, já que a outra tampava sua ferida. Malik não mostrava piedade, fazendo o máximo para fincar suas garras nele.

– Mia sempre prezou muito seus amigos. Não queria que ela o visse sofrendo desse jeito.

Mortis voltou a sua forma normal.

– Você parece ser um bom irmão... Por que foi para uma Dark Guild?

– Isso é outra história – disse o rapaz, rapidamente. – Você disse que foi a única sobrevivente de sua vila, certo?

A moça assentiu.

– Boas notícias. Recentemente encontramos mais uma pessoa que sobreviveu ao ataque.

Mortis se encheu de esperança.

– É uma garota? Megan Jeevis?!

– Não, sinto muito. É um garoto. Parece que ele está viajando por aí, perguntando sobre sua vida e se alguém conhecia outros sobreviventes. Um mago veterano de nossa guilda o viu uma vez.

Mortis abriu um sorriso fraco. Já tinha perdido as esperanças de ver qualquer parente há muito tempo, mas não deixava de sentir saudades de sua irmã menor. Mas mesmo que ela não tivesse sobrevivido, era bom saber que mais alguém conseguiu sair com vida daquele caos de anos atrás. Além disso, era uma vila pequena. Todos se conheciam por lá.

Dylan acariciou a cabeça de Lucky.

– Obrigado por cuidar de Mia.

– A-aye...

– Dylan...

O rapaz se virou para a garota que, até alguns minutos atrás, era sua adversária.

– Diga à Mia que eu sinto muito – disse ele. – Diga que seu irmão já foi corrompido pelas trevas, e esse é um caminho sem volta.

E ele começou a caminhar até a floresta.

– Espere... Você sabe o nome do sobrevivente? – Perguntou Mortis.

– Ele se apresenta como Caique Koityro.

Mortis mal teve tempo para ficar surpresa; logo depois ouviu um grito de dor ao seu lado.

Elijah finalmente tinha conseguido acertar Malik com sua adaga, no braço. O rapaz recuou, e seu irmão adotivo continuou a apontar sua lâmina para ele. Mesmo em desvantagem, Elijah conseguira manter o controle da luta. Malik se assustou com sua capacidade.

– Resolveu lutar a sério agora?

– Desde o começo.

Malik percebeu que Dylan já tinha ido embora. Se Mortis resolvesse avançar contra ele, não teria muitas chances de vitória. E, aparentemente, Jet também não voltaria. Havia chegado a hora de recuar.

– Parece que está na minha hora – disse o vilão. – Na próxima vez que nos encontrarmos, será para pôr um fim em você.

Um círculo mágico negro surgiu sob seus pés, e aos poucos ele foi desaparecendo.

– Espere!

Não deu tempo. Ele já tinha ido embora. De novo.

Elijah percebeu que tinha feito a mesma coisa no dia em que seu irmão foi sequestrado pela Phantom: ficou parado, só com a mão estendida. Sua expressão devia mostrar todo o seu desespero. Ele queria alcançar Malik, e mais uma vez, estava atrasado.

Elijah caiu sentado e começou a chorar. Mortis ficou ao seu lado em silêncio.

– Lucky... O que aconteceu? – Perguntou Mia, que tinha acabado de acordar.

O gato contou tudo o que tinha acontecido, escondendo as piores partes. Mas Mia entendeu, e começou a chorar também.

– Arc of Time... Eu tenho o poder de reconstruir coisas, de fazer elas voltarem a ser o que eram antes. Então... Por que eu não posso fazer tudo voltar ao normal, como na época em que éramos felizes com nossas famílias? Como na época em que éramos crianças inocentes e que só nos preocupávamos com as notas na escola? Como na época em que as pessoas que amamos estavam sempre ao nosso lado...?

Lucky subiu em seu colo e a garota o abraçou.

– Mas nós estamos cercados de pessoas que amamos e que nos amam também... O pessoal da Fairy Tail. Somos uma família, certo?

Aquilo acalmou um pouco Mia, mas ela ainda sentia falta de sua vida com seu irmão e de seus pais. Elijah e Mortis passavam pela mesma coisa, mas eles ainda tinham seus amigos da Fairy Tail e de outras guildas. Eles tinham um lar e conviviam com pessoas que podiam chamar de “família”. Isso não os fazia esquecer o sofrimento do passado, contudo, saber que tinham pessoas que amavam e que os amavam da mesma forma sempre por perto os reconfortavam.

–---

– Onii-san!!

Elijah acordou com o grito de seu irmão.

A Phantom Lord invadiu sua casa, matou seus pais por causa da dívida atrasada, e um mago deu uma paulada na cabeça do filho mais velho do casal, o deixando desacordado. Porém, quando Malik começou a gritar por ajuda, ele despertou. Sua casa estava destruída e o garoto tentava evitar olhar para os corpos de seus pais.

– Socorro, onii-san!

E ainda por cima, estavam sequestrando Malik. Por quê? Era só um garoto de 11 anos inocente...

– Parem... – Foi tudo o que Elijah conseguiu dizer.

O mais velho se levantou quando viu um círculo mágico negro sob os magos da Phantom. O homem que carregava a criança tampou sua boca, mas Malik não parou de gritar. Seus gritos sufocados deixavam Elijah desesperado.

Aos poucos eles foram desaparecendo. Elijah gritou para eles esperarem e estendeu a mão, tentando alcançar seu irmão, mas Malik estava longe demais. E ele estava atrasado demais para salvá-lo.

Ele nunca se sentiu tão sozinho quanto naquele dia.

Notas finais
No próximo... (narrado por Luke) Está tudo indo bem. Já chegamos ao nosso destino e agora Yano e Masaki vão treinar. Eu posso passar um tempo com Fel e contar algumas histórias de minha vila. Estamos em paz. Além disso, paramos bem perto dos restos do meu lar... Esse lugar me trás várias lembranças. Muitas boas e algumas ruins... Mas eu já percebi que meu passado sempre e assombra. Não perca o próximo! "Os Fantasmas do Passado" Soreha, sayounará!