Fade Out Lines

60 Capítulo 60 — Recomeçando.


Notas iniciais
Beijos & Boa leitura! ♕

Capítulo 60 — Recomeçando.

— Falei pra você não demorar, agora está todo molhado... — Alba reclamou, após o filho entrar no carro, com as roupas ensopadas pela chuva.

— Não tem problema. — Respondeu, abrindo um largo sorriso.

— Torça para não pegar um resfriado. — Deu a partida no carro. — Por que demorou tanto?

— Tem certeza que quer saber?

— O contrário eu não teria perguntado.

— Me despedindo.

— E o que envolvia a sua despedida?

— Beijo, ué. — Ergueu os ombros.

— Hum. — Respondeu, monossilabicamente.

— O que foi? Por que tá com essa cara de cocô?

— Nada, Theodore.

— Eu sei que não é isso, quando as mulheres dizem “nada”, na verdade querem dizer “tá tudo errado”.

— Não se preocupe, só estou pensativa.

— Tá bom. — Torceu o nariz.

Não conversaram durante o resto do caminho, assim chegando ao hotel e subindo ao andar que estavam acomodados. Ao passarem pela porta, Alba trancou-a e assim, jogou sua bolsa sobre a primeira poltrona que encontrou.

— Mãe, é sério, eu quero saber o que tá acontecendo... — Theodore insistiu.

— Ah, Theo... — Suspirou.

— Por favor. — Suplicou. — Você acabou de fazer tudo o que há poucos dias atrás não admitiria de jeito algum! Como por exemplo, permitir a minha relação com o Christopher, eu sei que você deve estar pensando em alguma coisa!

— Eu sei, eu sei... — Sentou-se em um dos sofás.

— Fala comigo, mãe. — Se acomodou ao lado dela.

— É que você tá crescendo, eu não gosto disso. — Olhou para o filho. — E depois desse acontecimento com o Sidney, eu abri os olhos de uma forma maluca, bom... Tá tudo maluco pra mim.

— E você tá pensando no quê? Que o Christopher vai se aproveitar de mim? Que ele vai me levar para o mal caminho? Essas coisas estranhas que você me dizia antigamente?

— Não. — Riu, arrumando uma mecha de cabelo atrás da orelha. — Eu sei que você não é nada ingênuo, meu bem, já esqueceu das coisas que me falou no ensaio do meu casamento? Ou da nossa discussão quando voltei da lua de mel?

— Não. — Envergonhou-se, rindo, desajeitado.

— Então, não é isso. — Massageou as têmporas. — Sabe, não é fácil ver que tudo o que eu costumava acreditar era uma completa mentira, muito menos quando o peso de uma vida cai sobre as minhas costas. Eu acabei com a vida da Gio, te privei de muita coisa e te fiz sofrer incondicionalmente, tudo por causa desse filho da...

— Eu sei, mãe. — Segurou as mãos de Alba. — Eu sei que você está se esforçando, além de suportar firme essa traição do Sidney, não deve ser fácil pra você aceitar o meu namoro com o Chris... Só que eu estou feliz com a sua decisão, mãe, você superou tudo o que eu já imaginei ser possível, foi muito legal da sua parte, sério, muito obrigado, tipo, muito mesmo.

— Oh, meu amor, você foi a vítima de tudo isso, não tem que agradecer... — Abraçou-o. — Ai meu Deus, você está molhado!

— Ah, jura? — Perguntou, irônico.

— Vai tomar um banho e se agasalhar direito, vai, vai. — Exigiu, fazendo-o se levantar, em meio a risos. — Olha só, você molhou o sofá!

— Foi mal! — Gritou, indo ao banheiro.

— Theodore, Theodore... — Riu e soltou um muxoxo.

...♕...

Dia seguinte, sexta-feira.

— É, Theo, teremos um trabalhão... — Alba pousou uma das mãos na cintura, após entrar na sala de estar de sua casa. — Ao menos consertaram a porta e já está tudo limpo.

— Eu só quero pegar minhas coisas e me mandar daqui. — Theodore falou, olhando tudo ao redor.

— Eu tenho que entregar seu celular e seu notebook, inclusive. — A promotora caminhou ao corredor, indo à sua suíte.

— Você chegou a conversar com o Chris depois do jantar? — O garoto encostou-se no batente da porta do quarto da mãe, olhando-a abrir um dos armários e pegar seus pertences.

— Não, por quê? — Caminhou novamente em direção ao filho.

— Como eu entreguei pra ele ontem o celular que ele tinha me emprestado, fiquei sem falar com ele.

— Nossa, estão sem se falar desde ontem à noite? Deve ter sido um esforço e tanto. — Alba debochou, soltando uma risada, logo entregando suas coisas.

— Você ficou engraçadinha de ontem pra hoje, não é? — Segurou o notebook e o celular.

— É o jeito... — Desfez o sorriso. — Tento rir para esquecer de algumas coisas.

— Mas parece que tem algo que não quer esquecer. — Deduziu, olhando para uma das mãos de sua mãe. — Por que você ainda tá usando a aliança desse cara?

— Ah, eu nem tinha me dado conta... — Ela olhou para o próprio dedo.

— Você não sabe mentir, mãe.

— Como assim?

— Não é isso, tem outro motivo pelo qual você não quer deixar de usá-la. — Olhou-a, compreensivo. — Pode se abrir comigo se quiser...

— Você tá certo. — Admitiu, receosa. — É que, é um pouco difícil...

— O que é difícil?

— Vem aqui um instante. — Puxou-o pelo antebraço.

— Tá bom. — O garoto foi guiado por ela e assim sentou-se ao seu lado na cama.

— Então, Theo, é um pouco complicado me imaginar divorciada daqui em diante, eu sei que ainda não é oficial, mas eu irei tratar o mais rápido possível desse assunto.

— Sim, o quanto antes melhor, né.

— Tirar essa aliança simbolizará um peso enorme, será um alívio, mas quero estar preparada para isso.

— O que tem de tão difícil? É só um anel.

— É que toda vez que eu tento, olho para o meu dedo vazio e imagino algo que me perturba imensamente... — Abaixou o rosto.

— O que, mãe?

— Já começo a imaginar como deve ser complicado criar um filho solteira... — Levantou a cabeça, olhando para Theodore e esperando que ele captasse a mensagem.

— Quando o pai morreu você cuidou muito bem de mim, por que seria diferente agora? Além de que o Sidney só fez merda ao invés de ajudar, ele nunca seria um pai, eu nunca o chamaria assim.

— Mas, Theo... — Segurou a mão do filho e a levou até sua barriga. — Não é de você que estou falando...

— Hã? — Arregalou os olhos. — Não pode ser, mãe... V-Você tá... Você tá grávida?

— Sim... — Murmurou, quase em um sussurro, meneando a cabeça positivamente.

— M-Mas, mas... — Gaguejava, sem saber o que dizer.

— Me perdoa, Theo? — Alba perguntou, com os olhos rasos d’água.

— Te perdoar por isso, mãe? — Abraçou-a com força. — Você tá louca?

— Eu me sinto tão mal... — Fungou, molhando o ombro do garoto. — Que destino essa criança vai ter? O que eu vou dizer quando ela crescer e perguntar pelo pai?

— Você vai falar a verdade. — Se afastou o suficiente para enxugar as suas lágrimas. — Vai falar que ele está pagando pelo o que fez... Ou diz que é um pirata que fugiu daqui mancando.

— Theodore! — Soltou um riso em meio ao choro, enquanto o filho acariciava seus cabelos.

— Acho que ele mancará pelo resto da vida, ao menos eu espero. — Respirou fundo, ainda envolvendo-a com seus braços. — Era para aquela bala ter ido bem no meio do peito dele, eu estava mirando tão bem.

— Filho, você não é um assassino, ele é. — Afirmou, seriamente. — Você não conseguiria carregar isso com você facilmente, por mais merecida que a morte dele fosse.

— É, talvez.

— Mas chega, né? Vamos parar de falar de coisas ruins...

— Você tá certa. — Concordou. — Sabe, mãe? Tem uma coisa que agora eu estou curioso.

— Diga.

— Você não está na idade de... Sei lá, estar na menopausa? Como é que isso foi possível?

— Theodore! — Repreendeu-o, gargalhando. — Só você mesmo, viu!

— Mas então, como você descobriu?

— Sem me dar conta eu tomei um remédio que cortou o efeito do anticoncepcional...

— Esperta, hein.

— Não começa. — Repreendeu. — Eu fico preocupada com o estado desse bebê, andei bebendo vinho, além de esses remédios todos.

— Se quiser, eu vou ao médico com você.

— Eu vou adorar ter sua companhia. — Entrelaçou seus dedos com os do filho. — Sabe, Theodore, eu andei tão cega com o Sidney que eu nem vi quando você se tornou esse homem.

— Como assim? — Riu.

— Você está maduro, meu filho. — Beijou a costa da mão do garoto. — Mesmo com todas as coisas que eu fiz, você me perdoou, você está sendo compreensível, eu não mereço tanto carinho, eu fui uma péssima mãe.

— Não fala assim. — Franziu o cenho. — Você pode ter sim me negligenciado muito, mas eu já sei que está arrependida. E o que eu mais queria, era que você me aceitasse e tudo ficasse bem.

— Nós vamos conseguir recomeçar a nossa vida, eu prometo. — Afirmou. — E o primeiro passo é vender essa casa.

— Concordo. — Abriu um sorriso. — Você já tem alguma outra casa em mente?

— Ainda não, mas estava pensando em um apartamento, o que acha?

— Não vejo problema, o legal é que muitos vêm prontos para morar, totalmente mobiliado.

— Era isso que eu estava pensando, em vender a casa com todos os móveis dentro e pegar um local mobiliado, assim teríamos menos trabalho.

— É verdade.

— Ah, Theo, estava quase me esquecendo...

— Do quê?

— Isso aqui. — Alba levantou-se, abrindo uma das gavetas da escrivaninha e retirando a chave do carro do garoto de dentro dela. — Isso é seu.

— Valeu, mãe.

— Não é só isso. — A promotora fuçou dentro da própria bolsa. — Esqueci de devolver a carta do Christopher que peguei.

— Por que estava na sua bolsa?

— Eu usei para pegar o endereço, fui até a casa dele para conversar ontem, para falar sobre a retirada da queixa e para combinar o jantar.

— Ah, é verdade, vocês conversaram, não sabia que tinha ido lá...

— Fui sim.

— E como é a nova casa dele?

— Mesmo vendo pouco é bonita, bem organizada para um homem que mora sozinho.

— Sozinho não, ele tem a Dora, a Yorkshire.

— Dora? É o nome dela? — Deixou escapar uma risada.

— É, nem preciso dizer de onde veio o nome, né? — Riu com ela.

— Ah, esse Christopher é uma figura... — Sentou-se novamente ao lado do filho.

— Ele é incrível, mãe, é sério.

— Eu acredito. — Virou-se para Theodore. — E ele parece ser um homem de caráter também, além de corajoso.

— Mãe, mudando de assunto...

— Fala, Theo.

— Você já contou para alguém sobre a gravidez?

— Não, meu bem, queria que você fosse o primeiro a saber.

— Você já tem uma ideia de como contar para todo mundo?

— Eu pensei em anunciar nas minhas redes sociais, para não ter que olhar na cara de ninguém, mas ainda não tenho certeza.

— É um bom jeito, mas você sabe que na internet tem os fofoqueiros de plantão que adoram comentar a vida alheia.

— Não é muito diferente da vida real, então, não ligo. — Sorriu. — As pessoas vão comentar de qualquer forma, principalmente por causa da minha idade. Imagine só o gostinho que darei a eles, com um marido preso e prestes a ter um bebê na meia idade...

— Não pense nisso...

— Eu vou evitar.

— Bom, eu vou arrumar minhas coisas, tá? Tem umas caixas vazias lá no porão, quer que eu traga algumas pra você?

— Pode trazer sim.

— Tá bom, já volto.

...♕...

Christopher acabava de chegar na casa de seus pais, precisava conversar com ambos.

— Oi, mãe, a porta estava aberta, então entrei. — Chris beijou Dulce na bochecha, que interrompeu a louça que lavava e enxugou as mãos.

— Como você tá, querido?

— Tô ótimo, tenho novidades. — Puxou uma cadeira para se sentar. — O pai tá aí?

— Eu ouvi vozes, alguém chegou? — Edgar exclamou, do quintal, se aproximando e logo abrindo a porta de vidro, entrando na cozinha. — Christopher!

— Tenho ótimas notícias, preciso falar com vocês dois.

— Vou ligar a cafeteira. — Dulce afirmou. — Quer bolo, filho?

— Não precisa, mas o café eu aceito.

— E então, o que é? — Edgar puxou uma cadeira ao lado do filho.

— Sobre a mãe do Theodore, ela retirou a queixa. — Revelou, de uma só vez.

— Sério, filho? — Dulce animou-se.

— Sim, além de permitir o meu namoro com ele. — Abriu um largo sorriso. — Tudo bem se vocês não acreditarem, eu mal acredito também.

— Isso é o mínimo que ela deveria ter feito mesmo, depois do que você passou por causa dela... — A mulher caminhou até o filho, que estava sentado e o abraçou pelas costas. — Mas fico feliz por você, só espero que isso não seja uma brincadeira.

— Como assim, mãe?

— Eu tenho medo de essa mulher te fazer sofrer novamente.

— Eu tenho certeza que mesmo ela tendo sido injusta esse tempo todo, ela não deixa de ter palavra.

— Espero que isso seja verdade mesmo. — Dulce beijou o topo de sua cabeça.

— E como isso aconteceu, Chris? — Edgar entrelaçou as mãos na frente do rosto e apoiou os cotovelos na mesa.

— Ela primeiramente foi em casa, me agradecendo pelo o que eu tinha feito por ela e pedindo para que marcássemos um jantar. — Respondeu.

— E isso foi quando?

— Ontem à tarde. — Falou, logo continuando. — E quando foi a noite, combinamos o horário e o restaurante. Chegando lá, o Theodore também estava presente, depois disso ela foi bem objetiva e disse que iria aprovar a nossa relação com algumas condições.

— E quais seriam essas condições? — Dulce levantou uma das sobrancelhas.

— Devolver Theodore até meia noite todos os dias, além de conhecer vocês.

— É justo. — Edgar admitiu.

— Eu não sei se quero conhecer essa mulher.

— Por favor, mãe, eu preciso. — Christopher virou-se para ela, com olhar pidonho.

— Ela com certeza deve ser aquele tipo de gente que eu não suporto: nariz empinado, toda mesquinha e metida a besta.

— Ah, mãe, tudo bem que ela cometeu muitos erros, só que você tem que conhecê-la antes de julgar.

— Está falando isso só porque ela é sua sogra. — Dulce rebateu. — Você mesmo disse que esse Theodore é filho de um jogador que foi famoso uns anos atrás.

— Sim, é verdade, mas o que tem a ver?

— Acha mesmo que ela não deve se gabar por isso até a morte? Por ter sido casada com um astro do futebol?

— Mãe, o pai do Theo já é falecido, seja mais sensível.

— Ah, filho... — Deu as costas, ao ouvir o apito da cafeteira. — Eu não confio facilmente nas pessoas, você sabe disso, imagine então em quem mal conheço e já não tem minha total empatia.

— Não precisa de cem por cento da sua empatia, mãe, só um pouquinho. — Pediu, enquanto ela servia as xícaras. — É só um almoço lá em casa para ela conhecer vocês, só isso que eu peço, depois disso, se não quiser, não precisa mais vê-la.

— Eu irei, mas se essa mulher me tirar do sério eu não vou ficar calada.

— E eu não vou tirar o seu direito de falar o que achar necessário.

— É que eu me preocupo com você, Christopher. — Entregou uma xícara de café para o filho e outra ao marido. — Acha que eu vou me simpatizar com uma pessoa, sabendo que ela já quis colocar o meu filho atrás das grades?

— Eu sei que você pensa nisso, mãe, mas tenta se colocar no lugar dela um pouco, foi o que eu fiz para não me descontrolar, tentei entender o ponto de vista da Alba. — Explicou. — Eu sei que você quer o meu bem, só que ela também só estava tentando proteger o filho dela.

— De uma maneira louca. — Debochou. — Bom, tentarei ser civilizada, mas já aviso que não tenho um coração de manteiga como o seu, se ela for uma mala sem alça, não vou conseguir me conter.

— Tá certo, mãe. — Riu alto.

...♕...

Alba havia pedido comida chinesa para o jantar daquela noite, ela e Theodore estavam exaustos pelo trabalho e não tinham energia para cozinhar. Após comerem, a mulher avisou o filho que tomaria um banho para dormir e assim se retirou da cozinha.

Então o garoto aproveitou para descansar também, voltando ao seu quarto.

Após descer as escadas do porão, desviou de algumas caixas que havia empilhado, que continham a maioria de suas coisas dentro, encaixotou quase todos os seus pertences, menos os que usaria nos próximos dias.

Olhou para a escrivaninha e viu o notebook sobre ela, deu um sorriso com aquilo, estava com saudade do seu bom e velho amigo. Sentou-se na cadeira em frente a ele e assim o ligou na tomada, torcendo para que ele ainda funcionasse.

O notebook ligou, mas demorou longos minutos para iniciar totalmente, Theodore percebeu que havia algum problema com o aparelho, mas o verificaria mais tarde. Sua tela inicial apareceu e sorriu ao se deparar com o plano de fundo que costumava ver todos os dias.

Theodore entrou em sua rede social, antes tinha a olhado somente periodicamente pelo celular que Christopher havia o emprestado, mas pode dar uma atenção especial ao seu perfil naquele momento, vendo como muita coisa tinha mudado, especialmente o design do site.

Em suas notificações, viu uma mensagem de Nicholas, com quem havia falado pela última vez alguns dias atrás. Viu que o amigo estava online e assim iniciou um chat com webcam, começando a conversar com ele quando a chamada foi aceita.

— E aí, Theo? Quais são as novidades? — Acenou para Theodore.

— Nossa, Nick, eu não sei nem por onde começar...

— A última coisa que você me contou foi quando mandou mensagem avisando que faria uma prova, para ver se você estava apto pra tirar seu certificado de conclusão. E aí? Deu certo?

— Deu sim, já estou até animado com a ideia de começar a faculdade em breve.

— Engenharia civil?

— Essa mesmo.

— E como vão as coisas por aí?

— Passei o dia encaixotando coisas aqui em casa, vamos nos mudar em breve, mas isso é fichinha perto do que fiquei sabendo hoje...

— Mudanças são sempre um saco, mas me conta, cara, o que foi?

— Minha mãe me contou que está grávida.

— Sério?!

— É... — Theodore apoiou os cotovelos na escrivaninha.

— Poxa cara, isso é legal, mas como você tá com isso?

— Ah, eu tô um pouco preocupado com ela, principalmente por causa do Sidney, meu padrasto... — Bufou. — Ele foi preso, acho que você já deve ter ficado sabendo, né.

— Fiquei sabendo sim, foi para o noticiário e tudo, depois a Susannah me explicou direito o que aconteceu... Que merda, hein, Theo.

— Sobre a prisão dele, tô feliz por isso, ainda bem que o processo todo não demorou muito, já tínhamos provas suficientes para ele não sair da cadeia tão cedo... Só que eu concordo que vai ser difícil ter uma irmã ou irmão que será filho desse cara, mas essa criança não tem culpa disso.

— Você tem razão. — O amigo sorriu. — Eu sei que vai dar tudo certo, a pior parte já passou, né?

— Graças a Deus. — Levantou as mãos para o alto, rindo.

— E você e o Chris, como estão?

— Ah, essa é outra novidade, minha mãe retirou a queixa que fez contra ele, além de permitir o nosso namoro...

— Eita! Depois de tudo que você tinha me contado que ela fez, nunca imaginei que isso seria possível!

— É verdade, pensei no mesmo... — Theo concordou.

— Sua vida deu uma reviravolta, a gente precisa comemorar.

— Precisamos mesmo, faz tempo que eu não vejo você e a Ally.

— Ela anda falando com aqueles amigos do Christopher, mais com o Emmet do que os outros.

— Sério? A gente andou se falando quando eu estava com o celular do Christopher, mas ela não chegou a me falar isso!

— Pois é, eles estão bem próximos agora.

— Isso é legal, dá pra marcar de sair todo mundo.

— Verdade, Theo. — Nicholas falou, logo sendo assustado por sua mãe, que o chamava. — Já vou, espera!

Theodore ouviu a mulher chamar o amigo e assim Nick teve que se despedir, tendo que cumprir um dever para sua mãe. Após desligarem a chamada, Theo fechou a tela do notebook e levantou-se, andando até sua cama, se jogando sobre ela.

Agarrou um travesseiro e logo notou um tecido diferente embaixo dele, lembrando-se que guardava ali o cachecol de Christopher. Pegou-o e o cheirou com força, percebeu que estava quase sem perfume, mas ainda era um pouco notável.

Envolvendo o tecido do cachecol em seu pescoço, se ajeitou na cama, pensando no que seria da sua vida dali em diante... Uma casa nova e uma irmã ou irmão vindo, naquilo tudo, só tinha a certeza que a vida poderia trazer todos os tipos de surpresa, mas com Christopher ao seu lado, teria forças para enfrentar qualquer coisa que fosse.

Queria tê-lo visto hoje, mas ao menos no dia seguinte era certeza que o veria, o professor havia marcado um almoço em sua casa, na presença de seus pais, para Alba conhecê-los. Aquilo deixava Theodore um pouco receoso, mas sabia que era o primeiro passo para finalmente viverem seu namoro em paz.

O garoto levantou-se da cama e só voltou a se deitar nela quando trouxe em mãos a aliança que havia escondido. Colocou o anel no dedo e admirou-o por um bom tempo, com saudade dos momentos que teve quando o ganhou de presente.

...♕...

Sábado.

A manhã de Christopher foi agitada, além da limpeza geral que fez em sua casa, teve que se preocupar com o almoço. Pensou na possibilidade de comprar algo pronto, mas queria impressionar Alba com seus dotes culinários.

Com o que serviria naquele dia, era improvável de que ela pensasse que Theodore ficaria desnutrido ou passaria fome, no entanto, caiu na risada ao pensar na probabilidade mínima de Alba pensar aquelas coisas, ele sabia que começava a divagar quando estava ansioso.

Seus pais chegaram um pouco antes do horário combinado, para ajudá-lo, caso precisasse. Dulce trouxe uma travessa de sobremesa e Christopher a beijou no rosto, dizendo que não era necessário, mas agradecendo, pois de doces não entendia muito e que antes não tinha nada para servir.

Edgar ajudou o filho a arrumar a mesa, enquanto a pedido de Christopher, Dulce vigiava o fogão, se certificando de que nada queimaria.

Quando terminaram o que faziam, Edgar deu um pouco de atenção a pequena cadela que os rodeava, começando a mimar Dora com massagens leves, enquanto Chris caminhava até sua mãe, vendo-a cuidar das panelas e do forno.

— Como estão as coisas?

— Daqui a pouco eu desligo o fogo, tá quase no ponto, só falta ver o assado.

— Tá certo.

— A Dora vai ficar aqui dentro? Não acha melhor levá-la para fora?

— É, acho que é melhor, não sei se a Alba gosta de cachorros...

— E você vai ficar assim mesmo? — A mulher olhou para o filho, que ainda estava com um avental por cima da roupa.

— É mesmo, tenho que me arrumar! — Olhou para o relógio na parede. — Será que dá tempo?

— Essa gente rica sempre chega atrasada nos lugares, dá tempo de sobra, filho, vai lá.

— Você continua olhando tudo aí pra mim?

— Pode deixar.

— Tá bom, vou levar só uns quinze minutos, no máximo! Caso eles cheguem, pode atender a porta?

— Não se preocupe, eu cuido de tudo.

Christopher foi rápido como prometeu, tomando um banho e se trocando. Escolheu uma camiseta simples de cor clara, com calça jeans no mesmo tom, queria colocar um par de chinelos, mas escolheu calçar tênis, temendo passar uma impressão de desleixo para Alba.

Quando terminou de pentear os cabelos e passou sua colônia preferida, ouviu o interfone tocar. Desceu as escadas com pressa, correndo até a entrada para receber os convidados.

Alba passou primeiro pela porta e Christopher a beijou na bochecha, demonstrando sua felicidade em recebê-la, ela estranhou o ato, mas não deixou transparecer. Theodore sorriu quando Chris olhou em sua direção, logo pegando em sua mão e o guiando para dentro, após um selinho rápido.

Dulce encarou os visitantes ao longe, passando seus olhos rapidamente pelo rapaz bem vestido e logo parando o olhar sobre Alba, que também estava sofisticada, mas ao contrário de Theodore, vestia roupas talvez elegantes até demais para um simples almoço.

Quando se aproximaram mais de onde estava, Dulce torceu o nariz ao reparar que Alba carregava uma bolsa de grife, vendo que aquela mulher não era muito diferente do que ela já havia imaginado. Mesmo assim, simpatizou-se com Theodore, ele parecia ser um bom moço e o sorriso que Christopher esboçava quando olhava para ele, era impagável.

Após Chris apresentar os visitantes aos seus pais, Edgar os cumprimentou e Dulce abriu um sorriso mínimo, também os recebendo com um aperto de mãos.

Christopher parecia calmo por fora, mas internamente, preocupava-se com o que sua mãe estaria pensando, pois viu seu olhar reprovador em direção de Alba. Então tudo o que podia fazer, era torcer para que aquele almoço não fosse um completo desastre.

Notas finais
Gente, eu quero saber, quem ainda não está participando do grupo que criei para os leitores? Quem não estiver, me mande uma mensagem privada ou avise nos reviews ♥