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59 Capítulo 59 — Redenção.


Notas iniciais
Beijos & Boa leitura! ♕ Feliz dia dos namorados! ♥.♥

Capítulo 59 — Redenção.

— Você provavelmente não sabe o que venho fazer aqui. — Alba deduziu.

— Realmente, não faço ideia.

— Podemos conversar?

— É claro, entre. — O professor deixou-a passar, logo encostando a porta de entrada.

Dora recepcionou a visitante com latidos e cheiradas em seus pés.

— A sua cachorrinha é uma graça. — Elogiou, admirando o vestido cor-de-rosa de Dora.

— Ah, obrigado. — Agradeceu, torcendo para que ela não perguntasse o nome da cadela. — Você aceita um chá? Café? Água? — Perguntou, ao chegarem na sala de estar.

— Não, agradecida. — Respondeu, olhando para a parte enfaixada de um de seus braços.

— Vamos, sente-se. — Ele escolheu uma das poltronas, sinalizando para que ela ficasse à vontade.

— Bom, Christopher... — Alba se ajeitou no sofá em frente a ele. — Primeiramente, o Theodore não sabe que estou aqui, muito menos do que vim te dizer.

— Por favor, continue.

— Eu queria lhe informar que já solicitei a retirada da queixa que fiz contra você.

— Isso é sério? — Surpreendeu-se. — M-Mas a audiência já não foi marcada?

— Digamos que eu tenho recursos do poder jurídico ao meu favor.

— Me desculpe a pergunta, mas eu preciso saber... Por quê?

— É o mínimo que eu posso fazer por você, já que salvou minha vida.

— Eu não fiz nada demais, Sra. Brandford, mas obrigado, me sinto realmente grato. — Abriu um sorriso torto. — Não sei nem o que dizer.

— Não precisa dizer nada.

— Ah, uma outra pergunta... Como soube do meu endereço?

— Em uma das suas cartas para o Theo. — Revelou.

— Ah, sim... — Olhou para baixo, envergonhado.

— Inclusive, precisamos conversar sobre ele.

— É claro, diga. — Engoliu seco.

— Eu preciso saber, o quanto você ama meu filho, Christopher?

— Mais do que tudo, mais do que a minha própria vida. — Respondeu, levantando a cabeça e olhando fixamente em seus olhos.

— Certo, era o que eu precisava saber. — Pegou sua bolsa, logo se levantando. — Quero marcar um jantar na presença de ambos, quando você estará livre?

— Qualquer dia, é só combinar.

— Hoje à noite tem compromisso?

— Hoje está ótimo.

— Certo, me passe o seu telefone.

— Ah, um minuto. — Chris dirigiu-se à escrivaninha e pegou uma caneta, escrevendo num bloco de notas e logo destacando uma folha, entregando-a para Alba. — Aqui.

— Te ligo para combinar o horário e o local.

— Certo, estarei aguardando.

Se despediu da promotora e assim a guiou até a entrada.

Ao fechar a porta, não pode conter um riso de contentamento, vibrando de felicidade. No primeiro minuto, pensou em ligar para Theodore para contar o ocorrido, no entanto, teve que se controlar, já que o garoto não sabia que sua mãe tinha ido visitá-lo e que talvez Alba gostaria que continuasse assim.

Então para extravasar o que sentia, ligou para Emmet, que demorou poucos segundos para atender:

— Michael falando.

— E aí, Mikey, tá de folga hoje?

— Estou, mas o Emm tá cochilando aqui, queria falar com ele?

— Só queria contar uma coisa maluca que aconteceu agora mesmo... — Christopher andou novamente até a sala. — Até agora não consigo acreditar!

— Eita, o que foi?

— A mãe do Theo veio aqui.

— É sério? Essa mulher não tem vergonha do que já te fez passar, não?!

— Calma, não é isso. — Soltou uma risada. — Ela não veio me esculachar, ela veio me informar de que tinha retirado a queixa contra mim.

— Isso só pode ser brincadeira, né? — O amigo indignou-se. — Eu achava que ela queria te ver morto, ou preso, sei lá.

— Ela é uma boa pessoa, Mikey, eu entendo a preocupação absurda que ela teve com o Theodore todo esse tempo, mesmo não concordando. Mas enfim, ela me disse o motivo do porquê de ter retirado a queixa...

— Me conta tudo, estou curioso, como foi?

— Ela chegou dizendo que precisava conversar, a convidei para entrar e a nossa conversa foi bem breve, a Alba disse que retirou a ocorrência porque salvei a vida dela...

— Olha só, levar uma facada por bancar o herói nem sempre é tão ruim. — Riu.

— Eu não me arrependo e faria tudo de novo. — Revelou. — Só que não fiz isso por ela, fiz porque eu já vi o Theo sofrer demais, ele não merecia tudo isso.

— Realmente, esse garoto já estourou a cota de tragédias pra vida toda.

— É disso que eu tenho medo. — Afirmou, apreensivo. — Tenho medo de ele acabar tendo algum trauma por ter visto a morte da Gioconda tão de perto... Você devia ver como ele tremia, Mikey, ele estava apavorado, eu também estava com medo, mas não era igual. O Theodore já aguentou coisa demais, já perdeu o pai, agora essa moça que era muito amiga dele, imagina se eu não tivesse chegado a tempo para socorrer a Alba...

— Ele estaria órfão e completamente desolado, pobrezinho.

— Ah, eu nem quero pensar nisso. — Suspirou. — Tenho outras coisas para me preocupar, como o jantar que a mãe dele me convidou, disse que precisava da minha presença e a do Theo.

— Cuidado, pode ser uma armadilha, vai que o prato principal é você e essa mulher quer te devorar. — O amigo gargalhou.

— Besta! — Soltou uma risada.

— Ah, fala sério, ela me dá o maior medo e olha que eu nem a conheço.

— Bom, então vamos torcer para eu não virar a comida da sogra.

— Boa sorte, vai precisar.

...♕...

Alba voltava para a casa da irmã, onde havia deixado o filho passar um tempo com seus sobrinhos. Estacionou o carro e antes de descer, retirou o celular do bolso, vendo que havia recebido uma mensagem de Susannah.

Estranhou, pois ela nunca lhe mandava mensagens, pensou até ter sido um engano por parte da menina, porém viu que Susannah realmente queria falar consigo.

“Oi tia Alba, eu fiquei sabendo do que aconteceu aí ontem, mas eu já sabia sobre a verdadeira intenção do Sidney muito antes disso. Você sabe que eu e o Theo somos melhores amigos e ele me conta tudo...

Ele sempre me dizia o que passava aí, das vezes que apanhava desse homem, principalmente de quando tentava te contar e você não acreditava. Eu não quero te aborrecer, muito menos jogar essas coisas na sua cara, eu adoro você, tia, mas como amiga do Theo, queria te mostrar algo que não consigo esquecer.

Você se lembra de quando ele foi parar no hospital? Então, ele escreveu um e-mail se despedindo de mim, ele estava realmente determinado a fazer o que fez. Eu não quero te culpar, eu sei que o que aconteceu foi grave, mas agora que tudo ficou bem, eu vou te enviar a carta de suicídio dele.”

O coração de Alba acelerou, mal acreditando nas palavras da garota, mesmo assim, começou a leitura.

— O último e-mail... — A promotora leu em voz alta o título.

Conforme passava seus olhos pela tela do celular, sentia-os lacrimejando e assim, em pouco tempo, já não conseguia mais conter o choro até então discreto. Relia várias vezes a última frase do e-mail, sentindo um peso no coração.

— O celular quebrado e a surra... Então foi por isso. — Concluiu, num sussurro. — Oh meu filho, o que eu te fiz passar...

A promotora se encolheu no banco do carro, enxugando mais uma vez as lágrimas e fungando.

Levou alguns minutos, mas Alba conseguiu controlar-se, descendo do carro e logo correndo para dentro da casa da irmã, que havia deixado a porta aberta. Procurou por Theodore e logo o encontrou no quarto de Elizabeth, conversando com ela e brincando com Evan.

— Filho, preciso conversar com você. — Pegou-o de surpresa ao aparecer de repente.

— Tá bom. — Ele deu de ombros.

— Lizzie, poderia nos deixar a sós um pouco? — A promotora pediu.

— É claro, tia. — Respondeu, percebendo o estado agitado da mulher. — Vem Evan, vou te fazer um lanche.

— O que houve? — Theodore perguntou, quando os primos se retiraram.

— Filho... — Alba correu até ele e o abraçou fortemente.

Como o garoto estava sentado na cama da prima, retribuiu o abraço de modo desconfortável, pela posição e principalmente por não saber o que estava acontecendo.

— O que foi, mãe? — Preocupou-se.

— Theo... — Passou o polegar pelas bochechas do filho, sentindo novamente seus olhos lacrimejarem. — Eu sei que eu fiz muita coisa errada, eu sei que eu te fiz sofrer, muitas vezes achando que tinha a completa razão, mas eu não tinha... Eu sei que deve ser difícil olhar para mim sem sentir rancor, ou ódio. Sei que eu fiz coisas absurdas, mas eu te peço... Você poderia me perdoar mesmo assim?

— Você tá me assustando... — Olhou-a nos olhos, fazendo-a abrir um sorriso em meio ao choro. — Mas não te odeio, mãe, quando eu disse isso, na verdade eu quis dizer que odiava o que você estava fazendo e não você... Eu nunca poderia te odiar.

— Eu me sinto profundamente arrependida. — Ajoelhou-se, para ficar da sua altura. — Eu preciso ouvir, do fundo do seu coração, se você me perdoa por tudo o que eu fiz.

— É claro que sim, mãe. — Falou, nem imaginando o quanto era importante para Alba ouvir aquelas palavras. — Mas por que isso assim do nada?

— A Susannah me enviou um e-mail que você escreveu para ela no ano passado. — Tocou novamente o rosto do filho. — A sua carta de suicídio.

— Eu não acredito que ela fez isso...

— Não fique bravo, ela só quer o seu bem. — Segurou as mãos do filho. — Eu não consigo imaginar o sofrimento que você estava carregando quando escreveu aquilo, Theo, eu me sinto horrível, a pior pessoa do mundo.

— Não é verdade. — Contestou. — A pior pessoa do mundo é o Sidney, ele entrou na sua cabeça e te manipulou.

— Eu estava apaixonada, iludida, cega... — Sacudiu a cabeça, como se quisesse se livrar daqueles pensamentos.

— Eu nunca inventaria aquelas coisas, mãe. — Afirmou. — Eu quero que você seja feliz, então se você arrumar uma pessoa, jamais inventaria coisas sobre ela.

— Você tentou me avisar, meu bem, eu sei. — Levou as mãos do filho até seu rosto. — Eu nunca mais vou duvidar de você, eu prometo.

— Já que é assim, você bem que poderia entender que eu estou grandinho, não é? E que eu sei bem o que quero pra minha vida.

— Eu sei, eu sei. — Encarou-o. — Eu não vou mais te prender.

— Eu não estava falando só do meu castigo. — Disse, seriamente. — Falei isso por causa do Christopher, eu realmente amo ele, mãe, você tem que entender isso.

— Olha, Theo. — Respirou fundo. — Eu também queria conversar com você sobre ele, mas prefiro que não seja aqui.

— Tá, tá bom. — Fechou a cara.

— Iremos jantar fora hoje, está bem? Poderemos conversar melhor no restaurante.

— Por que não pode ser aqui e em um restaurante pode?

— Não é por quem vá ouvir, filho, não é isso, é que eu só quero aproveitar o meu tempo com você.

— Tá legal.

— Eu vou conversar um pouco com a sua tia agora, tá bom? Daqui a pouco nós vamos para o hotel nos arrumarmos para jantar.

Alba se levantou e o beijou na testa, antes de se retirar do quarto.

...♕...

Christopher penteava os cabelos para o lado com gel, se olhando no espelho e pensando se estaria apresentável para o jantar daquela noite. Trajava uma camisa de botões na cor azul-marinho, com calças e sapatos formais na cor preta.

Borrifou sua colônia preferida ao terminar de se arrumar, logo pegando o celular para ver o horário. Decidiu se adiantar um pouco do que o informado na mensagem de Alba, para o caso de algum imprevisto com o trânsito.

Já no carro, dirigiu até o restaurante combinado.

Ao estacionar, desceu do veículo e entrou no local, olhando ao redor, procurando por Alba. Reconheceu a nuca de Theodore, sentado sozinho em uma das mesas. Abriu um sorriso no mesmo instante, indo até lá com pressa.

Abraçou-o por trás, colocando os braços em seu peito, pegando-o de surpresa. O garoto assustou-se, mas quando viu o relógio em um dos braços e ao sentir o perfume tão familiar, virou-se rapidamente.

— Chris! — Arregalou os olhos, se levantando e agarrando o pescoço do professor.

Os clientes das mesas ao lado olharam torto para o beijo indiscreto do casal, que não ligava para o que estivessem pensando naquele momento. Christopher agarrava o tecido da camiseta de Theo, enquanto provava desesperadamente o gosto de seus lábios.

— Minha mãe... — Theodore ofegou. — Ela já deve estar voltando do banheiro... Ela pode te ver.

— Não tem problema. — Acariciou sua bochecha, vendo o brilho em seus olhos. — Ela me convidou.

— Hã? — O garoto soltou-o

— Você chegou. — A voz de Alba ecoou. — Por favor, sente-se, Christopher.

O garoto, que estava a centímetros de distância do professor, deu um passo para trás e olhou para a mãe, como se pedisse uma explicação. Assim sentaram-se, Theo em frente a Chris e Alba ao lado do filho.

— Então, podemos fazer o pedido? — A promotora indagou.

Christopher confirmou e escolheu o seu prato, mas assim que largou o cardápio, notou Theodore sorrindo em sua direção, logo desviando o olhar do seu; não pôde deixar de retribuir o sorriso, mas tratou de disfarçar quando Alba desviou a atenção do menu, olhando em sua reta.

O garçom se aproximou, somente recolhendo o pedido e se retirando novamente.

— E então, como vai seu braço? — A promotora perguntou ao professor.

— Melhorando...

— Foi o esquerdo? — Ela inquiriu.

— Sim, ainda bem que não sou canhoto. — Deu uma risada baixa.

— Ah, Christopher, ainda tem uma coisa que eu fico curiosa em saber. — Alba afirmou, recebendo um olhar de Theodore. — Como você sabia o que estava acontecendo na nossa casa? Não diga que foi uma mera coincidência, porque sei que não foi isso.

— O Theo me ligou. — Respondeu.

— Mas como? O telefone fixo fica na sala.

— Eu liguei daqui. — O garoto retirou o celular emprestado de Chris do bolso, colocando-o sobre a mesa.

— De quem é esse celular, Theodore?

— Meu. — O professor revelou.

— Eu pedi para que ele me emprestasse. — O garoto defendeu-o.

— Não foi isso, eu que quis que ficasse com ele, Theo.

— Isso não importa. — A promotora interrompeu-os. — Eu somente estava curiosa, mas já está explicado.

Um breve silêncio reinou na mesa, o gelo ali formado foi quebrado pelo garçom, que trazia uma pequena jarra de vidro com água e servia suas taças, enquanto esperavam os pratos.

— Bom... — Alba tomou a taça com água em mãos, dando um breve gole. — Christopher, novamente te agradeço pelo o que fez, você sabe que salvou a minha vida, sou extremamente grata.

— Já disse que não foi nada. — Envergonhou-se. — O que você fez por mim foi muito maior.

— O que ela fez? — Theodore levantou uma das sobrancelhas, confuso.

— Eu retirei a queixa. — A promotora contou.

— É sério?! — Exclamou, um pouco mais alto do que deveria, reparando mais uma vez os olhares das pessoas ao redor sobre si.

— Sim, Theo. — Alba confirmou.

Em poucos minutos o jantar foi servido.

— Então Christopher... — A promotora novamente o chamou. — Mesmo que ainda demore um tempo para eu me acostumar com essa ideia do que você sente pelo meu filho... Poderia me explicar detalhadamente como se conheceram?

— É claro. — Deu um gole na água.

— Eu já te disse que foi em um site de namoros, mãe. — Theo tentou simplificar.

— Continue, por favor, Christopher. — A promotora pediu.

— Bom, eu desconfiei da idade dele no primeiro minuto, mas ele me garantiu ter vinte e um.

— Culpado. — Theodore deu um sorriso sem graça.

— E depois disso? — Ela reforçou a continuação.

— Eu acabei acreditando, mas descobri a verdade depois de uns meses, quando as aulas começaram e vi que ele era um dos alunos da minha turma.

— Eu já tentei te contar essa história, mãe. — O garoto insistiu.

— Não o interrompa, Theodore.

— Bom, depois disso nós brigamos feio e nos afastamos, só que por mais que eu tentasse, não conseguia tirar o Theo da minha cabeça. — Sentiu as bochechas corarem. — Eu odiava admitir que tinha me apaixonado por ele.

— E como se entenderam? — Alba deu a primeira garfada em sua comida.

— Isso foi meio que culpa minha. — O garoto interferiu. — Sabe quando você me deu o carro? A primeira coisa que eu fiz, foi ir ver o Chris e me desculpar pela mentira... E tudo o que aconteceu foi melhor do que eu esperava.

— E daí em diante você sempre voltava tarde pra casa. — A promotora olhou para o filho, como se o julgasse.

Christopher deslizava o garfo sobre a comida, evitando olhar para Alba, temendo receber o mesmo olhar reprovador.

— Não consigo acreditar que isso aconteceu debaixo do meu nariz, só que ao mesmo tempo, não posso negar que é uma história e tanto. Vocês podem voltar a se ver, conquistaram esse direito, porém... — Fez uma pausa, enfatizando a última palavra. — Theodore deve voltar para a casa todos os dias, até a meia noite. Não terá desculpas para atrasos, já que terá seu carro de volta.

— Por favor, que você não esteja brincando. — Theo arregalou os olhos, agarrando o braço da mãe, quase pulando de felicidade.

— Eu nunca brinco. — A promotora olhou para o filho, seriamente, logo desmanchando a expressão carrancuda, soltando um riso. — Vocês estão tensos demais.

— Você quase me matou do coração! — O garoto se queixou.

— Mas sobre a minha permissão, eu falei sério sim. — Alba encarou ambos. — Christopher me provou que além de valente, realmente ama a pessoa mais importante do mundo pra mim. Eu só espero que ele continue cuidando bem de você, Theo.

— Vou proteger esse pirralho com a minha própria vida. — O professor concluiu, sorrindo.

— E por Deus, eu me lembro dos hematomas desse menino quando voltava da sua casa. — A promotora expôs, sem pudor. — Espero nunca mais vê-los, o mundo não precisa saber do que vocês fazem entre quatro paredes.

Chris quase engasgou com o que comia, enquanto Theodore deixava-se levar por uma risada gostosa.

— Não quis constrangê-lo, mas ainda falo sério. — Alba continuou. — E também tenho outra condição... Seria um problema conhecer os seus pais, Christopher?

— Mãe! — Theo a chamou, como se reclamasse.

— Não, é claro que não. — O professor concordou. — Minha mãe adorará te conhecer, acredito também que você terá muito em comum com a antiga profissão do meu pai, ele é juiz aposentado.

— Olha só, que bacana.

— Ah, Chris, falando neles... — Theodore lembrou-se. — Como a Avalon e a Chloe estão?

— Estão muito bem.

— Quem são? — A promotora entrou no assunto.

— Avalon é minha irmã e a Chloe é minha sobrinha recém-nascida. — Christopher retirou o celular antigo de seu bolso, mostrando fotos delas para Alba.

— A sua irmã é linda e a bebê é extremamente graciosa, parabéns.

— Você irá conhecer toda a minha família em breve e você também, Theo... — Chris esticou o braço sobre a mesa e entrelaçou a mão do garoto com a sua.

...♕...

Terminaram o jantar tranquilamente e com conversas agradáveis.

Antes de irem embora, Christopher venceu a breve batalha com Alba sobre quem pagaria a conta, ele queria se redimir e aquilo era o mínimo que podia fazer até o momento.

Quando se levantaram da mesa, caminharam os três juntos até a entrada.

— Eu acho que vocês devem querer se despedir, não é? — Alba fez uma pergunta retórica, olhando para o filho. — Eu vou te esperar no carro, não demore, parece que vai chover.

— Tá bom, eu já vou. — Theodore respondeu, vendo-a caminhar até o estacionamento.

— Ei, Theo... — Chris colou seu corpo ao do garoto, abraçando-o.

— Você consegue acreditar no que aconteceu hoje? Eu ainda penso que vou acordar a qualquer instante. — Riu, envolvendo-o com saudade.

— Só se for um sonho coletivo, eu também mal consigo acreditar.

— Bom, só uma coisa importa agora, vem aqui, deixa eu ver se sua boca tá com gosto daquela sobremesa que você pediu. — Theodore tocou a nuca do professor, trazendo seu rosto para perto e tomando seus lábios para si.

Christopher e Theo não conseguiam ouvir as risadas e murmúrios das pessoas que passavam pelo local e que estranhavam ver dois homens juntos, estavam tão ocupados se amando, que entre os dois não havia espaço para o ódio alheio.

E naquele mesmo momento, pingos leves de chuva começavam a cair, mas nem mesmo o toque gelado da água fez com que se separassem, o beijo era tão quente que as gotas pareciam evaporar em suas peles.

— Eu te amo, pirralho. — Mordeu o lábio inferior do garoto, puxando-o para si, tornando a sugar sua língua.

Theodore grunhiu em meio ao beijo, como se dissesse o mesmo, sem se desgrudar dos lábios dele. A chuva engrossou e eles continuaram ali por mais alguns minutos, levando suas mãos ao corpo um do outro, apalpando e agarrando o tecido das roupas.

Seus cabelos já estavam molhados pela chuva, mas ainda não se importavam, se abraçavam com força, sentindo o toque úmido de suas peles. O frio que começava a pesar não conseguia ganhar do fogo que subia em suas veias, deixando os sedentos por mais, nem que fosse só mais um selinho, ou talvez dois, três, quatro...

Suas bocas se desgrudaram após muito insistirem em ficarem juntas.

O garoto abriu os olhos vagarosamente, olhando abobalhado para o rosto a sua frente.

— Te vejo amanhã, Theo?

Notas finais
Queria agradecer ao Gleidison que me ajudou muito com esse capítulo! Espero que tenham gostado! Digam-me o que acharam! ♥