Fade Out Lines
47 Capítulo 47 — Caligrafia.
Notas iniciais
Capítulo 47 — Caligrafia.
Theodore olhou para a prima, enxugou as últimas lágrimas e entregou o seu celular.
— Obrigado, Lizzie. — Sorriu. — E me desculpa por ter demorado tanto na ligação...
— Não precisa agradecer, nem se desculpar. — Afirmou. — Eu fico feliz em ajudar, você e o Christopher merecem ser felizes, são o casal mais fofo que eu já vi.
— Acha mesmo? — Envergonhou-se.
— Com toda certeza.
— Theodore! — Alba bateu mais uma vez na porta.
— Já vou! Calma! — Bufou.
O garoto subiu as escadas e abriu a porta.
— O que você quer?
— Falar com você e a Elizabeth.
A prima subiu as escadas ao ouvir seu nome.
— Venham, Gioconda preparou um lanche pra vocês.
Se encaminharam até a cozinha, onde juntaram-se à mesa e Theodore perguntou:
— Você não disse que queria falar com a gente?
— Quero sim, mas não é nada importante, é o seguinte... — Alba iniciou. — Elizabeth adoro a sua presença aqui, mas como já sabe, Theodore está de castigo e eu quero seguir rigorosamente as regras, portanto, sei que não será empecilho algum você deixar o seu celular com Gioconda, quando vier nos visitar.
— Sem problema, tia! — Tirou o celular do bolso. — Toma aqui, não vai fazer falta, eu só venho para conversar com o Theo.
— Obrigada querida, pode ficar com ele por hoje, mas dá próxima vez que vier, já está avisada. — Deu um sorriso um tanto cínico. — Ah, acabei de me lembrar, vocês ficaram sabendo do almoço amanhã na casa da avó de vocês?
— Verdade! Minha mãe comentou comigo! — Elizabeth afirmou, animada. — Vocês vão?
— Hã? — Theo perguntou, sem entender.
— Ela vai reunir todo mundo lá amanhã, Theodore. — Alba explicou. — Nós vamos também.
— Eu não fiquei sabendo. — O garoto respondeu, indiferente.
Ao finalizarem o lanche da tarde, Gioconda retirou a mesa e os primos saíram da cozinha, se entreolhando, já sabendo o que se passava na cabeça um do outro.
— Você não achou estranho sua mãe comentar justamente do celular, assim, do nada? — Elizabeth sussurrou.
— Achei, eu até desconfiaria da Gioconda, mas não comentei com ela sobre isso.
— Esquisito... — A prima estranhou. — Bom, Theo, tenho cinema marcado pra mais tarde, tenho que ir, agora.
— Sério? Já vai?
— Pois é, mas você vai amanhã na casa da vó Cora, né?
— Vou sim. — Sorriu.
— Então até amanhã!
— Até. — Recebeu um beijo no rosto.
Elizabeth se despediu do primo e de sua tia, na entrada da casa, acenando ao atravessar a rua.
Quando Alba encostou a porta, observou Theodore caminhar até a sala de estar e se jogar no sofá. Seguiu-o e se sentou na poltrona, ainda encarando-o.
— O que foi? — Theo inquiriu, estranhando o olhar fixo de sua mãe.
— Nada.
— Sidney não está em casa para você encher o saco dele, é por isso que está em cima de mim?
— Por que seus olhos estão inchados?
— Hã?
— Quando você ficou trancado com a Elizabeth no porão, ou quarto, seja lá como você chama aquilo, você saiu de lá com os olhos vermelhos e inchados... Por acaso estava chorando, filho?
— Isso não é da sua conta.
— Olha o jeito que você fala comigo, estou sendo educada com você!
— Agora você vem com essa história, não é, Dona Alba? — Riu, sarcástico. — Agora você se faz de santa, agora você fala comigo com educação!
— Por favor, Theo, isso já foi, eu já te disse que eu estava alterada, você não pode me perdoar?!
— Te perdoar? — Repetiu, com incredulidade. — Presta atenção no que você está dizendo e me fala se tem cabimento... Você já esqueceu de tudo o que me disse? O tapa que você me deu? Porque se quiser, eu refresco a sua memória!
— Não é isso, Theodore. — Bufou. — Eu me lembro sim, não há nenhuma noite em que eu vá dormir, que eu esqueça de tudo o que eu disse! O que houve naquele dia aparece diante dos meus olhos como em um filme de terror... Isso me atormenta todos os dias, não diga que eu esqueci! Eu me sinto mal por tudo isso, só estou querendo fazer as pazes com você!
— Entendi, está pedindo uma trégua somente para aliviar o peso na sua consciência, não é? — Deduziu. — Mas adivinha, eu não vou te dar esse gostinho.
...♕...
No dia seguinte, Theodore chegava na casa de sua avó e foi o primeiro a ser recepcionado por ela, Theo recebeu abraços apertados e beliscões nas bochechas de Coraline, que em seguida, cumprimentou sua filha Alba e seu futuro genro Sidney, com mais formalidade.
O garoto ouviu que Elizabeth já havia chegado e procurou-a pela casa, foi abraçado pelas suas outras tias e primas durante o caminho, até achar quem procurava na sala de estar, assistindo televisão acompanhada de seu irmão mais novo, de apenas seis anos.
— Lizzie!
— Theo! — A garota que estava deitada, se sentou, puxando Theodore para se acomodar ao seu lado. — Você tá gatinho hoje, hein.
— Boba, eu nem me arrumei direito. — Riu. — É que você só está acostumada a ir em casa quando eu mal penteio o cabelo.
— Isso é verdade. — Concordou. — Tira uma foto comigo?
— Tiro sim.
— Eu quero tirar foto também. — O irmão de Elizabeth afirmou.
— Nem pensar, Evan.
— Por quê? — O pequeno questionou.
— Deixa ele tirar também, Lizzie.
— Eu já tirei um monte de fotos com ele mais cedo. — A prima rolou os olhos.
— Deixa, Liz.
— Tá bom. — Bufou. — Vem logo então, pirralho.
Os três se posicionaram diante a tela do celular, Elizabeth fez bico, como se estivesse mandando um beijo, Evan entortou os olhos e Theodore mostrou a língua. Essa foi a primeira de muitas fotos, que se seguiram de gargalhadas.
Quando a garota selecionou as melhores imagens para postar em sua rede social, escreveu uma descrição curta e enviou.
Evan se retirou do local para encher o seu copo mais uma vez de suco de uva, enquanto Theo olhava para a prima, perguntando:
— Será que o Chris vai ver essa foto? Você tem ele adicionado aos amigos, não tem?
— Tenho sim, inclusive, deixa eu ver se ele está online... — Olhou o site mais uma vez. — Bom, aqui está marcando off-line, mas sei que não vai demorar muito para ele ver, relaxa.
— Ah, Lizzie! Sabe, sobre ontem, eu fiquei pensando, o que eu vou fazer para falar com o Chris agora? Porque eu não vou conseguir ficar sem saber como ele está, mesmo que bem pouco, preciso falar com ele.
— Olha, Theo, se lembra que teve um dia que você me disse onde estava fazendo academia com o Christopher?
— Sim, me lembro.
— Ele ainda faz academia por lá?
— Ele malha lá há anos, então acho que sim. — Pensou. — Ele não pararia de ir só porque eu não posso mais. Por que a pergunta?
— É que eu geralmente vou para aquela região da cidade uma ou duas vezes na semana, eu sei que pode ser loucura, mas ontem pensei que vocês poderiam se comunicar por cartas...
— Hã? Mas como?
— Eu seria o “pombo correio” de vocês, ou coruja, se preferir. — Soltou uma risada. — Todas as vezes que eu fosse para lá, aproveitaria para entregar cartas suas ao Christopher. O que acha?
— Olha, isso é bem estranho, mas acho que pode dar certo. — Deu um sorriso.
— É claro que daria certo! Porque mesmo que me revistassem antes de entrar na sua casa, um papel é fácil de esconder, sabe.
— Você é um gênio.
— Obrigada, obrigada. — Jogou os cabelos.
— Mas isso não te atrapalharia? Ficar levando minhas cartas pra ele?
— É claro que não, acabei de dizer que já preciso ir para aquele lado da cidade algumas vezes na semana. — Explicou. — E você sabe que eu com certeza leria o que vocês estão escrevendo, então isso já seria o meu pagamento, adoro conversas íntimas de um casal.
— Você é esquisita. — Gargalhou.
— Somente sincera. — Deu os ombros. — E aí, você topa?
— Eu gostei da ideia, podemos tentar.
— Meu celular vibrou. — Ela pegou o aparelho novamente. — É uma notificação... Ai meu Deus! Você não vai acreditar em quem comentou na nossa foto!
...♕...
Christopher acordou com o toque estridente de seu celular, abriu os olhos com dificuldade e tentou se sentar, sentindo uma pontada nas costas. Percebeu que havia dormido aquela noite toda no sofá. Pegou o smartphone e viu o nome de sua mãe na tela:
— Alô? — Atendeu a ligação.
— Onde você está?! Não te falei que era para vir meio dia em ponto? Já são quase uma hora da tarde! Todos aqui já estão almoçando!
— Meu Deus, eu tinha me esquecido! — Se levantou rapidamente. — Mas eu já estou indo!
— Venha logo, vou colocar a comida no forno para não esfriar até você chegar.
— Ah, mãe, uma coisa, posso levar a Dora?
— Se você se responsabilizar pela sujeira dela, pode sim.
— Então eu vou levá-la, ok? E eu já estou indo, beijo.
Se despediu de Dulce e desligou.
Foi ao banheiro seguido por Dora, que latia, como se quisesse saber o porquê de tanta pressa.
O professor escovou os dentes com rapidez e lavou o rosto, aproveitando para passar as mãos molhadas nos cabelos, para abaixar o volume. Trocou a roupa amassada por outra mais apresentável e não exagerou no perfume, pois não tinha necessidade.
Pegou o celular e notou que não havia nenhuma mensagem nova, mas acabou vendo outra coisa que lhe chamou a atenção: uma foto de Elizabeth, ao lado de Theodore. Seu coração acelerou, ficando feliz em ver o namorado, mesmo rindo da cara engraçada que ele fazia.
Fez um simples comentário na foto: “Nunca adorei tanto caretas como hoje.”
Colocou o celular no bolso e pegou os acessórios de Dora; tigelas, brinquedos, sua ração e a sua caixa de transporte. Quando estava pronto para ir, colocou Dora dentro do transportador e saiu para o estacionamento.
Rumou à casa dos pais, com a presença da pequena cachorra, que latia, não gostando de estar trancada, mas ele sabia que se a deixasse solta pelo carro, ela ficaria incontrolavelmente alvoroçada.
Quando chegou, pegou Dora no colo e a sacola com os seus acessórios. Passou pela cerca e caminhou pelo gramado da entrada, batendo na porta por praxe, pois ela estava apenas encostada.
Entrou e já pode ouvir vozes, guiou-se até a cozinha, onde encontrou os pais e a irmã, acompanhada do marido, juntos em volta da mesa.
— Filho! — Dulce se levantou, para o cumprimentar.
— Desculpem a demora, acordei tarde. — Abaixou, dando um beijo na bochecha de sua mãe.
— E que gracinha é essa? — Avalon perguntou, vendo Dora no colo do irmão. — É aquele filhotinho que você ganhou?
— É sim, mas ela já deixou de ser filhote, mesmo não parecendo. — Riu. — Vou deixá-la no quintal. Mãe, você pode encher com água, uma das tigelas que eu trouxe, por favor?
— Essa aqui? — Pegou dentro da sacola.
— Isso. — Caminhou, abrindo a porta de vidro que dava acesso ao quintal, colocando Dora ao chão. — Você vai ficar aqui um pouquinho, filha.
— Eu escutei direito? Você está a chamando de filha? — Dulce riu, enquanto colocava a tigela com água ao chão.
— Pois é. — Agachou, colocando a ração na outra tigela vazia. — Prontinho.
— Agora deixa ela aí e vem almoçar. — Dulce o chamou para entrar novamente. — Lava as mãos que eu faço o seu prato.
Após seguir a ordem de sua mãe, juntou-se à mesa, cumprimentando seu pai e Greg.
— Então, Christopher, como vai o trabalho? Já entrou de férias? — Avalon indagou.
— Depois da semana que vem já estarei livre. — Elevou as mãos para o alto, comemorando.
— Estávamos comentando agora mesmo sobre quando nasceria nossa netinha. — Dulce afirmou, colocando o prato de Chris sobre a mesa. — Estamos entrando no inverno agora, você acha que ela nascerá no verão?
— É bem provável. — Respondeu Christopher. — Mas como sabem que será uma menina?
— Elas não sabem. — Edgar rebateu. — Eu e Greg temos certeza de que será um menino.
— Me desculpem, mas eu concordo com a mamãe. — O professor deu a primeira garfada. — Acho que será uma menina também.
— Por que acha isso? — Greg ergueu uma das sobrancelhas.
— Não sei dizer, é só um palpite. — Chris tomou um gole de suco.
Era certo que Christopher e seu cunhado não se davam muito bem, mas o professor gostava de fazer qualquer coisa que deixasse Greg contrariado, como uma diversão particular.
Gregory não era de falar muito e além de serem poucos os momentos que conversava, era seletivo, não era todo assunto que gostava de se inteirar. O marido de Avalon era dono de olhos claros e cabelos ondulados loiros, também esboçava uma expressão sonolenta.
— Greg, não quer cochilar? Está pingando de sono. — Dulce comentou.
— Eu estou bem. — Ele resistiu.
— É sério amor, vai dormir um pouquinho. — Avalon reforçou. — Vem, levanta.
Gregory cedeu e se retirou da mesa, sendo guiado até o antigo quarto da esposa, que preparou a cama para ele deitar e voltou para a cozinha.
— Quer comer mais, ou quer sobremesa? — Dulce questionou o filho, que já havia findado a refeição.
— Estou satisfeito. — Christopher tomou um último gole de suco.
— Não quer nem um pedacinho da torta que eu fiz?
— Mais tarde, mãe. — Levantou-se, recolhendo o seu prato da mesa.
— Não, não, deixa isso aqui comigo. — Retirou a louça da mão do filho.
— Não quer ajuda?
— Fica tranquilo, eu cuido disso. — Guiou-se até a pia. — E seu pai estava querendo falar com você, já foi ver o que ele queria?
— Ele foi para o quintal, né?
— Foi sim.
Chris abriu a porta dos fundos e avistou Edgar brincando com Dora.
— Ela é uma graça, não é? — O professor comentou.
— É sim, ela estava até agora mesmo correndo pela grama, você tinha que ver a felicidade.
— Ela geralmente só passeia alguns minutos pelo parque que tem lá perto do prédio, fora isso, quase não vê espaços verdes. — Riu. — Então imagino que isso aqui seja um paraíso para ela.
— Não pensa em se mudar?
— Vivo pensando nisso, porque eu até gosto do tamanho do apartamento, mas me sinto um tanto aprisionado sem um quintal.
— Neste bairro há algumas casas à venda, caso se interesse, nós poderíamos marcar uma visitação.
— Eu vou dar uma pesquisada ainda, quem sabe. — Falou, pensativo, logo lembrando-se de outro assunto. — A mamãe me disse que você queria falar comigo, o que era?
— Nada importante, só saber como anda a vida. — Deu um tapa leve em seu ombro. — E seus amigos, como estão?
— Michael e Emmet?
— Sim, eles mesmos, foram eles que te deram a cachorrinha, não foi?
— Sim, foram eles. — Afirmou. — Estão bem.
— E o Theodore, como está?
— Olha só, você se lembrou do nome dele! — Admirou-se. — Bom, ainda estamos juntos, mas as coisas não vão nada bem, se quer saber.
— O relacionamento não está dos melhores?
— Não, o problema não é esse. — Falou, seriamente. — A questão é que a mãe dele descobriu tudo, então ela me proibiu de vê-lo, até tirou-o da escola. Eu tenho medo do que ela possa fazer, de que ela entre na justiça e bom... Sei lá, estou preocupado, sinceramente, prefiro nem pensar muito.
— Você não pode negar que sabia que teria que enfrentar isso um dia.
— Eu sei, eu sei. — Suspirou. — Mas eu queria que não precisasse ter sido dessa maneira, não queria que ela pensasse que eu sou só um professor que seduz jovens ingênuos.
— Ele é um dos seus alunos?
— É. — Coçou a nuca. — Quer dizer, era.
— Como eu te disse antes, ele é bem grandinho para responder pelos seus atos, caso seja necessário. — Edgar caminhou até o jardim, sendo seguido pelo filho. — Só que isso não exclui o fato de ser proibido por lei o relacionamento entre professores e alunos.
— Obrigado por me acalmar, Senhor Edgar.
— Me desculpe por dizer a verdade.
— Sei que é verdade, mas agora que ela o tirou da escola, não sei o que está passando pela cabeça da mãe dele, é complicado!
— Realmente é, mas se você o ama mesmo, não pode medir sacrifícios para achar a solução desses problemas.
— Falou tudo, pai.
...♕...
Segunda semana de dezembro.
Todos os alunos tinham sido dispensados e os professores também, começando as tão sonhadas férias para ambas as partes. O natal não demoraria a chegar e Susannah já estava ansiosa, contando os dias para poder ir finalmente visitar Theodore, mas teria ainda que esperar uma longa semana.
Nicholas também tinha sido avisado do que havia acontecido com o amigo sardento, ficando chocado com a atual situação e desejando boa sorte não só para Theodore, como também para Christopher — precisariam para enfrentar Alba.
Elizabeth estava odiando o começo do inverno, pois adorava sua coleção de shorts jeans, mas era impedida pelo clima frio de usá-los. A sua sorte era que em São Francisco não nevava como em muitos outros estados, seu pior pesadelo era neve, já tinha morado em cidades absurdamente frias e não desejava isso para ninguém no mundo.
Já Theodore amava neve, mesmo vendo-a somente em algumas viagens, por nunca ter vivido em cidades que nevassem. Entretanto, concordava com Elizabeth que o verão tinha seus muitos pontos positivos e como nunca antes, concordou com ela de que o inverno castigava os solteiros, porque sem Christopher por perto, era complicado, se sentia carente.
Quando Elizabeth saiu de sua casa naquela tarde fria de dezembro, ela carregava consigo a primeira carta sua para Chris. Não deixou de observar que a garota estava engraçada com todas aquelas camadas de roupa, como uma cebola, mas ainda assim, elogiou-a, porque mesmo odiando o frio, não deixou de cumprir o que havia prometido antes, ela seria a intermediária entre os dois.
Elizabeth já havia combinado com Christopher o local que se encontrariam, então conforme as horas passavam, Theodore ficava cada vez mais ansioso, sabendo que em pouco tempo, os dois se encontrariam e assim, além de sua prima entregar sua carta ao professor, ela também traria de volta um manuscrito de Chris.
Christopher não aguentava mais o coração desesperado dentro de si, estava afoito, louco para saber o que Theo tinha escrito para ele. Quando o relógio que o garoto lhe deu de presente, marcou a exata hora que tinha combinado com Elizabeth, a garota não demorou muitos minutos a mais para aparecer.
O professor recebeu-a com um abraço apertado, feliz em vê-la.
— Aqui está! — Ela tirou um envelope da bolsa. — Olha, ele caprichou tanto no perfume nessa carta, que nem sei se as letras não acabaram ficando borradas, viu.
— É sério? — Riu, entregando a sua carta e pegando a de Theo. — Porque eu também fiz isso.
— Quem sou eu para julgar vocês, não é? — Sorriu, guardando o envelope de Christopher na bolsa. — Eu faria o mesmo.
— Eu queria tanto ler agora. — Chris encarou a carta.
— Por que não lê?
— É, tem razão. — Pegou os seus óculos de leitura da gola da camisa e colocou-os.
Já era bem notável o perfume que exalava por fora do envelope, mas quando retirou a folha de dentro dele, o cheiro da colônia do garoto ficou ainda mais perceptível. Isso embriagou o professor por poucos segundos.
No momento em que se deparou com a carta aberta, seu coração disparou ainda mais, já sabendo que tinha o toque de Theodore em cada pedaço daquele papel. Conhecia bem a caligrafia do namorado, aquela letra de forma, com pingos e pontos de bolinhas, era simplesmente única.
Fale com o autor