Fade Out Lines
48 Capítulo 48 — Chegada.
Notas iniciais
Capítulo 48 — Chegada.
— E então? — Elizabeth perguntou, ao ver que Christopher havia terminado de ler.
— Já quero mais. — Deu uma risada. — É realmente horrível não poder falar com ele, mas te agradeço por fazer isso por nós.
— Não é nada demais. — A garota afirmou. — E o que ele falava na carta?
— Bastante coisa do dia a dia dele, do quanto está com saudade... — Sorriu. — Basicamente tudo o que eu também escrevi para ele. Eu adorei.
— Tenho certeza que ele vai gostar muito da sua também! — Animou-o.
— Espero que sim. — Guardou o envelope de Theo. — Bom, já tenho que ir.
— Eu também. — Deu-lhe um abraço e um beijo em seu rosto. — Até depois, te deixo recado quando eu puder, dizendo como Theodore reagiu.
— Certo, vou esperar. Até depois!
...♕...
No dia seguinte, Theodore estava feliz por não precisar encarar Ernest por um bom tempo, aliviado pelas férias, era ainda melhor não precisar acordar tão cedo.
Só que aquele não era o único motivo de sua felicidade, além de estar contente porque Susannah iria visitá-lo na próxima semana, uma euforia sem tamanho o dominava ao saber que Elizabeth chegaria hoje com uma carta de Christopher.
O que conseguia livrá-lo de tanta inquietação naquele momento, era malhar na mini estação de treino que havia em seu quarto, já fazia uns dias que estava levando os treinos a sério, sempre se lembrando dos conselhos de Chris e do professor da academia.
Sabia que um novo corpo não apareceria em si repentinamente, então teria paciência e respeitaria a carga que suportava levantar, mesmo que algo em sua mente insistisse para que ele ultrapassasse os limites.
Fez uma pausa, esguichando um pouco de água gelada da garrafinha em sua boca. Estava suado e cansado, dolorido demais até para caminhar ao chuveiro, mas não poderia em hipótese alguma ficar sem um banho, então mesmo exausto, se dirigiu ao banheiro.
Despiu-se com dificuldade, estava completamente dolorido, se apoiava na parede enquanto tomava um banho morno, aliviado com o toque da água, que relaxava seus músculos.
Olhou para baixo, encarando a sua barriga lisa, não era bem o que gostaria de ver, queria um abdômen definido, pernas e coxas fortes, como Christopher. Mas ao pensar no namorado, foi inevitável, outro músculo rígido chamou sua atenção.
E não era por causa dos exercícios.
Deu atenção ao membro que latejava e por mais que seu braço direito fraquejasse, seu punho era insistente. Saiu do banho mais exausto do que entrou, mas tinha valido a pena.
Se enxugou e se trocou, logo deitando na cama. Sentia falta de seu celular e o notebook, já havia tentado furtá-los de sua mãe, porém, a porta do quarto de Alba estava sempre trancada.
Mal pregou os olhos para tirar um cochilo e ouviu batidas em sua porta.
— Tá aberta, entra! — Theodore exclamou.
— Oi, Theo! — Elizabeth apareceu, descendo os degraus. — Que cara de tédio, hein.
— Pois é, eu estava quase entrando em simbiose com a cama.
— Eu trouxe algo para te livrar desse sofrimento.
— O quê? — Olhou curioso para ela, que retirava um envelope de sua bolsa.
— Adivinha...
— Ele escreveu mesmo?! — Pulou da cama, pegando a carta de suas mãos.
— Sim, passou perfume nela também. — Sentou-se na beirada da cama do primo. — Vocês são bem parecidos.
— Eu sei. — Sorriu, envergonhado.
— Vamos, leia! — A garota incentivou, animada.
Theodore abriu o envelope e cheirou o papel, fechando os olhos ao imaginar o mesmo aroma no pescoço de Christopher.
Se deparou com a realidade ao abrir os olhos novamente, começando a ler a carta.
“Oi amor, como você está?
Eu estou bem e com uma saudade imensa de você, não posso negar, mas acima de tudo, não faço ideia de como escrever uma carta, ou melhor, o que escrever, já que as palavras simplesmente somem da minha cabeça.
Sabe, fiquei essa noite toda pensando no que eu poderia colocar nesse papel, no relógio é exatamente 3hrs19min da manhã e eu ainda não sei o que te dizer, portanto, decidi o seguinte: vou contar sobre o meu dia, afinal, mesmo que a minha vida não seja lá muito interessante, essa é uma maneira de enganar um pouquinho a saudade.
Dora está peluda como nunca, até pensei em mandá-la para a tosa, mas estamos entrando no inverno e não quero que ela sofra com o frio. Também estou cabeludo e por conta disso, Emmet e Michael já inventaram um nome de travesti para mim, me chamam de Madame Christie, ninguém merece, né? Mas eles te mandaram um abraço, estão com saudade de você também.
Eu sei que não faz um mês completo que nos vimos pela última vez, só que todo dia não consigo parar de olhar nossas fotos, pode me chamar de desocupado, mas minha rotina é realmente vazia sem você.
Sinto como se eu ainda tivesse um milhão de coisas para te dizer antes de selar a carta, mesmo assim, nada vem em mente, então, me desculpe por isso, mas acho que é só.
Eu posso até me considerar romântico, porém, quando o assunto é texto, sou um desastre, por isso adoro tanto os números. Aqui me despeço, deixando um beijo e um pedaço do meu coração, cuida bem dele, tá? Eu te amo, branquelo.
Com carinho, Christopher.”
— Já acabou? — O garoto se queixou.
— E então? O que ele disse? — Elizabeth perguntou, curiosa.
— Toma, pode ler. — Sorriu.
— Obrigada! — Deu um grito histérico.
Observou a prima percorrer os olhos pelo papel rapidamente, notando que poucos minutos depois, já havia terminado de ler.
— Foi bem curto, mas não deixou de ser fofo. — Ela afirmou. — Eu achei engraçado ele falando do apelido de travesti que ganhou!
— Vindo de Michael e de Emmet, esses apelidos não me são estranhos. — Soltou uma risada. — Você se lembra deles?
— Me lembro sim.
— Ai, ai! Eu queria tanto ver o Chris agora! — Se jogou na cama, abraçando o travesseiro. — Meu Deus! Que vontade de morder as bochechas dele!
— Não sabia que canibalismo era a sua praia. — A garota brincou.
— A porta estava aberta, então tomei a liberdade e entrei. — Gioconda aparece, com uma bandeja em mãos. — Quero saber se querem chocolate quente, acabei de preparar.
— Eu quero! — Elizabeth aceitou, levantando-se e pegando uma das canecas da bandeja.
— Você vai querer, Theodore? — Gioconda ofereceu-lhe.
— Pode ser. — Respondeu, se perguntando internamente se a governanta tinha escutado algo de sua conversa.
Estranhou a mulher chegar tão sorrateiramente em seu quarto, principalmente por ter descido a escada sem fazer nenhum som, entretanto, ignorou os fatos ao provar daquele chocolate quente.
— Isso aqui tá maravilhoso! — Elizabeth elogiou. — Você mesma fez?
— Sim, na panela.
— Meu Deus, você precisa me ensinar, ou melhor, ensinar a minha mãe, já que eu sou um desastre na cozinha. — A prima gargalhou.
— Bom, vou deixar a bandeja aqui com vocês, mais tarde venho recolhê-la.
Theodore olhou para os marshmallows e cookies que estavam na bandeja e estreitou os olhos, pensando no porquê de Gioconda estar o agradando tanto.
— Por que está tão calado, Theo?
— Nada, só estou pensando na carta. — Mentiu, não querendo falar sobre a descoberta da governanta para a prima.
...♕...
Um pouco mais tarde naquela noite, Elizabeth se despediu do primo, que ficou por um bom tempo admirando o silêncio de seu quarto e olhando para a carta de Christopher. Guardou-a em um local seguro, não poderia deixar ninguém encontrá-la de maneira alguma.
Theodore já estava sentindo os efeitos de seu “cárcere privado”, embora estivesse contente por conseguir achar um meio de se comunicar com Chris, sua felicidade era roubada sempre que suas mágoas vinham à tona, se sentia deprimido, mesmo tendo a prima para desabafar.
Tentava se manter positivo, sabia que um dia aquilo tudo iria acabar.
Gioconda havia esquecido de recolher a bandeja que havia deixado em seu quarto, então como Theo já pensava em se levantar, aproveitaria para deixar a bandeja na cozinha. Subiu as escadas e caminhou pelo corredor.
Mesmo sua mãe já tendo ido dormir, ouviu murmúrios, mas o garoto não soube distinguir de aonde vinham. Aproximou-se da sala de estar e ali não viu ninguém, porém, notou que a luz da sala de jantar estava ligada; permaneceu estático, prestando atenção nas conversas e reconhecendo a voz de Gioconda.
Colocou a bandeja sobre a mesa de centro da sala e encostou-se à parede, para tentar ouvir melhor o assunto sem ser notado.
— Por que está fazendo isso com eles, então? Já que não ama essa mulher de verdade, o que você tanto quer dela Sidney? Por que não pega logo o que quer e vai embora? Por que tem que se casar com ela?
— Não se intrometa, isso não é da sua conta.
— Olha só, Sidney, pode não ser da minha conta, mas você não precisa estragar a vida dessa família pelos seus caprichos.
— O que você sabe sobre mim, afinal? Por acaso não sabe do que eu sou capaz? Está pagando para ver, é isso? Porque se for, é só eu estalar os dedos que boto o Tom atrás das grades.
— Não precisa ser tão ignorante, estou fazendo tudo o que você pediu, não estou?
— Está sim, mas tente abrir a boca e você já sabe o que vai acontecer. — Sidney riu baixo, cinicamente. — E outra, estou fazendo um favor para essa mulherzinha me casando com ela.
Theodore fechou os punhos, queria sair detrás daquela parede e socar a cara daquele homem.
Era fato de que estava chateado com sua mãe, mas ela só estava agindo daquela forma nos últimos dias por influência de Sidney, portanto, mesmo que ainda ouvisse absurdos saindo da boca dela, não suportava ver aquele homem falando daquela maneira de sua mãe por suas costas.
Permaneceu ali por alguns segundos, em silêncio tão absoluto, que ouvia a própria respiração. Aquela conversa o intrigou mais do que todos os horrores relacionados ao Sidney que havia descoberto, pois o garoto não imaginava que Gioconda, no fim, se importava com ele.
Quando o diálogo se cessou, tratou de se retirar dali o mais rápido possível, correndo na ponta dos pés de volta para o seu quarto.
Na manhã seguinte, quando Theodore acordou e partiu para o café da manhã, todos já tinham ido trabalhar. Na cozinha, sentou-se no banco alto, de frente ao balcão, encarando a governanta, que cozinhava.
— Bom dia. — Gioconda o cumprimentou.
— Bom dia. — Apoiou o rosto sobre a mão.
— Gosta de ovos fritos com bacon?
— Gosto.
— Ei... Ainda está chateado comigo?
O garoto permaneceu em silêncio, sem saber o que responder.
— Pelo jeito isso é um sim. — A governanta soltou um muxoxo. — Bom, sua mãe me disse que logo receberemos visita, não é?
— Uhum.
— Ela também disse que é sua amiga de infância que está vindo, Susannah, certo?
— É.
— Olha, Theo, eu juro para você que eu estou me esforçando para te agradar nesses últimos dias, eu sei que você não gostou de saber que eu não sou uma “empregada” profissional, mas queria que você soubesse que eu só aceitei fazer isso pelo o meu noivo...
— Eu sei. — Interrompeu-a. — Eu ouvi a sua conversa noturna com o Sidney ontem.
— O que você ouviu?
— O suficiente. — Encarou-a fixamente. — Você já tinha me dito antes que ele tinha salvado seu noivo, que ele poderia ter sido preso se não fosse o Sidney, mas eu conheço o Sid, sei que ele não é chegado em caridade alheia, então o que o levou a fazer essa boa ação? E o que seu noivo fez de errado?
— Olha é complicado. — Suspirou. — Eu não contei isso a mais ninguém, mas eu sei que te devo explicações... Tom sempre foi um homem muito esforçado, sempre trabalhou para conseguir seu próprio dinheiro, nunca fez nada ilícito, o único erro dele foi confiar nos próprios amigos.
— Como assim?
— Vou tentar resumir: certo dia, ele estava reunido com esses tais colegas dele num bar, que acabaram armando uma para ele. — Gioconda desligou o fogo, parando de cozinhar. — Acontece que a polícia chegou no local, que já tinha sido denunciado por tráfico de drogas e umas coisas mais, Tom deu bobeira, não viu quando um de seus colegas escondeu um pacote de cocaína em sua mochila. Logicamente a polícia revistou-o e o levou para a delegacia na mesma hora.
— Que horrível.
— Foi aí que eu pensei no Sidney, ele era o único advogado que eu conhecia, então implorei por ajuda, fiquei de joelhos, Theodore... Não foi tão fácil assim como você está pensando, ele me ajudou pelas vantagens.
— Que vantagens?
— Qualquer coisa, eu disse que faria qualquer coisa se ele me ajudasse nessa, porque eu realmente não tinha dinheiro para pagar um advogado decente.
— Entendi.
— Bom, é isso. — Levantou os ombros. — Eu sei que não tenho a história mais linda do mundo, mas em nenhum momento menti sobre ela para você.
— Eu acredito. — Observou a governanta colocar os bacons e ovos em um prato. — E eu não estou mais ressentido com isso.
— Não está?
— Não. — Sorriu de lado. — Me desculpa por gritar com você naquele dia.
— Você não tem que se desculpar, garoto. — Aproximou-se dele, colocando o prato a sua frente. — Você tem todos os motivos do mundo, mas veja bem, você preferiu não contar para sua mãe, isso foi legal da sua parte também.
— Para falar a verdade, não contei porque ela não acreditaria se eu dissesse. — Pegou uma fatia de bacon com a mão, mordendo-a em seguida.
— Toma aqui um garfo. — Gioconda riu da cena.
...♕ ...
O começo da terceira semana de dezembro se iniciou, Susannah chegaria na parte da tarde de terça-feira, dia quinze. Então na manhã daquele dia, Theodore pulou de sua cama, ansioso para ver logo a amiga.
Viu sua mãe e Sidney saírem para trabalhar, ficando somente com a companhia da governanta. Tomou o café da manhã animado, conversando com Gioconda e lhe falando de suas histórias de infância com Susannah e das travessuras que aprontavam juntos.
— Você parece realmente feliz. — Ela observou. — Da forma que você fala dela, até eu estou ansiosa para conhecê-la.
— A Su é incrível, Gio. — Elogiou a amiga. — Ela tem um coração do tamanho do mundo.
— Bom, então acho que ela merece algo especial, não é? O que ela gosta de comer? Pode falar e eu preparo, pode ser qualquer coisa.
O garoto se animou ainda mais, falando de tudo o que Susannah gostava, ele e a governanta passaram um bom tempo na cozinha, Theodore até se ofereceu para ajudá-la, queria melhorar seus dotes culinários.
Gioconda enxugava as mãos, quando ouviu a campainha tocar; um sorriso enorme se formou no rosto de Theo.
O garoto correu para a sala de estar, sendo seguido pela governanta, que retirava as chaves do bolso. Theodore se posicionou diante da porta de entrada impaciente enquanto Gioconda a abria.
— Theo! — Susannah exclamou, sendo abraçada fortemente pelo o amigo.
— Su! — Levantou-a do chão, mesmo com o corpo dolorido.
— Demorei muito? — Ela perguntou, ao ser libertada, enquanto gargalhava.
— Demais! — Respondeu, recuperando o fôlego. — Então Susannah, essa aqui é a Gioconda, ela estava ansiosa para te conhecer.
— Prazer em conhecê-la. — A governanta deu um sorriso simpático. — Theodore me falou muito bem de você.
— Prazer! — Retribuiu o sorriso.
— Vamos, entre que eu levo as suas coisas.
— Não precisa, pode deixar comigo. — Theodore pegou as duas malas da amiga, levando-as para a sala de estar.
— Está com fome, Susannah? — Gioconda perguntou.
— Eu estou bem, obrigada.
— Mentira, Gio, pode preparar o lanche porque a Su sempre faz isso! — Delatou-a. — Diz que não está com fome, só porque acha que vai incomodar.
— Theo! — Susannah o repreendeu, rindo. — Mas eu assumo, estou com um pouquinho de fome sim.
— Eu não disse? — O garoto mostrou a língua, puxando a amiga pelo braço até a cozinha.
A governanta preparou a mesa, colocando o que haviam preparado sobre ela.
— Acredita que foi Theodore que fez boa parte do que está na mesa, Susannah? — Gioconda afirmou.
— Hã? Como assim? O Theo não sabe nem fritar um ovo!
— Que mentira! — O garoto fingiu indignação.
— É verdade, ele está pegando o jeito na cozinha, acredite.
— Olha só, já dá para casar agora. — A amiga brincou.
— É, só falta minha mãe aprovar o Christopher.
Susannah o olhou um tanto espantada, por ele ter dito aquilo em voz alta, não sabia da relação que ele tinha com a governanta.
— A Gio sabe dessa história, Su. — Continuou. — Era meio que inevitável, né, já que ela teria que me aturar aqui.
...♕...
Ao cair da noite, os dois amigos assistiam à televisão quando ouviram barulhos na porta de entrada, logo vendo Alba e Sidney entrarem por ela.
— Susannah! Você chegou! — A promotora caminhou até ela
— Tia Alba! — Levantou-se, a abraçando. — Como você está?
— Estou bem. — Sorriu. — E como foi a viagem?
— Viajar de ônibus é sempre demorado, mas foi tranquilo.
— Que bom, fico feliz que esteja aqui, viu? — Esfregou os ombros da garota. — Já jantaram?
— Já sim.
— Qualquer coisa que precisar, é só me pedir, tá certo? E ah, eu falei com seus pais...
— Sério? Eu também falei com eles mais cedo, avisando que já tinha chegado.
— Sim, mas não foi disso que conversamos. — Encaminhou-se até a poltrona, vendo a garota se sentar também.
— O que foi, então?
— Eles já sabiam sobre o castigo de Theodore, então concordaram com você seguir uma das regras que eu propus.
— Ih, começou... — O garoto rolou os olhos.
— Bom, Susannah, eles concordaram em conversar com você pelo telefone fixo daqui de casa, ou pelo meu celular, me permitindo de te abster do seu celular.
— Eu fiquei sabendo disso. — Tirou o celular do bolso. — Não tem problema, aqui está.
— Me desculpe por isso. — Alba segurou o aparelho.
— Está tudo bem, eu entendo.
— Bom... Mudando de assunto, eu tenho um convite a te fazer, Susannah.
— Pode falar, tia.
— Amanhã vou escolher o meu vestido de noiva e eu gostaria bastante da sua presença para me ajudar a escolher. O que acha?
— Eu adoraria! — A garota sorriu.
— E o Theodore também vai.
— Hã?! Por que está me metendo nessa? — Reclamou.
— É na mesma loja que encomendei o seu smoking, você precisará ir provar, para assim fazerem os ajustes. — Explicou, vendo Theodore bufar. — Enfim, boa noite pra vocês, eu irei dormir mais cedo. Amanhã será um dia cheio, então também descansem bastante.
— Boa noite, tia.
O garoto olhou a mãe caminhar para o quarto, onde Sidney tinha ido sem ao menos os cumprimentarem.
— Não acredito nisso, eu ainda não consigo acreditar. — Theodore se queixou.
— Calma, Theo...
— Sabe, eu já até desisti, se ela quer casar com esse cara, que se dane.
— É complicado. — Encostou a cabeça no ombro do amigo.
— Eu decidi que vou me preocupar com a minha própria vida, Su.
— Você tá certo.
— Pois é. — Deu um sorriso. — Eu estou malhando quase todos os dias, sabia? Faz algumas semanas já.
— É sério?
— Sim, tô quebrado, você não tem ideia, mas eu quero levar adiante, porque quando eu sair dessa casa, quero ver Christopher surpreso com meu corpo novo.
— Gostei de ver! — Riu alto. — É assim que se fala, Theo!
— É claro que vai demorar um pouco para aparecer resultados. — Ergueu a borda da camiseta, olhando o próprio abdômen. — Me lembro do Christopher dizendo que demorou uns seis meses para ele começar a ter resultados, quando ele começou a malhar.
— E ele tinha a sua idade quando começou, né?
— Sim. — Deitou a cabeça no colo da garota. — Ah, eu tô com saudade dele...
— Vocês estão se falando por cartas, não é? — Sussurrou. — A Elizabeth me contou.
— Se não fosse por ela, isso não seria possível.
— Acho isso bem legal da parte dela...
— Verdade! Eu quero ver a cara dela quando te ver aqui! — Deu um sorriso travesso.
— O que quis dizer com isso?
— Ahn, nada não.
— Fala, Theo. — Pediu, seriamente. — O que é que tem?
— Olha, eu não posso afirmar com certeza. — Levantou sua cabeça do colo de Susannah. — Mas eu acho que ela gosta de você.
Fale com o autor