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44 Capítulo 44 — Gioconda.


Notas iniciais
Beijos & Boa leitura! ♕

Capítulo 44 — Gioconda.

Alba andava em círculos, com as mãos na cabeça, tentando não encarar o filho, que continuava parado, a observando com incredulidade.

— Mãe, eu juro por Deus que...

— Por Deus, Theodore?! — Parou a caminhada pela sala, virando-se para o garoto. — Não meta Deus nessas suas promiscuidades!

— É sério! Me escuta ao menos uma vez na vida!

— Então diga, vamos. — Cruzou os braços, se aproximando dele.

— Fui eu que menti a idade para ficar com ele! Fui eu que mesmo ele tendo terminado comigo quando descobriu, que fui atrás! Ele não tem culpa de nada!

Alba gesticulava a cabeça negativamente.

— Chega, eu não consigo ouvir nem mais um pio dessa história. — Respirou fundo, massageando as têmporas. — Isso é errado de tantas formas que eu não aguento mais...

— Eu não sei porque é tão difícil para você entender que eu amo ele!

— Chega, Theodore! — Desferiu a mão aberta contra a bochecha do filho, dando-lhe um tapa.

O garoto arregalou os olhos e sentiu um dos lados do rosto arder, levando sua mão ao local atingido.

— Eu te odeio... — Theo murmurou, com os lábios trêmulos.

— Eu não queria fazer isso. — Afirmou, seriamente. — Mas você não me deu escolha.

Ainda descrente do que sua mãe havia feito, deu-lhe as costas e girou a maçaneta, a fim de sair por onde havia entrado. As mãos desesperadas da mulher lhe agarraram, alcançando a mochila que usava e assim, o puxando, tentando o impedir de ir embora, aos gritos.

Sidney, ouvindo a discussão barulhenta, já se aproximava do local, até perceber um tumulto ainda maior. Com o dobro da força de Alba, conseguiu puxar o garoto para dentro, não deixando que ele escapasse.

A mulher trancou a porta, vendo o noivo fechar a cara.

— Droga, moleque! — Enraiveceu-se. — Respeita a sua mãe!

— Me solta! — Empurrou-o. — Você não tem nada a ver com isso!

— Sidney, por favor, você poderia pegar a mochila dele para mim?

— Não encosta em mim! — Deu um passo para trás.

— Anda logo, passa pra cá. — O homem estendeu a mão, indo na direção de Theo.

O garoto tentou escapar por entre eles, para ir ao seu quarto, mas não conseguiu a tempo, foi mais uma vez puxado e teve a mochila tomada à força.

— Pegue as chaves de casa e do carro dele para mim, o celular também. — Alba exigiu.

— Deixa as minhas coisas! — Theodore tentou impedir Sidney, sendo derrotado.

— Aqui está. — Entregou os itens à mulher.

— Só uma falta uma coisa. — Alba tornou a andar, com os objetos em mãos, indo em direção ao corredor.

Os dois a observaram enquanto ela descia as escadas do porão, mas Sidney segurava o garoto, imobilizando-o, para que ele não atrapalhasse a busca da mulher pelo o notebook de Theodore.

Quando ela retornou, subindo as escadas, já estava com o computador portátil em mãos, Theo deu um grito, em reprovação, mas não conseguiu impedir que sua mãe levasse os seus pertences para longe dele.

Sidney afrouxou o aperto e o garoto conseguiu se livrar dos braços que o prendiam, para que em seguida fosse correndo até a porta do quarto de sua mãe.

— Eu não vou devolver, se é isso que veio pedir. — Alba colocava os pertences dentro de uma gaveta de sua cômoda.

— Isso não é justo, eu quero as minhas coisas...

— Você não vai precisar delas. — Interrompeu-o. — Porque de agora em diante, você não sai dessa casa sem a minha supervisão. Nem precisará das outras distrações, vai se focar nos estudos, somente.

Theodore permaneceu em silêncio, vendo a expressão enigmática de sua mãe, que tornou a dizer:

— E com estudos, Theodore, digo aulas particulares, você nunca mais pisará naquele colégio, nem ver o rosto do seu querido professor de matemática, novamente.

...♕...

No outro dia, logo pela manhã, Sidney e Alba já haviam despertado e se arrumado para o trabalho. Theodore também já tinha acordado, na esperança de que talvez sua mãe o deixasse ir para a escola uma última vez.

A mulher e o seu noivo ouviram a campainha tocar, já imaginando quem poderia ser e assim rumaram até a porta de entrada.

O garoto ficou curioso para saber quem era que os visitava tão cedo, saiu do porão e andou pelo corredor, ouvindo as conversas:

— Gioconda, esta é Alba, minha noiva. — Sidney apontou. — E aquele é o Theodore, meu futuro enteado.

— Prazer em conhecê-los. — A governanta sorriu.

— Bom, sinta-se à vontade para me perguntar qualquer coisa. — Alba afirmou. — Mas nossa rotina não é tão cheia, então creio que irá se adaptar rapidamente.

Enquanto Alba instruía a governanta sobre as atividades, Theodore observava bem a mulher aparentemente jovem, lhe daria no máximo trinta anos; com cabelos castanhos curtos e repicados, reparou também em seus olhos claros e sua feição de otimismo.

O garoto ouvia a conversa e prestava atenção nas tarefas que Gioconda seria encarregada em sua casa. E mesmo que a mulher aparentava simpatia, Theo não se agradou com sua presença, preferindo nada dizer.

Assim que Alba e Sidney partiram para o trabalho, Theodore ficou sob os cuidados de Gioconda, que seguiu-o até a cozinha.

— Então Theodore, você já tomou o café da manhã? Quer que eu prepare alguma coisa para você?

— Não.

— Tem certeza? Eu sei fazer waffles, panquecas, ovos fritos com bacon. O que você gosta de comer?

— Eu não preciso de uma babá.

— Eu não sou sua babá, garoto. — A governanta afirmou. — Além do mais, você já está bem grandinho para uma.

— Então diga isso para minha mãe.

— Eu não queria perguntar, mas fiquei curiosa... — Ponderou. — Sua mãe me instruiu a não deixar você sair, nem aceitar nenhuma visita sem a permissão dela, até mesmo ligações foram proibidas... O que você fez de tão ruim?

— Eu não quero falar disso.

— Tudo bem. — Gioconda apoiou os braços no balcão. — Quando eu tinha sua idade, passei pela mesma coisa...

Theodore olhou-a, como se estivesse interessado na continuação de sua história.

— Bom, na época, eu estava com dezesseis anos e estava saindo com um rapaz há alguns meses, aconteceu que ele me engravidou, mas quando descobriu, eu nunca mais o vi novamente, ele desapareceu. — Fez uma breve pausa e continuou. — Mas meus pais ficaram absurdamente bravos comigo, me colocaram em um cárcere privado, até minha filha nascer, eu não podia sair de casa se não fosse com eles e não falava com mais ninguém, foi terrível, não sei como não entrei em depressão...

— E o que aconteceu depois disso? — O garoto indagou.

— Minha filha nasceu e quando isso aconteceu eu já tinha completado dezessete anos, hoje ela está com doze. E o cara que me engravidou, nunca a procurou, não a assumiu.

— Poxa, que chato.

— Tá tudo bem, atualmente tenho um noivo que a trata como se fosse filha. — Sorriu.

— Como ela se chama?

— Emily. — Retirou a carteira do bolso. — Quer ver uma foto dela?

— Quero sim.

— Aqui. — Retirou a imagem da carteira e mostrou para ele.

— Ela é linda, parece muito com você.

— Obrigada.

— Esse ao lado dela é seu noivo?

— Sim.

— Bom, fico feliz que tudo tenha dado certo.

— Vai dar tudo certo pra você também, eu sei. — Encorajou. — Não quer me contar mesmo o que aconteceu? Quem sabe eu possa te ajudar?

— Talvez você tenha a mesma reação que eles, mas eu já não me importo mais com o que vão pensar. — O garoto iniciou. — Enfim, acontece que eu estava namorando uma pessoa sete anos mais velha que eu.

— Não vejo mal nisso.

— O problema é que essa pessoa é um homem. — Encarou-a. — E coincidentemente, também era meu professor de matemática.

— E por que você estava namorando o seu professor?

— Nos conhecemos na internet, de início ele não sabia que eu era mais novo porque eu falava que tinha vinte e um.

— Por que mentiu a sua idade?

— Para poder participar do site. — Respondeu, logo continuando. — E nós saímos, tivemos alguns encontros e tudo isso aconteceu quando eu estava de férias. Depois disso as aulas voltaram e me deparo com ele na sala de aula, não quis acreditar que ele seria meu professor, nem ele quando viu que eu era um dos alunos.

— Ah, então ele descobriu dessa forma... — Observou-o atentamente. — E como ele reagiu a isso?

— Ele ficou puto, tentou se controlar a aula inteira, fingindo que não me conhecia, então, quando a aula acabou e todo mundo saiu da sala, nós discutimos, mas ele não quis entender o meu lado, então terminou comigo.

— E ficou por isso mesmo?

— Não, ficamos um mês e meio separados, mas aconteceu um imprevisto e fui parar no hospital, ele ficou preocupado quando soube por um amigo meu que eu estava internado, então foi me ver e depois disso nós continuamos discutindo. Uns dias depois, perto do meu aniversário, nós reatamos.

— E tudo isso escondido da sua mãe?

— Sim. — Balançou a cabeça. — O problema começou quando minha mãe descobriu que eu era gay, ainda não sei direito como ela descobriu, mas parece que nos viu juntos em algum lugar, só que ela não brigou comigo de início.

— E o que aconteceu para ela chegar ao ponto de te prender aqui?

— Na segunda-feira, ela foi na reunião de pais e mestres e reconheceu o rosto do Christopher, viu que ele era o homem que estava comigo, então pediu para que ele se afastasse de mim.

— O que suponho que não deve ter sido nada bonito...

— Eu tentei fingir que tinha terminado com ele, mas não deu certo. — Sentou-se em um dos bancos altos, de frente ao balcão. — Não sei se deu para entender, mas resumindo, é isso.

— É uma história e tanto. — Admitiu. — Só que eu ainda acho que sua mãe está sendo exagerada, mesmo eu entendendo o ponto de vista dela, sabe...

— De eu ser uma aberração e não merecer ver a luz do dia?

— Não é isso. — Riu. — Não há problema algum em você ser gay, mas imagino que ela está preocupada, ela deve achar que esse homem está se aproveitando de você...

— Pelo coração de manteiga do Christopher, é capaz de eu estar me aproveitando da boa vontade dele.

— Mas digo isso também pelas segundas intenções, Theo, qualquer um que não ouve a história direito, vai achar que ele é só um homem que está se aproveitando da inocência do seu aluno. Sei que sua mãe se preocupa com isso.

— Se minha mãe soubesse que a maioria das vezes que transamos, é porque eu peço. — Riu debochado.

— Ela deve ter noção que a sua idade é a que os hormônios mais florescem.

— Eu até ia te mostrar uma foto dele, mas estou sem celular, sem notebook, sem nada... — Afirmou. — Você não tem noção do quanto ele é bonito, um pedaço de mal caminho ambulante.

— Falando desse jeito, até fiquei curiosa. — Soltou uma risada. — É uma pena que não estou com o meu celular aqui, senão eu poderia te ajudar.

— O que eu mais quero é falar com ele, avisar o que aconteceu, ele deve estar preocupado.

— Nós vamos dar um jeito nisso, vou tentar te ajudar.

...♕...

No outro dia, Theodore se recusou a levantar da cama pela manhã, mas seus desejos foram por água abaixo quando Alba chamou por ele, enquanto batia na porta de seu quarto.

Sem saber o que sua mãe queria, esfregou os olhos e subiu as escadas, abrindo a porta.

— O que é?

— Vá se arrumar, seu professor chegará ás nove.

— Hã?

— Você escutou, vá se arrumar, a Gioconda já chegou e está preparando o seu café da manhã.

O garoto, um tanto contrariado, trocou o pijama por uma roupa apresentável, mas continuou descalço, não se daria ao luxo de calçar sapatos.

Indo à cozinha, cumprimentou a governanta, que acabava de pôr a mesa.

— Bom dia, Theodore.

— Bom dia, Gio. — Falou, logo analisando. — Posso te chamar assim?

— Claro, como quiser, meu sobrinho me chama de Gigi.

— Pode me chamar de Theo, Gigi.

— Tá certo, Theo. — Riu baixo. — Você prefere café, chá ou suco?

— Café.

— A água já está fervendo, vou preparar.

— Você ficou sabendo do meu novo professor? Minha mãe te disse algo dele?

— Tudo o que eu sei é que o nome dele é Ernest Johnson, ele parece o Dumbledore, de Harry Potter, sabe?

— Sério? — Gargalhou.

— Sim. — Olhou em volta. — Mas não diz pra sua mãe que eu falei isso, seria falta de respeito com ele.

— Mas se ele é tão velho, porque ainda dá aulas?

— Pelo que soube, ele é aposentado, mas faz isso para complementar a renda.

— Ah, entendi...

— Aqui está, prontinho. — Levou uma xícara de café até o garoto. — Com açúcar, não diz pra sua mãe.

— Ela falou que eu detesto adoçante?

— Sim, mas que não era para não ceder às suas vontades, só que ela não precisa saber disso, precisa? — Sussurrou.

Theodore meneou com a cabeça, rindo juntamente à Gioconda, logo tendo o riso cortado.

— O que foi? — A governanta perguntou, notando sua mudança de humor.

— Estou preocupado com o Christopher, só isso.

— Ah, Theo... — Suspirou. — Infelizmente, me deram a ordem de não trazer o celular hoje também, pelo jeito já imaginam que eu possa quebrar as regras, ou que você pode pegá-lo.

— Não tem problema, eu sei como a minha mãe é, e o Sidney também não é um santo.

— E o telefone fixo, por que você não o usa?

— Do jeito que eles são, sei que monitorariam as ligações, melhor não arriscar.

— Você tá certo. — Concordou. — Mas coma alguma coisa, logo o Ernest vai chegar.

...♕...

Christopher chegou ao trabalho, indo até a sala dos professores.

Ainda estava preocupado com Theodore, não tinha notícias do garoto desde terça-feira à noite, quando ele saiu de sua casa. Ele não atendia as ligações, seu celular estava desligado ou fora de sinal, também não entrava na internet, o que aumentava a sua aflição.

Ouviu um pedaço da conversa do diretor da escola com um dos professores, aproximou-se e ouviu o sobrenome de Theodore.

— Com licença, ouvi que um aluno foi transferido, é isso? — Christopher interrompeu-os.

— Sim, um garoto do terceiro ano, Theodore Richard Brandford. — O diretor afirmou. — Era um dos seus alunos?

— Sim, ele era...

Notas finais
Gente, cadê as recomendações da fic? Não estão gostando? =/