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42 Capítulo 42 — Enfrentando.


Notas iniciais
Beijos & Boa leitura! ♕

Capítulo 42 — Enfrentando.

— O que disse?! — O professor indagou, assustado.

— Você entendeu muito bem. — Alba caminhou até ele. — Não se faça de idiota.

— Sra. Brandford, deve haver algum engano...

— Não me questione! — Tomou uma das mãos de Christopher, fazendo-o encarar a própria aliança em seu dedo. — Veja bem, não seria coincidência demais o meu filho ter um anel idêntico a esse?

Chris permaneceu em silêncio, sentindo o estômago embrulhar.

— Além do mais, desde que eu entrei nessa sala, te achei absurdamente familiar. — Revelou. — Eu não esqueceria o rosto que vi junto ao de Theodore, em beijos inescrupulosos, em um local público!

— E-Eu... — O professor sentiu as pernas bambas, sua voz falhou.

— O que tem a dizer? — Encarou-o, sentindo o sangue ferver. — Vai negar?

— Não é isso que está pensando...

— E o que é, então?! O que mais poderia ser?! Estou mentindo quanto ao fato de você estar dormindo com um de seus alunos?! É isso?!

— Não foi bem assim que as coisas aconteceram, eu realmente amo o seu filho, Sra. Brandford.

— Isso é doentio, repugnante...

— Não nos conhecemos na sala de aula, eu o conheci antes mesmo de saber que ele seria um dos meus alunos. — Tentou explicar, sentindo-se febril, tremendo pelo nervosismo.

— Você não tem vergonha? Olhe para si mesmo, ele é só uma criança!

— Com todo o respeito, ele é um adolescente e...

— E você um homem! — Interrompeu. — Não diga que meu filho já tem idade suficiente para saber o que quer, porque ele não tem!

Com os olhos em chamas, Alba olhou mais uma vez para Christopher.

— Há quanto tempo estão juntos?

— Eu não sei dizer ao certo.

— Então há tanto tempo assim?

O professor não respondeu.

— Todas as vezes que ele dormia fora, quer dizer que ele estava com você, não é? — As lágrimas desciam flamejantes por seu rosto. — Dormindo, na sua cama.

Christopher, mais uma vez, não ousou responder.

— Como eu fui cega... — Os lábios de Alba tremiam. — Meu Deus, como pude ser tão cega?

Christopher permaneceu estático, olhando o desespero da mulher a sua frente, sem saber o que dizer. Sentiu o peito apertar dentro de si, com remorso.

— Mas isso não vai continuar assim, ah, não vai mesmo... — Enxugou as lágrimas. — Você vai se afastar do meu filho de uma vez por todas.

— Como é?

— Você irá terminar com o Theodore.

— Sra. Brandford, me perdoe pelo o que houve, mas eu realmente não posso fazer isso.

— Como ousa dizer que não?!

— Eu já disse, o amo, eu o amo mais do que você possa imaginar.

— Olha só, não foi uma pergunta, foi uma ordem! — Exigiu. — Você vai terminar com ele e não vai dizer que falou comigo, invente qualquer outra desculpa, mas não irá dizer que foi ao meu pedido.

— Eu não vou fazer isso.

— Ah, você vai. — Ameaçou. — E sabe por que eu sei que vai?

— Por quê?

— Porque caso contrário, eu te boto atrás das grades.

— Você não pode.

— Eu posso, porque mesmo não tendo prova do relacionamento de vocês, só o boato de que um professor está saindo com um aluno, já pode custar o seu emprego... Quer mesmo arriscar?

— Estou disposto.

— Você ao menos tem ideia de com quem está falando? — Inquiriu. — Eu sou promotora de justiça.

— Eu estou ciente, Theo me diz muito sobre a família.

— Ótimo. — Deu-lhe as costas.

— Sra. Brandford, eu realmente...

— Chega. — Cortou sua frase. — Já conversamos o suficiente. E eu já te disse tudo o que eu tinha para falar.

Não olhou para trás antes de se retirar do local, não conseguiria encarar aquele homem sem querer estapeá-lo. Não perderia sua pose e manteria sua dignidade.

...♕...

— Theo, que bom que atendeu. — Aliviou-se. — Aonde você está?

— Em casa, Chris, por quê?

— Precisamos conversar, não pode ser por telefone.

— O que aconteceu?

— Vem pra cá o mais rápido que puder, só isso.

— Tá tudo bem?

— É uma longa história.

O professor desligou a chamada com o coração em mãos, além de estar preocupado com a situação, estava preocupado com Theodore e o trânsito, com medo do garoto sofrer um acidente por sua causa.

Esperou um pouco mais de dez minutos até ouvir toques em sua porta de entrada. Abriu-a e assim que Theodore passou pela porta, envolveu-o com seus braços, em um abraço apertado.

— Você tá me assustando... — O garoto soltou uma risada.

— Estou feliz que esteja aqui. — Falou, ainda dentro do abraço.

— É sério, Chris, o que tá acontecendo? — Afastou-se. — O que queria falar comigo?

— Sua mãe estava em casa quando você saiu?

— Não, por quê?

— É que ela foi à reunião de pais e mestres, eu conversei com ela... — Fez uma breve pausa antes de continuar. — Mas não conversamos somente das suas notas, Theo.

— Do que falaram?

— Vem. — Puxou-o para o sofá.

— Fala, fala logo. — Pediu, assim que se sentou ao lado do namorado.

— Eu não sei como dizer isso, mas serei direto. — Suspirou. — Ela sabe sobre nós.

— Hã?

— Ela afirmou ter me visto com você, não disse nem quando, nem aonde, só que reconheceu o meu rosto... — Explicou. — Foi um desastre, Theo, eu tentei disfarçar, mas ela também notou que a minha aliança era igual a sua, então... Parece que ela ligou os pontos sozinha e foi isso.

— Meu Deus... — Theodore permaneceu sem reação. — Você tá brincando, né?

— Eu queria estar.

— Mas, como assim? Como ela... Mas...

— Eu sei, tá confuso pra mim também.

— E agora?

— Sou eu que te pergunto, Theo. — Encarou o namorado. — O desejo de sua mãe é que eu termine com você. E ela também pediu para eu não te contasse nada sobre isso, queria que eu somente me afastasse de você, sem dizer o motivo, ou que eu inventasse uma desculpa qualquer.

— Ela não pode fazer isso!

— Theo. — Colocou suas mãos nos ombros do garoto. — Eu sei que é difícil, mas eu passo essa escolha para você, eu não quero que se meta em encrencas, não quero acabar com sua vida, te deixar contra sua própria mãe, então... Você escolhe, seja qual for sua decisão, eu vou entender.

— Eu não vou terminar com você, idiota! — Berrou. — Eu te amo, foda-se o que ela quer, eu nunca me afastaria de você, por nada desse mundo!

— Sei disso, Theo. — Deu um sorriso desanimado. — Mas pense bem, veja quantos problemas você pode ter, como será a sua vida depois disso?

— Espera aí...

— O que foi?

— Se ela quisesse que eu soubesse da conversa de vocês, não teria pedido que você não contasse, não é?

— Certo.

— Então se eu agir normalmente, ou melhor, fazer um teatro, fingindo choro pelos cantos, ela vai achar que você terminou comigo!

— Pode funcionar.

— É claro que funciona! — Abriu um sorriso.

— Mas eu ainda fico preocupado, porque eu disse que não iria me afastar de você, mesmo que isso pudesse me colocar na cadeia.

— Ela te ameaçou?

— Deixa pra lá...

— Não. — Encarou-o. — Me fala, ela te ameaçou? O que ela disse?

— Não é importante, não se preocupe...

— Bom, saiba que eu não vou desistir. — Se aproximou, deitando a cabeça no ombro de Christopher. — Não importa o que aconteça, eu não vou desistir de nós.

— Me anima muito ouvir isso, Theo. — Beijou o topo da cabeça do garoto.

— Não liga para o que ela disse, tá? Eu não vou deixar que ela faça nada de ruim a você. Não mesmo.

O professor deslizou suas mãos pelos braços de Theodore, acariciando sua pele, enquanto sentia a respiração quente do garoto em seu pescoço.

— Eu não consigo nem pensar em um mundo sem você. — Theo confessou. — Não consigo nem imaginar como seria.

— Nem eu.

— Tenho medo de...

— De? — Chris indagou, enfatizando a continuação da frase.

— Eu já te causei tantos problemas, não consigo fazer nada direito e ainda por cima você corre risco comigo... — Fungou, tentando impedir a primeira lágrima. — Tenho medo que você se canse de mim.

— Theo, por favor, não fale bobagens. — Afastou-o o suficiente para o olhar nos olhos. — Eu sei que isso não é fácil, mas olha pra mim... Eu estou aqui, não estou? Eu te amo, por mais difícil que seja a situação, eu não te deixarei, nunca.

— E se algo ruim acontecer?

— Tipo o quê? Eu ser preso? — Deduziu. — Se isso acontecer, eu continuarei amando você, vou te esperar a cada dia, mesmo que você se canse de me esperar.

— Não fala isso... — Theodore afundou sua cabeça no ombro de Christopher. — Não, não fala... Isso não vai acontecer.

— É isso que eu estou tentando te dizer, não se preocupa, não. — O envolveu mais uma vez.

— Sabe, tô pensando em uma coisa agora...

— Diga.

— Se minha mãe disse que te reconheceu de algum lugar e que pelo jeito estava comigo, então quer dizer que ela já sabia de nós. — Pensou. — O que é estranho, já que ela não falou para mim.

— Então se eu não fosse seu professor, ela nos aceitaria normalmente?

— É basicamente isso que estou tentando entender. — Coçou a nuca. — Se tivesse ficado furiosa ao descobrir sobre minha sexualidade, teria falado comigo antes, brigado e feito um escândalo, entende?

— Sim, é um tanto confuso, mas entendo.

— Então quer dizer que ela escondeu de mim... — Concluiu. — Espera! Me lembrei!

— O quê?

— Ontem mesmo ela veio com um papo estranho pro meu lado, dizendo que sabia que eu estava namorando, apontando pra minha aliança e dizendo que eu não precisava fingir, que quando eu estivesse pronto para falar com ela, ela estaria disposta a ouvir... E isso foi tão esquisito, mas tá explicado agora!

— Se fosse um namoro com uma garota, ela não se preocuparia tanto em usar essas palavras, tá na cara que é exatamente disso que ela está falando.

— Tudo se encaixou agora, eu deveria ter reparado antes.

— Às vezes não podemos prever essas coisas, Theo.

— Eu sei...

— Ei, vem cá. — O professor deu-lhe um selinho. — Eu vou conquistar a confiança da sua mãe, prometo.

— Mas eu tenho medo do que ela possa fazer.

— Eu sei, Theo, se eu fosse ela também não entenderia tão facilmente essa situação, também acharia que é só mais um aproveitador no mundo... — Colou sua testa na do namorado. — Mas ninguém mandou ela ter um filho tão lindo.

— Bobo. — Riu, envergonhado. — Ah, uma coisa que você não sabe...

— O quê?

— Antes da minha mãe fazer faculdade de Direito, ela foi modelo durante toda a adolescência, por isso que decidiu me colocar numa agência de modelos mirins quando eu era criança, achou que me faria bem, como fez a ela.

— É sério? — Soltou uma risada. — Você já tinha me dito que foi modelo, mas sobre a sua mãe, eu não sabia...

— Pois é.

— E você pretende voltar a ser modelo?

— Não sei. — Riu. — Acho que não levo mais jeito.

— Eu posso até implicar com você, dizendo que sou ciumento demais, mas é bem legal te imaginar posando, desde que não seja nu, é claro.

— Sei lá, talvez eu volte a fazer isso, só que eu realmente amo Exatas e quero seguir nessa área.

— Você vai morrer de fome.

— Então morreremos de fome, juntos. — Gargalhou. — Além do mais, eu morreria de fome de qualquer jeito, já que mal poderia comer se fosse modelo.

— Até parece, você se entope de doces e não engorda. — Brincou. — E qual foi a última vez que teve uma espinha?

— Pensando bem, é verdade...

Christopher notou o suspiro do namorado, que mais uma vez apoiou sua cabeça em seu ombro.

— O que foi, amor?

— Você me faz esquecer de tudo que me incomoda... — Afirmou, passando suas mãos pelo peito do namorado, por cima do tecido da camisa.

— É pra isso que estou aqui. — Afagou os cabelos negros de Theo. — E você não precisa se preocupar com nada, vai dar tudo certo, viu?

— Eu realmente espero que sim.

Abraçou o garoto, descendo suas mãos pelo seu dorso, trazendo-o para perto, colocando-o sentado sobre seu colo.

— Vou estar aqui, sempre que precisar. — Prometeu. — Eu te amo, pirralho.

— Eu também amo você, babaca. — Lançou seus braços à sua nuca.

Se aproximaram para um beijo sem pressa, longo e carinhoso.

Mais tarde, o professor temeu ao se despedir de Theodore, não queria que ele fosse embora, um mau pressentimento o dominava.

Tinha feito de tudo para permanecer tranquilo na frente de Theo, não queria o preocupar ainda mais. Sabia que ele enfrentaria muita coisa em sua casa e precisava mais do que nunca de sua ajuda.

A todo o momento, tentou lhe passar tranquilidade, mas não podia negar que ainda estava abalado com a sua discussão com Alba.

...♕...

— E aí, viado. — Sidney cumprimentou o garoto, assim que ele chegou em casa. — Fiquei sabendo de coisas muito interessantes sobre você hoje. Sua mãe até mesmo cancelou de sairmos para jantar, por isso.

— Do que você está falando?

— Ah, vai fingir que não sabe, agora?

— Eu não sei e também não quero saber. — Deu-lhe as costas.

— Queridinho do professor... — Sorriu diabolicamente. — É por isso que você é tão bom em matemática? Você dá o cu em troca de notas boas?!

— Vai se ferrar! — Theo virou-se para aquele homem, indo em sua direção de punhos fechados, depositando toda a sua força contra o seu rosto.

Sidney sentiu um dos lados de seu rosto latejar, por conta do murro.

— Você não fez isso... — Murmurou, em tom vingativo.

Alcançou a gola da camiseta de Theodore, agarrando o tecido com força, torcendo-o entre seus dedos. Não pensou no hematoma que deixaria quando desferiu uma joelhada no abdômen do garoto, fazendo-o tossir, urrando de dor.

— Você terá muito mais que isso... — Sussurrou-lhe, enquanto Theo se contorcia, com as mãos no local afetado. — Assim que eu acabar com sua mãe, vai ver o que é surra de verdade, vou te ensinar a virar homem, moleque.

Deixou-o sozinho ali, na sala de estar, Theodore ouviu a porta se fechar e pensou em aonde Sidney poderia estar indo, quando se lembrou que algumas vezes por semana, sua mãe fazia aula de pilates a noite, ele provavelmente estaria indo buscá-la.

Andou até o sofá e se sentou, ainda dolorido.

Encarou a televisão desligada por um bom tempo, refletindo no que havia acabado de acontecer. Estava assustado, por mais que sabia do que aquele homem era capaz, agora ele sabia de outro segredo seu, como se já não tivesse motivos o suficiente antes, para o torturar.

Temeu pelo o que fosse acontecer quando sua mãe chegasse, pensando se seria uma má ideia ficar em seu quarto o resto da noite.

Assim caminhou ao porão, trancando a porta e em seguida, descendo as escadas.

Se jogou em sua cama e agarrou um travesseiro, seu coração pulsava como nunca, podia ouvir as batidas em seus ouvidos. Mal conseguia raciocinar, seu cérebro parecia ter parado de funcionar sob toda aquela pressão.

Remexeu na cama, mudando para uma posição mais confortável.

Olhou para uma de suas mãos, encarando o anel em seu dedo, observando os desenhos únicos estampados em seu exterior. Entristeceu-se ao retirá-lo, como se uma parte de seu peito fosse arrancada junto, mas sabia que aquilo era preciso para que acreditassem em seu pequeno “teatro”.

Guardou-a em um local especial, que ninguém procuraria.

Passou alguns minutos em puro devaneio, lembrando-se das palavras de Christopher. Já sentia a falta de sua voz, de sua companhia. Queria mais do que nunca, estar ao seu lado naquele instante, precisava de sua força para prosseguir.

Tocou o medalhão por cima do tecido de sua camiseta, abrindo um sorriso. Todas as vezes que se sentia para baixo, se lembrava das palavras de Christopher sobre a fênix, que trazia toda a sua esperança de volta.

Estava distraído quando ouviu batidas em sua porta, Alba o chamava e pedia para que ele abrisse, insistentemente.

Respirou fundo e subiu as escadas, ouvindo a voz de sua mãe ficar cada vez mais nítida.

Tocou a maçaneta com suas mãos trêmulas e sussurrou, antes de abrir a porta:

— Que a peça comece...

Notas finais
Espero que tenham gostado do cap! ლ(❤ʚ❤ლ)