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15 Capítulo 15 — A última aula.
Notas iniciais
Capítulo 15 — A última aula.
—O que você foi fazer no meu quarto? —A voz do garoto saiu fraca.
O corpo de Theodore estava congelado, queria avançar naquele homem que esboçava um olhar cínico em sua direção, mas nenhum músculo se movia.
—Você me enganou muito bem, olha, eu nunca imaginaria que você é um viado, e pela sua conversa com ele, você adora mesmo dar o cu.
—Vai se foder! Por que não cuida da sua vida?!
—Não há motivo para ficar tão irritado, eu não contarei para a sua mãe, se quer saber. —Sidney se aproximou. —Mas tudo tem um preço, e o meu silêncio é bem precioso...
Ouviram passos, o coração do garoto quis explodir, sua mãe apareceu, já trocada para o trabalho e se aproximou, dando um beijo no rosto de Sidney.
—Demorei muito? —Alba olhou para o filho e logo depois para Sidney. —Do que estavam falando?
—Sobre o primeiro dia de aula do Theo, falei para ele que não precisava ficar nervoso... —O homem parou seus olhos sobre o garoto.
—Bem, você está um pouco pálido, querido... —Ela levou suas mãos ao rosto de Theo. —E está gelado também, cruzes! Não precisa ficar assim! Você já conhece a escola, e devia se animar, você é um sênior¹ agora!
—Vou pegar minha mochila, já são sete e meia! —Ele disfarçou, olhando no relógio de parede.
—Você ainda não tomou o café? —Ela olhou para o balcão, vendo as coisas que o garoto havia pego, ainda sem uso.
—Não estou com fome. —Theodore tornou a andar, ansioso para sair dali.
Ainda assustado com a situação, o garoto retomou o fôlego ao adentrar seu quarto novamente, não acreditando no que estava acontecendo. Por um breve segundo, pensou se Sidney realmente não contaria para sua mãe, mas o que Theo mais queria naquele momento, era se manter calmo, pois sentia que sua cabeça iria explodir.
“Merda!” Era tudo o que se passava na cabeça de Theodore.
Além de tudo aquilo que Sidney lhe disse, ainda se lembrava que esse homem havia dormido na mesma cama de sua mãe, e lhe tocado. O garoto tentava imaginar que tipo de coisas eles conversavam a noite, e se Sidney realmente estava interessado em se tornar o seu padrasto.
Se aquilo acontecesse, sua vida seria um inferno dali em diante, e pelo jeito que as coisas andavam, o relacionamento dos dois estava sério, pois muito antes do jantar formal em sua casa, Alba já se encontrava com Sidney após o trabalho.
Theodore precisava urgentemente gritar, descarregar a raiva que sentia, seu estômago embrulhou, o nervosismo havia o deixado enjoado.
Batidas na porta de seu quarto o despertaram, Alba chamava o garoto, que apressou-se, pegando sua mochila.
—Tem certeza que não quer comer nada?
—Não mãe, estou bem.
—Então vamos logo. —Ela ajeitou a alça de sua bolsa no ombro. —Nós vamos no carro do Sidney.
—Por quê?!
—Se esqueceu que trabalhamos juntos?
—Mas precisam viver colados, agora?!
—Para de reclamar e anda logo.
Contra sua vontade, Theodore caminhou até a garagem, onde Sidney já esperava dentro do carro, ele entrou e sentou no banco traseiro.
—Espera só um pouco! Esqueci meu celular na cozinha! —Alba abriu a porta, e correu para dentro de casa.
Theo sentiu um gelo na espinha ao se deparar sozinho novamente com aquele homem, mas permaneceu calado, e temeu quando ele tornou a abrir os lábios.
—Você tá nas minhas mãos agora, garoto, acho bom me obedecer se quiser que sua mãe não descubra seu segredinho...
Ele não se atreveu a responder, somente engoliu seco, e fechou os punhos, sentindo seu sangue ferver debaixo da pele. Sidney fez menção para um novo diálogo, mas logo foi interrompido por Alba, que retornava.
—Desculpe por isso, mas não posso ficar sem celular, ele toca vinte e quatro horas!
—Não é nada meu amor, já pegou tudo?
—Já sim, podemos ir.
O homem puxou Alba para um beijo, e o garoto quis vomitar.
Logo eles prosseguiram, Sidney o deixaria em sua escola, e Theodore não via a hora de chegarem logo. O clima estava pesado, e ficava difícil de respirar dentro do carro daquele homem.
—Então Theo, como vão as namoradas? —Foi surpreendido por uma pergunta irônica de Sidney.
—Não tenho tempo para namoros. —Respondeu, secamente.
—Ah, claro. —Riu, cheio de sarcasmo.
O garoto olhou para sua mãe, que estava indiferente, ela não fazia ideia nem da metade do que se passava ali.
Algumas quadras adiante, o carro foi estacionado.
—Tome muito cuidado, rapazinho. —Sidney provocou, sendo logo entendido por Theodore.
O garoto saiu, com rapidez, mal se despedindo deles. Ele andou pela calçada e ajeitou a mochila nos ombros.
Finalmente conseguiu respirar, mas o nervosismo tomava conta de seu corpo quando se lembrava de cada mísera palavra que Sidney havia o dito. Mas mesmo que suas pernas vacilassem, ele conseguia se manter de pé.
O garoto caminhou até a entrada da escola, retirou seu horário das aulas daquela semana e caminhou para a primeira sala, um pouco atrasado, mas aliviado por não ser o único.
A primeira aula era Literatura, e mesmo que não odiasse, também não amava. Ele teve que se segurar para não cochilar, pois somente por isso, poderia levar uma detenção, como aconteceu na sua escola em Roseville.
Lembrou-se que ao menos, Susannah estava com ele nesse dia.
Theodore não pode deixar de sorrir ao se lembrar disso, a garota estava ao seu lado até nos piores momentos, e suportar uma hora de detenção se tornava agradável na presença dela.
Quando eram pequenos, sempre faziam companhia um ao outro nas carteiras duplas, e compartilhavam tudo: desde o lanche, até o mesmo gosto por músicas. Alba acreditava com todas as suas forças que aquela amizade, um dia floresceria e viraria um grande amor.
Não aconteceu o que ela esperava, mas ainda assim, amava ter Susannah como a filha mulher que nunca teve. A menina adorava passar as noites na casa de seu amigo, pois sempre recebia mimos, enquanto na casa de seus pais, estava sempre um caos!
Quando se deu conta, o sinal já alertava Theo do fim da aula, e ele acordou de seus devaneios, percebendo que não havia prestado atenção em nada do que a professora tinha dito.
O garoto se levantou, pegou sua mochila e retirou o papel do bolso, olhando o número do seu novo armário. Caminhou até o local que não teve tempo de visitar antes por ter chegado atrasado, e colocou sua senha para o abrir.
Logo guardou no armário os materiais que não precisaria nas próximas aulas, e assim seu dia continuou. Theodore não estava nem um pouco animado, pois já estava naquela escola há um bom tempo, e ninguém parava para lhe cumprimentar nem oferecer uma ajuda.
Ele estava com saudade de sua escola antiga, era bem menor e muito aconchegante, todos se conheciam, e as salas não eram tão difíceis de se encontrar. Pensava ele se cinco minutos de intervalo entre os períodos era o suficiente para encontrar sua classe, pois os corredores eram muitos, e as placas explicativas por todas as partes o confundia.
Algumas aulas se passaram, e Theodore finalmente teve uma pausa para o intervalo, mas que para ele, foi como uma tortura, pois o almoço era um inferno, com suas filas enormes e mesas lotadas de pessoas.
Decidiu então, que naquele dia não almoçaria, só compraria algumas barras de chocolate e refrigerante na máquina da escola. E fez isso, caminhou até o outro canto do refeitório e logo avistou a máquina, com poucas pessoas ao redor.
Esperou sua vez e colocou as moedas, escolhendo o que queria. Ao pegar os chocolates, colocou-os dentro do bolso, segurou a lata de refrigerante e caminhou até exterior da escola, queria respirar ar puro.
Ao sair, percebeu que algumas pessoas almoçavam lá fora, com seus grupos de amigos, e algumas estavam espalhadas pelos poucos bancos que ali tinha.
Dirigiu-se então, até debaixo de uma árvore, cuja sombra era extensa, e ali sentou-se, na grama. Abriu a lata e quase derrubou todo o conteúdo dela ao ouvir um grito.
—Ah que susto!
—Me... Desculpa? —Falou Theodore, olhando ao redor, procurando de onde tinha saído aquela voz.
—Eu não vi você chegando. —O garoto olhou para Theo detrás da árvore.
—E eu não te vi aí. —Theodore respondeu, observando o jovem, e reparou no caderno em sua mão. —Ei... Você desenha?
—Eu tento...
—Posso dar uma olhada?
—Não são bons. —O menino relutou.
—Ah, só uma olhadinha...
—Tudo bem, mas... Não ligue, são só rabiscos.
Theodore segurou com cuidado o caderno de desenhos do garoto, e fascinou-se com os “rabiscos”; algumas folhas revelavam pessoas, outras, paisagens, mas todos os desenhos eram realistas e bem detalhados.
—Eu queria rabiscar assim. —Theo brincou, olhando a assinatura no canto da folha. —Nicholas, certo?
—Sim, mas pode me chamar de Nick.
—Eu adorei todos eles Nick, principalmente os da garota, você se inspirou em alguém?
—Sim, minha namorada, Alison.
—Então você deu sorte, ela é muito bonita, com todo o respeito. —Theodore sorriu, logo colocando a mão em seu bolso, tirando dois chocolates. —Ei, pega um.
—Não precisa...
Theo colocou o chocolate na mão do garoto, e tornou a falar dos desenhos, elogiando-os, pois viu que Nicholas realmente tinha talento.
Passaram o resto do almoço ali conversando, e quando menos esperavam, foram alertados pelo sinal, que marcou o fim do intervalo. Theodore queria saber se o garoto iria as mesmas aulas que ele, mas infelizmente, Nicholas tinha outras matérias naquele dia.
Se despediram, e Theo rumou até seu armário novamente, estava aliviado por já ter sobrevivido a três aulas consecutivas. Pegou tudo o que precisaria para as suas três últimas aulas e caminhou até a sala de história.
Theodore sentou-se na única carteira vazia, todas as outras já estavam ocupadas com seus pares, então ele olhou para a porta e viu uma garota baixinha entrar. Ela caminhou em sua direção, e ocupou o lugar vago ao seu lado, colocando os livros sobre a mesa.
Theo reparou que a garota olhou em sua direção duas ou três vezes antes do professor iniciar a aula, ele estranhou o seu comportamento, ainda mais depois de receber um sorriso tão indiscreto da parte dela.
Ele continuou a disfarçar, fingindo que não percebia que a garota não tirava os olhos dele. E mesmo considerando História uma das matérias mais monótonas e cansativas, não conseguia parar de olhar para a lousa, queria logo sair dali, e que o tempo passasse rápido.
A menina o cutucou uma vez, pedindo sua borracha emprestado, e Theodore fuçou em seu estojo antes de lhe entregar. Não sendo o bastante, a baixinha tornou a chamá-lo, pediu mais dois favores e em seguida pediu o número de seu telefone.
O garoto sorriu, concluindo o que já desconfiava, ela estava o paquerando, mas ainda assim o fez, pegou e rasgou um pedaço de papel do fim de seu caderno, e escreveu uma sequência de números aleatórios, e lhe entregou. Pensava que, talvez, daquela forma a garota não o procurasse mais, e mesmo que tentasse ligar, teria muita sorte se alguém atendesse naquele número imaginário.
Theo pegou seus poucos materiais quando a aula acabou e se levantou, retirando-se dali rapidamente, tentando despistar a menina. Sua próxima aula não foi diferente, tinha sido Geografia, e os minutos demoraram a passar, parecia que quanto mais Theodore olhava no relógio, mais os minutos retrocediam.
O garoto estava ansioso para a sua última aula, não só pelo fato de logo após poder ir embora, mas sim, porque adorava matemática, e queria ver quais matérias novas aprenderia.
Caminhou até a sala, mas confundiu-se e entrou no lugar errado, quando percebeu, saiu imediatamente do local. Tornou a procurar o corredor certo, e mesmo que não ficasse muito longe, demorou a encontrar.
Quando achou, conferiu o número na placa antes de entrar, e Theodore ficou aliviado por ser ali mesmo. O garoto pretendia sentar na primeira carteira, mas as da frente já estavam todas ocupadas, então guiou-se até o fundo, sentando-se em uma das carteiras vagas.
Theo abria seu estojo, ouvindo o murmúrio das meninas ao seu lado, sons indescritíveis saíam de suas bocas, e logo riam baixinho. O garoto tornou a prestar atenção na conversa delas, e mesmo que não era de sua conta, queria saber o que era tão engraçado.
Foi então que pode ouvir em baixo tom, cochichos sobre como o professor era charmoso, e Theodore levantou a cabeça, olhando para frente.
O coração de Theo congelou, e sentiu seu corpo estremecer.
Quando acabou de apagar a lousa, o professor se virou para os alunos, cumprimentando, e abrindo um largo sorriso, perfeitamente delineado por lábios que Theodore conhecia muito bem.
—Boa tarde pessoal, meu nome é Christopher, mas podem me chamar de professor Chris. —Sorriu. —Como estou no meu primeiro ano nessa escola, e vocês no último, queria conhecer um pouco mais de cada um, antes de iniciarmos...
“Céus!”
“Aquilo estava mesmo acontecendo?!” Theo não conseguia parar de se perguntar.
Christopher nunca havia o dito que dava aulas, e mesmo citando poucas vezes seu trabalho, nunca aprofundaram o assunto, assim como o garoto, que não gostava de falar sobre sua suposta “faculdade”.
Então Theodore tentou esconder-se, sua sorte era que o menino sentado em sua frente, era alto e largo. Pegou seu caderno, colocou-o na frente de seu rosto, e continuou parado, até perceber que Chris pegaria a lista de alunos e chamaria os nomes por ordem.
Seu coração tornou a bater forte, queria escapar dali, mas não sairia sem ser visto. A ansiedade o dominava, ele não conseguiria passar despercebido aos olhos de Christopher até o fim da aula, pois o seu amado professor já chamava um a um.
A cada pessoa o seu nome se aproximava, e suas mãos suavam ainda mais, a sala estava ficando quente!
O garoto podia jurar que todos ao seu redor ouviam seu coração batendo, as pulsações vibravam em seus ouvidos, o seu nervosismo aumentava. Ele encolheu o corpo, detrás do rapaz gigante a sua frente, e escorregou na cadeira, tentando se esconder.
O pavor crescia, seu corpo tremia, tinha calafrios quando o vento frio contrastava com sua pele suada. Seu rosto empalidecia e seu peito inflamava, temendo ao máximo o que aconteceria.
Pouco conseguia ouvir das outras pessoas, elas contavam suas ambições, e Theodore não conseguia prestar atenção em suas vozes, que saíam distorcidas, os olhos do garoto não conseguiam focar sua visão, e seu corpo abalava-se a cada nome que o professor chamava.
—Theodore? —Christopher chamou, olhando para a sala.
Silêncio.
O garoto paralisou, sentiu cada mísero pelo de seu corpo arrepiar.
—Theodore não está? —Ele olhou para a lista novamente. —Theodore... Brandford?
Chris reconheceu aquele nome, seria uma coincidência?
—Ele está ali professor! Está com vergonha de falar! —Uma voz rasgou o silêncio.
A garota apontou para o sardento que estava escondido, Christopher deu alguns passos adiante, podendo ver nitidamente a imagem do garoto estático, olhando-o assustado.
O professor sentiu o sangue ferver, cerrou os punhos, amassando o papel. Ele não acreditava no que via.
As bochechas de Theodore envermelharam-se mais do que nunca, e sua respiração falhou. A sala toda estava voltada em sua direção, aumentando ainda mais seu nervosismo, o garoto tentou falar, mas acabou balbuciando coisas indescritíveis.
—Nada para falar, Theodore? —Chris tentou ao máximo se manter calmo. —Tem certeza?
Theo continuou parado, abaixando os olhos, não conseguiu encará-lo por muito tempo, a vergonha o impedia. Sabia que ele estava furioso, e reconhecia isso somente pela tonalidade de sua voz.
O professor bufou, ninguém entendeu sua repentina mudança de humor, mas Christopher queria gritar, extravasar toda a sua raiva em cima daquele garoto miserável que havia o traído. A raiva era tanta, que olhou uma última vez para Theodore, sentindo seus olhos lacrimejarem pelo nervosismo. Mesmo que contra sua vontade, se manteve firme, e prosseguiu com a aula.
Respirou fundo, desamassou a folha, e chamou os últimos nomes da lista.
Quando todas as pessoas terminaram seus discursos, Chris caminhou até sua mesa, e ficou em pé ao lado dela.
—Queria esclarecer uma coisa com vocês, aqui nessa sala tenho minhas regras; não admito atrasos, celulares, conversas paralelas, e acima de tudo... Mentiras.
O garoto sentiu seu estômago embrulhar, sabia que aquela indireta tinha sido para ele, e sentia-se mal, seu peito apertava, como nunca antes tinha acontecido. A aula foi tortuosa, parecia que a cada minuto que passava, o ar ficava denso, difícil de respirar.
Os números eram espalhados pela lousa, todos copiavam silenciosamente, mas a mente de Theo viajava longe. Pensava em milhares de coisas ao mesmo tempo, e principalmente, do que estaria se passando na cabeça de Christopher. O seu coração batia acelerado, aquela situação era constrangedora, e ele queria ir embora dali, com medo do que fosse acontecer.
Mesmo com o professor deixando o aluno sardento de lado, e não olhando para ele em qualquer momento que fosse, o seu peito doía, seu coração comprimia, a angústia era grande. Chris queria mais do que tudo tirar satisfações com ele, mas tinha que esperar, não podia fazer aquilo na frente de todos, e o máximo que poderia fazer, por enquanto, seria segurar a raiva.
Tentou se concentrar nos números que escrevia sobre a lousa, mas ainda assim, sua mente estava longe. Passou alguns exercícios, os explicou, e finalmente pode se sentar, ainda evitando contato visual com um certo garoto do fundo da classe.
Os minutos se passaram, e o momento que Christopher esperava, chegou. Todos ouviram o sinal do fim da última aula, e os jovens já estavam com as mochilas arrumadas para irem embora, com exceção de um único adolescente.
Assim saíram, todos com pressa, querendo atropelar uns aos outros, como um bando de animais. Theo se levantou quando não havia mais ninguém na sala, e pegou sua mochila. O garoto se aproximou de Christopher, que caminhou até a porta, a encostando. Logo ele virou para o garoto, com o rosto vermelho, vociferando:
—Que porra é essa Theodore?!
—E-Eu...
—Você deve ter repetido muitas vezes para estar aqui, não?
—Não é isso! Eu quis contar... Eu quis!
—Theodore Brandford, você quis contar? Quis o caralho! Dois meses de namoro, como você pode me enrolar desse jeito? Seu moleque!
—Se eu tivesse contado, você me aceitaria? Você daria uma chance para mim? Hein?! Me responde! Daria uma chance para um moleque?!
—Eu aceito a verdade, para ela sim eu dou uma chance, me dê um tiro, mas nunca minta para mim... —Christopher abaixou o tom de voz quando se lembrou que alguém poderia ouvir. —Eu fiz amor com você Theodore, confiei em você como nunca confiei em ninguém na vida, te apresentei aos meus amigos! Eu te dei todos os meus sentimentos... E em qual momento você pensou em mim?
—Quando? O tempo todo! Eu penso em você o tempo todo, acha que eu gostava de mentir? Eu fui obrigado, eu nunca poderia participar daquele site com a minha idade, você sabe!
—Obrigado? —Riu nervosamente. —Que justificativa patética! Garoto, você poderia simplesmente ter dito isso no nosso primeiro encontro, não doeria tanto como agora... E não se passou pela sua cabeça que se alguém descobrisse, o que não demoraria muito, já que eu te assumia e exibia por aí sem pudor, que eu poderia ser preso? Essa “mentirinha” poderia ter destruído a minha vida inteira!
O coração de Theodore estraçalhou-se ainda mais, ouvir tudo aquilo era duro, mas sabia que merecia cada uma de suas palavras.
—Desculpa... —Murmurou.
Christopher se aproximou dele, segurou em seus ombros e o chacoalhou com força, mas desistiu de tentar fazer o garoto olhar em seus olhos.
Deu dois passos para trás, passando a mão em seu rosto, bufando.
—Olha Theodore, sabe qual é a pior parte? É que eu te amo de verdade. É, lamento por mim. Eu me incomodava muito por você ser tão controlado por sua mãe, confesso que eu já havia criado uma antipatia imensa por ela, mas... Tudo faz sentido agora! Você só tem uns, dezesseis?
—Tecnicamente, dezessete, faço aniversário no mês que vem...
—Foda-se, Theo! Isso não te faz maior de idade! —O professor exaltou, erguendo as mãos.
—Chris... Eu sei, eu sei que estou errado, que fui um idiota! Mas por favor, tente relevar isso...
—Relevar? Você tem noção do que saiu da sua boca? —Ele riu, incrédulo. —Eu teria perdoado se você não fosse tão covarde para ter contado antes de eu descobrir... Mesmo que eu ficasse zangado, você ainda poderia ter no mínimo minha amizade. Eu teria admirado sua atitude. Agora, vejo o que você realmente é: uma criança. Como todos os meus alunos. Já era Theo, acabou tudo. Você foi uma mentira como todos os outros a quem amei.
—Chris... Não faz assim... —O garoto sentiu os olhos lacrimejarem.
—Agora, as coisas vão funcionar da seguinte forma: eu sou seu professor de matemática, esclarecerei suas dúvidas quanto as aulas se você disser quais serão elas. E eu só pronunciarei seu nome na lista de presença. Fora isso, você não existe e nem nunca existiu, de fato. E eu também morri pra você.
—Por favor!
—Sai! Sai da minha frente agora! Vá embora!
Os lábios de Theodore tremeram, ele agarrou a alça de sua mochila e saiu dali correndo, não conseguindo segurar suas lágrimas ao cruzar a porta. Christopher franziu o cenho, ainda perturbado, caminhou até sua mesa e bateu os punhos sobre ela.
—Filho da puta! —Gritou, jogando tudo que estava nela, ao chão.
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