Fade Out Lines

62 Capítulo 62 — Marshmallow.


Notas iniciais
Beijos & Boa leitura! ♕

Capítulo 62 — Marshmallow.

Ouvindo os barulhos vindos da televisão, Theodore se encaminhava até a sala de estar, onde a mãe assistia ao canal de documentários, aparentemente entediada.

— E aí, velha? — Sentou-se ao seu lado.

— O que estava fazendo? — Alba perguntou.

— No telefone com a Susannah.

— Como ela tá?

— Tá bem. — Ajeitou uma almofada em suas costas. — Falamos sobre você...

— Ela já sabe? — A promotora inquiriu, com uma das mãos na barriga.

— Acabei contando sim.

— E como ela reagiu?

— Não quis acreditar de início, achou que era brincadeira minha. — Afirmou. — Mas ela já está ansiosa para saber o sexo do bebê, disse que quer ajudar a escolher o nome.

— Que gracinha. — Sorriu.

— Eu também quero ajudar, falta muito pra gente saber?

— Umas quatro semanas ainda.

— Vai demorar...

— Não muito, pensa só, até lá já estaremos na nossa cobertura, com uma ótima vista da cidade.

— Então você já se resolveu?! — Animou-se. — Vamos pra lá mesmo?!

— Eu estava na dúvida por causa do bebê, a barriga vai crescer mais e mais, terei que usar somente o elevador no futuro, também pensei nas emergências, mas o local acabou me convencendo.

— Já quero conhecer o prédio pessoalmente, porque pelas fotos, é muito bonito!

— É sim, além de ser em uma área mais privilegiada, teremos mais segurança.

— Você tem medo do Sidney aparecer?

— Tenho receio de tudo o que diz respeito a esse homem.

— Mesmo preso, ele tem que assinar os papeis do divórcio, né? Você precisará se encontrar com ele pessoalmente?

— Provavelmente não, mas de uma coisa estou certa, não contarei sobre esse filho, nem consigo imaginar que ele tentaria se descobrisse.

— Ele não vai saber.

— Um dia ou outro, ele ficará sabendo.

— Mãe, duas palavras: prisão perpétua.

— Tem razão. — Alba sentiu-se encorajada. — Ele não pode nos atormentar mais.

— Bom... Mudando de assunto, tem uma coisa que eu queria te perguntar.

— Pergunte, Theo.

— No sábado, quando eu fui pegar o cachecol do Chris no carro, parece que você se aproveitou da minha ausência para falar algumas coisas pra ele.

— Que coisas, filho?

— Eu sei que você o magoou.

— Ele te disse isso?

— Não, ele tentou te defender, mas ele me disse o que houve e achei que suas palavras foram duras.

— Olha, não foi por maldade, eu só queria dizer que não estava acostumada em ver ele com você, sabe, eu não menti...

— Mas para quê? O que você ganhou com isso?

— Eu só queria ser sincera com ele, Theodore!

— Mãe, às vezes a verdade dói! E nem sempre é necessária, sabe? Você poderia simplesmente sorrir e ignorar o que você não está acostumada em ver... Saiba que eu não vou me separar dele.

— Eu sei, filho, não quero que faça isso.

— Aceitar o nosso namoro não é só permitir e achar que vai continuar tudo igual, não é assim, porque isso é fácil. — Apresentou. — Eu sei que lutar contra o preconceito junto com a gente é pedir demais, mas guardar o que você pensa pra você seria o mínimo que você deveria ter feito.

— Me desculpe, Theo, eu concordo com você. — Gesticulou afirmativamente. — Você tem toda a razão, não passou pela minha cabeça o impacto daquelas minhas palavras.

— Ele só queria te agradar, mãe, dá pra imaginar o que ele sentiu? Mesmo ele não podendo forçar o braço, ele fez todo aquele almoço sozinho, tudo pra tentar te impressionar.

— É verdade, ele parecia tão feliz...

— Eu não estou querendo te dar sermão nenhum, eu só não poderia deixar isso passar em branco, porque eu sei que ele se sentiu magoado, queria até esconder de mim, mas eu não deixei. — Explicou, em tom brando.

— Você fez bem em me falar, eu vou me desculpar com ele.

— Gostei de ver. — Sorriu. — Você tá mudando, hein, Dona Alba.

— Precisamos evoluir, não acha? Eu estou realmente interessada em tentar ser uma nova pessoa, ou pelo menos uma versão melhor de mim. — Riu, envergonhada.

— Você vai se sair bem, só que já aviso para ir se acostumando, porque não vou deixar de vê-lo e com isso você o verá sempre! Também terá que engolir todas as vezes que eu estiver agarrando ele! — Provocou-a, rindo alto.

...♕...

Quatro dias depois, na tarde de quinta-feira, Theodore terminava de se arrumar, faria companhia a Alba no shopping, enquanto ela escolhia roupas de gestante, pois já temia não ter roupas que a servissem dali alguns meses.

Mesmo Theo achando sua mãe um tanto quanto apressada, decidiu que sair com ela seria bom, fazia um tempo que não saíam os dois juntos somente para passar o tempo e conversar; o garoto também se sentia mais confortável no momento para se abrir com ela, como sempre desejou.

Theodore apreciou a visão de suas roupas perfeitamente alinhadas aos cabides antes de finalmente fechar a porta de seu closet, ainda encantado com o seu novo quarto. O apartamento era simplesmente perfeito, não muito pequeno e nem também exageradamente grande, com três suítes e uma cozinha grande em conceito aberto com a sala de estar, também ampla, que era exposta logo na entrada.

Theo borrifou uma de suas colônias ao pescoço e a colocou de volta na estante que organizava alguns de seus pertences: na primeira repartição ficavam os perfumes e desodorantes, já na outra, a coleção de seus vários pares de óculos de sol, na terceira prateleira da estante, os seus cintos e braceletes ficavam organizados, nas debaixo, nada de interessante, somente caixas com tranqueiras dentro.

Uma escrivaninha de cor branca assim como a estante, ficava em um dos cantos do quarto, com alguns livros em cima dela e também seu notebook. A cama era virada para a porta do closet e um pouco mais ao lado ficava a porta para o banheiro, que também tinha o que sempre quis, uma banheira — onde já havia passado boa parte de seu tempo.

Sentou-se na calçadeira que ficava em frente a cama para amarrar os cadarços e quando terminou, retirou o celular do bolso, abrindo suas notificações. O garoto animou-se ao ler as mensagens que Susannah lhe enviava, vendo que ela já estava planejando com seus pais a próxima data que poderia viajar para ir vê-lo.

A amiga parecia ainda mais animada que Theo e ele sabia muito bem o motivo, sua prima.

— Filho... — Alba o chamou, entrando pela porta ao encontrá-la aberta. — Está pronto?

— Estou, vamos. — Levantou-se.

Caminharam juntos até a sala de estar, decorada pelos móveis inclusos na compra do apartamento, que davam harmonia e leveza ao espaçoso local, mesmo tendo tons escuros na madeira do assoalho.

Uma das paredes da sala era toda em placas de vidro, como grandes janelas fixas, que os privilegiava com uma vista incrível. Alba não resistiu, tendo que se aproximar dali mais uma vez, para admirar a paisagem antes de sair.

Theodore foi até lá sorrindo, se aproximando dela, vendo o exato momento que a promotora levou a própria mão um pouco acima do busto, esboçando uma expressão diferente, com os olhos arregalados.

— O que foi, mãe?

— Estou... — Subiu a mão para a boca.

— Tá passando mal?!

Alba não teve tempo para responder, logo correndo para o banheiro mais próximo e o filho a seguiu, preocupado. Theo a viu ajoelhar-se em frente ao vaso para vomitar e o máximo que ele poderia fazer no momento para ajudar, seria segurar seus cabelos.

Não demorou muito e ela tentou levantar, ainda parecendo debilitada com a situação. O garoto deu a descarga e limpou com papel os respingos do vômito, enquanto Alba escovava os dentes.

— Está se sentindo melhor? — Theodore perguntou, lavando as mãos, enquanto ela enxugava o rosto.

— É uma sensação horrível. — Respondeu. — Não me lembrava do quanto era ruim...

— Eu também não conheço ninguém que goste de vomitar, mãe. — Tentou animá-la.

— Se fosse só isso, seria ótimo. — Caminhou com ele de volta à sala de estar. — Os enjoos, além de frequentes, se tornam mais suscetíveis com o olfato aguçado.

— Senta um pouco. — Theo aconselhou. — Quer que eu faça alguma coisa pra você? Um leite quente? Sei lá... O que é bom tomar depois de vomitar?

— Não se preocupe. — Alba aconchegou-se em um dos sofás.

— Acho que por hoje não deveríamos sair, vai que você passa mal de novo. — Sentou-se ao lado dela.

— Tem razão. — Concordou. — Sabe, a sua tia Molly não vomitou em nenhuma das gravidezes, nem da Lizzie, nem do Evan. Ela também dizia que os enjoos eram poucos, eu queria ter essa sorte.

— Vamos torcer. — Riu.

O som estridente do telefonema da portaria tomou conta do local, deixando-os curiosos.

— Quem será que é? — Alba indagou.

— Fica deitada aí, vou ver. — Levantou-se e caminhou perto da entrada, onde estava o aparelho.

Atendeu o interfone, onde foi informado pelo porteiro que tinha visitas, uma mulher e uma jovem moça, dizendo os respectivos nomes e pedindo autorização para deixá-las subir. Assim Theodore voltou para onde a mãe estava, dizendo:

— Adivinha só, é a tia e a Lizzie.

— É sério? — Alba soltou uma risada. — Estávamos falando nelas agora mesmo!

— Eu vou lá pra frente esperá-las, perto do elevador, já volto!

A promotora continuou deitada, já se sentindo um pouco melhor do que alguns minutos atrás, logo podendo ouvir os barulhos na porta de entrada, onde o filho entrava, com as duas visitantes.

— Que surpresa boa! — Alba levantou-se, sorrindo, cumprimentando a irmã e a sobrinha. — Ainda bem que não saímos!

— Vocês tinham compromisso? — Molly perguntou. — Podemos voltar outra hora, não ligamos para avisar, somos intrometidas.

— Que isso! — A promotora riu. — Eu acabei passando mal e eu e o Theo deixamos para sair outro dia.

— Passando mal?

— Ela vomitou, tia. — Theodore respondeu.

— Enjoos e mais enjoos. — Alba reclamou.

— Vai passar. — Molly aproximou-se, tocando a barriga da irmã. — Como o nosso bebezinho está?

— Está tudo normal nos exames, graças a Deus.

— A barriga está tão pequeninha ainda. — Elizabeth também tocou a tia.

— Ah Alba, fiquei tão distraída que esqueci de te falar como esse lugar é maravilhoso! Eu já tinha visto as fotos que você postou. Só que pessoalmente é ainda melhor! — Molly elogiou.

— Não me lembre disso, ainda estou um pouco constrangida por causa dessa postagem. — A promotora sorriu, sem jeito.

— Não tem que se acanhar, o seu texto dizendo para todos que estava esperando um bebê foi genial, você uniu com as fotos do apartamento e já citou essa fase de total mudança na sua vida, foi uma ótima ideia!

— Eu ainda não sei se deveria ter feito tanto alarde, mas fico feliz que você não tenha achado brega.

— Bobinha! — Molly riu.

— Ah, tia! — Elizabeth chamou. — Eu também achei aqui maravilhoso! Só o lance do porteiro que foi meio esquisito por ele ter pedido os documentos...

— É por segurança, Liz. — Molly interveio.

— Exatamente, o ponto crucial para eu escolher esse lugar, foi por essa segurança que ele me passa. — Alba revelou. — Eu me sentia atormentada todos os dias depois que o Sidney tinha sido preso, já aqui sinto uma paz enorme.

Theodore, um pouco avulso das conversas, puxou a prima pelo antebraço quando sua tia voltou a conversar com sua mãe, assim roubando a Elizabeth para si.

— Preciso falar uma coisa pra você. — Theo sussurrou.

A garota o seguiu até seu quarto e assim que entraram, o primo revelou, sem rodeios:

— A Susannah está vindo!

— É sério?! Quando?

— Não vai demorar muito, ela também disse que precisava falar com você.

...♕...

Dia seguinte, sexta-feira.

— Está tudo pronto? — Emmet perguntou a Michael, enquanto zipava sua mochila. — Já arrumei minhas coisas.

— Prontíssimo!

— Então vamos, o Chris e o Theo já estão nos esperando.

Emmet pegou a mochila pela alça, logo sentindo os braços de Michael o abraçarem pelas costas, ao mesmo tempo que o provocava com beijos leves em seu pescoço.

— O que é isso? — Emmet virou-se, com um sorriso sugestivo no rosto.

— Você tá tão gostoso... — Michael subiu com seus braços para a nuca do namorado.

— Eu estou como sempre, Mikey. — O mais alto riu, beijando-o na testa.

— É exatamente isso, você tá sempre gostoso.

Emmet largou a mochila e agarrou a cintura de Michael, abaixando-se um pouco para unir seus lábios, provando da boca deliciosa do baixinho; aproveitou para o arrastar para a cama, sentando-se nela e colocando Michael em seu colo.

— E se a gente se atrasasse um pouco, Emm?

— Também acho que eles podem esperar... — Concordou, deitando-se.

O baixinho engatinhou sobre Emmet, sentando-se sobre ele e assim friccionando o bumbum contra a ereção do namorado.

...♕...

Christopher e Theodore estavam deitados em uma toalha sobre a areia, curtindo o sol da praia e aproveitando o som das ondas se quebrando na margem, porém o silêncio foi quebrado, ambos já puderam ouvir ao longe, as vozes dos amigos.

— Vocês demoraram! — Christopher levantou-se.

— Tivemos um imprevisto. — Michael se justificou.

— Theo! — Emmet exclamou, ao ver o garoto.

Theodore se levantou e antes mesmo que retirasse os óculos de sol, foi pego de repente por um abraço apertado de Emmet.

— Como você está mudado! — Theo teve seu ombro tomado pelas mãos dele, que ainda estava admirado em vê-lo. — Você tá ótimo!

— Valeu, mesmo. — Agradeceu, tirando os óculos.

— Parece que faz uma década que não te vejo! — Michael também abraçou o garoto. — Como você está?

— Tô bem e vocês?

— Tá tudo certo com a gente, tudo na mesma. — Michael riu.

— A gente sentiu sua falta, sem você por perto o Christopher fica insuportável! — Emmet provocou o professor. — E eu fiquei sabendo da sua mãe, Chris me contou, parabéns!

— Já sabem o sexo do bebê? — Michael continuou.

— Ainda não, mas daqui um tempo saberemos.

— Quando souber me fala! Quero comprar umas roupinhas! — Emmet animou-se. — Se bem que não importa o sexo, estampa de unicórnios caem bem em todos!

— Concordo! — Theodore riu.

— Fiquei sabendo que além disso, um certo alguém está pensando em entrar na faculdade, estou certo? — Michael inquiriu, vendo Christopher abraçar o garoto pelas costas.

— É verdade. — Theo abriu um sorriso.

— Viram que coisa? Mal tenho ele pra mim, que já tenho que me afastar. — Chris fingiu queixar-se.

— Eu não vou fazer faculdade fora da cidade, você sabe. — Theodore virou o rosto para beijar o namorado, sem se livrar do abraço. — Dramático.

Emmet se ajeitou, se sentando sobre a areia branca, trazendo Michael para se juntar a ele, enquanto Christopher e Theo voltavam para a toalha onde estavam.

— E o trabalho, Chris? — Michael perguntou, enquanto procurava pelo protetor solar. — Já decidiu o que fazer? Vai voltar a lecionar?

— Não vou, decidi que mesmo que eles insistam, não voltarei naquela escola, então assim que essa data do afastamento acabar, eu irei me demitir.

— Você está certo. — Emmet concordou. — Acho que eu me sentiria envergonhado também, sei lá, né, é humilhação demais...

— Foi mal, eu tô me sentindo péssimo por isso. — Theodore abaixou a cabeça. — É tudo culpa minha...

— Não diga que é por sua causa, quando o termo certo seria graças a você. — Christopher explicou, passando a mão pelos cabelos úmidos do garoto, bagunçando-os.

— Bom... Vocês vão nadar? — Emmet olhou para as ondas. — Eu quero dar um mergulho!

— Por enquanto eu não quero. — Theodore respondeu.

— Eu também não, já demos um pulo na água antes de vocês chegarem. — Chris acrescentou.

— Você vem, Mikey? — Emmet levantou-se, retirando a regata que usava.

— Pode ir, quando eu terminar de passar o protetor vou, eu passei em você em casa, mas esqueci de passar em mim. — Riu.

— Tá bom. — Abaixou, dando um breve selinho no baixinho e logo correndo para encontrar-se com o mar.

— Ei, gente. — Michael chamou a atenção dos amigos.

— Fala, Mikey. — Christopher cruzou as pernas.

— Eu quero fazer uma surpresa para o Emm, vocês poderiam me dar uma força?

— É claro que sim! O que é?!

Chris e Theo ouviram atentamente o que Michael falava, ficando animados com a ideia, já planejando o que iriam fazer.

— Bom, então é isso, por enquanto vou lá nadar com o Emmet para ele não desconfiar de nada, mas ficamos combinados, certo?

— Pode deixar.

Anoiteceu e eles continuaram na praia, se agasalhando com mantas que haviam trazido e com uma fogueira que ainda estava sendo alimentada pelos galhos que iam achando por ali. O fogo crescia aos poucos, enquanto cada um contribuía com o que achava pelo caminho.

Quando se cansaram pela busca dos galhos secos, reservaram alguns para espetar os marshmallows que trouxeram.

— O que já aconteceu na vida de vocês de mais estranho? — Emmet iniciou um assunto, estendendo o braço, para tostar o seu marshmallow no espeto.

— Acho que eu estou isento dessa pergunta, né? — Theodore riu, também levando o espeto ao fogo.

— Acho que aquilo de ser demitido junto com você foi bem louco, Emm. — Michael afirmou, também rindo com a lembrança.

— Umas das coisas mais estranhas que já me aconteceu, foi a mãe do Theo me pedir desculpas, ainda nessa semana. — Christopher revelou.

— Oi? — O garoto virou-se para o namorado, desconhecendo a informação.

— Achei que soubesse, ela veio se desculpar justamente por aquele motivo que conversamos, sabe? Sobre aquela pequena intriga que até minha mãe interveio.

— Oh... — Theodore recordou-se. — Mas e aí? O que ela fez?

— Simplesmente disse que as palavras dela foram impensadas, pedindo perdão por isso. — Respondeu. — Só que o mais estranho, foi que depois disso tudo, ela recordou-se do sábado e elogiou a minha comida, assim do nada, sei lá, foi estranho.

— Ela não me contou isso! — Theo retirou o marshmallow do fogo, ainda sem acreditar no que tinha ouvido, em meio a risos. — É sério mesmo?

— Pior que é, ela disse que pensava que eu tinha comprado de algum restaurante ou que tinha sido a minha mãe que havia cozinhado tudo, falou até que se surpreendeu quando você disse a ela que eu fiz o almoço.

— Eu realmente não acredito. — O garoto riu, logo soprando e mordendo o marshmallow.

— Bom, sua vez, Emm, qual foi a coisa mais estranha que já aconteceu com você? — Chris deu continuidade.

— Acho que a minha vida é tão louca quanto a do Theo, esse badboy que já até atirou em um homem! — Falou, fazendo Theodore gargalhar. — Mas quando eu meti porrada naquele chato do bar foi um dos momentos mais... Não sei se estranho é a palavra correta, só que ele estava mexendo com o Michael e comigo, eu não poderia ignorar aquilo, foi muito errado eu me sentir bem por isso?

— Eu achei que você foi sensato, mesmo que estava trabalhando naquele lugar e que as regras de não espancar os clientes eram claras. — Christopher riu. — Brincadeira, o cara estava pedindo por isso, eu também faria o mesmo se tivesse acontecido comigo.

— Quem nasceu pra ser polêmico, nunca será ofuscado desse dom. — Emmet fingiu jogar cabelos imaginários para atrás do ombro.

Após assuntos aleatórios, ficaram em silêncio por alguns minutos, somente ouvindo o estalar do fogo nos galhos, que pareciam realçar a tranquilidade do som das ondas.

— Bom, eu tenho que ir pegar uma coisa no carro, eu já volto. — Chris se levantou.

Theo permaneceu com os amigos enquanto o namorado ia para o estacionamento não muito longe dali. Era naquele momento que começava a colocar o plano de Michael em ação, o professor estava com a chave do carro do amigo em mãos, indo até onde foi informado de que o veículo estaria estacionado e assim abriu o bagageiro.

Christopher retirou de dentro do porta-malas um telescópio de tamanho médio, logo fechando o bagageiro novamente, voltando para onde todos eles se encontravam. Assim que se aproximou deles, firmou os pés do telescópio na areia.

— Pra que isso? — Emmet perguntou, curioso.

— Eu fiquei sabendo que exatamente hoje, dia dez de junho, Marte ficaria mais próximo da Terra, algo que não acontece há mais de uma década, então fiz questão de pegar emprestado isso aqui com um colega meu. — Mentiu, combinando tudo o que Michael queria que ele falasse.

— Eu não sabia que gostava de astronomia... — Emmet olhou-o, com ainda mais curiosidade.

— Eu gosto sim. — Christopher arrumou a angulação do telescópio, tentando enxergar algo por ele.

— Deixa que eu te ajudo. — Michael se levantou, indo dar uma olhada no aparelho, logo vasculhando o céu em todos os ângulos possíveis, parando quando encontrou o que procurava. — Bem aqui!

— Posso ver? — Emmet se animou.

— É claro, fica à vontade. — Chris respondeu, convincente em seu papel.

Theodore observou Michael se aproximar de uma das bolsas que havia trazido, pegando o que precisaria para aquele momento. Então quando Emmet se abaixou para olhar pelo telescópio, já se posicionou ao lado dele.

— Meu Deus! É igual nas fotos, não dá pra acreditar!

— O que você tá vendo, Emm? — Michael perguntou.

— Não tem muito o que falar, é laranja e com manchas escuras! É simplesmente incrível, não tem como descrever...

— Posso ver? — Theo indagou, ao sinal de Michael.

— Pode sim, você vai adorar... — Emmet afastou-se do telescópio, logo olhando para o lado, vendo o exato momento que Michael se ajoelhou com somente uma das pernas. — O que você tá fazendo, Mikey?

— Uma pergunta importante, Emm. — Abriu a pequena caixa aveludada que segurava. — Você é a melhor escolha que eu já fiz na minha vida... E hoje venho te perguntar se assim como eu, você quer que sejamos muito mais do que somos hoje, esses dois loucos apaixonados, mas que se dão e se entendem no meio dessa loucura toda, quero saber se você, Emmet Lancaster, aceitaria se casar comigo?

Notas finais
Esses capítulos finais estão me dando bastante trabalho, então gostaria que vocês me dissessem o que estão achando... ♥