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63 Capítulo 63 — Sentença.
Notas iniciais
Capítulo 63 — Sentença.
Christopher e Theodore aplaudiram, enquanto Emmet se jogava sobre Michael, o abraçando apertado.
— Sim! Sim! Sim! — Exclamava, contente, levantando o baixinho do chão. — Eu te amo!
Theo soltou uma risada, voltando a se sentar perto da fogueira, junto ao namorado.
— Será que sua mãe deixaria você ir dormir lá em casa hoje? — Christopher sussurrou ao garoto.
— Eu não sei... — Theo respondeu, beijando sua bochecha.
Os noivos se aproximaram da fogueira e sentaram-se, cruzando as pernas.
— Vocês vão ser meus padrinhos, não vão?! — Emmet perguntou aos amigos.
— É claro que sim! — Chris respondeu.
— Eu iria adorar. — Theodore afirmou sorrindo, preparando outro marshmellow.
— Posso ver a aliança? — O professor perguntou a Michael.
— Pega aqui. — Entregou-lhe.
— É linda, parece ouro branco...
— Acertou.
— Você tem bom gosto! — Christopher elogiou.
— Posso ver também? — Theo se esticou.
— Pode experimentar. — Michael afirmou, colocando nas mãos do garoto.
Theodore experimentou a aliança em seu dedo anelar da mão esquerda, admirando o pequeno diamante bem no centro do anel.
— É linda demais, sério...
— Quase serviu, né? — Emmet admirou-se. — Você tem dedos ainda mais finos que o do Mikey!
— É verdade. — Michael riu, enquanto Theodore devolvia a aliança.
— Ah, eu estou tão feliz... — Emmet se jogou contra o noivo, rindo abobalhado. — Eu não acredito que você me pediu mesmo em casamento, eu sou tão chato!
— É mesmo, você é insuportável. — Michael concordou, rindo alto, logo beijando a costa de sua mão. — Mas eu não vivo sem você.
— Um dia vocês serão os meus padrinhos também. — Christopher abraçou Theodore.
— Oi? — Theo olhou para o namorado.
— Nada não. — Chris gargalhou.
...♕...
— Me lembre de enviar um presente pra sua mãe. — Christopher deitou-se na cama. — É a segunda vez que ela te deixa dormir aqui em tão pouco tempo, não achei que ela seria tão flexível...
— Ela está tentando me entender. — Theodore puxou a coberta para si. — Do jeito dela, mas está.
— A sua mãe é uma ótima pessoa, Theo.
— É bom ouvir você falando isso. — O garoto sorriu.
— Eu não tenho remorso pelo o que ela fez, porque eu sei que ela só estava tentando te proteger, eu a respeito.
— Você não existe! — Theodore agarrou-o, rindo.
— E também, eu sei que se eu me fizer de santo, você vai me encher de mimo. — Provocou-o.
— Olha só, então é tudo uma farsa! — Enlaçou o quadril do professor com as pernas. — Meu diabinho!
Theo riu alto e abriu um sorriso sugestivo, esfregando-se no namorado, enquanto Chris aproveitava para o abraçar debaixo do edredom, fungando em sua pele.
— Você tá cheiroso...
— É só o seu sabonete.
— Eu sei. — Deslizou as mãos pelo corpo de Theodore. — Eu adoro tomar banho com você...
— Eu também. — Afagou os cabelos molhados de Christopher.
— Mas não posso negar que é difícil. — Estalou beijos no ombro do garoto.
— Você sabe que eu também fico excitado. — Theo sorriu.
— É inevitável.
— Por isso mesmo, o banho não teria graça se não fosse assim, você sabe.
— Concordo. — Chris retribuiu o sorriso, fechando os olhos.
O professor ouvia os batimentos do garoto, enquanto tinha as costas abraçadas por ele, assim sentindo as mãos de Theodore passearem naquela região.
— É tão bom te ter aqui... — Christopher grunhiu, falando em tom manhoso. — Você já deve estar enjoado de ouvir isso.
— Não estou. — Aconchegou-o ainda mais em seus braços. — Era o que eu mais sonhava ouvir quando estávamos separados, sabia?
— Eu também sonhava toda noite em poder te dizer isso...
— Chris. — Chamou-o. — Eu preciso te dizer uma coisa.
— Fala, amor.
— Todos esses dias que eu estou com você, sempre penso nisso, mas não consigo achar um jeito bonito de dizer, parece que as palavras certas não vêm na minha boca, então eu só vou falar...
— Está me deixando curioso. — O professor notou o olhar hesitante de Theodore.
— Eu só queria te agradecer.
— Hã?
— Pela paciência... Pela imensa paciência! — Riu.
— Você não tem que me agradecer por nada.
— É que... — Sentiu o coração acelerar. — Você não desistiu de mim, até mesmo nos momentos mais difíceis você quis continuar comigo, até quando eu achei que não teria mais como continuar, quando eu estava desacreditado, você foi o único que me fez ter forças para continuar firme... Uma prova de amor dessas, não tem preço.
— Eu não conseguiria desistir de você, branquelo, nem se eu quisesse, eu te amo mais que tudo.
— É por isso que eu estou dizendo. — Encarou os olhos verdes do namorado. — Até mesmo quando eu escrevi aquela carta terminando tudo, somente para te dar uma vida melhor, livre de mim, você não quis.
— Eu não quero nem pensar em uma vida sem você, também tenho certeza que ela não seria nada “melhor”.
— Você não sabe o que está dizendo, eu sou um chato.
— Quando começa com essas gracinhas, é mesmo.
Theo deu um sorriso sem jeito, um tanto envergonhado, desviando dos olhos de Christopher, mesmo assim, Chris continuou o encarando, admirando Theodore como uma obra de arte.
Os olhos do garoto foram de encontro aos do professor novamente, podendo assim, se perderem facilmente na imensidão do brilho que os olhos de Christopher poderiam ter. E da mesma forma que ele o proporcionava esse delírio, Chris também se deixava levar pelo êxtase e calafrios que o olhar de Theo causava em si.
Ainda fixos um no outro, continuavam se encarando, sem nada precisarem dizer, o silêncio era tomado pela respiração, pelos inaudíveis batimentos que compassavam o que cada um sentia no peito.
Christopher, ainda vidrado no rosto a sua frente, pensava nas cicatrizes que o coração de Theodore poderia ter, de todas as coisas horríveis que ele tinha ouvido e vivenciado, das dores físicas e emocionais que ele já teria sofrido, algumas até pelas duras palavras que ele mesmo já havia proferido ao garoto um dia.
Ao se deparar com aquela expressão angelical e sorridente de Theo, chegava a se sentir desmerecedor de tanto amor e carinho, não conseguia imaginar como um coração tão machucado como aquele, conseguia bater tão forte e continuar o amando com tanta devoção.
Chris acariciava o rosto de Theodore com o polegar, sendo retribuído com um sorriso tímido, aparentemente inocente. Naquele momento, só pensava em protegê-lo, de qualquer coisa desse mundo, porém sabia que aquele garoto era muito mais forte do que ele próprio, e mesmo que quisesse o tratar como uma porcelana delicada, sabia que era Theo que teria que o proteger algum dia.
Theodore notou quando os olhos de Christopher lacrimejaram, deixando escapar uma fina lágrima por um deles; pensava no que estaria se passando na cabeça do professor naquele momento, mas ainda assim, continuou calado, ambos naquele silêncio que tudo falava.
...♕...
No outro dia.
— Estou livre! — Gritou Susannah ao telefone.
— Está de férias? — Theodore perguntou, rindo da animação da garota.
— Não são simples férias, já parou para pensar que depois delas, não precisarei mais ir pra escola? Isso é maravilhoso!
— Mas agora vem a faculdade, Su.
— Eu sei! Pode me chamar de louca, mas eu estou super animada!
— Seus pais concordaram com a ideia de você vir pra cá estudar?
— Bom, eles acham um tanto absurdo ainda, mas quem sabe eu não consiga os convencer?!
— São Francisco está te esperando!
— Ah, Theo... Tô tão feliz, principalmente porque logo estarei aí para te encher o saco pessoalmente.
— Você vai vir que dia?
— No próximo fim de semana.
— Tá perto.
— Mas eu já não me aguento de ansiedade, principalmente porque já quero começar a ver as faculdades por aí.
— Só por isso? Tem certeza que não tem outro motivo?
— Qual mais?
— A Elizabeth, talvez?
— Ah, tem isso, né...
— O que foi, você não parece animada, aconteceu alguma coisa com vocês?
— Não, não, tá tudo bem com a gente.
— Tem certeza? Porque nesses últimos dias a Lizzie perguntou bastante de você.
— Sério? E o que ela disse?
— Bom, da última vez que ela veio aqui, ela disse que você não estava falando muito com ela, tava até um pouco desanimada, mas aí eu a animei de volta, falei que era pelas suas aulas de piano, francês, além da escola, que te ocupava bastante...
— É, tô cheia de coisa pra fazer mesmo.
— Mas Su, eu sei que isso nunca foi empecilho, você por acaso tá evitando ela?
— Eu não quero falar sobre esse assunto por telefone, tenho medo de que alguém aqui possa ouvir.
— Mas o que está havendo? Eu quero saber, só me diz isso.
— Eu não gosto da Lizzie, Theo, pelo menos, não como namorada...
— Hã?! Como assim?!
— É, você ouviu...
— Eu achava que vocês combinavam tanto... O que você sente por ela, Su?
— Nem eu sei explicar o que eu sinto, só sei que eu não quero isso pra mim, é muito confuso?
— É sim, mas o amor é assim mesmo, nem sempre é o que a gente acha que é. — Tranquilizou-a. — Eu só não quero que nenhuma de vocês acabe machucada.
— Será que isso é possível?
— Eu não sei, não sei mesmo...
...♕...
— Que ótima notícia! — Antonella enlaçou Emmet e Michael num só abraço. — Meu filhinho vai finalmente se casar!
— Nós queremos ajudar a pagar. — Fergus afirmou. — Já sabem onde querem fazer a cerimônia?
— Não se preocupem com isso, a gente dá um jeito. — Emmet sorriu.
— Você acha mesmo que eu vou te deixar fazer um casamento meia boca? — Antonella riu. — Você terá tudo do bom e do melhor.
— Se querem nos ajudar, então terão que prometer que não irão comprometer a renda de vocês, queremos uma cerimônia simples. — Emmet rebateu.
— Ah sim, claro. — Antonella continuou. — Acho que um casamento para umas trezentas pessoas é bem enxuto.
— “Enxuto?” — Michael assustou-se.
— Cruzes, mãe! Tenho medo de perguntar qual seria a quantia ideal de convidados, já que essa é enxuta!
— Estou brincando, bobinho!
— Mas então, já sabem a data? — Fergus indagou.
— Estamos escolhendo, mas ainda não entramos em um consenso. — Michael respondeu.
— E o noivado?
— Já estamos planejando.
— Ah, eu tenho algumas ideias, deixa eu pegar as minhas revistas! — Antonella exaltou-se.
— Ah não, as revistas não... — Emmet queixou-se.
— O que tem nas revistas? — Michael inquiriu.
— Na verdade é uma caixa cheia de revistas, todas sobre ideias para casamentos. — Respondeu ao noivo. — Então senta que isso vai demorar...
...♕...
Após alguns dias se passarem, Theodore esperava ansiosamente a chegada da amiga naquela noite de sexta-feira, dia dezessete de junho. O silêncio do apartamento era imensamente tedioso, tanto que o garoto tinha certeza que caso não estivesse esperando Susannah chegar, estaria mais uma vez na casa de Christopher.
Theo colocou as pernas para cima do sofá, ficando com a cabeça para baixo, mexendo os pés como uma criança inquieta; olhava para o teto quando finalmente ouviu o interfone da portaria.
Se jogou do sofá, levantando-se com pressa e assim liberando a subida da amiga. Saiu do apartamento e correu pelo corredor, já ficando a sua espera em frente ao elevador. Quando o momento de recebê-la chegou, foi exagerado como sempre, com risadas altas, abraço apertado e direito a dancinhas sem coreografia prévia.
Theodore a ajudava com a sua bolsa mais pesada, enquanto conversavam sobre a viagem cansativa do ônibus. Andaram pelo corredor e assim que passaram pela porta, Susannah abafou um grito de surpresa, maravilhada com a aparência do local.
— Confesso que eu estava até triste com a ideia de você não ter mais piscina, mas olha, isso aqui é maravilhoso! — Ela riu, ainda surpresa.
— Pra que piscina se aqui tem praia de sobra? — Abandonou a mala de Susannah ao chão.
— Eu não vou mais querer ir embora, pode avisar a tia Alba que ela vai ter que me aguentar aqui pro resto da vida! — Gargalhou. — Falando nisso, cadê ela?
— Ela deve estar cochilando...
— Susannah! — Alba aproximou-se, após sair de seu quarto.
— Como você tá linda! — A garota abraçou-a.
— Que isso! Eu estava deitada, estou com a cara toda amassada de sono. — A promotora sorriu, beijando Susannah na testa.
— Mesmo de roupão você fica linda. — A menina elogiou.
— Gentileza sua...
— Não vai na conversa dela não, mãe, ela só está te amolecendo pra depois ficar aqui, ela mesma disse que não quer ir embora, esse é o plano maligno dela. — Theodore satirizou a amiga, provocando-a.
— Idiota! — Susannah deu-lhe um tapa fraco no braço.
— Bobinho. — Alba puxou o nariz do filho. — E então, Su, fez uma boa viagem?
— Fiz sim, só foi demorada.
— Imagino, deve querer ir tomar um banho e ir deitar, né? Se o Theo não te deixar dormir, ele vai se ver comigo... Ouviu mocinho?
— Sim, senhora.
— Ótimo. Pega as coisas da Susannah e leve para o quarto dela, depois não demorem muito para dormir, tá bom?
— Pode deixar, tia.
...♕...
Na manhã seguinte, Theodore e Susannah preparavam o próprio café da manhã, enquanto Alba ainda dormia. Sussurravam e tentavam não fazer muito barulho, mesmo sendo difícil.
— Ei Theo... Poderia não contar para a Elizabeth que eu estou aqui?
— Tarde demais, acho que ela aparece por aqui mais tarde.
— Como assim? Quando você disse a ela?
— Semana passada.
— Credo, não consegue mais guardar segredo, não?
— Ah, foi tão fofo ver a cara dela de animação!
— Olha as coisas que você me mete, quero só ver o que eu vou falar para a Liz quando ela chegar...
— Diz a verdade, ué, que você não gosta da “coisa”, explica que você é como eu, que gosta de descascar a banana, descabelar o palhaço, esgalhar o pessegueiro, fazer justiça com as próprias mãos, esfolar o ganso, socar o pilão...
— Chega! — Riu alto. — Meu Deus, ainda vamos acordar a sua mãe, com assunto de pinto, para piorar...
— Bom dia, crianças. — Alba surgiu, dando o nó em seu robe de dormir. — Acordaram cedo...
— Espero que você não tenha ouvido o nosso assunto anterior. — Theodore revelou, logo de cara.
— Não prestei atenção, o que era?
— Não queira saber, tia! — Susannah abafou um riso.
— Era sobre pênis. — O garoto respondeu sem pudor, querendo ver a reação da mãe.
— Theodore! — A amiga repreendeu-o.
— Ué, o que foi? — Theo ergueu os ombros.
— Não repara não, Su, esse daí não tem vergonha na cara há muito tempo! — A promotora riu, pegando seu iogurte natural na geladeira.
— Disso eu sei, é cada vergonha que ele me faz passar... — Susannah reclamou.
— Estão pensando em fazer alguma coisa mais tarde? — Alba perguntou, enquanto abria a embalagem do produto.
— Ainda não pensamos em nada. — Theodore afirmou. — Mas se a Su quiser, podemos ir ver algum filme no cinema, ou só andar por aí a toa.
— A Molly mandou uma mensagem avisando que Elizabeth queria vir para cá mais tarde, vocês três poderiam sair juntos.
— Ah, a Lizzie me avisou que viria também. — O garoto acrescentou.
— Você sabe qual filme está em cartaz? — A garota indagou, querendo sair do assunto sobre Liz.
— Não sei não, a gente vê lá mais tarde. Você não vai querer ir com a gente, mãe?
— Não vou poder, tenho tanta coisa para ler até segunda-feira que tenho que aproveitar bem esse fim de semana.
— Devia ser proibido trabalhar no seu estado. — Theodore protestou.
— Meu “estado”? E qual estado é esse?
— Grávida, divorciada, triste, a beira do colapso...
— Obrigada por me animar. — A promotora deu a primeira colherada no iogurte.
— Credo, Theo! Olha as coisas que você fala! — Susannah mais uma vez chamou atenção do amigo.
— Ela está acostumada com as minhas bobagens, sabe que eu só estou brincando.
— Tenha filhos, eles disseram... Vai ser legal, eles disseram. — Alba sentou-se com eles. — E a maluca aqui tendo o segundo filho, já posso imaginar como vai ser um paraíso.
— Manda o Theo trocar as fraldas, tia! — A garota entrou na brincadeira.
— Vou mesmo, vai ter que já começar a treinar. — A promotora concluiu.
— Treinar para o quê? — O garoto reclamou.
— Eu quero ser avó, fale para o Christopher que se ele não me der bebês, ficarei muito decepcionada com ele.
— Meu Deus! Essa é a coisa mais bizarra que eu já ouvi da sua boca! — Theodore deixou escapar um riso escandaloso.
— E eu posso morrer feliz depois dessa! — Susannah gargalhou. — Ai como eu estava com saudade de vocês e dessa loucura toda!
...♕...
— Acho que é ela. — Theodore deduziu, ouvindo os toques na porta. — Ela já tem a permissão do porteiro, então sobe direto.
Susannah sentiu as mãos suarem quando o amigo levantou-se do sofá da sala de estar e caminhou até a entrada, para assim receber a prima. Seus batimentos também não eram mais os mesmos, acelerados como nunca imaginou ser possível, ansiosa para ver Elizabeth.
Ouviu vozes adentrando o local e assim Theo voltou, acompanhado por Lizzie, que abriu um sorriso gigante em ver a amiga do primo.
— Vocês falaram que iriam ao cinema, então já vim arrumada. — Elizabeth apontou para as próprias vestes.
— Também estamos prontos, podemos ir?
— Por mim, não há porquê esperar. — Susannah expôs, parecendo inquieta.
— Querem comer alguma coisa antes? — O garoto inquiriu.
— Eu tô legal. — A amiga afirmou.
— Eu já comi, por mim também já podemos ir. — Lizzie animou-se.
— Vou dar tchau pra minha mãe, então, esperem um pouco.
Theodore caminhou até o quarto de Alba e deu toques no batente da porta, antes de passar por ela, já que encontrou-a somente encostada.
— Já estamos indo, mãe, a Elizabeth chegou agora.
— Tá bom, filho, cuidado, viu?
— Pode deixar.
— Pegou os documentos do carro? Sua carteira?
— Peguei, tá tudo certinho, não se preocupa.
— Volta cedo, tá?
— Tá bom, quer que eu traga pão?
— Engraçadinho...
— Tô indo, velha. — Beijou-a na bochecha. — Até mais tarde.
Alba acompanhou os três até a entrada e quando saíram, fechou a porta. Ia voltar aos seus afazeres, mas se deparou com um envelope peculiar ao chão, como se tivesse sido passado por baixo da porta há algum tempo.
Se perguntou internamente sobre do que se trataria aquilo, já que ainda era muito cedo para cobranças ou algo do tipo. Então retirou-o do chão, indo até a sala de estar e sentando-se, enquanto abria o envelope misterioso. Por fora dele estava tudo em branco, sem nomes, sem remetente ou destinatário, como se fosse uma carta entregue pessoalmente.
Retirou uma folha de dentro dele e a desdobrou, revelando duas pequenas frases com o texto feito por colagens, com letras aparentemente recortadas de revistas e jornais. Já havia visto aquele tipo de coisa em filmes, mas nunca imaginou ter algo do tipo em mãos.
Passou os olhos por aquelas letras assimétricas e cada palavra que constituía aquela frase:
“Minha chegada é breve, estou mais próximo do que você pensa. Com carinho, Sidney.”
O coração da promotora falhou uma batida, ela notou que sua boca ficou instantaneamente seca e suas mãos tremiam a ponto de sacudir a folha que segurava.
"PS: Eu sei que está esperando um filho meu e não descansarei até tê-lo para mim."
Já estava em pânico e ler a última sentença daquela folha, não a tranquilizou nem um pouco.
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