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58 Capítulo 58 — Culpa.


Notas iniciais
Beijos & Boa leitura! ♕

Capítulo 58 — Culpa.

Theodore, mesmo assustado, estava disposto a enfrentar aquele demônio no corpo de um homem.

— Tira a mochila, joga ela aí. — Exigiu, ainda apontando a arma em direção de Theo.

O garoto encarou-o, sentindo um nó na garganta, porém o obedeceu, jogando seus pertences no chão.

— Agora venha aqui. — Sidney pediu.

— Se afasta, Theo! — Alba gritou.

— Não faz isso. — Gioconda interrompeu o garoto.

— Venha ou explodo a sua cabeça.

O garoto deu um passo adiante, mas a governanta não deixou que ele continuasse, se colocando em sua frente de braços abertos. Sidney puxou Gioconda pelos cabelos, ela foi arrastada por ele, sendo golpeada no abdômen.

— Larga a Gio! — Theodore agarrou o homem que estava de costas naquele momento.

Sidney tentava se desvencilhar dos braços de Theo, que o seguravam por trás, forçando-o a largar a arma. O homem era insistente, mas o garoto não desistia, ainda lutando contra ele.

Gioconda se encolhia perto do sofá e no outro canto da sala, Alba assistia, aterrorizada, enquanto o filho derrubava o homem ao chão, com uma rasteira. A arma caiu da mão do padrasto e Theodore a empurrou para fora do alcance de ambos.

— Você vai pagar por tudo o que fez! — Gritou, rendendo Sidney abaixo de si.

O garoto sentia o seu sangue ferver debaixo da pele, como uma força que lhe subia pelas veias, sendo concentrada em seus punhos, que eram desferidos contra o rosto do padrasto. Naquele momento, não conseguia sentir nada além de ira.

Sidney movia-se, para tirá-lo de cima de si, mas todas as vezes que seu corpo tentava se libertar, Theo agarrava a cabeça do homem e a batia contra o chão, baqueando-a incontáveis vezes contra o piso de madeira.

Theodore, mesmo permanecendo resistente, foi jogado ao lado pelo padrasto, que se levantava, procurando pela arma perdida. Não a encontrando, enfiou sua mão dentro de um dos bolsos de sua calça, tirando dali um canivete.

— Você não sabe com quem está lidando, viadinho. — Sidney caminhou em direção do garoto novamente, segurando a pequena faca.

Theo se encolheu contra a parede, pensando no próximo movimento.

— Se você encostar um dedo sequer no meu filho, Sidney, eu juro que...

— Jura o quê? Hein? — Perguntou, olhando para a esposa, que chorava.

— Não encosta nele! — Gioconda levantou-se, se apoiando no braço do sofá.

— Eu só vou machucar ele um pouquinho. — Abriu um sorriso vil.

— Nem pense nisso! — Alba exclamou, sentindo a garganta em chamas.

— Você não vai relar no Theo! — A governanta mais uma vez se colocou em frente ao garoto.

— Já que é assim. — O homem segurou Gioconda pelo braço, trazendo-a para perto de si e puxando seus cabelos, erguendo sua cabeça.

— Larga ela! — O garoto gritou

— Se afasta ou degolo ela. — Levou a lâmina do canivete até o pescoço da governanta.

— O que você vai ganhar com isso, Sidney? — Alba espantou-se.

— Ou você assina esses papéis, ou pode dar adeus pra sua empregadinha.

Gioconda engoliu seco, sentindo o metal contra sua garganta, um mínimo movimento e aquele homem seria capaz de rasgar sua pele.

— O que eles são? — A promotora pegou-os sobre a mesa de centro da sala, com as mãos trêmulas.

— Assine todos. — O marido respondeu.

Alba passou os olhos rapidamente por todos eles, ficando ainda mais horrorizada.

— Você quer que eu passe todos os meus bens para o seu nome?! — Gritou.

— Olha só, você sabe ler. — Puxou novamente os cabelos da governanta, levantando ainda mais sua cabeça, fazendo com que ela grunhisse de dor. — Vai, assina.

— Larga ela... Larga ela que eu assino. — Alba afirmou.

— Eu que faço as regras aqui.

A promotora olhou para Gioconda, sentindo na pele o seu desespero; olhando para o filho em seguida, que estava estático, suando frio.

— Não assina! — A governanta pediu, desesperada. — Ele vai acabar com a sua vida, não assina!

— Cala a boca! — Chacoalhou a cabeça da mulher. — Se você soltar um pio que for, sua garganta já era, então fica quieta! E você, para de se fazer de sonsa e assina logo essa porra!

— Eu vou assinar...

Theodore aproveitou o tempo que sua mãe pegava a caneta e Sidney levava toda sua atenção aos papéis, para assim poder passar os olhos pelo local, procurando a arma escondida.

Theo viu um objeto escuro perto dos pés de uma das poltronas, então antes de se abaixar para pegá-lo, olhou mais uma vez para Sidney e Alba; a promotora assinava papel por papel e assim, vagarosamente, o garoto se abaixava.

— Pronto. — Alba abandonou a caneta, sentindo o nervosismo aumentar. — Agora solta a Gio...

— O que você pensa que tá fazendo?! — Sidney olhou para Theodore, que esticava o braço, numa tentativa falha de alcançar a arma.

Theo xingou em pensamento, parando o que fazia.

— Levanta daí, moleque. — O homem pressionou ainda mais o canivete no pescoço da governanta.

Ao ver o filete de sangue escorrer pela garganta de Gioconda, o garoto se esticou um pouco mais para frente, agarrando a arma e apontando-a para o padrasto, enquanto se levantava.

— Eu te mato, eu juro que eu te mato! — Theodore exclamou, com ambas as mãos trêmulas e com um dos dedos no gatilho.

— Tente e ela sangrará até a morte.

— Larga ela! — Exigiu, sentindo os olhos ferverem de ódio.

— Por quê? Estamos nos divertindo tanto agora. — Sidney lhe lançou um sorriso buliçoso.

Alba agarrou um vaso de metal da decoração enquanto o marido estava distraído, para logo jogar em sua direção, mirando em sua cabeça. No entanto, ele desviou no mesmo momento e com o reflexo, afundou a pequena faca contra a pele da governanta, rasgando-a violentamente.

— Gio! — Theo desesperou-se.

— O que você fez com ela?! — A promotora sentiu as pernas ficarem moles.

Gioconda conseguiu dar um passo adiante, se livrando dos braços de Sidney e indo diretamente ao chão, com as mãos no local ferido. O homem ignorou sua refém e partiu em direção de Theodore, que ainda apontava a arma em seu rumo.

A ira e a ânsia de vômito se misturavam, causando um embrulho no estômago do garoto, um misto de ódio tão grande que quando Sidney segurou em seus braços, movendo-os, forçando para que soltasse a arma, foi como se o indicador de Theo tivesse vida própria, disparando o gatilho contra o homem.

Sidney urrou pelo tiro na coxa, porém, continuou lutando, não desistiria tão facilmente do que começou.

Alba tentava prestar socorro à governanta, mas o desespero não a deixava fazer muito, a promotora tentava conter o sangue do corte profundo com uma manta do sofá, sem saber se cuidava de Gioconda, ou se temia pelo filho, que estava frente a frente com seu marido.

O garoto sentiu-se arranhado pelo canivete, enquanto as mãos de Sidney agarravam com força entre seus dedos, conseguindo finalmente arrancar a arma de sua mão.

Theodore sentia seus lábios tremerem, sem saber distinguir o sentimento que agora o predominava, olhou para sua mãe e para a governanta, vendo-as ensanguentadas, enquanto o homem endiabrado tomava a liderança novamente.

Theo deu um passo para trás, ouvindo Alba clamar por misericórdia.

— P-Por favor, me deixa chamar uma ambulância, é só isso que eu te peço...

— Ah, você quer ajudar a empregadinha? — Sidney sorriu de canto de lábio, olhando cinicamente para a esposa.

O garoto arregalou os olhos quando viu o padrasto levantar o braço mais rápido do que ele conseguiu agir, apontando a arma para Gioconda e apertando o gatilho três vezes seguidas, mirando no centro de seu peito.

— Aqui está o seu socorro. — Sidney proferiu.

Mesmo se quisessem, pouco puderam ouvir da frase por conta dos ouvidos ensurdecidos. Naquele momento, a imagem que fez a angústia predominar o local, foi a morte súbita da governanta, após os três tiros.

As pernas de Theodore amoleceram, fazendo ele se apoiar no sofá, escorregando, indo ao chão. Alba não conseguia se mover, ainda olhava para corpo a sua frente, não acreditando no que via.

Sidney, mancando pelo tiro na coxa, caminhou até a esposa e a levantou do chão, puxando seus cabelos. Levou-a aos gritos para longe do corpo de Gioconda, no outro canto da sala, encurralando seu corpo contra a parede e fazendo-a encarar seus olhos.

— Você é um monstro! — Alba gritou, libertando a raiva oprimida.

— Me chame do que quiser, minha querida. — Puxou os fios que segurava, erguendo ainda mais sua cabeça. — Elas serão as suas últimas palavras...

O garoto sentiu os pelos do corpo se arrepiarem, temendo o que ele faria com sua mãe, porém, sentia-se sem forças para enfrentá-lo. Notou sua visão ficando turva, não conseguindo impedir as lágrimas, que vinham acompanhadas de embrulhos no estômago e calafrios.

Um vulto passou ao lado de Theodore, que no momento não se deu conta do que se tratava, até ouvir a voz familiar.

— Larga ela! — Christopher enlaçou o pescoço de Sidney com o braço, trancando sua respiração. O homem soltou Alba pelo susto e disparou um tiro contra a parede.

A mulher se abaixou no mesmo momento, se encolhendo perto do sofá.

— Cuidado! — Theodore exclamou para o namorado, apreensivo.

— Solta a arma! — O professor insistiu, agarrando com o braço livre a mão armada de Sidney e espremendo seus dedos com toda sua força. — A polícia já está cercando a casa, desista logo!

O homem soltou a arma, parando de resistir contra a chave de braço, sem conseguir respirar.

— E-Eu vou me render... — Sidney murmurou, quase sem voz. — Se você me soltar, eu me entrego...

Eles ouviram estrondos na porta de entrada da sala, como se estivessem chutando-a, para derrubá-la.

Christopher afrouxou o aperto, sendo empurrado no mesmo momento pelo homem, que retirou o canivete do bolso da calça e virou-se para o professor, fincando a lâmina em um de seus braços.

— Eu não apanho de viado.

— Filho da puta... — Xingou, empurrando a faca para fora de si, sentindo o ferimento latejar.

— Polícia! Ergam as mãos! — Um grupo de homens fardados invadiu o local, após derrubarem a porta.

Chris conseguiu ver o espanto de Sidney, que tentou correr para a cozinha, mas por mancar de dor, não conseguiu ir longe, logo sendo rendido por um dos policiais, que algemou-o no mesmo momento.

Alba libertou o choro aprisionado, abraçando os joelhos, ainda encolhida no chão.

Christopher ouviu os homens chamando pelos paramédicos e olhou para Theodore, que estava agachado perto do corpo baleado, chamando pelo nome da governanta, esperando que ela respondesse.

— Gio... Gio! Fala comigo, Gio!

O professor ignorou o sangramento constante em seu próprio braço e correu em direção do garoto, abaixando-se e o envolvendo com o braço que não estava ferido.

— Theo, olha pra mim, amor... — Desviou o olhar dele de Gioconda. — Olha só para mim.

Theodore soluçou, afundando sua cabeça no peito do namorado, fungando e murmurando palavras indescritíveis.

— Calma, calma. — Ignorou a própria dor, beijando a testa do garoto. — Vai ficar tudo bem...

Uma equipe de paramédicos entrou na sala, carregando caixas de pronto-socorro e maca.

Dois homens checaram o corpo caído, tirando um saco escuro de dentro de uma das caixas, assim que constataram a morte.

— Não olha pra isso, Theo. — Christopher abraçou-o ainda mais forte, sentindo os soluços dele em seu ombro.

Após retirarem o corpo da governanta do local, Theodore teve que se afastar de Chris, pois um dos paramédicos começou a tratar do ferimento no seu braço esquerdo; a região foi higienizada rapidamente e precisou de suturas.

Alba, antes encolhida, agora retomava suas forças, mesmo que ainda estivesse abalada, enxugou as lágrimas e enfrentou a situação. Olhando Sidney ser levado para fora da casa, algemado.

Se aproximou do filho e de Christopher, encarando-os com uma expressão nada boa.

— Como você entrou? — A promotora perguntou, assim que terminaram os pontos e enfaixaram o braço do professor.

— Passei pelo portão do quintal, entrando pela cozinha. — O professor respondeu.

— E como sabia o que estava acontecendo aqui? — A promotora novamente o interrogou.

— Eu ouvi os tiros.

— Não o incomode. — O garoto interferiu. — Ele só veio ajudar.

— E o que pretendia fazer aqui?

— É uma longa história. — Christopher respondeu-a. — Mas acredito que precisam de um descanso para processarem tudo o que aconteceu.

Alba cruzou os braços e o filho olhou-a, seriamente.

— Sinto que agora devo ir. — Chris levantou-se.

— Fica. — Theodore se aproximou, ainda com os olhos marejados.

— É melhor não. — O professor olhou de relance para a mulher antes de se voltar para Theo.

— Eles vão nos encaminhar para a delegacia. — Alba afirmou. — Você precisará testemunhar também.

— Certo, nesse caso, eu fico. — Christopher assentiu.

— Já volto. — A promotora se retirou, passando por cima da porta caída para acompanhar os policiais, enquanto levavam o seu marido para o carro. — Você é um canalha, Sidney!

— E você é uma otária! — O algemado tentou se desvencilhar dos braços dos policiais. — Você e o seu filho viado de merda!

Um dos homens fardados que o levava, parou de caminhar e agarrou Sidney pela gola da camisa.

— É melhor nunca mais repetir isso se não quiser apanhar de um viado fardado! — O policial de um metro e oitenta e cinco de altura, exclamou, esboçando uma expressão nada amigável. — Vai, entra logo no carro! Quando você estiver na cadeia e virar princesinha dos outros presos, irá se lembrar dessas palavras...

...♕...

— Eu ainda não acredito! Como você pôde fazer isso com ele?! — Theodore queixou-se para a mãe. — Ele salvou sua vida!

— Eu não fiz nada, Theodore. — Alba respirou fundo.

— Exatamente! Você deveria ter pedido desculpas, no mínimo! — O filho reclamou.

— Theodore, por favor, eu preciso ficar sozinha... — A promotora caminhou até um dos quartos que tinha alugado do hotel. — Eu nem sei o que vou fazer amanhã, preciso avisar a minha mãe, minhas irmãs...

— Você só pensa em você, desde o início, só pensa em você! — Exclamou. — Eu estava certo e você nem sequer me pediu perdão por isso! Não quis reconhecer os seus erros!

— Theodore. — Bufou. — Eu reconheço que eu estava errada, mas podemos conversar amanhã? Minha cabeça está explodindo.

— Foda-se. — O garoto caminhou para o outro cômodo, batendo a porta.

— Droga. — Alba passou a mão pela testa, encostando seu corpo na parede e fechando os olhos.

Theo sentou-se no sofá do quarto do hotel, estavam ali para refrescarem os pensamentos, pois se continuassem em sua casa, o cenário de horror os perturbaria pelo resto da noite.

Theodore sentiu o celular vibrar em seu bolso, era uma ligação.

— Alô?

— Oi amor...

— Chris, que bom ouvir a sua voz. — Deitou-se no sofá. — Eu precisava mesmo falar com você.

— Eu também preciso, mas fala você primeiro.

— Eu não gostei da maneira que minha mãe agiu lá na delegacia... — Suspirou. — Ela nem sequer agradeceu você por ter a salvado.

— Ah, Theo, não se preocupa com isso.

— É claro que eu me preocupo! Você saiu machucado e ela ainda não fala nada, era para ela ter levado um tiro!

— Eu já estou feliz que agora tudo está sob controle, mas ainda preciso saber, como você está, Theo? O que tá sentindo agora?

— Estou péssimo, não posso negar. — Revelou. — E fico pior ainda ao me lembrar de que fui o culpado pela morte da Gio...

— Me diz o que aconteceu, eu só ouvi os tiros.

— Quando desliguei a nossa ligação, liguei para a polícia e logo em seguida tive que ir ver o que tinha acontecido na sala, a Gioconda estava gritando e minha mãe também, tive muito medo que ele tivesse atirado em uma delas.

— E depois disso?

— Eu lutei com ele, usei tanta força que eu pensava que realmente poderia matá-lo e isso era o que eu mais queria. — Confessou. — E depois disso, ele ia me usar de refém para minha mãe assinar os papéis que passavam todos os bens dela para ele, mas a Gioconda me protegeu e acabou sendo a vítima... O que ainda me assombra, é me lembrar da maneira ele usou da Gio para que minha mãe assinasse os documentos.

— O que ele fez?

— Você devia ver, era como se o próprio demônio estivesse ali presente, ele segurava a faca na garganta dela e assim ele... — Fez uma pausa, sentindo seus olhos lacrimejarem. — Ele a degolou, como se não bastasse o que já tivesse feito, ele rasgou o pescoço dela sem dó nem piedade.

— Como esse homem pode ser tão frio? — Christopher fez uma pergunta retórica, ainda perplexo. — Até mesmo com a própria esposa... Se eu mal consigo acreditar em tudo o que houve, imagina a sua mãe.

— Por favor, não vamos falar dela. — Enxugou as lágrimas com a gola da camiseta. — E-Eu não consigo pensar em outra coisa senão a família da Gio... Ela tem uma filha de doze anos, Chris, eu tinha essa idade quando eu perdi o meu pai e até hoje me lembro de como eu me senti...

— Isso realmente dói. — O professor entristeceu-se.

— Ela estava noiva, ia se casar em breve e estava tão feliz por isso... — O garoto soluçou mais uma vez, tentando conter o choro. — Como ele teve coragem?! Como ele consegue interromper uma vida sem se sentir um monstro?!

— Ele provavelmente não foi privilegiado com sentimentos, Theo. E você não deve se culpar por isso, não tinha nada para ser feito.

— Eu poderia ter evitado, eu tive a oportunidade de atirar nele e eu só acertei a coxa! Ninguém morre com um tiro na perna! — Esbravejou.

— Eu não quero que carregue essa culpa com você. — Aconselhou. — Pelo menos já sabemos que esse homem ficará um bom tempo atrás das grades.

— Eu queria tanto que você estivesse aqui, eu não quero ficar nesse hotel, também não quero ir pra casa, eu só quero ficar com você...

— Hotel?

— Sim, passaremos a noite aqui e amanhã minha mãe vai ver o que fazer, disse que não sabe se quer continuar ou não naquela casa, talvez nos mudemos.

— Eu entendo totalmente.

— Ela disse uma coisa que eu concordo. — Engoliu seco. — Nunca mais conseguirei esquecer todo o sangue espalhado por aquela sala...

...♕...

Na manhã seguinte, Alba levantou-se indisposta, com dores nas costas por ter dormido de mal jeito. Ao olhar tudo em volta, todos os acontecimentos do dia anterior vieram à tona, causando-na um enjoo repentino.

Sentou-se na cama e respirou fundo, tomando forças para levantar.

Estava pensativa, não sabia como contaria aquela notícia para a família, mas provavelmente todos os seus familiares já teriam ficado sabendo pelo noticiário.

Procurando pelo seu celular, notou centenas de ligações perdidas em suas notificações. Precisava enfrentar aquilo de um jeito ou de outro.

Após o café da manhã com Theodore, retornou algumas ligações, que vinham de todos os lugares, tentava explicar com toda a paciência do mundo, mesmo sendo difícil controlar o ódio.

Gioconda teve um velório e funeral particulares naquele mesmo dia, o qual foi difícil para ela e o filho se deparar com toda a família da governanta sem se sentirem extremamente culpados, o sentimento pesava em seus corações.

Alba disse palavras de apoio ao noivo e para a mãe de Gioconda, onde até então conseguiu segurar as lágrimas, mas ao se deparar com Theo agachado perto da filha da governanta, não se conteve, tratou de tirar os óculos escuros da bolsa.

Theodore olhava para os olhos marejados de Emily, dizendo:

— Oi Lily, eu me chamo Theo, você pode não me conhecer, mas sua mãe me falava muito de você...

— Ela também me contava de você. — A garota abriu um sorriso triste.

— Eu não sei o que te dizer, não sou bom com palavras, sabe? — Sentiu um nó na garganta. — Só que às vezes nem todas as palavras do mundo podem nos confortar, então... Eu vim te oferecer um abraço.

Theodore desabou em lágrimas quando Emily o abraçou fortemente, sem conseguir disfarçar o choro. Ele e a menina soluçavam, como se distribuíssem forças um para o outro.

...♕...

Aquelas notícias abalaram a família toda de Alba, que prestaram solidariedade naquele momento tão difícil. A mãe de Elizabeth recebeu o sobrinho em casa, sabia que os primos eram chegados e que talvez assim, o garoto se distrairia dos últimos acontecimentos.

Enquanto o filho ficava na casa da irmã, a promotora entrava no carro e retirava um papel da bolsa, onde continha um endereço; colocou-o no GPS do carro e assim seguiu caminho, não demorando muito para chegar em seu destino.

Ao descer do veículo, ainda estava um pouco nervosa, mesmo assim, caminhou até a entrada, tocando a campainha. Sentiu o coração disparar, sem saber o que diria, logo ouvindo passos de dentro da casa, que pareciam se aproximar cada vez mais.

— Alba? — Christopher abriu a porta, se espantando ao vê-la.

Notas finais
Gente, eu não sei nem o que dizer pra vocês depois desse capítulo, mas queria afirmar que foi o mais difícil de todos os que eu já escrevi... E o mais violento também. Outra coisa que eu queria informar, o policial gay que apareceu, que se sentiu ofendido com o Sidney, foi inspirado em um personagem de um amigo meu, então pra quem quer ler uma short-fic de yaoi que tem um policial maravilhoso, aqui o link: https://fanfiction.com.br/historia/640090/Como_Polos_Opostos/ E eu queria pedir pra vocês me falarem o que acharam da nova capa! Eu adorei! ♥