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56 Capítulo 56 — Vida.
Notas iniciais
Capítulo 56 — Vida.
— Querendo ou não, você sempre será o meu filho. — Alba afirmou, com seriedade. — E mesmo que você vá depor a favor dele, não duvide do meu potencial de ganhar a causa.
...♕...
Christopher andou até a casa dos pais, como agora morava no mesmo bairro, não necessitava ir visitá-los de carro. Assim que chegou, tocou a campainha e logo foi recebido por Dulce.
— Filho, que bom te ver! — Abraçou-o e o puxou para entrar. — Estou fazendo aquela torta de maçã que você adora tanto!
— É sério? Então parece que adivinhei. — Soltou uma risada. — E o pai, está aí?
— Tá sim, dando um trato no jardim, vai lá.
Eles caminharam juntos até a cozinha, onde Chris abriu a porta de vidro para o quintal, já podendo ver Edgar com luvas, arrancando ervas daninhas em meio as rosas.
— E aí, velho?! — O professor se aproximou dele, que parou o que fazia, se surpreendendo com sua presença.
— Christopher! — Se levantou, arrancando as luvas sujas de terra que usava. — Como você tá, campeão? E a nova casa?
— Ainda está uma zona, estou devagar nas arrumações. — Riu. — Mas eu tô bem, levando as coisas como posso.
— Ainda está abalado com a notificação da justiça?
— Estou mais preocupado com o que vem a seguir, todo o processo...
— Você já sabe que eu estou te apoiando, não sabe? — Edgar puxou duas cadeiras do quintal, convidando o filho parar se sentar. — Vamos, me conte tudo o que está se passando em sua cabeça.
— Às vezes penso que a Alba, por ser mãe, têm grandes vantagens no caso...
— Por uma parte sim, mas você tem testemunhas, inclusive o próprio garoto para depor a seu favor. Além de termos argumentos plausíveis para usarmos, como o cárcere privado que ela está mantendo o próprio filho, ele não deixa de ter a idade legal para ter a responsabilidade de escolher com quem irá namorar.
— Eu sei disso, mas o que me complica é ser professor dele, ou ex-professor, no caso.
— Relaxa, nós vamos trabalhar bem na nossa defesa, tudo dará certo.
— Eu espero que sim, pai.
...♕...
Naquela mesma noite, Gioconda chamou todos para o jantar, então quando Alba juntou-se à mesa com Sidney, perguntou para a governanta se Theodore se juntaria a eles.
— Eu posso chamá-lo novamente se quiser, mas nas outras vezes, ele insistiu que não subiria, disse que estava sem fome. — Gioconda respondeu.
— Duvido muito que ele virá, tenho certeza que é por causa da nossa discussão, ele não sai do quarto dele desde aquela hora...
— Qualquer coisa, posso levar algo para ele comer mais tarde, somente para não ir dormir de estômago vazio. — A governanta sugeriu.
— De jeito nenhum. — Sidney entrou na conversa, chamando a atenção de Alba. — Se o garoto não quis vir por puro orgulho, acho que ele deveria ir dormir com fome.
— Como? — A promotora se espantou com aquelas palavras.
— Não acha que ele deveria aprender uma lição? Você é mãe dele, a lei maior nessa casa, ele deveria te respeitar. — O marido explicou.
— Não acho que isso seja necessário, mas tudo bem, vamos ver se essa sua teoria funciona. — Alba tomou a taça de vinho em mãos.
— Querem que eu os sirva? — Gioconda indagou.
— Não precisa, obrigada. — A promotora afirmou, dando um sorriso. — Está dispensada, descanse um pouco, Gio.
— Com licença. — A governanta se retirou.
Alba tomou um gole de vinho e retomou o garfo em mãos, somente espalhando a comida do prato, sem apetite.
— O que foi, querida? —Sidney observou-a. — Só porque o garoto não quer jantar, quer dizer que você tem que ficar sem comer também?
— Não é isso, só não consigo esquecer toda a nossa conversação “acalorada”.
— Não pense nisso, vamos somente apreciar o nosso jantar, juntos.
— Está certo, tem razão.
Se retiraram ao quarto após findarem o jantar, precisavam dormir cedo para trabalharem no dia seguinte.
O garoto demorou a pegar no sono, mas acordou disposto na manhã seguinte, se levantando na cama num impulso. Subiu as escadas e olhou tudo em volta antes de sair pela porta; notando que Alba e Sidney já haviam saído para trabalhar.
Se guiou até a cozinha e já notou Gioconda de pé, limpando os balcões.
— Bom dia. —Theodore sentou-se à mesa, vendo-a repleta. — Gio, você caprichou hoje, hein!
— Ah, obrigada. — Ela sorriu, parando o que fazia.
— Eu que tenho que te agradecer, principalmente pelo o que fez ontem. — Revelou. — Aquele seu lanche da madrugada me salvou, eu estava morto de fome!
— Eu imaginei, mas não diga a sua mãe ou ao Sidney, eles não queriam que eu te levasse nada.
— Tudo bem, ficará entre nós. — Mordeu um pedaço de pão. — Mas eu nem tenho mais o que conversar com aqueles dois, o meu nível de paciência já está esgotado.
— Imagino. — Pensou. — Mas então, está ansioso para fazer a prova para concluir seus estudos?
— Estou, esse certificado de conclusão do ensino médio é o que eu mais preciso, não aguento mais olhar para a cara do Ernest.
— Você vai conseguir, tenho certeza.
— De primeiro eu pensei em deixar tudo de lado, sabe? Mas se eu fosse fazer isso só para contrariar a minha mãe, quem sairia prejudicado seria eu, então... Acabei levando a sério as aulas dele.
— E fez bem. — Elogiou. — Agora é só esperar, a prova é amanhã, certo?
— Sim, mas não vou estudar hoje, quero relaxar um pouco a cabeça.
— Então boa sorte.
— Valeu, Gio.
Theodore terminou o seu café da manhã e a governanta retirou a mesa.
O garoto passou um tempo assistindo televisão, enquanto verificava se havia alguma mensagem nova no celular. Como Christopher ainda parecia não ter acordado, resolveu não incomodá-lo, passando algum tempo vendo um documentário sobre a história da matemática.
Além do tédio, Theo estava com calor, com o verão quase chegando, ele decidiu se trocar para dar um pulo na piscina. Se levantou e indo ao seu quarto, tirou suas roupas e trocou por uma bermuda leve.
Assim, após passar protetor solar, partiu para o quintal, com uma toalha em mãos. Enquanto caminhava, escondeu o celular em meio a toalha para Gioconda não vê-lo, mesmo que confiava nela, não queria arriscar.
No quintal, deixou a toalha sobre o deck de madeira, sentando-se com os pés dentro da água, como se estivesse se preparando psicologicamente para pular na água fria. Foi então que ficou em pé e se jogou na água, como uma criança espoleta.
Depois de mergulhar, jogou a cabeça para trás, retirando os cabelos molhados de sua testa e passando a mão sobre os olhos, para remover o excesso de água dos cílios. Sentia-se animado, inquieto. Ria sozinho, sem saber se estava feliz pela prova de amanhã que o libertaria de Ernest para sempre ou por falar todos os dias com o namorado.
Nadou até a beirada da piscina onde havia sentado e enxugou somente as mãos na toalha, sem sair dá água. Pegou o aparelho entre o tecido felpudo e assim ligou a tela, vendo que havia recebido uma mensagem nova. Nela, Christopher perguntava o que ele estava fazendo naquele exato momento.
O garoto deu um sorriso travesso e assim tirou uma foto de rosto, mas que tomava uma boa parte da água. O professor recebeu a imagem onde Theodore estava com os cabelos molhados e com um sorriso enorme no rosto, notavelmente dentro da piscina. Chris sentiu o coração acelerar ao vê-lo, queria ir correndo para a casa de Theo e roubá-lo para si.
...♕...
No dia seguinte, era o último dia de maio e estavam numa terça-feira.
Christopher estava arrumando a casa quando recebeu uma mensagem de Theodore falando que faria uma prova em poucos minutos e no mesmo momento que foi respondê-lo, seu celular começou a tocar.
— Alô?
— Filho, estamos levando Avalon para o hospital, ela está com contrações fortes. — Dulce o avisou.
— O parto não está agendado para a semana que vem?
— Estamos pensando na possibilidade de ser um alarme falso, mas não sendo algum problema com o bebê, já ficamos aliviados.
— Vai ficar tudo bem, mas se você ficar desesperada, vai passar estresse para a Avalon e isso não é bom, tente se acalmar. — Chris se sentou no sofá. — Como ela está agora?
— Pedindo por misericórdia, para alguém tirar o bebê de dentro dela imediatamente...
— Coitada. — Não conseguiu evitar uma risada. — E o Greg?
— Está trabalhando, então estamos com ela no carro até ele poder ir ao hospital.
— Certo, vocês precisam de alguma coisa?
— Por enquanto só te liguei para avisar, mais tarde eu te dou mais notícias.
— Tá bom, vou ficar com o celular por perto.
...♕...
Ao terminar a prova, Theodore observou Ernest recolher a prova.
— Você vai corrigir agora? — O garoto perguntou.
— Eu te daria o resultado amanhã, mas vejo que sua ansiedade é maior. — O senhor riu. — Quer que eu corrija agora?
— Se não for te atrapalhar, eu gostaria.
— Ótimo, então vamos lá. — Ernest colocou seus óculos de leitura, se ajeitando na poltrona do escritório de Alba.
Theo observou-o encarar o papel por alguns minutos, enquanto roía as unhas.
— Vai demorar muito? — Indagou, impaciente.
— Acalme-se, estou terminando.
Theodore deu algumas voltas pelo escritório, até ouvir Ernest dizer:
— Parabéns, você completou o ensino médio.
— Jura? — Arregalou os olhos, se aproximando do professor, dando-lhe um abraço apertado.
— É claro que ainda faltam algumas formalidades, mas já está tudo certo. — Continuou, ao ser libertado pelo garoto.
— Eu não acredito que consegui! — Riu, ainda abobalhado.
Theo se exaltou de felicidade a tarde toda, falando com Gioconda, mandando mensagens para Christopher e quando sua mãe chegou ao trabalho, também deixou-a por dentro da novidade. Não se lembrava de que estavam sem se falar, sua felicidade era tanta que só queria espalhar a notícia para o mundo, sem se importar com quem fosse.
Quando o horário do jantar chegou, a governanta serviu-os. Naquele dia, Theodore participaria da refeição, juntou-se à mesa com sua mãe e não demorou muito para que Sidney chegasse, se desculpando pelo atraso.
— Onde estava, querido? — Alba o perguntou.
— Meu cliente marcou uma reunião de última hora, tentei avisar, mas tive que desligar o celular, perdão.
— Sem problemas, fico feliz que tenha chegado a tempo para o jantar. — Recebeu um beijo rápido do marido. — Tenho uma novidade para você!
— Vamos, me diga. — Sentou-se.
— Ernest já avaliou a prova de Theodore, que se saiu super bem! Falta pouco agora para emitir o certificado de conclusão do ensino médio.
— É sério? Bacana. — Sidney não se exaltou, começando a beliscar a comida.
— É só isso? Não vai dizer nada a ele? — A esposa insistiu.
— E o que você quer que eu diga? — Falou, de boca cheia. — O garoto não fez mais do que a obrigação dele.
Theo ergueu uma das sobrancelhas, querendo voar no pescoço daquele homem e estrangulá-lo até seu último suspiro.
— Olha a maneira que você fala! — Alba mudou o tom da voz.
— Eu não quero elogios de nenhum de vocês. — Theodore pegou um copo de suco.
— Filho, eu sei que você ainda está um pouco ressentido comigo, mas quero que saiba que eu realmente estou orgulhosa de você.
— Um pouco? Ressentido? — Indagou, repetindo as palavras. — Você está errada, não estou “um pouco” ressentido, eu estou ofendido, tremendamente ofendido, não esqueci de nada do que disse naquele dia.
— Larga de ser boiola, garoto! — Sidney empurrou a cadeira, se levantando.
— O que você está dizendo?! — Alba puxou o marido pelo antebraço.
— Você mesma deu um tapa na cara desse viado, falou as verdades que ele merecia ouvir e ainda sou eu o errado aqui!?
— Eu sou a mãe dele! E eu me arrependi! — Exclamou. — Abaixe o seu tom comigo, Sidney e olha só como você fala com o meu filho!
A promotora encarou a expressão vil no rosto do marido, nunca havia o visto com o olhar tão perverso. Já para Theodore, aquilo não era novidade, ele encarava a mãe como se dissesse “eu te avisei”.
— O papo tá até que interessante, mas eu vou terminar de comer no meu quarto. — O garoto afirmou, se retirando do local.
...♕...
Naquela mesma noite, Christopher chegava ao hospital, encontrando com os pais na sala de espera.
— E aí? Como ela está?
— O Greg está com ela agora. — Dulce respondeu. — Os médicos estipularam mais algumas horas para a dilatação, parece que a nossa Chloe realmente nascerá hoje.
— É sério? — Animou-se. — E vocês vão ficar por aqui?
— Eu queria ficar, mas seu pai está caindo de sono. — Apontou para uma das cadeiras, onde Edgar estava apoiado em uma das mãos, fechando as pálpebras.
— Se quiserem descansar, eu fico aqui, trouxe tudo o que preciso. — Chris mostrou a mochila que carregava nas costas.
— Olha só, que prevenido. — A mãe elogiou. — Parece até que você será o pai.
— Bobagem. — Soltou uma risada. — Mas podem ir, eu fico.
— Então nós vamos, mas qualquer coisa me ligue que eu venho imediatamente! — Falou, logo depois vendo Greg se aproximar de onde estavam. — E aí, papai?! Como a nossa mamãe está?
— A Avalon está dormindo agora, deram um analgésico para ela que a apagou.
— E você? Tá cansado? — Dulce indagou.
— Exausto. — Concordou.
— Você veio direto do trabalho? — Perguntou Christopher, vendo o seu uniforme.
— Vim, estou indo pra casa tomar um banho agora, ia até perguntar se você poderia ficar um pouco com ela, Dulce.
— Eu já estava de saída, mas eu posso ficar sim, a menos que você queira ficar, filho.
— Eu fico. — Chris sorriu. — Podem ir.
— Tem certeza? — Gregory inquiriu, olhando para o cunhado e mais uma vez para a sogra. — Eu posso esperar vocês voltarem.
— Eles estavam indo tirar um cochilo. — Christopher anunciou.
— O Edgar insiste que pode cochilar aqui ou no carro, mas as costas dele já estão doloridas de cuidar do jardim esses últimos dias, então acho melhor ele dormir um pouco em casa e depois voltamos...
— Tá certo. — Greg colocou as mãos nos bolsos da calça, vendo Dulce pegar a sua bolsa e puxar o marido de seu assento.
— Nos vemos em breve. — A mulher beijou o genro no rosto e em seguida o filho. — Até mais!
Quando partiram, Gregory virou-se para Chris e perguntou:
— Então, você pode fazer companhia para a Avalon um pouco?
— Posso sim, trouxe até algumas coisas. — O professor o mostrou a mochila. — Não se preocupe.
— Vem comigo, vamos pegar uma autorização para você na recepção.
Christopher percebeu que Greg parecia contrariado, já tinha em mente que o cunhado não gostava muito dele, mas não imaginava que ele o trataria tão gentilmente. Quando pegaram uma identificação de acompanhante para Chris, o futuro papai guiou o cunhado até o quarto particular que Avalon se encontrava.
— Ela está dormindo por enquanto, mas é bom que ela tenha alguém por perto quando acordar. — Gregory sussurrou. — Qualquer coisa você me liga, vou só tomar um banho e talvez comer alguma coisa, não demoro.
— Eu ligo sim, pode deixar.
— Estou indo, até daqui a pouco...
— Até.
Christopher adentrou o quarto após encostar a porta, colocando sua mochila de lado e sentando-se na poltrona do acompanhante. Olhou para a irmã, que parecia dormir profundamente, enquanto tudo em si era monitorado.
Observou os equipamentos por alguns segundos e lembrou-se de Theodore; do dia que seu coração se desfez em pedaços ao ver o rosto do namorado lotado de hematomas, além de ter tentado uma crueldade consigo mesmo.
Não conseguia medir o sofrimento do garoto, nem mesmo entender os seus pensamentos, somente tentava imaginar o tamanho da aflição que Theo havia sentido para decidir aquilo.
Lembrava-se perfeitamente do que sentiu assim que Nicholas havia o informado que Theodore estava no hospital, um desespero tomou conta de si e um arrepio gelado o percorreu quando soube do motivo da internação.
Correu para ver o seu garoto, torcendo para que ele estivesse bem, sem se importar com o que pensariam, só queria ver Theo.
Christopher despertou de seus pensamentos ao sentir o celular vibrar, então olhando em sua tela, a pessoa que dominava a sua mente pouco tempo atrás, o enviava uma mensagem; Theodore perguntava se ele estava bem, o que fazia, além de dizer que tinha novidades.
Então o professor o avisou de todas as novidades, principalmente dizendo onde estava naquele momento, o que deixou o garoto surpreso.
“Eu achava que o que tinha para falar era importante, mas nada se compara a isso.” Enviada por: Theodore.
“Vamos, me diga, o que é? Estou curioso!” Enviada por: Christopher.
“Minha mãe e o Sidney tiveram uma briga feia, ele está mostrando as garras e ela não está gostando nem um pouco, mas estou feliz em saber que ela já viu que o príncipe encantado que ela achou que estava casando, na verdade é um sapo.”
“Isso é sério?!”
“Sim, é... E digo mais, logo vamos saber o que ele planeja tanto contra ela.”
“Eu não gosto de te ver no meio disso, amor, você sabe, estou morrendo de vontade de o tirar daí o mais rápido possível, não estou pressentindo algo bom.”
“Eu já te disse que eu quero, que eu até ajudo na limpeza da casa, é só você me aceitar.”
“Não é tão simples, eu queria que fosse, mas te prometo que vou fazer de tudo para ganhar essa causa. E depois disso, a primeira coisa que eu vou fazer é te roubar pra mim, combinado?”
“Combinadíssimo.”
“Amor, já volto, minha irmã parece estar acordando agora. Vou ver como ela está, beijos.”
Christopher guardou o aparelho no bolso e caminhou para perto da maca, vendo Avalon abrir os olhos vagarosamente.
— Chris, você tá aqui... — Ela falou, bocejando.
— Todos foram descansar um pouco, agora é o meu turno. — Soltou uma risada. — Como você tá se sentindo?
— As dores estão voltando. — Reclamou, levando as mãos até a barriga.
— Vou chamar as enfermeiras. — Chris se deparou com um painel de botões. — Qual desses eu clico?
— Não precisa, não ainda. — Respirou fundo. — Que horas são?
— Meia noite e quinze. — Olhou no relógio.
— Completei dez horas de trabalho de parto.
— E isso é bom ou?
— É bom, estamos perto. — Ela riu, fracamente. — Mas eu só queria que isso acabasse logo.
— Calma, a Chloe virá no tempo dela. — Acariciou a testa da irmã, que mudava a expressão de seu rosto. — O que foi?
— Tá piorando... — Grunhiu.
— Eu vou chamar a enfermeira. — Se deparou com o painel novamente. — Qual botão?
— Qualquer um, aperta todos! — Avalon acelerou a respiração, gemendo de dor.
Christopher assim o fez, sem se importar se estaria apertando algum botão que não deveria, a sua preocupação era maior.
— Liga para o Greg. — A irmã pediu, ainda segurando a barriga.
— Vou ligar. — Retirou o celular do bolso com pressa, notando que suas mãos estavam um tanto trêmulas.
Escutava os toques da chamada, mas ele não atendia, tentou novamente e mais uma vez, nada. A enfermeira entrou no quarto com pressa, logo checando o estado de Avalon.
— Você está com dez centímetros de dilatação. — A mulher avaliou. — Chegou a hora, mamãe.
— Ai meu Deus! — Se desesperou. — Christopher! Conseguiu falar com eles?!
— O Greg não atendeu, tô ligando pra mãe.
Dulce atendeu sem demora, perguntando o que havia acontecido e logo sendo informada de que Avalon já seria levada para a sala do parto.
Uma médica obstetra entrou no local e olhou para Chris, perguntando.
— Você é o pai?
— Não, eu sou o irmão dela.
— E você vai acompanhar o parto?
— Ele vai. — Avalon respondeu, fazendo Christopher olhar para ela assustado.
— Eu vou?
— Eu não vou ficar sozinha!
— Eu vou tentar ligar de novo para o Greg.
Enquanto Chris insistia com as ligações, esperando que o cunhado atendesse, era decepcionado todas as vezes. Então a maca que Avalon estava foi levada para a sala de parto, onde o irmão seguia, começando a se desesperar.
Guardou o celular quando as enfermeiras o entregaram a roupa que teria que vestir e assim obedeceu, colocando as roupas azuis por cima de sua própria roupa, além de touca e máscara cirúrgica. Suas mãos foram higienizadas e assim se dirigiu ao lado da irmã, que além de ansiosa, reclamava das dores, pedindo por anestesia.
Avalon respirava rapidamente, deixando lágrimas escorrerem pelas contrações ainda mais fortes. Lhe entregaram um tubo de oxigênio para facilitar sua respiração e a distrair um pouco da dor.
Os minutos se passaram e Dulce e Edgar chegavam ao hospital, onde procuraram por Avalon, mas foram informados para aguardarem na sala de espera.
Já Gregory, após ter chegado em casa, jantou e tomou um banho, mas se assustou quando voltou para o quarto e viu onze chamadas perdidas do cunhado. Trocou-se rapidamente, retornando as ligações, que iam todas para a caixa postal.
Então ligando para a sogra, foi informado de tudo o que aconteceu, sentindo um embrulho no estômago, ficando apreensivo. Correu para o carro e assim guiou-se ao hospital.
Chegando lá, encontrou com Dulce e Edgar na sala de espera, não conseguiu conter o nervosismo, queria estar com sua esposa na hora do parto e não conseguiu autorização após o procedimento já ter se iniciado.
Enquanto isso, após muito fazer força, Avalon se sentia debilitada, mas ainda assim, emocionada ao perceber que deu à luz a uma nova vida e principalmente ao ouvir o primeiro choro da filha.
Christopher também não conteve a emoção, sentindo os olhos lacrimejarem ao ver e ouvir a sobrinha; a recém-nascida foi limpa e rapidamente inspecionada pela médica. Logo após o breve exame, a obstetra caminhou em direção de Chris.
— Ele pode segurar primeiro?
— Claro, pode sim. — A mais nova mãe, respondeu. — Porque depois que eu pegá-la, não vou querer mais a soltar.
— É por isso que sempre perguntamos. — A médica entregou a recém-nascida para o tio, que a admirava abobalhado.
— É tão delicada... — Sorriu para Chloe, a segurando. — Oi pequenininha do tio.
A bebê ainda chorava, mas seus grunhidos abaixavam a tonalidade conforme Christopher a aproximava do seu corpo, murmurando uma canção. Olhava apaixonado para aquele pequeno ser tão indefeso, que mesmo sendo tão frágil, conseguia amolecer o coração de pedra de qualquer um que o olhasse.
— Deixa eu pegar a minha filha, já segurou demais! — Reclamou, mal dando tempo para o irmão conhecer sua sobrinha.
Chris levou a pequena até ela, colocando-a com cuidado em seu colo.
— Oi minha princesa... — Aconchegou a pequena contra seu peito.
— O Greg já não gosta muito de mim, imagine então quando ver que além de ter escolhido o nome dela, eu a segurei primeiro que ele. — Soltou uma risada.
— Vocês dois e suas competições bobas...
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