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50 Capítulo 50 — Natal.


Notas iniciais
Beijos & Boa leitura! ♕

Capítulo 50 — Natal.

— Quais as novidades? — Theodore perguntou para a prima, assim que desceram as escadas do porão. — Falou com o Chris?

— Falei sim, ele ia me entregar uma carta hoje, mas me disse que não está muito bem...

— O que houve?! — O garoto perguntou, preocupado.

— Relaxa, parece que é só uma gripe.

— Espero que não seja nada sério.

— Ele comentou que Emmet e Michael estão cuidando dele, que vão se encarregar de entregar a carta no lugar dele amanhã.

— Ele não precisava escrever... — Theodore sentou-se na cama.

— Eu disse que você não se importaria, que você entenderia se ele não escrevesse.

— E então?

— Ele fez questão, Theo. — A prima deu um sorriso. — Achei isso adorável.

— O Christopher é mesmo um amor de pessoa. — Susannah sentou-se ao lado do amigo.

— Eu conversei com ele por telefone. — Elizabeth continuou. — Estava um pouco rouco, acho que está com dor de garganta, ele não me disse o que sentia, falou somente que eu não precisava me preocupar.

— Talvez disse isso porque sabia que você me contaria.

— É bem provável.

— Mas se fosse algo bobo, ele não teria motivo de esconder isso de você, diria os sintomas e tudo mais. — Theodore deduziu. — Se ele não quis que você me contasse, pode ser que seja grave...

— Calma, Theo. — Elizabeth interrompeu-o. — Não se estressa.

— Não deve ser nada demais, bobinho. — Susannah completou.

— E se for?

— Ele vai ficar bem, tenho certeza que na carta dele terá os detalhes...

— Espero que sim.

...♕...

No dia seguinte.

— Aqui está. — Christopher selou o envelope com um adesivo e entregou-o nas mãos de Michael.

— Mais alguma coisa? — Emmet perguntou.

— Acho que é só. — Chris respondeu. Sua voz estava fraca pela garganta dolorida, ao mesmo tempo fanha pelo nariz constipado.

— Não vai mandar mais nada?

— Tipo o quê?

— Alguma lembrança para o sardentinho, talvez? Sei lá, quem sabe alguma foto. — Sugeriu.

— Eu não estou em um dos meus momentos mais glamorosos. — O professor se queixou.

— Não precisa ser de agora.

— Espera aí, eu revelei uma foto de nós dois juntos, em um dos nossos primeiros encontros. Num piquenique que fizemos, lá na cachoeira.

— Certo, madame Christie, vamos dar essa foto para ele. — Emmet ordenou.

— Não acha que seria perigoso se alguém pegasse essa imagem com ele? — Michael rebateu.

— As cartas também. — Emmet rolou os olhos. — Se for para arriscar, que seja com estilo.

— Ah, se não for abusar da boa vontade de vocês... — Christopher buscou o seu cachecol no porta chapéus. — Poderiam entregar isso também?

— Sem problemas. — Michael concordou. — Mas por que quer entregar seu cachecol?

— Não tá cheio de catarro nisso não, né? — Emmet debochou.

— Eu não o usei nesses últimos dias, se quer saber. — Chris respondeu. — Eu só queria que ele tivesse alguma coisa minha para se apegar.

— Tá certo, tem lógica.

— Espero que ele esquente o Theo de noite, enquanto ele pensa em mim.

— Chega de emoções por hoje. — Emmet interrompeu. — Você já chorou demais enquanto escrevia a carta, agora você só precisa pensar em coisas boas.

— Tipo o quê? O meu nariz estar horrível e só piorar quando eu choro? — Chris ergueu uma das sobrancelhas.

— Não, algo como quando nós voltarmos, pense que você terá uma carta do mimadinho. — Emmet deu leves tapas no ombro do amigo.

— É, tem razão. — Deu um sorriso torto.

...♕...

— É aquela garota que está vindo ali? — Michael perguntou para Emmet, enquanto avistava a prima de Theodore se aproximar.

— É sim.

Elizabeth atravessou a rua para se encontrar com os amigos de Christopher em frente ao local que haviam combinado, trazendo um envelope em mãos. Se cumprimentaram quando ela chegou, dando um rápido abraço e no mesmo instante, trocando os envelopes.

— Ah, estava quase me esquecendo... — Emmet tirou o cachecol de dentro da mochila que usava. — Chris pediu para entregar isso ao Theo.

— Que gracinha! — Elizabeth admirou-se. — E perfumado também...

— É, ele exagerou um pouco no perfume. — Michael soltou uma risada.

— Tenho certeza que o Theo vai adorar. — Afirmou. — Bom, tenho que ir agora.

— Nós também. — Emmet beijou-a no rosto. — Até depois!

— Até!

...♕...

— Toc, toc. — Elizabeth descia as escadas do porão da casa do primo.

— Lizzie! — Theodore abandonou o livro que lia e engatinhou sobre a cama, enquanto a garota se aproximava.

— Adivinha quem traz notícias do seu amado... — Ela chacoalhou o envelope.

— Me dá! Me dá! — Tomou-o da mão da garota, enquanto ela ria.

— E o Chris mandou te entregar isso também. — Tirou o cachecol de sua bolsa.

— Eu me lembro disso! — Pegou-o e sentiu o tecido macio em mãos. — Que cheiro bom...

— Eu achei isso tão fofo da parte dele.

— Eu também. — Sorriu, envergonhado. — Eu me lembro de uma vez que ele usou esse cachecol quando estava comigo. Ele estava lindo e bem arrumado, como sempre.

— Mas então, Theo, vai ficar aí babando ou vai ler a carta?

— Vou ler. — Mordeu o lábio, abrindo o envelope.

— É uma foto? — Elizabeth se sentou na cama.

— Sim, ele colocou junto com a carta. — Observou o retrato dos dois, relembrando rapidamente de quando tiraram aquela foto.

— Você devia ver a sua carinha agora, tá parecendo aqueles cães sem dono, sabe?

— Praticamente isso, Lizzie. — Desdobrou a folha da carta e fixou seus olhos no papel.

“Como vai o meu pirralho?

Eu estou bem, quer dizer... Sabe, estou um pouco resfriado, mas não é nada que me derrube, ao menos, por muito tempo. Assumo que estou um pouco preguiçoso e pouco vou à academia nesses últimos dias, só que resumindo, as coisas aqui continuam as mesmas.

Fiquei sabendo pela Elizabeth que Susannah já chegou, então creio que você está em boa companhia. Essas duas não devem deixar você descansar, não é? E meninas, caso leiam isso, não me levem a mal.

Só peço para que cuidem bem dele, deem todos os abraços que eu não posso dar, mas beijos não, porque os darei pessoalmente e com a taxa dos acumulados também (insira uma expressão maliciosa aqui).

Voltando um pouco no assunto, Emmet e Michael estão cuidando de mim, eles praticamente viraram a minha mãe, sempre estão me lembrando do horário de tomar o remédio para a febre e dor de garganta, do xarope para a tosse, enfim... Vou sobreviver.

Só ainda não aprendi a lidar com essa saudade que eu sinto de você, ela aumenta a cada dia e infelizmente, para isso não há remédio. Saiba que não há uma noite em que eu vá deitar, que eu não olhe suas fotos, até mesmo os vídeos engraçados que fizemos juntos. Sua risada me faz falta e muito, o apartamento parece extremamente solitário sem sua voz.

Às vezes acordo no meio da madrugada e olho para o outro lado da cama e o vejo vazio, isso me dá um aperto no peito, mas então volto a dormir para passar. Tudo fica bem até eu acordar pela manhã, que é quando eu me lembro mais uma vez de que não tenho o meu dorminhoco esperando por um café da manhã na cama.

Por favor, eu não quero te deixar para baixo com essa carta, só te dizer o quanto eu sinto a sua falta. Você faz parte de mim e como conseguimos ignorar quando uma parte de nós é arrancada?

Continue aguentando firme, por nós, porque eu aguardo ansiosamente o dia que nos reencontraremos pra valer e daí em diante, para ninguém mais separar.

Aqui me despeço, querendo mais do que tudo te dar aquele beijo e um abraço de urso. Eu te amo, branquelo.

Ass: (Seu) Christopher.”

O garoto deixou a carta de lado e enxugou as insistentes lágrimas que escorriam.

— Por que tá chorando, Theo? O que ele diz aí?

— Eu tô com saudade. — Fungou. — Isso tá me matando...

...♕...

Christopher viu os amigos adentrando o apartamento e se aproximou, mal fazendo perguntas, logo retirando o envelope da mão de Emmet.

— Oi pra você também. — O amigo satirizou, vendo Chris abrir a carta rapidamente.

“Para: O professor mais bonito do mundo.

Como você está?

Eu acho que nem preciso falar muito, você já sabe que estou bem, mesmo que nessas condições. Embora esteja trancafiado dentro da minha própria casa, ainda tenho os meus luxos, também posso dizer que sou bem mimado pela governanta.

E falando nisso, te direi algo que ainda não falei para ninguém sobre ela, a Gioconda, ou Gigio, como a chamo às vezes. Ela foi contratada para cuidar daqui de casa, só que mais especificamente, para ficar de olho em mim.

De início não gostei muito da ideia, mas ela mostrou ser uma pessoa muito simpática, então acabei me acostumando com ela. Gioconda estava curiosa em saber do porquê que minha mãe era tão rígida quanto a esse meu castigo, me perguntou o que eu tinha feito de tão errado para merecer um cárcere desses, foi então que me abri e contei a nossa história para ela; que adivinha, me apoiou totalmente e também me contou um pouco sobre a sua trajetória, que não foi nada fácil.

Mesmo gostando da Gioconda, eu estava desconfiado após ouvir uma conversa dela sugestiva com o Sidney, que me fez perceber que eles pareciam amigos. Minha desconfiança não foi à toa, o mais chocante para mim, foi numa noite, quando eu estava indo para a cozinha, acabei ouvindo vozes na sala de jantar, como minha mãe estava dormindo, conclui que era Gioconda, ela estava falando com mais alguém, então logo ouvi a voz de Sidney.

Os dois pareciam brigar, ela estava tirando satisfações com ele, dizendo algo como não era certo o que ele estava fazendo com a minha família, entre outras coisas mais, mas resumindo, ela estava nos defendendo, pedindo para que ele não se casasse com minha mãe se não a amava de verdade. E Sidney continuava dizendo que não era para ela se meter onde não foi chamada, ameaçando-a.

Fiquei apreensivo com essa conversa deles, mesmo com medo de eles me pegarem ouvindo, fiz questão de ficar escondido e ouvir tudo. Sei que você deve estar mais perdido que eu nesse momento, no entanto, eu precisava de alguém para desabafar do que está acontecendo aqui, não quero contar isso à Susannah, porque não quero que ela deixe de falar com Gioconda.

Talvez seja estranho para você, mas eu confio nessa mulher, porque ouvi da boca do próprio Sidney que ela estava lhe devendo um favor, que era para somente cumprir o que ele pediu sem reclamar. Vou te explicar, o noivo da Gioconda acabou se metendo em encrenca e mesmo sendo inocente, ia ser preso, então Sidney, sendo o único advogado que ela conhecia, livrou o noivo dela da prisão, mesmo sem ser pago por isso, porque ela não tinha dinheiro.

Nisso surgiu o “favor” que ela o devia, então ser nossa governanta foi a missão que Sidney escolheu para ela, o que é totalmente lógico, já que ele não colocaria uma pessoa desconhecida dentro da minha casa. Pense bem, caso uma empregada comum ouça algo suspeito da parte dele, poderia acabar com tudo o que ele está planejando.

E seja lá o que for, ele está arquitetando perfeitamente bem, porque está andando sempre calado e pensativo, vai ser difícil descobrir o que esse homem tá querendo.

Sei que essa carta já deu folhas demais, mas eu não queria deixar de dizer que no dia seguinte ao que Susannah chegou, fui à loja de noivas com ela e com minha mãe, mesmo que contra a minha vontade. Minha mãe encomendou um smoking para mim e tive que ir experimentar para terminarem os ajustes.

Você deve estar se perguntando do porquê de eu ter me sujeitado a isso, pois você sabe muito bem que eu me rebelaria e me negaria até o último momento a participar de qualquer coisa que envolva o casamento dela. Só que o que me ocorreu, é que se eu colaborasse com isso, seria mais fácil adentrar no “círculo” da minha mãe, talvez abrindo alguma brecha para eu conseguir desfazer isso enquanto há tempo. Enfim, quero ir aos poucos e ver o que eu posso fazer para ela ver realmente quem Sidney é.

Ah, eu queria muito saber o que você está fazendo nesse momento... Estou escrevendo essa carta antes de dormir, mas bem que eu gostaria de ir para a cama e encontrar você embaixo dos meus lençóis. Estou morrendo de saudade, até ia falar que você não faz ideia do quanto, mas acredito que você sabe como dói, tanto quanto eu.

Bom, meus olhos estão pregando de sono, melhor ir deitar logo... E psiu, eu te amo, tá? Eu sei que você sabe, mas enfim, é só para não perder o costume.

PS: Oi de novo, tinha escrito a carta na noite passada, mas hoje à tarde Elizabeth chegou e me contou que você estava doente, então não resisti e decidi acrescentar que eu espero que tenha melhorado. Estou ansioso para receber notícias suas.

Aqui me despeço pela segunda vez. Beijos e abraços do seu aluno nota A+.”

Christopher abaixou as folhas, dobrando-as da maneira que estavam antes, com um sorriso enorme no rosto.

— E então? O que ele diz aí? — Michael perguntou.

— Posso ler? — Emmet não resistiu.

...♕...

— Eu vi isso, Susannah. — Theodore falou para a amiga, após sua prima ir embora de sua casa.

— Viu o quê?

— Esses olhares que vocês duas trocaram, o tempo todo.

— Não seja idiota. — Susannah sentou no sofá, ao lado do garoto.

— Você pode até dizer isso, mas não sei porque você fica tão envergonhada perto dela.

— Vamos ver... Não seria por que ela me beijou? — Pegou uma almofada e jogou-a contra Theo. — Eu duvido que você saberia o que fazer se fosse eu.

— É claro que eu saberia.

— Ah, sim, então o que faria?

— Pegaria ela de jeito. — Respondeu, gargalhando.

— Babaca! — Voltou a pegar a almofada e golpear o amigo.

— É brincadeira, ai! — Se defendeu.

— Eu não gosto dela! O quanto eu tenho que te dizer isso?! — A garota exclamou, tentando não rir.

— Tá bom, não está mais aqui quem falou!

— Ei, o que está acontecendo aqui? — Alba se aproximou, aparentando preocupação.

— Não estamos brigando, relaxa, Alba. — Theodore respondeu.

A promotora fechou a cara, nunca gostava de quando o filho a chamava pelo primeiro nome.

— Tá certo. — Torceu o nariz.

— Você tá uma gata, tia. — Susannah elogiou. — Vai sair?

— Sim, Sid e eu sairemos para jantar.

— Está pronta, querida? — Sidney chegou, abotoando o terno.

— Estou sim.

— Vamos?

— Bom, estou indo. — Afirmou. — Juízo, crianças!

...♕...

Uma semana depois, véspera de natal.

— Você está linda, Su... — Theodore se aproximou da amiga, boquiaberto.

— Você acha mesmo? — Ela sorriu, terminando de colocar o par de brincos dourados.

— Eu não mentiria.

— E você tá lindo também. — Pegou sua bolsa.

O garoto usava uma calça jeans escura e suéter pelo tempo frio, por cima, uma jaqueta de couro; já a amiga havia escolhido um vestido de mangas longas, vermelho. Eles passariam a ceia de natal na casa da avó de Theodore.

Todos se encaminharam à casa de Coraline. Ao chegarem, Theodore pulou do carro, arrastando a amiga com ele, entrando no casarão de sua avó com pressa.

O garoto andou por alguns cômodos, até ver o irmão de Elizabeth.

— E aí, Evan? Cadê a Lizzie?

— Vi ela indo para o jardim!

— E o que ela foi fazer lá fora?

— Não sei. — O pequeno ergueu os ombros.

— Vem, Su. — Theo chamou Susannah e ambos foram até a porta que dava ao quintal.

Eles andaram juntos pelo caminho cimentado, olhando para os lados, procurando a garota.

— Por que estamos aqui, afinal? — Susannah perguntou. — O que quer tanto falar com ela?

— Nada, só quero ver minha prima, não posso?

— Você tem muitos outros primos, Theodore, você não me engana. — Ela semicerrou os olhos.

— Ali está ela, perto da piscina!

Se aproximaram de Elizabeth, que estava de pernas cruzadas, olhando para a água fixamente.

— Liz, o que está fazendo aqui? — O garoto perguntou. — Tá frio aqui fora...

— A-Ah, oi Theo. — A prima pareceu despertar de algum transe. — E Su...

— Oi. —Susannah sorriu timidamente.

— Você está linda. — Elizabeth olhou atentamente para o rosto da garota. Percebeu que mesmo a maquiagem que ela havia passado estava fraca, os olhos verdes de Susannah se destacavam.

— Obrigada. — Agradeceu, sem jeito.

— Não, é sério... — Lizzie aproximou-se. — Você está maravilhosa, Su, muito mesmo.

...♕...

Naquela mesma noite, Christopher havia terminado de se arrumar para ir até a casa de Emmet e Michael para a ceia. Olhou-se no espelho antes de sair, se forçando a dar um sorriso, era a primeira vez que tinha se arrumado depois de tudo o que vinha acontecendo nas últimas semanas.

Desde que firmou compromisso com Theodore, sabia que enfrentariam isso algum dia, mas o professor realmente esperava que fosse de uma maneira melhor. Chris pegou a chave do carro e saiu, se despedindo de Dora.

Christopher ficou pensativo durante o percurso, as palavras da carta de Theodore da semana passada não haviam saído de sua cabeça. Desde que tinha lido tudo aquilo, procurava alguma maneira de ajudar Theo, nem que fosse somente com sugestões do que ele poderia fazer.

Chegando então na casa dos amigos, adentrou o local e cumprimentou todos, Victor e David também estavam presentes. O professor ficou surpreso por finalmente conhecer o namorado de Victor pessoalmente, reparando que David aparentava ser poucos anos mais velho que o veterinário.

David tinha a pele um pouco mais branca que a de Victor e seus cabelos eram escuros, penteados para o lado, passando uma feição de seriedade. Os olhos do fotógrafo eram claros, de relance Christopher não soube dizer se eram verdes ou azuis, talvez até uma mistura dos dois.

Michael estava em uma partida de xadrez com David quando Chris chegou, enquanto Emmet somente assistia.

— Você entrará na próxima, Chris! — Afirmou Michael, sem tirar os olhos das jogadas. — Assim que eu ganhar do David!

— Vá sonhando. — O fotógrafo riu alto.

— Tem cerveja aí? — Christopher perguntou.

— Tem sim, na geladeira. — Emmet respondeu. — Traz uma pra mim?

Victor parou de observar as estratégias do namorado quando se levantou para seguir o professor, que se encaminhou à cozinha, abrindo a geladeira e pegando duas garrafas de dentro dela.

— Eu vou querer uma também. — Victor falou, pegando Christopher de surpresa, que pensava estar sozinho na cozinha.

— Aqui está. — Entregou uma das garrafas ao veterinário.

— Então Chris, eu fiquei sabendo desse lance com a mãe do Theo... — Victor removeu a tampa da sua cerveja. — Como você está?

— Estou bem. — Respondeu, abrindo as duas outras garrafas.

— Quero saber como você ficou depois de isso acontecer. — Enfatizou a pergunta.

— É complicado dizer. — Encostou-se ao balcão. — Eu ainda não entendo muito bem o que a mãe dele pretende com tudo isso, porque achei que ela me denunciaria, mas ainda nada...

— Deve ser uma barra. — Tomou um gole da bebida. — Te desejo boa sorte, Chris, eu realmente estou torcendo por vocês.

— Valeu. — Sorriu de lado.

— Ah, eu queria saber... — Fez uma pausa. — O que você achou do David? Qual foi a primeira impressão que você teve dele quando entrou?

— Se ele gosta de xadrez, já me simpatizei. — Afirmou rindo. — E nossa, ele é enorme...

— Ele é o meu tipo de homem. Por que acha que eu namorei com um cara cinco centímetros mais alto do que eu? — Fingiu limpar poeira nos cabelos de Christopher. — É raro encontrar um desses dentro das minhas condições.

— Quer dizer... Que goste de ser passivo?

— Hoje em dia não ligo tanto para isso, eu quis dizer que seja sensível.

— Ah, sim, mas então você já... Você sabe.

— Não, nós ainda não tivemos interesse. — Concluiu. — Estou disposto a fazer com quem valha a pena, só que quero uma boa prova de mérito até lá.

— É sério? Tem que merecer a sua porta dos fundos? — O professor provocou, soltando uma risada.

— Talvez. — Victor também riu. — Eu adoro o David, talvez ele seja o felizardo a inaugurar. E você com o Theo? Já liberou alguma vez?

— Bem, eu... — Mordeu o lábio. — Uma vez.

— Que bom! Depois que terminou comigo por isso, achei que teria trauma para o resto da vida.

— Não foi tão... Espera! — Chris arregalou os olhos. — Como você sabe que eu terminei com você por isso?

Victor lhe lançou um olhar desafiador.

— Michael ou o Emmet te contaram?

— Não, não. — O veterinário riu. — Eu sou de aquário, não tente me enganar. E caso você não acredite em signos, eu posso ser bem perceptivo... Eu me lembro bem de que você nunca parecia contente depois que nós, bom, você sabe. E mesmo que não tenham sido muitas vezes, quando tentei conversar com você para saber o que estava errado, ou para tentarmos mudar a técnica, você já veio com um papinho de que não éramos compatíveis, querendo terminar. Ou seja, não tive dúvidas.

— Olha Vic, eu... Nossa, foi um motivo idiota, eu deveria ter conversado com você sobre isso naquela época.

— Relaxa, você sabe bem que não daríamos certo. — Levantou a garrafa, para um brinde. — E outra, seu amiguinho é grande demais para a minha primeira vez, prefiro caras como o David para ter a certeza de que não vai doer.

Os dois riram, voltando juntos para a sala de estar, onde todos estavam reunidos.

Notas finais
Agradecimentos ao Gleidison (Sr Onii aqui no nyah) por ter me ajudado com uma cena importante desse capítulo, obrigada, mesmo, viu? E gente, ele escreve bem demais, dêem uma olhadinha no mais novo projeto dele: https://fanfiction.com.br/historia/660406/Hibridos/